É religioso, é negro, é gay, é ativista e vive em uma união estável : Uma pessoa abençoada que não tem prá onde correr!


por marcos romão

Meu amigo P.* ligou-me abismado nesta madrugada:

“Romão, você que é um cara que viveu tanto anos lá fora, me diga se entende o que está acontecendo?  Não posso acreditar que vá presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, uma pessoa fundamentalista, que acha que os negros são amaldiçoados,que pessoas do mesmo sexo não possam se unir, e que além de disso afirma que relações homossexuais levam ao ódio, ao crime e a rejeição. Me diga, Romão, o que que este cara quer fazer lá. Será que ele quer destruir todos os direitos humanos que conquistamos com tanta luta, tantas perdas por assassinatos e tantas perdas de empregos e rejeições?”

direitos-humanos-forbiddenSem resposta pronta, respirei fundo e comecei a lembra-lo dos tempos em que nos conhecemos na década de setenta,  tempos em que ser homossexual era doença, ser negro era ter marca de criminoso e ser religioso era cheirar ópio do povo nas rodas contra a ditadura  em que conviviamos.

As barreiras foram quebradas pouco a pouco, no movimento negro, já não nos viam como “caso”, mas sim como companheiros que lutavam pelos direitos humanos. Na esquerda, ganhamos respeito, quando abrigávamos e protegíamos pessoas  das garras do obscurantismo contra todos os que pensassem diferente. Um negro que ao tempo era “neguinho”, um gay, que na época era veado, e um religioso que na época era perseguido como bruxo do mal, tudo nas mesmas pessoas foram conseguindo respeito nos meios oprimidos.

Lembrei a P. de nossas idas às Baixadas do País, bater boca com polícia e escutar deles, “mas o cara é bandido, só estamos querendo proteger a sociedade”, enquanto rangiam os dentes chateados por terem de parar de dar porrada, já eram os anos 80. sempre que eu chamava P.. ele vinha comigo naquelas missões impossíveis e anônimas para defender os direitos humanos de muita gente, que às vezes, sentiamos nem gostavam de “veado” nem “preto” e terminavam por terem outra visão no calor do convívio na hora do sufoco.

P. e eu sempre tivemos o princípio de gritarmos quando vemos alguém apanhar, de gritarmos sempre que alguém esta sendo violado. Primeiro esta pessoa tem que parar de ser surrada e violada, depois vamos vamos bater papos sobre idéias. Sabemos que não se conversa com pessoas mortas. Lamentavelmente muita gente é morta pelas idéias que as pessoas teem dela.

É o caso deste pastor que defende suas idéias em seu púlpito e que quer agora defender estas idéias fundamentalistas e genocidas na Comissão Oficial de Defesa dos Direitos Humano da Câmara de Deputados.

Lembramos de nossas conversas em 70 e 80 com todos os movimentos sociais e a sociedade, e de como todos nós fomos quebrando preconceitos que tínhamos entre nós (ainda temos muitos mas a conversa e o entendimento progridem). Em especial, nos recordamos de conversas com religiosos, sobre ser humano e religião, esse tema que como futebol provoca tantas paixões e incompreensões.

Confiavam em nós e nos falavam de seus conflitos intimos e de fé.  Sexualidade e raça e gênero era onde mais doía para eles, religiosos que aprendiam a compaixão como princípio, compaixão como significado de apaixonar-se junto pelo ser humano, seu ser, e que  conflitava-se com suas doutrinas, e por isto sofriam discriminaçõess em seus espaços de vivências religiosas. Nós os ajudamos também.

Terminamos sem resposta sobre como isto pode acontecer, um fundamentalista intolerante ocupar uma cadeira discreta de defensor dos direitos humanos, para trasformá-la em púlpito para atacar os mesmos direitos humanos tão duramente conquistados pela sociedade brasileira, direitos mesmo que incipientes e longe da plena cidadania.

Opinei que se o pastor Marcos Feliciano é um cara sincero, e que acredita no que falou em público, por conta desta sinceridade ele mesmo desistirá de ocupar este cargo, por uma questão de fôro íntimo e ninguém o condenará.

Caso não o faça nos dará uma demonstração de que é uma pessoa despreparada e mal intencionada na ocupação deste posto, que exige isenção, compaixão e estar despido dos próprios preconceitos para exercê-lo. Caberá então à sociedade civil fazer todo o póssível para impedir que ele assuma, e defender os direitos humanos de todos que terão seus direitos violados pela presença de uma pessoa inadequada para a posição.

Quanto a mim e meu amigo P. já decidimos o que fazer, caso um de nós dois tenha seus direitos humanos violados no Brasil, encaminharemos o caso diretamente à Comissão de Direitos Humanos da OEA, pois sabemos profissionalmente que não se entrega a ficha de vítimas à pessoas ou estados que não as reconhecam como pessoas humanas com direitos iguais.

*P é uma pessoa que existe e vive em um estado do Brasil em que homossexuais e negros são perseguidos, quando não mortos.( como o espectro dos estados brasileiros onde isto acontece é enorme, ele pode estar em qualquer lugar e realmente não vai ter mais para onde correr).

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ABERTURA DO CARNAVAL DE NITERÓI ABENÇOADA COM ANIVERSÁRIO DE MARCOS ROMÃO, ACOLHIDO PELO BLOCO DE ATIVOS JORNALISTAS “FILHOS DA PAUTA”


Para os desavisados em manhas jornalísticas, informamos que esta matéria é uma barrigada profissional de autopromoção. Se vocês notaram, o título do “fake” começa com um A e está cheio de Ás, pois as máquinhas internáuticas não conseguem “ainda” driblar o alfabeto.

por Marcos Romão, colaborou Fernando Paulino

 

Barca da Cantareira

Barca da Cantareira

“FAÇO SESSENTA ANOS NO SÁBADO DE CARNAVAL, EM NITERÓI, COM O BLOCO DE JORNALISTAS “FILHOS DA PAUTA” HOMENAGEANDO ORLANDO SILVA, O “REPÓRTER DA MULTIDÕES”, NESTE SÁBADO DE CARNAVAL EM PLENA RUA DA CONCEIÇÃO– PAPA-GOIABA DE CAROÇO VERMELHO QUE SOU!”

Subversivos na Rua da Conceição-Niterói

Subversivos na Rua da Conceição-Niterói-romão marcado no círculo

Assim anunciou o sociólogo e jornalista Marcos Romão. em um delírio pré-carnavalesco diante dos estacionamento que já foi o “Bar Natal”, reduto nos setentas e oitentas de subeversivos vindos das Oropas , Campos e São Gonçalos do Mundo.

Retornado de mais de vinte anos de exílio na Alemanha, Romão resolveu rememorar sua juventude nos tradicional carnaval de rua da Conceição, berço segundo renomados historiadores como o finado pescador Ambrósio da Praia das Barcas, do famoso refrão dos 70, “Araruta, araruta, ditadura filha…”, refrão que inspirou o Bloco Filhos da Pauta, que hoje pauta a corrupção no lugar da palavra ditadura.

Barrigadas, para os jovens jornalistas e outros pastores das multidões que estão chegando agora, é o moderno “Fake”, notícia plantada, com fotos de papagaios-de-piratas e notícias estilo, “Prefeito reinaugura o Rio São Francisco”. Ou “acatando o clamor das multidões, governador do RJ, decreta a gravidade como lei estadual”, pois segundo o repórter policial Orlando Silva que estava lá “no momento presente em que o governador assinou a lei revolucionária”: “Tudo que sempre sobe, um dia também desce.”

Jornalista Fernando Paulino no preparo para a Maratona Momesca

Jornalista Fernando Paulino no preparo para a Maratona Momesca

Com o enredo “Orlando Silva, o Repórter das Multidões”, o bloco Pauta Quente, que reúne os jornalistas da cidade e seus amigos, abre neste sábado, dia 9, o desfile oficial do Carnaval de Niterói. A concentração está marcada para as 18h, na Rua José Clemente, e o desfile deverá começar às 20h, na Rua da Conceição, perto da Estação das Barcas, no Centro.
Orlando Silva foi repórter policial de O Dia, Última Hora, O Fluminense, entre outros veículos de comunicação do Estado. Faleceu no ano passado, cego. O samba é de autoria de Serginho do Cavaco, Eduzinho, Jhontan e Jhon. A arte da camiseta é de Adail, contemporâneo de Orlando em vários jornais.

Este ano, a bateria do Pauta Quente terá o reforço das ritmistas do Saias na Folia, bloco de mulheres de Niterói. A camiseta, com direito à cerveja, poderá ser adquirida na concentração, a R$ 15,00.

Fernando Paulino pede a quem tiver guardado na dispensa algum pacotinho de Hidrovita, que traga para Marcos Romão, que seguindo a lei seca, tá cantando o refrão: “SE O ÁLCOOL TE ATROFIA, HIDROVITA TE ALIVIA!

Síndicos do inferno prometem voltar:CQC nas comemorações da ditadura militar.


Em uma reportagem que mostrou os “dois” lados o CQC mostra que ainda se pode fazer jornalismo despretensioso e eficaz no Brasil.

O repórter e comediante Mauricio Meirelles, mostra como se pode lidar corajosamente com um assunto tão sério como a tortura, desaparecidos, nazismo e comissão da verdade, sem se perder a ternura e estupefação da juventude brasileira.  Diante da amnésia política e  dacara de pau dos que querem condenar todas as gerações pós-ditadura ao desconhecimento do que se passou e as familias dos desaparecidos à eterna dor em não saberem onde se encontram os restos mortais de seus entes queridos. MR

Mulher negra desconhecida, vítima de violência de PMs masculinos em pleno centro do Rio, segunda denúncia no Facebook.


Compartilharam com a Mamapress e replicamos para o mundo o texto de Analice Barreto.

Denúncia na hora certa, infelizmente existe ainda a necessidade de se treinar as testemunhas ou as vítimas a perguntarem ou gritarem o seu nome no momento em que sofram vilolências. Como  fazíamos durante a ditadura.

Na denúncia da Analice nao está claro quem chamou a polícia.  Nós da mamapres elogiamos a coragem da Analice e seu namorado, ao trazerem para mundo a notícia dos desmando destes esbirros.

Que o ministério público tome providências e apure os  fatos. Marcos Romao

Negra desconhecida violentada por PM do Rio

DIGNIDADE HUMANA PRA QUÊ?Nessa quinta-feira (19/01/2011) presenciei mais uma das atrocidades da Polícia Militar juntamente com a Guarda Municipal. A mulher, que visivelmente estava sob o efeito de drogas, estava ‘importunando’ algumas pessoas no boteco “SoKana” na Lapa. Ao pedir ajuda dos guardas municipais, a moça que estava no boteco e havia chamado a ‘ força’ se arrependeu logo em seguida pois, eles chamaram um PM que começou a jogar spray de pimenta no rosto da mulher, bater na cara dela – mesmo esta estando imobilizada por nada mais nada menos QUATRO homens. Os seios à mostra não foram o suficiente para eles se tocarem e terem um mínimo de respeito e humanidade. Enquanto a mulher pedia ajuda e se debatia, enfiaram ela à força no carro da PM. Com seu pé ainda do lado de fora, eles começaram a tentar fechar a porta inúmeras vezes. Meu namorado que estava comigo, se expressou APENAS ORALMENTE a seguinte frase “Que isso?! Vão quebrar o pé dela?” . A resposta que ele obteve foi um “Seu viado, vai tomar no cú” dito pelo PM que estava no local seguido de spray de pimenta no rosto. Falei que era necessário chamar polícia FEMININA, e o PM – ignorantemente- tornou a responder: “Isso aqui não é Polícia dos Estados Unidos não, isso aqui é Polícia Brasileira.” Como se depois das barbáries presenciadas nas favelas e na USP, alguém ainda tivesse dúvidas disso. Eu, como mulher, me senti agredida e violentada. Isso não é o retrato apenas das políticas medíocres voltadas pra mulher, ou do machismo algoz que nos atravessa dia após dia. É retrato dessa polícia cada vez mais despreparada para a ação, dessa democracia falida que anda junto com o abuso de autoridade hereditário, dessa apatia que envolvem as milhões de pessoas que continuaram tomando sua cerveja enquanto o fenômeno natural chamado violência acontecia de baixo de seus narizes. Obviamente, ela é Negra e Pobre.

Amor e revolução via Mamaterra


Série da SBT. Conta os tempos da ditadura militar no Brasil.