Diretora do Centro Gênesis visita Rádio Mamaterra e inicia parceria


Convidada para comer um peixinho assado ao molho de orégano e limão, e como sobremesa um delicioso bolo Ayuveda de Banana, esteve hoje na Radio Mamaterra a diretora do Centro Gênesis Drª Lourdes Brazil.

Conversou sobre o projeto de Educação para a Sustentabilidade, desenvolvido a partir do Centro Gênesis em São Gonçalo desde 2009, que oferece cursos, palestras e oficinas para escolas, empresas, instituições religiosas e universidades, visando a construção de sociedades sustentáveis, de forma ampliada e progressiva.

O Centro Gênesis e a Rádio Mamaterra entraram num acordo de troca e compartilhamento de conhecimentos nas suas respectivas áreas.

A rádio Mamaterra oferecerá ações na área de comunicação e divulgação além de sua moderadora alemã oferecer cursos de Yoga e saúde para a vida e o Centro Gênesis colocará  à disposição seus espaços para encontros e oferecerá capacitação online em Educação para Sustentabilidade.

O maravilhoso ambiente de floresta remanescente de Mata Atlântica, está aberto para visitas individuais e grupos.

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Drª Lourdes Brazil, vai estar na próxima segunda-feira na TV DA RUA, nova atração da Rádio Mamaterra, que vai ao ar toda segunda-feira das 19:oo às 21:00 horas, no link TV Mamaterra, em gravação direta do Bar do Renato da Cantareira, na Praça São Domingos, no Gragoatá, na cidade sorriso de Niterói.

Minhas férias destruídas pelo racismo


por João Pedro Mariano

João Pedro Mariano

João Pedro Mariano

Meu primeiro dia de férias. Merecido! Acordei às 10h da manhã, nem lembrava mais o que era acordar sem o despertador tocando ao lado do ouvido. 2015 foi um ano intenso! Muita luta, muito estudo, e felizmente muitas viagens. Conheci muitas pessoas especiais e de luta do Brasil todo que compartilham do Poder Para o Povo Preto.

Hoje, eu acordei contente, tinha que ir na rua comprar os presentes de natal de meus pais. O presente do meu pai, eu ainda não sabia o que dar, mas o da minha mãe são as tranças que eu faço. Ela me disse que queria da cor vermelha, como eu só tinha lã preta, resolvi ir ao centro comprar.

Nos dias que estava no Rio de Janeiro em um evento, fiquei por dois dias namorando duas camisas, uma do Malcon X e outra do Zumbi do Palmares. Estava receoso de comprar por causa do preço. Mas fiz a dívida de 3 meses para pagá-las porque tinha certeza do empoderamente que iriam me trazer ao andar com o rostos desses dois heróis estampados na roupa. Hoje decidi usar a do Malcon X, e fui as compras.

Peguei meu fusca e segui em direção ao centro. Fim de semana antes do natal, as ruas lotadas, sem local para estacionar. Foi quando me lembrei que a loja Murano possui estacionamentos para clientes e segui até ela.
Na loja, vi uma grande variedades de linhas, comecei a olhar e comparar preços, quando percebi um olhar diferente do segurança (branco). Comecei a prestar atenção, e onde eu ia, ele estava lá. Foram uma, duas, cinco vezes, até que decidi ir até o caixa e reclamar.

No caixa, eu segurando uma lã vermelha perguntei a atendente se não teria um vermelho mais escuro, ela respondeu que não sabia que eu teria que procurar. Fui até outro atendente e fiz a mesma pergunta e um rapaz foi pegar o produto para mim. Aproveitei o momento e disse para eles avisaram para o segurança não me seguir mais para não termos nenhum tipo de problema, pois eu estava muito incomodado com ele.

Segui para outro balcão para esperar a lã, quando o segurança me aborda bravo perguntando do porque eu avia denunciado ele para a gerencia. Começamos um bater boca um com o outro. Eu dizendo que a loja estava cheia, mas ele escolheu me seguir e ele dizendo que só estava fazendo o seu serviço.

Assim que chegou meus produtos, me dirigi a fila do caixa, quando vem o dono da loja gritando comigo dizendo que eu estava arrumando arruaça com o segurança. Revoltado, mandei ele enfiar a lã em sua ‘’prateleira’’. Virei as costas e fui sair da loja. Porém o dono tentou me segurar, e aí começou a confusão. Quando me dei conta um dos seguranças me deu uma gravata enquanto o dono e mais 3 funcionários (contei 5 pessoas que participaram) me batiam com socos e ponta pés.

O segurança que me seguiu, aproveitou que eu estava imobilizado e socou meu estomago olhando em meus olhos. Nesse meio, alguém me atingiu com uma escada (dessas de metal, usadas para pegar objetos em prateleiras de lojas).

A única coisa que consegui fazer foi falar: ‘’Bate mais, bate mais que eu to de pé ainda, seu otário!’’

Eles me jogaram para fora da loja, no estacionamento. Fui ligar para a polícia e o segurança veio pra cima dizendo que eu não iria fazer isso. Por sorte, um casal de clientes testemunho e me acompanhou, não permitindo que acontecesse mais nada. Sem nunca terem me visto, eles permaneceram do meu lado até que chegasse ajuda.

Desesperado, lembrei da Aracy Adorno Reis e da Cleuza S. Theodoro. Consegui falar com a Brechó, chorando, e pedi ajuda. Também consegui avisar o coletivo Yalode-Badá, que chegaram rápido no local.

Porém, os primeiros a chegarem foram a PM. Começaram a fazer o B.O. perguntando o que havia acontecido. Eu disse que houve injuria racial seguido de agressão física, e a resposta que tive da boca do PM é que isso é coisa da minha cabeça. Nesse momento fiquei sem chão e desabei em choro. Eu tinha acabado de ser suspeito de roubo, apanhado por isso e a PM disse que era coisa da minha cabeça.

Por fim, chegaram ao local a Aracy e filha, Margot Jung, e me acalmaram. Em seguida o pessoal do coletivo chegou, e mais pessoas do movimento negro. Nesse meio, eu contei uns 3 advogados que foram para ajudar. Não lembro de todas as pessoas que estavam em meu apoio agora, pois eu não estava bem. Depois, com calma, vou procurar cada um que prestou sua solidariedade e forneceu ajuda nesse momento. A imprensa chegou ao local, fizeram uma gravação. Mas eu não confio na globo.

No momento em que eu estava imobilizado e apanhando, eu só lembrava do vídeo de um menino que apanhou dos manifestantes pro-impeachment essa semana, e do jovem negro que foi amarrado e espancado até a morte por suspeita de roubo. Aqui, eu era eles. Eu era mais um de milhares de jovens negros que são vítimas de racismo, apanham e morrem todos os dias. Eu apanhei, por ser negro, com a camisa do Malcon X.

Nota do Centro Acadêmico do curso de Ciências Socioambientais da UFMG acerca do crime ambiental em Mariana


Fonte Racismo Ambiental

Barragem antes

Barragem antes

No último dia 05 de Novembro de 2015, ocorreu um dos maiores desastres socioambientais do Estado de Minas Gerais, em Bento Rodrigues distrito da cidade de Mariana. O ocorrido ressalta duas realidades em relação ao meio ambiente e sociedade: o desmazelo das mineradoras e a conivência do poder público ao defender os interesses das multinacionais e não o povo de Minas e o meio ambiente, sendo negligente em relação ao controle e fiscalização de atividades de alto risco para as comunidades do entorno de empreendimentos minerários. Não foi acidente.

Nós estudantes de Ciências Socioambientais consideramos inadmissível uma falha técnica, como da empresa Samarco/Vale, atingir tais proporções. As comunidades que vivem próximas a empreendimentos minerários não podem conviver com o medo, com a insegurança e a negligência do poder público. A sociedade não pode aceitar a mineração nos moldes atuais com foco no desenvolvimento econômico em detrimento da dignidade e integridade humana. Exigimos a devida punição às empresas responsáveis e a garantia do resgate da cidadania e integridade das famílias afetadas.

Considerando que estamos diante de uma das maiores tragédias socioambientais do Estado, é importante ressaltar a necessidade da retirada do regime de urgência o Projeto de Lei n°2946/15. O PL enviado pelo Governador do Estado à Assembleia Legislativa no início deste mês pretende flexibilizar o licenciamento de empreendimentos, principalmente os minerários ditos prioritários para o desenvolvimento.

Agilidade no licenciamento não dialoga com a qualidade do empreendimento, nem com a redução de riscos ambientais e sociais, muito pelo contrário. Não podemos achar natural tragédias como essa. Não podemos aceitar perdas de vidas humanas e nem colocá-las em risco em troca de um modelo de desenvolvimento que prioriza o lucro de grandes empresas e ignoram comunidades, culturas, valores e cidadania.

Manifestamos solidariedade aos moradores e funcionários atingidos pelo rompimento das barragens de propriedade das empresas Samarco Fundão e Vale, no distrito de Bento Rodrigues, cidade de Mariana – MG. Nossa sede está aberta para arrecadação de doações para a comunidade atingida no seguinte endereço: Sala 2096, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Campus UFMG, Pampulha – BH (MG).

Belo Horizonte, 6 de novembro de 2015

Centro Acadêmico de Ciências Socioambientais – CASa

mariana 3

barragem depois

barragem depois

Polícia caça grupos que pregam intolerância no Facebook


Organização SaferNet registrou mais de 86 mil denúncias de racismo pela internet em 2014

Organização SaferNet registrou mais de 86 mil denúncias de racismo pela internet em 2014

A polícia de São Paulo está investigando ao menos dois grupos de jovens que se organizam para pregar racismo e intolerância no Facebook e competem entre si por audiência.

Eles são suspeitos de coordenar cyber attacks contra perfis de figuras públicas, como ativistas, jornalistas e políticos e também contra fã-clubes de artistas.

Um desses grupos seria responsável por coordenar a publicação de uma série de comentários racistas na página do Jornal Nacional, da TV Globo, no mês passado, contra a jornalista Maria Júlia Coutinho.

Só em 2014, mais de 86 mil denúncias de racismo e 4,2 mil de homofobia na internet foram registrados pela SaferNet Brasil, uma organização não governamental que recebe denúncias de crimes desse tipo, recolhe provas e as repassa para órgãos policiais.

A grande quantidade de casos torna praticamente impossível que as autoridades investiguem cada comentário individual.

A Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância), da Divisão de Proteção à Pessoa da Polícia Civil de São Paulo, iniciou recentemente uma investigação para tentar desbaratar dois grandes grupos que atuam de forma coordenada.

A maioria dos seus organizadores estaria em São Paulo e no Rio de Janeiro.

“Eles costumam se reunir no Facebook, através de grupos fechados. Divulgam um alvo e promovem ataques”, disse a delegada Daniela Branco, da Decradi.

Segundo ela, as ações consistem em publicar grande quantidade de mensagens preconceituosas ou racistas ou “inundar” a página da vítima com imagens de caráter pornográfico – para que ela seja retirada do ar.

A técnica é conhecida como “flood” (inundação, em inglês) e não requer grande conhecimento de informática.

A investigação ainda está em fase inicial. Até agora, além da agressão a Maria Júlia Coutinho, a polícia registrou também um ataque contra uma jornalista de Brasília e investiga possíveis ações contra perfis de políticos e fã-clubes de músicos.

Brincadeira de mau gosto?

De acordo com a delegada, esses grupos começaram a surgir com adolescentes que se reuniram em páginas privadas do Facebook usando nomes falsos para fazer “piadas humor negro” – leia-se de conteúdo racista, homofóbico ou contra portadores de deficiência.

Os organizadores passaram então a identificar “alvos” para suas ações e a promover ataques contra perfis do Facebook em horários preestabelecidos.

Segundo a polícia, eles se sentem estimulados pela repercussão das ações – em termos de menções na mídia e compartilhamentos nas redes sociais – e chegam a competir por visibilidade.

De acordo com o psicólogo Rodrigo Nejm, diretor educacional da organização SaferNet, práticas semelhantes se popularizaram no Brasil na época das últimas eleições presidenciais, devido à acirrada divisão política do eleitorado.

Foto: Thinkstock
Crimes de injúria ou intolerância podem ser punidos com sentenças de 1 a 3 anos prisão

Grupos de militantes abandonaram o debate democrático para discriminar classes sociais e minorias, além de realizar variados tipos de ataques cibernéticos a páginas de rivais.

“Ainda não há uma cultura consolidada (no Brasil) de que na internet nossos direitos e deveres valem tanto como nas ruas. Grupos que não teriam coragem de fazer isso (comentários racistas e injuriosos) nas ruas se protegem no suposto anonimato da internet”, disse Nejm.

Porém, o que inicialmente pode parecer uma atitude sem maiores consequências está virando caso de polícia.

Punições

“O adolescente têm na ponta do dedo, no clicar do mouse, poder sobre a reputação e a honra de alguém, ela pode até mudar o curso da vida de uma pessoa”, disse o advogado Coriolano Almeida Camargo, presidente da Comissão de Direito Eletrônico e Crimes de Alta Tecnologia da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo.

Ele afirmou que esse tipo de abuso está recebendo cada vez mais atenção das autoridades. Membros das polícias e do Ministério Público já rastreiam páginas de internet e redes sociais em busca de abusos e as denúncias crescem.

Segundo ele, as práticas dos grupos investigados pela Polícia Civil paulista podem ser classificados como cyber bullying – quando pessoas se unem para realizar atos que causam dor, angústia e repercussão social.

Dependendo do teor das publicações, seus autores podem ser indiciados por diferentes crimes, entre eles injúria ou preconceito – que em casos mais graves podem render penas de 1 a 3 anos de prisão.

Além disso, segundo Camargo, a vítima pode dar início a uma ação civil com um pedido de reparação moral.

De acordo com a delegada Daniela Branco, no caso de adolescentes que cometam ato infracional, a Vara da Infância e Juventude pode determinar punições que vão desde advertências a medidas sócio educativas, ou seja, privação de liberdade.

Segundo ela, os jovens suspeitos de envolvimento com os dois grupos estão sendo rastreados com ajuda do Facebook. O fato de terem usado perfis falsos não deve impedir sua identificação. Eles devem ser chamados para prestar depoimentos.

Educação

Segundo Rodrigo Nejm, não é recomendável – e por vezes nem sequer possível – apenas investigar e punir todos os crimes de intolerância na internet pelo país. “É como enxugar gelo, é preciso também fazer um esforço massivo de educação”.

“Se a população alimenta o discurso da intolerância, isso vai além do trabalho da polícia. É preciso incentivar a cultura da cidadania na internet”, disse.

Ele afirmou que muitas vezes pessoas indignadas com as manifestações de intolerância acabam contribuindo para propagá-las e fortalecê-las.

“Tem pessoas que compartilham (no Facebook os comentários abusivos) pedindo para que mais pessoas denunciem. Mas isso não é legal porque involuntariamente elas fazem o que os criminosos querem: multiplicar suas ideologias radicais.”

“É preciso interromper a cadeia de compartilhamento, de preferência apagando o comentário”.

Ele disse que denúncias às autoridades podem ser feitas de forma anônima pelo site da SaferNet (http://new.safernet.org.br). A organização tem parceria com a Polícia Federal – para quem a ONG repassa as denúncias.

Direitos Humanos

Irena Bacci, ouvidora da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, também afirmou que o combate a esse tipo de abuso deve ser feito tanto com investigação policial como com educação.

Ela disse que apenas os crimes de racismo são investigados por órgãos federais (os crimes de injúria seriam atribuição das polícias estaduais). Segundo ela, a grande quantidade de denúncias e a infraestrutura atual impedem que cada publicação seja investigada por instituições federais.

Sobre a Polícia Civil dos Estados, ela disse que as polícias estaduais têm respondido a todas as demandas feitas pela pasta relacionadas a investigações de crimes de intolerância pela internet.

Sobre a investigação do Decradi, ela afirmou que cabe à polícia e à imprensa discutirem o que leva os suspeitos a cometerem esse tipo de crime.

Irena afirmou que na área educacional, entre as iniciativas do governo estão a elaboração de material didático sobre o tema para discussão nas escolas e o programa #HumanizaRedes, que inclui esforços de educação e denúncias de abusos pela internet.

O Facebook divulgou nota afirmando que “age sobre conteúdos que violem as políticas e padrões da comunidade, incluindo incitação à violência e racismo, práticas proibidas no ambiente da plataforma”.

Sequestro racista, eugênico e xenófobo de filha de haitiana no Rio Grande do Sul


Atenção amigos e amigas do SOS Racismo Brasil que sejam advogados no Rio Grande do Sul.
Minha amiga Ranúsia Dos Santos Barboza, me alertou para um evento criminal, que eu só tinha conhecimento de acontecer contra mulheres migrantes na Europa, oriundas da América Latina e da África, O Alto Comissariado para Refugiados da ONU precisa cuidar deste caso:
O SEQUESTRO PARA ADOÇÃO
Se trata de uma prática que foi utilizada originalmente na Suìça a partir do século XIX, quando pessoas com dinheiro recebiam do juizado de menores local crianças de mães solteiras e as transformavam em verdadeiras escravas de suas fazendas.
Esta prática passou a ser adotada pelas ligas eugênicas da Suiça, à partir da década de 30 contra as crianças das minorias, principalmente contra os povos nômades, Sinti e Roma ( conhecidos popularmente como Povos Ciganos); As crianças eram sequestradas com ordem de juízes para que recebessem de famílias suíças uma educação que as livrassem das “patologias” dos povos ciganos. Esta prática durou até o final dos anos 70, quando foi denunciado por uma menina que reencontrou seus pais 2 décadas depois;
Ainda é prática dos juizados de menores na Alemanha, na Suiça, na Itália e na Europa em geral, retirar os filhos das mães migrantes, quando alguém da família do ex-marido, ex-namorado ou da casa em que ela vivia como doméstica e entregá-las para adoção contra a vontade da mãe.
No Rio Grande do Sul está acontecendo um caso grave com uma haitiana migrante que corre o risco de perder sua filha, através dos mesmo argumentos com os quais tantas mães brasileiras já perderam a guarda de seus filhos na Europa.
Ranusia nos relata:
“Uma mulher haitiana paga um casal para cuidar de sua filha enquanto trabalha, é proibida de ver a filha e em seguida perde a guarda da criança para o casal por suposto ‘abandono’.
Se nós nativos nos inibimos diante do judiciário, imagina uma mulher imigrante: por mais que se conheça a língua, sempre se tem o deficit dos seus ‘tons’, ainda mais numa língua tão viva como a nossa, que a cada dia inventa palavras e significados.
Muita atenção e cuidado com essa mulher, que é imigrante e certamente negra.

Saiba mais sobre o caso que saiu em matéria na Folha de São Paulo:

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/03/1601097-haitiana-e-casal-brasileiro-disputam-guarda-de-crianca-no-rs.shtml

 

Num só dia,15 mil pessoas na Mamapress contra racismo no Facebook


Página "Eu não mereço mulher preta"

Página “Eu não mereço mulher preta”

por marcos romão

Mamapress.org é um blog da Rede Radio Mamaterra.
Somos antirracistas e participamos de uma rede mundial de brasileiros e amigos do Brasil.
O Brasil era uma Ilha de ignorância Internacional até a queda do Muro de Berlim que dividia o mundo em dois blocos de falácia até 1989.
Na área de informações e produção de cultura acadêmica e jornalística éramos dominados no Brasil por doutores especializados em lígua javanesa.
O Brasil “sociológico” era todo explicado através dos canônes europeus neocolonizados. Só se escrevia sobre a pespectiva do andar de cima. Embaixo eram masssas, povo amorfo e sem cor no balde branco da ilusão dos frustrados em não alcançarem a intelectualidade da Europa.
Nos vendiam ilusões à esquerda e à direita ao formularem  teorias da existência de Brasil branco, masculino e desenvolvimentista numa direção, em que o “resto” ou adaptava-se, assimilava-se ou morria.
Saber javanês é uma alegoria sobre a intelectualidade brasileira, feita por Lima Barreto em seu conto, “O Homem que sabia javanês”.
Um intelectual frustrado e desempregado lê um anúncio no jornal em que se procura um professor de javanês. Apresenta-se ao emprego, não sem antes passar pelo Arquivo Nacional e pesquisar um pouco sobre a língua de Java, para ter um início de conversa com o aluno doutor Manuel Feliciano Soares Albernaz, Barão de Jacuecanga
Com bons contatos no palácio, o Barão de Jacuecanga, tratou de apresentar a sumidade a diplomatas e ao presidente, fazendo do intelectual desempregado um herói nacional, com o cargo de Consul em Havana e por uma falha burocrática especialista em Tupi-Guarani em congressos internacionais nas Oropas, Franças e Bahias.
Hoje em dia qualquer garota ou garoto com um smartphone nos dedos, vira de um dia para o outro, Doutor em Linguagem Java, bastando saber copiar e colar em PDF, a linguagem universal embutida nas trocas de conhecimento nas redes sociais.

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Bom de tudo isto é que centenas de livros copidescados pelos nossos intelectuais mestres em javanês, podem ser hoje checados com uma pequena guglada. De jeito que muito intelectual de algibeira ficou mudo e não nos atrapalham mais com suas traduções malfeitas do que corre pelo mundo e insistência em nos chamar de “morenos”.
Muita besteira rola, está mais que claro, mas o besteirol rola de foma mais democrática e debaixo para cima também.
Por isso estamos aí nas redes sociais, onde tudo que vem, volta à cavalo, e mesmo com hoax, boatos, e mentiras deslavadas dos donos do mundo, a verdade acaba aparecendo e nem KGB, Cia,Mossad, Abin e congêneres escapam do olhar certeiro de hackeiros de ocasião que pululam na internet.
Cidadania e dignidade está virando moda. Isto é muito bom;
Mulheres com véus do Afeganistão se juntam a mulheres sem véus nas favelas do Brasil para combaterem o racismo, o sexismo e a morte de seus filhos por forças repressoras.
Indios brasileiros sentam-se juntos com ciganos suiços, negros alemães e cooptas egípcios para exigirem reparação pelo trabalho escravo e perseguições que sofreram pelo poder comecial europeu espalhado pelo mundo e com suas cabeças de ponte nos governos locais.
Minha vizinha descobre que não deve mais apanhar do seu marido nem ser estuprada, ao ler na rede que uma mulher se revoltou na Índia e castrou seu algoz.
Cada um pode virar um cada um com palavra e opinião.
Está confuso, isto está, mas tem mais gente podendo expressar o que pensa, e o século XXI  inaugura-se a era dos “sem pai nem mãe”, estado e regimes autoritários e manipuladores de opinião.
A cobra tá fumando e até o poderoso Facebook descobre que rede social é bumerangue e que o poder além de não ser eterno. só funciona com a aquiescência do cliente cidadão.
No Brasil cidadania?
Ah, sim, cidadania no Brasil, como é que fica?
Aqui a rede de dominação e alienação de nós todos começa com o poder das milícias em cada esquina. Máquina montada na ditadura e aperfeiçoada devido à nossa omissão politica-cidadã desde 1989, é mais visível quanto mais nos aproximamos dos bairros periféricos e pobres. É uma máquina que tem poder sobre a vida e morte de cada cidadão.
Numa escala de 12 a 0 em que a chance de vida se apresenta decrescente, se observarmos do centro para a periferia, a única chance de sobrevida para os habitantes das periferia “zero de chances”, está nas redes sociais, que por coincidência esquerda e direita no Brasil buscam cada vez assumir o controle e permitem que se tornem cada vez mais caras em seus bits transmitidos por meia dúzia de operadoras cartelizadas.
Pisar no pé de um cidadão me Ipanema, ganha assim mais repercussão que 12 assassinatos por forças policiais nas Cabulas Periféricas de nosso país.
No Brasil é mais perigoso falar do que acontece na nossa esquina do que do sexo dos anjos no Pentágono.
A Mamapress, e a Rede Mamaterra, só existe porque existe rede, só existe porque existem milhões de cidadãos que não dão o braço a torcer pelo mundo afora.
Não somos ninguém, somos todos os que se indignam. Por isso somos.
É incrível como lutar pela sua própria humanidade seja a atitude mais antiegoísta e antiegocêntrica que conhecemos.
Quem conquista sua humanidade, se oprime o outro, perde esta humanidade. Coisa mais simples, né? Humanidade só cresce e existe quando se compartilha.
Para isto estamos no mundo, apesar de terem poderosos que assim não acham.
Que bom que muito mais gente já está aprendendo a falar javanês;

O homem_que_sabia_javanês_e_outros_contos

A chacina anunciada de Belém. Estamos por nossa própria conta, já dizia Bantu Steve Biko!


Publicada em 13:10 07/11/2014 – por: Luciane Reis

Fonte : Correio Nagô

Eu estarei com qualquer um, não me importa a sua cor, desde que você queira mudar a condição miserável da população negra que existe nesta terra”.

Malcolm X

Mais de 35 mortes, esse é o saldo descrito pela população que sofre diretamente com a ação policial após a morte de um policia com comprovação de que era corrupto e bandido. Mataram de maneira aleatória e como bem disse Larissa Nascimento, “  Não há apenas despreparo policial, meu povo, há crueldade mesmo, há prazer em fazer uma pessoa tentar a sorte da sobrevivência. Quando você atira na cabeça de um pessoa é pra matar, você sabe que pode matar. Quando você encurrala pessoas desarmadas não tem a intenção de acariciar. Nossa polícia não pode ser chamada de despreparada, ela é formada estrategicamente para o atentado, a tortura e o abuso – coisas que um Estado Democrático de Direito não comporta”.

É impossível descrever em sentimentos o que nesse momento e de onde falo isso significa. A comprovação de que a morte de jovens negros não  choca a sociedade é desalentador. 35 PESSOAS COM MENOS de 30 anos, esse é o saldo de Belém até agora  e o estado brasileiro DORME. Dorme o sono dos justos e de quem acha que cartas, falas de solidariedade e conversas com governadores responde a um holocausto maior que o sofrido pelos judeus. O Brasil precisa PARAR a justiça brasileira. É inadmissível que um órgão governamental, chame uma chacina em massa pelas redes sociais e isso não seja entendido como convite de extermínio, que esses não sejam punidos e afastados da corporação.

ROTAM 1

ROTAM 1

 

É um absurdo que essa página se mantenha a mais de 2 anos com avisos claros de matança de pessoas ou ditos criminosos e isso nunca tenha chamado atenção do Ministério da Justiça ou dos órgãos de controle da Justiça ou direitos humanos, se algum dia esse órgão considerou PRETO humano. Sinceramente, não vejo mais possibilidades de dialogo, vejo sim chegada a hora de seguir a orientação dos black panthers ( para quem não sabe quem são esses, segue explicação ), em dado momento da sua construção, os Estados Unidos estava  matando homens negros na mesma velocidade e com a certeza da impunidade da mesma forma que o Brasil HOJE e isso da mesma forma que aqui  não era resolvido de maneira séria.

Esses homens e mulheres cansados de enterrar seus parentes e amigos implantaram a patrulha nos guetos negros com o objetivo proteger os residentes dos  atos de brutalidade da polícia. Esses defenderam de maneira corajosa: o armamento de todos os negros, a isenção dos negros de pagamento de impostos e de todas as sanções da chamada “América Branca”, a libertação de todos os negros da cadeia e o pagamento de indenizações aos negros por “séculos de exploração branca”.

Sim, entendendo que o estado brasileiro NÃO nos defende e quando pensa em fazer isso, não quer se comprometer de fato e com a seriedade que isso pede acho que chegou o momento de debatermos o que de fato estamos chamando de políticas públicas. Não vejo mais a possibilidade de construção de políticas públicas, mediante dialogo com gestores que boicota qualquer possibilidade de alteração desta realidade por exemplo.

 

ROTAM 2

ROTAM 2

Estão nos matando em MASSA, portanto qual governo está sendo realmente pensado para nós homens e mulheres negras? A política pública central para população negra hoje, É O DIREITO A VIDA.  O GOVERNO FEDERAL tem que ter um posicionamento enérgico e sério. Não existe o que ser averiguado em uma policia corrupta e  meios de comunicação duvidoso, não dá pro governo levar em conta dados de uma  policia COMPROVADAMENTE CORRUPTA ao se fazer uma investigação ou precisar agir.  A palavra da população PRECISA prevalecer diante de qualquer dado dito oficial, quando se trata de segurança pública.

Não tenho medo de dizer o que estou dizendo, alías, tenho medo de poucas coisas. O que tenho agora é dor, tenho um  sentimento de impotência e certeza de impunidade me consumindo, tenho sentimento de solidariedade e pertencimento com cada corpo enterrado. Nove pessoas, JAMAIS construiria congestionamento de carro do IML como o acontecido no Pará essa semana ou na Bahia na chamada semana santa. 9 ( NOVE)  pessoas mortas, NUNCA fecharia uma rua por mais de 3 horas, senhores gestores.

A naturalização destas mortes se dá por ela ser da cor não valorizada e respeitada nesse país, quem diz isso não sou EU, Luciane Reis, é a pesquisa do Data Senado intitulada “ Violencia contra a Juventude Negra no Brasil”, segue link para quem não conhece (http://www.senado.gov.br/senado/datasenado/pdf/datasenado/DataSenad… ).  Chegou a hora dos governos estaduais, municipais e principalmente federal  mostrar que é dos mais pobres, precisamos está vivos, precisamos ter serenidade para que a  cada final de semana ou de ano, não tenha como pedido a garantia da vida dos nossos entes queridos.

Precisamos enfrentar o estado brasileiro e fazer nossas vidas valer a pena. Chegou a hora de resgatar os ensinamentos Black Panthers, precisamos aceitar que  o estado brasileiro não nos ver como seres humanos e portanto, temos que resgatar o ensinamento dos  que lutaram essa mesma luta. Steve Biko já dizia “ESTAMOS POR NOSSA PRÓPRIA CONTA”. A cada chacina nas periferias do Brasil, percebemos como a minimização da atuação do estado sobre as mesmas comprova esse ensinamento.

Luciane Reis, Publicitária, Ativista do Movimento Social Negro Brasileira, Yawó da Casa de Oxumaré e gosta de dar opinião no que não é chamada de vez em quando.

Pelé nunca foi um negro de sua geração.


por Marcos Romão

Pelé diz que racismo deve ser ignorado.(Divulgação/Santos FC)

Pelé diz que racismo deve ser ignorado.(Divulgação/Santos FC)

A geração de Pelé é 10 anos mais velha que a minha.
Aprendi quando jovem, ao ouvir das mulheres e homens negras que eram 10 anos mais velhas que eu, que Pelé era uma incógnita, que parecia que não via o que os negros e negras de sua idade viam em volta, a ver, o racismo e o apartheid no Brasil.

Os negros e negras de sua idade não entendiam, como um negro que conquistou fama mundial, na mesma época em que surgiam lutas pelos direitos civis dos negros americanos, que ia jogar bola em países que lutavam contra o colonialismo racista europeu que dominava a África e podia ver o que se passava, ficasse calado sobre o racismo e o Apartheid no Brasil e no mundo..

Neste mesmo tempo em que Pelé diz que era todo o tempo xingado em campo e que se parasse o jogo não teria mais jogo nenhum, ele era ao mesmo tempo o maior garoto propaganda para a venda da imagem que o Brasil como um país da democracia racial. Pelé era a prova viva de que o racismo no Brasil não existia.

Fotos do Rei Pelé estavam afixadas nos salões de entradas de todos os as embaixadas e consulados brasileiros, ao lado de propaganda de café, fotos de Ipanema e de bahianas vendendo acarajé.

Ao som da bossa-nova cada estrangeiro que fosse pegar o visto, recebia a impressão que no Brasil, a harmonia entre as “raças” fluía como a cores pretas e brancas das curvas da calçada de Copacabana.

Pelé já sabia desde 1960 que haviam negros e negras paulistas que denunciavam o racismo brasileiro e que não aceitavam a discriminação e se organizam para combatê-la. Tenho relatos de vários ativistas que o procuraram e ele desconversava.
Pelé não era como os negros de sua época, nunca foi antes e nem agora.
Pelé como jogador vai continuar eternamente como o Rei da Bola.
Pelé. fica cada vez mais claro, fez a opção por seu caminho de vida há muito tempo.
Optou não só por não falar do racismo, como optou ser um reacionário que procura escondê-lo.
É só isto um reacionário, conservador e negro.

Afinal nós negros podemos ser o que quisermos e assumirmos as consequências pelas nossas escolhas. Só não podemos dizer que somos isto ou aquilo porque acompanhamos a onda. Como o disse a menina racista do Grêmio.

Como um famoso velho negro de 73 anos, ele sabe que cada uma de suas palavras tem um peso enorme. O peso de um veredito que ensina a toda uma juventude negra, que para se ter sucesso é preciso ser vaquinha de presépio, baixar a cabeça, ajoelhar-se e levar todo dia o tapinha elogioso de garoto negro em busca do sucesso.

Pelé, como fez sua opção, que carregue então o peso de ser um reacionário não solidário com o povo negro brasileiro e do mundo.

Como o racista velho, o velho negro que aceita o racismo não tem jeito, Pelé está em um caminho sem volta.

Nos preocupemos então,  com a educação e em salvar da morte as milhares de crianças e jovens negros, que são vítimas do racismo genocida brasileiro. Racismo que se alimenta desta filosofia perversa que o Reio Pelé tão bem representa: “Não estou nem aí. Não dou bola para o racismo”.

Deu na Afropress: Ueki, ex-presidente da Petrobrás, será ouvido sobre caso da V. Socó


Da Redação

 

Cubatão/SP – Depois de 30 anos, o ex-presidente da Petrobrás Shigeaki Ueki será ouvido sobre as circunstâncias, omissões e responsabilidades no caso do incêndio da Vila Socó, em Cubatão, em que morreram cerca de 508 pessoas, na sua maioria migrantes nordestinos pobres e negros, de acordo com números extra-oficiais divulgados à época. O incêndio aconteceu na madrugada de 25 de fevereiro de 1.984 e resultou do vazamento de 700 mil litros de gasolina das tubulações da empresa, em função da ausência de manutenção e de um erro de operação.

O depoimento do ex-dirigente da Petrobrás e ex-ministro das Minas e Energia durante o período militar está marcado para o próximo dia 30 deste mês, das 14h às 18h no Plenário Teotônio Vilela da Assembléia Legislativa de S. Paulo.

O nome de Ueki deixou de ser relacionado ao caso após a “Operação Abafa” desencadeada pelo governo – o presidente à época era o general João Batista Figueiredo, o último do período militar. Como parte dessa “Operação”, o número oficial de mortos foi reduzido a 93 – um terço dos quais crianças –, o direito das vítimas à indenização foi ignorado e os responsáveis pelo incêndio jamais foram punidos. Segundo peritos que auxiliaram o trabalho de investigação do Ministério Público, à época, famílias inteiras desapareceram sob as chamas.

Tragédia

A tragédia da Vila Socó foi o incêndio com maior número de vítimas no Brasil. Além das vítimas fatais, dezenas de pessoas ficaram feridas e foram internadas nos Hospitais da Baixada Santista. Antes disso, apenas o Gran Circo Norte-Americano de Niterói teve um número aproximado – 500 mortos e cerca de 180 mutilados.

O caso foi reaberto por iniciativa da Comissão da Verdade da OAB/Cubatão e da Comissão da Verdade Rubens Paiva da Assembléia Legislativa de S. Paulo. Segundo o presidente da Comissão, deputado Adriano Diogo (PT/SP), o depoimento de Ueki será fundamental para esclarecer pontos que “permanecem obscuros”.

Um desses pontos é porque a Petrobrás presidida por ele, não aceitou indenizar crianças de até 12 anos, sob o argumento de que não eram “força produtiva”. Um outro dado é porque razão se construiu um número oficial de 93 mortos – quando os próprios peritos que trabalharam no caso em apoio ao Ministério Público, falam de 508 mortos – número considerado conservador, e que ganhou as manchetes dos principais jornais do mundo, entre os quais, o New York Times.

Ueki também será questionado sobre a real dimensão do vazamento de gasolina, já que o perito Jorge Moreira, que trabalhou auxiliando o Ministério Público nas investigações afirmou em depoimento a Comissão da Verdade da OAB/Cubatão, que o vazamento foi de cerca de 2 milhões de litros de gasolina e não 700 mil – a versão oficial. Os membros da Comissão suspeitam que a subestimação do vazamento seja parte da manobra para reduzir o tamanho da tragédia, manobra que teria sido montada pelas autoridades preocupadas com o impacto do número de vítimas para a imagem da estatal dentro e fora do país.

Depoimentos

Além de Ueki deverão ser ouvidos na audiência, os depoimentos dos jornalistas Carlos Dorneles, Carlos Nascimento, Alberto Gaspar e Isabela Assunção, que cobriram a tragédia para a Rede Globo de Televisão. Também serão convidados o promotor do caso, Marcos Ribeiro de Freitas, e as diretoras das Escolas João Ramalho e Estado do Mato Grosso, parentes de sobreviventes.

Em reportagem para o Jornal da Band desta sexta-feira (18/07), o promotor Marcos Ribeiro de Freitas, atualmente aposentado, “admitiu que o número pode ser maior”.

A reportagem dos repórteres Tony Chastinet e Rodrigo Hidalgo revelou que na Escola Mato Grosso os nomes de 44 crianças aparecem com a anotação “excluída” numa mesma data, o mesmo ocorrendo nos prontuários da Escola João Ramalho em que anotações de transferência foram feitas sem qualquer indicação de para onde foram feitas.

O ex-prefeito José Oswaldo Passarelli, interventor nomeado pelos militares (à época Cubatão era considerada área de segurança nacional e não elegia prefeito) também deverá ser ouvido. No mês passado, ele foi convidado, porém, justificou ausência por motivo de saúde.

Condenação

Segundo membros da Comissão da Verdade da OAB/Cubatão, que atua por meio de um Termo de Cooperação com a Comissão da Verdade Rubens Paiva, as anotações nos prontuários podem indicar que essas crianças estejam mortas e não constam dos números oficiais. O desaparecimento das crianças também consta no laudo elaborado por peritos, tornado público, após o desarquivamento do processo.

A proposta da Comissão, segundo o presidente da OAB/Cubatão, Luiz Marcelo Moreira, é levar o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA, com pedido para que a Corte condene o Estado brasileiro por graves violações dos direitos humanos e a Petrobrás a pagar as indenizações às vítimas.

Veja, na íntegra, a reportagem dos repórteres Tony Chastinet e Rodrigo Hidalgo, da Band.

http://mais.uol.com.br/view/15123728

Para o juiz Damasceno: “A polícia fluminense se converteu na ‘polícia Mãe Dinah’, que investiga o futuro”


Juiz João Batista Damasceno: “Revólver apreendido é do pai do adolescente ativista; a mídia sabe, mas não publica”
publicado em 13 de julho de 2014 às 19:59 – por Conceição Lemes

Nessa sexta-feira 11, a 27ª Vara Criminal da cidade do Rio de Janeiro expediu 26 mandados de prisão temporária e dois de busca e apreensão de menores de idade.

A maioria foi detida ontem. Acusação: formação de quadrilha armada, com pena prevista de até três anos de reclusão.

Em entrevista coletiva nesse sábado, o chefe de Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Fernando Veloso, justificou: “Estamos monitorando a ação desse grupo de pessoas desde setembro do ano passado. A prisão delas vai impedir que outros atos de violência ocorram neste domingo”.

Veloso disse que a polícia fluminense tem provas “robustas” e consistentes” de que “essa quadrilha pretendia praticar atos violentos se não hoje, amanhã [domingo]”.

Na mesma coletiva , a delegada Renata Araújo, adjunta da Delegacia de Repressão à Crimes de Informática (DRCI), alegou: “Eles planejavam ataques e se aproveitavam de problemas reais para fazer manifestações onde usavam artefatos para incendiar ônibus, depredar agências bancárias, entre outros”.

“Do ponto de vista substancial, não há como defender a legalidade de tais prisões”, denuncia o juiz João Batista Damasceno, membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD). “Violou-se o direito constitucional de liberdade de manifestação do pensamento e direito de reunião.”

“Na prática, implementaram-se medidas típicas de um Estado de Sítio, sem que ele tivesse sido decretado. Isso é crime de responsabilidade”, alerta. “Num Estado de Direito efetivo, as autoridades envolvidas numa situação como essa seriam chamadas a se explicar e poderiam, eventualmente, ser responsabilizadas.”

“A polícia fluminense se converteu na ‘polícia Mãe Dinah’ que investiga o futuro”, critica Damasceno. “Seria cômico não fosse trágico ao Estado de Direito e não representasse um perigo de volta ao tempo sombrio da ditadura militar, notadamente quando vigente o AI-5, que suprimira o habeas corpus.”

A propósito. Entre as coisas apreendidas pela polícia do Rio de Janeiro na residência dos presos, há máscaras contra gás lacrimogêneo, viseiras, máscaras de carnaval, computadores, livros de capa vermelha e um revólver.

“O revólver foi apreendido na casa de um adolescente que milita politicamente. Só que é do pai do ativista, que tem porte legal de arma. A mídia tradicional tem a informação, mas não publica”, denuncia Damasceno.

“A prisão de máscaras de carnaval, bandeiras vermelhas e até livros de literatura — pelo simples fato de terem a capa vermelha — é a prova do retorno da estupidez às práticas policiais dos tempos de ditadura”, vai mais fundo. “Mudou-se o nome, mas a política é a mesma.”

Juiz João Batista Damasceno

Juiz João Batista Damasceno

Segue a íntegra da nossa entrevista com João Batista Damasceno, que é juiz no Rio de Janeiro, doutor em Ciência Política e membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD).

Viomundo – Segundo o chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, as prisões seriam para impedir que atos de violência ocorressem neste domingo. A lei permite isso?
João Batista Damasceno – A Constituição dispõe que ninguém será considerado culpado sem que haja sentença condenatória transitada em julgado. Neste momento, estamos vivenciando casos de responsabilização antes que a pessoa cometa o fato tido como criminoso.

Não se trata apenas de prisão temporária, visando à apuração do fato cometido. Nem prisão preventiva, para proteção do processo, ou seja, das testemunhas e garantia da execução penal, caso o acusado seja condenado.

Trata-se de prisão antecipada ao fato, que não se pode afirmar que aconteceria. A militante Elisa [Elisa Quadros, conhecida como Sininho] estava no Rio Grande do Sul e certamente não viria ao Rio de Janeiro para as manifestações de encerramento da Copa.

No Rio de Janeiro, já tivemos um chefe de polícia que se envolveu com o crime organizado internacional, no caso a máfia espanhola, apontada, na época, como responsável pelo tráfico internacional de drogas.

Seria um absurdo defender a prisão do atual chefe de polícia a fim de evitar que pudesse – no futuro – cometer os mesmos crimes que teriam sido cometidos por aquele chefe de polícia no final do século XX.

Perante a lei, o atual chefe de polícia merece a mesma consideração que os demais cidadãos brasileiros. A violação ao direito de uns permite que o direito de outros também seja violado, inclusive do próprio chefe de polícia.

Mas é preciso lembrar que tais prisões foram decretadas pelo poder Judiciário, que tem funcionado como auxiliar da polícia e do governo na violação aos direitos dos cidadãos. Assim, não se espera que funcione como órgão garantidor dos direitos.

Viomundo – Essas prisões são ilegais então?
João Batista Damasceno – Elas foram efetuadas a pedido da polícia, mas por decretação do Judiciário.

Do ponto de vista formal, a polícia fez o que o Judiciário autorizou. Claro que na execução da medida no Rio Grande do Sul os policiais fluminenses não poderiam ter atuado. Eles agiram fora do limite territorial do Estado do Rio de Janeiro. Atuaram com excesso de poder.

O delegado encarregado da diligência gravou vídeo da prisão da militante no Rio Grande do Sul, expondo indevidamente sua imagem, e disse estar em auxílio à polícia gaúcha. Mas vendo o vídeo percebe-se que toda a diligência foi efetuada pela polícia fluminense.

Trata-se de uma polícia, que, desde a condecoração dos homens do Esquadrão da Morte nos anos 60 pelo governado Carlos Lacerda, atua à margem da lei.

Do ponto de vista substancial, não há como defender a legalidade de tais prisões.

Em entrevista, o chefe de polícia do Rio de Janeiro disse que tais militantes vinham sendo monitorados desde setembro de 2013 e que as prisões evitariam que participassem de manifestações neste domingo, final da Copa.

Porém, violou-se o direito constitucional de liberdade de manifestação do pensamento e direito de reunião.

Na prática, implementaram-se medidas típicas de um Estado de Sítio, sem que ele tivesse sido decretado. Isso é crime de responsabilidade. Num Estado de Direito efetivo, as autoridades envolvidas numa situação como essa seriam chamadas a se explicar e poderiam, eventualmente, ser responsabilizadas.

Viomundo – A Justiça determinou a prisão temporária. Por quê?
João Batista Damasceno — A prisão temporária, de discutível constitucionalidade, visa restringir a liberdade de uma pessoa a fim de coletar prova de crime que se tenha cometido.

A prisão temporária é uma prisão para preservar as provas, após a ocorrência de um crime. Trata-se de medida emergencial, por isso se afasta o suposto criminoso da cena do crime para a produção probatória necessária à sua acusação.

No caso presente, os militantes estavam sendo monitorados desde setembro de 2013. Não havia prova a ser coletada emergencialmente.

Fica cada vez mais evidente o reforço do Estado Policial, com exercício arbitrário do poder da polícia. Voltamos ao Brasil da Primeira República, quando a política se fazia com a polícia à frente. O estopim para a Revolução de 30 foi uma ação policial na casa da namorada de João Dantas, adversário do candidato a vice-presidente de Getúlio Vargas, João Pessoa.

Viomundo — A polícia do Rio apresentou várias coisas que teriam sido apreendidas nas residências presos. Pelas fotos publicadas na mídia, dá pra ver máscaras contra gás lacrimogêneo, viseiras, um revólver…
João Batista Damasceno — O revólver foi apreendido na casa de um adolescente que milita politicamente. Só que o revólver é do pai desse ativista político, que tem porte legal de arma. A mídia tradicional tem a informação, mas não publica, legitimando a atuação da polícia.

A polícia tratou o adolescente como se ele fosse o dono da casa. E diante da demonstração de que seu pai era o detentor de porte legal de arma, lavrou-se um registro de omissão de cautela. É uma forma de justificar a apreensão de uma arma que não poderia ser apreendida.

A polícia buscou dar um aparato legal à apreensão, sob o fundamento de que aquele que tem a posse legal da arma, não a guardou adequadamente, tornando-a passível de apreensão. Mas isto não foi levado ao conhecimento da sociedade.

Viomundo – Pesa o fato de estarmos em ano eleitoral?
João Batista Damasceno — Com certeza, e a polícia quer mostrar eficiência na intimidação de opositores das políticas públicas lesivas aos interesses do povo.

Curiosamente, essa mesma polícia que prendeu os jovens militantes não se moveu diante do que não foi apurado na CPI do Cachoeira. Tampouco diante do furto das vigas do elevado da Perimetral, no Rio de Janeiro. Eram vigas com cerca 20 toneladas! Essa mesma polícia não foi capaz de esclarecer a autoria do furto, apesar de do grande volume e notável valor econômico.

Igualmente não foram esclarecidos pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) os crimes cometidos por policiais. E a DRCI é que está atuando contra os militantes presos.

Viomundo – Explique melhor isso.
João Batista Damasceno — Computadores de juízes fluminenses foram invadidos e hackeados e o fato somente se comprovou porque o Ministério Público o esclareceu. A delegada titular de então direcionou a investigação para as vítimas.

No ano passado, crimes contra um magistrado, praticados por policiais pela internet, igualmente terminaram sem qualquer apuração. De nada adiantou a reunião do delegado titular da DRCI no gabinete da então chefe de polícia, Martha Rocha. Nada se apurou. As investigações são seletivas.

Desde a morte do jornalista Tim Lopes formou-se uma perversa aliança da mídia com a polícia. Já não se denunciam as arbitrariedades policiais como se fazia antes. O fato se agravou com a morte do cinegrafista Santiago de Andrade durante uma manifestação recente.

Não se registrou a morte do Santiago como uma fatalidade; nem que ele trabalhava sem os equipamentos de proteção que lhe deveriam ser fornecidos pela empresa de comunicação que o empregava.

A morte dele foi consequência da irresponsabilidade de militantes, que não desejavam sua morte, mas também da culpa grave do empregador que não lhe forneceu os meios adequados para proteção na cobertura de uma manifestação que se sabia poderia resultar confronto ou conflito, como ocorre no restante do mundo.

A polícia fluminense se converteu na ‘polícia Mãe Dinah’, que investiga o futuro. Seria cômico não fosse trágico ao Estado de Direito e não representasse um perigo de volta ao tempo sombrio da ditadura militar, notadamente quando vigente o AI-5, que suprimira o habeas corpus.

A prisão de máscaras de carnaval, bandeiras vermelhas e até livros de literatura — pelo simples fato de terem a capa vermelha — é a prova do retorno da estupidez às práticas policiais. Durante a ditadura, a mesma polícia, fazia apreensão de livros pela cor da capa. Naquela época, não era a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, mas o DOPS, Departamento de Ordem Política e Social. Mudou-se o nome, mas a política é a mesma.

Viomundo – O que representam essas prisões?
João Batista Damasceno – O apogeu da escalada do Estado Policial. Mas não é coisa que tenha sido formatada apenas pelo atual chefe de polícia. É parte de uma política federal de repressão aos movimentos sociais. A atuação tem sido similar em outros Estados. No Rio de Janeiro e em São Paulo ocorre maior repercussão. Mas esse tipo de atuação se intensificou após reunião dos secretários de Segurança dos estados no Ministério da Justiça.

É óbvio que nem tudo é coisa do governo federal; apenas a matriz. As polícias e o próprio Judiciário funcionam nesses episódios como forças auxiliares. O próprio chefe de polícia desempenha papel deste quilate.

O povo, para certo de tipo de político, só é bonito visto do palanque, para onde vai aplaudir o candidato. Assim, pensava Benedito Valadares, velho político mineiro, que cunhou tal frase.

Anastácio Somoza, ditador nicaraguense derrubado pela Revolução Sandinista em 1979, dividia o povo em três segmentos: os amigos, a quem dava ouro; os indiferentes, a quem dava prata e os inimigos, a quem destinava chumbo.

As atuais políticas públicas têm o mesmo viés. Mas quem ficou com o ouro foi a FIFA. Aos que não se domesticaram para receber a prata restou demolições de casas, remoções de suas comunidades, repressão brutal e prisões.

fonte reblogada:
http://www.viomundo.com.br/denuncias/juiz-damasceno.html