Historiador grava vídeo no qual aponta a relação entre fala de Bolsonaro e o Holocausto


Na semana do Dia Internacional do Holocausto o deputado Jair Bolsonaro, foi indiciado por racismo pela Procuradoria Geral de República(PGR).

Segundo o professor Gherman, “um ano depois de pesar negros por arrobas e de dizer que afro brasileiros “não podem mais procriar”, o deputado fascista é indiciado por racismo.

Claro, parece óbvio que essas afirmações sejam racistas.

Mas o interessante é que essas falas foram feitas em um clube judaico e que o indiciamento vem na semana do dia do holocausto.”

Na gravação feita em 2017, Michel Gherman, professor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IH-UFRJ), condena atitude do público que aplaudiu fala do parlamentar em tradicional clube judaico.

Agência Café História

Nesta sexta-feira (7), o historiador Michel Gherman, professor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro e um dos coordenadores do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos e Árabes (NIEJ) desta mesma universidade, publicou um vídeo no qual aponta a relação entre as falas de teor racista proferidas por Jair Bolsonaro no clube Hebraica, no Rio de Janeiro, e o Holocausto. O Café História perguntou a Gherman: por que uma relação que deveria ser tão óbvia precisou ser explicada? De acordo com o historiador, “porque as pessoas teimam em não entender as relações entre racismo e Holocausto. Elas acham que ele se restringe ao antissemitismo”. Confira, na íntegra, o vídeo (7 min.) gravado pelo historiador:

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fmichel.gherman%2Fvideos%2F10158620917745171%2F&show_text=0&width=560

Na última quarta-feira, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), cotado para disputar a Presidência da República em 2018, esteve no Clube Hebraica, no bairro de Laranjeiras, Zona Sul do Rio de Janeiro, e, apesar do protesto de membros da comunidade judaica carioca no lado de fora do clube, falou por mais de uma hora para cerca de 300 pessoas que lotaram o auditório. Na palestra, ministrada a convite do Hebraica, Bolsonaro disse que, se eleito, acabará com as demarcações de terras indígenas e quilombolas (descendentes de escravos). Em certo momento do evento, o parlamentar arrancou risos de vários membros da plateia ao falar: “Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles”. [1]

Bolsonaro também fez críticas ao acolhimento de refugiados pelas autoridades brasileiras:

– Não podemos abrir as portas para todo mundo, disse.

E completou: “Alguém já viu algum japonês pedindo esmola? É uma raça que tem vergonha na cara!”

Nos últimos dias, duas representações parlamentares foram encaminhadas à Procuradoria-Geral da República pedindo a abertura de investigação contra Bolsonaro pelo crime de racismo. Além disso, a B’nai B’rith – Filhos da Aliança, entidade judaica de Direitos Humanos, atuante há 85 anos no Brasil e 175 anos internacionalmente, publicou uma nota de repúdio na qual classificou os pronunciamentos de Bolsonaro como xenófobos, discriminatórios e racistas. “Contamos que os nossos representantes, democraticamente eleitos, apliquem os preceitos de nossa Constituição e os valores que ela promove, saibam tomar as medidas cabíveis nesta IRRESPONSÁVEL circunstância, assim como em qualquer outra que vier a manifestar-se no mesmo sentido.”, encerra dizendo a nota.

[1] Arroba é uma medida usada para pesar gado; cada uma equivale a 15 kg.

NOTA DA MAMAPRESS:

Em 7 de abril de 2017, o deputado Jair Bolsonaro proferiu uma palestra  no Clube Hebraico do Rio de Janeiro,  palestra em que ele difamou e atacou racialmente o povo negro e os povos indígenas do Brasil diante de uma plateia lotada, que nada fez, enquanto grupos de oposição à posição racista da direção do clube e, contando no mínimo, com a complacência de muitos de seus membros que assistiam os xingamentos aos negros e índios e silenciaram diante do ato racista.
A nosso ver o atendimento do convite da Hebraica, por parte do deputado racista, foi uma decisão planejada, para ao atacar  os negros quilombolas como menos seres humanos que os outros, que só servem para procriar, minimizar indiretamente o Holocausto, em que o racismo foi a base para eliminar o povo judeu por serem considerados sub-humanos.
De pronto o professor Michel Gherman, traçou em uma aula bastante clara, a ligação causal entre as teorias racistas do século XIX, e o Holocausto ocorrido no século XX.
Consideramos um grande perigo para a sociedade brasileira a existência de um candidato a presidente, que considera negros e indígenas como sub-humanos e minimiza  indiretamente o Holocausto diante de uma plateia majoritariamente composta de judeus da cidade do Rio de Janeiro.

O palestrante alemão, que virou presidente e depois ditador, também falava macio para grandes plateias antes de chegar ao poder. Suas tiradas e piadas contra judeus, ciganos, eslavos e africanos faziam todos rirem. Riram tanto que tiveram que engolir 12 anos de morte, destruição e guerra no século XX, por conta do racismo teórico do século XIX.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s