A antropologia foi um grande instrumento da colonização. Afirma o antropôlogo angolano, biógrafo de Amilcar Cabral, António Tomás


Por John Mattos

Edição Marcos Romão

Nesta Entrevista, António Tomás, antropôlogo e Biógrafo de Amílcar Cabral, autor do livro “O Fazedor de Utopias – Uma Biografia de Amílcar Cabral”.

O angolano António Tomás, doutorado em Antropologia Política pela Universidade americana de Colômbia é Professor na Universidade Makerere de Uganda esteve em Paris, como Professor convidado da prestigiada Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, fala da sua carreira, da intelectualidade africana, de Universidades africanas e da Obra do revolucionário, Amílcar Cabral.

Perguntado sobre porque os estudantes africanos não querem estudar antropologia, o antropôlogo* angolano, Antonio Tomas, responde:

Há duas coisas importantes na antropologia, uma das coisas é a tradição antropológica, e neste ponto os estudantes têm completamente razão.

A antropologia foi um dos grandes braços do colonialismo, portanto a antropologia prestou grandes serviços ao colonialismo, qualquer pessoa que estude antropologia, claro, tem que se confrontar com esta grande tradição da antropologia e, a forma como a antropologia foi usada como instrumento de dominação, ou de como se poderia conhecer melhor os africanos e dominá-los de forma mais eficiente.

Mas há uma outra parte da antropologia que mais me interessa, tem a ver com as ferramentas que a antropologia oferece. Há o trabalho de campo, há os métodos de observação, estas são as partes da antropologia, que eu acho que se pode ensinar em África.

A antropologia foi a primeira ciência social a prestar uma grande atenção, às formas e aos comportamentos humanos em longos períodos de observação.

*grafia em português de Portugal

António TomásAntónio Tomás
Nasceu em Luanda, em 1973. É jornalista e antropólogo e colabora frequentemente em vários órgãos da imprensa angolana, como o Jornal de Angola e o Angolense.
Começou a sua carreira de jornalista na Rádio Nacional de Angola, em 1991, e naAgência Angola Press, em 1992. Mais tarde, a residir em Lisboa, escreveu para vários periódicos, entre os quais o jornal Público, onde assinou recensões críticas sobre literatura africana.
Membro fundador do Grupo de Teatro Museu do Pau Preto, foi autor e co-autor de peças representadas em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente Museu do Pau Preto e Cabral.
Actualmente, divide as suas tarefas profissionais entre Luanda, Lisboa e Nova Iorque, onde se encontra desde 2004 a fazer um doutoramento em antropologia na Universidade de Columbia, sob o tema: «Os efeitos da dolarização no nível de vida das populações em Angola».
A obra O Fazedor de Utopias – uma biografia de Amílcar Cabral foi publicada em Cabo Verde pela Editora Spleen.

Racismo nas altas esferas, quem tem medo de um negro que sabe? Professor Kabengele Munanga quebra o silêncio acadêmico.


por marcos romão

Professor Kabengele Mulanga

Professor Kabengele Munanga

O Professor  Kabengele Munanga foi preterido na seleção dos 59 estudiosos que foram beneficiados pela bolsa do programa “Professor Visitante Nacional Sênior ” da Capes.

Kabengele havia aceito a sondagem da Professora Georgina Gonçalves dos Santos, para atuar na jovem Universidade do Recôncavo Bahiano -UFRB-, através de uma posssível bolsa de pesquisador visitante nacional sênior da CAPES. Kabengele foi preterido, foi desmeritado na alta esfera de decisão, na cúpula do poder que decide no Brasil, quem foi, é e será beneficiado por bolsas para aprender ou distribuir seus conhecimentos.

Segundo palavras do Professor José Jorge de Carvalho, Coordenador do INCTI, em seu documento em apoio à Kabengele para reivindicar a bolsa:

“Com toda sua clareza do intelectual militante e engajado e sua posição político-ideológica a respeito da inclusão dos negros e indígenas no ensino superior, docência e pesquisa, talvez Kabengele fosse o único estudioso negro ou um dos pouquíssimos pesquisadores negros a concorrer a essa bolsa. Por coincidência, esse único negro foi o menos qualificado, por comparação. Estranha e triste coincidência!”

Kabengele quebra o silêncio em uma área extremamente delicada que é área de financiamento da produção intelectual do conhecimento no Brasil. Poucos ou nenhum negro ou negra brasileira, pode se arriscar ou se arriscou na área acadêmica, à questionar o possível racismo que nós da Mamapress, consideramos estar entranhado no meio acadêmico brasileiro, racismo que se tornaria visível, diante de qualquer pesquisa séria feita por qualquer aprendiz de Ciências Sociais. O endocolonialismo ou sub-colonialismo interno consegue no Brasil ser mais branco e europeu do que os europeus desejaram na década de 30, e hoje, graças as deuses africanos, esqueceram e mudaram.

Ao contrário da falácia que o negro precisa estudar para ter o seu lugar na sociedade, nós da Mamapress afirmamos, quanto mais o negro souber, em qualquer área, mais ele será uma ameaça e mais ele será discriminado.

Tomamos a liberdade de publicar a Carta Aberta do Professor Kabengele Munanga:

CARTA ABERTA DO PROFESSOR KABENGELE MUNANGA

Permitam-me, primeiramente, quebrar meu silêncio, começando por desejar-lhes um feliz 2014, repleto de sucessos e realizações.
Agradeço a solidariedade e o pronto recurso feito por vocês junto à CAPES através da Reitoria da UFRB diante da omissão do meu nome entre os 59 estudiosos beneficiados pela bolsa do programa “Professor Visitante Nacional Sênior (cfr. Edital 28 de 2013)”.
Geralmente, levo tempo para me manifestar em situações aparentemente urgentes como essa que acabamos de viver. Isto é uma das minhas características que, acredito, se não for uma qualidade, é um defeito incorrigível, pois faz parte da minha pequena natureza humana. Creio, agora, que já tive bastante tempo para refletir sobre o acontecido.
Relembrando como todo começou, estava eu na véspera da minha aposentadoria compulsória na USP que aconteceu em novembro de 2012, quando a colega e amiga Professora Georgina Gonçalves dos Santos, me sondou sobre a possibilidade de ser convidado da UFRB através da bolsa de pesquisador visitante nacional sênior da CAPES. Sem hesitação, aceitei imediatamente e desde então comecei a recusar outros convites que me foram dirigidos depois. Tinha e tenho a convicção de que poderia ser mais útil para uma nova universidade como UFRB do que para as universidades mais velhas que possuem um quadro de pesquisadores e docentes mais estruturado.
Elaborei então uma proposta do programa de atividades a serem desenvolvidas, de acordo com as instruções contidas no Edital 28 do PVNS, proposta esta que foi enriquecida e consolidada pelas sugestões dos colegas Osmundo Pinho e Georgina Gonçalves dos Santos e em última instância pela própria Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UFRB, a Professora Ana Cristina Firmino Soares.
Acreditávamos que essa proposta era exequível, de acordo com a demanda do CAHL da UFRB e da minha experiência acumulada durante 43 anos como pesquisador e docente. Uma experiência começada em 1969, na então Universidade Nacional do Zaire, onde fui o primeiro antropólogo formado, passando pela Universidade Católica de Louvain (Bélgica) e pelo Museu real da África Central em Tervuren (Bruxelas), Universidade Cândido Mendes, Rio de Janeiro (visitante), Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade de São Paulo (1980-2012), Universidade Eduardo Mondlane, Maputo, Moçambique (visitante) e Universidade de Montreal, Canadá, como Professor associado convidado para orientação de teses (2005-2010). Sem deixar de lado os cargos de direção na USP, como Diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia (1983-1989), Vice-Diretor do Museu de Arte Contemporânea (2000-2004), Diretor do Centro de Estudos Africanos (2006-2010) e participação em diversos conselhos, como o Conselho Universitário da USP etc. Orientei dezenas de teses e dissertações, entre as quais algumas premiadas como a tese de José Luís Cabaço, que ganhou Prêmio da ANPOCS, e recentemente a tese de Pedro Jaime Coelho Jr., que ganhou prêmio de melhor tese em Ciências Humanas, destaque USP 2013.
Modéstia à parte, sem “me achar” e sem exibição, pensava que com toda essa experiência poderia servir para uma nova universidade em construção como a UFRB. Lamento que o sonho não deu certo!
Pelo parecer da Comissão Julgadora (Edital 28- 2013), nosso programa foi deferido e recomendado à bolsa com certo elogio, classificando-me na Categoria I dos pesquisadores do CNPQ. Foi, se entendi bem, na última instância que fomos preteridos, em comparação com os demais deferidos. Em outros termos, tenhamos a coragem de aceitá-lo, nosso programa e meu CV foram considerados inferiores para sermos incluídos entre os 59 bolsistas aprovados.
Por que então tantas lamentações, pois não somos os primeiros, nem os últimos a serem preteridos? Os recursos perpetrados junto à CAPES por outras universidades mostram que outros e outras colegas não contemplado/as pela bolsa não são menos qualificado/as que Kabengele. No entanto, vale a pena, apesar da consciência, divagar um pouco sobre os critérios de comparação, pois foi por ela que fomos eliminados. Pois bem, é possível comparar propostas diferentes sem antes estabelecer entre elas um denominador comum? Qual foi esse denominador? As regras do jogo de comparação não parecem claramente definidas; a subjetividade e a objetividade dos julgadores parecem se misturar. Claro, não há nenhum demérito aos colegas cujos projetos foram beneficiados pelas 59 bolsas atribuídas. Os especialistas da Física Quântica não têm dúvida sobre a subjetividade do observador pesquisador no momento em que ele começa a interpretar cientificamente os fenômenos da natureza por ele obsevados.
Na esteira do raciocínio do Professor José Jorge de Carvalho, Coordenador do INCTI, em seu documento em apoio a mim para reivindicar a bolsa, com toda sua clareza do intelectual militante e engajado e sua posição políico-ideológica a respeito da inclusão dos negros e indígenas no ensino superior, docência e pesquisa, talvez eu fosse o único estudioso negro ou um dos pouquíssimos pesquisadores negros a concorrer a essa bolsa. Por coincidência, esse único negro foi o menos qualificado, por comparação. Estranha e triste coincidência!
Minha consideração especulativa poderia ser enquadrada no chamado discurso da vitimização, o que pouco me importa, pois já estamos acostumados. No entanto, os que detêm o poder de nomear os outros, ou seja, de nos nomear, são os mesmos que nos julgam, pois fazem parte do binômio saber/poder muito bem caracterizada na visão foucaultiana (Ver Michel Foucault). Neste sentido, os argumentos aparentemente científicos escondem uma relação de poder e autoridade difícil de transformar. Por isso, eu nutri certo sentimento de pessimismo que me faz acreditar que o recurso da UFRB e o apoio dos colegas não surtirão efeito de reversão da decisão da CAPES, no sentido de dar outra bolsa além das 59 concedidas. Ou seja, o recurso da UFRB e o documento de apoio do Professor José Jorge de Carvalho, coordenador do INCTI, assinado por demais colegas têm menos probabilidade de ser atendida positivamente.
Por isso, sem esperar o fechamento esperado, sinto-me no momento na simples obrigação moral de agradecer o recurso da UFRB e o apoio de vários colegas encabeçado pelo amigo e companheiro de luta, o Professor José Jorge de Carvalho. Estarei sempre disposto a colaborar com a UFRB, através de convite para participar dos seminários, proferir conferência e palestras, participar de comissões julgadoras de mestrado etc., como já o venho fazendo.
Meu muito obrigado,
Kabengele Munanga

Histórico da situação explicada em carta de solidariedade do historiador Jacques Depelchin:

O Professor Kabengele Munanga FOI EXCLUÍDO de uma seleção para professor visitante da UFRB( Universidade Federal do Recôncavo da Bahia).
Por que tanto medo do Professor Kabengele Munanga? Por que tanta raiva contra alguém que contribuiu tanto na partilha dos seus saberes? Para as pessoas pouco informadas, o Professor Kabengele Munanga se destacou na sua carreira acadêmica na USP.

Em fins de 2013 se aposentou e aceitou o convite para lecionar como Prof. Visitante Sênior na jovem universidade federal do Recôncavo da Bahia(UFRB) Baiano -UFRB. Para isso, se candidatou para uma bolsa da CAPES, Edital 28 de 2013, na Categoria de PVNS Apesar de um parecer favorável e elogioso recomendando a outorga da Bolsa pleiteada, a sua candidatura foi rejeitada, levando a um protesto de vários acadêmicos, incluindo professores da UFRB. Numa carta aberta, agradecendo este ato de solidariedade, o Professor Kabengele Munanga explica historiando o processo em que se deu o que lhe aconteceu (veja anexo em baixo)
Aqui, gostaria de levantar uma pergunta: alguém teria medo do Professor Kabengele Munanga e de onde viria? A necessidade de refletir sobre isso é urgente, não só para os Afro-Brasileiros, mas também para todos os Brasileiros que entendem e agem como membros duma só humanidade, pois o contexto global em que vivemos hoje, exige, com urgência, essa afirmação.
No seu livro Pele Negra, mascaras brancas, Frantz Fanon discute esta questão do medo (pp. 125-6, Edufba, Salvador 2008), focando sobre aspetos bem conhecidos pelos sobreviventes dos legados acumulados da escravidão atlântica e da colonização. Infelizmente, o próprio Fanon não entra na discussão sobre como ele superou o medo.
O medo dos adversários do Prof Kabengele Munanga é o produto, indireto, da serenidade e da franqueza com que ele tem abordado assuntos incomodantes da sociedade Brasileira, em volta das raízes do racismo, das sugestões sobre como solucionar as injustiças cumulativas herdadas dessas violências contra as partes discriminadas da humanidade.
Esse medo, quer da vitima, quer de quem tem medo da resistência das vitimas, nunca é de bom conselho. O medo dos gerentes dum sistema prisional tem uma explicação, mas, como é sobretudo visceral, a explicação a partir da razão não se aplica. Porque, como sempre aconteceu em outros casos históricos, os administradores do sistema não são preparados para enfrentar quem deveria se submeter à suas ordens, mas que, em vez, se levanta e argumenta a partir da sua consciência e com eloqüência e sabedoria uma saída honrosa para todos. Para os gerentes dum sistema injusto, as vitimas tem que se calar. Ir na contra mão dessa ordem informal é geralmente caracterizado de “impertinência” e, por isso, tem que ser punido.
Os administradores/gerentes dum legado histórico profundamente injusto tem dificuldades em parabenizar o Professor Kabengele Munanga decidir, no fim da sua careira, na pratica, dar uma lição de como corrigir as conseqüências, no nível do ensino superior, duma injustiça sistêmica contra as descendentes e os descendentes da escravidão.
Não é difícil imaginar o que se passa na mente dos adversários do Professor Kabengele Munanga. Na peça de teatro Et les chiens se taisaient, Aimé Césaire ilustrou como o rebelde escravo enfrentou o dono, no próprio quarto dele. O que aconteceu ao Professor Kabengele Munanga pode ser lido como a continuação do comportamento típico dos dominantes quando enfrentam um caso de rebeldia contra injustiça: o rebelde tem que ser punido, na medida do possível, duma maneira exemplar (leia severamente) para que outros rebeldes potenciais não sejam encorajados em imitá-lo. Historicamente, os exemplos individuais e coletivos abundam: Kimpa Vita, Zumbi, Geronimo, Abdias Nascimento, Toussaint-l’Ouverture, Cuba, Haiti, Patrice Lumumba, Amilcar Cabral, Salvador Allende, Cheikh Anta Diop, Nelson Mandela, Samora Machel, Thomas Sankara, Steve Biko, Chris Hani, Aristide, para não mencionar mais.
O Professor Kabengele Munanga, de origem Congolesa, nação de Kimpa Vita, Patrice Lumumba e outras e outros, na mente dos seus adversários, por definição, não tem direito à palavra, muito menos quando a sua fala/escrita acaba dando uma lição contundente de como superar legados históricos seculares, no Nordeste Brasileiro, para que qualquer Brasileir@ possa pensar, sonhar, e conseguir ser uma estrela, um craque intelectual.
Desde já, agradecemos a coragem do Professor Kabengele Munanga por ter continuado trilhando os caminhos das benzedeiras e dos benzedeiros sobre os quais o grande autor Ghaneense, Ayi Kwei Armah escreveu com tanta eloquencia no seu livro de ficção The Healers.

Em solidariedade,
Jacques Depelchin
Historiador
Salvador-Bahia

How Argentina ‘Eliminated’ Africans From Its History And Conscience


By Palash Ghosh | June 04 2013 5:48 AM

Tens of millions of black Africans were forcibly removed from their homelands from the 16th century to the 19th century to toil on the plantations and farms of the New World. This so-called “Middle Passage” accounted for one of the greatest forced migrations of people in human history, as well as one of the greatest tragedies the world has ever witnessed.

Millions of these helpless Africans washed ashore in Brazil — indeed, in the present-day, roughly one-half of the Brazilian population trace their lineage directly to Africa. African culture has imbued Brazil permanently and profoundly, in terms of music, dance, food and in many other tangible ways.

But what about Brazil’s neighbor, Argentina? Hundreds of thousands of Africans were brought there as well – yet, the black presence in Argentina has virtually vanished from the country’s records and consciousness.

According to historical accounts, Africans first arrived in Argentina in the late 16th century in the region now called the Rio de la Plata, which includes Buenos Aires, primarily to work in agriculture and as domestic servants. By the late 18th century and early 19th century, black Africans were numerous in parts of Argentina, accounting for up to half the population in some provinces, including Santiago del Estero, Catamarca, Salta and Córdoba.

Statue of  "The Slave", by Francisco Cafferata in Buenos Aires, Argentina
http://usslave.blogspot.com
Statue of “The Slave”, by Francisco Cafferata in Buenos Aires, Argentina

In Buenos Aires, neighborhoods like Monserrat and San Telmo housed many black slaves, some of whom were engaged in craft-making for their masters. Indeed, blacks accounted for an estimated one-third of the city’s population, according to surveys taken in the early  1800s.

Slavery was officially abolished in 1813, but the practice remained in place until about 1853. Ironically, at about this time, the black population of Argentina began to plunge.

Historians generally attribute two major factors to this sudden “mass disappearance” of black Africans from the country – the deadly war against Paraguay from 1865-1870 (in which thousands of blacks fought on the frontlines for the Argentine military) as well as various other wars; and the onset of yellow fever in Buenos Aires in 1871.

The heavy casualties suffered by black Argentines in military combat created a huge gender gap among the African population – a circumstance that appears to have led black women to mate with whites, further diluting the black population. Many other black Argentines fled to neighboring Brazil and Uruguay, which were viewed as somewhat more hospitable to them.

Others claim something more nefarious at work.

It has been alleged that the president of Argentina from 1868 to 1874, Domingo Faustino Sarmiento, sought to wipe out blacks from the country in a policy of covert genocide through extremely repressive policies (including possibly the forced recruitment of Africans into the army and by forcing blacks to remain in neighborhoods where disease would decimate them in the absence of adequate health care).

Tellingly, Sarmiento wrote in his diary in 1848: “In the United States… 4 million are black, and within 20 years will be 8 [million]…. What is [to be] done with such blacks, hated by the white race? Slavery is a parasite that the vegetation of English colonization has left attached to leafy tree of freedom.”

By 1895, there were reportedly so few blacks left in Argentina that the government did not even bother registering African-descended people in the national census.

The CIA World Factbook currently notes that Argentina is 97 percent white (primarily comprising people descended from Spanish and Italian immigrants), thereby making it the “whitest” nation in Latin America.

But blacks did not really vanish from Argentina – despite attempts by the government to eliminate them (partially by encouraging large-scale immigration in the late 19th and 20th century from Europe and the Near East). Rather, they remain a hidden and forgotten part of Argentine society.

Hisham Aidi, a lecturer at Columbia University’s School of International and Public Affairs, wrote on Planete Afrique that in the 1950s, when the black American entertainer Josephine Baker arrived in Argentina, she asked the mixed-race minister of public health, Ramon Carilio: “Where are the Negroes?” In response, Carilio joked: “There are only two — you and I.”

As in virtually all Latin American societies where blacks mixed with whites and with local Indians, the question of race is extremely complex and contentious.

“People of mixed ancestry are often not considered ‘black’ in Argentina, historically, because having black ancestry was not considered proper,” said Alejandro Frigerio, an anthropologist at the Universidad Catolica de Buenos Aires, according to Planete Afrique.

“Today the term ‘negro’ is used loosely on anyone with slightly darker skin, but they can be descendants of indigenous Indians [or] Middle Eastern immigrants.”

AfricaVive, a black empowerment group founded in Buenos Aires in the late 1990s, claimed that there are 1 million Argentines of black African descent in the country (out of a total population of about 41 million). A report in the Washington Post even suggested that 10 percent of Buenos Aires’ population may have African blood (even if they are classified as “whites” by the census).

“People for years have accepted the idea that there are no black people in Argentina,” Miriam Gomes, a professor of literature at the University of Buenos Aires, who is part black herself, told the Post.

“Even the schoolbooks here accepted this as a fact. But where did that leave me?”

She also explained that almost no one in Argentina with black blood in their veins will admit to it.

“Without a doubt, racial prejudice is great in this society, and people want to believe that they are white,” she said. “Here, if someone has one drop of white blood, they call themselves white.”

Gomes also told the San Francisco Chronicle that after many decades of white immigration into Argentina, people with African blood have been able to blend in and conceal their origins.

“Argentina’s history books have been partly responsible for misinformation regarding Africans in Argentine society,” she said. “Argentines say there are no blacks here. If you’re looking for traditional African people with very black skin, you won’t find it. African people in Argentina are of mixed heritage.”

Ironically, Argentina’s most famous cultural gift to the world – the tango – came from the African influence.

“The first paintings of people dancing the tango are of people of African descent,” Gomes added.

On a broader scale, the “elimination” of blacks from the country’s history and consciousness reflected the long-cherished desire of successive Argentine governments to imagine the country as an “all-white” extension of Western Europe in Latin America.

“There is a silence about the participation of Afro-Argentines in the history and building of Argentina, a silence about the enslavement and poverty,” said Paula Brufman, an Argentine law student and researcher, according to Planete Afrique.

“The denial and disdain for the Afro community shows the racism of an elite that sees Africans as undeveloped and uncivilized.”

http://www.ibtimes.com/blackout-how-argentina-eliminated-africans-its-history-conscience-1289381#

A Copa do Apartheid até na música


por marcos romão

fonte: Bhaz

Até na música sem sabor feita em máquina de quermesse européia, esta copa tá pisando na bola.

“Representantes da Fifa e da Sony Music confirmaram, nesta quinta-feira (23), que a música oficial da Copa do Mundo de 2014 será uma parceria entre a cantora Claudia Leitte e os norte-americanos Jennifer Lopez e Pitbull. Após o anúncio, uma versão em baixa qualidade da faixa intitulada “We Are One (Ole Ola)”, gravada no início do mês, se transformou em um dos assuntos mais comentados por internautas de diferentes regiões do país.

Cláudia Leitte e Pitbull posaram com representantes da Fifa e da Sony durante entrevista coletiva. Foto: Divulgação/Fifa

Cláudia Leitte e Pitbull posaram com representantes da Fifa e da Sony durante entrevista coletiva.
Foto: Divulgação/Fifa

Entre elogios e críticas, a canção repercute principalmente devido à letra, que apresenta poucos versos cantados em português. O ritmo é outro motivo de queixa por parte dos usuários das redes sociais.

Alguns deles afirmam que faltaram aspectos mais tradicionais da cultura brasileira na música. Já outros comentam que “Waka Waka”, tema da Copa da África, cantado por Shakira em 2010, é bem melhor pelo fato de possuir elementos próprios do país, como tambores e outros instrumentos.”

Nas redes sociais tá rolando a maior disputa, pois o som da Turma do Passinho tem muito mais a ver segundo os internautas:

“Bem a cara do Brasil colocar a música da Copa com maior parte da letra em inglês”, ironizou um internauta. “Aguentar as falcatruas já é complicado, mas aguentar a música da Copa é o fim da picada”, escreveu outra jovem.

A Copa do Povo das Ruas

(Cortado por excesso de Pixaim)

A copa do Apartheid e do Endocolonialismo. Um verdadeiro balde de leite sem nenhum pingo de café!

fonte: Bhaz

Jornalista mostra seu ranço senhorial masculino ao xingar de “Anta” a ministra da Igualdade Racial.


por marcos romão comentando denúncia publicada pelas Blogueiras Negras e a Mamapress agradece o alerta!

snipado do jornal metro

esnipado do jornal metro 17.01.2014 pag.04

claudio-humberto-metros-17.

Já havíamos constatado em outras publicações da Mamapress, que o racismo e as discriminações  estão aumentando de forma cavalar no Brasil.

Assumimos posicionamento  de que não adianta só denunciar o racismo, a xenofobia, o sexismo, o machismo e as mais variadas discriminações, se não forem tomadas medidas socioeducativas em todos os níveis da sociedade, que contribuam para transformar a mentalidade racista com a qual todos nós sem exceção fomos educados.

Por este motivo, em cada denúncia que fazemos sobre os racismos e discriminações, não nos preocupamos só em exigir punições, mas em descobrirmos o fundo que permite e estimula a perpetuação do racismo.

Mas o que fazer e recomendar aos ideólogos do racismo, que estão furibundos desde que foram derrotados no STF com a aprovação constitucional da lei das cotas raciais e sociais?

Não dá mais para não reparar a existência destes ideólogos de um novo racismo, que criam novas barreiras nas universidades, nos espaços públicos sociais, nas redações de jornais e televisões, em todos os espaços enfim, conquistados a duras penas pelos negros brasileiros. Eles existem e são poderosos.

O que fazer com os racistas e sexistas de caneta?

Este senhor Claudio Humberto é a primeira vez que é citado na Mamapress, preferiríamos não fazer propaganda de suas idéias racistas e sexistas. Este jornalista é um dos professores da nova escola racista que diz: “Falemos nossas besteiras, xinguemos as mulheres e negros de antas e macacos, que dá IBOPE!

Está na hora de darmos nomes aos bois, darmos nomes aos racistas e a todos os redatores e especialistas em defender o anacronismo do racismo. Eles estão sentados e bem pagos nas redações de muitos jornais online e impressos pelo  Brasil afora. Fazem a cabeça da maioria silenciosa e incitam ao ódio racial. Usam suas escrivaninhas para ferirem e agredirem mulheres e negros.

Mas estes sacripantas criminosos da caneta estilo Goebbels estão tendo resposta.

Lembramos a todas nossas leitoras e leitores, que nós da Mamapress consideramos racismo  e racismo na sua forma intelectual mais pura, todas as formas recorrentes que utilizam para nos criticar  a partir de nossas aparências físicas. Consideramos racismo atacarem através de nossas expressões físicas, todas e quaisquer pessoas, principalmente mulheres e/ou negros que se projetem na sociedade. Como nos reeducamos e somos antirracistas, já não usamos mais as expressões racistas infantis de chamarmo alguém de “porco branco encardido de cabelo esticado”, pois sabemos que ao não fazermos isto, estamos contribuindo para a paz e lutando contra o ódio que esses escribas incitam de suas redações.

E avisamos aos racistas, que podem nos criticar e nos chamar do que quiserem. Podem até nos elogiar como inteligentes e competentes, mas não insistam em nos chamar de antas e macacos competentes e inteligentes. Sabemos como vencê-lo pois temos só no Brasil 514 anos de fôlego. (marcos romão)

As escritoras negras que formam o coletivo Blogueiras Negras já publicaram a seguinte matéria em solidariedade à pessoa da Ministra Luiza Bairros:

Cécile Kyenge, Christiane Taubira e agora Luiza Bairros. Ministras de estado atacadas em sua humanidade pela comunhão estreita entre o racismo, o sexismo e a sensação de impunidade. Mulheres que se recusaram a permanecer no lugar que lhes é destinado pela branquitude abjeta que, atônita, reage por meio de xingamentos. A primeira e a segunda foram chamadas de macacas. Por aqui o xingamento foi outro, dessa vez somos comparadas a uma anta porque a ministra expressou a opinião de que os jovens do rolezinho também são vítimas de racismo.

O sujeito da agressão é Cláudio Humberto, colunista do Jornal Metro, que se sentiu confortável o bastante para chamar uma ministra de estado de anta ao mesmo tempo que defende a tese de que não existiriam brancos no país. O que está subjacente a essa mensagem é a de que se não existem brancos, não é possível existir racismo. Obviamente o tiro saiu pela culatra pois a publicação do texto em si e o xingamento são expressões de uma branquitude acrítica e despreparada para lidar com as questões raciais e que ainda se fia na impunidade para expressar suas contradições e excrecências.

É assim que o tratamento desigual dispensado a negras e negros funciona, à vontade e à luz do dia e da escrita. É por isso que trabalhamos para que ele seja denunciado e portanto combatido. Nós, um coletivo de mulheres negras de pena e teclado, repudiamos o tratamento dispensado à face negra e feminina da política. Toda vez que uma de nós chega ao poder, chegamos todas. Toda vez que uma de nós é atacada e desumanizada, somos todas. Não iremos nos calar diante desse impropério que expõe ainda mais o fato de o racismo ser uma questão estrutural de nossa sociedade, ainda afeita a comportamentos escravocratas.

O respeito à liberdade de pensamento e a imunidade de crítica não devem ser usados para defender a ideia de que o racismo é apenas uma opinião. A herança racista de um país que se diz democrático está posta, nós a sentimos na pele todos os dias quando não acessamos a universidade, quando recebemos tratamento conveniente em função do racismo institucional e quando fazemos sua denúncia, assim como o fez a ministra Luíza Bairros. Estamos falando de uma realidade muito palpável, inclusive estatisticamente.

Assim, acreditamos que o autor da fala e os jornais que publicaram e republicaram o texto devem ser devidamente responsabilizados pela declaração, se não judicialmente, que sejam rechaçados publicamente. Independente da tipificação legal de crime, ética e moralmente, comete-se um delito ao desqualificar a fala de uma chefe de estado a partir da percepção de uma suposta e erroneamente presumida incapacidade apenas pelo fato de ser mulher e negra. Será que o articulista teria chamado de “anta” um político homem e branco que tivesse a mesma opinião?

ONLINE

A fala de Claudio Humberto também está disponível online no Metro Brasília, no Diário do Poder e na Tribuna do Norte.

Uma guerra particular da marinha com os quilombolas de Rio dos Macacos: “hoje estou com farda, mas amanhã vou estar sem farda, onde encontrar vocês, vou estourar suas cabeças”.


por marcos romão

Rosemeire dos Santos- Quilombola de Rio dos Macacos-BA

Rosemeire dos Santos- Quilombola de Rio dos Macacos-BA

Em vídeo postado no Youtube pelo grupo  “Território Africano TV”, nós da Mamapress mais uma vez tomamos conhecimento de violações dos direitos humanos cometidos por graduados da Marinha Brasileira da da 2ª Base Naval de Aratu.

Pelos relatos de Ednei dos Santos que foi preso e amarrado com fios, levou socos e chutes, e segundo suas palavras foi jogado como porco na caminhonete, pelos sentinelas da marinha que montam guarda na única entrada para o Quilombo de Rio dos Macacos. Estamos diante de uma situação que vai além de um episódio isolado de violência.

Evidencia-se pela sistemática com que acontecem as arbitrariedades, ameaças e violências contra os quilombolas de Rio dos Macacos, a existência de uma ordem silenciosa de vencê-los pelo cansaço e ao arrepio das leis e completamente em contradição com as reuniões oficiais a Marinha com os governos da Bahia e de Brasília. Segundo Rosemeire, “fazem reuniões onde tomam cafezinhos e falam sobre nós, mas não cuidam de dar proteção às nossas vidas e à nossa segurança”

A quilombola Rosemeire dos Santos, de Rio dos Macacos, amarrada e jogada na boleia da caminhonete do Marinha, denuncia: “apanhei o tempo todo da guarida até a base da marinha, um sentou-se meu pescoço com as partes dele em meu rosto e outro sentou-se entre as minhas partes. E aí eu fui tomando tapa daqui até lá, né? Teve um momento em que eu num vi mais nada”.

O sargento Gonzaga falou que qualquer momento em que ele encontrasse a gente ele estourava nossas cabeças. Ele disse, “hoje estou sem farda, mas amanhã vou estar sem farda, onde encontrar vocês, vou estourar suas cabeças”. Tem uns 4 anos que a gente faz estas denúncias  até ao governo federal, e eles pedem provas, e eles continuam aí.

Ednei Messias dos Santos, irmão de Rosimeire, que também foi preso na operação arbitrária, informa que participaram da ação, o sargento Melquisedeque, o sargento Bueno, o sargento Gonzaga e mais o sargento Josué “que ficou ameaçando as crianças que foram lá para a base atrás da gente”.

No dia seguinte em reunião com o comando da base, ao ser tocado no assunto, o almirante se ofereceu para visitá-los e apertar a mão dos quilombolas. Constrangidos se recusaram.

O vídeo testemunho:

Publicado em 11/01/2014

No dia 06 de janeiro de 2014 oficiais da Marinha cometeram crimes de agressão, estupro e tentativa de homicídio contra membros da Comunidade Quilombola Rio dos Macacos. Acontecimentos que marcaram a prisão arbitrária e violenta de Rosemeire dos Santos e Ednei Messias dos Santos. As autoridades brasileiras são coniventes com os constantes atos de violência. Ao longo da história existem informações de outros estupros e assassinatos contra os quilombolas da comunidade.

saiba mais http://www.igualdaderacial.ba.gov.br/2014/01/sepromi-se-reune-com-marinha-e-orgaos-federais-para-discutir-situacao-em-rio-dos-macacos/