EX-CAVEIRAS RECÉM LOTADOS NO 41º BPM EXECUTAM DOIS ADOLESCENTES COM TIROS PELAS COSTAS EM ACARI.


Maré à noite

Maré à noite foto Ratão Diniz

por Deley De Acari Vanderley Cunha

Em operação que durou desde as 8h30 da manhã PMs do 41º BPM executaram dois adolescentes pelas costas agora à tarde em Acari( dia 28.12). Sem qualquer chance de defesa. Os dois, até Setembro deste anos eram meus alunos da escolinha de futebol.

A operação contou com a participação de seis ex-caveiras recém transferidos do BOPE para os BPMs de área. Não se sabe ainda quantos caveiras vieram para o 41º BPM acredita-se que pelo menos uns 60.

Na manhã de hoje outra equipe do mesmo BPM também executou 4 jovens dentro de um carro no morro da Pedreira.

Semana passada postei uma texto prevendo que coisas assim começariam acontecer e vão ser cada vez mais frequentes daqui pra frente.

Infelizmente todo equipamento de prevenção e defensa de direitos humanos que eu disponho é um celular sem crédito e 12 Reais para festejar o Ano Novo… agora 10 Reais, já que gastei 2 reais agora para acessar a net na lan hause.

Poeta Deley do Acari

Poeta Deley do Acari

De mais também não preciso, já estou velho demais pra continuar catando pedaços de tripas e de cérebros de meninos que até ontem me chamavam de Tío Deley e vou desistir dessa porra de direitos humanos para favelado e virar poeta-coxinha!

Que todas e todos compas tenham a feliz passagem de ano que Yemanjá sabe que voces merecem.

O meu já vai ser mergulhado em sangue e lagrimas da juventude preta de Acari, para quem eu não sou, mais que um merda de um fracassado de um defensor de direitos humanos favelados!

Feliz reveion pra todas e todos já vou ter um cruel revés pra mim.

Mesmo infeliz, triste e frustrado e com raiva de mim mesmo, fiquem sabendo que amo a todos e todas compas, muitão!

2016 a gente se vê ai na vida!

 

Jornalista e cineasta inglesa detida durante 7 horas por 3 homens da “Lapa Presente”, no caminho de casa


Vik Birbek já em casa pela manhã de 26.04.2015 acompanhada de sua advogada

Vik Birkbek em frente ao anexo da  5aDP, pela manhã de 26.04.2015 acompanhada de amigas solidárias

Rio de Janeiro/Berlim

por Vik Birbek, Ras Adauto e Marcos Romão

Vik Birkbek, jornalista e cineasta inglesa radicada no Brasil há mais de 40 anos. foi detida sem explicações por três homens da operação policial Lapa Presente na noite de 25 de abril, em Santa Teresa, nas escadas em frete a sua moradia.

Levada para uma delegacia, depois de ser revistada, ameaçada de deportação, humilhada e levada para um sala suja para ser revistada nua por uma inspetora, foi salva pelo telefonema providencial de sua amiga Paula Kossatz que logo entrou em contato com grupos de Advogada de Direitos Humanos . O Telefonema fez os policiais refletirem sobre o grau de arbitrariedade que estavam cometendo, quando recuaram da pressão e ameaça à integridade moral e física de da cineasta.

Este é o terceiro caso recente que tomamos conhecimento de ameaças aos jornalistas, fotógrafos e cineastas que cobrem as situações de violações de direitos civis e humanos no Rio de Janeiro, e postam nas redes sociais e na grande imprensa, os resultados de suas investigações.

O jornalista Francisco Chaves, que colabora com várias redes de jornalistas com Coletivo Mariachi  e Radio Mamaterra, foi ameaçado de morte na porta de casa por cobrir a aldeia Maracanã, e o fotógrafo Fabiano Rocha do Extra, foi ameaçado através das redes sociais, por postar nas redes sociais a foto de um soldado do BOPE usando uma peruca Ninja.
Cineasta internacional, Vik Birbek, tem se destacado no últimos tempos, pelas postagens nas redes sociais de suas coberturas de protestos contra os arbítrios cometidos nas zonas de pacificação das Upps. Não só ela, mas vários jornalistas do Rio de Janeiro, tem manifestado a suspeita de estarem sendo monitorados ilegalmente nas redes sociais, tendo seus passos seguidos.

A rede Rádio Mamaterra, recebeu nas últimas horas, manifestações de jornalistas do Brasil e do Mundo.

Destacamos a postagem do jornalista brasileiro, radicado em Berlim, Ras Adauto, que já na década dos 80, atuou com Vik Birbek na promoção da cidadania de negros e minorias registradas pela Cultne, além denúncias das arbitrariedades e racismo durante a ditadura.

A Rede Radio Mamaterra, e o Sos Racismo Brasil, com quem Vik Birkbek colabora, estão preocupadas, com a suas segurança e integridade física e moral

Prisão por Desobediência Civil!

A minha amiga e parceira a cineasta e ativista Vik Birkbeck foi presa ontem à noite no caminho dos Arcos da Lapa, quando descia de sua casa em Santa Tereza. Porque resistiu à abordagem estranha de 3 homens do Lapa Presente e queriam de toda maneira revistá-la. Vejam o que ela conta – Negra Panther.

Vik Birkbeck relata:

5ªDP, resistência nossa de cada dia!

“Desobedecendo” a estupidez de Estado — com Vik Birkbeck, Felipe Coelho, Daniela Fi e Katja Schilirò.

Numa semana em que 5 mulheres foram assassinadas no Rio pelos seus “companheiros” e uma matéria do Dia informou que enquanto a taxa dos homicídios no Rio como todo baixou em 25%, nas áreas dos UPPs – ou seja com guarnição permanente da PM, a taxa de homicídios aumentou em 38%, fui descer a rua debaixo da minha casa as 10 horas da noite e tive o meu caminho barrados por três homens da Lapa Presente. Queriam revistar a minha bolsa. Como estava sozinha, não estava fazendo nada de errado e a rua, já meio escura, bastante deserta, achei excessivo. Disse que só queria fazer isso em presença duma mulher. Quando insistirem sugeri que fossemos a delegacia. Tentarem ainda me convencer, disseram que como estrangeira seria levada a policia federal, podia ser deportada … e eu insisti em ir na delegacia. Seguiu uma longa espera na esquina “para aguardar o transporte”. Na delegacia uma inspetora mandou entregar a bolsa ao policial para revista. Fiz o que pediu. Na bolso tinha um lenço, um molho de chaves e umas moedas. Decepção geral. “Vou revistar a senhora, disse a inspetora, me levando para um pequeno banheiro sujo. Tira a roupa toda.” Nesse momento a Paula Kossatz liga para mim e relato para ela o que está rolando. Ao ouvir eu relatando pelo telefone, a inspetora muda de idéia, diz que não será mais preciso tirar a roupa – só o sapato….. espera o próximo capitulo … em todo durou 7 horas – preciso dormir! Gracias ao imenso carinho e apoio das amigas Paula Kossatz, Katja Schilirò advogada Daniela Fi e Felipe Coelho.

A situação enfrentada por Vik Birkbek, merece uma especial atenção dos jornalistas e ativistas de direitos humanos, pela proximidade temporal e relacionamento dessas arbitrariedades com o trabalho realizados pela imprensa, Vik Birkbek, acabara de postar o vídeo sobre o protestos e homenagem a RIP DG,jovem assassinado na comunidade dos moradores do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo. Neste vídeo, uma moradora lembra que o primeiro morto do processo de “pacificação”, aconteceu justamente no Pavão, Pavãozinho  e Cantagalo, quando o jovem trabalhador André foi assassinado pelas ” Tropas de Pacificação”.

Esta situação merece também especial atenção dos turistas e dos consulados estrangeiros no Rio de Janeiro. Vik gritou e soube reagir. Quantos estrangeiros, são humilhados e ameaçados de deportação, por homens da “Paz na Lapa”, e não sabem a quem dar queixa?

Aqui mostramos o último vídeo postado por Vik Birkbek

Jovens baleados na Palmeirinha são inocentes afirmam familiares e amigos


SOS Racismo Brasil e Rede Rádio Mamaterra apoiam Chaun Chambre, que está baleado e sob custódia da polícia com falsas acusações. Seu colega Alan, foi fuzilado pela polícia em mais um flagrante forjado.
Informações de nossa colaboradora Junia Silva Costa.
Cada vez mais os cidadãos defendem a dignidade e humanidade de seus amigos injustiçados”

 

Guadalupe News

No início madrugada deste sábado, 21 de fevereiro, policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) estiveram na comunidade da Palmeirinha, dominada pela facção Comando Vermelho, em Guadalupe, dois jovens foram baleados, Alan era menor de idade e não resistiu, e, Chauan, 19 anos, foi baleado no peito e encaminhado ao Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes.

Chauan tem 19 anos (Foto: Reprodução/Facebook)

A polícia disse que os jovens foram baleados em confronto e eram suspeitos de participarem do tráfico na comunidade. Porém, familiares e amigos dos jovens afirmam a inocência de ambos, Chauan vendia Mate na praia e Alan era ajudante de pedreiro, no momento que foram baleados pelos policiais estavam conversando no portão com outros dois amigos. Uma moradora da comunidade desabafou: “A polícia inverteu o caso, culpando os meninos que foram baleados. Eles eram inocentes, temos como provar… Estávamos sem luz, e, por isso, na hora do acontecido havia muita criança na rua, e eles estavam na frente da casa deles, eram meninos de bem. Mas, infelizmente, vivemos ameaçados, pois não podemos falar em público, a Record veio aqui e entrevistou parentes do garoto que veio a óbito, mas, infelizmente, não publicaram a entrevista inteira, cortaram partes que acusavam policiais, e na mídia os inocentes saíram como traficantes, e os PMs que fizeram a covardia saíram como mocinhos. Durante a madrugada, cerca de 4h da manhã, eles atiraram em um dos transformadores de energia do poste, em um dos que estavam funcionando, eles jogaram bomba de efeito moral na casa de uma moradora, o cheiro forte fez uma idosa e três crianças menores passarem mal, a mãe pegou as crianças nas mãos e saiu gritando que precisava socorrê-los e ao sair com os filhos os policiais jogaram bomba de efeito moral que chegou a atingi-los. É um absurdo o que fizeram, não é porque moramos em comunidades que somos bandidos, não é porque os meninos são negros que são traficantes. Não somos coniventes com o crime, mas, infelizmente, quem tem que nos proteger nos oprime e ficamos a ver navios. Gostaria muito que a nossa comunidade e os pais do menor morto pelos policiais fossem ouvidos.
É uma dor imensurável que estamos passando nesse momento, perder um inocente por um erro de policiais incompetentes,  vivemos um inferno,e não é a primeira vez que eles fazem isso, eles agrediram as pessoas que queria se aproximar para ajudar os meninos baleados, as cápsulas das armas estão com os moradores, temos como provar que não houve troca de tiros entre PMs e traficantes, os PMs que entraram atirando em morador e fazendo arruaça”.

Chauan é muito querido, seus amigos e familiares estão inconformados (Foto: Reprodução/ Facebook)

Chauan mora em Nova Iguaçu e estava na casa de uma tia na Palmeirinha, é membro da Igreja Batista Nova Filadélfia, está lúcido no Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, porém ainda não foi operado. Uma amiga do jovem publicou em uma rede social: “Tô precisando de alguém que possa ajudar o Chauan foi baleado na porta de casa e está no hospital CARLOS CHAGAS, ainda com a bala alojada no peito ele tá jogado em um canto do hospital sem assistência nenhuma porque tá dado como bandido… Por favor, me ajudem!”

Familiares pedem justiça (Foto: Reprodução/ Facebook)

Um primo de Chauan desabafou: “Meu primo ainda não foi operado porque o hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, diz não ter vaga para opera-lo e também não faz nada por ele…e sendo tratado de forma inferior!!! Está algemado a cama e sem cuidado algum!!! Infelizmente, inocente aqui tem o tratamento que os culpados deveriam ter e não tem e nunca terão pelo visto.”

Ônibus incendiado na Avenida Brasil (Foto: Guadalupe News)

“Não somos a favor do que foi feito na Avenida Brasil, isso não é protesto pra nós da família e amigos”, disse um parente do jovem baleado.
Protesto, vandalismo e fechamento da Avenida Brasil. Veja em http://goo.gl/kAbOFM

Consciência Negra e Polícia Militar: Desafios e Perspectivas.


por marcos romão

Coronel Ibis Pereira e Marcos Romão

Coronel Ibis Pereira e Marcos Romão

Estive lá na Academia de Polícia Militar Dom João VI, nesta sexta feira, 14, do mês da Consciência Negra de 2014.
Palestrei junto com outros ativistas do movimento negro e autoridades, sobre o racismo institucional no Brasil.

Tive a chance de conhecer o atual Comandante da PM Ibis Silva Pereira, um policial formado em filosofia.

A platéia era formada pelos novos oficiais da polícia militar, que irão assumir seus postos em 1° de janeiro de 2015, depois de três anos de formação, na escola em que Coronel Ibis ministrou suas aulas para estes alunos, que ele fez questão de citar, conheceu cada um pessoalmente durante o curso.

O escutei falar para seus alunos, os novos oficiais da PM, que eles haviam aprendido o que era Dignidade Humana que eles terão a obrigação de defender na sua nova profissão de policial. Disse que policial é para defender a dignidade humana e a vida de todos. Que a condição humana da pessoa, continua a existir, mesmo quando ela comete um crime. Que um policial deve ser rigoroso ao prender, mas que sempre respeite a legalidade democrática. Quem não respeita a dignidade humana pode ser tudo, menos um policial.

O Comandante Íbis convidou o Coronel Frederico Caldas, Comandante da Coordenadoria de Polícia Pacificadora e todos os 38 comandantes-gerais das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) para tomarem um “Café Filosófico” com ele, na próxima terça-feira, 18, no QG da corporação no centro da cidade.

É um momento delicado, de rupturas e mudanças nas políticas de segurança do Estado. Coronel Ibis chama seus comandados para conversar informalmente.

Teremos mudanças?

O Globo, através de uma coluna (14.11), já ironiza e chama o encontro de inusitado.

Caso o Coronel Ibis repita para os comandantes, o que falou para seus alunos sobre direitos humanos e dignidade de todos, que a polícia tem que defender. Creio que sim.

Caso se converse e filosofe sobre o silêncio, que a sociedade mantém sobre as mais de 1 milhão de mortes por homicídio que aconteceram no Brasil nestes 26 anos, desde que foi lavrada a Constituição de 1988.

1 milhão de mortes das quais, segundo suas palavras, mais de 70% foram de jovens negros entre 14 e 24 anos.

O Rio de Janeiro poderá ser um exemplo e sinal de que pelo menos a nossa sociedade começou a pensar em estancar o assassinato de nosso futuro, que é a morte de nossos jovens.

Hoje foi um dia em que testemunhei mais de uma centena de jovens oficiais ouvirem que a tarefa principal deles é defenderem a Vida e a Dignidade Humana.

Creio que a sociedade como um todo, só espera isto. Pois tendo dignidade e sendo respeitado o direito à vida que cada um tem, toda a sociedade, inclusive os policiais poderão viver sem medo de seus familiares, amigos e vizinhos.


ceppir militar

Racismo institucional no Procon de Vitória. Até num órgão da Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos?


Walmyr Junior*

Você percebe a perversidade do racismo quando ele, além de oprimir, tenta transportar a denúncia para outro território. Que o racismo se faz presente em todas as esferas da vida pública e privada, não temos dúvida. Mas, é de se alarmar quando um caso ocorre dentro de um órgão da Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos.  Assim, começa o caso explorado pelo artigo de hoje. Lízia De Boni, servidora pública da Prefeitura Municipal de Vitória, sofreu mais uma vez na pele as opressões e as violências que o racismo promove na população negra.

Walmir Junior

Walmir Junior

.  Assim, começa o caso explorado pelo artigo de hoje. Lízia De Boni, servidora pública da Prefeitura Municipal de Vitória, sofreu mais uma vez na pele as opressões e as violências que o racismo promove na população negra.

O que parecia mais um atendimento a munícipes pelo Procon, órgão em que a servidora trabalha, terminou em mais uma reprodução do racismo que a oprime ao longo de 28 anos. Uma denúncia na 4ª Delegacia Policial em Maruípe na tarde de 31/10/2014 foi realizada, conheça a denúncia na íntegra:

“Por volta das 16hs do dia 30/10 chegou ao Procon Municipal de Vitória um senhor alterado por ter chegado após o horário prevista de distribuição de senha. A coordenadora do órgão mostrou a portaria municipal que regulamenta o horário de atendimento, mas fez uma concessão e solicitou a uma funcionária que o atendesse. Durante o atendimento, o munícipe puxou conversa enquanto a funcionária digitava os dados do processo no computador. Ele se referia a um programa de TV sobre o oriente médio e elogiava as feições físicas dos árabes, enquanto manifestava o desejo de que as feições do povo brasileiro “evoluíssem” para um padrão com feições mais europeias. E citando diferentes regiões do Brasil como exemplo, disse que a região sudeste estava já manifestando padrões físicos mais aceitáveis devido imigração italiana. Ele ainda se referiu às redes sociais, que essa semana as pessoas estavam sendo acusadas de xenofobia, racismo e ódio. E que ele DISCORDAVA DA EXISTÊNCIA DO RACISMO. Em dado momento, começou a se referir a um apresentador de um programa de TV da Band. A funcionária continuou o seu trabalho e disse que não assiste TV. O munícipe seguia dizendo que era um absurdo ligar a TV e “dar de cara” com “aquilo”, que era muito feio e se vestia como africano “ o cabelo de tranças horríveis, camisa larga e calça no meio das pernas”. Por fim, manifestou que tinha motivo pra ter medo se cruzasse com “um cara desses” na rua, que depois as pessoas falam que é racismo e ele discorda disso. Ao perceber que o munícipe insistia na conversa, a funcionária interrompeu o atendimento e começaram a discutir sobre o fato.

– Peraí. O senhor vem no meu guichê pra vomitar racismo na minha cara?

– Não é racismo não. Tô te contando um caso acontecido que eu não concordo.

– Senhor, eu estou aqui pra falar de Código de Defesa do Consumidor e não sou obrigada a ouvir os comentários racistas do senhor. Por que o senhor está falando isso comigo? Você está falando que o meu povo é feio, que nosso cabelo é feio e que vcs tem que ter medo da gente na rua?

– Mas é feio mesmo. As pessoas não são obrigadas a ligar a televisão 23h e ver um cara daquele na TV. Até parece que se você tiver passando na rua e encontrasse um sujeito desse, não teria medo.

– O nome disso é racismo e eu não vou tolerar. Se o senhor falar de celular eu atendo, se não eu vou pedir pro senhor se retirar.

O munícipe insistiu por diversas vezes em argumentar com adjetivos contra o apresentador negro, sem ouvir o apelo da funcionária.

– Me desculpe, eu não vou te atender. Se alguém se disponibilizar a atender pode ir. Eu não.  – Vocês vão ter que atender. Está aqui para isso.

– Não senhor, você chegou após o horário de distribuição de senha e está escrito na portaria que eu não sou obrigada. Posso fazer trabalho interno.

A coordenadora chegou e pediu para a atendente se acalmar. A atendente se retirou e quando voltou ao ambiente de trabalho o munícipe conversava com a coordenadora sobre o fato ocorrido, insistindo muito que não era situação de racismo. A atendente voltou para o seu guichê, ao lado onde estava o munícipe.

– Essa daí está aí para servir e tem que me atender. Eu sou da justiça federal. Eu não vou pedir desculpas pelo racismo, mas pelo fato ocorrido. Eu tava contando um caso pra ela.

– Se o senhor tiver que pedir desculpas e falar alguma coisa, tem que falar comigo que fui a atingida. Eu não sou amiga do senhor pra ficar ouvindo caso.

– Eu não vou pedir desculpas pra você, estou falando com ela (a coordenadora). Qual o nome “dessa aí”?  -lizia de boni silva , matricula XXXXX.

Ele anotou. A coordenadora se manifestou, dizendo que não queria “aquele tipo de conversa” ali e que se a atendente quisesse fazer “aquilo”, era “da porta pra fora” ou que resolvesse na justiça.

“Acabou Lízia. Fica quieta. Acabou”.

A coordenadora pediu que ela se retirasse e que o munícipe permanecesse. A atendente não aceitou, falou que continuaria trabalhando e argumentou que estava na SECRETARIA MUNICIPAL DE DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA e a coordenadora por ser advogada tinha conhecimento do que era racismo e se fosse qualquer outro crime cometido ali, já teriam chamado segurança.

O munícipe continuava a argumentar. O tempo todo a coordenadora mandava a funcionária se calar e dizia que conhecia as posições políticas dela, mas que ali “não era lugar”. “Tem como você se calar?” “Já estou calada. Estou indo embora.” A funcionária se sentindo constrangida se retirou e o munícipe permaneceu”.

Espera-se que a Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos de Vitória instale uma comissão para apurar o caso e garanta a integridade de Lízia De Boni, bem como a erradicação de qualquer opressão, seja ela de gênero, orientação sexual, religiosa, de raça dos espaços institucionais, bem como indicam as politicas afirmativas e universais de garantia de vida à população, sobretudo negra. Dizer que a opressão que a servidora sofreu é fruto de qualquer outra situação é uma tentativa de desterritorializar o sistema racista que opera todos os dias e condena negros e negras a condições de vidas indignas e legitimar a violência física e simbólica a que estão submetidos.

 

* Walmyr Júnior é professor. Representante do Coletivo Enegrecer no Conselheiro Nacional de Juventude – CONJUVE. Integra Pastoral da Juventude e a Pastoral Universitária da PUC-Rio. Representou a sociedade civil no encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ.

ue o racismo promove na população negra.

O que parecia mais um atendimento a munícipes pelo Procon, órgão em que a servidora trabalha, terminou em mais uma reprodução do racismo que a oprime ao longo de 28 anos. Uma denúncia na 4ª Delegacia Policial em Maruípe na tarde de 31/10/2014 foi realizada, conheça a denúncia na íntegra:

“Por volta das 16hs do dia 30/11 chegou ao Procon Municipal de Vitória um senhor alterado por ter chegado após o horário prevista de distribuição de senha. A coordenadora do órgão mostrou a portaria municipal que regulamenta o horário de atendimento, mas fez uma concessão e solicitou a uma funcionária que o atendesse. Durante o atendimento, o munícipe puxou conversa enquanto a funcionária digitava os dados do processo no computador. Ele se referia a um programa de TV sobre o oriente médio e elogiava as feições físicas dos árabes, enquanto manifestava o desejo de que as feições do povo brasileiro “evoluíssem” para um padrão com feições mais europeias. E citando diferentes regiões do Brasil como exemplo, disse que a região sudeste estava já manifestando padrões físicos mais aceitáveis devido imigração italiana. Ele ainda se referiu às redes sociais, que essa semana as pessoas estavam sendo acusadas de xenofobia, racismo e ódio. E que ele DISCORDAVA DA EXISTÊNCIA DO RACISMO. Em dado momento, começou a se referir a um apresentador de um programa de TV da Band. A funcionária continuou o seu trabalho e disse que não assiste TV. O munícipe seguia dizendo que era um absurdo ligar a TV e “dar de cara” com “aquilo”, que era muito feio e se vestia como africano “ o cabelo de tranças horríveis, camisa larga e calça no meio das pernas”. Por fim, manifestou que tinha motivo pra ter medo se cruzasse com “um cara desses” na rua, que depois as pessoas falam que é racismo e ele discorda disso. Ao perceber que o munícipe insistia na conversa, a funcionária interrompeu o atendimento e começaram a discutir sobre o fato.

– Peraí. O senhor vem no meu guichê pra vomitar racismo na minha cara?

– Não é racismo não. Tô te contando um caso acontecido que eu não concordo.

– Senhor, eu estou aqui pra falar de Código de Defesa do Consumidor e não sou obrigada a ouvir os comentários racistas do senhor. Por que o senhor está falando isso comigo? Você está falando que o meu povo é feio, que nosso cabelo é feio e que vcs tem que ter medo da gente na rua?

– Mas é feio mesmo. As pessoas não são obrigadas a ligar a televisão 23h e ver um cara daquele na TV. Até parece que se você tiver passando na rua e encontrasse um sujeito desse, não teria medo.

– O nome disso é racismo e eu não vou tolerar. Se o senhor falar de celular eu atendo, se não eu vou pedir pro senhor se retirar.

O munícipe insistiu por diversas vezes em argumentar com adjetivos contra o apresentador negro, sem ouvir o apelo da funcionária.

– Me desculpe, eu não vou te atender. Se alguém se disponibilizar a atender pode ir. Eu não.  – Vocês vão ter que atender. Está aqui para isso.

– Não senhor, você chegou após o horário de distribuição de senha e está escrito na portaria que eu não sou obrigada. Posso fazer trabalho interno.

A coordenadora chegou e pediu para a atendente se acalmar. A atendente se retirou e quando voltou ao ambiente de trabalho o munícipe conversava com a coordenadora sobre o fato ocorrido, insistindo muito que não era situação de racismo. A atendente voltou para o seu guichê, ao lado onde estava o munícipe.

– Essa daí está aí para servir e tem que me atender. Eu sou da justiça federal. Eu não vou pedir desculpas pelo racismo, mas pelo fato ocorrido. Eu tava contando um caso pra ela.

– Se o senhor tiver que pedir desculpas e falar alguma coisa, tem que falar comigo que fui a atingida. Eu não sou amiga do senhor pra ficar ouvindo caso.

– Eu não vou pedir desculpas pra você, estou falando com ela (a coordenadora). Qual o nome “dessa aí”?  -lizia de boni silva , matricula XXXXX.

Ele anotou. A coordenadora se manifestou, dizendo que não queria “aquele tipo de conversa” ali e que se a atendente quisesse fazer “aquilo”, era “da porta pra fora” ou que resolvesse na justiça.

“Acabou Lízia. Fica quieta. Acabou”.

A coordenadora pediu que ela se retirasse e que o munícipe permanecesse. A atendente não aceitou, falou que continuaria trabalhando e argumentou que estava na SECRETARIA MUNICIPAL DE DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA e a coordenadora por ser advogada tinha conhecimento do que era racismo e se fosse qualquer outro crime cometido ali, já teriam chamado segurança.

O munícipe continuava a argumentar. O tempo todo a coordenadora mandava a funcionária se calar e dizia que conhecia as posições políticas dela, mas que ali “não era lugar”. “Tem como você se calar?” “Já estou calada. Estou indo embora.” A funcionária se sentindo constrangida se retirou e o munícipe permaneceu”.

Espera-se que a Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos de Vitória instale uma comissão para apurar o caso e garanta a integridade de Lízia De Boni, bem como a erradicação de qualquer opressão, seja ela de gênero, orientação sexual, religiosa, de raça dos espaços institucionais, bem como indicam as politicas afirmativas e universais de garantia de vida à população, sobretudo negra. Dizer que a opressão que a servidora sofreu é fruto de qualquer outra situação é uma tentativa de desterritorializar o sistema racista que opera todos os dias e condena negros e negras a condições de vidas indignas e legitimar a violência física e simbólica a que estão submetidos.

 

* Walmyr Júnior é professor. Representante do Coletivo Enegrecer no Conselheiro Nacional de Juventude – CONJUVE. Integra Pastoral da Juventude e a Pastoral Universitária da PUC-Rio. Representou a sociedade civil no encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ.

Marina se confundiu. Casamento igualitário para o casamento civil, eis a questão.


Por Jean Willys

Jean Willys

Jean Willys

Disse Marina Silva: “A união civil entre pessoas do mesmo sexo já está assegurada na Justiça por uma decisão do Supremo. Tem muita gente que faz a confusão entre união estável e união civil. A união civil assegura todos os direitos para os casais que têm a união no mesmo sexo. O casamento é estabelecido entre pessoas de sexo diferente. É isso que está assegurado na Constituição, na legislação brasileira, mas os direitos são iguais”.

Ela tem razão em uma coisa: tem muita gente que faz a confusão entre união estável e união civil. Só faltou ela acrescentar: “Eu sou uma dessas pessoas que confunde”.

Vamos ser claros:

1) de acordo com a Constituição Federal, o casamento é civil,

2) não existe nenhum país do mundo em que o movimento LGBT reivindique uma lei para que os casais homossexuais possam se casar na Igreja,

3) quando falamos em “casamento igualitário” nos referimos ao casamento CIVIL, o mesmo que a Constituição menciona,

4) a união estável e o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo já são possíveis em qualquer cartório do Brasil, graças a uma decisão do Conselho Nacional da Justiça, provocada por uma ação do PSOL que foi impulsionada por meu mandato,

5) o projeto de lei de minha autoria, que apresentei junto com a deputada Érika Kokay, propõe garantir esse direito (o casamento civil) por lei do Congresso, para sempre,

6) a “união civil” não existe na legislação brasileira — repito: não existe,

7) a expressão “união civil” é usada no mundo inteiro pelos inimigos dos direitos da população LGBT para tentar rebaixar o direito ao casamento, criando uma instituição paralela, exclusiva para homossexuais, como na época das escolas para brancos e escolas para negros,

8) ser contra o casamento civil igualitário é ser contra os direitos civis dos casais do mesmo sexo, portanto, é ser contra a igualdade e a favor da discriminação.