Diretora do Centro Gênesis visita Rádio Mamaterra e inicia parceria


Convidada para comer um peixinho assado ao molho de orégano e limão, e como sobremesa um delicioso bolo Ayuveda de Banana, esteve hoje na Radio Mamaterra a diretora do Centro Gênesis Drª Lourdes Brazil.

Conversou sobre o projeto de Educação para a Sustentabilidade, desenvolvido a partir do Centro Gênesis em São Gonçalo desde 2009, que oferece cursos, palestras e oficinas para escolas, empresas, instituições religiosas e universidades, visando a construção de sociedades sustentáveis, de forma ampliada e progressiva.

O Centro Gênesis e a Rádio Mamaterra entraram num acordo de troca e compartilhamento de conhecimentos nas suas respectivas áreas.

A rádio Mamaterra oferecerá ações na área de comunicação e divulgação além de sua moderadora alemã oferecer cursos de Yoga e saúde para a vida e o Centro Gênesis colocará  à disposição seus espaços para encontros e oferecerá capacitação online em Educação para Sustentabilidade.

O maravilhoso ambiente de floresta remanescente de Mata Atlântica, está aberto para visitas individuais e grupos.

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Drª Lourdes Brazil, vai estar na próxima segunda-feira na TV DA RUA, nova atração da Rádio Mamaterra, que vai ao ar toda segunda-feira das 19:oo às 21:00 horas, no link TV Mamaterra, em gravação direta do Bar do Renato da Cantareira, na Praça São Domingos, no Gragoatá, na cidade sorriso de Niterói.

Cotas são uma conquista do povo brasileiro


Por Marcos Romão

romao-neutroÉ preciso que fique claro, que as cotas atuais são antes de mais nada uma conquista das mães e pais negros e indígenas da maioria de todos que estão ainda discutindo seu valor.
Luta iniciada no anos 70, é sequência da lei dos 2/3 de Getúlio Vargas, que garantiu a 2/3 dos brasileiros ocuparem empregos, pois até então a maioria negra só fazia biscates, pois empregos só eram dados a migrantes europeus.
Nesta época, década de 30, a maioria dos negros que tinham um emprego com salário mensal, eram as mulheres negras que trabalhavam como empregadas domésticas. Os homens negros se arrastavam de biscate em biscate.
Essas mulheres negras empregadas domésticas, foram quem sustentaram a Frente Negra, partido negro, com cerca de 200 mil filiados, extinto pela ditadura de Vargas.
Uma das grandes ações da Frente Negra, foi alfabetizar as mulheres negras que a sustentavam, para que elas pudessem votar nas eleições brasileiras.
A luta pelas cotas é assim uma conquista do Movimento Negro e Indígena de mais de um século.
Só o branco que quer manter seus privilégios, e o negro que é ignorante de sua história pode ser contra esta medida paliativa, mas eficiente, que são as políticas de cotas para negros e indígenas no Brasil.
A maioria de negras e negros de minha geração que frequentaram universidade ou conseguiram um emprego compatível com nossos méritos, frequentavam universidades ou ambientes de trabalho em que estavam sozinhos.
Hoje cada negro pode ver pelo menos meia dúzia de negros e negras a sua volta, quando vão para a universidade ou vão trabalhar.
É bom lembrar que muitos de nossa geração, que hoje tem mais de 60 anos, apesar de passarem nos concursos públicos por seus elevados méritos, não “passavam” na famigerada “prova secreta da foto 3/4” que os eliminavam e ainda eliminam, ao nunca serem chamados, apesar das excelentes classificações que alcançaram e alcançam.
Quem conseguia entrar, nunca era promovido ou era dispensado na fase probatória.
Negras e Negros precisam saber que somos uma geração que lutou pelas cotas e que têm experiência de como o racismo funciona nas universidades e locais de trabalho, impedindo ascensão na carreira, fazendo desistir no caminho, ou lavando de tal forma as cabeças de negras e negros, que muita gente acaba resignada, sentada numa cadeira, carimbando vento, quando poderiam estar trabalhando para a libertação de si e de nosso povo.
A vitória no STF aprovando as cotas, foi mais que uma vitória simbólica. Foi muito mais o reconhecimento pelo Estado Brasileiro, que por mais “méritos” que uma negra ou um negro tenha, só terão acesso aos bens materiais e intelectuais da sociedade através do fórceps de ferro que é a política de cotas.
Cotas está sendo um parto prá lá de difícil, até no Itamaraty, na Polícia Federal, nos tribunais e em vários concursos estão tentando burlar esta conquista dos negros e indígenas.
Mas a criança cotista e cotada está aí e gritando com conhecimentos populares e acadêmicos de nossa história brasileira. Não tem mais volta!

Polícia cibernética já tem o nome de 70 suspeitos de racismo contra Tais Araújo. Chegou o momento de punir os racistas na WEB.


por marcos romão (Sos Racismo Brasil)

O caso de racismo virtual contra a atriz Taís Araújo está sendo investigado de maneira exemplar pela Delegacia de Repressão aos Crimes de informática (DRCI) do RJ.
Os casos de agressão racial nas redes sociais tem se multiplicado nos últimos anos. A sensação de impotência é grande, principalmente de jovens negras, que são atacadas por colegas de faculdades, de trabalho ou grupos anônimos, tem levado muitas pessoas a abandonarem os estudos, os trabalho e ambientes sociais.
Casos mais graves têm provocado depressão nas pessoas violentadas no seu íntimo, e com muito custo, grupos de mulheres, e grupos antirracistas como o Sos Racismo Brasil, têm apoiado como podem estas pessoas, evitando a que cheguem a atos extremos como o suicídio.


Já conseguimos ao longo dos anos, que pessoas fossem processadas e até presas, como nas agressões virtuais à Afropress na pessoa de seu diretor Dojival Vieira.
Mas agora finalmente esta luta contra a impunidade dos racistas ganhou destaque na grande imprensa, e vemos uma atuação consequente da polícia contra os racistas.

Que uma cidadã brasileira, com posição de destaque na mídia e na sociedade, tenha feito um ato simples de ir a uma delegacia de polícia pessoalmente, como qualquer pessoa, será um grande estímulo a todas as pessoas que sejam agredidas através das redes sociais.

Afinal de contas, ao entrar via computador na esfera íntima de uma pessoa, xingá-la de p…. macaca, fedida, sub-humana, lixo negro, cotista ladrão de vagas e tudo mais, é como arrombar a sua porta e esfregar a sua cara no chão, por ser de outra cor, gênero, opção sexual, nacionalidade ou religião.

Para a garotada e adultos que as estimulam a praticar agressões raciais, podemos ver que a ação de um polícia técnica, pode muito bem, encontrar os agressores e chamá-los à responsabilidade criminal.
Taís deu seu pequeno passo. Dependerá de todos nós prosseguirmos com nossas ações para banir os atos racistas de nossos espaços de convivência.‪#‎marcosromão‬

“O crime de injúria racial tem pena máxima de três anos, também com acréscimo de um terço em casos específicos. A soma das penas totalizaria 8 anos para adultos. Os menores responderiam de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente.
“As pessoas têm que ter um uso consciente da internet. Serem mais responsáveis quando forem postar algo na internet. E verificar que qualquer comentário pode gerar consequências. Inclusive criminais”, explicou o delegado-titular Alessandro Thiers.
O delegado reforçou ainda que qualquer vítima de injúria racial, ou outros crimes, deve procurar a delegacia.
“Ela (Taís Araújo) veio aqui até a delegacia, fez o seu papel e seguiu sua vida. Ela não está fazendo papel de vítima, de coitadinha. Ela está exercendo um direito dela de cidadã”, acrescentou.”

Também foi solicitado o bloqueio e os dados cadastrais dos usuários. Atriz foi alvo de comentários racistas no Facebook no dia 31 de outubro.
G1.GLOBO.COM

Troféu Fuzil De Ouro vai para Baiano.


Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morta

Troféu Fuzil De Ouro

Categoria: Governo que mais mata NEGRO no BRASIL

Essa é uma homenagem da Campanha Reaja para os Ex.mos Governador do Estado da Bahia, Rui Costa e o Secretário Estadual de Segurança Pública, Maurício Barbosa pelo seu grande desempenho em matar o Povo Negro e fazer coquetéis dançantes para os pretos que zombam há 9 anos de seus mortos em “dancinhas da igualdade”.

Frente ao Genocídio do Povo Negro, Nenhum Passo Atrás!
‪#‎ReajaOuSeráMortx‬ ‪#‎NossosMortosTemVoz‬ ‪#‎NovembroNegroDeLuto‬‪#‎NovembroNegroDeLuta‬

Troféu Fuzil de Ouro

Troféu Fuzil de Ouro

Nota do Centro Acadêmico do curso de Ciências Socioambientais da UFMG acerca do crime ambiental em Mariana


Fonte Racismo Ambiental

Barragem antes

Barragem antes

No último dia 05 de Novembro de 2015, ocorreu um dos maiores desastres socioambientais do Estado de Minas Gerais, em Bento Rodrigues distrito da cidade de Mariana. O ocorrido ressalta duas realidades em relação ao meio ambiente e sociedade: o desmazelo das mineradoras e a conivência do poder público ao defender os interesses das multinacionais e não o povo de Minas e o meio ambiente, sendo negligente em relação ao controle e fiscalização de atividades de alto risco para as comunidades do entorno de empreendimentos minerários. Não foi acidente.

Nós estudantes de Ciências Socioambientais consideramos inadmissível uma falha técnica, como da empresa Samarco/Vale, atingir tais proporções. As comunidades que vivem próximas a empreendimentos minerários não podem conviver com o medo, com a insegurança e a negligência do poder público. A sociedade não pode aceitar a mineração nos moldes atuais com foco no desenvolvimento econômico em detrimento da dignidade e integridade humana. Exigimos a devida punição às empresas responsáveis e a garantia do resgate da cidadania e integridade das famílias afetadas.

Considerando que estamos diante de uma das maiores tragédias socioambientais do Estado, é importante ressaltar a necessidade da retirada do regime de urgência o Projeto de Lei n°2946/15. O PL enviado pelo Governador do Estado à Assembleia Legislativa no início deste mês pretende flexibilizar o licenciamento de empreendimentos, principalmente os minerários ditos prioritários para o desenvolvimento.

Agilidade no licenciamento não dialoga com a qualidade do empreendimento, nem com a redução de riscos ambientais e sociais, muito pelo contrário. Não podemos achar natural tragédias como essa. Não podemos aceitar perdas de vidas humanas e nem colocá-las em risco em troca de um modelo de desenvolvimento que prioriza o lucro de grandes empresas e ignoram comunidades, culturas, valores e cidadania.

Manifestamos solidariedade aos moradores e funcionários atingidos pelo rompimento das barragens de propriedade das empresas Samarco Fundão e Vale, no distrito de Bento Rodrigues, cidade de Mariana – MG. Nossa sede está aberta para arrecadação de doações para a comunidade atingida no seguinte endereço: Sala 2096, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Campus UFMG, Pampulha – BH (MG).

Belo Horizonte, 6 de novembro de 2015

Centro Acadêmico de Ciências Socioambientais – CASa

mariana 3

barragem depois

barragem depois

Indígenas dos cinco continentes participam de Jogos inéditos


Foto: Reuters

Garota da tribo Xambioá (Tocantins) em Palmas para a primeira edição dos Jogos Mundiais Indígenas- Image copyrightReuters

fonte BBC

Até o dia 31 de outubro, Palmas, a capital do Tocantins, sedia a primeira edição dos Jogos Mundiais Indígenas, com cerca de mil atletas brasileiros e 700 vindos de países como Rússia, Nova Zelândia, Estados Unidos, Canadá, Colômbia, Mongólia, Chile, Etiópia e Finlândia.

Os Jogos Indígenas já tiveram 12 edições nacionais, desde 1996, em diferentes cidades do país, com apoio do governo federal, patrocínio das prefeituras e, eventualmente, de estatais como Caixa Econômica e Eletrobras.

Mas o primeiro evento esportivo e cultural internacional foi ideia dos povos brasileiros terenas e pode impulsionar a criação de uma espécie de comitê para organizar as próximas edições no exterior.

Mais de 20 etnias brasileiras – como os Xerente (os anfitriões, do Tocantins), Bororo Boe (Mato Grosso), Asurini (Pará), Pataxó (Bahia) e Canela (Maranhão) – participam dos Jogos.

O evento, no entanto, também foi boicotado por etnias como os Krahô e os Apinajé, pelo que dizem ser um “momento difícil” para os povos brasileiros, com a demora na demarcação de terras, conflitos violentos com fazendeiros e invasões de territórios já homologados por madeireiros e garimpeiros.

Os Guarani-Kaiowá, presentes nos noticiários pelo alto índice de mortes relacionadas com conflitos pela terra no Mato Grosso do Sul, estão divididos: há delegação da etnia em Palmas, mas algumas lideranças também criticaram o evento em uma carta.

Leia mais: Brasil é cobrado na OEA por violência contra índios

Foto: Reuters

Mulheres do povo Caiapó (Pará); jogos internacionais foram ideia de povos terenas Image copyrightReuters

Foto: Reuters

Na chegada em Palmas, diversos índios como este Caiapó tiravam fotos da reunião de povos nativos em smartphones-Image copyrightReuters

Foto: Reuters

Image captionOs Guarani-Kaiowá enviaram uma delegação de atletas (foto) a Palmas, mas alguns líderes criticaram o evento-Image copyrightReuters

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Foto: AP

Carajás protestaram contra a PEC 215, que transfere para o Congresso a atribuição de aprovar a oficialização das terras indígenas-mage copyrightAP

Foto: AP

Foto: AP

Índios Kuikuro (Mato Grosso) apresentam dança tradicional no festival cultural que precedeu os Jogos Indígenas-Image copyrightAP

Foto: Reuters

Com uniformes e adereços tradicionais, índios caiapó esperam sua vez na competição de futebol-Image copyrightReuters

Foto: AP

Reunindo indígenas de 24 países, o evento possibilita encontros como este de uma índia da Sibéria, na Rússia, com nativos do Panamá- copyrightAP


Foto: AFP

Os olhos arregalados e a língua de fora são uma expressão facial tradicional do maori, da Nova Zelândia, para demonstrar força e emoção-Image copyrightAFP

Os Jogos Indígenas misturam competições esportivas com modalidades de “demonstração”, em que povos fazem apresentações de alguns de seus esportes tradicionais, e atividades culturais.

Entre os esportes de competição estão o futebol masculino e feminino, o arco e flecha e a corrida com toras e a natação. Entretanto, os países não competem necessariamente em todas elas. Algumas serão disputadas só por brasileiros.

Os atletas são escolhidos pelos chefes de cada tribo convidada a participar dos Jogos.

Leia mais: Jogos Mundiais Indígenas enfrentam boicote em protesto contra governo

Foto: Reuters

Pataxós assistem a um jogo de futebol de seus atletas contra os Xerente-Image copyrightReuters

Foto: APIm

Foto: AP

Na cerimônia de abertura, indígenas dos Estados Unidos fazem uma apresentação- image copyrightAP

Foto: AFP
Foto: Reuters

A abertura dos jogos também foi marcada por protestos pela demarcação de terras indígenas e pelo fim dos confrontos com fazendeiros- mage copyrightReuters

Neste domingo, segundo a Agência Brasil, os indígenas da Mongólia impressionaram os espectadores em uma demonstração de destreza e precisão no arco e flecha.

Os mexicanos também jogaram a pelota mixteca, semelhante ao tênis, em que rebatem uma bola de 900 gramas para o time adversário com a ajuda de uma pesada luva de couro cheia de cravos de metal.

Já os brasileiros caiapós demonstraram o rõnkran, em que usam bastões para conduzir um coco de babaçu até o campo do adversário e ganhar pontos.

E os índios pataxós praticaram a corrida de maracá, em que revezam um chocalho tradicional.

Foto: Getty

A corrida com toras é um dos esportes tradicionais em que as tribos irão competir durante a semana dos Jogos-Image copyrightGetty

Foto: AP

Indígenas da Mongólia, homens e mulheres, impressionaram os espectadores em demonstração de arco e flecha-Image copyrightAP

Foto: AP

Índios brasileiros e maoris se juntaram durante as demonstrações de arco e flecha em Palmas-Image copyrightAP

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Foto: EPA

Um desfile de beleza indígena teve 50 mulheres de diversas etnias com seus trajes típicos, como esta índia russa- Image copyrightEPA

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Image captionUm desfile de beleza indígena teve 50 mulheres de diversas etnias com seus trajes típicos, como esta índia russa
Foto: AFP

Índia da Guiana Francesa participa de desfile de beleza indígena, parte da programação cultural dos Jogos- Image copyrightAFP

Foto: Getty

Os caiapós demonstraram o jogo rõnkran, espécie de hóquei em que eles usam um bastão para conduzir um coco de babaçu até o outro lado do campo- Image copyrightGetty

Jovens negros solidários com jovens negras que reagiram contra racistas no banheiros da USP-Ribeirão Preto


O Brasil passa por um novo momento, somos outro tipo de juventude do movimento negro. Na época de nossos mães e pais, avôs e avós, lutava-se para ter direito ao ensino básico, ao emprego digno, a salários melhores, a moradias, a respeito, a não segregação dos espaços sociais, tentava-se sobreviver. Quantos de nós pretos e pretas somos as primeiras gerações a frequentarem um ensino superior, a trabalharmos como gestores, a propormos projetos, eventos e atividades? Queremos nossa cidadania por inteiro. Temos direito a esse país. Somos descendentes daqueles que deram seu sangue, seu suor, sua vida, sua emoção, sua cultura por esse país chamado Brasil.

O que seria do Brasil sem os africanos? Foram mais de 6 milhões traficados forçadamente para cá. Abriu-se estradas, construiu-se igrejas, levantou-se prédios públicos, arou-se o campo, tocou-se o gado, animou-se os eventos festivos e tudo mais. 127 anos se passaram após a abolição, do desfecho nefasto da escravização no Brasil e ainda somos as primeiras gerações a entrarem na universidade.

Nós não precisamos pedir nada, nós viemos por que é nosso direito, nós viemos propor, nós viemos transformar essa sociedade. Cansa-nos as abordagens policiais truculentas e genocidas, cansa-nos o maus tratamento nos médicos e nos trabalhos de parto, cansa-nos a sub-representação política e econômica, cansa-nos a história racista que nos é contada nas escolas, cansa-nos os preconceitos diretos e indiretos por causa da nossa pele, da nossa cor.

O desabafo agressivo na USP foi contra tudo isso, foi contra pretensas pessoas educadas e brancas que covardemente escreveram palavras racistas no banheiro, contra os casos de racismo que explodem em diversas universidades do Brasil, por causa da nossa pele, da nossa cor.

Nós apoiamos as jovens da Faculdade de Direito da USP – Ribeirão Preto, pois não acreditamos que elas tenham sido racistas, ou praticaram racismo reverso, justamente porque racismo ao reverso não existe. Racismo, na nossa concepção filosófica e jurídica emana de um determinado poder e tem base consuetudinária. O poder emana das pessoas brancas, que são os símbolos da opressão na nossa sociedade. Esse poder dominante, quase que por “osmose reversa” considera os pretos e pretas dessa sociedade, pessoas incapazes, entre outros adjetivos pejorativos.

Os costumes da nossa sociedade são os fatos crescentes e latentes de preconceito contra pessoas de cor. Basta procurar nos Boletins de Ocorrência, nos Jornais, como existe milhares de casos de agressões racistas contra o preto e a preta, seja na escola, seja no banco, seja na universidade, seja no mercado de trabalho, sejam em qualquer ambiente social no Brasil. Os casos contra os brancos são ínfimos. Ou seja, racismo advém de uma supremacia branca que domina o país.

Foram 400 anos de trabalhos forçados como escravizados no país. Até hoje nenhuma reparação foi feita. Não distribuíram terras para os “negros” como fizeram para muitos imigrantes. Não abriram postos de trabalhos exclusivos para os “negros” como fizeram para os imigrantes. Os negros saíram da escravidão com uma mão na frente e outra atrás.

As riquezas do açúcar, do café, do algodão, da borracha, do ouro e pedras preciosas, do cacau, foram todas transferidas para os brancos, sem indenização alguma para os pretos. Isso não é vitimização. Os ancestrais dos descendentes de brancos nesse país cometeram o maior crime que se poderia cometer na face da Terra. São os maiores criminosos impunes. Não podem recusar, porque nós somos as testemunhas vivas do sequestro, do estupro, da pilhagem, da crueldade, do assassinato, que os brancos promoveram na face da Terra.

São os maiores criminosos impunes. Não podem recusar, porque nós somos as testemunhas vivas do sequestro, do estupro, da pilhagem, da crueldade, do assassinato, que os brancos promoveram na face da Terra. O Brasil como pessoa jurídica carrega consigo a culpa de todas as atrocidades e tem uma dívida histórica com negros. Não é vitimismo, somos vítimas mesmo! É por isso que os racistas nos devem até a alma!

 

Suprapartidarismo como forma de combate ao racismo


Protesto em frente ao Colégio Internacional Anhembi Morumbi manifestou apoio a estagiária que acusa a diretora da escola de racismo-2011 foto Marina Morena Costa

Protesto em frente ao Colégio Internacional Anhembi Morumbi manifestou apoio a estagiária que acusa a diretora da escola de racismo-2011 foto Marina Morena Costa

por Humberto Adami

do original: Afrobrasileiros nossa voz

Cada vez mais percebo que a partidarização como combate ao racismo é um mal em si mesmo, multiplicadora da ausência de quadros relevantes. Afasta pessoas, torna vítimas do racismo, cegas em si mesmas.

O fato de pertencer a um partido político, coisa tão simples que ocorre com a assinatura de uma ficha de filiação, não deveria separar pessoas em grupos ou nichos. Ou se assim o fizesse, deveria existir para reunir pessoas e não para separá-las.

Não é que os partidos políticos não devam e não possam participar de tal debate, ao contrário. Mas discriminar outros discriminados porque são de outros partidos, ou privilegiar só aqueles da agremiação partidária é algo que torna suspeita, as atividades e sentimentos de tal pessoa. Não é aceitável que se privilegie os negros do PT, porque são do PT ou do PSDB ou do PMDB ou do PSTU ou do PSOL, ou de qualquer partido. Há um limite que tenho observado e que não deveria ser ultrapassado.

Na época da Ministra Matilde Ribeiro, essa atitude fez existir duas marchas Zumbi dos Palmares + 10. O ano era 2005. A marcha dos sem partidos, no dia 16 e a marcha dos com partido, no dia 22. Perderam todos. Os espaços políticos foram diminuídos, e o espetáculo de desagregação foi o já comum antes visto. Apesar disso, alguns não aprenderam e seguem colocando partidos políticos à frente da própria luta contra o racismo. Não penso e não ajo assim.

As balas perdidas que atingem pobres e pretos não indagam a que agremiação política estes pertencem. É uma pena que tais espaços anexos aos partidos (já que todos eles, quase sempre, não fazem parte da direção do mesmo), não sejam usados indistintamente, em prol do combate ao racismo. Enquanto partidos políticos tem ido regularmente ao STF contra cotas, quilombolas, feriado de Zumbi dos Palmares e PROUNI, não se vê tais estruturas partidárias atuarem em auxílio de seus mandatos parlamentares para proliferaram a agenda positiva do Movimento Negro. Como se vê, ausentes os partidos políticos dos grandes julgamentos do STF, na questão racial.

Em outros assuntos, os partidos políticos ajuízam ações, contratam advogados, fazem a diferença. Veja-se a questão da Liberação da Maconha. Quando eu trabalhei como Ouvidor da SEPPIR, tentei bastante que os colegas partidários levassem seus partidos ao apoio formal das ações judiciais. Eles, no entanto, entendiam que: 1) não era o caminho 2) que contribuía para a judicialização, embora o partido que judicializava não perguntasse nada para os demais 3) que colocava em risco as decisões políticas 4) que o Direito está à reboque das transformações da sociedade. Um deles quando conseguiu que o partido decidisse ir à juízo, o fez sem se atentar às regras da Advocacia e perdeu o prazo de ingressar com a ação. Muito feio, um vexame.

Por causa disso tudo, sempre me pauto pela forma suprapartidária de atuar, garantindo espaço a todos. Não vejo como o combate ao racismo se intensificar, enquanto tais ponderações não forem um mantra. Daí porque muitas atuações de combate ao racismo não ultrapassam o adjetivo de “periféricas”. É nesse sentido que tenho entendido como deva ser a atuação da Comissão Nacional da Verdade da ESCRAVIDÃO NEGRA no Brasil, do Conselho Federal da Ordem dos Advogados. A OAB é de todos os brasileiros.

Confudiram Anistia Ampla Geral e Irrestrita, com esquecimento do passado e violações generalizadas no presente


A Anistia Ampla Geral e Irrestrita foi confundida com esquecimento e apagamento da história das crueldades e barbaridades conexas, cometidas no período da Ditadura Civil-Militar que imperou no Brasil durante 21.
Muitos de seus agentes, não só os torturadores, mas mentores, colaboradores, dedo-duros e informantes estão hoje no poder e nas suas franjas menos visíveis.
O esquecimento do passado condena toda a geração atual, a conviver com pessoas que até hoje mantém uma vida dupla. Que são clandestinas de si mesmas, que posam de democratas, vestem cargos públicos e dão conselhos para a sociedade, mas que escondem seus passados fascistas e que nunca foram chamados à responsabilidade.
A lei do silêncio que se abateu na sociedade brasileira pós-anistia, permitiu que a máquina do terror e violações da pessoas humanas, ganhasse novas formas, se espalhasse por todos os setores da sociedade, e criasse toda uma cultura de aceitação da violência por todos nós, das torturas e execuções em nome do Estado, praticadas por alunos, dos “doutores da violência” formados no período da ditadura.
Hoje, os métodos da ditadura civil-militar são aplicados nas periferias brasileiras. O vídeo “Em busca da Verdade” é para mim menos que uma viagem ao passado, e mais um desafio a debruçarmos nas causas da guerra silenciosa que vivemos hoje no Brasil. Mudaram os protagonistas, mas os papéis continuam os mesmos. ‪#‎marcosromaoreflexoes‬

Foto de Senado Federal.

Escrúpulos de consciência ou os fins justificam os meios.


Nas Entrelinhas: Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense – 20/09/2015

As investigações da Operação Lava-Jato desnudam uma crise ética que coloca em xeque o próprio governo Dilma Rousseff. Revelou-se o esgotamento de um modelo de financiamento dos partidos

Políticos profissionais, em sua maioria, são pragmáticos ao extremo e não estão entre os seres mais escrupulosos. Em O Príncipe, Nicolau Maquiavel dizia que a legitimação do poder, fundamental para a conquista e a preservação do Estado, depende muito desse pragmatismo e da falta de escrúpulos: “Quando um príncipe deixa tudo por conta da sorte, ele se arruína logo que ela muda. Feliz é o príncipe que ajusta seu modo de proceder aos tempos, e é infeliz aquele cujo proceder não se ajusta aos tempos.”

Na construção do Estado moderno, a forma como a “virtú” foi colocada em prática em nome do governo passou ao largo de valores cristãos e da moral. “Não cabe nesta imagem a ideia da virtude cristã que prega uma bondade angelical alcançada pela libertação das tentações terrenas, sempre à espera de recompensas no céu. Ao contrário, o poder, a honra e a glória, típicas tentações mundanas, são bens perseguidos e valorizados. O homem de virtú pode consegui-los e por eles luta.”

Escrúpulos de consciência costumam ser deixados de lado quando o que está em jogo é a preservação do poder. “Um príncipe não deve, portanto, importar-se por ser considerado cruel se isso for necessário para manter os seus súditos unidos e com fé. Com raras exceções, um príncipe tido como cruel é mais piedoso do que os que por muita clemência deixam acontecer desordens que podem resultar em assassinatos e rapinagem, porque essas consequências prejudicam todo um povo, ao passo que as execuções que provêm desse príncipe ofendem apenas alguns indivíduos.”

Daí surgiu a interpretação de que os fins justificam os meios, que às vezes parece ser uma regra de ouro dos políticos, somente confrontada pelo fato de que, numa sociedade democrática, a “ética das convicções” – que leva os políticos a não medirem esforços para alcançar seus objetivos – deve ser contida pela “ética da responsabilidade”. Nesse sentido, na interpretação de Max Weber, um dos pais da sociologia moderna, caberia à burocracia assegurar a legitimidade dos meios aos quais recorrem os políticos.

A História do Brasil coleciona exemplos dessa prática. “Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência”, disse o então ministro do Trabalho e da Previdência Social, Jarbas Passarinho, durante a reunião ministerial que decidiu editar o AI-5, em 1968, durante o governo Costa e Silva. A frase foi modificada na ata sem prejuízo de sentido (as “favas” foram trocadas pela conjugação verbal “ignoro”). Desnecessário tecer mais detalhes sobre as consequências da decisão, que assinalou o endurecimento do regime militar, que durou até 1985.

O caso do mensalão e, agora, o escândalo da Petrobras, num contexto histórico completamente diferente – perseguidos com base no AI-5 é que estão no governo –, são também uma demonstração de que os escrúpulos de consciência foram deixados de lado no exercício do poder. O esquema montado na petroleira estatal para financiar campanhas eleitorais do PT, PMDB e PP, segundo o Ministério Público Federal, não tem precedentes: dezenas de políticos estão sendo investigados, executivos e donos de empreiteiras, e altos funcionários da empresa foram presos e estão sendo condenados. O projeto de perpetuação no poder derivou para a grande roubalheira.

Os reflexos do escândalo estão em toda parte. As investigações da Operação Lava-Jato desnudam uma crise ética que coloca em xeque o próprio governo Dilma Rousseff. Do ponto de vista institucional, revelou o esgotamento de um modelo de financiamento da grande política nacional e dos seus principais partidos. O Supremo Tribunal Federal (STF) de quinta-feira passada, por 8 votos a 3, que declarou inconstitucionais normas que permitem a empresas doar para campanhas eleitorais. A decisão do STF não proíbe que pessoas físicas doem às campanhas. Pela lei, cada indivíduo pode contribuir com até 10% de seu rendimento no anterior ao pleito, o que não está regulamentado e beneficia quem já está no poder.

Mas voltemos aos escrúpulos de consciência. Parece que a presidente Dilma Rousseff também está mandando-os às favas no ajuste fiscal. Depois de o governo defender uma lei que permita a entrada no país de recursos depositados ilegalmente no exterior – isto é, dinheiro acumulado ilicitamente, das mais diversas formas, como tráfico de drogas, contrabando e desvio de recursos públicos –, o Palácio do Planalto avalia aprovar uma lei legalizando o jogo do bicho, os bingos e a instalação de cassinos, como forma de aumentar a arrecadação. Ou seja, mais uma vez, os fins justificariam os meios