O COMEÇO DO FIM


Transições anestesiadas

Transições anestesiadas

por Eduardo Papa***

Eduardo Papa

Eduardo Papa

Penso que o discurso patético de lula hoje na sede do PT, marca uma mudança na trajetória de sua estrela, com a repetição da mesma catilinária cansativa de perseguição das elites aos pobres e repleto de bravatas, que a essa altura soam ridículas. A estrela do PT e de seu líder iniciaram o caminho da decadência.
O telejornal vespertino da Globo já demonstrou a dimensão do linchamento que começou, o PT vai experimentar o mesmo processo que o velho PDT enfrentou com Brizola, processo que aliás eles não fizeram nada para deter, ao contrário participaram de maneira oportunista esperando ganhar com o espólio do meu velho caudilho no Rio.
A chamada à mobilização do partido e da militância dos movimentos sociais é um senhor tiro no pé. Talvez o pernambucano citado no discurso, para o qual ele arrumou uma dentadura e a extensa clientela dos esquemas políticos e sindicais que controlam, ainda tenham folego para uma resposta inicial, mas esse chamado à manifestações de apoio pode ser algo como a pífia proposta do Collor quando estava para cair chamando o povo a ostentar verde e amarelo.
Ao contrário quem ganha um novo gás é a extrema direita cujas manifestações estavam mortinhas.
Fazer coincidir a “condução coercitiva” do Lula, com a autorização para processar o Cunha. foi uma jogada genial, coloca todos mais ou menos no mesmo patamar ante a opinião pública. O próximo passo é a Dilma que vai ter que rebolar para escapar da degola, vai sobrar para o Renan Calheiros e que não se animem muito os tucanos, pois não parecem destinados a voar muito alto, enrolados em seus próprios problemas e bastante desgastados. O fim do ciclo petista marcará também o ocaso de seu inimigo siamês.
Com a economia destruída, recessão, inflação e um descontentamento popular crescente, está formado um cenário bem parecido ao final do governo Sarney, resta saber quem será o “caçador de marajás” de 2018, quem o capital vai apresentar para substituir o modelo que está acabando?
Virá uma repaginada pós moderna com a Marina, Natura e cia?
Virá um troglodita oriundo da seara de bolsonaros e felicianos? Quem sabe?
Muita água ainda tem para rolar, mas o perigo é o mesmo que na época da ascensão de Collor, pois com uma crise açoitando suas costas os eleitores ficam desorientados, presas fáceis para alternativas messiânicas que surgem de última hora com grande apoio midiático.

***Eduardo Papa é professor da rede pública e ativista do movimento social no Rio de Janeiro

CARTA DE TEMER A DILMA Publicada na Coluna do Moreno


do Original Coluna do JORGE BASTOS MORENO 07/12/2015 22:56
dilma-temer

 

 

 

 

 

 

 

 

São Paulo, 07 de Dezembro de 2.015.

Senhora Presidente,
“Verba volant, scripta manent”.
Por isso lhe escrevo. Muito a propósito do intenso noticiário destes
últimos dias e de tudo que me chega aos ouvidos das conversas no Palácio.
Esta é uma carta pessoal. É um desabafo que já deveria ter feito há
muito tempo.

Desde logo lhe digo que não é preciso alardear publicamente a
necessidade da minha lealdade. Tenho-a revelado ao longo destes cinco anos.
Lealdade institucional pautada pelo art. 79 da Constituição Federal. Sei quais
são as funções do Vice. À minha natural discrição conectei aquela derivada
daquele dispositivo constitucional.

Entretanto, sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora
e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB. Desconfiança incompatível
com o que fizemos para manter o apoio pessoal e partidário ao seu governo.
Basta ressaltar que na última convenção apenas 59,9% votaram pela aliança.
E só o fizeram, ouso registrar, por que era eu o candidato à reeleição à Vice.

Tenho mantido a unidade do PMDB apoiando seu governo usando o prestígio
político que tenho advindo da credibilidade e do respeito que granjeei no
partido.

Isso tudo não gerou confiança em mim, Gera desconfiança e
menosprezo do governo.
Vamos aos fatos. Exemplifico alguns deles.
1. Passei os quatro primeiros anos de governo como vice
decorativo. A Senhora sabe disso. Perdi todo protagonismo político que
tivera no passado e que poderia ter sido usado pelo governo. Só era
chamado para resolver as votações do PMDB e as crises políticas.
2. Jamais eu ou o PMDB fomos chamados para discutir
formulações econômicas ou políticas do país; éramos meros acessórios,
secundários, subsidiários.
3. A senhora, no segundo mandato, à última hora, não
renovou o Ministério da Aviação Civil onde o Moreira Franco fez
belíssimo trabalho elogiado durante a Copa do Mundo. Sabia que ele
era uma indicação minha. Quis, portanto, desvalorizar-me. Cheguei a
registrar este fato no dia seguinte, ao telefone.
4. No episódio Eliseu Padilha, mais recente, ele deixou o
Ministério em razão de muitas “desfeitas”, culminando com o que o
governo fez a ele, Ministro, retirando sem nenhum aviso prévio, nome
com perfil técnico que ele, Ministro da área, indicara para a ANAC.
Alardeou-se a) que fora retaliação a mim; b) que ele saiu porque faz
parte de uma suposta “conspiração”.
5. Quando a senhora fez um apelo para que eu assumisse a
coordenação política, no momento em que o governo estava muito
desprestigiado, atendi e fizemos, eu e o Padilha, aprovar o ajuste fiscal.
Tema difícil porque dizia respeito aos trabalhadores e aos empresários.
Não titubeamos. Estava em jogo o país. Quando se aprovou o ajuste,
nada mais do que fazíamos tinha sequencia no governo. Os acordos
assumidos no Parlamento não foram cumpridos. Realizamos mais de
60 reuniões de lideres e bancadas ao longo do tempo solicitando apoio
com a nossa credibilidade. Fomos obrigados a deixar aquela
coordenação.
6. De qualquer forma, sou Presidente do PMDB e a senhora
resolveu ignorar-me chamando o líder Picciani e seu pai para fazer um
acordo sem nenhuma comunicação ao seu Vice e Presidente do Partido.
Os dois ministros, sabe a senhora, foram nomeados por ele. E a
senhora não teve a menor preocupação em eliminar do governo o
Deputado Edinho Araújo, deputado de São Paulo e a mim ligado.
7. Democrata que sou, converso, sim, senhora Presidente,
com a oposição. Sempre o fiz, pelos 24 anos que passei no Parlamento.
Aliás, a primeira medida provisória do ajuste foi aprovada graças aos 8
(oito) votos do DEM, 6 (seis) do PSB e 3 do PV, recordando que foi
aprovado por apenas 22 votos. Sou criticado por isso, numa visão
equivocada do nosso sistema. E não foi sem razão que em duas
oportunidades ressaltei que deveríamos reunificar o país. O Palácio
resolveu difundir e criticar.
8. Recordo, ainda, que a senhora, na posse, manteve reunião
de duas horas com o Vice Presidente Joe Biden – com quem construí
boa amizade – sem convidar-me o que gerou em seus assessores a
pergunta: o que é que houve que numa reunião com o Vice Presidente
dos Estados Unidos, o do Brasil não se faz presente? Antes, no episódio
da “espionagem” americana, quando as conversar começaram a ser
retomadas, a senhora mandava o Ministro da Justiça, para conversar
com o Vice Presidente dos Estados Unidos. Tudo isso tem significado
absoluta falta de confiança;
9. Mais recentemente, conversa nossa (das duas maiores
autoridades do país) foi divulgada e de maneira inverídica sem nenhuma
conexão com o teor da conversa.
10. Até o programa “Uma Ponte para o Futuro”,
aplaudido pela sociedade, cujas propostas poderiam ser utilizadas para
recuperar a economia e resgatar a confiança foi tido como manobra
desleal.
11. PMDB tem ciência de que o governo busca
promover a sua divisão, o que já tentou no passado, sem sucesso.
A senhora sabe que, como Presidente do PMDB, devo manter
cauteloso silencio com o objetivo de procurar o que sempre fiz: a unidade
partidária.

Passados estes momentos críticos, tenho certeza de que o País terá
tranquilidade para crescer e consolidar as conquistas sociais.
Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no
PMDB, hoje, e não terá amanhã.

Lamento, mas esta é a minha convicção.

Respeitosamente, \ L TEMER
A Sua Excelência a Senhora
Doutora DILMA ROUSSEFF
DO. Presidente da República do Brasil
Palácio do Planalto
Brasília, D.F.

O BANIMENTO DE UM & O IMPEDIMENTO DA OUTRA


por Luiz Carlos Gá
impedimento

 

A Lei Áurea atrasou a nossa libertação e a república nos empurrou para essa esquizofrênica competição partidária e nós nos deixamos seduzir pelos partidos políticos acreditando que, a “esquerda” nos brindaria um dia quem sabe, com a democracia racial. Negros, índios e brancos vivendo felizes e com todos os direitos constitucionais respeitados.

Na senzala estávamos unidos, olhando olho no olho, falando no boca a boca e o partidarismo branco nos dividiu.

Agora, antes de sermos negros, somos adversário políticos defendendo sempre o sinhozinho, tenha ele o nome que tiver. Mas, faz parte do nosso projeto político quebrar essa estratégica maquiavélica.

127 anos depois daquela princesinha mentirosa e mal intencionada assinar aquele mal dito documento Imperial, constatamos que, após a ressaca do 14 de maio de 1888 ficamos literalmente por conta própria.

43 governos sucederam-se e todos, sem exceção, de Marechal Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, todos trataram de garantir caprichosamente o bem demarcado espaço entre a casa grande e a senzala, deixando um rastro de sangue e de migalhas para controlar a fome dos escravizados, que continuam andando por ai, chorando, sorrindo e “resistindo”, odeio essa palavra que me remete a estagnação.

 

«OS NEGROS AINDA SORRIEM. PREOCUPA-ME O MOMENTO QUE COMEÇAREM A RANGER OS DENTES.»

 

Alerta o nosso griô Milton Santos.

Como ainda não dominamos plenamente as ferramentas da economia, as migalhas continuam sendo o instrumento de controle do rebelado como você, como eu e como esse exército de negros assumido que não para de crescer, num sintoma implícito e explícito de que nossa vitória está cada vez mais perto, pergunte ao IBGE.

Exu aponta para mudanças nessa relação étnica de poder e tome lá encruzilhada! Tome lá crise disso e daquilo outro que esse problema não é nosso, nós viemos para cá seqüestrados, lembram?

Brancos racistas que se entendam porque agora nós vamos assistir de camarote e bebendo marufo na cuia.

Já meio de saco cheio o Orixá sopra no meu ouvido: – Negro! Escolha logo a sua melhor visão de jogo, você já sabe tudo que é para fazer! Está esperando o quê? Laroiê!

Já escolhemos a direção e estamos quase preparados, mas não queremos caminhar junto a eles, vamos desmoralizar esses instrumentos racistas que estão estragando o País que construímos com muito suor e lágrima, sabemos disso só que ficha ainda não caiu para todos.

São 82 assassinados todos os dias que, covardemente os racistas escolhem com prazer os mais novinhos, tanto que estão diminuindo a maioridade idade penal, não sabem o que fazer com a própria violência e ficam culpando e punindo a gente de um crime que nunca cometemos.

Matar torna mais barato o bolsa família, projeto estratégico de chantagens eleitoreiras, mas nosso povo não é bobo, aproveita bem os bônus e depois rejeita o governo, “cuspindo no prato que comeu”.

“Negro Ingrato”, intitulava-se Abdias Nascimento como revolucionário que sempre foi, o que deixa alucinados os governista de todos os governos!

É fantástica essa ingratidão revolucionária!

Quem abre mão de exercer privilégios as nossas custas? Quem vai lavar o chão e a privada, fazer comida na hora certa debaixo de mau humor e violência?

Seus carros, quem vai limpar e dirigir?

O mais estratégico é que percebemos que somos nós que protegemos o patrimônio deles?

Não somos nós que protegemos todas as fortunas menos a nossa?

Isso vai mudar não demora, precisamos só de mais uns 150 anos, é um Abdias e meio, passa rápido, rapidinho.

Luiz Carlos Gá

‪#‎NãoMexaNoJosepha

A batalha de Borodino


Nas Entrelinhas: Luiz Carlos Azedo
Publicado no Correio Braziliense – 25/10/2015
 
Ao se aliar a Cunha, a oposição perde o discurso ético e a sintonia com a opinião pública. É tudo o que o Planalto precisa para barrar o impeachment
 
Na madrugada do dia 24 de junho de 1812, o exército de Napoleão atravessou o rio Nemen e invadiu a Rússia. Eram 678 mil combatentes, levando 1.420 canhões. Havia soldados da Prússia, Áustria, Bavária, Saxônia, Itália, Polônia, Espanha, Croácia e até de Portugal, em 10 corpos de exército, quatro tropas de cavalaria, mais a força de elite da Guarda Imperial, comandado pelo próprio Napoleão, com 250 mil homens, a maioria franceses, e 527 canhões.
O Exército de 900 mil homens da Rússia estava disperso na Moldávia, na Crimeia, no Cáucaso, na Finlândia e em regiões do interior, longe da fronteira ocidental, onde havia apenas 280 mil homens e 934 canhões. A única tentativa de reação russa foi frustrada pelo marechal francês Davout, que bloqueou a passagem do general Pyotr Bagration, que se deslocava com 62 mil homens pela Bielorrússia para se juntar aos 160 mil do general e ministro da guerra, Mikhail Bogdanovich Barclay de Tolly, perto de São Petersburgo. Sem condições de contra-atacar, os russos começaram a se retirar em direção a Moscou.
Na medida em que avançava, porém, a Grande Armée sofria os males da campanha: a fadiga, a fome, a deserção e a morte. No lado oposto, Barclay foi destituído do comando pelo czar Alexandre I e substituído pelo velho general Mikhail Illarionovich Kutuzov, que manteve a estratégia de seu antecessor. Napoleão, então, rumou direto para Moscou. Trágico engano.
Kutuzov decidiu lutar. Estacionou 155 mil homens e 640 canhões na aldeia de Borodino, a menos de 150km de Moscou. No dia 7 de setembro, às 6 horas da manhã, Napoleão deu início ao ataque com apenas 135 mil homens e 587 canhões da sua guarda. O sangue jorrou até depois do pôr-do-sol. Apesar de vitorioso, amargou 58 mil mortos, incluindo 48 marechais. Os russos perderam 66 mil homens, entre eles o general Bagration. A falta de reforço e o massacre fizeram Kutuzov se retirar, mas em ordem.
Do alto das colinas da aldeia de Borodino, a 124km de Moscou, enfraquecido, Napoleão Bonaparte hesitou atacar o que restara das tropas de Kutuzov. Pretendia se apossar da cidade, cujas cúpulas douradas já podiam ser avistadas no horizonte, sem luta. Aguardava a rendição oficial e um tratado de paz assinado pelo czar Alexandre I, mas nada aconteceu. No dia 14 de setembro, Napoleão se cansou e iniciou a invasão final. Esperava o mais dramático combate, mas não houve a batalha.
Moscou, com 250 mil habitantes à época, fora evacuada. Estava reduzida a 25 mil pobres e miseráveis, sem ter o que comer. O fogo tomou conta da cidade, cujas casas eram de madeira. Após cinco semanas acampando sobre as cinzas da cidade, Napoleão decidiu dar meia volta e iniciar o retorno à França, numa dramática retirada em pleno inverno, fustigado pelo exército e pelos guerrilheiros russos. O resto da história todos sabem: os soldados russos marcharam até Paris.
O pântano
 
A campanha do impeachment da presidente Dilma Rousseff corre sério risco de virar uma espécie da Batalha de Borodino. Os partidos de oposição começam a sangrar por causa do impasse em torno da aceitação ou não do pedido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Reapresentado pelo ex-deputado Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, e pelo jurista Miguel Reale Júnior, com apoio dos partidos de oposição, PSDB, DEM, Solidariedade e PPS, o novo pedido incorpora as “pedaladas fiscais” de 2016, que o governo nega existirem.
A decisão de abrir o processo de impeachment cabe ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que manobra para ganhar tempo e evitar a própria cassação, por quebra de decoro parlamentar, em razão de mentir quanto à existência de suas contas na Suíça. As provas reveladas pelo Ministério Público Federal, entretanto, são contundentes. Na quinta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki determinou o sequestro de R$ 9,6 milhões que o parlamentar possuía na Suíça. A Operação Lava-Jato investiga o recebimento de R$ 5 milhões de propina da Petrobras, que teriam abastecido essas contas.
O pedido de cassação de mandato impetrado pela Rede e pelo PSol, com apoio de 52 parlamentares, porém, coloca em xeque os líderes da oposição que relutam em subscrevê-lo, na esperança de que Cunha despache a favor da abertura do processo de impeachment. O governo também aposta num acordo com Cunha, pelo qual seu mandato seria preservado em troca da rejeição do pedido de impeachment. O tempo, porém, corre a favor da presidente Dilma e contra a oposição.
Ao se aliar a Cunha, a oposição perde o discurso ético e a sintonia com a opinião pública. É tudo o que o Planalto precisa para barrar o impeachment, pois é bem provável que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, peça o afastamento de Cunha da presidência da Câmara. Diante dos fatos, não será surpresa se o mesmo for aceito pelo Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto o impeachment se atola no terreno pantanoso do baixo clero da Câmara, apesar do amplo apoio nas ruas.

A vaca tussiu


Por Rui Martins, de Genebra

Rui Martins

Rui Martins

Faz duas semanas, não consigo escrever minha coluna para o Direto da Redação. Aparentemente, assunto não falta. Os jornais europeus dão destaque e publicam artigos sobre a corrupção no Brasil, considerada algo digno do livro de recordes Guiness.E, para os jornalistas autores desses artigos (seriam golpistas europeus?), não resta dúvida sobre o envolvimento da presidente Dilma Roussef, “pois tinha sido ministra das Minas e Energia, tinha sido presidente do Conselho da Petrobras e foi chefe da Casa Civil”. Pior ainda, alguns colegas e correspondentes ousam tocar na figura do ex-presidente Lula, insinuando estar também metido nessa história de escândalo da Petrobrás, chamado de Petrolão por analogia com outro escândalo mixuruco, denominado mensalão.

Mas quando decido, enfim, escrever, resolvo abrir alguns sites e blogs de companheiros de esquerda e outros de petistas, num esforço para saber se toda essa onda ou tsunami, em vias de envolver o Alvorada e terminar a temporada de Dilma, é verdade ou mera intriga (e que intriga), da oposição.

Alguns dos nossos melhores colunistas nos poucos jornais de esquerda, gente que sempre li com respeito, garantem  e jurariam em nome de deus, se nele acreditassem, ser tudo um golpe montado pela direita, pelos tucanos, pela grande imprensa para tirar Dilma do poder e enfraquecer o PT. Em outras palavras, seria uma tentativa de golpe! Ufa, sinto um certo alívio…

Como me intriga o fato do principal responsável pelo escândalo ser um juiz, me garantem ser alguém comprometido com os tucanos e que não devo levar nada a sério. Todas essas prisões de empreiteiros são parte de um complô para tirar a esquerda do poder na América Latina. E me aconselham a usar minha arte e verbo em favor da combatida presidente, que agora ninguém mais chama de presidenta.

“O que você deveria fazer agora, mesmo porque anda mal informado por viver na Suíça, influenciado por aquela mentalidade moralista calvinista, é telefonar para o seu xará Falcão e lhe prestar solidariedade”. Por falar nisso, me lembram, que nunca telefonei para o José Dirceu, mesmo se haviam me aconselhado, para lhe prestar solidariedade.

“Nós gostamos de você, gostamos desse seu lado de jornalista independente, mas por via das dúvidas não republicamos mais seus artigos na nossa quase centena de blogs, que muitos dizem serem chapas-brancas, mas não são não”, me asseguram.

É verdade, no meu livro sobre Maluf, corrupção e contas secretas, que o Luiz Fernando Emediato teve aquela ótima inspiração de entitular “Dinheiro sujo da corrupção”, em 2005, eu não colocava em dúvida o mensalão mas fazia vista grossa e justificava como “financiamento de partido”, coisa praticada dentro de certas medidas por muitos partidos europeus e, de certa forma, método legal usado na Suíça, onde, no dizer do amigo Jean Ziegler, o Parlamento é colonizado pelos banqueiros, laboratórios farmacèuticos, empresários e, poderíamos acrescentar, empreiteiros… Essa colonização, através da oferta de cargos de vice-presidente de conselhos de administração, é uma maneira indireta de comprar o voto de deputados e senadores.

Ninguém me puxou as orelhas por acreditar no mensalão, que para os fiéis petistas era explicado como sórdida mentira da grande imprensa. Vi mais tarde que meu colega Paulo Moreira Leite chegou até a publicar um livro provando não ter havido mensalão, por não haver provas e ser tudo baseado numa tal teoria jurídica do domínio do fato, de origem teutônica e aplicada pelo ex-ministro irascível do STF, Joaquim Barbosa. Não li o livro do PML para ver como se prova o contrário do óbvio e, cheguei mesmo a crtiicar o Quincas Barbosa, nobody is perfect.

Também ninguém deixou de me telefonar e de compartilhar meus artigos, quando dei a bronca (quem sou eu?) ao ver Lula levando Haddad para cumprimentar Maluf. Era normal, eu tinha perdido meu emprego na CBN por falar das contas do Maluf na Suíça (o Heródoto Barbeiro pode jurar que não) e, de repente, aquele para quem eu tinha pedido um terceiro mandato, recupera o homem das contas secretas suíças. Ou eu sou ingênuo ou virei mesmo um calvinista aqui na Suíça!

“Tá certo, Rui, mas você não entendeu, foi para termos mais tempo na televisão”, me explicaram. Opa, simples demais, e eu não tinha pensado… Não engoli, não concordei, mas fiquei quieto. Não sei como o Haddad administra, parece não ter nada a ver com Maluf e, como já virei um tanto europeu e ecologista, sou fã das suas ciclovias e de suas faixas exclusivas para o transporte público. Se sua chefe maior, lá em Brasília, desse também valor à ecologia, e por tabela à proteção das florestas e dos nossos índios contra o agronegócio, eu não teria preferido votar na Marina.
Mas entendi que, em política, segundo me disseram, era preciso fazer acordos para se poder chegar aos objetivos a alcançar. Tudo bem, valeu pelas ciclovias e pelos ônibus, mesmo se eu não faria aquela foto…

Vou no site 247, que pelo jeito deve  ser a Voz do Brasil na Internet, em busca de um argumento que me libere a alma e me dê uma ajuda para entender esse angú de caroços. Então, me explicam, editores e os bloguistas, ser tudo uma armação golpista, ninguém roubou ninguém, os delatores são uns mentirosos industriados pelos tucanos. A Dilma é uma santa, basta se olhar para ela para ver. Isso é tudo obra desse juiz Sérgio Moro, que não tem nada a ver com a Operação Mãos Limpas do juiz Falcone contra a Máfia italiana.

Encontro uns amigos petistas – “Mas não há provas Rui, são só delações, o foco agora devem ser as terceirizações que vão afetar os trabalhadores”. Mas, leio logo depois, as delações podem fazer parte do processo jurídico porque ajudam a encontrar as provas e os culpados, como escreveu o mal afamado Quincas Barbosa.

Ninguém mais fala nas terceirizações, porém aqui na Europa, depois de explicarem como o governo usava da Petrobras na distribuição de propinas e se assustarem com o volume de dinheiro usado, falam agora na inflação brasileira e a imagem do Brasil no mundo financeiro, econômico e político parece ser agora a mesma daqueles 7 a 1.

Alguns bancos suíços também já confirmaram depósitos de denunciados, porque estão numa fase de querer limpar a barra e acabar com aquela fama de serem cavernas de Ali Babá. Então, não são mais denúncias sem prova, mas por que continuam querendo a pele do juiz Sérgio Moro se, na verdade, ele está levantando o tapete de algo inimaginável? Essa batelada de gente sendo presa não é uma brincadeira, meteram mesmo a mão e logo onde? Na Petrobras, que cinicamente dizem querer proteger mas, que, por culpa deles e não de outros, se fragilizou e, quando essa tempestade passar, poderá ser sacrificada!

Com a inflação, o dinheiro que o pessoal tinha posto na poupança está derretendo, aperta-se o cinto, mudam-se leis previdenciárias, cortam-se bolsas de estudo e faz-se economia na educação quando se dizia na campanha eleitoral que educação seria prioritária. Ninguém se lembra do pré-sal como fonte de gastos na educação. Um banqueiro dirige nossa economia, quando essa nunca foi bandeira e nem programa da esquerda. Pior: dizia-se que a outra candidata faria isso.

O que foi que andaram fazendo para dar tanta zebra? Incompetência? Agora dizem que há uma conexão entre o Petrolão com o Mensalão e tem gente lamentando a prisão do antigo responsável pelo programa nuclear brasileiro, quando se bem me lembro, foram os militares que iniciaram essa história de nuclear, durante a ditadura. O Brasil virou de ponta-cabeça?

E o que eu vou escrever? Que é verdade a corrupção do Petrolão, que em lugar de ser chamado de golpista, o juiz Sérgio Moro está fazenco realmente um trabalho de limpeza como fizera o juiz Falcone, com as Mãos Limpas? Que a maior vítima dessa história vai ser a esquerda, pois o povo vai confundir os ideais da esquerda com os do PT? Que tudo quanto nós louvávamos nestes últimos anos, a inclusão social dos pobres numa sociedade menos desigual, o acesso às universidades para os filhos do povo e um Brasil respeitado lá fora vai ser comprometido?

… Que a vaca tussiu e que vamos todos pro brejo?

Rui Martins, jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, pela recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes. Escreveu Dinheiro Sujo da Corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A Rebelião Romântica da Jovem Guarda, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil, e rádios RFI e Deutsche Welle.
É o Editor do Direto da Redação.

A falsa internet grátis: Acordo entre Dilma e fundador do Facebook pode destruir Marco Civil


Raphael Tsavkko Garcia*

Dilma e Zuckerberg anunciam parceria

Dilma e Zuckerberg anunciam parceria

Após anos de discussão, de pressão e mesmo resistência frente às tentativas por parte das empresas de telecomunicações e deputados financiados por elas de tornar o texto inócuo ou totalmente desfavorável ao consumidor, o Marco Civil que ainda carece de regulamentação em algumas áreas pode virar letra morta.

A presidente Dilma Rousseff, reunida com o fundador do Facebook, Marck Zuckerberg, anunciou na sexta-feira, dia 10, uma parceria que pode significar o fim do Marco Civil e indica o caminho que Dilma pretende seguir em relação à regulamentação da Neutralidade da Rede que, resumindo, periga ser o de vetar completamente a neutralidade em prol de iniciativas danosas ao consumidor e liberar a prática do Zero Rating.

Dilma e Zuckerberg firmaram acordo para trazer ao Brasil o projeto Internet.org que já funciona em países como Guatemala, Panamá, Gana, Quênia, dentre outros, e que basicamente permite acesso gratuito via celular a alguns serviços básicos (ou considerados básicos pelo Facebook e por empresas de telefonia e provedores parceiros), como a Wikipedia e, obviamente, o próprio Facebook.

emaranhadoEm outras palavras, a “internet grátis” que Dilma e Zuckerberg pretendem trazer ao país nada mais é que uma internet capenga, restrita a alguns serviços escolhidos por empresários interessados, e não a internet em si, com todo seu potencial, livre e irrestrita. Trata-se de um projeto que visa controlar o acesso dos indivíduos, liberando apenas sites escolhidos e aplicações definidas por terceiros, impedindo o acesso realmente livre e reduzindo a internet que uma parte considerável do mundo acessa – em especial os mais pobres – um ambiente controlado e restrito.

A Neutralidade da Rede como consta do Marco Civil e também como princípio defendido até pelo FCC americano veda expressamente a discriminação de pacotes e, obviamente, veda a prática de Zero Rating, que é justamente discriminar serviços e aplicativos/aplicações  – e que já existe no Brasil e permanecerá existindo até que o Marco Civil seja totalmente regulado e da forma como ativistas e especialistas propõem.

As práticas atuais de diversas empresas de telefonia brasileiras de, por exemplo, permitir o acesso ao Whatsapp ou ao Facebook, mas vetar o acesso ou cobrar pela conexão que saia desses aplicativos (clicar em um link recebido no Whatsapp que direcione ao navegador, por exemplo e em alguns casos até mesmo assistir a um vídeo dentro do aplicativo do Facebook que consome mais dados e, logo, é cobrado) já é algo comum, e tal prática é exatamente o Zero Rating, porém ser comum não torna necessariamente algo legal ou, ao menos, ético ou saudável para o funcionamento da internet enquanto uma rede distribuída e livre.

O acordo entre Dilma e Zuckerberg prenuncia uma péssima regulamentação do artigo sobre a Neutralidade da Rede no Marco Civil, colocando em perigo o acesso dos brasileiros – de todos e todas – à internet, abrindo as portas para a criação de classes dentro da internet de acordo com o poder aquisitivo de cada indivíduo para pagar por acessos premium.

O futuro com Zero Rating e sem Neutralidade é o de provedores não cobrarem mais pela velocidade com que você conecta, mas sim pelo conteúdo acessado e pelos aplicativos ou aplicações.

Um exemplo: É possível imaginar que uma empresa cobre não por 2 megas de velocidade ou 6 megas e com essas velocidades você em tese pode acessar do seu blog pessoal ao Youtube ou Netflix, sem discriminação, mas passe a cobrar um valor para você acessar seu blog e um valor muito mais alto para que você possa assistir a um vídeo no Youtube. Ou ainda pode permitir o acesso mais rápido a um site parceiro e diminuir a velocidade de um site que não pague nada ao provedor.

A internet é como uma estrada, não importa se você vai mais devagar ou mais rápido, no fim das contas todos passam pelos mesmos lugares e chegam a mesmo lugar, apenas em tempo diferente. Com o Zero Rating todos serão obrigados a pagar pedágio, mas quem pagar mais pedágio irá mais longe, enquanto você ficará pelo caminho, impedido de ir adiante.

banda larga

Internet pista-livre prá rico

Isso significa que a internet ficará não só mais cara, mas também que ficará elitizada.

Os mais pobres não poderão ter acesso aos mesmos sites e serviços que os mais ricos, não poderão ter o mesmo acesso ao conhecimento e ficarão restritos ao que provedores, empresas de telecomunicação e o governo permitirem o acesso. Se o provedor decidir que a Wikipedia não faz mais parte do pacote básico, azar o seu, pague um melhor ou fique sem Wikipedia – e isto vale para qualquer site ou serviço.

Há anos Dilma anunciou o PNBL, ou Programa Nacional de Banda Larga, que pretendia universalizar o acesso à internet que, porém, foi e é um completo fiasco, oferecendo velocidade quase nula por um preço abusivo e sem forçar às empresas de telecomunicação que efetivamente invistam em infraestrutura e expandam sua rede. Pior que isso, o PNBL terceiriza uma obrigação estatal, que é a de garantir infraestrutura mínima para que a população tenha acesso ao que é hoje um instrumento necessário para o aprendizado, para acesso à cultura e mesmo para a democracia, um direito humano.

Diante deste fracasso o governo resolveu tomar um atalho que, no fim, viola os direitos dos brasileiros. É uma tentativa torpe de mascarar a incompetência do governo na democratização da internet e também sua falta de interesse no processo, além de deixar claro o conflito de interesses de políticos com empresas de telecomunicação que financiam suas campanhas e que são as grandes interessadas no Zero Rating.

Projetos como o Internet.org parecem bonitos, filantrópicos, na teoria, mas abrem as portas para um controle sem precedentes da internet e também abrem um precedente perigoso, colocando em risco a internet em si.

– Este texto é resultado de trocas e conversas com o ativista pela liberdade na rede João Carlos Caribé

Raphael Tsavkko Garcia é jornalista e blogueiro, doutorando em Direitos Humanos (Universidad de Deusto, Bilbao), mestre em Comunicação (Cásper Líbero) e bacharel em Relações Internacionais (PUCSP). Autor do blog Blog do Tsavkko – The Angry Brazilian

Sobre o discurso da Presidenta do Brasil na África do Sul:


por marcos romão
Foi um momento chave na história mundial dos grandes rituais de passagem, que envolvem não só nascimentos em tribos, mas também falecimentos de pessoas chaves que significam fim e início de eras ou fases históricas mundiais,
Mais de 160 representantes de estados estavam lá e notem, nenhum chefe Europeu teve a palavra no momento chave. É um recado pos mortis de Mandela ao neocolonialistas europeus que preferem enviar tropas ao invés de investimento para o desenvolvimento de África.
A questão racial neste governo está em uma camisa de força, os outros tres ex, representaram uma fase da participação do Brasil nas negociações do fim do Apartheid,que implicavam em botar as questões raciais e de desigualdades sociais em banho- maria, na África do Sul, nos EUA, no Brasil e no mundo. O futuro do mundo estava em jogo, Lula sabe disso, deveria ter passado a informação para Dilma.
Com o Lula houve grandes avanços nas relações com a África do Sul, mas o tema racismo e desigualdades raciais, manteve-se lá como cá fora da discussão governamental, por decisão da alta cúpula de poder no palácio.
Falava-se de promoção da igualdade racial, mas não se falava de racismo.
Este tema o racismo, e as desigualdades raciais que ele provoca e perpetua mesmo após o fim do Apartheid, é o que evidencia a permanente semelhança entre a situação atual da África do Sul e do Brasil. Nós somos o futuro deles no que toca às violências e corrupções que uma sociedade racista provoca.
Imagino a guerra de pé de ouvido com a presidenta para ela saber o que falava no avião e com seu gabinete civil, todos “especialistas em negros”….
Dilma já confessou em entrevista que tomou conhecimento da questão negra brasileira quando já fazia pós-graduação. Há sempre tempo de aprender. Mas cercada por “doutores brancos” em negros, acabou escorregando no farsa do sangue negro e do pé na cozinha da África.
Se ao invés de escutar os seus “doutores de gabinete” que impedem em Brasília desde 2003, a discussão sobre racismo e perpetuação das desigualdades sociais, e tivesse lido a entrevista sobre Mandela, de sua com menos poder mas não por isso menor ministra, Luiza Bairros…
Teria aproveitado a chance, como Obama, que aproveitou a deixa Mandela para mandar um recado aos racistas de sua própria casa, os EUA.

Luiza Bairros

Luiza Bairros

mamapress.wordpress.com/2013/12/08/ministra-luiza-bairros-diz-que-figura-de-mandela-e-usada-para-tentar-disfarcar-o-racismo-no-brasil/