Marina se confundiu. Casamento igualitário para o casamento civil, eis a questão.


Por Jean Willys

Jean Willys

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Disse Marina Silva: “A união civil entre pessoas do mesmo sexo já está assegurada na Justiça por uma decisão do Supremo. Tem muita gente que faz a confusão entre união estável e união civil. A união civil assegura todos os direitos para os casais que têm a união no mesmo sexo. O casamento é estabelecido entre pessoas de sexo diferente. É isso que está assegurado na Constituição, na legislação brasileira, mas os direitos são iguais”.

Ela tem razão em uma coisa: tem muita gente que faz a confusão entre união estável e união civil. Só faltou ela acrescentar: “Eu sou uma dessas pessoas que confunde”.

Vamos ser claros:

1) de acordo com a Constituição Federal, o casamento é civil,

2) não existe nenhum país do mundo em que o movimento LGBT reivindique uma lei para que os casais homossexuais possam se casar na Igreja,

3) quando falamos em “casamento igualitário” nos referimos ao casamento CIVIL, o mesmo que a Constituição menciona,

4) a união estável e o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo já são possíveis em qualquer cartório do Brasil, graças a uma decisão do Conselho Nacional da Justiça, provocada por uma ação do PSOL que foi impulsionada por meu mandato,

5) o projeto de lei de minha autoria, que apresentei junto com a deputada Érika Kokay, propõe garantir esse direito (o casamento civil) por lei do Congresso, para sempre,

6) a “união civil” não existe na legislação brasileira — repito: não existe,

7) a expressão “união civil” é usada no mundo inteiro pelos inimigos dos direitos da população LGBT para tentar rebaixar o direito ao casamento, criando uma instituição paralela, exclusiva para homossexuais, como na época das escolas para brancos e escolas para negros,

8) ser contra o casamento civil igualitário é ser contra os direitos civis dos casais do mesmo sexo, portanto, é ser contra a igualdade e a favor da discriminação.

Joaquim Barbosa sobre o racismo: diplomacia brasileira “é muito discriminatória”


Em nossa linha de conversar sobre o racismo no Brasil sem subterfúgios nem desculpas esfarrapadas, a Mamapress reitera a sua posição de o racismo no Brasil vai aparecer e se evidenciar cada dia mais. Vai aparecer não pelo racismo de agora ser maior ou menor do que antes. Mas sim porque os discriminados não estão mais engolindo as desculpas esfarrapadas dos racistas que sempre alegam que têm um pé na cozinha quando querem esconder os crimes racistas que cometem.
Já temos toda uma geração de empregadas domésticas que exigem seus direitos trabalhistas. Temos toda uma geração de trabalhadores negros que, que já não mais aceitam que seus companheiros brancos ganhem mais e sejam sempre promovidos na frente deles. Já temos toda uma geração de intelectuais formados lá fora que podem sustentar de igual para igual com os intelectuais brancos as discussões e reivindicações trazidas pelos 53% da população não branca. Infelizmente maioria destes intelectuais formados em todas as disciplinas, foram formados lá fora, pois aqui no Brasil, a academia reservou aos negros e indígenas estudarem os negros e indígenas, viramos uma disciplina.
Queremos mais, queremos estar no poder em todas as instituições. Temos homens e mulheres negras e indígenas de todas as idade preparados para esta tarefa, e não me venham com esta velha história que precisamos esperar os investimentos em educação para termos igualdade. Dou meu exemplo pessoal: Em minha experiência profissional no Brasil, a maioria da pessoas brancas a quem eu fui subordinado, não tinham o preparo que eu tinha, hoje a maioria é rica e senta em Brasília enquanto eu… tive minha carreira de sociólogo de tal forma bloqueada que tive que sair do país em 1989.
Quantas vezes tive que pedir à uma funcionária negra, com 30 anos de serviços sem nenhuma promoção, que tivesse a gentileza de “escolarizar” a loura que iria ser chefe dela no secretariado, que nem um memorando escrever o sabia, mas como branca representaria melhor a recepção no gabinete do chefão branco?
As discussões à cerca do racismo que sempre foram colocadas debaixo do tapete, e estavam reduzidas aos circuitos do movimento negros e grupos discriminados como os grupos mulheres, indígenas e LGBT, viraram questão nacional desde as manifestações de junho de 2013.
O desaparecimento depois de torturado do corpo de Amarildo levaram os jovens de classe média das grandes cidades do Brasil que sempre viveram nos condomínios e escolas segregadas, ao descobrirem que estavam sendo tratados como negros pelas policias estaduais especializadas em maltratarem, torturarem e eliminarem negros na história do Brasil.
A perversidade do sistema racista e de apartheid que sustenta e mantém uma elite branca ou esbranquiçada no Brasil, saiu de suas margens de só atacar os guetos e hoje estende suas garras a todos os cidadãos e os perseguem mesmo dentro de seus computadores.
Fomos todos nivelados por baixo, fomos todos nivelados pela discriminação antes reservadas aos negros e indígenas.

Quase que ao mesmo tempo os brasileiros descobrem que têm um juiz negro na maior corte do país, juiz de carreira e que chega ao topo, elevando-se à categoria de ser o único e primeiro negro no Brasil a assumir esta posição no Brasil. Este exemplo nos nivelou por cima a todos o negros no Brasil. Em um país em que nós negros e indígenas somos segregados em tudo, descobrimos que também podemos entrar na máquina responsável por nos manter através da lei longe da propriedade e dos bens econômicos do Brasil. De nela entrar e transformá-la pode ser um passo. Esta possibilidade remota dede mudar o sistema judiciário que manda para as prisões  medievais milhares de negros, assusta. Assusta a simples possibilidade de negros julgarem e assim também brancos irem para a cadeia. Pela primeira vez então os brancos da elite brasileira, muitos deles que já passaram pelos porões da ditadura, se lembram e derramam lágrimas de crocodilos, sobre as condições desumanas em que vivem milhares de negros encaixotados em porões em que a tortura é o simples ir para lá. A justiça brasileira ao condenar alguém não o pune por seus mau-feitos, mas sim pela sua cor e condição econômica. Mandar alguém pobre e preto para a prisão no Brasil para simples averiguação, é dar a pena de morte ou tortura perpétua. A única saída para esta pessoa é baixar a cabeça ou se tornar fera para massacrar e cortar cabeças de outros iguais.

Todos estes acontecimentos que vivemos nos últimos dois anos são momentos emblemáticos, que escancaram para todos o Brasil racista que só inglês podia ver.

Vivemos um momento chave em nosso país que pode influenciar e propiciar a mudança da mentalidade racista de todos nós brasileiros. Está na hora de termos solidariedade um com os outros e reconhecermos que o sistema de apartheid racial e econômico no Brasil, nos atinge a todos e à nossas famílias. Que está nos destruindo a todos

A entrevista do RFI com o Ministro Barbosa, revela um ministro do STF, também preocupado com esta questão. O próprio STF com esmagadora maioria de brancos quatrocentões, em decisão memorável reconheceu a dívida do Brasil para com os negros e indígena e homologou em 2012 as cotas como constitucionais.

É essa discussão que nos interessa e nos interessa fazê-la com responsabilidade, pois estamos todos sentados em um Barril de Pólvora evidenciado pelo genocídio de nossa juventude negra, que precisa ser finalmente enfrentado.
O linchamento que alguns setores da sociedade fazem atualmente do Ministro Joaquim Barbosa, é por nós considerado como uma fuga da discussão do racismo institucional que perpassa toda a nossa sociedade desde o alto escalão de Brasilia, passando pela composição racial dos quadros que comandam as redações de nossos veículos de comunicações, até as chefias de cozinha nos grandes clubes e hotéis.
Enfrentamos o racismo em todas as esquinas, este é o fato. (Marcos Romão- editor da Mamapress)

Artigo nos  de Lúcia Müzel, que nos foi enviado pelo advogado Humberto Adami

Joaquim Barbosa sobre o racismo: diplomacia brasileira “é muito discriminatória”

Lúcia Müzell fonte: RFI

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa
STF

Em 1993, quando deixou Paris com um título de doutor recém-conquistado na Universidade Panthéon-Assas, Joaquim Benedito Barbosa Gomes não imaginaria que, quase 20 anos depois, seria o primeiro negro a assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal. A nomeação, entretanto, é uma exceção em um país onde o racismo se esconde atrás de piadas e os negros permanecem longe de ter acesso às mesmas oportunidades que os brancos, apesar de comporem a maioria da população. Em entrevista exclusiva à RFI, Barbosa afirma que um dos piores exemplos é a face brasileira no exterior: a diplomacia, segundo ele, ainda “é muito discriminatória”.
Durante sua curta passagem por Paris, na semana passada, o presidente do STF foi recebido como convidado de honra no Conselho Constitucional francês, uma das instituições de maior prestígio do país. Poucos minutos antes de embarcar em um trem rumo a Londres, onde cumpre a segunda etapa de compromissos oficiais na Europa, ele conversou com a RFI.

Na semana passada, enquanto os jornalistas brasileiros aguardavam o senhor em um café na praça da Sorbonne, um garçom francês, negro, reconheceu o seu nome e sabia quem o senhor era. O senhor já é reconhecido no exterior?
Eu sempre tive o hábito de parar na praça da Sorbonne, não somente para tomar um café mas para estudar. Eu gostava de ficar ali. Mas em relação a um garçom ter me reconhecido, isso representa o fato de que os negros se reconhecem em qualquer lugar do mundo. Eles se reconhecem uns nos outros.

A sua carreira é de exceção no Brasil: um negro de origem humilde que chega à presidência do STF. Hoje, foram implantadas as cotas, por exemplo, entre outras ações para integrar melhor os negros na sociedade, inclusive em altos cargos. O senhor acha que a situação melhorou?
As coisas melhoraram um pouco nestes últimos 20 anos. Mas eu acho que nós ainda precisamos de bastante cotas em diversas áreas, porque 50 ou 51% da população é formada por negros. Entretanto, eles ainda se encontram em situações de inferioridade, sofrem discriminação, conseguem empregos ruins. No Brasil, nós não vemos os negros em cargos de direção nas empresas, ao contrário de outros países. A nossa diplomacia é formada em 99% por brancos e é muito discriminatória. Ou seja, ainda temos muito a fazer. Muito mesmo.

Na Europa, essa pouca representação dos negros nos altos cargos no Brasil, um país tão miscigenado, causa estranheza. O senhor acha que o Brasil é um país racista?
É um país onde o racismo é latente. Não é explícito: é latente. Ele é disfarçado, e se mostra nas situações nas quais os negros são excluídos. Quando alguém é surpreendido em um ato racista, ele muda de discurso, faz como se não fosse nada, diz que era uma brincadeira, reafirma que o país é uma mistura de raças, lembra que tem uma tia negra. Porém, em tudo aquilo que conta de verdade, na economia, nas posições de comando, os negros são excluídos.

Recentemente, a ministra francesa da Justiça, Christiane Taubira, foi alvo de vários ataques racistas. O senhor se encontrou com ela na semana passada. Vocês conversaram sobre este assunto?
Sim, nós falamos. Eu acho isso vergonhoso para a França. Uma mulher com muitas qualidades, como a ministra da Justiça Taubira, ser alvo de atos de machismo e de racismo. Nós estudamos na mesma faculdade de Direito em Paris, Panthéon-Assas, embora não tenhamos nos conhecido na época. Ela estudava em Assas e eu fazia o doutorado em Panthéon. E nós conversamos sobre incidentes racistas que nós dois tivemos na época. Houve brigas envolvendo a extrema-direita no campus, coisas assim. Eu acho tudo isso assustador. Porém, na França pelo menos existe o debate, enquanto, no Brasil, tudo fica escondido. Tudo fica como se fosse uma brincadeira. As medidas necessárias [contra o racismo] não são tomadas. O assunto é tratado com superficialidade. O assunto não é levado a sério, e este é o problema.

Durante as manifestações do ano passado, o senhor era visto como um ídolo. O seu nome era evocado para a presidência da República. Nos últimos meses, entretanto, o senhor virou alvo da imprensa, como por exemplo sobre o pagamento de diárias durante a sua viagem à Europa. Como o senhor sentiu essa mudança?
Isso não me incomoda. Isso faz parte do caráter um pouco provinciano do debate público no Brasil. Eu gostaria de debater as coisas sérias. É isso que me interessa. Mas tem uma certa imprensa sem escrúpulos no Brasil, pessoas pagas por fundos governamentais e que só querem saber de me atacar, mas eu só faço o meu trabalho. Faço o meu trabalho e não estou nem aí para essas pessoas.

Questionar a sua honestidade o incomoda?
São os brasileiros que devem dizer se sou honesto, e não estes maus-caracteres.

Evangélicos criam abaixo-assinado contra Marco Feliciano por Hernani Francisco da Silva



Enviado por Sandra Martin do Cojira

fonte:
http://negrosnegrascristaos.ning.com/m/blogpost?id=2232714%3ABlogPost%3A269414

Descontentes com a posição homofóbica e racista do presidente, a instituição defende os valores pregados dentro das igrejas evangélicas, citando nomes de religiosos que trabalharam em defesa dos direitos humanos. 

“Os exemplos históricos de cristãos envolvidos com os Direitos Humanos são vários, figuras como a do pastor batista Martin Luther King Jr. ou do bispo anglicano Desmond Tutu nos inspiram por exatamente colocarem a fé como o motor para suas ações de promoção e defesa dos direitos”, diz a Rede Fale, em carta aberta publicada em seu site.

Além do comunicado, o grupo lançou um abaixo-assinado visando anular a eleição de Marco Feliciano. Esta não é a primeira manifestação contra a eleição do pastor à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Um grupo de internautas iniciou uma mobilização no Facebook para promover neste sábado (9) uma mobilização em 10 cidades brasileiras.

Chamado de “Ato de Repúdio” à nomeação do parlamentar, o evento deve acontecer simultaneamente às 14 horas. Em São Paulo, os manifestantes devem se concentrar na esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação.

Veja a carta da Rede Fale na íntegra“Nós, da Rede FALE, somos evangélicos/as oriundos de diversas igrejas evangélicas, tradicionais e pentecostais, que militam no campo dos direitos humanos. A Rede FALE foi criada inspirada no texto de Provérbios 31.8-9 há 10 anos e tem como vocação ser um testemunho do engajamento e da fé dos cristãos na sociedade brasileira. Um dos elementos centrais de nossa ação é a compreensão que a oração é um poderoso instrumento para mudar a realidade, reunindo em nossas ações a mobilização de grupos para reuniões de oração, como também para manifestações e ações públicas.

Neste contexto recebemos com interesse a notícia de que o PSC seria responsável pela presidência da CDHM. Temos a convicção de que a base da garantia dos Direitos Humanos está no reconhecimento da sacralidade da Vida, que provém, como cremos, da imagem e semelhança de Deus que todo ser humano possui (Gn 1.26-27). Acreditamos também que a maneira como tratamos outro ser humano é reflexo de nossa atitude para com o Criador.

Desprezar o primeiro é desrespeitar o segundo (cf. Pv. 14.31; Tg 3.9). Os exemplos históricos de cristãos envolvidos com os Direitos Humanos são vários, figuras como a do pastor batista Martin Luther King Jr. ou do bispo anglicano Desmond Tutu nos inspiram por exatamente colocarem a fé como o motor para suas ações de promoção e defesa dos direitos.

Os necessários avanços dos Direitos Humanos no Brasil poderão acontecer sob a gestão do PSC e, para tanto, nos parece estratégico ouvir o clamor das ruas e dos movimentos sociais com respeito à escolha, pelo partido, de um nome que não traga tamanha carga negativa para a presidencia da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

O PSC possivelmente possui em seus quadros outros parlamentares que possam assumir a presidencia da comissão, e que poderiam contribuir com uma postura conciliadora e propositiva, na qual Cristo tem sido nosso maior exemplo. Parlamentares mais experientes e entendidos dos ritos e processos da casa também seria um importante critério, considerando o destaque que a comissão possui.

Prezado irmão, escrevemos aqui sob o temor ao nosso Deus e conscientes de que há um caminho de consenso para esta situação. A ninguém, e muito menos aos direitos humanos, interessa que seja estabelecida uma disputa entre posições extremas, ou mesmo entre visões que se percebem antagônicas.

Em oração para que Deus os cuide e ilumine nessa importante tarefa que têm pela frente, despedimo-nos,

Em Cristo,

Coordenação Nacional da Rede FALE

Bahia: STF decide que área na Bahia é uma reserva indígena


Deu na Folha de Sção Paulo o que acabamos de assistir na TV Justiça. O julgamento de retomada de posse impetrada pelos Indios Pataxós no Sul da Bahia.

Na década de 50 aconteceu um verdadeiro massacre na região. Alegando busca à criminosos, tropas policiais da Bahia Minas Gerais e Espírito Santo, invadiram a região expulsando os indígenas e matando os que resistiam. Foram construidas vilas e povoados obrigando os indígenas a viverem nas periferias em precárias condições. Hoje o STF tomou uma decisão reparatória. A Força Nacional já está de prontidão e lá vai ficar por pelo menos 90 dias para garantir a reocupação da área pelos povos indígenas.mr

Aqui a matéria da Folha assinada por FELIPE SELIGMAN
DE BRASÍLIA

Diante do agravamento no conflito entre índios e fazendeiros no sul da Bahia, o STF (Supremo Tribunal Federal) retomou o julgamento de uma ação que envolve a área em disputa e reconheceu, por 7 votos a 1, que o local é uma área indígena, determinando a anulação dos títulos de terras existentes no local.

Os fazendeiros terão de deixar o local, mas forma como será a retirada ficará a cargo da União, que definirá, inclusive, se eles poderão receber indenizações por perderem o registro de suas propriedades.

A ação julgada nesta quarta-feira foi proposta pela Funai (Fundação Nacional do Índio) em 1982, pedindo a declaração de nulidade de todas as propriedades de não índios que estivessem dentro da chamada Reserva Indígena Caramuru/Catarina/Paraguaçu.

A área, localizada no Sul da Bahia, tem 54 mil hectares e abriga os índios pataxós hã hã hãe. Na época em que entrou com a ação, há trinta anos, a Funai pediu a anulação que 396 propriedades. Um laudo feito por técnicos do STF, no entanto, constatou que boa parte daqueles registros estaria fora da reserva e a validade não estaria, portanto, em questão.

O caso começou a ser julgado em 2008, quando o relator do caso, o hoje aposentado Eros Grau, votou pela nulidade dos títulos de terra. Ontem, o caso foi retomado com o voto da ministra Cármen Lúcia.

Além de Eros e Cármen, votaram pela anulação dos títulos concedidos dentro da reserva indígena os ministros Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Cezar Peluso, Celso de Mello e Carlos Ayres Britto.

Apenas Marco Aurélio Mello votou contra o pedido da Funai, por entender que os atos de concessão das terras foram feitos em “boa fé”. Ele também argumentou que boa parte dos índios que vivia lá deixou, com o passar do tempo, a região.

Luiz Fux, por ter substituído Eros Grau, não pode votar, enquanto Gilmar Mendes e José Antonio Dias Toffoli estavam impedidos por terem atuado na causa quando ocuparam o cargo de advogado-geral da União. Já o ministro Ricardo Lewandowski não participou do julgamento por estar na Suíça, representando o tribunal.

O voto vencedor foi liderado pela ministra Cármen Lúcia. Ela afirmou que o processo era composto de 25 volumes relpletos de “sofrimento, lágrimas, sangue e morte”.

A ministra lembrou que foi exatamente a disputa sobre essa área que trouxe o índio Galdino à Brasília, em 1997. Naquele ano, ele foi queimado vivo por adolescentes de classe média, quando dormia em uma parada de ônibus e acabou morrendo.

De acordo com Cármen Lúcia, os índios pataxó hã hã hãe já ocupam cerca de 42 mil hectares do total e que a área da disputa se restringe aos 12 mil hectares restantes. Nos últimos anos, alguns fazendeiros já deixaram o local, após o recebimento de indenizações.

Em seu voto, ela ainda observou que das 396 propriedades inicialmente questionadas pela Funai, apenas 186 estariam dentro da reserva indígenas e somente essas foram anuladas. Segundo a ministra, a própria Funai e a AGU (Advocacia Geral da União) chegaram a reconhecer que não havia a certeza absoluta sobre todas as propriedades que estariam dentro da área questionada.

A área em questão foi demarcada em 1938, mas nunca chegou a ser homologada pelo Governo Federal. Para os ministros, no entanto, o fato não impede que o território seja considerado indígena.

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Afropress atacada por neonazistas. UM CRIME CONTRA A COMUNIDADE NEGRA


No momento a afropress está hospedada provisoriamente neste link .  Acabei de falar com o Editor da Afropress, e ele diz que o mesmo grupo de Brasilia que tem ligações com o assassino de Realengo. MR

UM CRIME CONTRA A COMUNIDADE NEGRA (E ainda querem dizer que não existe racismo no Brasil)

No mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF), pela unanimidade dos seus membros, consagrou o princípio da constitucionalidade das ações afirmativas e das cotas para negros e indígenas, como mecanismos necessários para se chegar à Igualdade e à Justiça, grupos racistas desfecharam violento ataque à Afropress (Agência Afroétnica de Notícias), que obrigou o Provedor – a Rede Tiwa, com sede no Rio de Janeiro – a retirar a página do ar, para proteger o nosso banco de dados, gravemente ameaçado.

Não é a primeira vez que a Afropress é alvo de grupos que pregam e praticam o ódio e a intolerância e não há coincidência em que tentem, justamente hoje, mais uma vez, destruir um veículo de informação que há sete anos se mantém fiel ao objetivo de fazer um Jornalismo comprometido com a luta contra o racismo e a discriminação e a defesa dos direitos civis e por igualdade da população negra brasileira.

Em comunicado à Redação, Carlos Afonso, responsável pelo Provedor Tiwa, confirmou o ataque, iniciado por volta das 12h de hoje (26/04), e anunciou ter havido a necessidade de “desativar [tirar a página do ar] para evitar que continuem explorando os diretórios comprometidos”.

Os autores de mais esse crime são os mesmos que há sete anos passaram a ter a Afropress como alvo. O ataque desta vez, certamente, é uma represália covarde às manifestações de alegria por parte de milhões de negros (as) e antirracistas, que tomaram conta do país, desde que o ministro Carlos Ayres Brito, presidente do Supremo Tribunal Federal, proclamou o resultado.

O jornalista Dojival Vieira, Editor de Afropress, disse esperar que, recuperado o back-up e obtida a nova senha de acesso, o site volte ao ar ainda durante esta sexta-feira (27/04) para cobrir a repercussão do julgamento histórico da mais Alta Corte do Brasil e dar continuidade ao trabalho que vem fazendo.

Ele afirmou que só o aprofundamento das investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre os crimes praticados por gangues racistas e neonazistas – e que levaram à prisão recente do ex-estudante da Universidade de Brasília (UnB), Marcelo Valle Silveira Mello, e do empresário Emerson Eduardo Rodrigues, ambos presos pela PF, em Curitiba -,poderão esclarecer quem são os autores de mais esse ataque criminoso contra a liberdade de expressão.

O jornalista disse ainda que encaminhará a denúncia formal aos Sindicatos de Jornalistas de todo o país, aos organismos e entidades comprometidas com a defesa da liberdade de expressão, e a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da OEA, e pediu a solidariedade ativa de todos os ativistas negros e antirracistas que lutam por Direitos e Igualdade.

“Nem um passo atrás. Como das outras vezes, voltaremos ainda mais determinados a continuar o nosso trabalho. Não nos calaram antes. Não nos calarão agora. Não nos calarão jamais! Venceremos!”, prosseguiu.

S. PAULO, 26 DE ABRIL DE 2.012 – DIA EM QUE O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL DECLAROU A CONSTITUCIONALIDADE DAS AÇÕES AFIRMATIVAS E DAS COTAS NO BRASIL.
EQUIPE DE REDAÇÃO DE AFROPRESS
DOJIVAL VIEIRA – Editor e Jornalista Responsável
JORNALISTA RESPONSÁVEL E EDITOR

Os 5 minutos que abalaram o Brasil. Hédio Silva defende as cotas no STF


Defesa da cotas por Hédio Silva

compilado po marcos romão

O Supremo Tribunal Federal do Brasil julga a constitucionalidade sistema de cotas para negros e indios, aplicados nas Universidades Federais Brasilieras.
“Em 1824 a escrava Liberata de Paranaguá entrou em segunda instãncia no tribunal da da Relação do Rio de Janeiro. Seu senhor que havia lhe prometido a liberdade e acabara de falecer sem ir ao cartório pagar sua promessa de liberta-la.

Como escrava  Liberata era considerada um “SEMOVENTE”, sem direito a entrar na justiça ou a ter voz de direito. Mesmo assim ela acusou: Trabalhei e fui estruprada por este homem durante 40 anos, não pude cuidar dos meus filhos porque tinha que cuidar dos filhos da “Sinhazinha”.

O juiz deu prosseguimento a demanda da escrava, recorrendo ao direito romano: Como um “semovente” não poderia ter realizado um contratos com um “ser humano” pelo direito comercial vigente. O juiz declarou: “A promessa do senhor é um “contrato unilateral de vontade”. Dando ganho de causa à Liberata.
Palavras do advogado do movimento negro e amigo da corte no processo:” Se em 1824 a escrava Liberata pode confiar na justiça. Nós negros da atualidade não precisamos ter nenhuma dúvida da decisão que os senhores vão tomar. (Entre os juizes do STF só tem um negro)

O racismo cordial: Os intelectuais contra as cotas foram buscar na genética, os dados que dizem ser Neguinho do Samba , um “Eurodescendente”. Neguinho do Samba que prá nós ativistas do movimento negro é considerado como negro de último tom, porque mais preto não existe, vai ter que passar a andar nas ruas com um placar com os dizeres, “sou Eurodescendente”, para assim não ser agredido pela polícia.(das palavras de Hedio Silva)