Jericoacoara: Estupro de turista que se repete em Jericoacoara. Na mesma época Gaia Molinari era assassinada ano passado


por Emerson Castelo Branco*

 Captada de O Povo Online-ceará Jericoacoara

Quando o possível criminoso volta à cena do crime.                                                                     Captada de O Povo Online-ceará Jericoacoara

Os jornais O POVO e DIÁRIO DO NORDESTE noticiam que uma jovem turista alemã foi estuprada em Jericoacoara na madrugada de sexta para sábado, por volta de 3 horas da manhã.

Exatamente na mesma época, também de madrugada e também afastada da Vila, a italiana Gaia Molinari foi assassinada.

É impressionante o número de estrangeiros que se distanciam da vila durante a madrugada e correm perigo.

Disse e repito: quem assassinou Gaia provavelmente é um maníaco que a abordou para estuprá-la ou um assaltante, ambos provavelmente drogados, porque impressiona o número de pessoas que usam droga em Jericoacoara e se valem das condições propícias do local para o cometimento de crimes.

Sei que uma AÇÃO FORTE da Polícia ali é contra o interesse de muitas pessoas que vivem do comércio da droga, dessa “zona livre”, tanto é verdade que a última operação da Polícia Civil no local incomodou muita gente ali.

É preciso intensificar as ações em Jeri, acabar com esse “paraíso das drogas” no local e ter policiamento OSTENSIVO nas áreas ESCURAS ao redor da vila, locais de cometimento de crimes.

Pelo seu imenso potencial turístico, acredito que definitivamente deve existir uma delegacia da Polícia Civil na própria vila, plantões da Polícia Civil na própria vila, policiamento ostensivo da Polícia Militar, operações PERMANENTES de combate ao uso e ao tráfico de drogas, monitoramento de todas as áreas por meio de câmeras de segurança etc.

O problema é que isso prejudica o INTERESSE de muita gente importante que frequenta esse paraíso e de parte dos empresários do setor turístico no local.

*Emerson Castelo Branco é defensor público e o primeiro a atuar na defesa de Mirian França, no final de dezembro de 2014,  que foi acusada de ter matado Gaia Molinari, permanecendo 30 dias na prisão em Fortaleza.

Nota da Mamapress e do Sos Racismo Brasil:
É urgente a apuração do caso de estupro de turista alemã, que aconteceu neste período natalino de 2015, que guarda extrema semelhança com o caso de assassinato da turista italiana Gaia Molinari no mesmo local, em dezembro do ano passado.

A reabilitação total de Mirian França, falsamente acusada de assassina, se faz necessária de uma vez por todas.

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Caso Mirian França&Gaia Molinari: Polícia tenta montar quebra-cabeças


Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur) continua as buscas por provas que possam definir o autor do crime

Emerson Rodrigues/Melquíades Júnior/Thatiany Nascimento
Editor de Polícia/Repórteres

reblogado do Diário do Nordeste 26.02.2015

Em dois meses de investigação, pelo menos sete pessoas, entre brasileiros e estrangeiros, foram questionadas pelo possível envolvimento com Gaia Bárbara Molinari, inclusive na sua morte. A Polícia tem a missão de desvendar o que se passou ao redor da italiana entre os dias 21 e 24 de dezembro.

Embora frequentes, as festas em Jericoacoara estavam envoltas em período especial, pois era Natal. Na noite de 24 de dezembro, bares e restaurantes fecharam mais cedo. Quem não ficasse em casa poderia ir para as festas divulgadas no “boca a boca”. Onde estava Gaia na noite de Natal? Ou melhor, entre 18h30 e 0h? Para onde foi no início da noite? Com quem, desde que foi vista saindo da borda da piscina da pousada?

A Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur), responsável pela investigação do caso, colheu amostras de DNA de ao menos seis pessoas. A intenção é saber quem poderia ter participado da autoria material do crime e encontrar uma combinação positiva para amostras colhidas no corpo e em objetos encontrados próximo a Gaia.

Quebra-cabeças foto diário do nordeste

Quebra-cabeças
foto diário do nordeste

A reportagem apurou que pelo menos cinco resultados negativos já foram confirmados, entre eles, Mirian e Edinho. Mas isso não descarta a eventual participação no assassinato. Isso porque surgiram novas peças coletadas e exames de DNA e de perícia técnica em objetos tanto de Gaia quanto dos suspeitos. A investigação continua.

Desde o dia 27 de dezembro, da primeira visita de policiais civis da Especializada, várias incursões têm sido realizadas na vila de Jericoacoara. As idas e vindas são medidas a cada nova informação que chega, especialmente se corrobora com as duas linhas de investigação seguidas pela Polícia. A primeira, de crime passional, e a segunda, que permanece em sigilo.

Na noite de 25 dezembro, o subtenente Rodrigues, do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur) de Jericoacoara, afirma à reportagem a existência de um “forte suspeito”. No dia 26 de dezembro, a carioca Mirian França é ouvida como testemunha na Deprotur em Fortaleza, após ser localizada em Canoa Quebrada no dia anterior. Ela tinha viajado para Jeri com a vítima Gaia Molinari. Ambas se conhecem em Fortaleza e decidem ir juntas. Ficam no mesmo quarto da pousada.

O registro da hospedagem estava no nome de Mirian, e foi o número de celular o ponto de partida para sua localização. Ela relata os dias vividos com Gaia e direciona o seu primeiro depoimento para um italiano instrutor de windsurf. Após o depoimento da farmacêutica Mirian, a delegada Patrícia Bezerra recebe uma ligação do coronel Júlio Aquino, chefe do Comando de Policiamento do Interior (CPI) Norte. Ele está com um suspeito. Era Edson Veríssimo, o Edinho, o “forte suspeito” apontado por populares e pelo BPTur já horas após a descoberta do corpo.

Edinho, de 28 anos, havia assassinado a faca outro rapaz anos atrás. Segundo a família, tem transtornos mentais, advindos desde as primeiras overdoses com entorpecentes.

No dia 27 à noite, a delegada liga para Mirian dizendo que precisa que vá com ela até Jericoacoara, onde as equipes já estavam colhendo informações. Um dia depois, ainda na Vila, o italiano é ouvido pela Polícia, nega envolvimento com a morte de Gaia e aponta fundamentações, confirmadas por testemunhas, de que não estava com ela. No mesmo dia 28, Valentina Carrara, mãe de Gaia, presta depoimento à Polícia da província de Piacenza, na Itália.

Conta sobre os diálogos que teve com a filha, via Skype, quando ela estava em Jericoacoara na companhia de Mirian. “É estranho presentear com este tipo de passeio de férias, que tem alto custo para quem conhecia a pouquíssimo tempo”, afirma, referindo-se ao convite feito por Mirian para que Gaia a acompanhasse na viagem já custeada pela carioca.

Diante das contradições e outros elementos apontados pela Polícia após acareação com o italiano, Mirian tem a prisão temporária decretada pela Justiça. Nos dias que se seguem, a Polícia colhe depoimentos de um casal de estrangeiros, uruguaio e francesa; um homem apontado como traficante; um kitesurfista, além de outras pessoas que tiveram algum tipo de contato com as duas turistas. O quebra-cabeça está com as peças na mesa.

Novas diligências em Jericoacoara

Dezenas de pessoas ouvidas, cerca de 15 laudos periciais ainda a serem entregues, mais de 500 páginas compondo um inquérito, ainda em curso forma, em dois meses, intrincada teia de investigação da morte da italiana Gaia Molinari. O crime teve repercussão internacional. Nas redes sociais, a prisão de Mirian, a única realizada até agora, é alvo de críticas por parte de movimentos sociais. Nessa tese, seria uma mulher, negra, sendo acusada injustamente. Para a Polícia, é uma suspeita, com evidências para fundamentar a prisão. A Defensoria Pública contesta: as investigações estariam explorando a personalidade de Mirian em detrimento das questões centrais que envolvem o crime de morte. Outros detalhes do caso permanecem sob sigilo.

Novas diligências são feitas. Desde ontem, uma nova incursão da equipe de investigadores, chefiados pela delegada Patrícia Bezerra, segue na Vila de Jericoacoara. Busca elementos e novos testemunhos que deem mais fundamento às linhas de investigação traçadas.

A Polícia tem convicção, em indícios já revelados e em outros ainda sigilosos, de que está no caminho certo, mas sem mensurar tempo e hora de chegada. A Defensoria Pública, por sua vez, diz estar convicta de que não há envolvimento de Mirian França, os elementos apresentados seriam frágeis. A farmacêutica voltou para o Rio de Janeiro no dia 14 de fevereiro, cerca de um mês depois de sair da Cadeia e ser liberada do compromisso firmado com a Justiça de permanecer em solo cearense.

Indiciamento

De acordo com a Polícia, não está descartada a possibilidade de indiciamento não somente pelo assassinato como por outros crimes. O mesmo vale para os outros suspeitos. Enquanto não é resolvido o mistério, o que a lupa investigativa da Polícia tem de mais evidente ainda é a imagem de um corpo inerte nas dunas do Serrote, uma área isolada, mas que faz caminho da Vila até a Pedra Furada. É onde se tem o principal cartão-postal do “paraíso” de Jeri.

A região, formada por rochas e dunas, trilha para o turista, é agora lembrada pelo que ficou no caminho. Uma mulher sem vida, com marcas de violência, descalça, de biquini e com uma mochila. Nela, uma canga, cópia do passaporte, garrafa de água, pote com búzios, fone de ouvido. Sem indícios de furto ou estupro, ainda faltam as peças que respondam: quem matou Gaia?

nota-da-mamapress

 

Dois meses depois: Quem matou Gaia Molinari? Entrevista com Mirian França


NOTA DA MAMAPRESS:

Foto: Melquíades Junior

Foto: Melquíades Junior

Um engano que custa a paz de milhares de pessoas, pobres, pretas/os, mulheres, homens e homossexuais, que mofam hoje nas prisões brasileiras;
Porque viaja sozinha?
Porque ainda é solteira?
Porque não teve filhos?
Porque é mentirosa?
São perguntas que quando não respondidas dentro dos padrões aceitos pela moral de delegados/as. levam ao pré-julgamento das mulheres, logo colocadas como suspeitas de assassinato, devido a forma independente de vida que levam.
Mirian Franca ainda não entendeu o que se passou e como foi acontecer logo com ela, que queria ajudar, e se transformou para a delegada e imprensa na “grande e perigosa criminosa que matou uma estrangeira”. Ninguém consegue entender quando cai nestas armadilhas do destino racista, intolerância e violação dos direitos civis de cidadãos, em que qualquer um de nós pode cair de uma hora para outra, justamente nos momentos em que estamos mais tranquilos e felizes, nos sentindo no paraíso.
É um fato que logo todos esquecerão no dia a dia de injustiças cometidas. Par Mirian França entretanto, ficam marcas, como bombas do tempo, de um racismo subjacente a todo o caso, que podem explodir internamente a cada tempo. A busca do “compreender” de forma intelectual, tudo o que se passou, ajuda a se proteger da dor psicológica dos primeiros momentos pós-agressão institucional do racismo camuflado.
As marcas das agressões verbais ao se ouvir como mentirosa, os seis dias de dúvida lançada como criminosa numa cela imunda e sem água para beber, os interrogatórios sem a presença de um advogado, são marcas portanto, que mesmo indeléveis ficam para sempre.
Miriam França, sua família vão necessitar no futuro do apoio moral, psicológico e espiritual de suas amigas e amigas.
Nossos corpos e almas veem e sentem o que não é falado nem explicitado pelos algozes da moral, dos preconceitos, intolerâncias e racismo.
Mirian é uma mulher de forte formação moral baseada na busca da verdade.
Que tenha sempre amigos e amigas ao lado. Nas horas em que no silêncio da noite a revolta e indignação com todo o absurdo pelo qual passou, não a fira mais do que uma entrevista nos revela.
É um quebra-cabeças, que quebra com as nossas cabeças.

Entrevista concedida por Mirian França no dia 13 de fevereiro, logo após ser liberada prisão, para responder em liberdade a acusação de assassinato de Gaia Molinari, que lhe foi imputada. 

Veja o vídeo da entrevista:

http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/cidade/dois-meses-da-morte-da-italiana-1.1229105

Mirian França

Mirian França

Na tarde do último Natal, há exatos dois meses, um casal que passeia entre o caminho da Pedra Furada e a Vila de Jericoacoara avista um corpo de mulher deitado sobre areia rodeada de vegetação rasteira em cima da duna. De lá para cá, não se sabe quem matou a italiana Gaia Molinari. Vestida de biquíni, com uma mochila nas costas, cabeça ferida como se a golpes de pedra. Forte pancada na testa, outra evidente agressão no queixo. Mãos roxeadas, como se houveram amarrado, e marcas no pescoço que, depois, a perícia confirma estrangulamento. Quem matou Gaia? Foi encontrada na região do Serrote, mas ali mesmo assassinada?

Leia mais: Delegada aponta as contradições de Mirian

QUEM MATOU GAIA?

Dois meses da morte da italiana

Matéria de 25.02.2015 da Verdes Mares-Fortaleza

Série especial aborda os elementos traçados por defesa e acusação em torno da misteriosa morte de Gaia Molinari

Fonto Melquíades Junior

Fonto Melquíades Junior

Conhecido paraíso de tranquilidade, Jericoacoara, pertencente ao município de Jijoca, é repercutida, mas não por seu cartão postal.

Gaia estava a passeio e foi encontrada no vazio da região do Serrote. Crime cercado de mistérios. Nas primeiras horas em que o corpo é encontrado, um suspeito logo foi apontado. “Edinho é perturbado da cabeça e já furou um”, diz um dono de pousada. “Ele acabou morrendo”, esclarece o próprio ‘Edinho’. Do lado de fora da casa de Edson Veríssimo, ali considerado suspeito, pessoas se aglomeravam. Policiais o pegam em casa para prestar depoimentos, depois é liberado para casa. Para a polícia, continua suspeito de envolvimento. Assim como um italiano, um uruguaio e brasileiros, entre eles Mirian França.

Suspeita principal, a farmacêutica carioca viajou para Jericoacoara com Gaia. As duas teriam se conhecido em Fortaleza com desejos parecidos. Passear. Mas Mirian voltou para Fortaleza sem Gaia e esse é apenas um dos muitos questionamentos levantados pela delegada Patrícia Bezerra, que preside o inquérito.

Acusada, presa, exposta e se dizendo pressionada psicologicamente, Mirian França se torna peça importante de um quebra-cabeças. Sua prisão tem repercussão na medida em que a morte de Gaia causou interesse público.

Mas há muitas peças soltas, e os desdobramentos podem ser imprevisíveis. Tentamos, se não montar, encontrar quem as encaixe. Com exclusividade, Mírian França, Patrícia Bezerra e Gina Moura nos concedem entrevistas em que ouvem a pergunta: Quem matou Gaia?

A Entrevista de Mirian França

“Não menti para a Polícia, não posso pagar pelo que não fiz” 

Você matou Gaia, ou teve algum envolvimento no crime de morte dela?

Não tive nada a ver com isso, absolutamente, nenhuma relação com isso. Ajudei a Polícia desde o início. Não vieram atrás de mim. Eles me ligaram, falaram hora e onde eu deveria me apresentar, às 6h da manhã, que era o horário que estaria aberto. Eu me apresentei no posto policial (em Canoa Quebrada, para onde foi depois de Jeri), eles me trouxeram pra Fortaleza prestar depoimento. Eu sempre falei que estava com dificuldades de me lembrar de tudo que tinha acontecido. Estava fazendo um esforço grande para poder ajudar. A medida que fui me lembrando de outras coisas procurei a Polícia, liguei, informei. Foram me buscar pra fazer reconhecimento de suspeito, mostrar fotos. Tinham o meu endereço o tempo inteiro.

A Polícia fala em contradições suas. Porque teriam colocado você da posição de testemunha para suspeita?

Não entendi ainda como fui envolvida nisso. Desde o meu primeiro depoimento, quando falei para a delegada que estava com dificuldade de lembrar de toda a situação ali, mas que estava fazendo um esforço para lembrar. Contei pra ela o que tinha acontecido, um pouco da nossa viagem, do que conheci da Gaia. O meu segundo depoimento já foi muito sob pressão. Mas falei novamente toda a história do primeiro depoimento. As ditas contradições eu não entendo, pois no terceiro depoimento eu também falei novamente as mesmas coisas.

Que pressões são essas a que se refere?

As pessoas estavam pressionando muito. Reiterei o que tinha dito, mas as pessoas me olhando com desconfiança. Não tinha ninguém ali do meu lado e já foi um momento bastante tenso porque a Polícia me pegou no dia 28 (de dezembro) pela manhã onde eu estava hospedada, me levaram para Jeri. Passei o dia inteiro escoltada. Não percebi o que estava acontecendo comigo. No final da tarde, fui colocada numa delegacia para prestar depoimento, numa sala isolada de outras pessoas. O celular já tinha sido tirado de mim. Mostrei pra Polícia como acessava o celular. Nesse dia, antes de eu chegar na delegacia, uma policial tinha falado que estavam achando que a Gaia tinha morrido no dia 25 e não no dia 24. Fiquei pensando: caramba, ela passou a noite inteira sendo torturada, agredida? Eu estava sentindo muito medo, desesperada. E não percebendo por que já estava sendo considerada suspeita.

Como ficou sabendo da morte de Gaia?

A reserva lá em Jericoacoara estava no meu nome. Quando a dona da pousada soube, o contato da Gaia era eu, meu número estava lá nos registros. Eu já estava em Canoa Quebrada. Fiquei chocada, paralisada, não aceitando aquilo.

Vocês viajaram juntas. Porque saiu de Jericoacoara sem ela?

Tínhamos que estar no ônibus de 22h30 para voltar pra Fortaleza. A maior parte do tempo fiquei na pousada. Quando deu a hora, a Gaia não estava por lá. Procurei por ela, mandei mensagem no ‘whatsapp’, mas estava na hora do ônibus sair, eu pensei que ela tinha ficado para uma das festas que aconteciam no local. Estava me sentindo tão segura naquele local, e acho que a Gaia também. O fato de ter saído sem ela não foi falta de amizade, de preocupação, que abandonei a menina pra morrer. Era um dia de festa. Eu achei que ela estava ali, perdeu a hora do ônibus e ficou para uma festa. Nunca imaginei que uma coisa dessa iria acontecer.

Você chegou a imaginar o que pode ter ocorrido?

Depois da notícia, eu não lembrava direito de tudo que tinha acontecido ali. Comecei a ir lembrando de todas as coisas, desde o dia em que a gente chegou, com quem a gente conversou, coisas que tinha me falado, o que comentou de outras pessoas. Procurei resgatar todas essas lembranças para ajudar o máximo possível. Claro, elaborei várias coisas na minha cabeça, do que poderia ter acontecido, mas não quero entrar nesse aspecto para não influenciar na investigação e expor outras pessoas. Eu passei para a Polícia, mas não quero dizer aqui.

Como foram os dias na prisão?

Muito difíceis. A cadeia é um ambiente muito hostil. Passei os primeiros seis dias na sela comum, com as outras presas que chegavam ali, sem nenhuma condição de higiene. É um local em que eles te jogavam ali, você só recebia almoço e janta. Nem água a gente tinha. Bebia do chuveiro. Nem era chuveiro, na verdade, era um cano em que caía água. Antes de ser entregue na Decap (Delegacia de Capturas) eu passei a noite inteira com os policiais, sob pressão psicológica. Sendo acusada de coisas que não fiz.

Como o quê?

Como por exemplo mentir. Fui levada de Jericoacoara direto para a ‘Captura’. Cheguei ali não lembrava direito das coisas que aconteceram comigo naquela noite. Eu cheguei na sela gritando muito, falando para as pessoas que estava sendo acusada de assassinato e não lembrava o que tinha acontecido. Eu conheci muitas meninas e todas elas nessa mesma solidariedade. Fiquei surpresa com isso. Não pensava que na cadeia era assim, a hostilidade maior veio mesmo do sistema carcerário.

Acha que ser mulher, negra, em algum momento isso interferiu diante das acusações?

O racismo hoje em dia é uma coisa que você só sente, as pessoas não falam abertamente sobre isso. Se fui vítima de racismo, não sei porque as pessoas não falam nada abertamente. Mas é claro que achei estranho, dentre várias pessoas que estavam sendo consideradas suspeitas, pessoas estrangeiras que estavam ali, eu, que sou uma negra, fui exposta desse jeito, considerada suspeita e nem entendo o porquê. O que eu senti muito, vi e escutei de verdade, foi um preconceito muito grande contra a mulher. Eu tive que me justificar várias vezes porque eu sou uma mulher viajando sozinha. Porque não tenho namorado, não sou casada, ainda não tenho filhos. A minha vida sexual foi muito exposta, investigada pela Polícia, como se isso tivesse alguma relevância para o caso. Se está acontecendo um preconceito racial não se fala, mas contra a mulher foi uma coisa gritante que percebi ali.

O inquérito não terminou. Sua prisão foi revogada, mas tem medo de ser apontada culpada?

Medo não, porque já tem muito tempo que estou sendo investigada e não encontraram e nem vão encontrar nada que me associe com esse crime. Mas não sei o que pensar em relação a isso. Tem muita coisa errada nessa situação toda.

Em que sentido?

Tinha muitas pessoas que estavam sendo consideradas suspeitas e eu fui a única que fui exposta. Desde o primeiro momento que estava ainda sendo considerada uma testemunha. Não fui eu que procurei a imprensa, que liberei meu nome. Saiu ali como testemunha de um caso de assassinato, ninguém sabia o que tinha acontecido, quem fez isso com a Gaia e meu nome foi liberado como testemunha. Eu achei um absurdo. No segundo momento, que fui considerada suspeita, fiquei chocada. Eu não fiz isso, eu não tenho nenhuma relação com isso. Meu nome foi exposto como quem estava mentindo durante o depoimento. Ninguém expôs ainda quais foram as mentiras que poderiam ter prejudicado o caso, se tiveram.

O que vai fazer de agora em diante?

Daqui a pouco o País vai esquecer disso, esses 15 minutos vão passar rapidamente. Mas enquanto não descobrirem o que aconteceu com a Gaia, sempre vai ter a dúvida, que eu de alguma forma possa ter feito ou participado do assassinato de uma pessoa.

Eu sempre estudei, minha mãe zelou muito pela minha educação. Fui aluna de escola pública. Com muito sacrifício consegui passar para o vestibular numa universidade pública também. Eu me formei na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) em Farmácia, fui direto para a pós-graduação, fiz mestrado, hoje, estou no doutorado. Investigo a imunologia da doença da leishmaniose para o desenvolvimento de uma vacina preventiva, mas também para identificar como que se dá a resposta imunologica a doença. É essa a minha linha de pesquisa atualmente. Nao sei como vai ficar agora com essa situação toda. Vai existir sempre a dúvida. O preconceito está aí na cabeça, não só da polícia, mas da sociedade.

*Farmacêutica, acusada pela polícia de envolvimento da morte de Gaia Molinari

Melquíades Júnior
Repórter

A polícia ainda não se adaptou às regras do Estado Democrático, avalia André Augusto Bezerra, Presidente da Associação Juízes para a Democracia (AJD)


ENTREVISTA COM O DR. ANDRÉ AUGUSTO BEZERRA, PRESIDENTE DO CONSELHO EXECUTIVO DA ASSOCIAÇÃO DOS JUÍZES PARA A DEMOCRACIA- AJD*

por Rodrigo de Medeiros

juizandreaugusto

André Augusto Bezerra

O Caso Mirian França vem sendo denunciado, por movimentos sociais e organizações de direitos humanos, como uma repetição de abusos e violações institucionais a segmentos mais vulnerabilizados. A equipe de comunicação da RENAP-CE, então, entrevistou, a partir dessas denúncias, o Dr. André Augusto Bezerra, Presidente da AJD, sobre essa realidade do sistema penal e prisional do país, a qual os movimentos tanto denunciam. A AJD tem por objetivos, dentre outros, a defesa do Estado Democrático de Direito, da dignidade da pessoa humana, a democratização interna do Judiciário e a total transparência do serviço público, permitindo sempre o controle do cidadão. Vejam a entrevista:

1) Dr. André Augusto Bezerra, como a AJD vê esta realidade de encarceramento no país, ficando em terceiro ou em quarto do mundo?

R: Na realidade, o Brasil ocupa a terceira posição, perdendo apenas da China e dos EUA. Recentemente, ultrapassamos a Rússia. Esta realidade, ao meu ver, tem sua origem no histórico tratamento da questão social como caso de polícia. A repressão extrema aos delitos contra o patrimônio individual, em detrimento da preocupação com os crimes contra o patrimônio público, e a guerra contra as drogas decorrem dessa tradição, lotando nosso sistema prisional.

2) A vulnerabilização de certos segmentos, como a juventude da periferia, não branca, a sua fragilização frente aos abusos de autoridade cometidos por policiais, a falta de defesa técnica adequada, podem ser considerados uma manifestação da desigualdade do país, também fruto do racismo institucional?

R: Não tenho dúvida que sim. A desigualdade sócio-econômica do país gera reflexos no tratamento do Estado perante seus cidadãos, levando a um tratamento policial mais rigoroso e ao acesso desigual à justiça em relação aos mais pobres.

3) Há muitas denúncias de prisões temporárias e preventivas sendo solicitadas e concedidas sem fundamento. Os movimentos de mulheres e negro denunciaram o caso da pesquisadora Mirian França, no qual teria havido prisão temporária sem fundamento. Pode se admitir prisões como método de investigação, ou isto feriria o nosso Estado Democrático de Direito?

R: Não conheço com detalhes o caso Mirian França, de modo que não opino sobre ele. De toda forma, de fato, no Brasil há excesso de prisões cautelares, medida que, conforme o princípio constitucional da presunção de inocência, deveria ser excepcional. Tal medida está se tornando verdadeira regra.

4) Antes de se ter a condenação, no Caso Mirian, a pesquisadora foi exaustivamente exposta pela força policial como suspeita e sem ter sido devidamente apurado ou revelado demais suspeitos. O que a AJD pensa sobre o comportamento policial de prévia condenação, inclusive, utilizando a grande mídia para isso?

R: Volto a dizer que não conheço detalhes do caso Mirian. Todavia, de modo geral, o Estado brasileiro ainda não se adaptou ao projeto democrático previsto na Constituição de 1988. A polícia, como componente do aparelho estatal, não é diferente: também não se adaptou, tendo grande dificuldade em lidar com as liberdades públicas consagradas constitucionalmente. Daí a série de denúncias de verdadeira prévia condenação policial contra meros suspeitos, inclusive por intermédio dos meios de comunicação, que, não diferentemente, por vezes condenam investigados, como se tivessem o poder de proferir sentenças definitivas.

*Entrevista concedida para a Fan Page da RENAP-CE em 10 de fevereiro de 2015. Entrevistador: Rodrigo de Medeiros, advogado popular e membro da RENAP-CE

Delegada Patricia Bezerra ainda não sabe sobre possível pedido de prorrogação da permanência de Mirian França em Fortaleza.


MORTE DE GAIA MOLINARI

reblogado do Diário do Nordeste

Italiana: resultados de DNA de suspeitos são negativos

11.02.2015

Na tarde de ontem, um homem foi detido em Jijoca pela Polícia Militar e levado para a Delegacia de Sobral

FOTO: KIKO SILVA
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O perito geral da Pefoce, Maximiano Chaves, disse que a delegada Patrícia Bezerra já está com os laudos periciais requisitados

Após um mês e 17 dias da morte da italiana Gaia Bárbara Molinari, o autor do crime que vitimou a turista na Praia de Jericoacoara ainda não foi preso. De acordo com informações do perito geral da Perícia Forense do Ceará, Maximiano Chaves, todos os exames solicitados pela Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur) já estão nas mãos da delegada Patrícia Bezerra. Ainda de acordo com o perito geral, nenhum dos laudos de DNA realizados com os suspeitos tiveram resultado positivo para o material encontrado na turista italiana. O exame toxicológico de Gaia Molinari também não apontou o uso de substâncias ilícitas.

O corpo da turista foi encontrado no dia 25 de dezembro do ano passado na praia de Jericoacoara, em Jijoca. Na tarde de ontem, um novo suspeito de envolvimento na morte Gaia foi encaminhado a Sobral para prestar depoimento e exames periciais.

O encaminhamento do suspeito foi realizado pela Polícia Militar. Segundo o coronel PM Júlio Aquino, seria precipitado afirmar que o homem é o autor do crime, mas ressaltou que os exames periciais foram solicitados pela delegada Patrícia Bezerra, que é a titular da Delegacia que investiga o caso.

O suspeito foi localizado por uma patrulha da PM, sob o comando do subtenente PM Gomes e composta pelos soldados Ribeiro, Orismar e Robson, todos do policiamento de Jijoca. Apesar da confirmação do encaminhamento do suspeito, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) afirmou que se trata de mais uma pessoa que seria ouvida a respeito do caso, mas que não havia detalhes ou indícios que se tratasse do homicida procurado pela morte de Gaia Molinari.

Colega

Horas depois que o corpo da italiana foi encontrado na praia, a Polícia Militar localizou uma colega de quarto de Gaia. Era a carioca Mirian França, que havia viajado e se hospedado com a italiana na pousada Nova Era, em Jericoacoara. Ela foi encaminhada à Deprotur na condição de testemunha, mas dias depois passou a ser suspeita e teve um mandado de prisão temporária deferido pela Justiça no dia 5 de janeiro. Um dia depois do crime, a PM também conduziu um homem que era apontado por populares como suspeito, mas de acordo com o coronel PM Júlio Aquino, os exames periciais foram feitos no sentido de acalmar os nativos de Jeri, já que existia uma ameaça de linchamento por parte da população. A Polícia teria optado por levar o homem à Delegacia para descartar a participação dele no caso. Durante as investigações, um casal de uruguaios também foi encaminhado à sede da Deprotur para realização dos exames.

Polêmica

A Defensoria Pública do Estado do Ceará passou a trabalhar na defesa de Mirian França, que estava detida na Delegacia de Capturas (Decap). O defensor responsável pelo caso, na ocasião, Emerson Castelo Branco, criticou a postura da Polícia Civil em pedir a prisão de Mirian com base em contradições. A declaração foi divulgada no dia 6 de janeiro neste ano durante uma coletiva de imprensa. A Associação dos Delegados de Polícia (Adepol), por sua vez, realizou uma coletiva no dia seguinte e divulgou uma nota repúdio ao comentário do defensor.

No dia 13 de janeiro, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) revogou a prisão temporária da farmacêutica. No entanto, ela teria que continuar na capital cearense por um prazo de 30 dias, que termina amanhã (12).

A mãe de Mirian, Valdicea França, veio para Fortaleza. Ela ressaltou que só teria o sentimento que a filha estava em liberdade quando Mirian pudesse voltar ao Rio de Janeiro. No último sábado (7), Valdicea prestou depoimento na Deprotur.

A assessoria da Defensoria Pública disse que a defensora Gina Moura não concederia entrevistas sobre o caso. Já a assessoria de comunicação da SSPDS informou que a delegada Patrícia Bezerra também não iria falar sobre um possível pedido de prorrogação da permanência de Mirian em Fortaleza.

Jéssika Sisnando
Especial para polícia

A Defensoria Pública do Estado do Ceará passou a trabalhar na defesa de Mirian França, que estava detida na Delegacia de Capturas (Decap). O defensor responsável pelo caso, na ocasião, Emerson Castelo Branco, criticou a postura da Polícia Civil em pedir a prisão de Mirian com base em contradições. A declaração foi divulgada no dia 6 de janeiro neste ano durante uma coletiva de imprensa. A Associação dos Delegados de Polícia (Adepol), por sua vez, realizou uma coletiva no dia seguinte e divulgou uma nota repúdio ao comentário do defensor.

No dia 13 de janeiro, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) revogou a prisão temporária da farmacêutica. No entanto, ela teria que continuar na capital cearense por um prazo de 30 dias, que termina amanhã (12).

A mãe de Mirian, Valdicea França, veio para Fortaleza. Ela ressaltou que só teria o sentimento que a filha estava em liberdade quando Mirian pudesse voltar ao Rio de Janeiro. No último sábado (7), Valdicea prestou depoimento na Deprotur.

A assessoria da Defensoria Pública disse que a defensora Gina Moura não concederia entrevistas sobre o caso. Já a assessoria de comunicação da SSPDS informou que a delegada Patrícia Bezerra também não iria falar sobre um possível pedido de prorrogação da permanência de Mirian em Fortaleza.

Jéssika Sisnando
Especial para polícia

Caso Mirian França: Onde termina o interrogatório e começa a tortura. Os limites constitucionais.


Roda da Tortura Medieval

Roda da Tortura Medieval

Por João alfredo Telles***

Um desafio para especialistas em criminologia, psiquiatras forenses, estudiosos de segurança e militantes de Direitos Humanos: qual o limiar entre um interrogatório sério e a tortura psicológica? Qual o limite entre a busca da verdade e o sadismo puro e simples? Qual a real eficiência de interrogatórios, onde o depoente é submetido a uma pressão extrema, para o desvendamento de crimes complexos? Qual o peso de “confissões” arrancadas a fórceps frente às chamadas provas materiais?
Pergunto isso porque estou absolutamente chocado e indignado com o processo de massacre psicológico, perseguição contínua e linchamento público a que tem sido submetida a cidadã fluminense Mírian França por parte da polícia cearense, especialmente na pessoa da Delegada Patricia Bezerra, que preside o inquérito que apura o homicídio da cidadã italiana Gaia Molinari, até agora sem solução, e, portanto, impune.
A imagem dessa postagem, por óbvio, não se refere a esse caso, mas, à “santa” inquisição na idade média, quando nos piores momentos da igreja católica, a confissão arrancada sob tortura fundamentava a pena de morte, na fogueira, em geral, de “bruxas” e “hereges”.

***João Alfredo Telles: Advogado, vereador do Psol, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Fortaleza.

Foi impedido junto com a também advogada Luanna Marley, da Rede Nacional de Advogados de Direitos Humanos, pela delegada Patrícia Bezerra de acompanhar o interrogatório de Mirian França. Mesmo que tenham sido convidados pela Defensoria Pública.

Caso Mirian França: Porque a delegada insiste em chamar Mirian França de mentirosa em cadeia Nacional? Qual foi a grande mentira?


por marcos romão
mirian-franc3a7a-libertaTrinta dias depois de iniciadas as investigações sobre a morte de turista italiana, Gaia Molinari, a delegada de polícia Patrícia Bezerra, nada tem a apresentar de novo nas investigações,  além de repetir mais uma vez e categoricamente, que a farmacêutica “carioca”,  segundo reportagem da filiada da Globo local, Mirian França, mentiu.

Segundo informações da matéria, a delegada teria pedido a prorrogação do prazo de investigações por mais 30 dias.

Essas são as palavras em relação à Mirian França, proferidas pela delegada Patrícia Bezerra, dadas em entrevista na  tarde de 28.01, na delegacia que está à frente em Fortaleza

“Mentiu”.

Mentiu, várias vezes  ao longo dos dois depoimentos que ela prestou.

Ela não soube explicar as razões destas mentiras”.

Em conversa com a mãe de de Mirian França, na última sexta-feira na sede da OAB-RJ, a Mamapress foi informada por sua mãe, Valdicéia França, através do editor que lhes escreve, que ela foi voluntariamente à delegacia em fortaleza conversar com a delegada de polícia Patricia Bezerra, acompanhada de representante da defensoria pública do Ceará. Ela queria saber do que a filha estaria sendo acusada.

A sra. Valdicéia se disse surpreendida, pelo fato da delegada ter transformado a sua visita de mãe interessada sobre o que acusavam sua filha, em um interrogatório que durou 3 horas, em que lhe foi perguntado, detalhes do tipo de educação que havia dado à sua filha, fugindo completamente do seu papel de delegada à frente de uma investigação.

Este processo, segundo as noticias na imprensa, entrevistas da delegada, declarações de testemunhas que chegaram as serem arroladas como suspeitas, como no caso do turista uruguaio, que foi preso com sua namorada e levado de camburão para Fortaleza, tem uma linha de investigação levada pela delegada, calcada em um possível crime passional.
Mirian França ficou detida durante 14 dias, sob a acusação genérica de ser uma mentirosa, segundo a delegada.

Segundo informações que nos chegam de Jericoacoara, moradores do lugarejo turístico, têm  sido perguntados sobre o comportamento moral de Mirian França durante a sua curta estadia na localidade.
Como já se passam mais de 30 dias desde a morte trágica de Gaia Molinari. toda a sociedade brasileira e italiana aguarda que a polícia do Ceará apresente fatos e provas sobre o crime, para que seja feito justiça ao matador ou matadores de Gaia, ao invés de ouvirem repetidamente da delegada Patrícia Bezerra, que extrapola e exorbita de suas funções, ao se assumir como julgadora do caráter de Mirian França e condená-la à humilhação  e execração pública, ao repetir em rede nacional que Mirian França mentiu.

A Mamapress pergunta à delegada Patrícia Bezerra, qual foi a mentira que Miriam França proferiu.

O que no comportamento pessoal de Mirian França, faz delegada levantar suspeitas contra ela?

Qual a sua linha profissional, técnica e isenta de preconceitos pessoais na investigação, da “carioca”, segundo parte da  imprensa, que ainda insiste em chamar a farmacêutica Miriam França pelo apelido dado.

Que martírio pelo qual passa Miriam França e Família tenha um fim.

Que a verdade apareça!

Nota: até o final da noite não tínhamos informações se Mirian França continua obrigada a permanecer em Fortaleza, já que tem endereço e trabalho conhecido no Rio de Janeiro.

Veja a matéria com a delegada na CETV

http://g1.globo.com/ceara/cetv-2dicao/videos/t/edicoes/v/caso-gaia-molinari-completa-um-mes-e-policia-nao-tem-suspeitas-do-crime/3923103/