Mais uma vez Fortaleza: Hoje fui violentada pela polícia.


Nota da mamapress: Desde o caso Mirian França, jovem mulher negra que ficou detida 30 dias no Ceará, por suspeitas infundadas, que temos alertado as jovens negras que por um motivo outro precisam passar pelo aeroporto e rodoviárias de Fortaleza, que tenham em mãos sempre um telefone de amigos que possam contatar as autoridades locais como defensoria pública, ou organismos de Direitos Humanos e de Defesa dos negros contra o racismo.

O  Sos Racismo Brasil, parceiro da Mamapress, informa que irá entrar em contato com a defensoria pública de Fortaleza, para que seja feita uma campanha no Estado do Ceará, de informação no Ceará, para informar que mulheres negras, usam também avião para trabalharem e fazerem turismo. E que suas aparências que podem parecer “estranhas” nas terras do Ceará, hoje já são comuns em todos os aeroportos do Brasil e do mundo.

“Sofrendo horrores por saber o terror pelo qual a queridíssima Cris Faustinopassou no nosso Aeroporto treinado para fazer revista vexatória em mulheres de pele preta, cultura indígena e “jeito de pobre”. Essa maravilhosa mulher não é uma mula que carrega drogas. Ela é sim, uma guerreira que carrega muito conhecimento, muito amor e muita luta por cada aeroporto por onde passa. Leva consigo tanto conhecimento e luta que esse cabra metido a letrado jamais teria porque pelo jeito o que ele sabe é o que precisou “estudar para passar num concurso da polícia federal”. Não aprendeu a ter respeito. Não aprendeu o que é racismo. Mas nossa Cris sim, e ela sabe muito bem. Porque não são somente as leituras que ela traz. São as vivências, a garra e a força das mulheres que, assim como ela, sabem o que é sofrer na pele (e por causa da pele) esse tipo de violência. Crisinha, meu amor. Tamo contigo. Conta com a gente. Mexeu com uma, mexeu com todas.” Mensagem das mulheres de Fortaleza através de Sheryda Lopes

Por Cris Faustino

do original em Combate ao Racismo Ambiental

Revista vexatória

Revista vexatória

Porque compartilhar é preciso, necessário e ajuda a sobreviver.

Hoje, 24 de setembro/2015, desembarquei por volta de 8:30 (voo 4764 da TAM. Noite inteira de viagem) no Aeroporto Internacional Pinto Martins em Fortaleza. Retornava de Manaus, de um encontro com algumas das minhas companheiras da Articulação de Mulheres Brasileiras. O desembarque doméstico estava interditado e os passageiros seguiram pelo desembarque internacional. Eu não havia embarcado bagagem, pois como era viagem rápida, levei poucas coisas e sinto muita satisfação em não ter que ficar esperando malas na esteira. Que fácil estava a vida naquele momento de cansaço.

Porém fui retida na porta de saída pela Polícia Federal: um policial me fez uma série de perguntas, de onde eu vinha, o que fui fazer lá, e para onde eu ia agora. Respondi todas, numa boa. Ele me pediu documento e solicitou que eu aguardasse ao lado. Perguntei o que estava havendo, ele, relutante, disse que era uma operação da Polícia Federal. Perguntei se podia ir ao banheiro, ele e outro, ao que parece, subalterno, não permitiram. Tudo bem. E com aquela sensação desconfiada de racismo, imaginei mais ou menos: ‘de rotina’. Ok. Segura a onda.

O meu voo estava lotado. No entanto notei que em meio a muitas outras pessoas, somente eu havia ficado retida. Eles perguntavam qualquer coisa para as outras e as liberavam. Sou feminista militante com cara misturada de negra e índia, luto todos os dias e muito veementemente contra o racismo. Conheço essa chaga, essa desgraça humana, não só na minha vida, mas na de todas as pessoas iguais a mim, com quem convivo, ou não. Minha consciência negra, então não pôde se conter, e perguntei para um dos policiais (o subalterno, que estava mais próximo): por que somente eu estou retida? Ele disse que eu deveria perguntar ao outro, o que havia me abordado primeiro, que era o chefe da operação, ou sei lá que diabo de patente racista esse senhor representa.

O fato é que perguntei ao tal sujeito, por que só eu estava retida. Ele então me respondeu o seguinte: que eu tinha que estudar muito, fazer um concurso para polícia, pra eu saber porque estava retida! Eu fiquei em choque, e o que pude dizer pra ele, já bastante nervosa e irônica, foi o seguinte: é muita cidadania que eu mereço de sua parte! Ele fingiu que não ouviu. Mas ouviu, eu sei que ouviu porque eu disse exatamente para ele ouvir e olhando em sua cara. E sei que ele sabe o que eu estava dizendo.

Fiquei aturdida, liguei pra uma companheira de trabalho e relatei o fato, falando em voz alta e emitindo meu ponto de vista, para que, de alguma forma, eles soubessem, que eu sabia exatamente o que se passava: entre todas as aquelas pessoas, ‘brancas, lindas e arrumadas’, eu era a única suspeita, com minhas roupas coloridas, meu cabelo preso num penacho indígena, minha pele preta e meu jeito, certamente de ‘pobre’, não dona de drogas, mas ‘avião’ ou ‘mula’! Porque eles sabem exatamente a quem de fato pertencem as drogas ilícitas. Fiquei ligando para algumas pessoas, enquanto o tal chefe, ou sei lá o que, racista da polícia me rodeava, falando ao telefone. Eu queria que eles soubessem que eu não estava com medo deles! Que eu sabia que o fundamento do procedimento deles é racista, racista, muito racista, racista até a última ponta! Aquelas pessoas não têm nada pessoal contra mim, na verdade é provável que eles nem me considerem pessoa, e aí é que está o ponto.

Depois de me ‘amornar’, eu pensava que seria liberada, mas não. Eles me levaram numa sala e fizeram a revista vexatória, aquela a qual as mulheres negras são subtidas nas unidades prisionais. Posso dizer que já passei por centenas de situações racistas manifestas, mas nunca havia experimentado tamanho constrangimento e humilhação! Tudo era quase inacreditável, não fosse eu quem sou, e eles que são, nos lugares que ocupamos! Gritei muito, dizendo todas as coisas que vinham na minha cabeça dominada pela indignação: instituição racista! Polícia racista! Por que não revistam brancos, arrumadinhos e ricos? Que eu sou militante de direitos humanos, que sei da realidade da população negra e indígena. Que eles não têm vergonha de serem racistas e tudo o mais… na tensão do momento, nem me lembro quantas palavras e frases consegui elaborar! Imagino que toda raiva histórica, da escravização aos presídios, tomou conta de mim! Descontrolei. Não estava disposta a ser razoável, nem com todos os riscos que corria. Os policiais subalternos estavam entre constrangidos e robóticos! A policial que me fez a revista, em sua imensa branquitude, acho que nunca tinha visto uma preta com raiva. No fim da revista, perguntei entre ódio, ironia e voz alta, olhando bem para ela: cadê o flagrante?

Ela e nenhum deles não tinham sequer a decência de me olhar na cara!

Um quarto policial revistou, sem muita segurança, notei, minhas bolsas! Nesse ínterim eu disse pra ele, quase numa boa, que pessoas brancas também traficam e são donas das drogas. Ele, que é branco, disse que não era racismo, que eles revistavam até alemães e que ele mesmo tinha sangue negro. Inocente? Perverso? Ridículo? Ou simples mal informado? Não sei, mas disse que ele poderia até ter sangue negro, mas eu tinha a pele preta e sabia exatamente o que tudo isso significava.

Saí chorando e sofrendo muito, não só por mim, mas por todas as pessoas negras que diuturnamente são humilhadas e destratadas: pelas mulheres, pelos homens, adolescentes e crianças, que diferente de mim, sequer têm forças para gritar a violência praticada pela instituição policial, uma personificação do racismo brasileiro. Nessas horas de racismo manifesto, que é uma representação também da vida cotidiana e das estruturas de desigualdades e discriminações, é como se toda essa gente estivesse representada em cada um de nós que sofremos. Isso não é indiferente na composição de nosso ser e das nossas vontades profundas, e talvez nem precisem ser politizadas para dar o troco.

Mulheres não temam ser radicais


por marcos romão

Jurema Werneck, segunda da esquerda para a direita

Jurema Werneck, segunda da esquerda para a direita

Dra. Jurema Werneck foi convidada para dar uma palestra às participantes da 4a Conferência de Políticas Públicas para Mulheres de Niterói.

Dra. Jurema Batista colocou para as presentes peguntas tais como. ” por que as mulheres pretas, segundo o IBGE, morrem duas vezes e meia mais de parto, do que as mulheres de peles brancas, tratadas no mesmo sistema e com os mesmos médicos?”.

Estas e estas questões trazidas para as participantes da Conferência, poderão contribuir para a reflexão de todas nas elaborações das propostas a serem apresentadas ao governo da cidade.

Mas a palestra vai além, no vídeo podemos ver que questões de gênero eraça atingem toda a nossa vida social, e Jurema Werneck, nos aponta que a linha racial é a linha que trespassa toda a sociedade brasileira.

É uma palestra que interessa a todas as mulheres do Brasil   e também ao homens.

Hino da Faculdade de Medicina da USP chama mulheres negras de “imundas” e ‘fedorentas’


Bateria de faculdade de medicina da USP Ribeirão Preto é acusada de racismo. Hino cantado por alunos chama negras de ‘fedorentas’ e ‘imundas’medicina-usp-racismo-batesao-e1415796559514

Nota da Mamapress: Pronunciamentos de professores contra as cotas para negros e afirmações que não gostariam de serem atendidos por médicos negros, ataques neonazistas aos negros e negras nas redes sociais vindos de estudantes universitários, e pixações contra os negros em diversas universidades do Brasil, têm sido a tônica das agressões racistas que ameaçam aos negros e negras do Brasil no ano de 2014.

A tendência é aumentar se não houver um grito de basta na sociedade. Ou a direção das universidades dão um basta nesta ignomía,  ou do contrário teremos que organizar grupos de autodefesa para protegerem nossos parentes, vizinhos e amigos, alunos e alunas que estão sendo discriminados e violentados em sua dignidade humana dentro das universidades.
A violência discriminatória começa já na entrada de alunos negros nas faculdades, e é praticada através de humilhantes e abnormais agressões, nos tristemente famosos ” batizados de calouros”.

A violência e discriminações, que viraram tradição nas universidades, se estendem às mulheres, aos grupos LGBT, aos indígenas e aos estrangeiros. É preciso dar um basta.

Vamos monitorar todo o país e pedimos ajuda a toda a sociedade brasileira, para que no próximo ingresso na universidade, os calouros e calouras sejam protegidos das humilhações e agressões que  têm se repetido a cada semestre. Basta de racismo, xenofobia, sexismo, homofobia.

Exigimos que as associações profissionais tomem uma posição e declarem que formandos com fichas de racistas, xenófobos, sexistas e homofóficos não receberão a habilitação para o exercício da profissão, por serem ameaças à sociedade. São bombas neonazistas e racistas que podem explodir enquanto estamos anestesiados.

Como poderá uma mulher negra, um homossexual, um estrangeiro, ou uma mulher de qualquer cor, entrar em um consultório médico ou em um hospital,  para serem atendidas por pessoas formadas no ódio e racismo contra as minorias?

É um risco de vida deixar-se operar por um futuro médico racista, xenófobo, sexista e homofóbico.

Temos que cortar este mal pela raíz!
Marcos Romão-Redator Chefe da Mamapress, e coordenador a Rede Radio Mamaterra e do Sos Racismo Brasil.

Denúncias de racismo, xenofobia, sexismo, homofobia e outras formas de violência em uma das mais importantes faculdades de medicina do país foram apresentadas nesta terça-feira (11), na Comissão de Direitos Humanos da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), que realizou uma audiência pública para tratar de casos de violações supostamente praticados na FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

A “morena gostosa”, a “loirinha bunduda” e a “preta imunda”. É assim que um hino da bateria da faculdade de medicina da USP Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), chamada Batesão, se refere às mulheres.

A música, que fala de de loira e morena, fica mais agressiva ao se referir à mulher negra, que é tratada como “preta imunda” e “fedorenta”. A música cantada em jogos universitários e durante festas da faculdade e foi divulgada neste ano em um manual para calouros do curso, junto com camisetas da atlética da medicina.

A letra na íntegra não é passível de publicação por causa de seu alto teor sexual.

Ninguém da Atlética Acadêmica Rocha Lima, da medicina, quis se pronunciar sobre o material e as acusações. A Bateria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (Batesão) publicou uma nota de retratação em sua página no Facebook.

USP repudia discriminação

A USP São Paulo afirmou em nota que é contra qualquer forma de violência e discriminação. De acordo com a universidade, “a cultura da instituição é baseada na tolerância e respeito mútuos, valores que são passados aos seus alunos”.

A instituição ainda diz que foi formada recentemente uma Comissão com docentes, alunos e funcionários com o objetivo de propor ações para resolver problemas relacionados às questões de violência e preconceito, além do consumo de álcool e drogas.

O vice-diretor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Hélio Cesar Salgado, afirmou, em nota, que está surpreso com a existência dessa letra de música. De acordo com Salgado, essa atitude é repudiada e que o fato será devidamente examinado pela direção da faculdade.

com Folha e R7

Não é esse o PT que eu quero!


por marcos romão

Me surpreendi com a fala noticiada Bahia Notícias de Salvador.

Que bons ventos
Adorei ouvir isto de uma mulher dentro de um partido.
Adorarei ouvir isto de mulheres em todos os partidos.
Adorarei ouvir isto de mulheres em todas as instituições e organizações que nos engessam.
Adorarei ouir isto de mulheres que já ouço por todos os lugares das ruas que transito.
Adorarai ouvir isto de todas as mulheres negras.
Quem sabe deem coragem a nós homens negros, para abrirmos nossas bocas amordaçadas por nós mesmos?

IMAGEM_NOTICIA_5Apesar de o auditório do hotel Bahia Othon Palace estar repleto de militantes e convidados do PT para o último evento de comemoração dos 10 anos do partido no governo, a plateia ovacionou as declarações da diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE) no estado, Danielle Ferreira, que fez duras críticas ao partido.
“Quero um PT que vá para a rua, com ideologia, que combata a opressão”, bradou a também estudante de fonoaudiologia da Universidade Federal da Bahia, durante a fala no evento que tem a presença da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, na capital baiana.
Danielle também questionou um ato supostamente de preconceito pouco antes do início do evento. Dois integrantes da Juventude Negra do PT foram barrados e revistados por seguranças, enquanto os demais integrantes do núcleo entravam sem ter que parar. Danielle afirmou que os rapazes foram interpelados “por serem negros e estarem mal vestidos” e ainda citou o fato de usarem dread’s no cabelo. Um deles é integrantes do Movimento Passe Livre de Salvador, o estudante universitário Juan Felipe. Enquanto ela falava, os dois responderam aos gritos: “estamos mal vestidos mesmo”. Ambos foram liberados e autorizados a ficar no auditório, trajando camisetas de abadás. Ainda em referência ao episódio, Danielle voltou a criticar a sigla: “Não é esse o PT que eu quero”. Antes do final do discurso, a diretora da UNE na Bahia ainda avaliou que é necessário “cobrar do governo, que é legítimo, mas pode fazer mais”.

Cerveja Devassa vai ter que mudar propaganda racista e sexista.


Recebemos a informação do Correio Nagô e a Mamapress parabeniza a iniciativa da CONAR, ao atender  às reivindicações das mulheres e dos negros, que há meses protestam contra a forma com que a propaganda da cerveja Devassa agride a dignidade das mulheres negras brasileiras. Luis Carlos Gá, ativista do movimento negro e publicitário do Movimento Negro, não se cansou de protestar contra esta ignomía.MR

A reportagem no Correio Nagô:

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) determinou que o grupo responsável pela produção da Devassa altere o polêmico anúncio da cerveja Devassa Negra. Segundo o órgão, a propaganda continha informações e associações ambíguas de teor racista e sexista.  A decisão foi comunicada na última quarta-feira (29) à Ouvidoria da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), em resposta ao processo instaurado e encaminhado pelo órgão ao Conar e ao Ministério Público.

Além de evidenciar o corpo da mulher negra, o conteúdo continha a seguinte frase: “É pelo corpo que se reconhece a verdadeira negra. Devassa negra encorpada. Estilo dark ale de alta fermentação. Cremosa com aroma de malte torrado”. O Conar entendeu que as infrações cometidas pela publicidade estão previstas nos artigos do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.

Para o ouvidor da Seppir, Carlos Alberto de Souza e Silva Júnior, houve a propagação de veiculação de uma imagem deturpada da mulher negra. “A frase utilizada na peça associa a imagem de uma mulher negra à cerveja, reforçando o processo de racismo e discriminação a que elas estão submetidas historicamente no Brasil e que é caracterizado, entre outras manifestações, pela veiculação de estereótipos e mitos sobre a sua sexualidade”, considerou.

Atuação do Conar
O Conar é uma organização não governamental cujo objetivo é impedir a publicidade enganosa ou abusiva que cause constrangimento ao consumidor ou a empresas. O órgão é formado por publicitários e profissionais de outras áreas. A missão principal é o atendimento à denúncias de consumidores, autoridades, associados ou formuladas pelos integrantes da própria diretoria. Todas as denúncias passam pela avaliação do Conselho de Ética, com garantia de direito de defesa aos responsáveis pelo anúncio. Uma vez que seja confirmada a denúncia, a organização recomenda alteração ou suspensão completa da veiculação do anúncio.

Five historical female figures. Rising Thoughts Tour


Rising-Thoughts-Tour

Rising Thoughts Tour:
On five dates and five german cities, five historical female figures who represent the pan-african struggle for freedom will be introduced and celebrated. Besides the band Rising Thoughts as host and main act different local afro german female artists (musicians, poets, dancer etc.) are going to be featured in this event. Flyer in PDF
– 01.09. Kiel, Pholl Komplex / May Ayim
– 03.09. Hamburg, Die Grete / Makeda
– 10.09. Berlin, Werkstatt Der Kulturen / Queen Nanny of Jamaica
– 17.09. Münster, SpecOps / Assata Shakur
– 24.09. Frankfurt, Klosterpresse / Queen Nzingha

open doors: 6pm
Featuring: Bahati, Olumide Popoola, Tess Venier, MaSeHo, Meryl Prettyman, Daniele Daude, Baby Shoo….. and many more..
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