Luiza Bairros


luiza bairrosLUIZA BAIRROS
África liberta, guerreira brasileira.
É minha amiga Luiza, somos uma geração, que não teve tempo para chorar. Por isso as dores acumuladas nos matam tão cedo.
Teoria e prática todo tempo, sem nunca esquecer o carinho na arte de transformar o ódio recebido e a raiva sentida, em seiva e semente para acarinhar a terra e fazer brotar em nossa gente a alegria de nossa vida negra, quando estamos debaixo do sol de nossa liberdade!
Concisão e tesão pela vida lhe faz eterna, minha amiga de brigas, prazeres, choros e risadas, Luiza Helena Barros.
‪#‎marcosromaoreflexoes‬

Gratos a Asfilófilófio de Oliveira Filho, que através da Cultne recupera e propaga a história do Movimento Negro no Brasil.

É com grande pesar que informamos que Luiza Helena Bairros faleceu esta manhã em Porto Alegre


luiza-bairros.pngLuiza Bairros

da Redação do Portal Geledés

É com grande pesar que informamos que Luiza Helena Bairros faleceu esta manhã em Porto Alegre vitima de câncer no pulmão contra o qual lutava há meses.

Natural de Porto Alegre, era graduada em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul além de possuir títulos de Mestre em Ciências Sociais (UFBA) e de Doutora em Sociologia (Universidade de Michigan – USA). Morava em Salvador desde 1979, onde atuou em diversos movimentos sociais, com destaque para o Movimento Negro Unificado – MNU.  Trabalhou em programas das Nações Unidas – ONU contra o racismo em 2001 e em 2005. Foi titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Social da Bahia e Ministra-chefe da Secretaria de Políticas Públicas da Igualdade Racial do Brasil, de 2011 a 2014. Trabalhava e militava politicamente nas áreas de raça e gênero.

Para os movimentos sociais sobretudo os de mulheres e negros Luiza Bairros deixa reflexões fundamentais para compreensão e acão politica pela igualdade de gênero e raça.

Para a administração publica Luiza Bairros deixa ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) uma ferramenta que segundo ela inaugura a possibilidade de um novo ciclo das políticas de promoção da igualdade racial no Brasil visando o fortalecimento e a institucionalização de órgãos, conselhos, ouvidorias permanentes e fóruns voltados para a temática nos estados e municípios.

Luiza Bairros considerava que o Sinapir exige um esforço especial de gestores e gestoras no sentido da institucionalização dos órgãos de Promoção da Igualdade Racial (PIR). Segundo ela: “Não existe qualquer possibilidade de uma política pública ser bem-sucedida se o trabalho não for desenvolvido com os entes federados, porque é dessa maneira que se consegue que a política chegue às pessoas. Os resultados desse esforço vão depender também do empenho de governadores e prefeitos na compreensão da política de PIR.”

Para saber mais sobre Luiza Bairros click aqui 

O Portal Geledes oferecerá maiores informações acerca do velório e sepultamento assim que forem disponibilizadas pela família.

Nota da Mamapress e do Sos Racismo Brasil

Nossa amiga e companheira desde os anos 70, Luiza Bairros enfrentou duras refregas. Ficamos muitas vezes ombro a ombro vencendo o medo nas ruas da ditadura.

Seu engajamento na luta por melhores condições carcerárias nas prisões femininas em Salvador, me fez amar mais ainda seu coração.

É um pedaço grande da história das mulheres e da população negra do Brasil.

Choramos com garra de continuarmos os caminhos por ela trilhados.

Asé, minha irmã!

Família de Antonio Pompêu soube da morte do ator pela internet e acredita em infarto: ‘Estava bem e saudável’


do original Extra

A família de Antonio Pompêu, que foi encontrado morto nesta terça-feira em sua casa, em Guaratiba, Zona Oeste do Rio, ficou sabendo do ocorrido pela internet. É que todos vivem em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, cidade natal do ator e artista plástico. O EXTRA conversou com o irmão de Antonio, o aposentado Oscar Pompeu, de 70 anos, que acredita que o artista morreu em decorrência de um infarto fulminante. A notícia foi recebida com muito abalo por todos da família.

“Entrei ontem na internet e li várias pessoas me mandando mensagens de pêsames, mas eu não sabia o que estava acontecendo. Até que uma pessoa me contou que o meu irmão estava morto. Fiquei em choque. Foi uma notícia muito triste. Depois, me encarreguei de avisar aos outros dois irmãos. Todos estão muito abalados”, conta.

Antônio Pompêo foi encontrado morto em casa
Antônio Pompêo foi encontrado morto em casa Foto: Divulgação/Gianne Carvalho

A última vez que a família falou com Antonio foi no Natal.

“Ele estava ótimo, feliz, saudável, superbem… Não tinha problema de saúde nenhum. Sempre teve uma saúde de ferro. Acredito que ele tenha mesmo sofrido um infarto fulminante”, diz Oscar, que não via o irmão há mais de dez anos. “A última vez que ele esteve aqui foi no enterro da nossa mãe. Mas a gente sempre se falava pela intenet e telefone”.

Antonio tinha 62 anos e era o filho caçula de quatro irmãos. O ator não era casado e, segundo Oscar, tinha apenas uma herdeira que ele adotou como filha. Os irmãos, cunhados e sobrinhos de São José do Rio Preto são os únicos parentes do artista.

Ator será enterrado em SP

O sobrinho de Antonio, o produtor Paulo Alexandre, está vindo para o Rio nesta quarta-feira para cuidar da transferência do corpo do ator para São José do Rio Preto, onde será velado. nesta quinta-feira.

“Meu filho e a esposa dele foram de carro para o Rio cuidar desses detalhes. Queremos trazer o meu irmão para ser enterrado aqui, perto da família dele”, diz Oscar.

O corpo de Pompêu foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Segundo um comunicado enviado pela assessoria da Polícia Civil na manhã desta quarta-feira, um laudo pericial está sendo feito para saber a causa exata da morte.

“As investigações estão em andamento na 43ª DP (Guaratiba) para apurar as circunstâncias da morte. A perícia foi feita no local. O corpo foi encaminhado para o IML/Campo Grande. Familiares do ator vão ser chamados para serem ouvidos na unidade policial. A polícia aguarda o resultado dos laudos periciais”, diz o comunicado.

Família de Antonio Pompêu: cunhada, o sobrinho Paulo (com sua filha) e o irmão Oscar
Família de Antonio Pompêu: cunhada, o sobrinho Paulo (com sua filha) e o irmão Oscar Foto: Reprodução

Polícia suspeita de morte natural

O delegado Luiz Jorge Rodrigues da Silva, titular da 43ª DP (Guaratiba), que investiga o caso, trabalha inicialmente com a possibilidade de morte natural.

“A princípio me parece ser um caso de morte natural, pois não tinha sinais de briga ou violência no local. Vamos ouvir vizinhos e esperar a conclusão do laudo para saber se algum objeto da casa foi quebrado ou se há algum sinal de ação violenta”, diz o delegado, acrescentando que pediu prioridade no caso.

Carreira

Com 40 anos de carreira, Pompêo ficou conhecido por filmes como “Xica da Silva” e “O cortiço”. Na televisão, ele atuou nas novelas “O rei do gado”, “A viagem”, “Pecado capital”, “Mulheres de areia”, “Pedra sobre pedra”, “Fera ferida” e na minissérie “A casa das sete mulheres”.

Seu último trabalho na TV foi na novela “Balacobaco”, da Record, em 2012. Diretor do Sated-RJ (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Rio de Janeiro), ele também era conhecido pelo trabalho em prol do movimento negro.

O ator, em foto de 2007
O ator, em foto de 2007 Foto: Agência O Globo

 

Antônio Pompeu: “O racismo é uma serpente de muitas cabeças. Damos um golpe no seu corpo e ela se multiplica. Precisamos lutar para que essa igualdade exista e que todos possam participar”


Nota da Mamapress: Também amigo de Antônio Pompêo, o comunicador e militante negro José Ricardo de Almeida nos enviou um artigo escrito por ANTONIO POMPÊO e publicado no O Globo em 10/06/2010, assim como uma pequena fala de Pompêo nos 100 anos de Abolição em 1988.

Januário Garcia enviou uma foto de Pompêo sempre garotão.

Rosane Aurore Romão Juliano escolheu a frase título da matéria do Pompêo em homenagem ao Pompêo.

Luiz Carlos Gá, designer e também militante negro desde os anos 70, nos enviou um “logo” de despedida do Pompêo, resumindo os sentimentos de perda de milhares de pessoas nas redes sociais.

Antônio Pompêu-Designer Gá

Antônio Pompêu-Designer Gá

Assim temos a nossa rede tambor formada da imprensa negra, que ajuda a baixar para todos a análise de conjuntura da situação política do negro no Brasil.

Antônio Pompêo escreveu este texto em 2010, mas quiseram os mestres de nossos destinos, que ele, o texto, infelizmente se ajustasse ao momento atual brasileiro, momento em que ele se despede de nós, triste e sozinho como Zezé Mota postou em seu Facebook:

” Pompêo foi um grande ator mal aproveitado. Não teve o grande reconhecimento que merecia e acho que morreu de tristeza. Tínhamos uma relação que não tinha nome. Eu era namorada, mãe, madrinha, tudo ao mesmo tempo. Pompêo foi um grande amigo, companheiro, irmão… Meu amigo estava recluso, deprimido com a falta de oportunidades de trabalho… Essa é a realidade.”

Em 2010, Antônio Pompêo já prenunciava:

“O racismo é uma serpente de muitas cabeças. Damos um golpe no seu corpo e ela se multiplica. Precisamos lutar para que essa igualdade exista e que todos possam participar”. 

ANTONIO POMPÊO

Antonio Pompêo- foto Januário Garcia

Antonio Pompêo- foto Januário Garcia

Na peça teatral “Esse perverso sonho de igualdade”, de Joel Rufino dos Santos — que fala da revolta dos alfaiates ocorrida na Bahia do século XVII —, um dos revoltosos entra em desespero e grita: “O mundo é dos brancos, nós somos os penetras!”

É assim que, às vezes, os não brancos da nossa sociedade se sentem: excluídos na invisibilidade. Ao andarmos, por exemplo, pelo Congresso Nacional, símbolo de democracia, constatamos a invisibilidade. Aí, perguntamos: por que isso acontece?

Existe uma sutileza nesse olhar que só sente quem está do lado de cá. Da mesma maneira sentimos a intenção de apagar o passado escravocrata deste país. Não dá. São apenas 122 anos. As marcas estão aí para quem quiser ver. Milhares de negros não conseguiram atravessar o Atlântico, ficaram no meio do mar, almas perdidas e esquecidas e que clamam por um reconhecimento histórico. Impossível dizer que a escravidão não aconteceu.

Durante muitos anos vivemos sob o véu da democracia racial. Foram anos de luta até admitirmos a desigualdade e o racismo. Graças à atuação de uma geração do movimento negro brasileiro, conseguimos colocar a questão racial em pauta. No entanto, a resistência a discutirmos o assunto ocasionou um hiato muito grande no atendimento de nossas reivindicações.

O racismo é uma serpente de muitas cabeças. Damos um golpe no seu corpo e ela se multiplica. Precisamos lutar para que essa igualdade exista e que todos possam participar. Mas nem sempre tratar os iguais igualmente dá certo. Às vezes necessitamos apressar os acontecimentos, tomar medidas urgentes. Este é o caso das ações afirmativas. Só com elas os negros poderão participar ativamente da divisão econômica no Brasil. As nossas reivindicações estão em análise no STF. Se a decisão for favorável, avançaremos; se for contrária aos nossos interesses, acataremos.

Na década passada ficamos iludidos pela entrada no século XXI. Com certeza, na medicina, na ciência e outras modalidades entramos neste século. Mas estamos atrasados nas relações humanas. Parece que nada mudou. Os conflitos mundiais estão aí para provar. A grande novidade foi a eleição de um negro, algo até então impensável, para a presidência dos Estados Unidos. Esperamos que esses ventos de mudanças cheguem por aqui.

O Brasil está deixando de ser o país do futuro e entrando no clube das nações do presente. Mas, para entrar definitivamente no novo século, precisamos incorporar essa leva de 49% de negros e pardos. Sem isso não há como avançar e se tornar um país competitivo. Zumbi, Machado de Assis, Juliano Moreira,Tia Ciata, Lima Barreto, Antonio Rebouças, Cartola, Lélia Gonzales, Carolina de Jesus, Mãe Menininha do Gantois, Aleijadinho, Pixinguinha e tantos outros e outras clamam por uma verdadeira democracia racial.

O autor é ator, diretor e presidente do Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro (Cidan).