Niterói a campeã do Apartheid no Brasil.


fonte: Mapa da Segregação Racial no Brasil

fonte: Mapa da Segregação Racial no Brasil

por marcos romão
Adoro minha cidade Niterói, mas me sinto ainda aos 62 anos de idade, como um estrangeiro, ao caminhar por determinados bairros e ambientes da cidade. Tem espaços então, em que pareço um pingo de cafe em um balde de de leite. saiba mais
É como diz meu amigo advogado da OAB, “Niterói a cidade segregada por interioranos que vieram para a província com suas mentalidades”.
São os interioranos descendentes de escravocratas, que criam muros e ainda dominam as mentes, que estabelecem o racismo geográfico e ambiental e o tratamento diferenciado das pessoas, em nossa cidade de sorriso cínico.
Niterói, a cidade em que o preto tem que saber o seu lugar, ou então ir fazer compras dos outro lado da avenida principal que dá para as Barcas na Praça Araribóia, chamada Amaral Peixoto( o almirante branco), onde pode se sentir mais à vontade e encontrar-se com os negros de São Gonçalo a caminho do trabalho na cidade do Rio de Janeiro.
Aliás, aproveito para perguntar aos meus conterrâneos papa-goiabas:
Alguém por aí conhece algum nome de rua de Niterói que tenha o nome de um negro ou uma negra. afinal o primeiro deputado federal negro do Brasil foi Claudino José da Silva do Morro do Estado? De índio eu sei que tem, mas isto não conta, pois todos já foram expulsos da cidade que os Temiminós fundaram.
Fonte: Mapa da Segregação Racial no Brasil

Pai do MC Criolo preso por “sequestrar” filho menos escurecido no hospital


criolo e seu pai

Ao lado do pai, Cleon Gomes, o rapper Criolo (Kleber Cavalcante Gomes), nascido na Favela das Imbuias, zona sul de São Paulo, fala sobre desigualdade social e racial, sobre a falta de perspectiva dos jovens da periferia, preconceito e racismo. E conta como seu pai, ao levá-lo para ser socorrido num hospital após um acidente doméstico, foi acusado pelos próprios funcionários do hospital de tê-lo sequestrado.

Reprodução da entrevista de Claudia Belfort e André Caramante da Ponte Jornalismo
Imagens e edição: Gabriel Uchida e Leonardo Lepri

por marcos romão

Quando vejo o grande compositor, cantor e MC, Criolo ao lado de seu pai, penso que poderia ser meu filho mais velho, o Jorge Samora, levam o mesmo jeito.

Sermos pais ou mães negros e negras de filhos mais ou menos escurecidos não é mole não.
Vivemos um momento crucial em nossa sociedade. Avanços democráticos e melhorias sociais e econômicas são visíveis em todo o país, ao menos no crescimento da população que pode consumir. Ao mesmo tempo vemos o aumento vertiginoso da violência em nossas cidades grandes, médias e pequenas e um número de assassinatos que atingiu um caráter de endemia social.

Neste quadro de violência vertiginosa em que vivemos, nós pais e mães negros, ou pais e mães brancos de filhos e filhas negras, vivemos uma tensão especial. Nossos filhos e filhas são o alvo principal dos atos violentos que lhes custam a vida, ou sequelas psicológicas indeléveis, provocadas pelo racismo de que são vítimas ou são testemunhas e com as quais eles elas vivem por toda a vida, como uma bomba de tempo que pode eclodir em depressões, suicídios ou atos violentos contra si e contra a sociedade.

Criolo falou de sua vivência e cruel experiência com o racismo ao lado de seu pai. Está aí um caminho que todos podemos seguir. Discutir o racismo em todos os lugares, tirá-lo de debaixo do tapete, mostrar onde existe e como agem os racistas e combatê-los.

Valeu Criolo! Tem que falar, falar junto do pai é mais amor ainda. Tem que falar do racismo, tem que falar toda hora para mudar o que está aí. ” Quanto mais a gente ganha, mas sofre por ver os outros por aí…” Falou crioulo! É nas conversas de família, no trabalho, nas escolas, nas igrejas e nas quebradas. São em todos os lugares que devemos falar do racismo e da divisão estilo apartheid que vivemos no Brasil. A benção ao teu pai!

Para seguir o exemplo de Criolo e seu pai, conto aqui uma das”vivências”, enquanto pai preto de filhos pretos mais e menos escurecidos:

RTEmagicC_BlaualgenKinderAmWasser.jpg (1)Certa vez, eu estava em um parque com minhas duas filhas gêmeas e caçulas. Estavam com três anos de idade. Foram fazer xixi atrás de um arbusto, enquanto eu fiquei de guarda. Passou um homem fazendo “jogging” que me olhou com espanto.

Meia hora depois, o parque muito frequentado por estudantes de países africanos, estava cercado por policiais. Minha filhas haviam voltado para brincar nos balanços e a uns trinta metros de distância, podíamos ver que os estudante eram recolhidos pelos policiais e colocados sentados no chão próximo a um lago, com as mãos para trás algemadas. Fiquei curioso, estariam procurando drogas?

Resolvi perguntar aos policiais o que estava acontecendo, me apresentei, disse que eu estava ali com minhas crianças, e queria saber se havia perigo em lá estar, já que eles faziam um operação que já contava com 20 policiais e 4 carros patrulhas, além de duas motos ocupando o parque.
O comissário me explicou que haviam recebido a denúncia de um possível sequestro de duas criancinhas menos escurecidas por um homem negro, que as haviam levados para trás dos arbustos.

Neste momento minha filhas vieram correndo e já me agarraram nas pernas gritando, “o que houve papai!”. Foi uma troca de olhar rápida entre mim e o chefe da operação “Caça Africano”. Os dois compreendemos no mesmo momento o terrível engano que estava se passando.

Desfeita a operação como todos os estudante soltos, caminhei com minhas filhas para sair do parque por um portão lateral.
Neste momento quase aconteceu uma morte. Uma patrulha que passava pela rua lateral do parque com muitas árvores em volta, viu a mim e as minhas filhas. Jogaram o carro encima de mim, que estava com uma das filhas no colo, quando uma soldada desceu com a pistola engatilhada apontando para minha cabeça.

Foi o momento em minha vida em que senti um medo que eu não conhecia, o medo de ver o medo que aquela jovem soldada demonstrava ao me ver como negro sequestrador.
Gelado e e quase paralisado, vendo a outra filha já agarrada nas pernas da policial, num gesto instintivo para proteger seu pai sobe ameaça de uma arma. Só tive tempo de me atirar contra a porta do carro imprensando a policial, enquanto o seu companheiro de patrulha, mais “calmo”, apontava a arma para mim e minhas filhas.

Também pela primeira vez na vida, senti alívio ao escutar os berros de um policial. O comissário que observava a cena de longe, gritava para a patrulha: “Para, para, o cara é inocente, foi um engano”.
ps: fiquei meses respondendo a um processo por agressão a um policial, que foi arquivado. A polícia não me forneceu o nome do denunciante, que também nunca mais vi no parque em que eu ir sempre passear com minhas filhas.

Se engaje nesta luta da Mamapress pelos direitos humanos e contra o racismo. Acompanhe a nossa página no Facebook Sos Racismo Brasil

Apartheid no 13 de maio em Ipanema: Mulher negra é impedida de trabalhar em padaria e levada algemada para delegacia. “Gente assim não pode trabalhar aqui, reclamou a madame!”


por marcos romão

Já vimos denunciando há tempos em nossa página Sos Racismo Brasil, o aumento do racismo geográfico espacial nas grandes cidades, e no Rio de Janeiro em especial.  As grandes obras para a copa, além de provocarem o despejo em massa de milhares de negros e pobres das zonas nobres da cidade, tem como resultado a formação de guetos brancos do centro em direção à zona sul.  Assistimos nos últimos anos uma verdadeira limpeza étnica da cidade do Rio de Janeiro, como se o objetivo único fosse apresentar para os turistas um Rio de Janeiro branco e europeu, “FREE FROM BLACKS”, limpos de negros.aparthid em ipanema

Em reportagem de CLEO GUIMARÃES E ISABELA BASTOS, no blog Gente Boa, de 14 de maio, temos o relato da atriz Aparecida Petrowsky, que ao ir a uma padaria no coração de Ipanema na rua Joana Angélica, assistiu a uma cena dantesca de discriminação por parte de uma cliente contra a caixa da padaria, que era uma mulher negra e, em seguida à cenas de violência policial, quando um PM subjugou com violência a empregada uniformizada da padaria e a levou algemada para a delegacia, para que pedisse desculpas à madame-cliente, que reclamara do preço do café. Assistam o vídeo

Segundo a reportagem. “O desentendimento começou quando a cliente reclamou do preço do café, R$ 3. Ela pediu um “café normal”, e teria se sentido desrespeitada quando a funcionária retrucou, dizendo que na casa só tinha café expresso.

Logo depois, conta, “um policial desceu do carro e foi na direção da caixa, que, claro, ficou muito nervosa”. 

A atriz prossegue, dizendo que o PM teria mandado a caixa se levantar e pedir desculpas à cliente, no que ela se recusou. “Eu estou trabalhando! Não vou pedir desculpas nem sair daqui. Não vou!” Aparecida conta que, nesta hora, o policial anunciou: “É desacato à autoridade” e a pegou pelo braço, virando-o para trás, para algemá-la. 

“Nesta hora, ficou todo mundo assistindo a tudo como se fosse um filme. O gerente não fez nada”, conta. Minutos depois, já havia cerca de 50 pessoas na porta da padaria. Foi então que antigos clientes tomaram partido da funcionária. “Quero ir junto! Conheço ela há anos”, gritou, em vão, uma mulher. A caixa foi levada, sozinha e algemada, no carro. “

O que é que está acontecendo na zona sul do Rio de Janeiro? Linchamentos de menores, discriminações raciais em condomínios e agora uma mulher negra funcionária de uma padaria há 26 anos é presa e  impedida de trabalhar, porque, segundo depoimento da atriz Aparecida uma cliente aos berros disse: ” “É um absurdo deixarem trabalhar gente assim aqui!”

Vejam a reportagem completa com o vídeo do “flagrante” gravado  pela atriz Aparecida  Petrowsky, que graças aos céus teve a coragem de gravar e relatar esta violência. Clique aqui.

Rolezinho é política: Militante destaca a politização do “rolezinho” e afirma que “Brasil vive, sim, um apartheid”


Nota da Mamapress por marcos romão: Em nossa série sobre discriminações e o apartheid no brasil, seu reconhecimento e busca de soluções para bani-lo de nossa sociedade:

Lembramos que tudo na vida em uma sociedade envolve política e poder. Até na hora da distribuição de comida e dos lugares na mesa dentro de nossas famílias, política e poder estão em jogo e revelam se as relações entre as pessoas são solidárias ou segregacionistas.

Já em 1978, nas escadarias dos teatros Municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, o Movimento Negro Brasileiro denunciou o apartheid brasileiro. 36 anos depois a sociedade brasileira acorda para a questão. Foi preciso que a juventude da periferia das grandes cidades gritasse, “nós também queremos entrar em qualquer lugar”, para que o Brasil acordasse e até a Presidência da República manifestou preocupação como os rolezinhos.

Muito se tem escrito sobre o comportamento dos jovens e não vamos repeti-los aqui. Queremos saber o que vai ser feito para se reeducar os donos dos Shoppings e os responsáveis pelas instituições brasileiras promotoras do apartheid no judiciário, no planejamento urbano e na segurança pública, e o que será feito para se mudar as políticas segregacionistas que banem os pretos e os pobres dos espaços das cidade.

Em editorial da Afropress temos um resumo de uma agenda do que precisa ser mudado para se acabar com a segregação:

“Ser o compromisso das empresas de mudarem sua postura, promovendo o treinamento e estimulando a prática de uma educação antidiscriminatória e antirracista a todos os seus funcionários, a começar pelos seguranças, cujo histórico nesse quesito é conhecido e não é nada abonador, todos sabemos.

Deve ser levantado e cobrado é o compromisso dos dirigentes dos shoppings em mudarem sua política de recrutamento e contratação de pessoal para garantir a diversidade, o que hoje não ocorre. Em alguns, a sensação nítida é de que se está num estabelecimento similar de algum país nórdico (Suécia, Dinamarca, Noruega) a julgar pela aparência e perfil das atendentes. O Sindicato dos Comerciários de S. Paulo, há alguns anos, fez pesquisa em que ficou demonstrado que negros são raros nas lojas: eles podem ser encontrados apenas entre os seguranças e pessoal da limpeza.

É preciso exigir-se dos Governos – do municipal ao federal, passando, naturalmente pelo Estado -, compromissos concretos para que a cidade seja de todos, que os pobres não continuem a ser expulsos para as margens, e para se avançar na distribuição de renda e redução das desigualdades sócio-raciais que são a causa e a fonte de quase todos os males que nos afetam.”

Reproduzimos abaixo o artigo de Igor Carvalho publicado na Revista Forum, com o depoimento do ativista negro Joselício Júnior, conhecido como Juninho, do Circulo Palmarino, um dos organizadores da manifestação que provocou a reação estúpida, anticonstitucional e racista da direção do Shopping JK-Iguatemi-SP, que discricionariamente cerrou suas portas com a chegada dos jovens.

Por Igor Carvalho

foto revista forum

foto revista forum

 

Manifestantes se reúnem na frente do JK Iguatemi para protestar contra racismo (Foto: Divulgação)

Joselicio Júnior, conhecido como Juninho, do Circulo Palmarino, um dos organizadores da manifestação que obrigou o JK Iguatemi a baixar as portas no último sábado (18), divulgou uma carta em que fala sobre a politização do “rolezinho”.

No documento, Juninho afirma que o JK Iguatemi reforçou o racismo durante a manifestação. “A reação do empreendimento, fechando as portas minutos antes da nossa chegada, legitimou e reforçou o nosso discurso de que o Brasil vive, sim, um apartheid.”

Confira, na íntegra, a carta:

Por Joselicio Júnior

Nós, militantes do movimento negro, cotidianamente falamos da existência do racismo e do quanto ele estrutura todas as relações na sociedade brasileira –  sejam elas econômicas, sociais ou culturais – e muitas vezes somos acusados de extremistas, de praticar o racismo ao contrário, quando não nos dizem que tudo isso não passa de uma grande bobagem.

Nesse sentido, o debate que está colocado na sociedade a partir do fenômeno dos rolezinhos é bastante pedagógico, pois escancara o que é a segregação na sociedade brasileira e como ela é determinante para definir os espaços que negros, pobres e periféricos podem frequentar ou de que forma podem frequentar.

Nas primeiras declarações dos jovens organizadores dos rolezinhos, o discurso presente era o de que eles queriam apenas se divertir, encontrar os amigos, conhecer pessoas, namorar, mas a reação violenta de repressão da segurança privada e da polícia – simplesmente por considerar a presença desses jovens indesejada – provocou uma reflexão: No último final de semana, declarações dos adolescentes que encabeçaram os encontros reivindicavam o direito de ir e vir e, então, o que antes era apenas um encontro, agora é manifestação; Denúncia sobre a falta de espaços de lazer na periferia.

Sem a pretensão de instrumentalizar os rolezinhos – mas com o objetivo de provocar um amplo debate na sociedade –  nós, do movimento negro, movimentos sociais e ativistas,  chamamos o “Rolê Contra o Racismo”, que reuniu cerca de 300 pessoas no último sábado, dia 18 de janeiro, nas imediações do Shopping JK Iguatemi, localizado no Itaim Bibi -SP. A reação do empreendimento, fechando as portas minutos antes da nossa chegada, legitimou e reforçou o nosso discurso de que o Brasil vive, sim, um apartheid.

Se alguém ainda tem dúvida sobre o pensamento dos ricos do nosso país, basta ver as declarações de representantes dos Shoppings, a exemplo de Nabil Sahyoun, presidente da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings), que defende que “os jovens organizadores e participantes dos rolezinhos devem procurar o sambódromo”, uma vez que, na opinião dele, “os shoppings não foram feitos para essa mobilização”.

Ao mesmo tempo, o mesmo presidente afirma que os  ”shoppings foram construídos na periferia para incluir população, e que a preocupação com rolezinhos é pela segurança dos demais frequentadores”. Ou seja, é criado o estimulo ao consumo, mas como não é possível garantir que todos tenham acesso, são criados mecanismos para dispersar,  repelir e segregar.

Além disso, o poder econômico conta com o apoio do Estado para garantir o direito de quem pode ou não consumir, seja através dos aparatos repressores, como a Policia, seja por meio de normativas jurídicas, como as liminares concedidas pelo Judiciário que impedem os rolezinhos de forma extremamente arbitrária.

Trata-se de um cenário que escancara a luta de classes em nosso país e demonstra os limites da tentativa de conciliação e acomodação entre ricos e pobres. Nesse sentido, estamos cumprindo o nosso papel histórico de provocar a reflexão e aguçar as contradições, mantendo acessa a chama daqueles que resistiram contra a escravidão em busca de liberdade. Não temos dúvidas de que mudanças só virão com a organização e mobilização dos de baixo.  Parafraseando o poeta José Carlos Limeira, “por menos que conte a História/ Não te esqueço meu povo/ Se Palmares não vive mais / Faremos Palmares de novo”.

Condomínio de luxo na Barra é acusado de discriminar trabalhadores: ‘Poluição visual e mau cheiro’, disse administrador. Matéria do EXTRA.


com Luiz Augusto Gollo debatendo a nova lei sancionada nesta última terça, 14,01.2014, pelo governador Cabral, que proíbe aos Clubes do RJ, exigirem o uso de uniforme pelas babás que acompanham as crianças da famílias dos sócios, quando ao final do programa recebemos a notícia deste caso de discriminação contra trabalhadores em um condomínio na Barra.
O projeto lei de autoria dos deputados Luiz Paulo Correa da Rocha(PSDB) e Gilberto Palmares do Pt,  que prevê multas de R$ 2,4 mil para quem desrespeitar a lei, havia conseguido em 19 de dezembro de 2013 a aprovação unânime da Assembléia  Legislativa. Afinal no Rio de Janeiro todos sabem da tradicional discriminação senhorial que impera em determinado locais do nosso Estado do Rio, notadamente na zona sul da capital.
Durante o programa discutíamos que os condomínios na Barra e zonas nobres transformaram-se em verdadeiros clubes particulares, com regimentos e regras veladas e não veladas discriminatórias.
Foi citado no programa inclusive o caso da família de Ronaldo, que  viu-se obrigada a mudar-se de um condomínio de luxo, que o jogador havia comprado, por estragar com suas idas à piscina o visual estético racial da localidade, verdadeiro Clube Fechado.
A lei chegou na hora, bons advogados saberão usá-las também contra os condomínios que insistem em propagarem a mentalidade senhorial dos tempos de Brasil Colônia que muito moradores possuem.(Marcos Romão)
Matéria extraída do EXTRA
Luiz Marinatto

O objetivo, para a maioria, era realizar os exames médicos para, em breve, iniciar um emprego novo. Mas a expectativa transformou-se em frustração na porta do condomínio comercial Le Monde, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Barrados na entrada, 18 trabalhadores ainda ouviram um administrador dos edifícios dizer que causariam “poluição visual e mau cheiro” no espaço, segundo consta no registro de ocorrência feito na 16º DP (Barra) na noite desta quarta-feira. A ofensa também foi presenciada por um PM que foi ao local atender o chamado.

O grupo começou a chegar ao endereço, situado no número 3.500 da Avenida das Américas, por volta das 8h. O destino de todos era a clínica BioCardio, especializada em medicina do trabalho, que ocupa três salas no quarto andar do bloco 7. Com idades variando entre 18 e 59 anos, alguns deles negros, boa parte dos pacientes iria começar a atuar em funções como pedreiro, ajudante de pedreiro e servente, entre outras, nas obras da Linha 4 do Metrô. Após realizarem exames de raio-x e de sangue num laboratório próximo, veio a surpresa: nenhum deles conseguiu autorização para se dirigir à clínica.

As tratativas com a equipe de segurança e com a administração do condomínio, capitaneadas pelo cardiologista Renato Sérgio Fernandes Pinto, sócio da BioCardio, duraram mais de quatro horas – em jejum para os exames, os trabalhadores não comiam nada desde a véspera. Apenas por volta de 15h, depois da ameaça do médico de acionar a PM, o acesso foi liberado. O grupo, contudo, não aceitou a oferta, e preferiu aguardar a chegada do policial. A essa altura, já haviam ouvido seguranças pedirem “para que não tocassem as paredes”. Mais tarde, na presença de um PM, escutaram Felipe Alencar Gilaberte, administrador do Le Monde, proferir a frase sobre poluição visual e mau cheiro.

– Houve uma total discriminação. E não foi a primeira vez, trata-se de uma briga antiga que eu tenho com o condomínio. Dizem que a nossa clínica não deveria funcionar aqui, devido ao tipo de público que atendemos. Acredito que me criam esse tipo de constrangimento para tentar forçar uma mudança de endereço – afirmou o doutor Renato Sérgio.

O cardiologista Renato Sérgio Fernandes Pinto, sócio da clínica BioCardio
O cardiologista Renato Sérgio Fernandes Pinto, sócio da clínica BioCardio Foto: Thiago Lontra

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Sem-teto vão ao Shopping: Manifestantes fazem protestos no Rio Sul e algumas lojas fecham.— Hiato: O filme.


por marcos romão

Sem-teto vão ao Shopping

Sem-teto vão ao Shopping

Esta notícia publicada na grande imprensa no ano 2000, causou furor na sociedade carioca e brasileira. Uma cerca estava sendo quebrada. Organizados, os sem- tetos junto com  moradores de favelas, população de rua e pobres e pretos em geral, chegaram de ônibus acompanhados da imprensa, para visitarem o Rio Sul e exigirem seus direitos de olharem as vitrines sem que as lojas fossem fechadas;

Hoje em 2014 quando a garotada das periferias, quer apreciar os tênis “Mikonos” de mil reais sem serem incomodados pelos seguranças e a a polícia, está na hora da sociedade brasileira  rediscutir suas políticas de ocupação e gentrificação (enobrecimento) das cidades, que  instala um apartheid social e racial e impede o acesso de milhões ao usufruto dos bens construídos nas cidades, com seu impostos e trabalho.

Hiato o filme

SINOPSE
Em agosto de 2000 um grupo de manifestantes organizou uma ocupação em um grande shopping da zona sul carioca. O episódio obteve grande repercussão na imprensa nacional e ainda hoje é discutido por alguns teóricos. Gume Filmes recuperou imagens de arquivo e trouxe entrevistas de alguns personagens 7 anos após essa inusitada manifestação. bastante atual.

Mesmo sem crimes, “rolezinho” causou pânico e levou polícia a shopping de Guarulhos


por mães de maio a réplica de uma das primeira matérias sobre o “Rolezinho, publicadas na folha de São Paulo.
Logo no início da polêmica sobre os chamados “rolezinhos”, no meio do mês passado, a jornalista Laura Capriglione, uma das mais competentes do Brasil, escreveu reportagem sobre a questão. Laura foi precisa na sua função de observadora.
Hoje, infelizmente, Laura está fora do jornal Folha de S.Paulo. Perdemos nós, os cidadãos, que ficamos sem a olhar justo da repórter.Leiam para entender a questão e para ajudar a formar sua opinião sobre os “rolezinhos”:Mesmo sem crimes, “rolezinho” causou pânico e levou polícia a shopping de Guarulhos

Rolezinho

Rolezinho

LAURA CAPRIGLIONE

Um fantasma rondava ontem o Shopping Internacional de Guarulhos, o fantasma do funk. O medo era de que se repetissem as cenas de pânico e correria, vistas no sábado, quando centenas de adolescentes, concentrados em uma das portarias, entoaram em uníssono uma espécie de hino de guerra, enquanto avançavam para dentro do centro de compras.

O hino era o funk com o inocente título “Deixa Eu Ir”. Mas a letra, de MC Daleste, já esclarecia a intenção de “causar”: “Eita porra que cheiro de maconha”, repetiam os meninos, batendo palmas, emendando que “os moleque (sic)” das zonas sul, norte, oeste, leste, da Baixada Santista e do interior “gosta mais do que de lasanha”.

Dentro do shopping lotado, decorado com miniaturas do Partenon grego, da Torre de Pisa, do Coliseu, bonecos animados de renas e Papai Noel embalavam as compras de Natal –em total desacordo com o “cheiro de maconha”.

Seria um arrastão? Saque? Quebra-quebra? Helena de Assis Pregonezzi, 55, empresária do ramo de caminhões de mudança, jurava ontem na praça de alimentação lotada ter visto jovens com revólveres. “Tem de proibir esse tipo de maloqueiro de entrar num lugar como este”, discursava entre garfadas na pizza de picanha com Catupiry.

A PM rapidamente interveio e deteve 23, mas depois de um chá de cadeira no 2º Distrito Policial de Guarulhos, todos foram liberados de madrugada, sem acusação. O shopping, em nota, disse que nada foi roubado.

Mesmo assim, o contingente de seguranças, ontem, estava dobrado: passou dos 40 previstos nesta época do ano para 80. Um carro da PM estacionou na entrada do shopping. Lojistas orientaram os vendedores a abordar qualquer grupo de jovens que se demorasse defronte à vitrine, a fim de sondar as intenções deles.

CURTIÇÃO

Mas, fora da letra da música, não se viu maconha nenhuma na concentração que os jovens fizeram no sábado.

A polícia não fez nenhum boletim de ocorrência por porte, tráfico ou consumo de substância ilícita. Segundo a auxiliar de logística Mayara Lima, 18, tudo o que os jovens pretendiam era “zoar”, se exibir, curtir, mostrar que existem. “Se eles quisessem ter roubado alguma coisa, poderiam ter roubado, já que eram muitos” [300, segundo um segurança].

Adeptos do chamado “funk de ostentação”, são em geral garotos pobres tentando forçar a entrada no mundo do consumo, fingindo-se de íntimos do luxo.

As letras desse tipo de funk falam de jovens como eles, andando em carros Méganes, Citroën, Corollas, Camaros amarelos (que chamam de “naves”), bebendo champanhe e uísque, relógios Rolex no pulso, contando “plaquês de cem” (notas de R$ 100).

Ainda a anos-luz desse ideal, os meninos que assustaram o Papai Noel do shopping Internacional compareceram ao “rolê” convocado pelo Facebook com o traje a rigor de nove entre 10 funkeiros: boné da Quiksilver, tênis da marca Mizuno, bermuda, camiseta, anéis e colares de prata ou ouro, óculos escuros da Oakley.

Ontem à tarde, na porta de uma loja de tênis do shopping, um adolescente de 17 anos, usando boné Quiksilver de R$ 150, cobiçava na vitrine o Mizuno Wave Prophecy 3, de R$ 1.000. “Não, eu não aceito comprar um falso, pirata”, garantiu.

Trabalhador em um lava-rápido, ele ganha R$ 750 por mês, mas não se assusta com o preço. Faz parte da ostentação. Dois seguranças em seus rádios informavam toda a movimentação do rapaz.

Texto de 16 de dezembro de 2013.

— em Internacional Shopping Guarulhos.

Sai Cabral entra a “Paes Militar”. Morador não é gente. Tudo pela Copa no Metrô-Mangueira!


Extráido do Jornal A Nova Democracia Publicado em 07/01/2014

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foto chiquito chaves

Durante a tarde e a noite do dia 7 de janeiro, moradores da favela Metrô-Mangueira, na zona norte do Rio, protestaram contra o despejo de cerca de 40 famílias que vivem no local. A prefeitura teria chegado à favela às 7h da manhã agredindo e expulsando moradores de suas casas. A Favela do Metrô fica a menos de 500 metros do palco da final da Copa de 2014, o Maracanã. Desde 2010, moradores sofrem com as investidas do Estado reacionário, empenhado em varrer qualquer sinal de pobreza dos locais onde acontecerão os jogos da Copa.

Revoltadas, cerca de 100 pessoas interditaram a Avenida Radial Oeste e enfrentaram a PM e a tropa de choque. A mando do prefeito Eduardo Paes e do gerente estadual, Sergio Cabral, policiais promoveram o caos atirando gás lacrimogêneo, spray de pimenta e bombas de efeito moral contra a população, que não se calou e respondeu com pedras e garrafas sustentando a combativa resistência até a meia-noite.

Nós da Rede Mamaterra estamos profundamente preocupados com as desocupações, motivadas pela Copa 2014, mas que está claro só tem a ver com a especulação imobiliária e os grandes interesses da Oderbrcht e outras consorciadas.

A Anistia Internacional nos relata que já são 100 mil os removidos para a Copa 2014.

A brutalidade com que a polícia está investindo contra mulheres, crianças e velhos lembra as remoções da décadas de 60/7o,  quando 60 mil pessoas foram removidas da área da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde hoje moram os amigos e parentes do prefeito e do governador.

No reinado Paes-Cabral já estão garantindo espaço para seus netos, na cidade sem pretos e sem pobres como é a Lagoa atualmente.

Ministra Luiza Bairros, diz que figura de Mandela é usada para tentar disfarçar o racismo no Brasil


Dá para dizer que houve avanços no combate ao racismo no Brasil?

Avanços no combate ao racismo devem ser pensados em dois níveis. Um nível, a promoção da igualdade racial. Nessa direção é que a Seppir opera dentro do governo federal: como criar determinadas iniciativas para acelerar a melhoria das condições de vida da população negra. Dadas as condições gerais, o Brasil tem demonstrado uma decisão política muito forte. O governo de uma maneira geral. Mas, do ponto de vista do combate ao racismo, isso é outra coisa. As atitudes racistas, as práticas racistas no Brasil hoje são muito mais evidentes do que já foram há 20 anos. Exatamente pelo fato de os negros acessarem determinados espaços e lugares sociais onde antes não estavam provoca nas pessoas uma reação a essa presença. Então você tem, paralelamente aos avanços na Seppir, manifestações de racismo mais frequentes e mais explícitas. Um dos casos mais recentes foi o daqueles jovens que entraram em um shopping em Vitória para se proteger de uma batida policial no baile funk e foram dentro do shopping confundidos com jovens que estariam lá para fazer arrastão ou coisa parecida. A reação da PM foi arbitrária e violenta. As fotos lembram os quadros de negros sendo caçados e apreendidos pelos capitães.

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Luiza Bairros, da Seppir, avalia que morte simboliza ‘fim de uma era’ na luta contra o racismo. Problema ainda não está superado, nem entre sul-africanos, nem entre brasileiros

A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, era ativista do Movimento Negro Unificado, na década de 1970, quando se passou a debater mundialmente as violações cometidas durante o apartheid, regime que segregava brancos e negros na África do Sul, privando de direitos a maior parte da população.

Hoje (6), ao comentar a importância da figura maior surgida da resistência à violência, a gaúcha de Porto Alegre, que sentou raízes no movimento negro em Salvador, recorda que a figura do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, morto ontem (5), aos 95 anos, foi muitas vezes usada para tentar atenuar a gravidade dos fatos ocorridos em todo o resto do mundo. “O apartheid na África do Sul sempre foi utilizado como exemplo de racismo que, comparativamente às condições nacionais, fazia com que o racismo praticado por cada país parecesse algo muito brando”, avalia, em entrevista concedida hoje por telefone à RBA.

Para Luiza, tanto na África do Sul como no Brasil há um largo caminho a recorrer para romper com as diferenças entre negros e brancos. Se no caso brasileiro não houve um aparato institucional oficial no século 20 a cometer violações de toda ordem, o Estado pós-abolição da escravidão encontrou formas de provocar diferenças. E, agora, este mesmo Estado precisa encontrar caminhos para superá-las, mas se depara com resistências dentro e fora dele.

Com isso, a luta de Mandela ainda tem um duplo aspecto. “A notícia da morte é recebida com muita tristeza. Com ele também vai uma certa era da luta contra o racismo no mundo. Vai demorar algum tempo para que se produza uma referência negra internacional tão forte como ele foi”, diz a ministra, avaliando que, por outro lado, seu exemplo seguirá a ser necessário na superação de dificuldades.

Como Mandela influenciou o movimento negro brasileiro?

O movimento brasileiro reemergiu na década de 1970, quando a luta contra o apartheid era muito forte. Existe essa coincidência histórica. Circulavam muitas informações sobre as lutas sul-africanas. Isso influenciou bastante nossas formas de pensar a discriminação que os negros sofriam no Brasil. Embora o apartheid fosse um sistema racista diferente do racismo brasileiro, no fim das contas, tanto lá como cá as consequências do racismo eram as mesmas: países com maioria negra onde os negros estavam em sua maioria submetidos a condições de pobreza, sem acesso aos espaços de poder. Da nossa parte, aqui, construir uma luta contra o apartheid também era uma forma de denunciar as condições internas do país. Nos anos 1980 se formaram no Brasil comitês anti-apartheid, bastante ativos, e que contribuíram muito com o rompimento das relações do Brasil com a África do Sul naquele momento. Era uma demanda importante do CNA naquele momento, para enfraquecer o regime.

Incomoda o movimento negro o fato de Mandela ter se transformado numa unanimidade, elogiado inclusive entre racistas?

O fato de ser unanimidade não incomoda nem é visto com bons olhos. A unanimidade revela outra coisa, que no Brasil sempre foi muito evidente. Nos países onde o racismo tem efeitos negativos na população negra, o apartheid na África do Sul sempre foi utilizado como exemplo de racismo que, comparativamente às condições nacionais, fazia com que o racismo praticado por cada país parecesse algo muito brando. No Brasil é bastante evidente. Sempre se insistiu na existência do racismo na África do Sul, mas não aqui. Toda essa unanimidade em relação a Mandela, em alguns casos, envolve pessoas, autoridades que olham para África do Sul para poder negar as condições em que o racismo opera em seus próprios países, como no Brasil.

A luta de Mandela terminou quando chegou ao fim o apartheid?

A luta de Mandela ainda não terminou. O apartheid foi instituído em 1948. Até acabar, nos anos 1990, deixou sequelas na sociedade sul-africana extremamente fortes. A polícia foi formada para reprimir os negros. São marcas muito fortes. O fato de o país viver desigualdades sociais profundas faz com que ainda haja parcela significativa da população negra morando nos bairros negros. São bairros afastados dos centros urbanos, às vezes 50, 60 quilômetros. Isso ainda não foi completamente eliminado. Você tem contingente muito grande de pessoas que sofrem muito para sobreviver naquela sociedade, em situações muito parecidas com as que vivem os negros no Brasil.

Existe algum tipo de apartheid no Brasil?

Não dá pra dizer que existe apartheid no Brasil no sentido de um sistema legal. Mas os defeitos do racismo, em qualquer lugar, com ou sem lei, são a existência de diferenciais profundos, em prejuízo dos negros. A lição que a gente aprendeu analisando a forma como o racismo opera no Brasil, nos Estados Unidos e na África do Sul, é que no Brasil a inexistência de leis racistas não impediu a sociedade de criar outros mecanismos de exclusão da maioria negra. Por exemplo, o fato de hoje estarmos tentando organizar políticas de promoção da igualdade racial resulta exatamente desse longo trajeto histórico. Você precisa da participação ativa do Estado brasileiro no sentido de criar mecanismos fortes, consistentes, que forcem uma inserção mais vantajosa dos negros na sociedade.

Dá para dizer que houve avanços no combate ao racismo no Brasil?

Avanços no combate ao racismo devem ser pensados em dois níveis. Um nível, a promoção da igualdade racial. Nessa direção é que a Seppir opera dentro do governo federal: como criar determinadas iniciativas para acelerar a melhoria das condições de vida da população negra. Dadas as condições gerais, o Brasil tem demonstrado uma decisão política muito forte. O governo de uma maneira geral. Mas, do ponto de vista do combate ao racismo, isso é outra coisa. As atitudes racistas, as práticas racistas no Brasil hoje são muito mais evidentes do que já foram há 20 anos. Exatamente pelo fato de os negros acessarem determinados espaços e lugares sociais onde antes não estavam provoca nas pessoas uma reação a essa presença. Então você tem, paralelamente aos avanços na Seppir, manifestações de racismo mais frequentes e mais explícitas. Um dos casos mais recentes foi o daqueles jovens que entraram em um shopping em Vitória para se proteger de uma batida policial no baile funk e foram dentro do shopping confundidos com jovens que estariam lá para fazer arrastão ou coisa parecida. A reação da PM foi arbitrária e violenta. As fotos lembram os quadros de negros sendo caçados e apreendidos pelos capitães.

Quais as principais barreiras no combate ao racismo?

Elas se colocam principalmente a partir daqueles setores que sempre operaram usando o racismo como um recurso. Você tem hoje debates fortes dentro do governo, iniciativas para conter as mortes violentas entre jovens negros, que é um fenômeno nitidamente influenciado pelo racismo. Tantas vidas que se perdem num país que não está em guerra, você só pode imaginar que são vidas que não têm valor. Trabalhar essa questão do racismo desse ponto de vista tem sido uma dificuldade muito grande. Não conseguimos adentrar com esse debate nas instituições policiais, no sistema de justiça, que tem papel muito importante na modificação desse quadro das altas taxas de homicídio dos jovens negros. Outro espaço importante para que essa discussão se afirme são os meios de comunicação. Ainda há um processo de veiculação de imagens negativas dos negros que o tempo todo reforça essas suposições de inferioridade.

Fonte: Rede Brasil Atual