Operação Black Machine III da Polícia Civil mata garoto de 12 anos em subúrbio do Rio


Esta é a matéria que acaba de sair nos jornais do Rio de Janeiro

Garoto de 12 anos é um dos mortos em ação da Polícia Civil na Zona Norte do Rio A operação chama-se “Black Machine III”

Pura ironia do genocídio dos jovens negros no Brasil

Veja osvídeos: http://extra.globo.com/casos-de-policia/garoto-de-12-anos-um-dos-mortos-em-acao-da-policia-civil-na-zona-norte-do-rio-16202724.html#ixzz3adz67OXv

Marcos Nunes

Um garoto de 12 anos foi um dos mortos numa operação da Polícia Civil no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, nesta terça-feira. Gilson Costa era estudante e estava no 6º ano da Escola Municipal Dunshee Abranches, também na Ilha. O menino estava com o carregador Wanderson Jesus Martins, de 22 anos, outro morto na ação. Segundo relatos de testemunhas, ambos iam comprar pão numa padaria quando ouviram tiros. Eles então correram e acabaram sendo baleados. Ainda de acordo com as testemunhas, as balas teriam partido de policiais.

A mãe do estudante se desespera ao saber da morte do filho
A mãe do estudante se desespera ao saber da morte do filho Foto: Rafael Moraes / Extra

Por causa das mortes, moradores fizeram um protesto na Estrada da Cacuia. O comércio fechou as portas. A mãe de um garoto que estuda na mesma sala que Gilson conversou com o EXTRA e disse estar indignada com o que aconteceu durante a operação da Polícia Civil. De acordo com ela, que pediu para não ser identificada por medo de represálias, o garoto era muito tranquilo:

– A mãe dele é empregada doméstica e vive para trabalhar. Está arrasada, coitada. Esse menino era muito bom e calmo.

A mãe de Gilson é amparada
A mãe de Gilson é amparada Foto: Rafael Moraes / Extra

A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que a investigação sobre as mortes ficará a cargo da Divisão de Homicídios (DH). Equipe da especializada já fez uma perícia no local onde os dois foram baleados. Caso haja necessidade, ainda de acordo com a assessoria, uma reprodução simulada do fato poderá ser feita.

Sobre a operação, a assessoria informou que se tratou de uma ação para cumprir mandados de busca e apreensão: “Policiais da Corregedoria Interna da Polícia Civil (COINPOL) realizam, na manhã desta terça-feira, a operação Black Machine III, que visa cumprir mandados de busca e apreensão em várias comunidades da Ilha do Governador. A ação acontece nas comunidades do Dendê, Barbante, Bancários, Boogie Woogie, entre outras localidades da região. Nas duas operações anteriores foram apreendidas cerca de 650 máquinas de jogos de azar. Quatrocentos policiais participam da ação, que tem apoio de agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) e de unidades do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), além de policiais militares”.

Um morador mostra a foto de Wanderson
Um morador mostra a foto de Wanderson Foto: Rafael Moraes / Extra
A carteira de trabalho do carregador
A carteira de trabalho do carregador Foto: Rafael Moraes / Extra

operação Black Machine III

Sou mãe de filho morto, dona!


por Arísia Barros

Monumento da Mãe Preta Foto: Diadorim Ideias/Isabela Kassow

Monumento da Mãe Preta
Foto: Diadorim Ideias/Isabela Kassow

Ela senta do meu lado, no banco do ponto de ônibus, e pergunta:

– Não é a senhora aquela dona que apareceu no jornal da televisão falando sobre  a morte de negros?

Sim- respondi- sou eu. E fico matutando sobre o poder massificador da mídia.

Ela vai falando sem reticências:- Eu sei do que a senhora fala, mataram meu filho e quase ninguém chorou pela morte dele. Eu que sou a mãe, sei a falta que ele vai fazer na minha vida. Era o meu único filho homem, dona. A polícia diz que ele era traficante, mas, eu disse e continuo dizendo que isso é mentira.

Meu menino era trabalhador, me ajudava com os irmãos e estudava a noite e quando aescola não estava em greve, não perdia uma aula. Precisava ver que letra bonita ele tinha.

Era cheio de sonhos, o meu menino, queria ser advogado. Dizia que ia defender-de graça- todos os pobres da grota que  a gente mora.

Lá na grota falta tudo, Dona, água, muitas vezes  falta comida e quase sempre falta sossego, quando a gente fica sem as coisas para dar os filhos  o juízo queima e dá uma  agonia… Aí quando meu filho me via aperreada arrumava uns bicos, além do trabalho de entregador: limpava chão,  recolhia lixo só para arrumar uns trocados e  me vê feliz.

Toda vizinhança conhecia meu filho e  pode falar a mesma coisa dele.

Era um menino de ouro, o homem da casa, e agora sou mãe de um filho morto.

Mataram meu filho, Dona, porque ele era preto e morava na Grota, até tapa na cara levou e depois  encherem de tiro.

Interrompo o desabafo-relâmpago e pergunto-lhe: Quantos anos tinha seu filho?

– Ia fazer 14 agora em maio- responde.

As lágrimas secas transbordavam no tremor da voz daquela senhora, que  após o desabafo, apressou-se- enxugando as lágrimas com as costas das mãos- para apanhar o  coletivo que a levaria à casa. Deu-me  um ligeiro   aceno e partiu.

A máquina genocida em Alagoas continua moendo os corpos invisíveis dos pretos, preferencialmente nas senzalas urbanas!

O racismo aprisiona. O racismo fere. O racismo mata.

Sou mãe de filho morto, dona!

fonte:Raízes da África

Tirem as crianças da rua. Grita uma mãe desesperada, diante do jovem negro baleado ao brincar na porta de casa


por marcos romão com reprodução de matéria da Guadalupe Newa.

As redes sociais e a imprensa alternativa nos tem trazido relatos de uma guerra que acontece a poucos quilômetros da Zona Sul do Rio de Janeiro. GUADALUPE NEWS conseguiu um vídeo exclusivo do momento  em que Chauan Jambre Cezário, 19 anos, foi baleado no peito, quando brincava com seu amigos e teve seu coleguinha Alan Souza de Lima, 15 anos, ajudante de pedreiro, assassinado pelas balas de policiais, que depois forjaram a apreensão de armas e drogas que estariam nas mãos dos meninos que brincavam de filmagem com o celular de Chauan. Além do celular que gravou o momento candente em que os jovens foram baleados, os jovens nã portavam nada. Estavam de mão vazias.

São imagens e áudios chocantes em que um jovem negro pede a Deus para perdoar os seus pecados diante da morte. Vizinhos e crianças gritam, mães desesperadas perguntam por seus filhos. Não é nenhuma cena dos guetos nazistas da II Guerra Mundial. É Rio de Janeiro pouco depois do carnaval.

Adriana Baptista, jornalista da Mídia&Movimento, parceira da Mamapress, é vizinha do acontecimento e nos manda um relato urgente da notícia que recebe via redes sociais. Redes Sociais com Brasileiros em Berlim, Estocolmo, Londres, Bruxelas, Maré, Alemão, Palmeirinha e algures que não domem mais. O Estado Brasileiro está em guerra contra o nosso jovem negro brasileiro. A ONU e o mundo precisam saber. É preciso parar este sangramento!
Mãe, como nós de um jovem negro, Adriana nos envia esta mensagem:

“Meus amigos, minhas amigas se é que é possível um bom dia. ..Hoje eu acordei com uma bala no peito! E foi a polícia que deu!
Esses jovens brincavam na porta de casa, numa comunidade aqui perto, quando a polícia chegou atirando. Reparem que eles estava filmando suas brincadeiras e um dos jovens acabou produzindo provas sobre mais uma ação militar covarde e despreparada. Morreu o jovem Alan e um outro sobreviveu e ainda foi preso!
Até quando?
Gente foi feito pra viver!
Justiça seja feita!
Valeu Marcos Romao e Sandra Coleman pelo alerta. Isso aconteceu do meu lado e não havia me ativado aos fatos.”

fonte: Guadalupe News

23 de fevereiro de 2015

Vídeo exclusivo do momento dos disparos da PM que matou um e feriu outro na Palmeirinha

Na madrugada do dia 21 de outubro, policiais do 9º BPM estiveram na comunidade da Palmeirinha, em Guadalupe, dois jovens foram baleados, Alan Souza de Lima, 15 anos, não resistiu e Chauan Jambre Cezário, 19 anos, foi baleado no peito e passa bem.
Os policiais alegam que os jovens foram alvejados em confronto e eram suspeitos de participar do tráfico na comunidade. Por outro lado, familiares, amigos e testemunhas afirmam a inocência, Alan era ajudante de pedreiro e Chauan vendia mate na praia, a comunidade estava sem energia elétrica, estavam conversando no portão de uma casa com outros dois amigos, quando foram alvejados pelos policiais. Confira mais detalhes em: http://goo.gl/x1i7OY.

A Guadalupe News conseguiu com exclusividade um vídeo registrado pelo celular do Alan, que mostra os jovens conversando, logo após os disparos efetuados pelos policiais:

Chauan foi levado sob custódia para o Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, ficou algemado na maca e não foi operado, um médico teria dito que não seria feito de imediato pois não havia tanta urgência, a bala está alojada no peito mas não há risco de vida, nesta segunda, 23 de fevereiro, por volta das 6h da manhã o jovem foi solto, a família está em busca de um hospital para realizar a operação. Chauan responderá as acusações da PM em liberdade. Familiares e amigos criaram uma página numa rede social em defesa do jovem, veja em: https://www.facebook.com/ChauanJambreINOCENTEChauan
Muitos nos questionaram sobre uma parte da imagem estar embaçada, estamos fazendo uma cobertura exclusiva sobre o caso, devido a presença de menores no vídeo, tivemos que usar este recurso, quanto ao que tinham nas mãos, fizemos uma análise. Visualize abaixo:

Análise do que os jovens tinham nas mãos (Foto: Guadalupe News)

Análise do que os jovens tinham nas mãos (Foto: Guadalupe News)

Cabula: ” As polícias são a sobra, a borra do entulho autoritário da ditadura contra a qual lutamos”. Desabafa Prof. Helio Santos


Cabula-o-nome1fonte: Correio Nagô

Mc Will e a PM Paulista: ‘Os cara me enquadra pra ver o cabelo de perto’


fonte:by NINJA

McWiil

McWiil

McWill é um dos fundadores da batalha racional, que acontece todas as sextas-feiras na Rua Augusta em SP. Conheça sua história no vídeo feito pela Ponte Jornalismo.

“Dos 30 amigos que já perdi, 27 num tinha nenhum problema com a justiça, eles morrem porque estão vivos.”

“Ser bandido hoje é ser honesto”.

Frases de McWill

Consciência Negra e Polícia Militar: Desafios e Perpectivas


por marcos romão

No mês da Consciência Negra, estarei presente, nestas rodas de conversas com as forças de segurança do Estado do Rio de Janeiro.
Vou como um sociólogo ativista do movimento negro e dos direitos humanos. Nestes assuntos não tenho neutralidade, defendo a vida.
É numa sexta-feira. Dia que é de reflexão e balanço.
O genocídio da juventude negra brasileira tem que parar.
Está na hora de todos nós cidadãos conversarmos, pois segurança não é assunto exclusivo para especialistas em armas.
Segurança é mudar a mentalidade e as políticas nacionais de segurança, que consideram o próprio povo como inimigo, e os bairros em que vivem os pretos e os pobres como “territórios” a serem ocupados por “tropas exógenas” em nome de uma pacifificação nacional.
Segurança é o que cada cidadão, garante ao outro cidadão que ele reconhece como igual. A segurança para uma minoria, não pode continuar sendo sinônimo da insegurança da grande maioria.
Segurança é muito mais a garantia da vida de todos.‪#‎marcosromaoreflexoes‬
ceppir militar
como chegar lá clque aqui

JÁ NASCI MORTO


Alison Sodrè, jovem de Salvador, publicou em seu perfil no facebook, este grito de socorro que milhares de jovens negros gritam no Brasil e não são escutados. Viram apenas notícias de jornais, publicadas nas páginas de crime, como bandidos mortos por resistência às autoridades policiais. Alison Sodré tem a solidariedade da Rede Rádio Mamaterra e do Sos Racismo Brasil, além de todos que manisfestaram sua solidariedade e repúdio à arbitrariedade policial que sofreu, próximo à sua casa. Pela redação, Marcos Romão

Pois é …

alison andré 3Eu, Alison Sodré de Santana, jovem negro e morador do centro da cidade de salvador, mais precisamente morador do antigo Maciel Pelourinho. Tenho hoje minha morte decretada? Isso mesmo !!! Minha morte cívica, moral, étnica e quem sabe depois desse relato carnal!

Sabem por quê?

Hoje dia 30 de outubro de 2014, por volta das 11h e 45 mim, no bairro onde nasci sou respeitado e minha família é uma referência de resistência, símbolo da luta contra a opressão, fui agredido verbalmente, psicologicamente e por um triz quem sabe não tive uma lesão grave (até porque as armas são letais).

Um Policial Militar em serviço da sociedade (pelo menos era isso que deveria ser) senhor também negro, com um pouco mais de 1m e 85 cm, travestido de policial, colocou uma arma em minha cara, em plena a luz do dia.

Tudo isso ocorreu porque estava ao telefone distraído e coloquei meu pé direito para apoiar meu corpo na parede de uma janela na companhia de meu irmão Andre André Pedro Grillo quando o mesmo se dirigiu a mim com o dedo no rosto e disse:

Ta vendo o Policial falar não?

Eu respondi desculpe senhor mais estava ao telefone e logo em seguida retirei meu pé do apoio.

O mesmo enfurecido retrucou? Respeite autoridade apontado o dedo na minha cara e gritando.

Eu senhor para quer isso? Fale baixo, não precisa essa truculência!

Nesse momento, vi minha vida diante dos meus olhos, acuado pela introspecção militar e por ter uma arma em minha direção! Nessa hora, não sabemos o que fazer como agir e como tentar conter tal brutalidade… Se eu morador de um ponto turístico visitado por milhões de pessoas todo ano, tive um revolver apontado para mim, imagine um jovem negro da periferia, vivendo em condições subumanas, aonde as políticas sócias não chegam e onde são as maiores vitimas das ações polícias?!

É meu nobre, sou NEGRO de origem pobre, estudante das ciências jurídicas, responsável pela política racial de juventude negra do meu município, mais precisamente a Secretaria Municipal da Reparaçã, fui coagido, humilhado perante a minha comunidade, minha família, moradores locais e comerciantes, imagine nossos jovens periféricos!

Até quando esse abuso de poder vai permear nossas vidas?

Até quando teremos que nos calar para não temermos por nossas vidas?

Até quando iram matar nossos jovens para haver um trabalho de conscientização e humanização dos policiais militares ? (Detalhe o pior não aconteceu porque meu pai que também é militar por minha sorte apareceu e conteve a situação).

Posso a partir de hoje não ver isso acontecer, mais pode ter certeza se é para morrer como homem, vou com dignidade!