Ator e militante do movimento negro, Antônio Pompêo morre aos 62 anos


Causa da morte ainda não foi divulgada

Meu amigo Antônio Pompeu faleceu. Tomei conhecimento de sua morte através do jornal o Globo. Sorri junto com ele. Com seu jeito perspicaz, silencioso conseguiu a façanha da Rede Globo escrever a manchete: “Ator e Militante Negro”.  Não dava para desconversar e escrever  “ator negro”, ele era um militante negro ator e, por isso não foi chamado muitas vezes para novelas ou filmes, apesar de ter se consagrado nacional e internacionalmente com o papel de  Zumbi no filme Quilombo, de Cacá Diégues.

Se cá tivéssemos uma calçada da Fama na Cinelândia em frente ao Cinema Odeon, os pés pretos do ator militante negro Antônio Pompêo, teriam rasgado o cimento do coração do Rio para toda a eternidade.

Quando tive que sair do Brasil em 1989, Pompêo e o também falecido Paulão se mudaram para a casa em que eu morava em Santa Teresa. Seguraram o contrato como se diz no popular. Todo ano que vinha ao Brasil, o encontrava, sempre silencioso e agindo pela causa negra. Sempre me falava:  “Tá difícil para nossos e nossas irmazinhas negras terem espaço no palco nacional da visibilidade”. Marcos Romão

E lá se vai mais um dos nossos guerreiros, Antonio Pompêo. Ator, artista plástico e Militante Negro, Pompêo participou ativamente da nossa luta, sempre esteve antenado com a situação de nós negros em todos os segmentos da sociedade. Calado, reservado mas atuante. Tive oportunidade de fotografá -lo e também suas obras. Pompêo nos deixa um legado da sua atuação em filmes e novelas, na luta conta o racismo e também inúmeros quadros e cerâmicas pintados

Antonio Pompêo- foto Januário Garcia

Antonio Pompêo- foto Januário Garcia

Januário Garcia, amigo comum de Pompêo, nos relata no Facebook

E lá se vai mais um dos nossos guerreiros, Antonio Pompêo. Ator, artista plástico e Militante Negro, Pompêo participou ativamente da nossa luta, sempre esteve antenado com a situação de nós negros em todos os segmentos da sociedade. Calado, reservado mas atuante. Tive oportunidade de fotografa -lo e também suas obras. Pompêo nos deixa um legado da sua atuação em filmes e novelas, na luta conta o racismo e também inúmeros quadros e cerâmicas pintados

A matéria de O Globo

Antônio Pompeô

Antônio Pompeô

RIO – Antônio Pompêo, ator, diretor artista plástico e militante do movimento negro, morreu na tarde desta terça-feira aos 62 anos, no Rio. A informação foi confirmada pela Polícia Militar (PM), que ainda não divulgou as causas da morte. Ele foi encontrado sem vida em casa, no bairro de Guaratiba.

Pompêo é conhecido por papeis em filmes como “Xica da Silva” (1976), de Cacá Diegues, e novelas como “Tenda dos milagres” (1985), da Rede Globo. Ele foi protagonista do filme “Quilombo”, também de Cacá Diegues. No longa, lançado em 1984, Pompêo viveu Zumbi dos Palmares.

Pompêo também foi presidente do Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro (Cidan) e diretor da Fundação Palmares.

O ator estreou na TV com “A moreninha” (1975), da Rede Globo. Ele fez papéis marcantes em “O Rei do Gado”, “Sinhá Moça”, “A viagem”, “Pecado capital”, “Mulheres de areia”, “A casa das sete mulheres”, “Pedra sobre pedra” e “Fera ferida”. Seu último trabalho na televisão foi em “Balacobaco”, da Rede Record, em 2012.

Combativo, o ator — nascido em 1953 na cidade de São José do Rio Pardo (SP) — sempre se posicionou contra o preconceito. Em 2010, Pompêo publicou um artigo nas páginas do GLOBO sobre o tema: “O racismo é uma serpente de muitas cabeças. Damos um golpe no seu corpo e ela se multiplica. Precisamos lutar para que essa igualdade exista e que todos possam participar”.

No Facebook, Zezé Mota postou uma mensagem de luto e relembrou os trabalhos que eles fizeram juntos. Os dois contracenaram em “Xica da Silva” e “Quilombo”, por exemplo. “Em choque, e com muito pesar que comunicado a perda do meu amigo e grande ator Antônio Pompêo”, escreveu.

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Zumbi dos Palmares: o herói ultrajado


Por Eduardo Paparguerius*

20 novembro 2015

20 de Novembro de 2015 – Rio de Janeiro – foto Lelette Coutto

Zumbi dos Palmares: o herói ultrajado
A inscrição do nome de Zumbi no Panteão da Pátria em Brasília como herói nacional ao lado do Duque de Caxias e do Almirante Tamandaré sintetiza de certa forma o que Zumbi representa para o inconsciente coletivo de nossa nação.

O líder negro parece figurar como um estranho no ninho entre latifundiários escravocratas e imperialistas, uma convivência que parece ser possível apenas no frio mármore do monumento da capital federal. Porém, no meu entender, a maior diferença entre eles não está na cor da pele, na condição social ou mesmo nas causas pelas quais lutavam, mas no desfecho de suas histórias.zumbi-caxias-tamandaré
Caxias na fundação do exército brasileiro e Tamandaré comandando nossa gloriosa, e então poderosa, marinha de guerra foram líderes militares vitoriosos, que voltaram à pátria cobertos de glória, festejados pela imprensa, saudados pelo povo e pelo poder, objetos de todo tipo de homenagens, com suas figuras imortalizadas e até hoje estampadas nos livros de história. Zumbi ao contrário perdeu sua guerra, seu exército foi dizimado e seu povo escravizado, é um herói sem rosto, cuja morte não bastou aos inimigos que com a mutilação de seu corpo pareciam querer apagar a sua existência de nossa história.
Caso o Império Brasileiro não tivesse vencido a guerra contra Solano Lopez o que seria da memória de nossos líderes militares? Provavelmente uma pálida lembrança de comandantes derrotados, cuja expressão não resistiria ao tempo. Zumbi ao contrário, derrotado e trucidado, amaldiçoado pela Igreja e proscrito pelo poder colonial, vê sua memória ressurgir flamejante das cinzas como a fênix.
Líder guerreiro de uma federação de aldeias com vários milhares de almas, tendo que lidar com o Império Português e nações indígenas em suas fronteiras, Zumbi certamente jamais sonhou que poderia um dia vir a existir uma sociedade brasileira, independente, multirracial e democrática e muito menos que para ela viesse a se transformar em um ícone. Talvez Zumbi nem mesmo prezasse tanto assim valores que hoje associamos a sua figura como a luta pela liberdade e contra a discriminação racial, certamente a luta pela preservação e prosperidade do quilombo ou até mesmo pelo poder dentro de sua estrutura eram algo bem mais presente.
Pouco importa, pois não foi propriamente sua vida e obra, bem pouco documentadas, que serviram para gravar sua imagem em nossa memória, mas sim sua morte heroica, defendendo até o fim o último bastião de seu povo contra forças muito superiores da bandeira de Domingos Jorge Velho. Zumbi não é um herói com feitos militares ou administrativos a serem contados, Zumbi não é um herói que tenha descendentes conhecidos, Zumbi é um herói sem sobrenome, sem rosto, mas que deixou uma marca indelével na alma de nosso povo. Zumbi foi o herói que morreu combatendo a opressão.Panteão-da-Pátria-34
Diferente de Tiradentes executado cruelmente pelo Estado, após a infame traição que abortou a Conjuração Mineira, Zumbi morreu de armas na mão, liderando um exército de homens que lutavam pela liberdade de viver da terra com suas famílias contra um inimigo terrível que prometia a tortura e a escravidão. Com a morte heroica de Zumbi, a Serra da Barriga nas Alagoas testemunhou o surgimento de um mito.
Que figura mitológica pode ser mais importante para a sociedade brasileira atual que a de um líder negro, defendendo até a morte suas comunidades, santuários de liberdade e tolerância em um mundo brutal, nas fronteiras do escravismo e da antropofagia. Nenhum outro personagem de nossa história é capaz de trazer um simbolismo tão forte quanto Zumbi dos Palmares, provocando amor e ódio, incendiando paixões presentes na alma brasileira desde os primórdios de nossa história.
20 novembroreparação jáQuando Brizola e Darcy Ribeiro cravaram na principal via do centro do Rio de Janeiro um monumento a Zumbi ficou clara a diferença entre o líder quilombola e os demais heróis da pátria brasileira. Enquanto Caxias em sua imponente estátua equestre na mesma avenida, Tamandaré de seu alto pedestal divisando a Baía da Guanabara, ou mesmo Tiradentes anualmente lavado pelo corpo de bombeiros fluminense, ornamentam há décadas a paisagem carioca sem causar qualquer reação, incomodados apenas pelos pombos. A estátua de Zumbi em seus poucos anos de existência já foi alvo de diversos ataques de vândalos com motivações racistas.zumbi brizola

Que poder formidável tem a imagem do líder de um povo cuja memória é capaz de incomodar seus inimigos séculos após sua morte.
Zumbi não é um herói do passado cuja memória repouse em museus para ser contemplada pelos homens do presente como parte de um passado resolvido e acabado. Zumbi é um herói da atualidade e vai continuar a lutar, não mais em seu arraial nas Alagoas, mas dentro da consciência de cada um dos brasileiros até que seu bom combate seja vitorioso, até que a liberdade e a igualdade para todos deixe de ser um sonho para todos nós cidadãos brasileiros, herdeiros dos sonhos e da grandeza de Zumbi dos Palmares.

#Eduardo Paparguerius é professor, jornalista e artista plástico.

1000 negros à quatro reais por cabeça.Que juiz federal paga mais?


mil negros180 negras e negros ativistas do movimento negro reuniram-se na última quarta-feira, 23.05.2013, no Rio de janeiro, com o presidente da Fundação Palmares.
Assuntos:

1- CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO COMÉRCIO QUER  ACABAR COM O FERIADO DE ZUMBI DOS PALMARES NO RIO DE JANEIRO, O ÚNICO FERIADO DOS NEGROS BRASILEIROS!

liminar contra zumbi

Dos 5570 municípios brasileiros, segundo a Fundação Palmares, 780 já instituíram o 20 de Novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, como feriado em homenagem aos negros brasileiros, que lutaram contra a escravidão durante 388 anos.

A cidade do Rio de Janeiro está entre as primeiras a reconhecer esta data, o Dia Nacional da Consciência Negra, em homenagem ao Herói Zumbi dos Palmares.

Já em 1986, por iniciativa do deputado estadual negro, José Miguel, foi erguida uma estátua na Presidente Vargas, perto da antiga Praça Onze, um dos berços do samba e local emblemático da cultura afro-descendente no Rio de Janeiro.

Em 1988 o Exécito Brasileiro impediu que 30 mil negros, caminhassem até a estátua de Zumbi dos Palmares para denunciarem a farsa da Abolição.

125 anos depois da Abolição da Escravização dos negros no Brasil, os negros do Rio de Janeiro se mobilizam contra a iniciativa da Confederação Nacional do Comércio, que deseja que o STF acabe com o feriado de Zumbi na cidade do Rio de Janeiro.

2-Juiz Federal do Maranhão suspende editais para artistas, produtores e intelectuais negros.

A produção cultural brasileira é majoritariamente negra. O investimento das estatais aos verdadeiros produtores desta cultura é quase igual à ZERO. MÚSICA, TEATRO, DANÇA E TODAS AS MANIFESTAÇÕES CULTURAIS DE MATRIZ ES AFRICANAS, ENCHEM OS BOLSOS DE MILHARES DE PRODUTORES E DIRETORES. CONTA-SE NOS DEDOS DAS MÃOS OS PRODUTORES, DIRETORES ARTISTAS E INTELECTUAIS NEGROS QUE SÃO CONTEMPLADOS PELAS POLÍTICAS PÚBLICAS ATRAVÉS DE SEUS EDITAIS.

NEGRAS E NEGROS SÃO CONVIDADOS APENAS ARA ANIMAR AS FESTAS GOVERNAMENTAIS E POSAREM EM PROPAGANDAS PARA ATRAIR TURISTAS. POBRES,RECECEBEM  HOMENAGENS DEPOIS DE MORTOS, COMO CLEMENTINA DE JESUS, CARTOLA , ANTÔNIO VIEIRA(MARANHÃO) E NELSON CAVAQUINHO.
Mariah da Penha, segundo suas palavras PHD em empregada doméstica, artista de rua e de grandes canais de TV, propõe um processo civil, instando este juiz à pagar como indenização, os 4 milhões do edital sustado em liminar racista, aos 1000 artistas lesados por esta decisão.
Em um total de 1000 artistas, cada um receberia por danos morais e racismo,  uma indenização de 4 reais por cabeça.

O quarto Zumbi. Historiadores da UNESP inventam sua própria história do negro brasileiro


Nas ciências sociais domina quem dá o significado aos fatos. A história e seu historiadores não foge a isto. Carlos Nobre nos envia um artigo que é um alerta. Fala do livro recém-lançado em São Paulo Zumbi “Três Vezes”. Fala que tres historiadores querem decepar mais uma vez a cabeça de Zumbi.

Sem apresentarem  fatos novos, sem fazerem novas pesquisas,pretendem desmistificar Zumbi, que cada vez mais ganha contornos de herói nacional, reembrulhado em um novo pacote com um Zumbi domesticado e imaginário como se nunca tivesse existido, só na imaginação, ora dos dominadores, ora na imaginação dos oprimidos.

Mas Zumbi é negro, e isto na opinão de Carlos Nobre, é o que incomoda. ” Neste sentido, acreditamos, começarão a surgir outro tipo de estudos: aqueles tal como fizeram os historiadores da Unesp tentando descaracterizar Zumbi como herói nacional, como símbolo dos oprimidos. A importância de Zumbi como herói nacional cresce a cada dia, mas sua cor é empecilho para tal status” ressalta o jornalista Nobre.

É no estado de São Paulo que mais se resiste às cotas nas universidade. Para o autor do artigo é justamente a derrota sofrida pelos conservadores e mantenedores das desigualdades raciais no Brasil nos STF na questão das cotas, que faz surgir na atualidade uma profusão de artigos e agora um livro estilo pão requentado, que procura destruir a existência real de Zumbi dos Palmares e sua importância na historiografia e identidade nacional brasileira. MR

ZUMBI VEZES TRÊS

por Carlos Nobre

Carlos Nobre

Fiquemos mais atentos: as críticas vão se intensificar. Isto porque avançamos sem que a nova inteligência neoliberal consiga impedir novas discussões para instalação de um novo modelo étnico-democrático para a sociedade brasileira. Um dos golpes mais sentidos por essa nova direita, sempre em cargos estratégicos, foi a aprovação das cotas raciais nas universidades públicas e a declaração de legalidade do Prouni ambas pelo Supremo Tribunal de Federal(STF) em menos de um mês.

Surge, agora, articulações mais sofisticadas contra os movimentos sociais negros. Trata-se do livro ” Três vezes Zumbi: a construção de um herói brasileiro”. Os autores – Jean Marcel Carvalho França e Ricardo Alexandre – são historiadores da Unesp ( Universidade do estado de São Paulo). Eles analisam o mito Zumbi no colonialismo, na era imperial e na república. Daí, então, o nome do livro, isto é, três vezes Zumbi.

Eles querem mostrar que Zumbi sempre foi manipulado ou negado ou minimizado pelos seus estudiosos conforme as conjunturas históricas de cada momento. Em suma, estes autores negam a importância de Zumbi como herói nacional, pois, em cada momento histórico, ele teria mudado de configuração. Ou seja, teria sido inventado ou sua importância maximizada.

Vejamos as teses deles:
1.No período colonial, Zumbi e Palmares aparecem nos escritos(viajantes,cronistas,militares, dirigentes etc) como foco de instabilidade para capitania de Pernambuco. Os escritos neste período são lacônicos e de passagem sobre Zumbi/Palmares. O pioneiro historiador Rocha Pita diz que Zumbi é um cargo e não homem, e que o último ocupante deste cargo teria cometido o suicídio. Essa versão da historiografia oficial perdurou até em 1946. Nesse ano, Edison Carneiro publicou o livro ” O quilombo de Palmares”, onde demoliu a versão de Rocha Pita, demonstrando documentalmente que Zumbi fora traído, tivera a cabeça cortada e exibida em Recife.

2.Nas décadas iniciais do século XX, Zumbi/Palmares, asseguram os historiadores, perdem importância, ganham contornos mais negativos e adquirem tons menos grandiosos nos escritos deste período. Palmares passa a simbolizar um “empecilho ao avanço da civilização europeia no Brasil, um cancro que os colonos tiveram de extirpar” (…), alegam os historiadores.

3. Nas ultimas décadas do século XX, Zumbi é tratado como um herói pioneiro da luta pela liberdade no Brasil, um líder das classes oprimidas da colônia, e também um herói afro que lutou pela liberdade e igualdade, ou seja, um herói daqueles que lutaram e lutam contra o caráter excludente da sociedade brasileira.
Então, ok, esta aí a importância do personagem na história, ele mesmo desenhado pelos próprios historiadores que desejam destruí-lo, pois, é motivo de várias visões controversas.

Quem foi Zumbi?

Na verdade, estes novos autores ( não negam suas origens neoliberais, apreciadores dos historiadores das classes dominantes/conservadoras tendo como exemplo nomes como Rocha Pita, Adolfo Vanhargem e outros) são idealistas: eles queriam encontrar Zumbi redondinho na historiografia brasileira, isto é, com uma biografia com início, meio e fim…ingenuidade ou idealismo?

Todos os heróis de uma dada sociedade são inconstantes e as referências a eles sempre contraditórias. Se assim o são, esta sociedade, em determinadas conjunturas, necessita de exemplos redondos de desempenho político, pois, ninguém pode representar esta tarefa sem que não aja danos nas suas relações sociais e políticas.

No entanto, sabemos que os grandes homens e grandes momentos não se apresentam como são idealizados. Isto é: de forma linear e em conjunturas que necessitam de modelos bem arrumadinhos. Pelo contrário. Muitos começam sua trajetória pelo meio. E antes de começar, muitas vezes são questionados, e mais frente, ganham consistência e dimensão impressionante, sem que haja motivos aparente para tal consagração histórica.

Este é o caso de Zumbi.

Na verdade, estes dois autores quiseram demolir o mito Zumbi fazendo uma releitura da historiografia já dada sobre ele. Impossível. O nome Zumbi tem hoje uma penetração impressionante: nome de cidades, bairros, hospitais, aeroportos, ruas, avenidas, universidades… sempre como símbolo de libertação.

A historiografia hoje em relação a Palmares se apresenta assim: quem está trazendo novos documentos a respeito de Zumbi/Palmares ? Nesse sentido, o livro “Três vezes Zumbi” não tem nada de novo e importante. Em outras palavras: os autores não estiveram em arquivos brasileiros e europeus para, com novos documentos, demonstrar a fragilidade de Zumbi/Palmares no período colonial brasileiro.

Para que pesquisar se a gente pode fazer uma releitura com que já foi pesquisado?
Então, a debilidade começa aÍ, em relação ao livro dos historiadores da Unesp: não dão nada de novo , ou seja, não exibem documentos novos, nem analisam o fenômeno apresentando as incongruências históricas, não analisam com vigor o processo escravista como grandes autores o fizeram( Flávio Gomes, Kátia Mattoso, Carlos Eugênio Líbano Soares, João José Reis, Maria Viotti da Costa….). Ao contrário, se socorre com o historiador Manolo Florentino (UFRJ), neoliberal e anticotista ferrenho, que, em prefácio, diz que o livro é “uma pequena joia”. Para ele, claro.
Como enfocar o mito Zumbi/Palmares sem se perder pelos caminhos? Tarefa muito difícil, convenhamos.

Um grande problema a enfrentar logo de cara: a marca Zumbi está valendo muito. Ou seja, a sociedade vem sendo engolida pelo fato de Zumbi ter se tornado um herói genuíno das massas de despossuídos ao contrário do heroísmo oficial cujas figuras representativas são bastante questionadas e não atraia atenção da população.

Em relação a Zumbi/Palmares, é bom que se frise que somente na capital e no interior do Rio de Janeiro ( não, em Alagoas, onde o mito nasceu), existem oito monumentos em homenagem a Zumbi. Desde 1986, na Praça Onze, no Rio de Janeiro, na base do monumento, em 20 de novembro ( Dia da Consciência Negra) são organizados atos e manifestações. Isso repercute no Brasil inteiro e deixam os intelectuais conservadores abaladíssimos. Existem aproximadamente mais 1.250 municípios que declararam o 20 de novembro (dia da morte de Zumbi) como feriado em homenagem ao Dia da Consciência Negra. Há dois anos, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva quis transformar o 20 de novembro em feriado nacional. Historiadores de universidades estrangeiras não entendem porque não existem no Brasil pesquisas aprofundadas a respeito Palmares devido à sua importância para os estudos de escravidão colonial nas Américas

Neste sentido, acreditamos, começarão a surgir outro tipo de estudos: aqueles tal como fizeram os historiadores da Unesp tentando descaracterizar Zumbi como herói nacional, como símbolo dos oprimidos. A importância de Zumbi como herói nacional cresce a cada dia, mas sua cor é empecilho para tal status.

O que é difícil para a nova historiografia de revisão ressentida é negar a proeminência deste mito na história brasileira: os documentos coloniais portugueses dos séculos XVII e XVII citam, ele, Zumbi, pedem que negocie e, que seja complacente com os portugueses. Tratam-no como um grande dignitário e não como um fugitivo da escravidão.

Assim, ninguém pode negar que ele nunca existiu. Mas, dependendo das épocas, aparece com rostos multifacetados. Ora é um fugitivo da escravidão, ora um líder radical, ora general poderoso, ora líder pressionado pela ação militar portuguesa.
E nunca apareceu até agora nos documentos portugueses como um conciliador, bandido, ladrão, místico ou farsante. Sempre como um inimigo poderoso a quem os colonialistas inúmeras vezes tentaram atrair com promessas de liberdade que sempre eram rechaçadas.

Angra dos Reis, encerra hoje comemoração da Cultura Negra


Paulo Roberto Diop dos Santos nos informa que a prefeitura de Angra dos Reis , através da Fundação Cultural (Cultuar), desde o ano passado incluiu a Festa da Cultura Negra como um evento oficial do calendário cultural da cidade.

Neste sábado à noite, dia 12, a Cultuar brindará a população com um belíssimo concerto do Coral da Cidade de Angra, que fará uma apresentação especial em comemoração à data.

A programação da festa em Angra dos Reis começou hoje, dia 9, a partir das 9h, com uma bonita exposição, na Casa Laranjeira, Centro da cidade, ao lado da Praça Zumbi dos Palmares.

Com o tema africano, a exposição realizada pela Setorial afro-brasileira, do Conselho Municipal de Cultura; Grupo de Consciência Negra Ylá Dudu e Fundação Cultural de Angra (Cultuar), apresenta artes plásticas, histórico e livros sobre o movimento negro em Angra e no Brasil, esculturas de orixás e diversos objetos, como panelas de metal e grilhão da época dos escravizados

A exposição, que recebeu diversos outros apoios, estará aberta para visitação até o dia 12 de maio, de quarta a sábado, das 9h às 18h, e no sábado até as 13h.

Treze de maio é uma data considerada pelos grupos do movimento negro como um dia de luta e reflexão da população afrodescendente; é um dia consagrado por grupos religiosos a Nossa Senhora de Fátima e ao Preto Velho; e oficialmente o dia em que o Brasil comemora a abolição da escravatura.

No sábado à noite, dia 12, a Cultuar brindará a população com um belíssimo concerto do Coral da Cidade de Angra, que fará uma apresentação especial em comemoração à data.

Twitaço #cotasSim Cresce no país mobilização para que o STF aprove as cotas


Deu na Afropress
notícias

Cresce no país mobilização para que o STF aprove as cotas
Por: Redação – Fonte: Afropress – 24/4/2012

S. Paulo – Na véspera da votação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) das ações movidas pelo DEM e pelos donos de escolas particulares, por meio da Confederação Nacional de Estabelecimentos de Ensino (CONFENEN) questionando a política de cotas e contra o Programa Universidade para Todos (ProUni), que beneficiam negros e indígenas, cresce a mobilização pelo país para que o STF rejeite as ações e garanta a continuidade desses programas.

Só de S. Paulo, 150 alunos do Curso de Direito da Faculdade Zumbi dos Palmares, seguirão nesta terça-feira (24/04) em três ônibus lotados para acompanhar a votação. A saída está prevista para as 20h e a chegada em Brasília para as 11h de amanhã. A sessão começa às 14h.

O ex-Secretário de Justiça de S. Paulo e uma das principais lideranças do Movimento Negro brasileiro, Hédio Silva Jr. (foto), que fará sustentação oral como Amicus Curiae (Amigo da Corte) se declarou “extremamente otimista”. “O princípio da ação afirmativa adotado para outros segmentos nunca sofreu qualquer questionamento. É sintomático que quando invocado para favorecer a população negra, haja uma reação”, afirmou.

Twitaço

Entidades negras e antirracistas como o Instituto Steve Biko, de Salvador, e a Bamidelê – Organização de Mulheres Negras da Paraíba – anunciam que realizarão das 10h às 15h, um “twitaço” em defesa das cotas raciais, usando o hashtag #cotasSim. A mobilização está sendo feita pelas redes sociais.

“Não podemos aceitar nenhum retrocesso nesta política. Por este motivo convocamos a todos (as) que se mobilizem em defesa das cotas nas universidades”, afirma Terlúcia Silva.

Caravana e otimismo

O reitor da Universidade Zumbi dos Palmares (Unipalmares), José Vicente, que acompanhará a caravana de alunos, em entrevista a Afropress até arriscou um palpite sobre o resultado da votação. “Serão sete a quatro ou oito a três, em favor da constitucionalidade das cotas”, afirmou.

Os quatro votos contrários, segundo Vicente, poderão vir do ex-presidente do STF até a semana passada, Cezar Peluso, dos ministros Celso de Melo, Gilmar Mendes e Rosa Weber, embora em relação a ministra, se diga confiante em voto favorável, pois não conhece as suas posições sobre o tema.

Ele também considera que o ministro Dias Tóffolli, que era o Advogado Geral da União quando as ações foram propostas poderá não se declarar impedido de votar como, à princípio, foi cogitado por analistas, o que garantirá uma maioria folgada.

Além da caravana, o reitor disse que o Coral da instituição, regido pelo maestro Nilton Silva, deverá cantar o Hino Nacional em frente ao Supremo, na Praça dos Três Poderes, ou na abertura da sessão no próprio plenário do STF.

Outros Estados

De outros Estados do país, lideranças negras e antirracistas se preparam para acompanhar a votação em Brasília, no plenário do Supremo ou pela TV Justiça que deverá transmitir a sessão histórica.

Ontem, o ex-ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e presidente da Fundação Palmares, Elói Ferreira de Araújo, disse que está esperançoso e confiante. “Estamos muito esperançosos de que os 11 ministros da mais Alta Corte do Brasil, retirem essa espada colocada pelo DEM sobre a comunidade negra brasileira”, afirmou.

Segundo Elói, uma posição desfavorável às ações afirmativas, influenciará não apenas na política de cotas da Universidade de Brasília (UnB) e no ProUni, mas também poderá retirar os fundamentos jurídicos da Lei 12.288/10 – o Estatuto da Igualdade Racial.

Dia histórico

Ana Cristina dos Santos Duarte, Secretária Nacional da Diversidade Humana da UGT (União Geral dos Trabalhadores), e também Secretaria da Estadual do Rio, disse que esta quarta-feira é um dia que poderá ficar na história como aquele em que, pela primeira vez na República, a mais Alta Corte do país declarou a constitucionalidade das políticas afirmativas, em favor da população negra e indígena brasileira.

“Nós temos muita esperança de que o STF declare a constitucionalidade das cotas raciais no país”, enfatizou.

Observatório da População Negra será lançado no Dia Internacional contra Discriminação Racial


Observatório da População Negra será lançado no Dia Internacional contra Discriminação Racial

O lançamento será dia 21 de março e marca o Dia Internacional contra a Discriminação Racial.

 

Enviado pelo nosso correspondente de primeira hora, Paulo Roberto “Diop” dos Santos.( Publicado originalmente no Africa Digital 21)

 

São Paulo – A Faculdade Zumbi dos Palmares, em parceria com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE) e com a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), lança o Observatório da População Negra, uma iniciativa que cria o primeiro banco de dados sobre as realizações da população afrodescendente em diversas áreas produtivas e sociais do Brasil. O lançamento será dia 21 de março e marca o Dia Internacional contra a Discriminação Racial.O Observatório é um portal aberto e público, que vai realizar pesquisas sobre os resultados efetivos das políticas públicas para a população negra, reunir análises das informações coletadas, para identificar problemas e avanços em cada segmento de estudo. “Teremos um banco de dados real e otimizado sobre a situação do afrodescendente”, afirma José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares.O Observatório da População Negra promoverá sua primeira pesquisa qualitativa sobre a performance e a realidade dos estagiários da Zumbi dos Palmares em instituições bancárias em São Paulo. O estudo será coordenado pela Profº Eliane Barbosa, que defende doutorado na FGV-SP com o mesmo tema.O lançamento oficial do Observatório da População Negra acontecerá na próxima quarta (21), em seminário sobre o negro no mercado de trabalho, na Faculdade Zumbi dos Palmares, a partir das 14h. As informações são da Universidade Palmares.

Mamapress procurou o Superintendente da SUPIR-RJ, Marcelo Dias, que ao considerar a idéia excelente, já colocou em discussão, a idéia do Estado  Rio de Janeiro integrar-se a esta ação, reativando o Disque-Racismo.

A Mamapress lembra a experiência pioneira do Rio de Janeiro, que foi a criação do SOS Racismo, Cidadania e Direitos Humanos  no Instituto de Pesquisas das Culturas Negras ainda na década de 80 e, recomenda que seja aproveitada.