Cotas são uma conquista do povo brasileiro


Por Marcos Romão

romao-neutroÉ preciso que fique claro, que as cotas atuais são antes de mais nada uma conquista das mães e pais negros e indígenas da maioria de todos que estão ainda discutindo seu valor.
Luta iniciada no anos 70, é sequência da lei dos 2/3 de Getúlio Vargas, que garantiu a 2/3 dos brasileiros ocuparem empregos, pois até então a maioria negra só fazia biscates, pois empregos só eram dados a migrantes europeus.
Nesta época, década de 30, a maioria dos negros que tinham um emprego com salário mensal, eram as mulheres negras que trabalhavam como empregadas domésticas. Os homens negros se arrastavam de biscate em biscate.
Essas mulheres negras empregadas domésticas, foram quem sustentaram a Frente Negra, partido negro, com cerca de 200 mil filiados, extinto pela ditadura de Vargas.
Uma das grandes ações da Frente Negra, foi alfabetizar as mulheres negras que a sustentavam, para que elas pudessem votar nas eleições brasileiras.
A luta pelas cotas é assim uma conquista do Movimento Negro e Indígena de mais de um século.
Só o branco que quer manter seus privilégios, e o negro que é ignorante de sua história pode ser contra esta medida paliativa, mas eficiente, que são as políticas de cotas para negros e indígenas no Brasil.
A maioria de negras e negros de minha geração que frequentaram universidade ou conseguiram um emprego compatível com nossos méritos, frequentavam universidades ou ambientes de trabalho em que estavam sozinhos.
Hoje cada negro pode ver pelo menos meia dúzia de negros e negras a sua volta, quando vão para a universidade ou vão trabalhar.
É bom lembrar que muitos de nossa geração, que hoje tem mais de 60 anos, apesar de passarem nos concursos públicos por seus elevados méritos, não “passavam” na famigerada “prova secreta da foto 3/4” que os eliminavam e ainda eliminam, ao nunca serem chamados, apesar das excelentes classificações que alcançaram e alcançam.
Quem conseguia entrar, nunca era promovido ou era dispensado na fase probatória.
Negras e Negros precisam saber que somos uma geração que lutou pelas cotas e que têm experiência de como o racismo funciona nas universidades e locais de trabalho, impedindo ascensão na carreira, fazendo desistir no caminho, ou lavando de tal forma as cabeças de negras e negros, que muita gente acaba resignada, sentada numa cadeira, carimbando vento, quando poderiam estar trabalhando para a libertação de si e de nosso povo.
A vitória no STF aprovando as cotas, foi mais que uma vitória simbólica. Foi muito mais o reconhecimento pelo Estado Brasileiro, que por mais “méritos” que uma negra ou um negro tenha, só terão acesso aos bens materiais e intelectuais da sociedade através do fórceps de ferro que é a política de cotas.
Cotas está sendo um parto prá lá de difícil, até no Itamaraty, na Polícia Federal, nos tribunais e em vários concursos estão tentando burlar esta conquista dos negros e indígenas.
Mas a criança cotista e cotada está aí e gritando com conhecimentos populares e acadêmicos de nossa história brasileira. Não tem mais volta!

Suprapartidarismo como forma de combate ao racismo


Protesto em frente ao Colégio Internacional Anhembi Morumbi manifestou apoio a estagiária que acusa a diretora da escola de racismo-2011 foto Marina Morena Costa

Protesto em frente ao Colégio Internacional Anhembi Morumbi manifestou apoio a estagiária que acusa a diretora da escola de racismo-2011 foto Marina Morena Costa

por Humberto Adami

do original: Afrobrasileiros nossa voz

Cada vez mais percebo que a partidarização como combate ao racismo é um mal em si mesmo, multiplicadora da ausência de quadros relevantes. Afasta pessoas, torna vítimas do racismo, cegas em si mesmas.

O fato de pertencer a um partido político, coisa tão simples que ocorre com a assinatura de uma ficha de filiação, não deveria separar pessoas em grupos ou nichos. Ou se assim o fizesse, deveria existir para reunir pessoas e não para separá-las.

Não é que os partidos políticos não devam e não possam participar de tal debate, ao contrário. Mas discriminar outros discriminados porque são de outros partidos, ou privilegiar só aqueles da agremiação partidária é algo que torna suspeita, as atividades e sentimentos de tal pessoa. Não é aceitável que se privilegie os negros do PT, porque são do PT ou do PSDB ou do PMDB ou do PSTU ou do PSOL, ou de qualquer partido. Há um limite que tenho observado e que não deveria ser ultrapassado.

Na época da Ministra Matilde Ribeiro, essa atitude fez existir duas marchas Zumbi dos Palmares + 10. O ano era 2005. A marcha dos sem partidos, no dia 16 e a marcha dos com partido, no dia 22. Perderam todos. Os espaços políticos foram diminuídos, e o espetáculo de desagregação foi o já comum antes visto. Apesar disso, alguns não aprenderam e seguem colocando partidos políticos à frente da própria luta contra o racismo. Não penso e não ajo assim.

As balas perdidas que atingem pobres e pretos não indagam a que agremiação política estes pertencem. É uma pena que tais espaços anexos aos partidos (já que todos eles, quase sempre, não fazem parte da direção do mesmo), não sejam usados indistintamente, em prol do combate ao racismo. Enquanto partidos políticos tem ido regularmente ao STF contra cotas, quilombolas, feriado de Zumbi dos Palmares e PROUNI, não se vê tais estruturas partidárias atuarem em auxílio de seus mandatos parlamentares para proliferaram a agenda positiva do Movimento Negro. Como se vê, ausentes os partidos políticos dos grandes julgamentos do STF, na questão racial.

Em outros assuntos, os partidos políticos ajuízam ações, contratam advogados, fazem a diferença. Veja-se a questão da Liberação da Maconha. Quando eu trabalhei como Ouvidor da SEPPIR, tentei bastante que os colegas partidários levassem seus partidos ao apoio formal das ações judiciais. Eles, no entanto, entendiam que: 1) não era o caminho 2) que contribuía para a judicialização, embora o partido que judicializava não perguntasse nada para os demais 3) que colocava em risco as decisões políticas 4) que o Direito está à reboque das transformações da sociedade. Um deles quando conseguiu que o partido decidisse ir à juízo, o fez sem se atentar às regras da Advocacia e perdeu o prazo de ingressar com a ação. Muito feio, um vexame.

Por causa disso tudo, sempre me pauto pela forma suprapartidária de atuar, garantindo espaço a todos. Não vejo como o combate ao racismo se intensificar, enquanto tais ponderações não forem um mantra. Daí porque muitas atuações de combate ao racismo não ultrapassam o adjetivo de “periféricas”. É nesse sentido que tenho entendido como deva ser a atuação da Comissão Nacional da Verdade da ESCRAVIDÃO NEGRA no Brasil, do Conselho Federal da Ordem dos Advogados. A OAB é de todos os brasileiros.

Negro doutor barrado em hotel “vira” neurocientista com dreads e três dentes de ouro


por Rosane Aurore e Marcos Romão

Será que o porteiro do hotel Tivoli Mofarrej na capital paulista, pediu para o neurocientista Carl Hart abrir sua boca e mostrar seus dentes, antes dele entrar no recinto para dar sua conferência?

“Carl Hart é negro e veio a São Paulo palestrar sobre a guerra às drogas e como ela é usada para marginalizar e excluir parte da população. Antes de se tornar um cientista respeitado, com três pós-doutorados, e um dos maiores nomes sobre o estudo de drogas, era usuário de crack. Ele decidiu tornar-se especialista nos efeito do crack para entender como a droga tinha destruído sua comunidade. E virou um neurocientista, com seus dreads e os três dentes de ouro.”

A notícia começou na redação da mídia Justificando, espalhando-se viroticamente nas redes sociais. Blogs e portais repetiram a matéria da discriminação racial, sofrida pelo negro Carl Hart, na capital paulista no hotel Tivoli Mofarrej.  Agora todos sabemos que Carl Hart tem dentes de ouro e cabelos dreads.  Mais um caso de racismo”cosmético”, segundo a visão tradicional brasileira.

Estamos mais uma vez diante do sensacionalismo e indignação para inglês ver, como no caso de discriminação sofrida em 1950, no Rio de Janeiro, pela negra americana, a  bailarina, coreógrafa e educadora e ativista pelos direitos civis Katherine Dunham, que foi impedida de se hospedar no Hotel Serrador. O caso gerou na época até a criação da lei Afonso Arinos, que penalizava o racismo como contravenção.  Afonso Arinos morreu em 1990 sem nunca ter visto alguém ser penalizado por esta lei. Saiba mais sobre a lei 1390.

A notícia vale pelo exótico, o ressaltar a descrição “neurocientista, com seus dreads e três dentes de ouro”, joga para escanteio sua principal acusação contra o racismo brasileiro. Acusação feita na lata para os ouvintes de sua palestra no hotelTivoli Mofarrej, que pagaram jetons de ouro para escutá-lo, escutar sua visão contrária às políticas adotadas em relação à drogas e que causa a morte violenta em sua guerra, de milhares de jovens negros no Brasil.

Carl Hart olhou para a platéia, repleta de pessoas que decidem sobre vida e morte de negros no Brasil e, perguntou para uma platéia só de brancos:
“Olhem para o lado, vejam quantos negros estão aqui. Vocês deviam ter vergonha”

Carl Hart não é qualquer acadêmico como os que vivem nas “Torres de Marfins” universitárias brasileiras, nem é um “gringo” que confunde Buenos Ayres com Conceição de Mato Dentro. Carl é um acadêmico e ativista, ele quer salvar vidas.

Antes de dar suas palestras a peso de ouro para os especialistas em “enxugar” gelo e suas política erráticas de “guerra às drogas”, Carl Hart conversou com a comunidade negra brasileira e interessados que não podem pagar nem são convidados para estes seminários exclusivos.

Ele sabe muito bem que ele é  um negro com visão global da questão, que atinge todos os continentes, mas os que mais sofrem em todos os continentes com as políticas adotadas contra as drogas,  são os grupos vulneráveis da sociedade, pobres, negros e todos os excluídos. Para os que estão em perigo da adição, ele apresenta a alternativa da inclusão na sociedade e, não na execução sumária como é de costume no Brasil.

Ao contrário do que a imprensa brasileira tentou fazer com Katherine Dunham, que de coreógrafa, ativista pelos direitos civis, especializada em antropologia da dança e virou “bailarina”, que na imprensa ninguém sabe de “que dança”, e da forma como Carl Hart está sendo descrito, é preciso saber que está cada vez mais difícil invisibilizar o racismo contínuo e estrutural e a luta contra ele, e que  os movimentos pelos direitos dos discriminados veem o racismo como questão global e atuam internacionalmente há décadas.

A todos os jovens jornalistas do Brasil, recomendamos que prestem atenção para não caírem nas armadilhas da individualização e escamoteação do racismo no Brasil, descrevendo-os como fatos episódicos.

Não ter nenhum negro na platéia da conferência de Carl Hart  sobre um  problema que atinge em maior grau a população negra brasileira,  é  que é o tema e o escândalo.

Ainda não vimos publicado nenhum desagravo ao Carl Hart, assinado pelos especialistas presentes na conferência. Bota vergonha nisto!

Nota atualizada

Após a notícia que o neurocientista Carl Hart teria sido barrado, notícia que inclusive a Mamapress comentou,  página Fluxo no Youtube  divulgou um vídeo/entrevista em que Carl esclareceria a situação. O Globo replicou  o material do “Fluxo”, com a manchete “ Neurocientista americano nega ter sofrido discriminação racial em hotel“.

Nas duas matérias Carl Hart releva o fato acontecido consigo e,  o considera de menor importância, além de afirmar  que o entrevistador do Blog Justificando, teria tirado suas declarações do contexto, associando erradamente o incidente acontecido, com o que falou em sua conferência. Assim como o que falou para o repórter sobre o que percebeu sobre as situação de isolamento em que os negros no Brasil.

O blog que publicou a matéria inicial, postou a entrevista feita com Carl Hart falando sobre o incidente ocorrido na entrada do hotel.

Como a nossa preocupação na Mamapress é esclarecer o máximo possível os/as nossos leitores/as, e sabedores de que tudo que tenha a ver com noticiar sobre racismo no Brasil, tem que se pisar em ovos, pois nem tudo é o que parece, e o que é dão sempre um jeito de deixar de ser. Para nós o que está claro é que Carl Hart não foi barrado na entrada do hoetel Tivoli Mofarrej. O que lá se passou ele mesmo em entrevista conta.

Trazemos assim os dois vídeos para que nosso/as leitores/as possa tirar suas conclusões:

IPCN 40 ANOS Vem Prá Rua! Flashmob Contra o Racismo. 18 horas na Cinelândia!


IPCN 40 ANOS
Vem Prá Rua!

UFRRJ-2

Alunos da UFFRJ em seminário com o professor Amauri Pereira, saúdam os “antigos e desejam vida longa para o IPCN

Vamos fazer um Flashmob comemorativo para levantar Astral
8 de Julho 18 Horas no Amarelinho na Cinelândia, Rio de Janeiro
A juventude vai abraçar a Velha Guarda
Comemore onde você estiver, não importa a cidade nem o país!
Bote a foto com seu sorriso aqui neste evento!
CARREGAMOS A ESCOLA DO MOVIMENTO NEGRO CONTEMPORÂNEO, QUE É O INSTITUTO DE PESQUISAS NEGRAS,  NO CORAÇÃO E EM NOSSAS MENTES GUERREIRAS
40 ANOS NA LUTA CONTRA O GENOCÍDIO FÍSICO E CULTURAL DO POVO NEGRO BRASILEIRO.
Rio Janeiro Ipcn
SOS Racismo Brasil

Show com “zoo humano” banido em Londres, vem para São Paulo


Uma performance artística polêmica com atores negros em um "zoológico humano" foi cancelada em Londres depois de protestos realizados na terça-feira, na sua noite de abertura.

Uma performance artística polêmica com atores negros em um “zoológico humano” foi cancelada em Londres depois de protestos realizados setembro. 2014, na sua noite de abertura.

No evento artístico, chamado Exhibit B, os atores apareciam em jaulas e presos a correntes para tratar das “repugnantes atitudes referentes à raça durante a era colonial”.( fonte BBC)

No entanto, os manifestantes consideraram a performance ofensiva e racista.

Já desde 2012, quando foi apresentada em Berlim na Alemanha,  que a peça do sul-africano Brett Bailey, causa polêmica e protestos das comunidades  negras e africanas na Europa. Os Afro-alemães assim a consideraram:

“A produção de “Exhibit B” é baseada em sua implementação na tradição colonial racista: a questão dos negros e pessoas de cor. Apesar das supostas intenções anti-racistas, Brett Bailey reproduz com o seu trabalho, a ideia dos africanos como objetos de entretenimento, conforto ou, como utilizado neste caso, a formação da “consciência” de pessoas brancas. ”

Brett Bailey pretende fazer trazer sua Performance ” Zoológica Humana” para o Brasil em 2016, e acabou nesta semana o processo de artistas negros, com conhecimentos básicos de inglês, para participarem com atores “mudos” da peça.

Dois episódios marcaram nas últimas semanas as relações das produções artísticas brasileira e a utilização do chamado “Black Face”, ou apropriação da cultura negra e suas simbologias, quando possíveis intenções antirracistas dos autores, mais revelam e reforçam o racismo mesmo que “desapercebido” dos autores do que esclarece a sociedade sobre o racismo e a necessidade de combatê-lo.

O autor de Exhibit B, foi perguntado em uma entrevista para o “Die Zeit” alemão, se o que ele estaria fazendo não seria, uma espécie de Pipi Show ( voyerysmo) para mexer com o sentimento de “vergonha” do branco.
Para os afro-alemães, ele apenas estaria repetindo os antigos zoológicos coloniais, com povos de África trazidos para Hamburgo, para agradar a burguesia branca local, só que desta vez para explorar o sentimento de culpa, mas mantendo os negros como sempre no papel de “Objetos Mudos”, passíveis de piedade, e só.

Manifestantes consideraram que a mostra ofensiva e 'cumplíce de racismo'

Manifestantes consideraram que a mostra ofensiva e ‘cumplíce de racismo’

De Paris a brasileira Fabiana Bruna Souza nos envia sua visão do que está se passando na Europa em relação à esta Performance e apela:

« Exhibit B » no BRASIL NÃO!!!

“Para quem não sabe, o mais conhecido internacionalmente como artista racista Brett Bailey, criou uma peça hedionda, condenada na Inglaterra e aqui na França; Após varias manifestações da população negra local em Londres, o povo negro conseguiu a anulação da pseudo peça, aqui em Paris, aconteceram vários confrontos com a polícia local,  participei dessas manifestações e vivi a violência do confronto, sentindo na pele como a politica francesa trata as manifestações da sua população negra : com repressão e violência.

A peça se chama « Exhibit B » e cria, “quadros vivos” de seres humanos negros em posição de inferioridade, sem voz, na posição de objetos.

Esses “quadros vivos” recriam cenas extremamente dolorosas da história da diáspora africana, e exibe o negro como coisa, da mesma velha maneira que nossos antepassados sofreram durante todo o período colonial : coisas em um zoológico humano, coisas de um show de horrores.”

“A CONVOCAÇÃO DE ARTISTAS NEGROS BRASILEIROS”

Brett Bailey, diretor teatral sul-africano, faz audição para escolher elenco brasileiro

10 de junho de 2015Sem categoria

Fonte: https://www.facebook.com/MostraInternacionaldeTeatroSP?fref=ts

A Mostra Internacional de Teatro de São Paulo – MITsp, fará uma audição para escolher atores negros para o espetáculo que será apresentado na MITsp 2016.

Vejam abaixo o comunicado.

Brett Bailey, diretor teatral sul-africano, faz audição para escolher elenco brasileiro.

O diretor sul-africano Brett Bailey fará uma audição com atores brasileiros nos
dias 23 e 24 de junho de 2015, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo, para
montagem de espetáculo inédito no Brasil, que será apresentado na MITsp – Mostra Internacional
de Teatro de São Paulo, em março de 2016.
Serão escolhidos 14 atores (entre homens e mulheres) e as inscrições serão no período de 10 a 19 de junho
de  2015, pelo email secretaria@mitsp.org – com envio de currículo e fotos. Os selecionados
para a audição serão contatados por email no dia 21 de junho.

Requisitos necessários: a montagem requer atores e atrizes negros, com idade superior a 20 anos
e com conhecimentos básicos de inglês.

 

 

13 de Maio dia de Combate ao Racismo no Trânsito de Niterói


por marcos romão

No 13 de maio, aos 127 anos da Abolição da Escravatura, conversei com os Agentes de Trânsito de Niterói.

Mais cores da vida, menos marrom do nazismo. Catedral de Colônia apaga suas luzes em sinal de protesto


Dezenas de milhares de pessoas em toda a Alemanha também demonstraram nesta segunda-feira contra a xenofobia e contra o movimento neonazista  Pegida. Grandes Monumentos alemães apagaram suas luzes. Conforme anunciado, a famosoa Catedral de Colônia apagou suas luzes no mesmo horário em que manifestantes do movimento de direita caminhavam nas ruas de Dresden.

Dezenas de milhares de pessoas em toda a Alemanha também demonstraram nesta segunda-feira contra a xenofobia e contra o movimento neonazista Pegida. Grandes monumentos alemães apagaram suas luzes. Conforme anunciado, a famosa Catedral de Colônia apagou suas luzes no mesmo horário em que manifestantes do movimento de direita caminhavam nas ruas de Dresden.

pela tradução Marcos Romão

fonte: gmx news

Dois ex-chanceleres alemães,Helmut Schmidt e Gerhard Schröder (ambos SPD) se pronunciaram contra o movimento anti-islâmico Pegida.

Schmidt disse ao jornal “Bild”, “os protestos apelam aos “preconceitos mais nojentos do ódio a estrangeiros (xenofobia) e da intolerância”. No entanto, esta não é a Alemanha. A República Federal não deve rejeitar os refugiados e requerentes de asilo. “A Alemanha deve pemanecer com a mente aberta e tolerante.”

Os “Patrióticos Europeus contra a Islamização do Ocidente(PEGIDA)” é uma associação alemã que teme e repudia a islamização da Alemanha e da Europa. Seus principais membros organizam desde 20 de outubro de 2014 manifestações semanais em Dresden, contra o que consideram, equivocada em sua opinião, a política europeia e alemã de  imigração e asilo. Manifestações similares com características e carregadas de sentimentos neonazistas, estão ocorrendo em várias outras cidades alemãs.

Perguntado em uma entrevista do jornal, Schhröder convocou novamente uma nova “revolta dos decentes” contra a xenofobia.

Este foi o mesmo grito que Schröder tinha lançado em 2000, após um incêndio criminoso em uma sinagoga em Düsseldorf. Uma nova revolta “é o que precisamos hoje.”

Ele elogiou a as atitudes e ações dos partidos e das igrejas, ” por terem tomado posição clara contra o movimento Pegida”

O ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble (CDU) juntou-se ao apelo conjunto contra a xenofobia e intolerância. “Slogans e palavras de ordens não substituem fatos: a Alemanha precisa de imigrantes”, disse ele ao jornal “Bild”.

Ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier (SPD) explicou que Pegida é uma vergonha não só no país, pois desperta uma “má imagem para a Alemanha no exterior”.

É ainda mais importante para esclarecer que “aqueles que gritam nas ruas suas palavras de ordem e seus slogans, são uma pequena minoria gue gritam em voz alta”. Da mesma forma, o ministro da Economia Sigmar Gabriel (SPD) expressou:  “Quem joga com medos vagos e difusos carregados de xenofobia, não fala pela maioria.”

Nova ministra negra da SEPPIR-PR vem da academia


Da Agência Brasil Edição: Lílian Beraldo

Nilma Lino GomesMineira de Belo Horizonte, a nova ministra da Secretaria de Política de Promoção da Igualdade Racial, Nilma Lino Gomes, é pedagoga, graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1988. Concluiu o mestrado em educação também pela UFMG em 1994. É doutora em antropologia social pela Universidade de São Paulo (USP).

Mudou-se para Portugal onde fez o pós-doutorado em sociologia pela Universidade de Coimbra, em 2006.

Nilma Lino Gomes coordenou o Programa de Ações Afirmativas da UFMG.

Em abril de 2013, tornou-se a primeira mulher negra do Brasil a comandar uma universidade federal, ao ser nomeada reitora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab).

Vídeo

Publicado em 2 de jul de 2013

Presentación de Profª. Dra. Nilma Lino Gomes, Dez anos de Políticas de Ações Afirmativas no Brasil: um balanço, en el Seminario de Políticas de Acción Afirmativa en la Educación Superior, Salvador, Bahía, Brasil, 26-30/11/2012

ADIN Quilombola dia 3 de dezembro. CFOAB-Conselho Federal da OAB dispõe sala para advogados, quilombolas e entidades de defesa se reunirem


"FotosO advogado Humberto Adami, do IARA-Instituto de Advocacia Racial eAmbiental, informa através da Mamapress, que as organizações e entidades que foram aceitas como “amicus curia”, amigos da corte.  Irão se reunir neste dia 3 de dezembro na CFOAB-Conselho Federal da OAB para se prepararem e deliberarem as estratégias finais para o julgamento da ADI 3239. saiba mais.

Em Porto Alegre, segundo o advogado e ativista do movimento negro e quilombola, Onir Araujo, os quilombolas estarão durante o julgamento, em vigília em frente do Palácio Piratini. Quilombolas do entorno de Brasília, com de Calunga e de Paracatu. No Rio de Janeiro  representantes dos quilombos do RJ, estarão também em vigília no Quilombo do Sacopã, sede da Associação dos Remanescentes dos Quilombola do Estado do Rio de Janeiro. No país, milhares de quilombolas passarão o dia em espectativa assistindo ao julgamento atravé da TV Brasil.

A redes negras e étnicas de Comunicação, Rádio Mamaterra, o Sos Racismo Brasil, a TV Quilombos Gerais, a Movimento&Mídia, a Afropress, Aldeia Maracanã, Geledés e muito mais estarão também de prontidão para acompanharem este julgamento crucial para os quilombolas brasileiros, que se arrasta desde 2012. saiba mais

ADI 3239: reuniao dos amigos da corte no Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil no  03 de dezembro às 11horas.

Recebi comunicaçao que uma sala estará disponibizada para advogado e entidades dos amigos da corte em 03.12, ‘as 10hs. A ADI trata da inconstitucionalidade do Decreto 4887 que dispoe sobre demarcacoes de terras quilombolas, ja tendo votado o Ministro Cesar Peluso, pela inconstitucionalidade. A Ministra Rosa Weber prosseguira o julgamento. Humberto Adami Advogado e Mestre em Direito. IARA Instituto de Advocacia Racial e Ambiental

“Prezado Dr. Humberto, Comunico que, de ordem do Pres. Marcus Vinicius, este CFAOB disponibilizará sala no 10º andar (Sala de Reuniões dos MVs),no dia 03/12, às 10:00hs, para realização de Reunião com os advogados e representantes das Entidades que acompanham a ADI 3239… Ficamos a seu dispor.”

Uerj, I Seminário Fela Kuti: um debate teórico que foi frustrado



por Memorial Lélia Gonzalez

 

Fela Kuti

Fela Kuti

Dentre tantos momentos importantes de reflexão e avanço sobre as questões tratadas no “I Seminário Fela Kuti da UERJ – A educação, os movimentos sociais e a África que incomoda” que teve lugar no Rio de Janeiro (de 13 a 17 de outubro, UERJ), com “Manhãs de Oficinas e Minicursos”, “Tardes de debates, Conversas e Café” e “Noites de Conferências”, é estarrecedor que “uma” conferência do dia 14/10: “Marxismo, panafricanismo e racismo nos movimentos sociais do mundo”, tenha levado aos participantes (ávidos por conhecimento) equívocos fundados em ocultamentos históricos, que um certo academicismo insiste em impor, transformando a “plateia” em tábula rasa que, como plateia seria, a priori, mera espectadora!!!

O título da Conferência, com palavras fortes e necessárias para a compreensão e a transformação da realidade do mundo e do Brasil, hoje – marxismo, panafricanismo, racismo, movimentos sociais -, (como, aliás, todo o Seminário) chamava os/as participantes para um fundamento teórico que possibilitasse, inclusive, situar cada aluno/a da UERJ num espaço de maior conforto por estarem usufruindo da primeira universidade brasileira a instituir o sistema de cotas (como parte das necessárias ações afirmativas – Lei 3708/01 | Lei nº 3708, de 09 de novembro de 2001). Sim, situar “cada aluno/a”, não alunos/as negros/as e pardos/as, como citado na Lei, mas a todos e todas, na medida em que a exclusão de quem quer que seja diz respeito a todos e a todas, especialmente a quem está incluído (via de regra, neste caso, incluído “naturalmente”).

Nada é natural na realidade humana! Toda possibilidade humana é construída a partir de conceitos e preconceitos, de teorias e acomodações que algumas teorias insistem em impor.  Assim é com o racismo! Assim é com todas as formas xenófobas de olhar e tratar a quem quer que seja.

O estarrecedor é que “argumentos” contrários ao cerne do debate – não tendo condição de sustentação nas teorias e na história da humanidade – sejam dirigidos a palestrantes e participantes (não plateia!) como ofensas pessoais; e que movimentos de fundamento da luta racial no Brasil – como a Frente Negra Brasileira – sejam vilipendiados e, mesmo, “xingados” de fascistas (com a mesma virulência que militares (saudosos da ditadura recente) de partidos políticos que se autointitulam “cristãos” e “democráticos”, insistem em colocar liminares e mais liminares contra as cotas nas universidades e nos concursos públicos), simplesmente porque o “velho e querido” Marx não tratou da questão racial em seus textos!!!

Os marxistas de “boa fé”, de todas as cepas, continuam (como no título de um texto em inglês) “ainda esperando a análise marxista sobre raça”. E vão continuar esperando, pois Marx fundou sua importante obra de maturidade “O Capital” em bases que envolve também a Hegel, aquele mesmo que afirmou que a África não tem história¿!?¿

Para os marxistas o problema mais sério é a luta de classes.  E o que já foi provado (inclusive em Cuba) é que quando se tenta acabar com “classe”, o racismo permanece…

Como muito bem nos evidencia Carlos Moore: “a escravidão racial não é recente e, ao contrário do que a maioria das pessoas supõe, remonta há mais de mil anos. Logo, o racismo está há muito tempo estruturando a sociedade, a visão religiosa, os padrões estéticos e culturais, o imaginário social e um monte de coisas. O racismo é um fator histórico estruturante. … Trata-se de um arranjo sistêmico que engloba a totalidade das interações entre os seres humanos. Mas, para enxergá-lo desse modo, há que vencer uma série de obstáculos, incluindo os obstáculos epistemológicos.”

Talvez uma maneira de começar a superação epistemológica – especialmente alguns partidos políticos e alguns “movimentos sociais” – seja (1) estudando os pensadores negros, do continente africano e da diáspora africana;  (2) buscando entender que a realidade humana, desde sempre (inclusive no Brasil), foi e continua a ser pautada por “cotas” e “ações afirmativas” (de quem pode mais!) e aquilo que os movimentos negros continuam reivindicando é o mínimo do que a humanidade deve ao povo negro; (3) reler as teorias fundamentos do marxismo; (4) estar atento para não se aventurar em estruturas partidárias de “esquerda”, de “direita”, “cristã” ou “democrática” que criam grupos “negros” de conveniência, defendendo bandeiras brancas, cuja única finalidade é o aparelhamento na máquina ideológica da guerra partidária que quer, a todo custo, impor o imobilismo aos movimentos da realidade, estes, sim, movimentos de base! Vale lembrar que ser oprimido por “igual” é degradação imponderável!  Mas, primeiro que tudo, proponho conhecer o que é a “democracia”, a grega, aquela que prega a liberdade e igualdade, mas que pratica a escravidão, o racismo e o sexismo.