Consciência Negra e Polícia Militar: Desafios e Perpectivas


por marcos romão

No mês da Consciência Negra, estarei presente, nestas rodas de conversas com as forças de segurança do Estado do Rio de Janeiro.
Vou como um sociólogo ativista do movimento negro e dos direitos humanos. Nestes assuntos não tenho neutralidade, defendo a vida.
É numa sexta-feira. Dia que é de reflexão e balanço.
O genocídio da juventude negra brasileira tem que parar.
Está na hora de todos nós cidadãos conversarmos, pois segurança não é assunto exclusivo para especialistas em armas.
Segurança é mudar a mentalidade e as políticas nacionais de segurança, que consideram o próprio povo como inimigo, e os bairros em que vivem os pretos e os pobres como “territórios” a serem ocupados por “tropas exógenas” em nome de uma pacifificação nacional.
Segurança é o que cada cidadão, garante ao outro cidadão que ele reconhece como igual. A segurança para uma minoria, não pode continuar sendo sinônimo da insegurança da grande maioria.
Segurança é muito mais a garantia da vida de todos.‪#‎marcosromaoreflexoes‬
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Polícia ou bando de rufiões que espalham o terror de um novo regime?


por marcos romão

Repórter ferido

Repórter ferido

É preciso que analisemos com uma certa distância e sem partidarismos, as imagens e vídeos do que se passou na Praça Saens Pena no último jogo da Copa 2014, que aconteceu no Maracanã.

O que se passou por lá?

Uma manifestação com um número relativamente pequeno de manifestantess, que pelas imagens em nenhum momento constituiam ameaça à segurança pública, passam a ser atacados por bombas de efeito moral, gás colorido e de lacrimogêneo, além de cassetes e spray de pimenta e terminam sitiados por horas sujeitos a todo tipo de violência estatal.

O que a um primeiro momento mais parece um caos sem comando, com policiais que mais pareciam não saberem o que fazer fugindo do gás  e rodando que nem perus sem orientação, revela-se nas imagens uma desordem orquestrada pelas forças da ordem. O ataque a pessoas presas por grades na estação do metrô Saens Pena, o direcionamento das agressões a jornalistas e o disseminado ataque aos moradores da localidade, depreendem uma jogada previamente ensaiada para instalar o terror, além de prenunciarem como  a Secretaria de Segurança e o governo do Estado do Rio vão continuar tratando as questões sociais no Rio.

Pode-se muito bem observar que em meio às tropas, que lá deveriam estar para garantir a ordem pública e segurança dos cidadãos, inclusive dos manifestantes que desarmados não atacavam ninguém, encontravam-se soldados fardados, fazendo o papel de rufiões instigadores e aplicadores de violência, como a exemplo das tropas da SA na década de 30 na Alemanha. Eram policiais militares que estavam ali não para estabelecer a ordem e sim o caos e a violência.

Policial presente em várias ações violentas e "aparentemente" sem controle e comando.

Policial presente em várias ações violentas e “aparentemente” sem controle e comando.

A campanha eleitoral já começou. Nos estados democráticos se preveem em período eleitoral, comícios, caminhadas, discursos nas ruas, protestos e apoios. Eleição é um fenômeno de massas em que cada cidadão passa a ser o governo durante um curto período. É o momento em que manifestar sua opinião e intenção de voto estaria em tese protegida pela constituição, que diz que todo o poder emana do povo.

Caros amigos e amigas que ainda acreditam em cidadania e possibilidade em termos direitos democráticos:
Não é o que o governo, ou o que está por trás do governo do RJ fala que é a verdade. Eles não desejam a ordem democrática e  não estão atrás de “terroristas”. Eles estão querendo calar toda e qualquer oposição  e impedir toda livre discussão democrática, que possibilite mudanças profundas nas relações entre os poderes e direitos dos cidadãos e os poderes do Estado.
O enredo da peça já está montado. Milícias com ou sem fardas irão atuar direto nas campanhas. É necessário que todos os democratas e amantes da liberdade de todos os partidos e sem partidos, acordem para combater a hidra do mal instalada em nosso Estado do Rio.

Enquanto isto não acontece, recomendo aos meus colegas jornalistas, ativistas e cidadãos comuns, que andem sempre com mais de um e nas confusões que apareçam, fiquem de costas uns para os outros para se protegerem com 4 olhos, pois a ordem secreta é caçar todo tipo de oposição. As tropas já saem nas ruas com as fotos dos “inimigos” que vão levar porrada.

Que meus amigos e amigas não percam tempo com discussões teóricas e defendam o seu vizinho, mesmo que tenham discordâncias ideológicas.
Só sobreviveremos em liberdade se estivermos juntos.

Estamos todos no Rio de Janeiro nas mãos de bandidos fardados, com a leniência e comando da justiça e dos governos municipal, estadual e federal.
Nem nas manifestações de 70 vi tantas porradas gratuitas da polícia.  A imagens abaixo demonstram muito bem que “tropas” são estas.

CHEGA NÃO QUEREMOS MAIS BRINCAR DE BANDIDO E MOCINHO – FAMÍLIA DE NEGROS NA ROCINHA BUSCA O CORPO DO PEDREIRO


José dos Santos Oliveira
CHEGA NÃO QUEREMOS MAIS BRINCAR DE BANDIDO E MOCINHO 
 – FAMÍLIA DE NEGROS NA ROCINHA BUSCA O CORPO DO PEDREIRO –
pão de açucarMeus companheiros e  minhas companheiras do Movimento Negro do Rio de Janeiro, não dá mais para ficar brincando de bandido e mocinho, quando os bandidos são sempre os nossos. Na brincadeira bandido tem cor, condição social e padrão definido. Somos nós, a grande maioria de negros e pardos e independente da condição social e intelectual.
Esta questão é por demais complicada e traz no seu bojo uma situação inadmissível, que é sempre vista por setores mais conservadores da sociedade, como justificada. ” Os meios justificam o fim ” das ações criminosas covardemente  praticadas, não importa quem seja a vítima.
Entendo que além da Defensoria Pública, a OAB RJ, através das Comissões de Direitos Humanos. Segurança Pública e Igualdade Racial, deveria se fazer presente, assim como, brilhantemente se fez representar nos casos mais emblemáticos referentes às prisões relacionadas com os recentes atos de violência e vandalismo praticados durante as justas e legítimas manifestações.
Não podemos nós, Movimento Negro do Rio de Janeiro, CIR OAB RJ e a sociedade civil organizada, deixar de acompanhar junto com o Ministério Público e a Defensoria Pública.,  as diligências e investigações para esclarecimento destes gravíssimos fatos ocorridos na Rocinha.
Não queremos saber se o homem desaparecido tinha ou não participação no comércio ilegal de drogas da Rocinha. Isto pouco importa neste momento. O que o Movimento Negro do Rio de Janeiro e o conjunto da sociedade civil organizada quer saber onde está o pedreiro Amarildo de Souza,
O que a família do pedreiro Amarildo de Souza, a Defensoria Pública, a OAB RJ, através da Comissões de Direitos Humanos. da Comissão de  Segurança Pública e da omissão da Igualdade Racial – CIR OAB RJ, onde está o corpo de Amarildo de Souza, e quais razões e os autores da sua morte.
A questão colocada é esta. Ou vale tudo para todo mundo,  ou precisa-se estabelecer um  novo pacto de responsabilidade social entre a sociedade civil organizada e os diferentes cidadãos e cidadãs deste Estado. Não podemos continuar nós cidadão e cidadãs, negros, negras, pardos e pardas, moradores de comunidades, sendo números interessantes somente para depositar os votos nas urnas.
É preciso dizer à esta sociedade racista, machista, injusta social, política e financeiramente que não queremos esta política de segurança pública racista e incompetente,   nos vem sendo imposta a centenas de anos. Nós queremos propor e participar juntamente  com o conjunto da sociedade civil organizada,  das políticas de segurança públicas, objetivando o atendimento do cidadão e cidadão das diferentes áreas do Rio de Janeiro. Precisamos urgentemente dizer que não é esta a polícia que que queremos. O Movimento Negro e a Sociedade Civil organizada do Rio de Janeiro, quer trazer à discussão a desmilitarização da Polícia Militar e formação de uma polícia civil uniformizada e com formação para defesa do cidadão e não do Estado ou de governantes.
José dos Santos Oliveira
 Diretor Executivo do CEPERJ
   Coordenador do Fórum
 Criminal Racismo é Crime.
Consultor p/ Segurança Pública
        do COMDEDINE
  Conselheiro do CEDINE

Menos Spray de Pimenta e Menos Pedradas, é tudo que o povo quer, ainda.


por marcos romão

Menos Spray de Pimenta e Menos Pedradas, é tudo que o povo quer, ainda.

A presidente Dilma anuncia na Copa das Confederações,  a entrega de seis caminhões, que funcionam como Centros de Comando Móveis e outros equipamentos de segurannça de alta tecnologia, segundo a Coluna de hoje, do Elimar Franco no Globo.  As outras capitais, que sediam os jogos da Copa da Confederação, vão também receber a parafernália daquelas que você só vê em reportagens sobre a Faixa de Gaza.  São tecnologias e instrumentos de repressão que ficam a anos-luz  de distância em eficiência fratricida, à luz de hoje, dos “Brucutus” dos nossos tempos de jovens contra a ditadura  ou dos caminhões-gigantes cheio de soldados com chicotes na mão, nos alvos tempos da repressão racista na África do Sul contra os seguidores de Mandela e da ANC.

spray-menina

“treinamento” policial com crianças negras de “comunidades”

O governo federal ordena “investigações”  de manifestações, de indignados contra o aumento dos preços das passagens, que acontecem no âmbito municipal e estadual. Nos lembra os tempos em que até procissão de igreja, necessitava do passe-livre do Palácio do Planalto. E que Francisco, o Santo, não falasse muito dos pobres que ele amava. Se não…

No Rio de Janeiro, o governo testa armas ultrassônicas contra meia dúzia de indígenas, que reivindicavam seu espaço milenar no antigo habitat do pássaro Maracanâ. Gás de pimenta e até hilariante, complementavam o cardápio repressivo distribuido com grande generosidade pela polícia carioca. Não queriam ficar atrá sda polícia paulista e seu mau exemplo trucidante executado em Pinheirinhos. O nosso povo esqueceu, mas as Pms de todo o Brasil não, devem ter em seus cursos de formação os vídeos com os métodos nazistas lá aplicados. Limpeza étnica é fácil de aprender quando se tem bons instrutores e respaldo político.

No Serrado, foram mais longe. As balas de borracha foram substituídas pelo aço do racismo político, da violência contra a raiz do nosso povo brasileiro, os indígenas. Afinal tinham o beneplácito e a ordem judicial de um juiz, que muito provavelmente já participou com os fazendeiros, de muitos churrascos  e tertúlias literárias.

Alguns “incautos” funcionários da Caixa, ao apertarem no teclado de uma caixa preta  a data errada, desencadearam uma ação terrorista cibernética de proporções alarmentes, que levou às ruas, milhões de desesperados durante todo um final de semana, temerosos que lhe furtassem a bolsa com os alimentos de suas crianças.

Os anos de chumbo parecem até de plástico, diante da parafernália armamentista de aço, que assistimos com os investimentos federais, estaduais e municipais em nosso Brasil.

Tem dois anos que acompanho in loco, dezenas de manifestações populares. E ao “vivo youtube”, outras centenas pelo Brasil afora. Sim, porque as  “requentadas” mostradas nas “televisões oficiais”, não mostram 5% da brutalidade e refinamento do aparato policial que está sendo montado no Brasil.

Estaríamos nos preparando para uma guerra? Quando vamos ser avisados, nós cidadãos?

 "treinamento com indígenas"


“treinamento com indígenas”

Quando escuto mulheres e homens de minha idade, que comigo jogavam bolas de gude nas Avenidas do Brasil, quando vinha a Cavalaria, e nos armávamos com paralelepípidos, e o que viesse à mão para nos defendermos, e muitas vezes atacarmos o estado opressor, quando ouço estes velhos “amigos e amigas”, falarem de formação de quadrilha, quando jovens e não menos jovens saem à ruas para protestar contra o aumento dos preços das passagens, fico com o queixo caído e de boca aberta de pasmo.

O cientista social Silas Ayres, velho amigo, também perseguido e com amigos comuns desaparecidos, em seu facebook, compartilhou o seguinte comentário:

“Deixa eu ver se entendi. Em plena democracia, com um governo petista, com uma presidente ex-presa política, a PF vai analisar as manifestações sobre os preços das passagens? Os governos de São Paulo e Rio querem indiciar os manifestantes como formadores de quadrilha? Quadrilha? Como disse o FHC, o governo petista levou o Brasil à República Velha, quando os movimentos sociais eram caso de polícia.

Não fazem duas semanas, conversei com alguns amigos que com experiência na área de diretos humanos, ficamos até de marcar uma reunião, para batermos papos, sobre a criação de grupos de ação para a cidadania, que estivessem presentes nas manifestações populares como mediadores. Seriam grupos formado para “desescalar” o processo de militarização policial de nossa sociedade, tão bem lembrado, como a volta à “República Velha”, em que questão social era questão policial.

Sei do que estou falando. Vi a cara de surpresa, dor e desilusão como o Estado Brasileiro,por parte do indígenas e seus amigos solidários, diante da hiper-dimensionalidade da repressão que sobre eles se abateu, durante a desocupação da Aldeia Maracanã. Ouvi também o relato de um policial militar, 30 anos com filhos pequenos, dizendo que não foi para isto que entrou para a polícia.

Assisti em vários lugares, policiais manuseando seus tubos de pimentas e pistolas elétricas como se fossem brinquedos de espoleta da “Estrêla”. Vi jovens perdidos diante da brutalidade. Vi também policiais se afastando dos duros, ou mesmo interferindo contra a violência de seus colegas. Na construção da cidadania em uma sociedade democrática não temos mais tempo para buscarmos bodes-expiátórios.

Já ficamos muito tempo de braços cruzados, a assistir o sistema policial assumir todos os campos de negociação em nossa sociedade.

Os primeiros exercícios foram nos morros, nas favelas e conjuntos habitacionais, que eufemisticamente, o sistema militar moderno chama de “Territórios ou Comunidades Pacificadas”.  Lá já não temos mais assistentes sociais, nem sociólogos, nem jornalistas, nem juristas, nem juízes, nem médicos, lá temos policiais que fazem as vezes de médicos, de juristas, de assistentes sociais, de sociólogos, enfim, de deuses sobre todas as oportunidades e problemas que lá ocorram. Estão sobrecarregados pelo trabalho, que uma sociedade civil ainda não tomou a coragem ou não pode assumir.

Agora este aparato militar comprado e festejado nas Feiras Internacionais  de Armamentos, que acontecem regularmente no Rio Centro de triste memória, estão sendo também utilizados no “asfalto” e logo logo a juventude dourada, vai sentir o poder dos “drones” que eliminaram o “Matemático”. Por enquanto são atingidos,  só fotografias a longa distância.

Não sou escoteiro, para lembrar a frase doo ex-governador Nilo Batista sobre quem  vê a violência na sociedade com óculos cor-de-rosa , mas arma que se compra não é para ficar guardada e,  tem os duros e fascistas no aparato. Muitos destes falcões são garotos novos que sonham serem “Rambos”, outros entretanto são velhas raposas, que passam incólumes por todos os governos e,  que adoram a violência do estado, contra quem der motivos e quando não dão motivos, eles criam os motivos, fornecendo armas cada vez mais sofisticadas à “turma do mal”, para que depois possam combatê-los com novas e mais sofisticadas armas. O gato fica correndo atrás do rabo e nós cidadãos acreditamos que eles caçam ratos.

Ainda temos tempo, queremos uma sociedade militarizada? Queremos sufocar nossa democracia quem nem aos 30 chegou?Enquanto escrevo, tomo conhecimento que no Rio a manifestação foi acompanhada de forma pacífica pela polícia, enquanto em São Paulo o pau comeu.

Pela informação enviada pela Agência Petroleira sobre o que aconteceu hoje no Rio, ainda posso ver luz no fim do túnel.

Fica o recado, que nós mesmo já sabemos desde 1968. Não há aparato militar que intimide a população por todo tempo.

Recebido via Fátima Lacerda na Rede Social

“No Rio, milhares de pessoas se concentraram na Candelária, muitas carregando flores e outras gritando palavras de ordem como “Da Copa eu abro mão/ dinheiro para a saúde e educação”.

Desta vez, na marcha contra o aumento abusivo das passagens e por melhores transportes, a polícia foi bem mais contida do que há dois dias atrás. Uma vitória da população, que não se intimidou com a violência anterior. A manifestação começou pouco depois das 18 horas.

As descer a Avenida Rio Branco e, depois, a Avenida Presidente Vargas, a manifestação foi aplaudida e saudada por gente que surgia nas janelas dos prédios, numa demonstração de que a revolta contra ou aumento do preço das passagens, que já não cabe no bolso do trabalhador, é bem maior do que se imagina.

A manifestação foi pacífica. O trânsito da Presidente Vargas foi interrompido nas quatro pistas quando a passeata cruzou a avenida, mas já estava restabelecido por volta das 19 horas.

Os estudantes que voltaram às ruas contaram agora com forte apoio dos movimentos sociais e sindicais. Três carros de som foram cedidos pelo movimento sindical, um deles pelo Sindipetro-RJ.

No próximo dia 18, terça-feira, o tema do aumento das passagens também será debatido durante a plenária da campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso, no auditório do Sindipetro-RJ (Av. Passos, 34, próximo à Praça Tiradentes, Rio) . Estão convidados movimentos sociais e sindicais em luta.

Em São Paulo, a manifestação também reuniu milhares de pessoas e, segundo informações colhidas na internet, houve conflito. Pelo menos 30 pessoas foram presas pela Polícia Militar até o início da noite.

São Paulo 13 de junho

São Paulo 13 de junho

Fonte: Agência Petroleira de Notícias

O Deus que você acredita não pode matar o Deus que você não acredita


por marcos romão

Aldeia Maracanã fechada

Aldeia Maracanã fechada

Na ABI-Rio a Sociedade Civil do Estado do Rio de Janeiro encontrou-se para manifestar sua indignação e protestar, contra os arautos do fundamentalismo, o racismo, do sexismo e da homofobia, que deram um golpe nos poderes constituídos do Brasil.
Representantes de todas as religiões e partidos políticos juntaram-se à sociedade civil organizada que através das redes sociais no Brasil e no mundo, manifestaram nas últimas semanas, seu repúdio à tomada do poder da Comissão de Direitos Humanos e de Minorias do Parlamento Brasileiro, feita pela bancada fundamentalista do “Partido Social Cristão”, que indicou para sua presidência o deputado federal Marcos Feliciano, notório fundamentalista, racista, homofóbico, sexista e, contra os princípios da Constituição Brasileira.
Foi um momento de retomada da dignidade do povo brasileiro, que saiu em defesa de nossa Constituição Brasileira ameaçada.
Foi um verdadeiro ato litúrgico em que crédulos e ateus se deram as mãos para barrarem o ovo da serpente nazista e totalitária que penetra a sociedade brasileira.
A Aldeia Maracanã falou. Falou em nome de todos os ameaçados, pois não são só nossas mentes que os fundamentalistas querem possuir, mas principalmente, as nossas terras indígenas e quilombolas.
Ao tomar com suas tropas de assalto a Comissão de Direitos Humanos, o PSC, atinge o cerne da democracia brasileira. Inverte os princípios da defesa dos direitos fundamentais dos seres humanos, pois coloca na mão dos algozes o poder de decidir sobre os direitos das vítimas destes mesmos verdugos.

Refugiados da Aldeia Maracanã em Curupaiti convidam: Podem nos visitar. Entrem sem bater.


por Marcos Romão (descendente direto do Cariris Chocós)

Dauá Puri, acaba de me ligar de Curupaiti, onde estão alojados 12 indígenas até agora.

rondon

Expedição Rodon-Roosevelt

Ao contrário do que a imprensa diz, os povos indígenas que lá estavam, não “racharam”. Houve sim uma preocupação dos mais velhos pelas vidas das pessoas. Preocupação se se revelou sensata naquele momento, pois a ferocidade, a violência e a brutalidade com que as pessoas indígenas que lá permaneceram pacificamente até o fim, foram despejadas,  foi de um tamanho tão monstruoso, que nem as mais pessimistas das previsões, poderia esperar.

Os povos Indígenas da aldeia Maracanã/Museu do ìndio  não esmoreceram e, precisam de uns momentos de paz e descanso para retomarem a luta judicial.

Existe um esbulho dos direitos indígenas que mais cedo ou mais tarde encontrará justiça.

No momento o que todos precisamos, é prestar toda nossa solidariedade aos indígenas onde quer que eles estejam. Eles precisam da sociedade civil brasileira, para pressionar o Ministério Público, a Funai, a Presidência da República, a OEA e a ONU, para que  consigamos todos, reverter este esbulho possessório que aconteceu, para atender a interesses escusos, que nós só podemos suspeitar.

Os representantes dos povos indígenas  que estão na área do antigo Hospital de “Leprosos”,doença chada de lepra e que hoje  se chama “Mal de Hansen” , em Curupaiti, segundo Dauá Puri, estão sendo bem tratados, e tem uma Patamo da polícia os protegendo, pelo menos até agora.

Coincidências da vida indígena nas Américas, Curupaiti tem o mesmo nome do local em que as forças da Triplice Aliança, sofreram a sua maior derrota contra o povo Indígena do Paraguai em 22 de setembro de 1886, na famosa Batalha de Curupaiti,

Condução para irem ao centro da cidade, eles não têm. Juntos com alguns amigos Cariris Chocós, que vivem no Rio de Janeiro e são da área de medicina, eles têm planos de montarem  uma OCA de Saúde, para cuidarem das pessoas que lá estão, principalmente as que sofreram distúrbios psicológicos provocados pela noite de terror que viveram em 21 de Março.Noite em que receberam até jatos de pimenta, lançados à sotaina pelos fundos do Museu do Índio, onde estavam sitiados.

O pânico de todos eles, que já sofreram , muitos ataques de fazendeiros nos confins do Brasil, aflorou de novo, justamente no lugar onde foram buscar proteção no coração do Rio de janeiro.  A casa do Marechal Rodon, cujo lema em seu trato com os povos Indígenas era “Morrer se preciso for, matar nunca”.

(Em setembro de 1913, Rondon foi atingido por uma flecha envenenada dos índios Nhambiquaras.

Sendo salvo pela bandoleira de couro de sua espingarda, ordenou aos seus comandados, porém, que não reagissem e batessem em retirada, demonstrando seu princípio de penetrar no sertão somente com a paz.)fonte wikipédia.

O endereço onde eles estão é RUA GODOFREDO VIANA 64, no centro da Taquara. Eles aguardam visitas carinhosas e informam que qualquer um pode chegar, e a todos que chegarem e  verem   suas “OCAS” sem portas, podem entrar e não precisam bater.

Quilombo Sacopã, o mundo não acabou! 2012, Coragem Civil é a Voz de nosso Silêncio.


direito-a-cidadeQuilombo Sacopã, o mundo não acabou!

2012, Coragem Civil é a Voz de nosso Silêncio.
por Marcos Romão(Editor da Mamapress)

Em agosto de 2012 o Quilombo do Sacopã teve uma grande vitória, uma vitória de grande significado para todos os Quilombos Urbanos do Brasil:

SAMSUNGA comunidade do Sacopã ganhou o direito de permanecer no lugar onde vive desde a década de 20. Foi promulgada a lei 5503/2012, de autoria de Eliomar Coelho que transforma o terreno de quilombolas em Área de Especial Interesse Cultural. Agora, o Incra poderá fazer a regularização fundiária que garantirá a permanência das famílias descendentes de escravos.

Desde este momento recrudesceu contra os Quilombolas do Sacopã, a perseguição feita por membros da justiça e da sociedade civil do Rio de Janeiro.

Foram tomadas medidas judiciais para calarem a Voz do Sacopã!

Natal e Ano Novo, centenas de milhares de cariocas e turistas abraçam a Memória dos Antigo Quilombos em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas. Soltam fogos, dançam e escutam música com potentes sistemas de som.

Os Remanescentes do Quilombo do Sacopã, estão Condenados ao Silêncio.

Desde agosto de 2012 por ordem e decisão do desembargador do RJ, Jorge Habib estão proibidas todas e quaisquer manisfestações culturais e musicais do Quilombo do Sacopã, a pedido do Condomínio Camburi e da Associação de Moradores da Fonte da Saudade.

O principal acusador do Quilombo do Sacopã, é um vizinho, que ocupa um prédio em área de litígio com o Quilombo, este vizinho, por coincidências que só acontecem contra pobres e negros, chama-se  Antônio Eduardo Duarte. Ele vem a ser o 3º vice-presidente do Tribunal de Justiça e Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro desde 19 de dezembro de 1995.  É uma coincidência que impede  os moradores do Quilombo do Sacopã, de comemorarem como quaisquer cidadãos brasileiros, garantidos pela Constituição. Azar dos Sacopãs terem justamente como vizinho um desembargador que embarga suas vidas, como nos tempos das capitanias hereditárias.

No dia 25 de dezembro, milhões de compatriotas,  ceiam, cantam e dançam ao ritmo que trouxemos na Travessia do Atlântico, os Quilombolas do Sacopã estão Condenados ao Silêncio.

Cantores negros nacionais e internacionais ensurdecem de prazer milhares e milhares de compatriotas na praia vizinha de Copacabana, o som ecoa por todas as Áfricas do Mundo.

Os Quilombolas do Sacopã estão Condenados ao Silêncio.

Milhares de Remanescentes de Quilombos do Brasil festejam sua liberdade conquistada de 1500 até hoje, evocando com seus cantos e tambores, os momentos em que foram aprisionados na Mãe África e passaram a lutar até hoje por sua liberdade e igualdade.

Os habitantes do Quilombo do Sacopã na Lagoa Rodrigo de Freitas, em Ipanema, cercados por condomínios  e Arranha-Céus invasores, estão condenados a evocarem o momento em que silenciados, foam jogados nos Tumbeiros e transportados para sua nova Pátria chamada Brasil.

Pelo seu exemplo de luta o Quilombo do Sacopã, ganhou em 1° de dezembro de 2012, junto com o Quilombo da Marambaia, o Prêmio do Fundo Brasil Direitos Humanos e da Fundação Ford, para fazerem a Rádio e TV QuiGeral na internet além de uma pasquim informativo mensal chamado “A Voz do Sacopã”. Ao mesmo tempo ganharam através de concorrência pública, o incentivo da Secretaria de Cultura do RJ, para desenvolverem cursos de Capacitação em Ferramentas Mediáticas”, extensivo a todos os Quilombos do RJ de do Brasil em parceria da Associação dos Remanescentes dos Quilombolas do Rio de Janeiro, e a RádioTV Mamaterra de Hamburgo na Alemanha.

O Quilombo da Marambaia  também é oprimido,  só que como está longe das grandes cidades, e poucos sabem que eles estão sob o jugo férreo e usurpador da tradicional Marinha Brasileira, exatamente  como no Quilombo do Rio dos Macacos.

Os brasileiros tem uma presidenta e uma constituição, os cidadãos quilombolas brasileiros que vivem há séculos em suas terra, e que teem agora suas áreas reivindicadas pela Marinha do Brasil, são obrigados a viver sob regimento militar e ao sabor do bom humor de sargentos de plantão.

Os Quilombolas do Sacopã ainda tem a grande sorte, em serem a única Família Quilombola e Negra, que insiste e resiste em viver na cobiçada área da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Fonte da Saudade no Rio de Janeiro.  Área que até a década dos anos 70, estava no meio de milhares de Quilombolas dos Quilombos do Leblon, de Ipanema, de Botafogo, de Copacabana e de Ipanema. Todos removidos para os subúrbios mais distantes da cidade. Os quilombolas do Sacopã são sem sombras de dúvidas os últmos mohicanos, que permanecem em uma região, em que milhares de negros foram removidos de suas casas e mandados para as lonjuras,  em um processo fascista e ditatorial de higienização e segregação racial, de fazer inveja aos mentores do Apartheid na antiga África do Sul.

Mas eles também tem o azar,  em possuirem  dois vizinhos que são legítimos representantes, não só no sobrenome, mas também na sanha e racismo que possuiam,  dos proprietários e traficantes que aprisionaram , escravizaram, e sequestraram de África, milhões de seus ancestrais.

Uma é a presidente há mais de 20 anos da Associação de Moradores e Amigos da Fonte da Saudade, que ironicamente usa como sigla o termo AMOFONTE, que apesar de tão rica, nem uma página que se preze na internet tem.

A presidente(a) da  AMOFONTE  ocupa todo seu tempo, em colocar olheiros e cãmeras para observar os passos dos quilombolas, para pedir constantemente aos tribunais, ordens de prisão para o presidente da Associação Cultural do Quilombo do Sacopã. Só este ano foram 3 vezes.

Os Quilombolas do Brasil vão comemorar as festas natalinas e o anúncio do ano novo, os brasileiros do Oiapoque ao Chuí vão soltar fogos e dançarem. provavelmente a Presidenta da República irá comemorar mais uma vez comemorar o ano novo, no “Ressort” da Marinha na região do Quilombo dos Macacos.

Os Quilombolas do Sacopã vão comemorar em silêncio. Nem nas prisões brasileiras, consideradas pelo atual ministro da justiça como medievais, isto acontece. Mesmo nas prisões mediavais brasileiras pode-se dançar e cantar no natal e no ano novo.

Os Quilombolas do Sacopã estão nas mãos de um Desembargador que legisla como nos tempos inquisitoriais, estão nas mãos dele e do que  ele pensa ser a justiça do Rio de Janeiro. Isto é o que pensa o desembargador.

Os quilombolas do Sacopã pensam diferente, porque pensam livremente e como quaisquer cidadão sempre encontram seu jeito de manifestarem seu pensamento.

O Quilombo do Sacopã, seguindo a tradição de Zumbi de Palmares lançou em 1º de Dezembro de 2012, o pasquim ” A VOZ DO SACOPÔ.

CURTAM, OS OUÇAM E SEJAM SOLIDÁRIOS COM O DIREITOS DE TODOS À CIDADE.  A+VOZ+DO+SACOPÃ1 cliquem para ler na íntegra a primeira edição da Voz do Sacopã!

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS NESTE NATAL:

Agradecemos a todos os que de alguma forma colaboraram com esta edição d’A VOZ DO SACOPÃ e com a nossa Luta: Fundo Brasil de Direito Humanos – Ford Foundation, sra. Letícia Osório, sra. Maria Chiriano e equipe, vereador Eliomar Coelho e equipe, Rosane Romão, Laura Rossi, Antonio Juliano, Fernando Senzala, Yure Romão, Luiz Carlos Ramos, Maria Clara Arruda, Dr. Tito Mineiro-OAB, Zezzynho Andrade, Delani Cerqueira, Creuzely Ferreira, Adriana Baptista, Luiz Carlos Gá, Januário Garcia e a todos irmãos e irmãs Quilombolas da Aquilerj, da CONAQ e a todo apoio no Brasil e no exterior(Luis Sacopã).

Agradecimento mais que especiais para Mãe Beata de Yemanja e em memória ao Quilombola Abdias do Nascimento