Caso Mirian França&Gaia Molinari: Polícia tenta montar quebra-cabeças


Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur) continua as buscas por provas que possam definir o autor do crime

Emerson Rodrigues/Melquíades Júnior/Thatiany Nascimento
Editor de Polícia/Repórteres

reblogado do Diário do Nordeste 26.02.2015

Em dois meses de investigação, pelo menos sete pessoas, entre brasileiros e estrangeiros, foram questionadas pelo possível envolvimento com Gaia Bárbara Molinari, inclusive na sua morte. A Polícia tem a missão de desvendar o que se passou ao redor da italiana entre os dias 21 e 24 de dezembro.

Embora frequentes, as festas em Jericoacoara estavam envoltas em período especial, pois era Natal. Na noite de 24 de dezembro, bares e restaurantes fecharam mais cedo. Quem não ficasse em casa poderia ir para as festas divulgadas no “boca a boca”. Onde estava Gaia na noite de Natal? Ou melhor, entre 18h30 e 0h? Para onde foi no início da noite? Com quem, desde que foi vista saindo da borda da piscina da pousada?

A Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur), responsável pela investigação do caso, colheu amostras de DNA de ao menos seis pessoas. A intenção é saber quem poderia ter participado da autoria material do crime e encontrar uma combinação positiva para amostras colhidas no corpo e em objetos encontrados próximo a Gaia.

Quebra-cabeças foto diário do nordeste

Quebra-cabeças
foto diário do nordeste

A reportagem apurou que pelo menos cinco resultados negativos já foram confirmados, entre eles, Mirian e Edinho. Mas isso não descarta a eventual participação no assassinato. Isso porque surgiram novas peças coletadas e exames de DNA e de perícia técnica em objetos tanto de Gaia quanto dos suspeitos. A investigação continua.

Desde o dia 27 de dezembro, da primeira visita de policiais civis da Especializada, várias incursões têm sido realizadas na vila de Jericoacoara. As idas e vindas são medidas a cada nova informação que chega, especialmente se corrobora com as duas linhas de investigação seguidas pela Polícia. A primeira, de crime passional, e a segunda, que permanece em sigilo.

Na noite de 25 dezembro, o subtenente Rodrigues, do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur) de Jericoacoara, afirma à reportagem a existência de um “forte suspeito”. No dia 26 de dezembro, a carioca Mirian França é ouvida como testemunha na Deprotur em Fortaleza, após ser localizada em Canoa Quebrada no dia anterior. Ela tinha viajado para Jeri com a vítima Gaia Molinari. Ambas se conhecem em Fortaleza e decidem ir juntas. Ficam no mesmo quarto da pousada.

O registro da hospedagem estava no nome de Mirian, e foi o número de celular o ponto de partida para sua localização. Ela relata os dias vividos com Gaia e direciona o seu primeiro depoimento para um italiano instrutor de windsurf. Após o depoimento da farmacêutica Mirian, a delegada Patrícia Bezerra recebe uma ligação do coronel Júlio Aquino, chefe do Comando de Policiamento do Interior (CPI) Norte. Ele está com um suspeito. Era Edson Veríssimo, o Edinho, o “forte suspeito” apontado por populares e pelo BPTur já horas após a descoberta do corpo.

Edinho, de 28 anos, havia assassinado a faca outro rapaz anos atrás. Segundo a família, tem transtornos mentais, advindos desde as primeiras overdoses com entorpecentes.

No dia 27 à noite, a delegada liga para Mirian dizendo que precisa que vá com ela até Jericoacoara, onde as equipes já estavam colhendo informações. Um dia depois, ainda na Vila, o italiano é ouvido pela Polícia, nega envolvimento com a morte de Gaia e aponta fundamentações, confirmadas por testemunhas, de que não estava com ela. No mesmo dia 28, Valentina Carrara, mãe de Gaia, presta depoimento à Polícia da província de Piacenza, na Itália.

Conta sobre os diálogos que teve com a filha, via Skype, quando ela estava em Jericoacoara na companhia de Mirian. “É estranho presentear com este tipo de passeio de férias, que tem alto custo para quem conhecia a pouquíssimo tempo”, afirma, referindo-se ao convite feito por Mirian para que Gaia a acompanhasse na viagem já custeada pela carioca.

Diante das contradições e outros elementos apontados pela Polícia após acareação com o italiano, Mirian tem a prisão temporária decretada pela Justiça. Nos dias que se seguem, a Polícia colhe depoimentos de um casal de estrangeiros, uruguaio e francesa; um homem apontado como traficante; um kitesurfista, além de outras pessoas que tiveram algum tipo de contato com as duas turistas. O quebra-cabeça está com as peças na mesa.

Novas diligências em Jericoacoara

Dezenas de pessoas ouvidas, cerca de 15 laudos periciais ainda a serem entregues, mais de 500 páginas compondo um inquérito, ainda em curso forma, em dois meses, intrincada teia de investigação da morte da italiana Gaia Molinari. O crime teve repercussão internacional. Nas redes sociais, a prisão de Mirian, a única realizada até agora, é alvo de críticas por parte de movimentos sociais. Nessa tese, seria uma mulher, negra, sendo acusada injustamente. Para a Polícia, é uma suspeita, com evidências para fundamentar a prisão. A Defensoria Pública contesta: as investigações estariam explorando a personalidade de Mirian em detrimento das questões centrais que envolvem o crime de morte. Outros detalhes do caso permanecem sob sigilo.

Novas diligências são feitas. Desde ontem, uma nova incursão da equipe de investigadores, chefiados pela delegada Patrícia Bezerra, segue na Vila de Jericoacoara. Busca elementos e novos testemunhos que deem mais fundamento às linhas de investigação traçadas.

A Polícia tem convicção, em indícios já revelados e em outros ainda sigilosos, de que está no caminho certo, mas sem mensurar tempo e hora de chegada. A Defensoria Pública, por sua vez, diz estar convicta de que não há envolvimento de Mirian França, os elementos apresentados seriam frágeis. A farmacêutica voltou para o Rio de Janeiro no dia 14 de fevereiro, cerca de um mês depois de sair da Cadeia e ser liberada do compromisso firmado com a Justiça de permanecer em solo cearense.

Indiciamento

De acordo com a Polícia, não está descartada a possibilidade de indiciamento não somente pelo assassinato como por outros crimes. O mesmo vale para os outros suspeitos. Enquanto não é resolvido o mistério, o que a lupa investigativa da Polícia tem de mais evidente ainda é a imagem de um corpo inerte nas dunas do Serrote, uma área isolada, mas que faz caminho da Vila até a Pedra Furada. É onde se tem o principal cartão-postal do “paraíso” de Jeri.

A região, formada por rochas e dunas, trilha para o turista, é agora lembrada pelo que ficou no caminho. Uma mulher sem vida, com marcas de violência, descalça, de biquini e com uma mochila. Nela, uma canga, cópia do passaporte, garrafa de água, pote com búzios, fone de ouvido. Sem indícios de furto ou estupro, ainda faltam as peças que respondam: quem matou Gaia?

nota-da-mamapress

 

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