Jericoacoara: Estupro de turista que se repete em Jericoacoara. Na mesma época Gaia Molinari era assassinada ano passado


por Emerson Castelo Branco*

 Captada de O Povo Online-ceará Jericoacoara

Quando o possível criminoso volta à cena do crime.                                                                     Captada de O Povo Online-ceará Jericoacoara

Os jornais O POVO e DIÁRIO DO NORDESTE noticiam que uma jovem turista alemã foi estuprada em Jericoacoara na madrugada de sexta para sábado, por volta de 3 horas da manhã.

Exatamente na mesma época, também de madrugada e também afastada da Vila, a italiana Gaia Molinari foi assassinada.

É impressionante o número de estrangeiros que se distanciam da vila durante a madrugada e correm perigo.

Disse e repito: quem assassinou Gaia provavelmente é um maníaco que a abordou para estuprá-la ou um assaltante, ambos provavelmente drogados, porque impressiona o número de pessoas que usam droga em Jericoacoara e se valem das condições propícias do local para o cometimento de crimes.

Sei que uma AÇÃO FORTE da Polícia ali é contra o interesse de muitas pessoas que vivem do comércio da droga, dessa “zona livre”, tanto é verdade que a última operação da Polícia Civil no local incomodou muita gente ali.

É preciso intensificar as ações em Jeri, acabar com esse “paraíso das drogas” no local e ter policiamento OSTENSIVO nas áreas ESCURAS ao redor da vila, locais de cometimento de crimes.

Pelo seu imenso potencial turístico, acredito que definitivamente deve existir uma delegacia da Polícia Civil na própria vila, plantões da Polícia Civil na própria vila, policiamento ostensivo da Polícia Militar, operações PERMANENTES de combate ao uso e ao tráfico de drogas, monitoramento de todas as áreas por meio de câmeras de segurança etc.

O problema é que isso prejudica o INTERESSE de muita gente importante que frequenta esse paraíso e de parte dos empresários do setor turístico no local.

*Emerson Castelo Branco é defensor público e o primeiro a atuar na defesa de Mirian França, no final de dezembro de 2014,  que foi acusada de ter matado Gaia Molinari, permanecendo 30 dias na prisão em Fortaleza.

Nota da Mamapress e do Sos Racismo Brasil:
É urgente a apuração do caso de estupro de turista alemã, que aconteceu neste período natalino de 2015, que guarda extrema semelhança com o caso de assassinato da turista italiana Gaia Molinari no mesmo local, em dezembro do ano passado.

A reabilitação total de Mirian França, falsamente acusada de assassina, se faz necessária de uma vez por todas.

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A polícia ainda não se adaptou às regras do Estado Democrático, avalia André Augusto Bezerra, Presidente da Associação Juízes para a Democracia (AJD)


ENTREVISTA COM O DR. ANDRÉ AUGUSTO BEZERRA, PRESIDENTE DO CONSELHO EXECUTIVO DA ASSOCIAÇÃO DOS JUÍZES PARA A DEMOCRACIA- AJD*

por Rodrigo de Medeiros

juizandreaugusto

André Augusto Bezerra

O Caso Mirian França vem sendo denunciado, por movimentos sociais e organizações de direitos humanos, como uma repetição de abusos e violações institucionais a segmentos mais vulnerabilizados. A equipe de comunicação da RENAP-CE, então, entrevistou, a partir dessas denúncias, o Dr. André Augusto Bezerra, Presidente da AJD, sobre essa realidade do sistema penal e prisional do país, a qual os movimentos tanto denunciam. A AJD tem por objetivos, dentre outros, a defesa do Estado Democrático de Direito, da dignidade da pessoa humana, a democratização interna do Judiciário e a total transparência do serviço público, permitindo sempre o controle do cidadão. Vejam a entrevista:

1) Dr. André Augusto Bezerra, como a AJD vê esta realidade de encarceramento no país, ficando em terceiro ou em quarto do mundo?

R: Na realidade, o Brasil ocupa a terceira posição, perdendo apenas da China e dos EUA. Recentemente, ultrapassamos a Rússia. Esta realidade, ao meu ver, tem sua origem no histórico tratamento da questão social como caso de polícia. A repressão extrema aos delitos contra o patrimônio individual, em detrimento da preocupação com os crimes contra o patrimônio público, e a guerra contra as drogas decorrem dessa tradição, lotando nosso sistema prisional.

2) A vulnerabilização de certos segmentos, como a juventude da periferia, não branca, a sua fragilização frente aos abusos de autoridade cometidos por policiais, a falta de defesa técnica adequada, podem ser considerados uma manifestação da desigualdade do país, também fruto do racismo institucional?

R: Não tenho dúvida que sim. A desigualdade sócio-econômica do país gera reflexos no tratamento do Estado perante seus cidadãos, levando a um tratamento policial mais rigoroso e ao acesso desigual à justiça em relação aos mais pobres.

3) Há muitas denúncias de prisões temporárias e preventivas sendo solicitadas e concedidas sem fundamento. Os movimentos de mulheres e negro denunciaram o caso da pesquisadora Mirian França, no qual teria havido prisão temporária sem fundamento. Pode se admitir prisões como método de investigação, ou isto feriria o nosso Estado Democrático de Direito?

R: Não conheço com detalhes o caso Mirian França, de modo que não opino sobre ele. De toda forma, de fato, no Brasil há excesso de prisões cautelares, medida que, conforme o princípio constitucional da presunção de inocência, deveria ser excepcional. Tal medida está se tornando verdadeira regra.

4) Antes de se ter a condenação, no Caso Mirian, a pesquisadora foi exaustivamente exposta pela força policial como suspeita e sem ter sido devidamente apurado ou revelado demais suspeitos. O que a AJD pensa sobre o comportamento policial de prévia condenação, inclusive, utilizando a grande mídia para isso?

R: Volto a dizer que não conheço detalhes do caso Mirian. Todavia, de modo geral, o Estado brasileiro ainda não se adaptou ao projeto democrático previsto na Constituição de 1988. A polícia, como componente do aparelho estatal, não é diferente: também não se adaptou, tendo grande dificuldade em lidar com as liberdades públicas consagradas constitucionalmente. Daí a série de denúncias de verdadeira prévia condenação policial contra meros suspeitos, inclusive por intermédio dos meios de comunicação, que, não diferentemente, por vezes condenam investigados, como se tivessem o poder de proferir sentenças definitivas.

*Entrevista concedida para a Fan Page da RENAP-CE em 10 de fevereiro de 2015. Entrevistador: Rodrigo de Medeiros, advogado popular e membro da RENAP-CE

Delegada Patricia Bezerra ainda não sabe sobre possível pedido de prorrogação da permanência de Mirian França em Fortaleza.


MORTE DE GAIA MOLINARI

reblogado do Diário do Nordeste

Italiana: resultados de DNA de suspeitos são negativos

11.02.2015

Na tarde de ontem, um homem foi detido em Jijoca pela Polícia Militar e levado para a Delegacia de Sobral

FOTO: KIKO SILVA
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O perito geral da Pefoce, Maximiano Chaves, disse que a delegada Patrícia Bezerra já está com os laudos periciais requisitados

Após um mês e 17 dias da morte da italiana Gaia Bárbara Molinari, o autor do crime que vitimou a turista na Praia de Jericoacoara ainda não foi preso. De acordo com informações do perito geral da Perícia Forense do Ceará, Maximiano Chaves, todos os exames solicitados pela Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur) já estão nas mãos da delegada Patrícia Bezerra. Ainda de acordo com o perito geral, nenhum dos laudos de DNA realizados com os suspeitos tiveram resultado positivo para o material encontrado na turista italiana. O exame toxicológico de Gaia Molinari também não apontou o uso de substâncias ilícitas.

O corpo da turista foi encontrado no dia 25 de dezembro do ano passado na praia de Jericoacoara, em Jijoca. Na tarde de ontem, um novo suspeito de envolvimento na morte Gaia foi encaminhado a Sobral para prestar depoimento e exames periciais.

O encaminhamento do suspeito foi realizado pela Polícia Militar. Segundo o coronel PM Júlio Aquino, seria precipitado afirmar que o homem é o autor do crime, mas ressaltou que os exames periciais foram solicitados pela delegada Patrícia Bezerra, que é a titular da Delegacia que investiga o caso.

O suspeito foi localizado por uma patrulha da PM, sob o comando do subtenente PM Gomes e composta pelos soldados Ribeiro, Orismar e Robson, todos do policiamento de Jijoca. Apesar da confirmação do encaminhamento do suspeito, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) afirmou que se trata de mais uma pessoa que seria ouvida a respeito do caso, mas que não havia detalhes ou indícios que se tratasse do homicida procurado pela morte de Gaia Molinari.

Colega

Horas depois que o corpo da italiana foi encontrado na praia, a Polícia Militar localizou uma colega de quarto de Gaia. Era a carioca Mirian França, que havia viajado e se hospedado com a italiana na pousada Nova Era, em Jericoacoara. Ela foi encaminhada à Deprotur na condição de testemunha, mas dias depois passou a ser suspeita e teve um mandado de prisão temporária deferido pela Justiça no dia 5 de janeiro. Um dia depois do crime, a PM também conduziu um homem que era apontado por populares como suspeito, mas de acordo com o coronel PM Júlio Aquino, os exames periciais foram feitos no sentido de acalmar os nativos de Jeri, já que existia uma ameaça de linchamento por parte da população. A Polícia teria optado por levar o homem à Delegacia para descartar a participação dele no caso. Durante as investigações, um casal de uruguaios também foi encaminhado à sede da Deprotur para realização dos exames.

Polêmica

A Defensoria Pública do Estado do Ceará passou a trabalhar na defesa de Mirian França, que estava detida na Delegacia de Capturas (Decap). O defensor responsável pelo caso, na ocasião, Emerson Castelo Branco, criticou a postura da Polícia Civil em pedir a prisão de Mirian com base em contradições. A declaração foi divulgada no dia 6 de janeiro neste ano durante uma coletiva de imprensa. A Associação dos Delegados de Polícia (Adepol), por sua vez, realizou uma coletiva no dia seguinte e divulgou uma nota repúdio ao comentário do defensor.

No dia 13 de janeiro, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) revogou a prisão temporária da farmacêutica. No entanto, ela teria que continuar na capital cearense por um prazo de 30 dias, que termina amanhã (12).

A mãe de Mirian, Valdicea França, veio para Fortaleza. Ela ressaltou que só teria o sentimento que a filha estava em liberdade quando Mirian pudesse voltar ao Rio de Janeiro. No último sábado (7), Valdicea prestou depoimento na Deprotur.

A assessoria da Defensoria Pública disse que a defensora Gina Moura não concederia entrevistas sobre o caso. Já a assessoria de comunicação da SSPDS informou que a delegada Patrícia Bezerra também não iria falar sobre um possível pedido de prorrogação da permanência de Mirian em Fortaleza.

Jéssika Sisnando
Especial para polícia

A Defensoria Pública do Estado do Ceará passou a trabalhar na defesa de Mirian França, que estava detida na Delegacia de Capturas (Decap). O defensor responsável pelo caso, na ocasião, Emerson Castelo Branco, criticou a postura da Polícia Civil em pedir a prisão de Mirian com base em contradições. A declaração foi divulgada no dia 6 de janeiro neste ano durante uma coletiva de imprensa. A Associação dos Delegados de Polícia (Adepol), por sua vez, realizou uma coletiva no dia seguinte e divulgou uma nota repúdio ao comentário do defensor.

No dia 13 de janeiro, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) revogou a prisão temporária da farmacêutica. No entanto, ela teria que continuar na capital cearense por um prazo de 30 dias, que termina amanhã (12).

A mãe de Mirian, Valdicea França, veio para Fortaleza. Ela ressaltou que só teria o sentimento que a filha estava em liberdade quando Mirian pudesse voltar ao Rio de Janeiro. No último sábado (7), Valdicea prestou depoimento na Deprotur.

A assessoria da Defensoria Pública disse que a defensora Gina Moura não concederia entrevistas sobre o caso. Já a assessoria de comunicação da SSPDS informou que a delegada Patrícia Bezerra também não iria falar sobre um possível pedido de prorrogação da permanência de Mirian em Fortaleza.

Jéssika Sisnando
Especial para polícia

Caso Mirian França: Onde termina o interrogatório e começa a tortura. Os limites constitucionais.


Roda da Tortura Medieval

Roda da Tortura Medieval

Por João alfredo Telles***

Um desafio para especialistas em criminologia, psiquiatras forenses, estudiosos de segurança e militantes de Direitos Humanos: qual o limiar entre um interrogatório sério e a tortura psicológica? Qual o limite entre a busca da verdade e o sadismo puro e simples? Qual a real eficiência de interrogatórios, onde o depoente é submetido a uma pressão extrema, para o desvendamento de crimes complexos? Qual o peso de “confissões” arrancadas a fórceps frente às chamadas provas materiais?
Pergunto isso porque estou absolutamente chocado e indignado com o processo de massacre psicológico, perseguição contínua e linchamento público a que tem sido submetida a cidadã fluminense Mírian França por parte da polícia cearense, especialmente na pessoa da Delegada Patricia Bezerra, que preside o inquérito que apura o homicídio da cidadã italiana Gaia Molinari, até agora sem solução, e, portanto, impune.
A imagem dessa postagem, por óbvio, não se refere a esse caso, mas, à “santa” inquisição na idade média, quando nos piores momentos da igreja católica, a confissão arrancada sob tortura fundamentava a pena de morte, na fogueira, em geral, de “bruxas” e “hereges”.

***João Alfredo Telles: Advogado, vereador do Psol, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Fortaleza.

Foi impedido junto com a também advogada Luanna Marley, da Rede Nacional de Advogados de Direitos Humanos, pela delegada Patrícia Bezerra de acompanhar o interrogatório de Mirian França. Mesmo que tenham sido convidados pela Defensoria Pública.

Caso Mirian França: Porque a delegada insiste em chamar Mirian França de mentirosa em cadeia Nacional? Qual foi a grande mentira?


por marcos romão
mirian-franc3a7a-libertaTrinta dias depois de iniciadas as investigações sobre a morte de turista italiana, Gaia Molinari, a delegada de polícia Patrícia Bezerra, nada tem a apresentar de novo nas investigações,  além de repetir mais uma vez e categoricamente, que a farmacêutica “carioca”,  segundo reportagem da filiada da Globo local, Mirian França, mentiu.

Segundo informações da matéria, a delegada teria pedido a prorrogação do prazo de investigações por mais 30 dias.

Essas são as palavras em relação à Mirian França, proferidas pela delegada Patrícia Bezerra, dadas em entrevista na  tarde de 28.01, na delegacia que está à frente em Fortaleza

“Mentiu”.

Mentiu, várias vezes  ao longo dos dois depoimentos que ela prestou.

Ela não soube explicar as razões destas mentiras”.

Em conversa com a mãe de de Mirian França, na última sexta-feira na sede da OAB-RJ, a Mamapress foi informada por sua mãe, Valdicéia França, através do editor que lhes escreve, que ela foi voluntariamente à delegacia em fortaleza conversar com a delegada de polícia Patricia Bezerra, acompanhada de representante da defensoria pública do Ceará. Ela queria saber do que a filha estaria sendo acusada.

A sra. Valdicéia se disse surpreendida, pelo fato da delegada ter transformado a sua visita de mãe interessada sobre o que acusavam sua filha, em um interrogatório que durou 3 horas, em que lhe foi perguntado, detalhes do tipo de educação que havia dado à sua filha, fugindo completamente do seu papel de delegada à frente de uma investigação.

Este processo, segundo as noticias na imprensa, entrevistas da delegada, declarações de testemunhas que chegaram as serem arroladas como suspeitas, como no caso do turista uruguaio, que foi preso com sua namorada e levado de camburão para Fortaleza, tem uma linha de investigação levada pela delegada, calcada em um possível crime passional.
Mirian França ficou detida durante 14 dias, sob a acusação genérica de ser uma mentirosa, segundo a delegada.

Segundo informações que nos chegam de Jericoacoara, moradores do lugarejo turístico, têm  sido perguntados sobre o comportamento moral de Mirian França durante a sua curta estadia na localidade.
Como já se passam mais de 30 dias desde a morte trágica de Gaia Molinari. toda a sociedade brasileira e italiana aguarda que a polícia do Ceará apresente fatos e provas sobre o crime, para que seja feito justiça ao matador ou matadores de Gaia, ao invés de ouvirem repetidamente da delegada Patrícia Bezerra, que extrapola e exorbita de suas funções, ao se assumir como julgadora do caráter de Mirian França e condená-la à humilhação  e execração pública, ao repetir em rede nacional que Mirian França mentiu.

A Mamapress pergunta à delegada Patrícia Bezerra, qual foi a mentira que Miriam França proferiu.

O que no comportamento pessoal de Mirian França, faz delegada levantar suspeitas contra ela?

Qual a sua linha profissional, técnica e isenta de preconceitos pessoais na investigação, da “carioca”, segundo parte da  imprensa, que ainda insiste em chamar a farmacêutica Miriam França pelo apelido dado.

Que martírio pelo qual passa Miriam França e Família tenha um fim.

Que a verdade apareça!

Nota: até o final da noite não tínhamos informações se Mirian França continua obrigada a permanecer em Fortaleza, já que tem endereço e trabalho conhecido no Rio de Janeiro.

Veja a matéria com a delegada na CETV

http://g1.globo.com/ceara/cetv-2dicao/videos/t/edicoes/v/caso-gaia-molinari-completa-um-mes-e-policia-nao-tem-suspeitas-do-crime/3923103/

 

Mirian França libertada: Redes sociais pesaram na balança da justiça.


por marcos romão

As redes sociais mobilizadas por amigas e  e a mães de Miriam França, tiveram um papel fundamental nas ações que para que o processo de apuração do assassinato no Ceará, voltasse ao seu leito normal nas ações investigativas da polícia, nas decisões judiciais e na cobertura da imprensa. O leito dos direitos constitucionais reza que todo cidadão suspeito de ter cometido algum crime. tem a presunção de sua inocência até que se prove o contrário.
As violações destes direitos fundamentais são corriqueiras, e fazem superlotar as prisões de pobres e pretos, que sequer a oportunidade de serem ouvidos por um juiz a tem. Mesmo depois de meses ou anos.

Cidadãs e cidadãos através da redes sociais, apoiados pelas Mídias Independentes, tornaram evidente que não é exceção e sim a regra de que todo suspeito é culpado até que prove a sua inocência e que é necessário mudar todo o sistema, que se tornou um labirinto judicial em que juízes assoberbados, não tem mais diante de si em suas mesas pessoas humanas, mas sim números processuais, em que na falta crônica de defensores públicos em todo país, os desafortunados e sem cidadania plena são condenados à prisões “provisórias” perpétuas. Sim pois um dia na prisão, sem ser ouvido ou ter acesso a um defensor, é para o prisioneiro inocente uma eternidade, em que mesmo que solto um dia, ficará marcado por toda a sua vida.

Bajonas Teixeira de Brito Junior no Observatório da Imprensa, nos fala de um confronto nas mídias, que teria sido evidenciado no caso Míriam. Nós da Mamapress, da Rede Rádio Mamaterra e do Sos Racismo Brasil,  que acompanhamos este caso desde o início, e já o fazemos há anos, e atuamos  inclusive, nos rumorosos casos Vinicius Romão e Cláudia Ferreira, somos da opinião que não existe uma contradição entre a mídia independente e as redes sociais versus a chamada “grande imprensa”. Para nós o que existe é um crescente aumento da consciência cidadã, em sua repulsa e não aceitação que assassinatos de jovens negros, estupros de mulheres, prisões de inocentes são coisas “normais” para serem consumidas todas manhã enquanto tomamos café assistindo televisão, lendo jornais, ou escutando rádio antes de sairmos para trabalhar.
Este despertar da consciência também atinge aos jornalista, sejam autônomos ou que trabalhem em empresas jornalísticas. As redes sociais estão reforçando o trabalho de jornalismo investigativo, copiar e colar está virando tiro no pé para as grandes empresas jornalísticas, e estas empresas precisam retomar seu compromisso com a verdade, ou continuarão dando tiros nos próprios pés e perdendo credibilidade, ao replicarem e compartilharem, de ouvir falar, preconceitos, pré-julgamentos e condenações prévias de suspeitos presumivelmente inocentes. Isto é  bom para os jornalismo, isto é bom para os jornalistas. Os jornalista em todos as áreas, estou percebendo isto, estão como diria Hegel, crescendo da “consciência em si”, em que são “umbigo” do mundo”, ensimesmados, “selfies” mesmos, quando aparecem mais do que as próprias notícias, e expressam mais as suas opiniões do que a das vítimas publicizadas, para uma consciência para si, quando o outro, cidadão ao seu lado conta. Tem peso valor e dignidade.
Isto é muito bom também para os policiais investigadores, para os promotores e juízes, que ao serem agentes de um sistema processual falho, estão condenados a cometerem erros todo o tempo. A consciência cidadã e seus alertas, vai ajudar muitos funcionários públicos da justiça, a poderem dormir sem sentimentos de culpa e também, reduzir o número de cínicos e resignados, por acharem que tudo sempre foi assim, que sentados em suas togas, executam em nome do Estado que somos todos nós, sentenças discriminatórias e eliminadoras da dignidade humana de todos nós.
Toda esta ação é simplesmente boa demais para todos os cidadãos e cidadãs do Brasil e seus mandatários nestes casos, que são as Defensorias Públicas. Defensorias Públicas que são precárias na maioria dos estados brasileiros e que devemos apoiar para que cresçam e sejam continuem independentes para nos representar, pois ao fim e ao cabo, nós somos os mandantes desta prerrogativa constitucional, que é ser defendido pelo estado, mesmo quando acusamos o Estado, e não temos posses para as custas processuais.

Para exemplificar a ação deste primeiro poder que é a cidadania exercida nas redes sociais, sob o manto e proteção da Constituição Democrática de 1988, que garante a liberdade de opinião e expressão, escolhi este comentário na Mamapress, enviada por Sandra Domingues, uma cidadã brasileira, que como Mirian França lembra que todos nós queremos justiça para Gaia Molinari, A primeira e principal vítima desta grande crueldade que mobilizou a nação. Sandra Domingues participa de um grupo, em que pessoas de todo o país se comunicam pedindo socorro contra injustiças na justiça. Parabéns.

Sandra Domingues é uma pessoa, que através de uma postagem na Mamapress demonstrou solidariedade à Miriam França e pergunta:

“Gostaria que a “justiça” do Ceará explicasse por que a Miriam França estava presa sem provas, por ter tido contradições em seu depoimento e a Cristiane Renata Coelho, assassina do pequeno Lewdinho, apesar de todas as provas, laudos, contradições, continua livre, leve e solta!”

Queremos Justiça por Gaia e Lewdinho!”

Lewdinho é como é conhecido os sub-tenente Francileudo Bezerra Severino (vejam o caso). Preso no Ceará, quando estava em coma, por suspeita em ter assassinado seu filho e depois ter tentado suicídio com chumbinho.
O caso lembra as investigações “apressadas”, feitas no caso Gaia Molinari, em que Mirian França foi logo acusada do crime e presa sem indícios e provas consistentes segundo o juiz  José Arnaldo dos Santos Soares, que decidiu pela revogação da prisão após analisar informações enviadas pela Polícia Civil.

Sandra Domingues é mais uma cidadã brasileira engajada na busca da justiça. As redes sociais estão permitindo que as pessoas que se levantam contra as injustiças no país se conheçam e reforcem o trabalho de formiga de cada uma.

A Rede Rádio Mamaterra e o Sos Racismo Brasil, acredita no trabalho de pessoas como Sandra Domingues e apóia e compartilha seu trabalho, como foi no caso em que Mirian França teve seus direitos civis violados, e nossa rede desde o início entrou em contato com a família de Mirian, através de sua mãe Valdicèia França, e suas amigas e amigos que correram para ajudá-la.

Muitas injustiças estão sendo cometidas em todo o Brasil. São tantas, que já urge o momento em que a sociedade brasileira repense como um todo seu sistema de aprisionamentos em que mais de 250 mil presos e presas como suspeitos de algum crime, aguardam meses ou anos como o caso de Hércules Menezes Santos no Rio de Janeiro.(veja o caso) E outros milhares com culpa comprovada andam soltos em nossas cidades.

Vamos ficar enxugando gelo enquanto não reavaliarmos e mudarmos todo os sistema judiciário, que presume a culpabilidade dos suspeitos e não sua inocência. Quanto mais pobre e mais preto for, e se for mulher e preta pior ainda,  fica muito difícil sair do labirinto prisional, depois que alguém cai nas malhas das investigações malfeitas e ordens de prisão sem os prisioneiros tenham acesso à advogados e família, e uma imprensa apressada que parece mais interessada em divulgar .

ATUALIZANDO O CASO: 13/01/2015

Juiz revoga prisão temporária de farmacêutica Mirian França

O juiz José Arnaldo dos Santos Soares, da comarca de Jijoca de Jericoacoara, revogou a prisão temporária da farmacêutica Mirian França, 31, suspeita de matar a italiana Gaia Molinari, no dia 25 de dezembro. A decisão ocorreu na manhã desta terça-feira, 13.

O magistrado decidiu pela revogação da prisão após analisar informações enviadas pela Polícia Civil. De acordo com a decisão, a farmacêutica não poderá se ausentar do Ceará pelo prazo de 30 dias.

Ao analisar o caso, o juiz alegou que que as contradições apresentadas em depoimento não seriam suficientes para a prisão. Além disso, apontou inexistência de razões fundamentadas que comprovem autoria ou participação da farmacêutica no crime. O magistrado levou em consideração que a carioca possui profissão definida, endereço fixo e não tem antecendentes criminais.

Suspeita de participação no assassinato, Mirian França é carioca e não possui antecedentes criminais. Doutoranda da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Instituto de Microbiologia, possui graduação em Farmácia e mestrado no curso de Ciências, também pela UFRJ.

Fonte: O POVO

“…Contudo…gostaria que a “justiça” do Ceará explicasse por que a Miriam França estava presa sem provas, por ter tido contradições em seu depoimento e a Cristiane Renata Coelho, assassina do pequeno Lewdinho, apesar de todas as provas, laudos, contradições, continua livre, leve e solta!”

Queremos Justiça por Gaia e Lewdinho! Sandra Domingues

“Mirian França libertada, estou emocionado!”: Defensor Público Emerson Castelo Branco


por marcos romão

“Miriam Libertada. estou emocionado”. acaba de me informar direto de Fortaleza ao Sos Racismo Brasil e à Rede Rádio Mamaterra, o defensor público Emerson Castelo Branco

Agora esperamos que a polícia encontre logo os culpados da morte de Gaia Molinari, por quem todos nós também choramos.