Os filósofos de 15 minutos de fama e as montanhas que não alcançamos


Este texto chegou na mamapress em janeiro deste ano, ficou para análise e o editor aqui comeu môsca ao não publicar este artigo premonitório da ascenção e queda de um filósofo burlesco em seus 15 minutos de fama. (da redação @marcosromão)

Por Jones Alberto***

Jones-filosofando

Jones Alberto

Sim, o Karnal, é a versão moderna dos antigos sofistas gregos, pertence ao grupo de comentadores cultos, que resolveram se expor na midia e vir até a praça publica( a ” ágora” grega) – atitude louvável, mas sujeito as inverdades e condiçoes do meio em que a mensagem pode ser dita.

Meus professores da PUC, como o Gerd Borheim, diria se afastando que a filosofia é para poucos e que jamais iria as Casas Bahia… Tal atitude levou todos eles à forca , durante a Revolução Francesa.

Ele é critico e criativo nos comentários. Teatral , burlesco, porém tem um carater volúvel, um dandy sem profundidade existencial e não acredito que ele daria a vida pelo que pensa.
Ele disse que tinha medo dos próprios sentimentos quando era jovem, eu tenho medo dele agora …

Ele não é um criador , talvez não seja um diluidor, mas consegue espallhar a semente… É um excelente divulgador da tradição , embora oculte as fontes e a divergência que há entre os pensadores citados.

É um homem da aristocracia – um típico cavalheiro de uma corte que não mais existe( a burguesia detesta o ócio criativo). Nao servem como orientaçao , são para serem degustados…Säo homens que se alegram em ter “insight”, como aquele pensador alemão que disse ser a Academia platônica o equivalente arquitetôico do que os gregos chamam de “epoché”( suspensão do juizo), ou seja, uma casa para se“desligar do mundo e por as preocupações entre parenteses, um asilo para os enigmáticos convidados que chamamos de ideias e teoremas…”

Como todo retórico e humorista bebem do cotidiano e duram pouco, pois o que têm de bom não é deles, mas nos encantam pela surpresa das associações -impressionam apenas uma vez…

Entretanto, neste submundo que o Brasil virou é bom tê-lo como vizinho, pois nos ajuda a lembrar que já poderiamos tê-lo superado e termos alcançado as montanhas mais distantes…

***Jones Alberto é cardiologista, cientista social e filósofo colaborador da Mamapress

INJÚRIA RACIAL É RACISMO. Quanto mais educado, pior é o racista: Cabeleireira é agredida e chamada de ‘macaca’ por advogado em BELO HORIZONTE


PUBLICADO EM 20/03/17 – 19h25
Taciane

Ticiane Cristina- Instituto Todo Black é Power-ITBP

A cabeleireira Taciane Cristina Souza Pires, de 28 anos, do Instituto Todo Black é Power (ITBP) – um espaço em Belo Horizonte dedicado à valorização da estética negra –, foi agredida com um tapa no rosto e chamada de “macaca” por um advogado, de 70, na tarde desta segunda-feira (20), quando ela entrava em um ônibus da linha 3503, na rua dos Caetés, no centro da capital.

“Eu estava subindo os degraus do ônibus no momento em que fui surpreendida por esse homem. Ele puxou meu cabelo, bateu na minha cara, me chamou de ‘macaca’ e de ‘horrorosa’. Simples assim. Olhei para trás assustada e ele ainda disse que não gostava do meu cabelo afro e que se me pegasse na rua, [a agressão] seria pior”, relembra Taciane.

Revoltadas com o ataque do advogado, pessoas que passavam pelo local e passageiros do ônibus seguraram o agressor, que tentou fugir depois da agressão ao pedir um táxi. “O povo queria linchá-lo ali mesmo. Tentaram agredi-lo, mas eu não deixei. Estamos falando de um senhor de 70 anos”, ressalta a vítima.

Após ser solto pelos homens que o seguravam, o advogado seguiu em direção à praça Sete onde tentou pegar um outro táxi, mas foi seguido por Taciane e seu irmão, que apareceu durante a confusão para protegê-la. Os dois acionaram a Polícia Militar (PM), que abordou o advogado. “Na frente dos policiais, ele negou que me agrediu. Disse aos militares apenas que não gostava do meu cabelo. Me senti desamparada, sem ajuda. Os policiais ainda vieram me perguntar se eu queria mesmo registrar um boletim de ocorrência. Um absurdo”, lamenta.

O advogado e Taciane foram encaminhados para a Central de Flagrantes II (Ceflan) da Polícia Civil, no bairro Floresta, na região Leste da capital, onde foram ouvidos. Segundo a assessoria da corporação, o delegado responsável pelo caso considerou que o homem, por ter 70 anos e não possuir antecedentes criminais, seria liberado mediante o pagamento de uma fiança no valor de R$ 1.000,00, correspondente ao crime de injúria racial.

“Ele foi liberado e eu fiquei aqui, na delegacia. Mas isso não vai ficar assim. Vou procurar a Justiça. Vou processá-lo. O racismo não pode ficar impune. As meninas do instituto e representantes de diversos movimento sociais e coletivos negros estão aqui para me apoiar”, disse Taciane.

De acordo com a Polícia Civil, Taciane será levada para o Instituto Médico Legal (IML) para fazer o exame de corpo de delito. O caso será investigado e encaminhado para a Justiça. Ainda conforme a corporação, a pena para injúria racial varia de um a três anos.

NOTA DA MAMAPRESS

Segundo reportagem de o Tempo de BH, a cabeleireira Taciane Cristina Souza Pires, de 28 anos, do Instituto Todo Black é Power (ITBP) – um espaço em Belo Horizonte dedicado à valorização da estética negra –, foi agredida com um tapa no rosto e chamada de “macaca” por um advogado, de 70, na tarde desta segunda-feira (20), quando ela entrava em um ônibus da linha 3503, na rua dos Caetés, no centro da capital.

Não bastasse isto, ter sido vitima de agressão racial de forma física e verbal, teve ainda seu nome divulgado, assim como o local de emprego, enquanto o agressor racista, supostamamente advogado, teve seu nome protegido pelo delegado, assim como lhe foi imposta uma fiança de valor irrisório.

Taciane Cristina  teve uma excelente posição, reagiu, correu atrás do racista, e ainda conseguiu(quase um milagre) que a polícia o prendesse em flagrante. E  ainda por cima, salvou o racista de linchamento. A moça teve garra e sangue frio. Não se igualou ao canalha racista.

O MN de BH deve descobrir logo o nome deste canalha para que todas a mulheres negras de BH, saibam por onde ele anda e o perigo que ele é, para todo o povo negro, com Belo Horizonte tendo este franco-atirador racista, pronto para atacar a primeira mulher negra que ele veja pela frente ou que ataque pelas costas.

Como sempre os delegados ficam ao lado dos racistas e os protegem, como se protege a um filho que cometa travessuras. Com esta irrisória taxa de fiança, mais uma vez a viítima é que duplamente ofendida. Além da humilhação de policiais que lhe pedem para “deixar disso”.

Advogados negros e negros, tem mais é que trabalhar para fazerem valer a injúria racial, pois a pena é a mesma, e injúria racial nada mais é que racismo.

A única diferença é poder ter fiança. O crime continua o mesmo. Apesar das firula jurídica, para tentar atenuar o racismo para o racista. Pois pra o discriminado o racismo só aumenta pelo descaso dos agentes policiais e do judiciário tentam demonstrar ao só tipificarem o crime de racismo como “injúria racial” ao invés de puro e simples racismo com prisão em flagrante..

Não gostamos de fazer hipóteses encima do quanto pior melhor, mas não gostaríamos e imaginar como a vítima teria sido tratada pelo delegado caso ela enquanto discriminidade e agredida racistamente, tivesse deixado o canalha racista ser linchado.

Ainda segundo a reportagem de Ailton do Vale, Taciane, nos descreve a situação, em que o racista, suposto advogado, ainda a ameaçou de agredir mais caso a encontrasse sozinha na rua. E ainda pediu um , “desculpa macaca”.

O que cada vez mais prova que no Brasil quanto mais “educado”, pior é o racista.