Hoje acordei com vontade de gritar: SOU NEGRA!!! Eu sou a prova!


por Mirian França
mirian refeita 2Hoje acordei com vontade de gritar: SOU NEGRA!!!
Filha de uma negra solteira, pobre, costureira aposentada, que jogou uma negra doutora na cara da sociedade. Uma negra que estuda e trabalha pra caralho pra garantir o direito de ser livre e viver como quiser.
Essa sou eu, MIRIAN FRANÇA, a negra encarcerada no Ceará em Dezembro de 2014 por suspeita de assassinar uma turista italiana.
Graça aos amigos e a população, a policia foi obrigada a me libertar do meu cárcere. Cárcere sim! Pois se tratando de uma prisão sem fundamentos, trata-se de uma prisão ilegal. Cometida por uma polícia despreparada e racista, que insiste em enxergar o negro como culpado mesmo quando não existem provas, evidência, motivação ou testemunha. Que insiste em dizer que têm “CONVICÇÃO” de que somos culpados mesmo quando não há nenhuma prova da nossa culpa. Se tratando dos negros a polícia se esquece do nosso direito básico de que somos inocentes até que ELES provem o contrário, não somos nós que precisamos provar nossa inocência.
Aos 31 anos descobri o que é ser negra de verdade.
mirian refeitaSer negra é ser chamada de estranha quando você sai de férias e passa o dia na beira da piscina lendo, porque uma negra gostar de ler “é muito contraditório, provavelmente está forjando um álibi”.
Ser negra é ser questionada sobre como teria dinheiro para tirar férias no Ceará (um estado do MEU país, onde apenas turistas estrangeiros parecem ser bem vindos).
Ser negra é ter a obrigação de andar com um macho a tira colo; não poder viajar sozinha; não ter o direito de trepar com quem quiser, sem ser chamada de puta (alias, essa é a sina de todas nós mulheres).
Ser negra é ter medo de parir uma criança que já nasce como um alvo para o genocídio. Que precisa ser preparado pra violência policial, pra chacota na escola, no teatro, na vida toda.
O RACISMO no Brasil É UM CRIME PERFEITO. É o crime sem corpo, sem prova, sem testemunha. Mas é nítido quando a polícia tem “convicção de que você é culpado”, apenas com base no seu “comportamento suspeito” (Gostar de ler? Gostar de escutar musica? Gostar da introspecção? Gostar de viajar? Ser solteira?).
mirian refeita 3Não precisa chamar o negro de macaco pra ser racista não. Basta abrir os olhos e ver quem é preso por engano, basta ver quem precisa provar a inocência (quando a lei é clara que se é inocente até que se prove o contrario). Quem é assassinado nos autos de resistência nunca é um branco. Eu nunca soube de um branco preso em manifesto por portar uma garrafa de desinfetante (Daniel Braga). E nem uma branca ser arrastada por viatura policial (Claudia Ferreira).
Eu sou a prova viva de que a redução da maior idade no Brasil é pretexto pra prender criança negra. Sou prova viva de que pena de morte no Brasil é consentimento jurídico para o Estado assassinar mais negros. Eu sou a prova de que pra policia brasileira a culpa tem cor.

Saiba mais sobre o caso

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Caso Mirian França&Gaia Molinari: Polícia tenta montar quebra-cabeças


Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur) continua as buscas por provas que possam definir o autor do crime

Emerson Rodrigues/Melquíades Júnior/Thatiany Nascimento
Editor de Polícia/Repórteres

reblogado do Diário do Nordeste 26.02.2015

Em dois meses de investigação, pelo menos sete pessoas, entre brasileiros e estrangeiros, foram questionadas pelo possível envolvimento com Gaia Bárbara Molinari, inclusive na sua morte. A Polícia tem a missão de desvendar o que se passou ao redor da italiana entre os dias 21 e 24 de dezembro.

Embora frequentes, as festas em Jericoacoara estavam envoltas em período especial, pois era Natal. Na noite de 24 de dezembro, bares e restaurantes fecharam mais cedo. Quem não ficasse em casa poderia ir para as festas divulgadas no “boca a boca”. Onde estava Gaia na noite de Natal? Ou melhor, entre 18h30 e 0h? Para onde foi no início da noite? Com quem, desde que foi vista saindo da borda da piscina da pousada?

A Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur), responsável pela investigação do caso, colheu amostras de DNA de ao menos seis pessoas. A intenção é saber quem poderia ter participado da autoria material do crime e encontrar uma combinação positiva para amostras colhidas no corpo e em objetos encontrados próximo a Gaia.

Quebra-cabeças foto diário do nordeste

Quebra-cabeças
foto diário do nordeste

A reportagem apurou que pelo menos cinco resultados negativos já foram confirmados, entre eles, Mirian e Edinho. Mas isso não descarta a eventual participação no assassinato. Isso porque surgiram novas peças coletadas e exames de DNA e de perícia técnica em objetos tanto de Gaia quanto dos suspeitos. A investigação continua.

Desde o dia 27 de dezembro, da primeira visita de policiais civis da Especializada, várias incursões têm sido realizadas na vila de Jericoacoara. As idas e vindas são medidas a cada nova informação que chega, especialmente se corrobora com as duas linhas de investigação seguidas pela Polícia. A primeira, de crime passional, e a segunda, que permanece em sigilo.

Na noite de 25 dezembro, o subtenente Rodrigues, do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur) de Jericoacoara, afirma à reportagem a existência de um “forte suspeito”. No dia 26 de dezembro, a carioca Mirian França é ouvida como testemunha na Deprotur em Fortaleza, após ser localizada em Canoa Quebrada no dia anterior. Ela tinha viajado para Jeri com a vítima Gaia Molinari. Ambas se conhecem em Fortaleza e decidem ir juntas. Ficam no mesmo quarto da pousada.

O registro da hospedagem estava no nome de Mirian, e foi o número de celular o ponto de partida para sua localização. Ela relata os dias vividos com Gaia e direciona o seu primeiro depoimento para um italiano instrutor de windsurf. Após o depoimento da farmacêutica Mirian, a delegada Patrícia Bezerra recebe uma ligação do coronel Júlio Aquino, chefe do Comando de Policiamento do Interior (CPI) Norte. Ele está com um suspeito. Era Edson Veríssimo, o Edinho, o “forte suspeito” apontado por populares e pelo BPTur já horas após a descoberta do corpo.

Edinho, de 28 anos, havia assassinado a faca outro rapaz anos atrás. Segundo a família, tem transtornos mentais, advindos desde as primeiras overdoses com entorpecentes.

No dia 27 à noite, a delegada liga para Mirian dizendo que precisa que vá com ela até Jericoacoara, onde as equipes já estavam colhendo informações. Um dia depois, ainda na Vila, o italiano é ouvido pela Polícia, nega envolvimento com a morte de Gaia e aponta fundamentações, confirmadas por testemunhas, de que não estava com ela. No mesmo dia 28, Valentina Carrara, mãe de Gaia, presta depoimento à Polícia da província de Piacenza, na Itália.

Conta sobre os diálogos que teve com a filha, via Skype, quando ela estava em Jericoacoara na companhia de Mirian. “É estranho presentear com este tipo de passeio de férias, que tem alto custo para quem conhecia a pouquíssimo tempo”, afirma, referindo-se ao convite feito por Mirian para que Gaia a acompanhasse na viagem já custeada pela carioca.

Diante das contradições e outros elementos apontados pela Polícia após acareação com o italiano, Mirian tem a prisão temporária decretada pela Justiça. Nos dias que se seguem, a Polícia colhe depoimentos de um casal de estrangeiros, uruguaio e francesa; um homem apontado como traficante; um kitesurfista, além de outras pessoas que tiveram algum tipo de contato com as duas turistas. O quebra-cabeça está com as peças na mesa.

Novas diligências em Jericoacoara

Dezenas de pessoas ouvidas, cerca de 15 laudos periciais ainda a serem entregues, mais de 500 páginas compondo um inquérito, ainda em curso forma, em dois meses, intrincada teia de investigação da morte da italiana Gaia Molinari. O crime teve repercussão internacional. Nas redes sociais, a prisão de Mirian, a única realizada até agora, é alvo de críticas por parte de movimentos sociais. Nessa tese, seria uma mulher, negra, sendo acusada injustamente. Para a Polícia, é uma suspeita, com evidências para fundamentar a prisão. A Defensoria Pública contesta: as investigações estariam explorando a personalidade de Mirian em detrimento das questões centrais que envolvem o crime de morte. Outros detalhes do caso permanecem sob sigilo.

Novas diligências são feitas. Desde ontem, uma nova incursão da equipe de investigadores, chefiados pela delegada Patrícia Bezerra, segue na Vila de Jericoacoara. Busca elementos e novos testemunhos que deem mais fundamento às linhas de investigação traçadas.

A Polícia tem convicção, em indícios já revelados e em outros ainda sigilosos, de que está no caminho certo, mas sem mensurar tempo e hora de chegada. A Defensoria Pública, por sua vez, diz estar convicta de que não há envolvimento de Mirian França, os elementos apresentados seriam frágeis. A farmacêutica voltou para o Rio de Janeiro no dia 14 de fevereiro, cerca de um mês depois de sair da Cadeia e ser liberada do compromisso firmado com a Justiça de permanecer em solo cearense.

Indiciamento

De acordo com a Polícia, não está descartada a possibilidade de indiciamento não somente pelo assassinato como por outros crimes. O mesmo vale para os outros suspeitos. Enquanto não é resolvido o mistério, o que a lupa investigativa da Polícia tem de mais evidente ainda é a imagem de um corpo inerte nas dunas do Serrote, uma área isolada, mas que faz caminho da Vila até a Pedra Furada. É onde se tem o principal cartão-postal do “paraíso” de Jeri.

A região, formada por rochas e dunas, trilha para o turista, é agora lembrada pelo que ficou no caminho. Uma mulher sem vida, com marcas de violência, descalça, de biquini e com uma mochila. Nela, uma canga, cópia do passaporte, garrafa de água, pote com búzios, fone de ouvido. Sem indícios de furto ou estupro, ainda faltam as peças que respondam: quem matou Gaia?

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A polícia ainda não se adaptou às regras do Estado Democrático, avalia André Augusto Bezerra, Presidente da Associação Juízes para a Democracia (AJD)


ENTREVISTA COM O DR. ANDRÉ AUGUSTO BEZERRA, PRESIDENTE DO CONSELHO EXECUTIVO DA ASSOCIAÇÃO DOS JUÍZES PARA A DEMOCRACIA- AJD*

por Rodrigo de Medeiros

juizandreaugusto

André Augusto Bezerra

O Caso Mirian França vem sendo denunciado, por movimentos sociais e organizações de direitos humanos, como uma repetição de abusos e violações institucionais a segmentos mais vulnerabilizados. A equipe de comunicação da RENAP-CE, então, entrevistou, a partir dessas denúncias, o Dr. André Augusto Bezerra, Presidente da AJD, sobre essa realidade do sistema penal e prisional do país, a qual os movimentos tanto denunciam. A AJD tem por objetivos, dentre outros, a defesa do Estado Democrático de Direito, da dignidade da pessoa humana, a democratização interna do Judiciário e a total transparência do serviço público, permitindo sempre o controle do cidadão. Vejam a entrevista:

1) Dr. André Augusto Bezerra, como a AJD vê esta realidade de encarceramento no país, ficando em terceiro ou em quarto do mundo?

R: Na realidade, o Brasil ocupa a terceira posição, perdendo apenas da China e dos EUA. Recentemente, ultrapassamos a Rússia. Esta realidade, ao meu ver, tem sua origem no histórico tratamento da questão social como caso de polícia. A repressão extrema aos delitos contra o patrimônio individual, em detrimento da preocupação com os crimes contra o patrimônio público, e a guerra contra as drogas decorrem dessa tradição, lotando nosso sistema prisional.

2) A vulnerabilização de certos segmentos, como a juventude da periferia, não branca, a sua fragilização frente aos abusos de autoridade cometidos por policiais, a falta de defesa técnica adequada, podem ser considerados uma manifestação da desigualdade do país, também fruto do racismo institucional?

R: Não tenho dúvida que sim. A desigualdade sócio-econômica do país gera reflexos no tratamento do Estado perante seus cidadãos, levando a um tratamento policial mais rigoroso e ao acesso desigual à justiça em relação aos mais pobres.

3) Há muitas denúncias de prisões temporárias e preventivas sendo solicitadas e concedidas sem fundamento. Os movimentos de mulheres e negro denunciaram o caso da pesquisadora Mirian França, no qual teria havido prisão temporária sem fundamento. Pode se admitir prisões como método de investigação, ou isto feriria o nosso Estado Democrático de Direito?

R: Não conheço com detalhes o caso Mirian França, de modo que não opino sobre ele. De toda forma, de fato, no Brasil há excesso de prisões cautelares, medida que, conforme o princípio constitucional da presunção de inocência, deveria ser excepcional. Tal medida está se tornando verdadeira regra.

4) Antes de se ter a condenação, no Caso Mirian, a pesquisadora foi exaustivamente exposta pela força policial como suspeita e sem ter sido devidamente apurado ou revelado demais suspeitos. O que a AJD pensa sobre o comportamento policial de prévia condenação, inclusive, utilizando a grande mídia para isso?

R: Volto a dizer que não conheço detalhes do caso Mirian. Todavia, de modo geral, o Estado brasileiro ainda não se adaptou ao projeto democrático previsto na Constituição de 1988. A polícia, como componente do aparelho estatal, não é diferente: também não se adaptou, tendo grande dificuldade em lidar com as liberdades públicas consagradas constitucionalmente. Daí a série de denúncias de verdadeira prévia condenação policial contra meros suspeitos, inclusive por intermédio dos meios de comunicação, que, não diferentemente, por vezes condenam investigados, como se tivessem o poder de proferir sentenças definitivas.

*Entrevista concedida para a Fan Page da RENAP-CE em 10 de fevereiro de 2015. Entrevistador: Rodrigo de Medeiros, advogado popular e membro da RENAP-CE

Caso Mirian França: Onde termina o interrogatório e começa a tortura. Os limites constitucionais.


Roda da Tortura Medieval

Roda da Tortura Medieval

Por João alfredo Telles***

Um desafio para especialistas em criminologia, psiquiatras forenses, estudiosos de segurança e militantes de Direitos Humanos: qual o limiar entre um interrogatório sério e a tortura psicológica? Qual o limite entre a busca da verdade e o sadismo puro e simples? Qual a real eficiência de interrogatórios, onde o depoente é submetido a uma pressão extrema, para o desvendamento de crimes complexos? Qual o peso de “confissões” arrancadas a fórceps frente às chamadas provas materiais?
Pergunto isso porque estou absolutamente chocado e indignado com o processo de massacre psicológico, perseguição contínua e linchamento público a que tem sido submetida a cidadã fluminense Mírian França por parte da polícia cearense, especialmente na pessoa da Delegada Patricia Bezerra, que preside o inquérito que apura o homicídio da cidadã italiana Gaia Molinari, até agora sem solução, e, portanto, impune.
A imagem dessa postagem, por óbvio, não se refere a esse caso, mas, à “santa” inquisição na idade média, quando nos piores momentos da igreja católica, a confissão arrancada sob tortura fundamentava a pena de morte, na fogueira, em geral, de “bruxas” e “hereges”.

***João Alfredo Telles: Advogado, vereador do Psol, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Fortaleza.

Foi impedido junto com a também advogada Luanna Marley, da Rede Nacional de Advogados de Direitos Humanos, pela delegada Patrícia Bezerra de acompanhar o interrogatório de Mirian França. Mesmo que tenham sido convidados pela Defensoria Pública.

Caso Mirian França: Porque a delegada insiste em chamar Mirian França de mentirosa em cadeia Nacional? Qual foi a grande mentira?


por marcos romão
mirian-franc3a7a-libertaTrinta dias depois de iniciadas as investigações sobre a morte de turista italiana, Gaia Molinari, a delegada de polícia Patrícia Bezerra, nada tem a apresentar de novo nas investigações,  além de repetir mais uma vez e categoricamente, que a farmacêutica “carioca”,  segundo reportagem da filiada da Globo local, Mirian França, mentiu.

Segundo informações da matéria, a delegada teria pedido a prorrogação do prazo de investigações por mais 30 dias.

Essas são as palavras em relação à Mirian França, proferidas pela delegada Patrícia Bezerra, dadas em entrevista na  tarde de 28.01, na delegacia que está à frente em Fortaleza

“Mentiu”.

Mentiu, várias vezes  ao longo dos dois depoimentos que ela prestou.

Ela não soube explicar as razões destas mentiras”.

Em conversa com a mãe de de Mirian França, na última sexta-feira na sede da OAB-RJ, a Mamapress foi informada por sua mãe, Valdicéia França, através do editor que lhes escreve, que ela foi voluntariamente à delegacia em fortaleza conversar com a delegada de polícia Patricia Bezerra, acompanhada de representante da defensoria pública do Ceará. Ela queria saber do que a filha estaria sendo acusada.

A sra. Valdicéia se disse surpreendida, pelo fato da delegada ter transformado a sua visita de mãe interessada sobre o que acusavam sua filha, em um interrogatório que durou 3 horas, em que lhe foi perguntado, detalhes do tipo de educação que havia dado à sua filha, fugindo completamente do seu papel de delegada à frente de uma investigação.

Este processo, segundo as noticias na imprensa, entrevistas da delegada, declarações de testemunhas que chegaram as serem arroladas como suspeitas, como no caso do turista uruguaio, que foi preso com sua namorada e levado de camburão para Fortaleza, tem uma linha de investigação levada pela delegada, calcada em um possível crime passional.
Mirian França ficou detida durante 14 dias, sob a acusação genérica de ser uma mentirosa, segundo a delegada.

Segundo informações que nos chegam de Jericoacoara, moradores do lugarejo turístico, têm  sido perguntados sobre o comportamento moral de Mirian França durante a sua curta estadia na localidade.
Como já se passam mais de 30 dias desde a morte trágica de Gaia Molinari. toda a sociedade brasileira e italiana aguarda que a polícia do Ceará apresente fatos e provas sobre o crime, para que seja feito justiça ao matador ou matadores de Gaia, ao invés de ouvirem repetidamente da delegada Patrícia Bezerra, que extrapola e exorbita de suas funções, ao se assumir como julgadora do caráter de Mirian França e condená-la à humilhação  e execração pública, ao repetir em rede nacional que Mirian França mentiu.

A Mamapress pergunta à delegada Patrícia Bezerra, qual foi a mentira que Miriam França proferiu.

O que no comportamento pessoal de Mirian França, faz delegada levantar suspeitas contra ela?

Qual a sua linha profissional, técnica e isenta de preconceitos pessoais na investigação, da “carioca”, segundo parte da  imprensa, que ainda insiste em chamar a farmacêutica Miriam França pelo apelido dado.

Que martírio pelo qual passa Miriam França e Família tenha um fim.

Que a verdade apareça!

Nota: até o final da noite não tínhamos informações se Mirian França continua obrigada a permanecer em Fortaleza, já que tem endereço e trabalho conhecido no Rio de Janeiro.

Veja a matéria com a delegada na CETV

http://g1.globo.com/ceara/cetv-2dicao/videos/t/edicoes/v/caso-gaia-molinari-completa-um-mes-e-policia-nao-tem-suspeitas-do-crime/3923103/

 

Mirian França libertada: Redes sociais pesaram na balança da justiça.


por marcos romão

As redes sociais mobilizadas por amigas e  e a mães de Miriam França, tiveram um papel fundamental nas ações que para que o processo de apuração do assassinato no Ceará, voltasse ao seu leito normal nas ações investigativas da polícia, nas decisões judiciais e na cobertura da imprensa. O leito dos direitos constitucionais reza que todo cidadão suspeito de ter cometido algum crime. tem a presunção de sua inocência até que se prove o contrário.
As violações destes direitos fundamentais são corriqueiras, e fazem superlotar as prisões de pobres e pretos, que sequer a oportunidade de serem ouvidos por um juiz a tem. Mesmo depois de meses ou anos.

Cidadãs e cidadãos através da redes sociais, apoiados pelas Mídias Independentes, tornaram evidente que não é exceção e sim a regra de que todo suspeito é culpado até que prove a sua inocência e que é necessário mudar todo o sistema, que se tornou um labirinto judicial em que juízes assoberbados, não tem mais diante de si em suas mesas pessoas humanas, mas sim números processuais, em que na falta crônica de defensores públicos em todo país, os desafortunados e sem cidadania plena são condenados à prisões “provisórias” perpétuas. Sim pois um dia na prisão, sem ser ouvido ou ter acesso a um defensor, é para o prisioneiro inocente uma eternidade, em que mesmo que solto um dia, ficará marcado por toda a sua vida.

Bajonas Teixeira de Brito Junior no Observatório da Imprensa, nos fala de um confronto nas mídias, que teria sido evidenciado no caso Míriam. Nós da Mamapress, da Rede Rádio Mamaterra e do Sos Racismo Brasil,  que acompanhamos este caso desde o início, e já o fazemos há anos, e atuamos  inclusive, nos rumorosos casos Vinicius Romão e Cláudia Ferreira, somos da opinião que não existe uma contradição entre a mídia independente e as redes sociais versus a chamada “grande imprensa”. Para nós o que existe é um crescente aumento da consciência cidadã, em sua repulsa e não aceitação que assassinatos de jovens negros, estupros de mulheres, prisões de inocentes são coisas “normais” para serem consumidas todas manhã enquanto tomamos café assistindo televisão, lendo jornais, ou escutando rádio antes de sairmos para trabalhar.
Este despertar da consciência também atinge aos jornalista, sejam autônomos ou que trabalhem em empresas jornalísticas. As redes sociais estão reforçando o trabalho de jornalismo investigativo, copiar e colar está virando tiro no pé para as grandes empresas jornalísticas, e estas empresas precisam retomar seu compromisso com a verdade, ou continuarão dando tiros nos próprios pés e perdendo credibilidade, ao replicarem e compartilharem, de ouvir falar, preconceitos, pré-julgamentos e condenações prévias de suspeitos presumivelmente inocentes. Isto é  bom para os jornalismo, isto é bom para os jornalistas. Os jornalista em todos as áreas, estou percebendo isto, estão como diria Hegel, crescendo da “consciência em si”, em que são “umbigo” do mundo”, ensimesmados, “selfies” mesmos, quando aparecem mais do que as próprias notícias, e expressam mais as suas opiniões do que a das vítimas publicizadas, para uma consciência para si, quando o outro, cidadão ao seu lado conta. Tem peso valor e dignidade.
Isto é muito bom também para os policiais investigadores, para os promotores e juízes, que ao serem agentes de um sistema processual falho, estão condenados a cometerem erros todo o tempo. A consciência cidadã e seus alertas, vai ajudar muitos funcionários públicos da justiça, a poderem dormir sem sentimentos de culpa e também, reduzir o número de cínicos e resignados, por acharem que tudo sempre foi assim, que sentados em suas togas, executam em nome do Estado que somos todos nós, sentenças discriminatórias e eliminadoras da dignidade humana de todos nós.
Toda esta ação é simplesmente boa demais para todos os cidadãos e cidadãs do Brasil e seus mandatários nestes casos, que são as Defensorias Públicas. Defensorias Públicas que são precárias na maioria dos estados brasileiros e que devemos apoiar para que cresçam e sejam continuem independentes para nos representar, pois ao fim e ao cabo, nós somos os mandantes desta prerrogativa constitucional, que é ser defendido pelo estado, mesmo quando acusamos o Estado, e não temos posses para as custas processuais.

Para exemplificar a ação deste primeiro poder que é a cidadania exercida nas redes sociais, sob o manto e proteção da Constituição Democrática de 1988, que garante a liberdade de opinião e expressão, escolhi este comentário na Mamapress, enviada por Sandra Domingues, uma cidadã brasileira, que como Mirian França lembra que todos nós queremos justiça para Gaia Molinari, A primeira e principal vítima desta grande crueldade que mobilizou a nação. Sandra Domingues participa de um grupo, em que pessoas de todo o país se comunicam pedindo socorro contra injustiças na justiça. Parabéns.

Sandra Domingues é uma pessoa, que através de uma postagem na Mamapress demonstrou solidariedade à Miriam França e pergunta:

“Gostaria que a “justiça” do Ceará explicasse por que a Miriam França estava presa sem provas, por ter tido contradições em seu depoimento e a Cristiane Renata Coelho, assassina do pequeno Lewdinho, apesar de todas as provas, laudos, contradições, continua livre, leve e solta!”

Queremos Justiça por Gaia e Lewdinho!”

Lewdinho é como é conhecido os sub-tenente Francileudo Bezerra Severino (vejam o caso). Preso no Ceará, quando estava em coma, por suspeita em ter assassinado seu filho e depois ter tentado suicídio com chumbinho.
O caso lembra as investigações “apressadas”, feitas no caso Gaia Molinari, em que Mirian França foi logo acusada do crime e presa sem indícios e provas consistentes segundo o juiz  José Arnaldo dos Santos Soares, que decidiu pela revogação da prisão após analisar informações enviadas pela Polícia Civil.

Sandra Domingues é mais uma cidadã brasileira engajada na busca da justiça. As redes sociais estão permitindo que as pessoas que se levantam contra as injustiças no país se conheçam e reforcem o trabalho de formiga de cada uma.

A Rede Rádio Mamaterra e o Sos Racismo Brasil, acredita no trabalho de pessoas como Sandra Domingues e apóia e compartilha seu trabalho, como foi no caso em que Mirian França teve seus direitos civis violados, e nossa rede desde o início entrou em contato com a família de Mirian, através de sua mãe Valdicèia França, e suas amigas e amigos que correram para ajudá-la.

Muitas injustiças estão sendo cometidas em todo o Brasil. São tantas, que já urge o momento em que a sociedade brasileira repense como um todo seu sistema de aprisionamentos em que mais de 250 mil presos e presas como suspeitos de algum crime, aguardam meses ou anos como o caso de Hércules Menezes Santos no Rio de Janeiro.(veja o caso) E outros milhares com culpa comprovada andam soltos em nossas cidades.

Vamos ficar enxugando gelo enquanto não reavaliarmos e mudarmos todo os sistema judiciário, que presume a culpabilidade dos suspeitos e não sua inocência. Quanto mais pobre e mais preto for, e se for mulher e preta pior ainda,  fica muito difícil sair do labirinto prisional, depois que alguém cai nas malhas das investigações malfeitas e ordens de prisão sem os prisioneiros tenham acesso à advogados e família, e uma imprensa apressada que parece mais interessada em divulgar .

ATUALIZANDO O CASO: 13/01/2015

Juiz revoga prisão temporária de farmacêutica Mirian França

O juiz José Arnaldo dos Santos Soares, da comarca de Jijoca de Jericoacoara, revogou a prisão temporária da farmacêutica Mirian França, 31, suspeita de matar a italiana Gaia Molinari, no dia 25 de dezembro. A decisão ocorreu na manhã desta terça-feira, 13.

O magistrado decidiu pela revogação da prisão após analisar informações enviadas pela Polícia Civil. De acordo com a decisão, a farmacêutica não poderá se ausentar do Ceará pelo prazo de 30 dias.

Ao analisar o caso, o juiz alegou que que as contradições apresentadas em depoimento não seriam suficientes para a prisão. Além disso, apontou inexistência de razões fundamentadas que comprovem autoria ou participação da farmacêutica no crime. O magistrado levou em consideração que a carioca possui profissão definida, endereço fixo e não tem antecendentes criminais.

Suspeita de participação no assassinato, Mirian França é carioca e não possui antecedentes criminais. Doutoranda da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Instituto de Microbiologia, possui graduação em Farmácia e mestrado no curso de Ciências, também pela UFRJ.

Fonte: O POVO

“…Contudo…gostaria que a “justiça” do Ceará explicasse por que a Miriam França estava presa sem provas, por ter tido contradições em seu depoimento e a Cristiane Renata Coelho, assassina do pequeno Lewdinho, apesar de todas as provas, laudos, contradições, continua livre, leve e solta!”

Queremos Justiça por Gaia e Lewdinho! Sandra Domingues

Mistério em Jericoacoara


Envolta em dúvidas, morte de jovem italiana no Ceará desafia polícia, que é criticada pela condução da investigação. Uma suspeita foi presa, mas a motivação para o crime ainda não está clara

Rogério Daflon (daflon@istoe.com.br) reblogado da Isto É Independente

ENIGMA Gaia não foi roubada nem sofreu violência sexual

ENIGMA
Gaia não foi roubada nem sofreu violência sexual

A italiana Gaia Barbara Molinari, 29 anos, adorava viajar pelo mundo e sempre fez amigos com facilidade. Herdeira de uma fábrica de calçados ortopédicos no norte da Itália, morava em Paris, onde era relações-públicas de uma multinacional. Na véspera de Natal sua vida teve um fim trágico. Por volta de 15h do dia 25 de dezembro, o corpo de Gaia foi encontrado numa área de reserva ambiental próxima à praia de Jericoacoara, na cidade de Jijoca de Jericoacoara, a cerca de 300 quilômetros de Fortaleza (CE). O laudo da Polícia Civil cearense diz que ela morreu na véspera, foi estrangulada, teve o rosto desfigurado os braços e as pernas feridos ao extremo. A morte tão chocante, contudo, continua envolta em mistérios após duas semanas. A italiana não foi roubada, não foram encontrados indícios de violência sexual e não evidências claras de qual seria a motivação do crime. Por enquanto, a polícia só admite revelar a identidade de uma suspeita: a farmacêutica carioca Mirian França de Melo, 31 anos, presa desde 29 de dezembro.

CONFLITO Mirian está presa desde o dia 29 de dezembro. Sua mãe, Valdicéia, (abaixo) acredita em racismo,  hipótese negada pela delegada Patrícia Bezerra

CONFLITO
Mirian está presa desde o dia 29 de dezembro.
Sua mãe, Valdicéia, (abaixo) acredita em racismo,
hipótese negada pela delegada Patrícia Bezerra

Valdicéia França mãe de Mirian França

Valdicéia França
mãe de Mirian França

A delegada responsável pelo caso, Patrícia Bezerra, da Delegacia de Proteção ao Turista, pediu a prisão temporária de Mirian por 30 dias (por se tratar de crime hediondo) e a Justiça do Ceará acolheu a solicitação. “Ela mentiu várias vezes sobre pessoas, horários e locais nos seus dois depoimentos e suas afirmações não se sustentaram diante das acareações”, diz ela, que já ouviu mais de 15 testemunhas. Segundo a delegada, Mirian disse, por exemplo, que tinha visto Gaia pela última vez às 13h45 do dia 24 de dezembro na pousada em Jericoacoara, mas as duas foram vistas na pousada por volta de 18h30. Foi neste horário, aliás, que as testemunhas viram a italiana pela última vez. Patrícia afirma que há outros suspeitos, mas não divulga os nomes porque, segundo ela, isso atrapalharia as investigações. O caso, porém, parece complexo. Coordenador de medicina legal do Ceará, Sângelo Abreu afirmou à ISTOÉ que o laudo pericial leva a crer que a italiana não teve um único algoz. “Pelo menos duas pessoas devem ter participado deste assassinato, já que o nível de violência foi extremo”, acentuou o legista, para quem o responsável – ou responsáveis – deveria ter marcas da tentativa de defesa de Gaia.

Delegada Patrícia Bezerra

Delegada Patrícia Bezerra

A conduta da polícia tem sido bastante questionada. A Defensoria Pública do Ceará, responsável pela defesa da farmacêutica, diz que a prisão dela é irregular. “Mirian está presa ilegalmente. Foi uma resposta absurda à grande repercussão do caso. As contradições dela não são prova para uma prisão”, diz o defensor público Emerson Castelo Branco, que, com mais dois colegas, entrou com pedido de habeas corpus. “Ela colaborou com as investigações e prestou depoimentos como testemunha. Não estava orientada por advogados e não é obrigada a lembrar de tudo.” Entre as pessoas ouvidas, o uruguaio Rodrigo Sanz também reclamou da abordagem policial. Ele e sua noiva, uma francesa, foram detidos e levados de camburão para a delegacia em Fortaleza onde os investigadores insistiram para que confirmassem a existência de um romance entre Miriam e Gaia, segundo contou. Duas mensagens da noiva de Sanz foram encontradas no celular de Gaia, o que também levou a polícia a pensar num triângulo amoroso. O casal cedeu material para exames de DNA. Em nota à ISTOÉ, a polícia negou arbitrariedades: “A Polícia Civil do Estado do Ceará informa que o casal de turistas estrangeiros, assim como várias outras pessoas, foi conduzido à Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur) na condição de testemunha, onde prestou depoimento e se colocou à disposição para coleta de material genético”. O uruguaio contesta: “É inadmissível uma testemunha ser tratada com camburão e pressão psicológica”.

Orientada pelo advogado Humberto Adami, a mãe de Mirian, Valdicéia França, acredita que sua filha esteja sofrendo racismo. Adami – que defende, por exemplo, causas de quilombolas – afirmou ser “factível” a hipótese de que Mirian seja vítima de preconceito por ser negra, possibilidade negada pela polícia cearense. “Há um racismo institucionalizado no Brasil”, diz o advogado. O Movimento Negro também acompanha o caso. Adami defende que, embora os exames periciais em Gaia não tenham encontrado vestígios de estupro, como sêmem, essa possibilidade não pode ser descartada. Há quatro anos, as autoridades cearenses receberam do Conselho Comunitátio de Jericoacora um dossiê sobre a proliferação desse tipo de crime na região. Nascida em Austin, em Nova Iguaçu, um dos lugares mais pobres da região metropolitana do Rio, Mirian está numa cela sozinha por ter curso superior completo. Além da graduação em farmácia, ela tem mestrado e faz doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Vive da bolsa da pós-graduação e hoje mora em um apartamento em Bonsucesso com mais duas estudantes.

Depois de 12 dias, o corpo da jovem italiana foi transladado para a Itália para ser enterrado em Piacenza, cidade onde ela nasceu. Gaia teria conhecido Mirian pela internet, em um site de viagens. Como a mãe de Mirian desistiu de viajar com a filha, ela então teria procurado alguém para rachar as despesas da pousada em Jericoacoara. As duas se encontraram no dia 17 em um hostel em Fortaleza e, no dia 21, partiram para a praia cearense, onde a história das duas mudaria para sempre.

A INVESTIGAÇÃO Como está a apuração dos responsáveis pela morte de Gaia Molinari conduzida pela Polícia Civil do Ceará;

A INVESTIGAÇÃO
Como está a apuração dos responsáveis pela morte de Gaia Molinari conduzida pela Polícia Civil do Ceará;