Proibidão: “O Banquete dos Mendigos” em 1974


Publicado no youtube em 18 de março de 2014
Valeu Ras Adauto, Valeu Vik Birbek por escavarem esta jóia!

O Banquete dos Mendigos é um álbum-duplo gravado ao vivo no dia 10 de dezembro de 1973 no Museu de Arte Moderna do Rio Janeiro em show de comemoração dos 25 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, foi lançado pela RCA.
Em plena ditadura militar artistas se reuniram neste banquete idealizado e dirigido por Jards Macalé. Censurado pela ditadura o álbum só foi liberado em 1979. Em 1974 ele chegou a ser distribuído para divulgação, mas foi proibido antes de chegar às lojas.
Os artistas que se apresentaram foram: Paulinho da Viola, Pedro dos Santos, Jorge Mautner, Edu Lobo, Luiz Gonzaga, Johnny Alf , Raul Seixas , Soma, Chico Buarque e MPB4, Milton Nascimento, Gonzaguinha, Dominguinhos, Gal Costa, Luiz Melodia, Edison Machado.
Mais informações em A história do disco “O Banquete dos Mendigos” na série “O Som do Vinil” de Charles Gavin:http://vimeo.com/42785910

Faixas:
Disco 1:
01. 00:00 Introdução; Artigo 1º da Declaração Universal Dos Direitos Humanos – Ivan Junqueira
02. 00:56 No Pagode Do Vavá (Paulinho da Viola) – Paulinho Da Viola
03. 04:39 Roendo as Unhas (Paulinho da Viola – Paulinho Da Viola
04. 08:14 Percussão; Artigos 2º E 3º – Pedro Dos Santos
05. 13:53 Artigo 5º – Ivan Junqueira
06. 14:34 Samba Dos Animais (Jorge Mautner) – Jorge Mautner & Nelson Jacobina
07. 17:11 Artigos 6º e 8º – Ivan Junqueira
08. 17:45 Pra Dizer Adeus (Edu Lobo & Torquato Neto) – Edu Lobo & Danilo Caymmi
09. 19:41 Artigo 9º – Ivan Junqueira
10. 19:57 Viola Fora De Moda (Edu Lobo & Capinan) – Edu Lobo
11. 22:42 Palavras (Gonzaguinha) – Gonzaguinha
12. 26:06 Artigos 11º e 12º – Ivan Junqueira
13. 26:41 Eu E a Brisa (Johnny Alf) – Johnny Alf
14. 30:01 Artigos 13º e 14º – Ivan Junqueira

Disco 2:
15. 30:29 Ilusão à Toa (Johnny Alf) – Johnny Alf
16. 32:34 Cachorro Urubu (Paulo Coelho & Raul Seixas) – Raul Seixas
17. 35:16 Artigo 18º – Ivan Junqueira
18. 35:44 P.F. (Shields & Bruce) – Grupo Soma
19. 39:42 Artigo 19º – Ivan Junqueira
20. 40:09 Nanã Das Águas (Geraldo Carneiro & João Donato) – Edson Machado ; Art. 20º E 21º
21. 45:57 Pesadelo (Maurício Tapajós & Paulo César Pinheiro) / Quando O Carnaval Chegar (Chico Buarque) / Bom Conselho (Chico Buarque) – MPB4 & Chico Buarque
22. 51:22 Jorge Maravilha (Chico Buarque) – MPB4 & Chico Buarque
23. 52:31 Abundantemente Morte (Luiz Melodia) – Luiz Melodia
24. 59:08 Artigo 23º a – Ivan Junqueira
25. 59:19 Cais (Milton Nascimento & Ronaldo Bastos) – Milton Nascimento & Toninho Horta
26. 01:01:50 Artigo 23º b – Ivan Junqueira
27. 01:01:56 A Felicidade (Vinicius de Moraes & Tom Jobim) – Milton Nascimento
28. 01:04:57 Anjo Exterminado (Jards Macalé & Waly Salomão) – Jards Macalé
29. 01:07:46 Rua Real Grandeza (Jards Macalé & Waly Salomão) – Jards Macalé; Art. 23º c
30. 01:10:21 Asa Branca (Humberto Teixeira & Luiz Gonzaga) – Dominguinhos
31. 01:13:00 Lamento Sertanejo (Dominguinhos & Gilberto Gil) – Dominguinhos
32. 01:16:45 Artigo 30º – Ivan Junqueira
33. 01:17:16 Oração De Mãe Menininha (Dorival Caymmi) – Gal Costa

Assassinos neonazistas de negro idoso em rua de Rio Claro, vão a Júri Popular


Rio Claro/SP – Hélcio Alves Carvalho e Axel Leonardo Ramos (foto abaixo ao serem presos), os dois acusados pela morte do guardador de carros Benedito Santana de Oliveira, de Rio Claro, interior de S. Paulo, irão à juri popular nesta terça-feira (28/04) por homicídio triplamente qualificado e podem pegar de 12 a 30 anos de prisão. O julgamento começa a partir das 9h30 no Fórum da cidade e deve se estender até pelo menos quarta-feira, quando será anunciada a sentença.

O caso aconteceu há dois anos, na madrugada de 06 de abril de 2013, quando os assassinos – que, segundo a suspeita da Polícia pertenceriam a uma célula neonazista da cidade de Ponta Grossa, no Paraná – atacaram e o idoso. “Seo” Benedito fazia bicos como guardador de carros para ajudar no orçamento de casa. Depois de permenecer por algum tempo internado na Santa Casa de Rio Claro, ele, à época com 71 anos, acabou morrendo por causa dos socos, chutes e ponta-pés, boa parte dos quais na cabeça.

Silvio Santana, um dos filhos, disse àAfropress por telefone, que a família estará presente ao julgamento. Desde o crime, os acusados estão presos na Penitenciária de Itirapina, cidade próxima a Rio Claro.

Manifestação

O Conselho Municipal da Comunidade Negra da cidade está convocando a população para uma concentração a partir das 9h, na praça da Liberdade, em frente ao Fórum, para acompanhar o julgamento. “Basta de racismo! Que seja feita Justiça”, diz o texto da convocação.

Segundo Kizie de Paula Aguiar, gestora de políticas públicas da Prefeitura, é esperada uma grande quantidade de pessoas na manifestação porque o crime – pela crueldade e pela covardia dos assassinos – provocou a revolta da população.

O idoso era casado com Maria Aparecida Zequeu, de 74 anos e deixou 5 filhos – dois homens e três mulheres. Segundo Silvio, a família espera Justiça. “Queremos Justiça e esperamos que os assassinos do meu pai recebam pena máxima”, afirmou.

Segundo Francisco Quintino, presidente do Instituto pela Igualdade Racial (Inspir), que no ano passado, que participou de manifestações de protesto contra as agressões ao aposentado, o julgamento é um marco.

“Considero um marco no combate à discriminação racial, considerando que é em consequência da mobilização e engajamento das diversas forças e entidades do movimento negro e negros e negras que saíram às ruas exigindo Justiça. E a sociedade, por sua vez, segue com enormes dificuldades de superação das desigualdades relegando aos afrodescendentes o papel de coadjuvante, sem vontade política de reconhecer os erros e corrigir as injustiças históricas”, afirmou.

Para a professora Elisa Lucas Rodrigues, da Coordenação de Políticas para as Populações Negra e Indígena da Secretaria da Justiça, o caso do idoso é emblemático de que a sociedade não pode permitir a impunidade. “Estamos muito esperançosos em que a Justiça seja feita exemplarmente”, afirmou.

” Ocupa Alemão”, comunidade no Facebook, pega José Junior pelo pezão na WEB 4.0


por Marcos Romão

A troca de informações está cada vez mais rápida na internet. Vacilar não dá para quem bota a cara e diz sua opinião de supetão e no calor da emoção. Pode se trair e revelar o mais íntimo dos pensamentos. Isto é internet 4.0, que o Steve Job deve tá maquinando de algum lugar.

A morte do menino de 10 anos baleado por policiais no Morro Favela do Alemão, causou comoção em todo o país, e colocou em xeque toda a política de segurança de Estado executada pelas UPPs.

No meio de protestos gerais contra os desmandos e falta de preparo dos policiais, surgiram vozes defendendo a ação da polícia na morte do menino Eduardo, recém chegado com sua família do Piauí e que ao brincar teria sido confundido com um bandido.

José Junior, fundador do Afroreggae colocou em seu perfil a foto do menino Eduardo, acompanhada do seguinte comentário:

Esse menino segundo informações  era bandido. Provavelmente se fosse bandido poderia ter matado um policial se tivesse oportunidade. A questão é quem esta ganhando com essa guerra ? Familias inteiras sendo dilaceradas. Parte do efetivo do Complexo do Alemão e de outras favelas tem como mão de obra meninos e meninas. 

Chefes de familia, policiais , turistas, trabalhadores, estudantes sendo abatidos como caça. De quem é a culpa ? Qual alternativa ? O que tem que ser feito ?

Seria bom pensarmos que em algum momento essa violência pode bater na porta da sua casa ou no vidro do seu carro e quem sabe entrar dentro do onibus que voc pega diariamente. 

Acredito muito q se existir uma solução será de um pensamento e ação coletiva.

Soube agora q ele tinha 10 anos. Inaceitavel essa morte !”

O grupo comunitário do Facebook ” Ocupa Alemão” que vem se destacando na defesa dos moradores das favelas contra a violência policial, “printou” prontamente, o dito do José Junior e o espalhou na rede.

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Postagem de José Junior “printada”, acompanhada de comentário do “Ocupa Alemão”. Rosto do Eduardo coberto a pedido dos leitores

Ao receber este material postado pelo José Junior com o texto pouco feliz sobre o menino Eduardo, que fez o pessoal do “Ocupa Alemão”, compará-lo ao já conhecido Bolsonaro, escrevi perguntando sobre a veracidade daquela postagem nociva.
Pergunta: Fui lá no perfil do Jose Junior e vi que a última postagem foi 19 de março. Quando foi que ele postou esta excrecência? Poderiam confirmar?

Ocupa Alemão: “Falou, sim, só que editou… rsrsrsr”

menino-errado-1

Resposta do “Ocupa Alemão” rosto coberto a pedidos de nossos leitores

Aturdido respondi ao repórter de plantão:

Pois é “Sinceridade Poderzão”( nome artístico do repórter); É o horror dos horrores, quando até o serviço secreto de sei lá quem, informa o nobre José Junior “errado”, assim não dá para confiar mais em ninguém rs rs rs:

Para confirmar fui no link editado do José Junior e pude ver que a defesa da morte continuava lá, só havia acrescentado que a informação de que o garoto era bandido estava errada.

Errata pior que o soneto. Rosto de eduardo coberto a pedidos dos leitores

Errata pior que o soneto de José Júnior
Rosto de eduardo coberto a pedidos dos leitores

A EMENDA FICOU PIOR QUE O SONETO. O Jose Junior tá muito mal na web 4.0….precisa fazer um estágio na inteligência dos caras.

Num só dia,15 mil pessoas na Mamapress contra racismo no Facebook


Página "Eu não mereço mulher preta"

Página “Eu não mereço mulher preta”

por marcos romão

Mamapress.org é um blog da Rede Radio Mamaterra.
Somos antirracistas e participamos de uma rede mundial de brasileiros e amigos do Brasil.
O Brasil era uma Ilha de ignorância Internacional até a queda do Muro de Berlim que dividia o mundo em dois blocos de falácia até 1989.
Na área de informações e produção de cultura acadêmica e jornalística éramos dominados no Brasil por doutores especializados em lígua javanesa.
O Brasil “sociológico” era todo explicado através dos canônes europeus neocolonizados. Só se escrevia sobre a pespectiva do andar de cima. Embaixo eram masssas, povo amorfo e sem cor no balde branco da ilusão dos frustrados em não alcançarem a intelectualidade da Europa.
Nos vendiam ilusões à esquerda e à direita ao formularem  teorias da existência de Brasil branco, masculino e desenvolvimentista numa direção, em que o “resto” ou adaptava-se, assimilava-se ou morria.
Saber javanês é uma alegoria sobre a intelectualidade brasileira, feita por Lima Barreto em seu conto, “O Homem que sabia javanês”.
Um intelectual frustrado e desempregado lê um anúncio no jornal em que se procura um professor de javanês. Apresenta-se ao emprego, não sem antes passar pelo Arquivo Nacional e pesquisar um pouco sobre a língua de Java, para ter um início de conversa com o aluno doutor Manuel Feliciano Soares Albernaz, Barão de Jacuecanga
Com bons contatos no palácio, o Barão de Jacuecanga, tratou de apresentar a sumidade a diplomatas e ao presidente, fazendo do intelectual desempregado um herói nacional, com o cargo de Consul em Havana e por uma falha burocrática especialista em Tupi-Guarani em congressos internacionais nas Oropas, Franças e Bahias.
Hoje em dia qualquer garota ou garoto com um smartphone nos dedos, vira de um dia para o outro, Doutor em Linguagem Java, bastando saber copiar e colar em PDF, a linguagem universal embutida nas trocas de conhecimento nas redes sociais.

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Bom de tudo isto é que centenas de livros copidescados pelos nossos intelectuais mestres em javanês, podem ser hoje checados com uma pequena guglada. De jeito que muito intelectual de algibeira ficou mudo e não nos atrapalham mais com suas traduções malfeitas do que corre pelo mundo e insistência em nos chamar de “morenos”.
Muita besteira rola, está mais que claro, mas o besteirol rola de foma mais democrática e debaixo para cima também.
Por isso estamos aí nas redes sociais, onde tudo que vem, volta à cavalo, e mesmo com hoax, boatos, e mentiras deslavadas dos donos do mundo, a verdade acaba aparecendo e nem KGB, Cia,Mossad, Abin e congêneres escapam do olhar certeiro de hackeiros de ocasião que pululam na internet.
Cidadania e dignidade está virando moda. Isto é muito bom;
Mulheres com véus do Afeganistão se juntam a mulheres sem véus nas favelas do Brasil para combaterem o racismo, o sexismo e a morte de seus filhos por forças repressoras.
Indios brasileiros sentam-se juntos com ciganos suiços, negros alemães e cooptas egípcios para exigirem reparação pelo trabalho escravo e perseguições que sofreram pelo poder comecial europeu espalhado pelo mundo e com suas cabeças de ponte nos governos locais.
Minha vizinha descobre que não deve mais apanhar do seu marido nem ser estuprada, ao ler na rede que uma mulher se revoltou na Índia e castrou seu algoz.
Cada um pode virar um cada um com palavra e opinião.
Está confuso, isto está, mas tem mais gente podendo expressar o que pensa, e o século XXI  inaugura-se a era dos “sem pai nem mãe”, estado e regimes autoritários e manipuladores de opinião.
A cobra tá fumando e até o poderoso Facebook descobre que rede social é bumerangue e que o poder além de não ser eterno. só funciona com a aquiescência do cliente cidadão.
No Brasil cidadania?
Ah, sim, cidadania no Brasil, como é que fica?
Aqui a rede de dominação e alienação de nós todos começa com o poder das milícias em cada esquina. Máquina montada na ditadura e aperfeiçoada devido à nossa omissão politica-cidadã desde 1989, é mais visível quanto mais nos aproximamos dos bairros periféricos e pobres. É uma máquina que tem poder sobre a vida e morte de cada cidadão.
Numa escala de 12 a 0 em que a chance de vida se apresenta decrescente, se observarmos do centro para a periferia, a única chance de sobrevida para os habitantes das periferia “zero de chances”, está nas redes sociais, que por coincidência esquerda e direita no Brasil buscam cada vez assumir o controle e permitem que se tornem cada vez mais caras em seus bits transmitidos por meia dúzia de operadoras cartelizadas.
Pisar no pé de um cidadão me Ipanema, ganha assim mais repercussão que 12 assassinatos por forças policiais nas Cabulas Periféricas de nosso país.
No Brasil é mais perigoso falar do que acontece na nossa esquina do que do sexo dos anjos no Pentágono.
A Mamapress, e a Rede Mamaterra, só existe porque existe rede, só existe porque existem milhões de cidadãos que não dão o braço a torcer pelo mundo afora.
Não somos ninguém, somos todos os que se indignam. Por isso somos.
É incrível como lutar pela sua própria humanidade seja a atitude mais antiegoísta e antiegocêntrica que conhecemos.
Quem conquista sua humanidade, se oprime o outro, perde esta humanidade. Coisa mais simples, né? Humanidade só cresce e existe quando se compartilha.
Para isto estamos no mundo, apesar de terem poderosos que assim não acham.
Que bom que muito mais gente já está aprendendo a falar javanês;

O homem_que_sabia_javanês_e_outros_contos

Deu na Afropress: Desconstruindo Marina


Desonstruindo Marina.

por Dojival Vieira

Dojival Vieira Jornalista,advogado, ativista do Movimento Negro

Dojival Vieira
Jornalista,advogado, ativista do Movimento Negro

Não estou vinculado a nenhuma campanha. Também não tenho vínculos com quaisquer partidos. Mas, é de indignar observar a tentativa de desconstrução da candidata Marina Silva (PSB/REDE), após se tornar candidata oficial à Presidência, no lugar do ex-governador Eduardo Campos, morto no trágico acidente aéreo em Santos.

Bastou que as pesquisas de opinião a colocassem novamente no páreo e logo começou o tiroteio por meio das redes sociais, onde não faltam as bem treinadas – e, em alguns casos, pagas – línguas de aluguel.

Na verdade a ação nefasta começou já no velório do ex-governador pernambucano, em Recife, que reuniu milhares de pessoas (as estimativas variam entre 130 e 160 mil) no Palácio do Campo das Princesas e terminou no Cemitério de Santo Amaro. Marina teria tido comportamento leviano ao aceitar posar para selfies diante do caixão na companhia da viúva Renata Campos e filhos.

Completo absurdo porque o comportamento da ex-senadora, e agora candidata, como é sabido, é naturalmente discreto em qualquer circunstância. No velório, manteve-se o tempo inteiro sentada numa cadeira na segunda fileira, atrás da família do morto.

Se a cerimônia adquiriu tons de ato político, esse foi dado pela viúva e filhos, o que também não é nada de estranhar, tendo em vista as circunstâncias trágicas da morte do ex-governador, em pleno auge de sua vida política e no começo de uma campanha eleitoral em que se apresentava junto com Marina – sua vice – como alternativa à velha política.

Também não custa lembrar ser Campos neto do ex-governador Miguel Arraes, levado preso do mesmo Palácio em que se realizou o velório durante o golpe militar e exilado durante anos na Argélia. O recado da viúva e dos filhos seria esse mesmo e a maior homenagem que poderiam prestar seria a demonstração perante as milhares de pessoas que se reuniram no domingo de que o legado da família Arraes continuará tendo o protagonismo que sempre teve na política pernambucana e brasileira.

Aliás, ao contrário: louve-se a firmeza dos adolescentes filhos de Campos, crianças ainda, e da viúva que, marcados pela profunda dor e tristeza da tragédia, sepultaram o morto – ou o que sobrou do seu corpo, pulverizado na explosão do choque da aeronave – sob palavras de ordem “Campos, guerreiro do povo brasileiro!”.

Mas, o que mais chama a atenção na tentativa de desconstrução política de Marina – a candidata que agora ameaça o projeto lulodilmista de poder, e a pretensão tucana de encerrar o ciclo de 12 anos de governos do PT -, é a participação de lideranças negras no papel de massa de manobra dessa batalha.

Alguns, afoitos, a chamam de “racista”, epíteto que passa a ser um xingamento na boca de alguns, muito provavelmente pela ausência de argumentos para dar combate aos verdadeiros racistas camuflados sob o mito da democracia racial brasileira. Outros, ressuscitaram artigo da filósofa Sueli Carneiro, em que, de forma infeliz, Marina saiu em defesa do deputado Marco Feliciano que, segundo ela, estaria sendo atacado por ser “evangélico e não por suas posições políticas equivocadas”.

A mesma filósofa, em entrevista para José Arbex, da Revista Caros Amigos,  manifestou-se assim em fevereiro de 2.000, sobre o fato do então prefeito Celso Pitta, à época acusado de corrupção na Prefeitura, usar como álibi “estar sendo perseguido por ser negro”: “Não me consta que o Pitta não tenha consciência de sua condição de negro. Não se tem notícia dele como ativista. (…) Somos seres humanos como os demais, com diversas visões políticas e ideológicas. Eu, por exemplo, entre esquerda e direita, continuo sendo preta” (“Caros Amigos” n° 35, fevereiro de 2000).

A frase, à época, soou como uma defesa enviesada do ex-prefeito malufista, ainda que possa não ter sido essa a intenção da filósofa, e ainda hoje é repetida como um mantra por quem, de forma acrítica, acha correto em pleno capitalismo, transformar as contradições de classe numa questão biológica – vale dizer: ser ou não ser negro – e não política e ideológica. Sem levar em conta o extremo conservadorismo que é reduzir a luta política numa sociedade de classes à esfera da biologia, trata-se de um evidente equívoco, como se vê.

Também no caso da defesa de Marco Feliciano (a entrevista é do ano passado, e estar sendo convenientemente requentada) a ex-senadora, teve uma posição corporativa do campo religioso em que se situa, tese tão conservadora, quanto a que pretende ignorar que a luta política e ideológica não está subordinada à raça, qualquer que seja.

Os ataques a agora candidata do PSB por ser evangélica e ter, em determinados temas, posições conservadoras é parte da campanha de desconstrução da sua imagem pública e tem um único objetivo: a erosão de sua densidade eleitoral, que é suficiente para fazê-la chegar ao Planalto, conforme demonstrou a pesquisa Datafolha em que aparece com 21% das intenções de voto, ainda que a campanha esteja apenas começando.

Marina, tanto quanto Lula, independente da fé que processa, tem uma história e um perfil que se identificam com a maioria do povo brasileiro. Seringueira pobre, se alfabetizou aos 15 anos de idade e foi companheira de Chico Mendes assassinado pelo latifúndio nos seringais do Acre. Tornou-se uma referência não só brasileira, mas em todo o mundo, da luta pela preservação e pela defesa da sustentabilidade. Foi durante anos Ministra do Meio Ambiente do primeiro Governo Lula, de onde saiu por conta própria, sem jamais ter merecido qualquer reparo dos que agora a atacam.

Passou a ter mais defeitos – do que os que efetivamente tem – depois que teve a ousadia de se afastar do Governo para ser candidata a Presidência, primeiro pelo PV – obtendo quase 20 milhões de votos, nas eleições de 2.010.

É negra, ainda que jamais tenha estado na linha de frente na luta antirracista, nem assumido protagonismo na defesa desse tema. Como defensora de teses ambientalistas e da sustentabilidade – a ponto de se chocar com os poderosos interesses do agronegócio – é impossível, que seja indiferente à chaga do racismo, essa patologia social que se constitui em elemento estruturante da desigualdade social brasileira, que tanto nos envergonha.

Pretender sua desconstrução, apenas por ser evangélica, é um ato de intolerância religiosa, tão condenável quanto os que são sofridos por Pais e Mães de Santo das religiões de matriz africana, vítimas cotidianas de perseguições que condenamos.

Ou é o mero propósito das línguas de aluguel em ação, próprias e ou terceirizadas, a serviço de interesses outros que não ousam dizer o nome. Quem condena a intolerância com os nossos, não pode ser intolerante com os outros.

 

 

“Este artigo reflete as opiniões do autor e não do veículo. A Mamapress e a Afropress não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso da informações contidas no artigo.”

O cinegrafista Santiago Ilídio Andrade é a vítima em coma. Merece respeito e solidaridade profissional


por Daniel Cruz

Sou Repórter fotográfico há 17 anos, já trabalhei na maiores e menores redações do Rio de Janeiro, e como o fotojornalismo hoje em dia tem essas agências vendendo imagens por R$1,99, eu saí fora há mais de 7 anos e estou no mercado corporativo.
Temos um canal que se Chama Coletivo Mariachi, quem é jornalista e é do ramo sabe, somos todos Jornalistas, Repórteres Fotográficos, Cineastas e temos um Astrofísico também .
Sempre tivemos o compromisso com a verdade, hoje foi um dia que eu resolvi não ficar mais calado perante tantas besteiras que eu escutei das mídias alternativas.

Foto Coletivo Mariachi

Foto internet

Vocês vão me desculpar, mas estou muito triste com o que vem sendo falado relacionado ao Santiago Ilídio Andrade (Cinegrafista meu amigo atingido por um tiro de morteiro)
Acho que primeiro tem que apurar os fatos e não sair por ai falando um monte de besteira sem rumo.

Ele neste momento esta correndo risco de perder a vida e deixar sua esposa e sua filha. Está no Souza Aguiar com 2 drenos para diminuir a pressão celebral e está em coma.

Pode ser P2, Black Bloc, infiltrado partidário, iniciante em manifestação.
Mas o que mais me deixa perplexo também é uma emissora como a Bandeirantes que foi a primeira que teve a sua Repórter ferida em conflito por arma de fogo no Santa Marta há anos atrás e depois veio também o caso do Gelson Domingos que morreu na favela de Antares segue o vídeo do momento da morte dele.

Como mandam o cinegrafista para a rua sem nenhum equipamento de proteção?! Sabendo os riscos que o profissional passa perante esses distúrbios.
Fica aqui a minha indignação.

A morte é uma curva no meio do caminho; Morrer é só não ser visto. Da linha de vida de José dos Santos Oliveira


por marcos romão

Comunico com pesar a morte do militante Jose Dos Santos Oliveira.

O enterro será no  Cemitério do Caju – CAPELA F . do dia 6 de fevereiro de 2014, às 13 horas.

Recebemos esta mensagem de vários amigos, Paulo Roberto(Diop) dos Santos, Tito, Ana Carolina, Jota Antunes e tantos mais.

José Santos Oliveira era uma unanimidade pois tinha amigos por todos os cantos.

Desescalação e diálogo eram seu motes de vida. Vai fazer falta esta voz da paz em nosso país.

Com fotos de seu perfil no Facebook, traçamos uma linha do tempo, em que o poema de Fernando Pessoa sobre a morte, José dos Santos Oliveira colocou em destaque antes de morrer.

A morte é uma curva no meio do caminho; Morrer é só não ser visto.