O massacre de Sharpeville é a memória do Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial


por marcos romão

Mulheres lembram massacre de Sharpeville

O Massacre de Sharpeville foi perpetrado  em 21 de março de 1960, pelas forças racistas do regime durante a era Apartheid na África do Sul .

5 a 7 mil pessoas marchavam contra a obrigatoriedade das crianças falarem o língua “Afrikander”nas escolas e a lei do passe, algo como a nossa carteira de trabalho no Brasil, que nossa polícia e justiça sempre pede aos negros que abordam.

Neste período na África do Sul, as pessoas só podiam circular nos bairros que lhes eram permitidos segunda sua cor. Frequentar somente as escolas que lhe eram abertas. Além de só poderem ir nas igrejas, supermercados e banheiros segundo a cor que constasse nos seus “passaporte individuais de utilização dentro do país”.

Durante os protesto de jovens escolares, 69 crianças foram mortas à bala de fuzil, a maioria com tiros dados pelas costas, no que ficou conhecido como o Massacre de Sharpeville. 180 ficaram gravemente feridas. Era a segregação total.

Temos vivido nas cidades brasileiras o aumento da segregação racial, provocada por um desenvolvimento urbano voltado para as elites. As populações pobres e negras têm sido empurradas para as periferias. Os serviços públicos para estas áreas tem se resumido a paliativas incursões e ocupações repressivas por forças policiais.
Os mesmos fuzis de Sharpeville tem sido os principais meios de conter a população jovem que não se comporta neste quadro. Nesta semana no mês da mulher, a forças repressivas e racistas, ultrapassaram a fronteira de todos os código morais, mesmo entre os racistas: Passaram a matar mães que cuidam e protegem seus filhos para que não sejam vítimas do racismo e da violência que a segregação racial e isolamento em territórios provocam.

Claudia Silva FerreiraO tiro no peito dado em Cláudia Ferreira Soares e o linchamento feito através do “arrastão” por um camburão à 60 Km/h, de seu corpo ferido, pelo asfalto fervente da cidade do Rio de Janeiro, quebrou todos os tabus morais do Estado Racista Brasileiro e arrisca a jogar por terra, décadas de ações educacionais antirracistas que temos feito com nossas crianças negras.

Pela primeira vez na minha vida não tenho como explicar para um jovem como isto pode acontecer e porque a reação governamental é tão tímida, quando não cínica, mas principalmente porque o povo brasileiro aceita e não se levanta contra esta barbárie racista perpetrada contra o povo negro brasileiro e, incentivada pelos meios de comunicação que aplaudem linchamentos e, estimulam a violência policial cometida todos os dias, e que por sorte ou azar agora foi filmada e, a morta tem um corpo e um nome, ao contrário de Amarildo, do qual só sabemos o nome de um corpo desaparecido..

No Brasil temos escolas públicas e privadas. Se nas escolas privadas de excelência a segregação racial é evidente para qualquer observador, seria através da melhora do sistema de ensino público que os governos municipais, estaduais e federal do Brasil, poderiam dar um exemplo de transformação, para que nossas crianças saiam de um  sistema tácito de segregação racial e social que ocorre no Brasil, que define as possibilidades ou impossibilidades futuras de empregos e convivência multirracial para todas as nossas crianças brasileiras.

Caminhando pelas ruas das cidades do Brasil, no horário de entrada e saída das escolas, é escandaloso se ver, que nas escolas particulares mais privilegiadas só transitam crianças brancas. Já nas saídas das escolas públicas a maioria são crianças negras.

Temos a LEI No 10.639, DE 9 DE JANEIRO DE 2003. que não está sendo aplicada nem pelo ensino público tanto menos pelo ensino privado. A recusa de se aplicar o ensino dos sistemas de visões de mundo indígenas e africanas que formam o povo brasileiro, é uma das grandes barreiras a serem superadas para se melhor combater o racismo no Brasil.

Melhorar o ensino das escolas públicas, pagar melhor os professores é um dos principais caminhos para que nossas crianças brancas e negras se juntem e vivam juntas enquanto ainda podem. Do contrário teremos em 20 anos um Brasil como era a África do Sul em 1960, quando aconteceu o massacre de Sharpeville.

Mas qualquer mudança no sistema educacional para eliminar a discriminação racial, por mais positiva que seja, será enxugar gelo, enquanto os governos estaduais e a justiça brasileira continuarem a aplicar políticas de segurança e de justiça segregacionistas.

Não dá para falar para um jovem aluno que temos igualdade constitucional, quando ele chega na sala de aula completamente estressado, devido ao baculejo e tapa na cara que ele ou sua mãe acabaram de levar  do representante fardado do governador. Governador que antes dele nascer, já o considerava um inimigo.

Massacre de Sharpeville-13 de março 1960

Massacre de Sharpeville-13 de março 1960

Anúncios

O fim da Lei Caó


Casos recentes de racismo levam a defesa de lei mais severa para punir preconceito

Projeto que revoga a atual Lei Antirracismo para estabelecer regras mais duras está pronto para votação no Plenário da Câmara dos Deputados.

 28/02/2014

Reportagem – Ana Raquel Macedo
Edição – Marcos Rossi

Arquivo/Alexandra Martins
Henrique Afonso
Henrique Afonso, relator do projeto na Comissão de Direitos Humanos: lei atual não teve a eficácia esperada.

Ator negro permanece preso por duas semanas no Rio de Janeiro após ser acusado erroneamente de roubo. Manicure negra em Brasília é ofendida por cliente que se recusa a ser atendida por ela. Cobradora de ônibus negra é xingada na capital federal. São casos recentes de racismo que viraram manchete e reacenderam a discussão sobre a legislação brasileira a respeito do tema.

Há 25 anos, o País definiu o crime de racismo, indicado na Constituição, como inafiançável e imprescritível (Lei 7.716/89). Ao longo dos anos, a norma passou por modificações, ampliando as possibilidades de enquadramento na prática criminosa, caracterizada, por exemplo, pelo impedimento de acesso de alguém a algum serviço ou estabelecimento ou, ainda, pela incitação à discriminação por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Na Câmara dos Deputados, está pronta para votação em Plenário proposta que pretende instituir uma nova lei contra o racismo e outros casos de preconceito, mais severa (PL6418/05 e apensados). Pelo relatório do deputado Henrique Afonso (PV-AC) aprovado em dezembro de 2013 pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, ficaria revogado também artigo do Código Penal sobre injúria racial, cuja prática, diferentemente do crime de racismo, não é inafiançável e imprescritível.

A ideia é que tanto a injúria quanto a apologia ao racismo passem a ser enquadradas como discriminação resultante de preconceito de raça, cor, religião, sexo, aparência, condição social, descendência, origem nacional ou étnica, idade ou condição de pessoa com deficiência. A pena é de reclusão de um a três anos, passível de acréscimo de um terço.

Arquivo/Gustavo Lima
Luiz Alberto
Luiz Alberto reclama que há juízes que abrem outro tipo de ação penal em casos de racismo.

Para Henrique Afonso, a lei atual não atingiu a eficácia esperada. Opinião compartilhada pelo presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Wadih Damous. “A lei atual foi uma grande conquista na época em que foi editada. Pela primeira vez, aprovou-se uma lei que reprovava a prática de atos racistas. Infelizmente, as manifestações de racismo – inclusive manifestações acirradas – recrudesceram ao longo desses anos ao invés de diminuírem. De forma que a constatação é de que a lei não atende mais aos reclamos de uma reprimenda mais forte a manifestações racistas”, ressalta.

Postura firme
O coordenador da Frente Parlamentar Mista pela Igualdade Racial e em Defesa dos Quilombolas, deputado Luiz Alberto (PT-BA), não vê, contudo, necessidade de mudança da lei, mas, sim, de postura nas instituições brasileiras. “Esse conjunto de eventos que vem ocorrendo no Brasil demonstra que a legislação só precisa ser aplicada conforme foi aprovada. Por exemplo: para um preso em flagrante delito por crime de racismo, não cabe fiança. É imprescritível. É inafiançável. Mas o juiz trata de outra maneira, concede fiança, abre outro tipo de ação penal. Portanto, destoa do objetivo da legislação atual.”

Luiz Alberto argumenta que o sistema racial brasileiro é de tal forma complexo que o próprio Estado, muitas vezes, estimula práticas racistas, ao invés de coibi-las.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Ana Raquel Macedo
Edição – Marcos Rossi

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura ‘Agência Câmara Notícias

Vinícius Romão, ou quando é que o crioulo dança?


por marcos romão

A Mamapress/Sos Racismo, ou outros grupos antirracistas devem ir em socorro de quem não tem consciência racial e nem de que está sendo discriminado?

Minha resposta pessoal é por princípio sim.

Se alguém se afoga na água pulo atrás, não me interessa se a pessoa deseja morrer.

foto montagem a partir do facebook

foto montagem a partir do facebook

Vamos a este caso exemplar do Vinícus Romão.

Sábado, dia 22.02,

No final da noite, Francisco Chaves, branco, jornalista colaborador da Mamapress/Sos Racismo atual e apoiador na maioria dos casos de racismo que atuei desde 1972, me ligou P da vida, pois acabara de tomar conhecimento através de seu filho, que Vinícius Romão seu vizinho que conhecia desde criança,  estava preso fazia um tempo e apesar do esforço dos amigos, seu pai Jair
Romão não queria divulgação do fato pois havia sido orientado a não “enrolar” mais ainda mais a vida do filho, que estava sendo processado, mas caso inocente a justiça
seria feita…Assim disse a polícia e que ele o pai deveria tirar uma carteirinha para visitar o filho que lhe telefonara no dia seguinte depois de preso.

Conversando ao telefone com o Marcelo Chaves, filho e meu amigo, vi o seu desespero, por não saber o que fazer com a posição a seu ver “temerosa” e “receosa” do pai Jair Romão que lembro não é meu parente.

Francisco Chaves, para saberem, atua em foto jornalismo investigativo e acompanhou o nosso amigo comum,Tim Lopes durante anos, já havia me passado que suspeitava que o tal “detetive’ que prendera o Vinícius era o mesmo que atuava nas horas vagas na segurança de lojas e prédios da área.

Juntando as coisas nesta troca de telefonemas e sabendo que o pai era coronel reformado do exército, como do exército são muitas famílias da vizinhança.  Vimos que ao ser identificado, “o tal negão”, o policial viu que  o Vinícius era filho de militar Isto ajudou o rapaz negro a escapar de algo que poderia ter sido muito pior.

Como o perfil traçado do rapaz resumia-se ao que me disseram ser uma pessoa desligada, que gostava de caminhar com seu” walkman” no ouvido ao voltar do trabalho, depois das 10 da noite pelas ruas do Meyer.
Juntei o dele ao perfil das dezenas de garotos negros da classe média que tem dançado  feito patinhos na lagoa no país, que tomei conhecimento nos dois últimos anos em que voltei ao Brasil. Foram casos atendidos por nós e que por receio das famílias não foram divulgados apesar de resolvidos.
Chegamos às 11:30 de sábado– depois de troca de conversa entre Francisco Chaves, Marcelo Chaves e agregado à discussão oadvogado da CIR-OAB, Tito Mineiro— Resolvemos os 4 botar a boca no trombone utilizando todos os contatos que tivéssemos, pois o risco que o rapaz corria  de mofar na prisão era imenso e nem ele nem seu pai sabiam da gravidade, e só no transcorrer deste processo todos nós poderemos saber, talvez, tudo o que está por trás deste caso.

Considerado um caso de alto risco, seus amigos(do Vinícius) resolveram passar por cima dos “receios”  da família e começaram a falar oficialmente como “grupo de amigos do ViníciusRomão”.

Algumas horas depois o caso  atingiu a grande imprensa.

Boa parte do que escrevi aqui, Muitos de vocês já leram os resultados desta ação de centenas de milhares de pessoas pelo Brasil e mundo afora, que culminou na liberdade provisória do Vinícius, e os detalhes das internas policiais vocês provavelmente lerão no futuro. Pois as pessoas da vizinhança estão revelando o que sabem.

Em tempo: O Vinícius foi libertado graças à pressão da mobilização nas redes sociais. No Alvará de Soltura, não consta a retratação da testemunha, que só aconteceu depois.

Em resumo eu diria, quer ajudar alguém? Procure conhecê-lo. Quer ajudar o povo negro brasileiro?
Jogue fora o ideal do colonizador do negro “bom” e do negro “mau” pois isto é neoracismo.  Pois estamos diante de um sistema racista feito para prender e aprisionar negros e pobres quase negros, quando não os matam antes.

São ações que talvez ajudem a descolonizar a mentalidade salvacionista e idealista branca pintada de preta que muito negro tem, que não é a predominante, mas  noto que está ganhando força entre a classe média do Movimento Negro, que distante da realidade em que vivem os seus filhos, parece que esqueceram que a relação entre jovens negros e a polícia está igualzinha a quando éramos jovens, “vacilou, dançou”.

Como é que nossos garotos vão enfrentar o racismo se nós mesmos não os ensinarmos, que eles vivem em um sistema racista que não é cor de rosa Ipod, e que se não acordarem vão dançar feio?

Muita gente ao ver as entrevistas que ele está dando para a rede Globo, se pergunta, como é que o Vinícius e seu pai não estão vendo ou falando do racismo que finalmente todo o Brasil viu?

Não me espanto, no meu trabalho conheço tantos Vinícius Romãos, uns dentro e outros fora das prisões.

Aşé para todos, acabo de ganhar mais um parente, que nem me conhece, mas sei que como todos os meus garotos quer é viver a felicidade!

“25 anos de Lei Caó”. Racismo é crime. Não perca sua dignidade humana. Reaja na hora. SOS Racismo.


por marcos romão

Mulher negra que discriminada, chora e sente vergonha.
Homem negro que é comparado à macaco por uma multidão em estádio e permanece jogando.
Estes são alguns exemplos da maléfica “Escola de Racismo no Brasil”.

Racismo é Crime

Mulheres e homens negros aprendem de suas famílias que são pessoas humanas e dignas e só descobrem nas ruas e nas escolas e universidades que são um zero à esquerda. Não humanos, são macacos, peças, tapetes para se pisar em cima e moleques de recado que só podem falar “sim senhor” e quando convocados.
Está mais que na hora de se criar uma “Escola de Alerta Anti-Racismo”.
No episódio da manicure, graças aos céus, as colegas reagiram para socorrer a colega em estado de choque pela discriminação.
No caso de Tinga, enquanto acontecia o linchamento moral racista, apenas internautas na rede reclamaram, enquanto provavelmente em choque o jogador prosseguia com seus dribles e o banco de técnicos e supervisores permanecia passivo. Como alento tardio,Tinga recebeu as homenagens de sua torcida ao voltar à BH.
Nos 25 anos de existência da Lei Caó, que pune o racismo como crime, precisamos uma campanha nacional para orientar o discriminado, a vítima da violência do racismo, que ele e ela não são os culpados por serem violentados. Que não têm que baixar a cabeça para levarem tapa do racista, quer seja um racista civil, quer seja um racista policial.
Precisam aprender a reagir na hora. Pois a dignidade que perdem ao ficarem em choque e passivos marcará suas mentes como um chicote invisível, que será retransmitido, como foi até agora para gerações futuras.
“Se comporte minha filha, se comporte minha filha, se cale e dê de ombros, os racistas é que são ignorantes, somos todos seres humanos, não reclame pois não vai dar em nada”, é o que cada negra aprende dentro de casa e escuta dos amigos e amigas íntimas.

Basta desta conversa para boi dormir de que somos todos seres humanos, para o racista e para a máquina institucional racista no Brasil, nós simplesmente não existimos como seres humanos, quem não tem consciência disso, dança e faz seus filhos e filhas dançarem como micos de circo nas festas e manifestações hipócritas de solidariedade aos negros!

Racismo é crime público! O Estado Brasileiro, a Sociedade e a Justiça precisam levar este assunto à sério
Basta de levarmos desaforos para casa, não temos sangue de barata!
Reaja ou será um escravo de seu próprio medo para sempre!

Joaquim Barbosa sobre o racismo: diplomacia brasileira “é muito discriminatória”


Em nossa linha de conversar sobre o racismo no Brasil sem subterfúgios nem desculpas esfarrapadas, a Mamapress reitera a sua posição de o racismo no Brasil vai aparecer e se evidenciar cada dia mais. Vai aparecer não pelo racismo de agora ser maior ou menor do que antes. Mas sim porque os discriminados não estão mais engolindo as desculpas esfarrapadas dos racistas que sempre alegam que têm um pé na cozinha quando querem esconder os crimes racistas que cometem.
Já temos toda uma geração de empregadas domésticas que exigem seus direitos trabalhistas. Temos toda uma geração de trabalhadores negros que, que já não mais aceitam que seus companheiros brancos ganhem mais e sejam sempre promovidos na frente deles. Já temos toda uma geração de intelectuais formados lá fora que podem sustentar de igual para igual com os intelectuais brancos as discussões e reivindicações trazidas pelos 53% da população não branca. Infelizmente maioria destes intelectuais formados em todas as disciplinas, foram formados lá fora, pois aqui no Brasil, a academia reservou aos negros e indígenas estudarem os negros e indígenas, viramos uma disciplina.
Queremos mais, queremos estar no poder em todas as instituições. Temos homens e mulheres negras e indígenas de todas as idade preparados para esta tarefa, e não me venham com esta velha história que precisamos esperar os investimentos em educação para termos igualdade. Dou meu exemplo pessoal: Em minha experiência profissional no Brasil, a maioria da pessoas brancas a quem eu fui subordinado, não tinham o preparo que eu tinha, hoje a maioria é rica e senta em Brasília enquanto eu… tive minha carreira de sociólogo de tal forma bloqueada que tive que sair do país em 1989.
Quantas vezes tive que pedir à uma funcionária negra, com 30 anos de serviços sem nenhuma promoção, que tivesse a gentileza de “escolarizar” a loura que iria ser chefe dela no secretariado, que nem um memorando escrever o sabia, mas como branca representaria melhor a recepção no gabinete do chefão branco?
As discussões à cerca do racismo que sempre foram colocadas debaixo do tapete, e estavam reduzidas aos circuitos do movimento negros e grupos discriminados como os grupos mulheres, indígenas e LGBT, viraram questão nacional desde as manifestações de junho de 2013.
O desaparecimento depois de torturado do corpo de Amarildo levaram os jovens de classe média das grandes cidades do Brasil que sempre viveram nos condomínios e escolas segregadas, ao descobrirem que estavam sendo tratados como negros pelas policias estaduais especializadas em maltratarem, torturarem e eliminarem negros na história do Brasil.
A perversidade do sistema racista e de apartheid que sustenta e mantém uma elite branca ou esbranquiçada no Brasil, saiu de suas margens de só atacar os guetos e hoje estende suas garras a todos os cidadãos e os perseguem mesmo dentro de seus computadores.
Fomos todos nivelados por baixo, fomos todos nivelados pela discriminação antes reservadas aos negros e indígenas.

Quase que ao mesmo tempo os brasileiros descobrem que têm um juiz negro na maior corte do país, juiz de carreira e que chega ao topo, elevando-se à categoria de ser o único e primeiro negro no Brasil a assumir esta posição no Brasil. Este exemplo nos nivelou por cima a todos o negros no Brasil. Em um país em que nós negros e indígenas somos segregados em tudo, descobrimos que também podemos entrar na máquina responsável por nos manter através da lei longe da propriedade e dos bens econômicos do Brasil. De nela entrar e transformá-la pode ser um passo. Esta possibilidade remota dede mudar o sistema judiciário que manda para as prisões  medievais milhares de negros, assusta. Assusta a simples possibilidade de negros julgarem e assim também brancos irem para a cadeia. Pela primeira vez então os brancos da elite brasileira, muitos deles que já passaram pelos porões da ditadura, se lembram e derramam lágrimas de crocodilos, sobre as condições desumanas em que vivem milhares de negros encaixotados em porões em que a tortura é o simples ir para lá. A justiça brasileira ao condenar alguém não o pune por seus mau-feitos, mas sim pela sua cor e condição econômica. Mandar alguém pobre e preto para a prisão no Brasil para simples averiguação, é dar a pena de morte ou tortura perpétua. A única saída para esta pessoa é baixar a cabeça ou se tornar fera para massacrar e cortar cabeças de outros iguais.

Todos estes acontecimentos que vivemos nos últimos dois anos são momentos emblemáticos, que escancaram para todos o Brasil racista que só inglês podia ver.

Vivemos um momento chave em nosso país que pode influenciar e propiciar a mudança da mentalidade racista de todos nós brasileiros. Está na hora de termos solidariedade um com os outros e reconhecermos que o sistema de apartheid racial e econômico no Brasil, nos atinge a todos e à nossas famílias. Que está nos destruindo a todos

A entrevista do RFI com o Ministro Barbosa, revela um ministro do STF, também preocupado com esta questão. O próprio STF com esmagadora maioria de brancos quatrocentões, em decisão memorável reconheceu a dívida do Brasil para com os negros e indígena e homologou em 2012 as cotas como constitucionais.

É essa discussão que nos interessa e nos interessa fazê-la com responsabilidade, pois estamos todos sentados em um Barril de Pólvora evidenciado pelo genocídio de nossa juventude negra, que precisa ser finalmente enfrentado.
O linchamento que alguns setores da sociedade fazem atualmente do Ministro Joaquim Barbosa, é por nós considerado como uma fuga da discussão do racismo institucional que perpassa toda a nossa sociedade desde o alto escalão de Brasilia, passando pela composição racial dos quadros que comandam as redações de nossos veículos de comunicações, até as chefias de cozinha nos grandes clubes e hotéis.
Enfrentamos o racismo em todas as esquinas, este é o fato. (Marcos Romão- editor da Mamapress)

Artigo nos  de Lúcia Müzel, que nos foi enviado pelo advogado Humberto Adami

Joaquim Barbosa sobre o racismo: diplomacia brasileira “é muito discriminatória”

Lúcia Müzell fonte: RFI

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa
STF

Em 1993, quando deixou Paris com um título de doutor recém-conquistado na Universidade Panthéon-Assas, Joaquim Benedito Barbosa Gomes não imaginaria que, quase 20 anos depois, seria o primeiro negro a assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal. A nomeação, entretanto, é uma exceção em um país onde o racismo se esconde atrás de piadas e os negros permanecem longe de ter acesso às mesmas oportunidades que os brancos, apesar de comporem a maioria da população. Em entrevista exclusiva à RFI, Barbosa afirma que um dos piores exemplos é a face brasileira no exterior: a diplomacia, segundo ele, ainda “é muito discriminatória”.
Durante sua curta passagem por Paris, na semana passada, o presidente do STF foi recebido como convidado de honra no Conselho Constitucional francês, uma das instituições de maior prestígio do país. Poucos minutos antes de embarcar em um trem rumo a Londres, onde cumpre a segunda etapa de compromissos oficiais na Europa, ele conversou com a RFI.

Na semana passada, enquanto os jornalistas brasileiros aguardavam o senhor em um café na praça da Sorbonne, um garçom francês, negro, reconheceu o seu nome e sabia quem o senhor era. O senhor já é reconhecido no exterior?
Eu sempre tive o hábito de parar na praça da Sorbonne, não somente para tomar um café mas para estudar. Eu gostava de ficar ali. Mas em relação a um garçom ter me reconhecido, isso representa o fato de que os negros se reconhecem em qualquer lugar do mundo. Eles se reconhecem uns nos outros.

A sua carreira é de exceção no Brasil: um negro de origem humilde que chega à presidência do STF. Hoje, foram implantadas as cotas, por exemplo, entre outras ações para integrar melhor os negros na sociedade, inclusive em altos cargos. O senhor acha que a situação melhorou?
As coisas melhoraram um pouco nestes últimos 20 anos. Mas eu acho que nós ainda precisamos de bastante cotas em diversas áreas, porque 50 ou 51% da população é formada por negros. Entretanto, eles ainda se encontram em situações de inferioridade, sofrem discriminação, conseguem empregos ruins. No Brasil, nós não vemos os negros em cargos de direção nas empresas, ao contrário de outros países. A nossa diplomacia é formada em 99% por brancos e é muito discriminatória. Ou seja, ainda temos muito a fazer. Muito mesmo.

Na Europa, essa pouca representação dos negros nos altos cargos no Brasil, um país tão miscigenado, causa estranheza. O senhor acha que o Brasil é um país racista?
É um país onde o racismo é latente. Não é explícito: é latente. Ele é disfarçado, e se mostra nas situações nas quais os negros são excluídos. Quando alguém é surpreendido em um ato racista, ele muda de discurso, faz como se não fosse nada, diz que era uma brincadeira, reafirma que o país é uma mistura de raças, lembra que tem uma tia negra. Porém, em tudo aquilo que conta de verdade, na economia, nas posições de comando, os negros são excluídos.

Recentemente, a ministra francesa da Justiça, Christiane Taubira, foi alvo de vários ataques racistas. O senhor se encontrou com ela na semana passada. Vocês conversaram sobre este assunto?
Sim, nós falamos. Eu acho isso vergonhoso para a França. Uma mulher com muitas qualidades, como a ministra da Justiça Taubira, ser alvo de atos de machismo e de racismo. Nós estudamos na mesma faculdade de Direito em Paris, Panthéon-Assas, embora não tenhamos nos conhecido na época. Ela estudava em Assas e eu fazia o doutorado em Panthéon. E nós conversamos sobre incidentes racistas que nós dois tivemos na época. Houve brigas envolvendo a extrema-direita no campus, coisas assim. Eu acho tudo isso assustador. Porém, na França pelo menos existe o debate, enquanto, no Brasil, tudo fica escondido. Tudo fica como se fosse uma brincadeira. As medidas necessárias [contra o racismo] não são tomadas. O assunto é tratado com superficialidade. O assunto não é levado a sério, e este é o problema.

Durante as manifestações do ano passado, o senhor era visto como um ídolo. O seu nome era evocado para a presidência da República. Nos últimos meses, entretanto, o senhor virou alvo da imprensa, como por exemplo sobre o pagamento de diárias durante a sua viagem à Europa. Como o senhor sentiu essa mudança?
Isso não me incomoda. Isso faz parte do caráter um pouco provinciano do debate público no Brasil. Eu gostaria de debater as coisas sérias. É isso que me interessa. Mas tem uma certa imprensa sem escrúpulos no Brasil, pessoas pagas por fundos governamentais e que só querem saber de me atacar, mas eu só faço o meu trabalho. Faço o meu trabalho e não estou nem aí para essas pessoas.

Questionar a sua honestidade o incomoda?
São os brasileiros que devem dizer se sou honesto, e não estes maus-caracteres.

Oito anos de Afropress – O lado negro da Imprensa


Oito anos de Afropress – O lado negro da Imprensa
logo+AFROPRESS
Há oito anos, a Afropress se afirma como veículo de informação de qualidade comprometido com a produção de conteúdo jornalístico com foco nos temas do combate ao racismo e a defesa dos direitos da população negra brasileira.
Venha celebrar conosco essa conquista. Dia 26 de novembro, a partir das 17h, no Plenário Paulo Kobayashi, da Assembléia Legislativa de S. Paulo, vamos realizar ato para marcar essa importante conquista. Informação de qualidade, jornalismo com seriedade, independência e com foco. Esta é a nossa marca!
Programa
17h – Mesa Redonda sobre “A História da Imprensa Negra no Brasil: desafios e perspectivas”
Presenças confirmadas:
Oswaldo Faustino, escritor e jornalista (ex-Estadão)
Maurício Pestana – Editor executivo da Revista Raça Brasil
Flávio Carrança – Jornalista da Comissão da Igualdade Racial de S. Paulo (Cojira/SP)
Luiz Paulo Lima – Fotógrafo da Kultafro
Juliana Gonçalves dos Santos – Comunicação do CEERT
Rosenildo Gomes Ferreira – Editor assistente da Revista Isto É Dinheiro
Francisca Rodrigues – Comunicação da Faculdade Zumbi dos Palmares/Afrobras
Rita Batista – Jornalista e apresentadora do Programa “A Liga”, da Rede Bandeirantes de Televisão
18h30 – Debate: “Linha editorial da Afropress”
Apresentação: jornalista responsável e editor Dojival Vieira
19h – Ato solene pelos 8 anos da Afropress – Agência Afroétnica de Notícias
Mesa:
Deputados:
Adriano Diogo – Presidente da Comissão de Direitos Humanos e da Comissão da Verdade “Rubens Paiva” da ALESP
Leci Brandão – Deputada estadual, integrante da Comissão de Educação e Cultura da ALESP.
Elisa Lucas Rodrigues – Coordenadora de Políticas para as Populações Negra e Indígena da Secretaria de Justiça de S. Paulo
19h30 – Lançamento da campanha “Corra atrás do seu direito – em defesa dos negros perseguidos pela ditadura militar”. Campanha que orientará ativistas e militantes negros a se organizarem para ingressar com processos com base na Lei 10.559/2002, buscando a anistia e a reparação
Apresentação:
Ana Paula Marchiori – Advogada de perseguidos políticos da ditadura
20h – Homenagens aos profissionais de comunicação comprometidos com a causa da igualdade no Brasil.
20h30 – Encerramento.
PromoçãoAfropress – SOS Racismo – Comissão da Verdade Rubens Paiva e Comissão de Direitos da Assembléia Legislativa – Presidência Deputado Adriano Diogo.