Juiz Federal revoga parte da sentença, mas mantém a permissão para que a Igreja Universal ataque no YOUTUBE, as Religiões de Matrizes Africanas.


por marcos romão

Segundo matéria de O Globo publicada no final da tarde de hoje, o juiz da 17ª Vara de Fazenda Federal do Rio de Janeiro, Eugênio Rosa de Araújo, reviu os fundamentos da sentença em que havia declarado que candomblé e umbanda não se tratam de religiões e sim de cultos. A mudança de postura foi anunciada no início da noite desta terça-feira (20) em nota divulgada pela assessoria de imprensa da Justiça Federal do Rio de Janeiro. No texto em que admite o erro e modifica parte do conteúdo da sentença, ele afirma que “o forte apoio dado pela mídia e pela sociedade civil, demonstra, por si só, e de forma inquestionável, a crença no culto de tais religiões”.

Eugênio Rosa de Araújo foto da internet

Eugênio Rosa de Araújo
foto da internet

Nós da Rede Rádio Mamaterra, não vemos razões para comemorar. O juiz federal manteve a sentença que permite à igreja universal atacar e incitar o ódio ao Candomblé via Youtube!

Ele não voltou atrás minha gente! Apenas deu uma saída pela tangente ao falar destas “tais’ religiões”, parem de comemorar fora do tempo.

O juiz não voltou atrás apenas considerou que:
“o forte apoio dado pela mídia e pela sociedade civil, demonstra, por si só, e de forma inquestionável, a crença no culto de tais religiões”.

Os caminhos da intolerância e racismo são extremamente sibilinos!

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Propaganda de escravidão no Brasil: Ministério Público Federal admoesta Mercado Livre para tomar medidas que coíbam práticas discriminatórias.


por marcos romão

Segundo a TV Justiça o Ministério Público de Brasilia recomendou à página Mercado Livre, que retire imediatamente todo e qualquer anúncio de caráter preconceituoso e discriminatório e informe aos usuários que este tipo de prática é crime e que aprimore o aplicativo DENÚNCIA, o aplicativo de proteção do site. De forma que ao acolher uma denúncia, seja registrado no site e informado ao usuário as providências adotadas.

negro a venda

Nós da Mamapress estamos batendo nesta tecla já faz tempo, ao dizermos que é enxugar com o gelo perseguir práticas racistas se as instituições públicas e privadas, não as coíbem nem tem mecanismos de controle e educacionais para impedir que aconteçam.

Um jovem, já descoberto e apreendido pela polícia colocou um anúncio na página oficial do Mercado Livre, ofertando negros para a venda.

Usuários d página alertaram a Mamapress que espalhou na rede este crime. No país vários grupos tiveram a iniciativa de acionar a justiça para que tomasse providências.

A ouvidoria da Seppir-Presidência, entrou em contato com os responsáveis da página Mercado Livre, que forneceu os dados necessários para que fosse localizado e iniciado um processo de punição do criminoso, além de publicar um nota de repúdio ao ato racista. Em resposta, a página Mercado Livre, publicou uma nota dizendo que cumpriu o pedido judicial e só:

A nota da Seppir-Pr-

“É inconcebível e inaceitável a tentativa de desumanização da população negra, enquadrando seus indivíduos como mercadoria e remetendo os mesmos de volta à escravidão”, diz Carlos Alberto de Souza e Silva Junior, ouvidor da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Segundo a secretaria, não haverá punições ao Mercado Livre. Em nota, o site de vendas afirmou que repudia o anúncio.

A nota do Mercado Livre

“O Mercado Livre informa que entregou, após notificação oficial, os dados cadastrais e de acesso do usuário anunciante às autoridades competentes para que o autor seja investigado. O anúncio foi retirado do ar na segunda-feira, dia 6, assim que denunciado pelos próprios usuários do site”, diz o site.”

A Mamapress não se conformou com o fato da página Mercado Livre tirar o corpo fora de suas responsabilidades e apesar de parabenizar a rápida ação da Seppir-Pr, lembrou que a página Mercado Livre também tinha suas responsabilidades nas manifestações racistas que ocorrem em suas página:

A Mamapress parabeniza a ação rápida da Ouvidoria da SEPPIR e alerta para que na pressa, não se isente a página Mercado Livre de toda a culpa. Que a página faça um pedido de desculpas públicas em seu sítio principal  e crie mecanismos para que  usuário possa denunciar de pronto anúncios discriminatórios de quaisquer matizes. Seria uma punição mínima, por ter relaxado de forma continuada nas suas obrigações com o consumidor, pois o anúncio só foi retirado do ar na data em que o próprio anunciante racista marcara. Nós considerávamos enganosa a nota da página Mercado Livre ao afirmar que possuía um aplicativo de denúncia.

“O anúncio foi retirado do ar assim que denunciado pelos próprios usuários do site, conforme nossas regras e, também, pela inadequação completa aos Termos e Condições de Uso do Mercado Livre. Todos os anúncios publicados no site possuem um botão de Denúncia para que qualquer pessoa possa apontar práticas irregulares ou que causem algum dano aparente”.

A Mamapress lembra que em nenhum de seus botões de reclamação é oferecida a possibilidade de se reclamar do conteúdo ofensivo e discriminatório das ofertas. Limitando-se a oferecer possibilidades de reclamações sobre problemas comerciais, e nada que fale de produtos ou textos discriminatórios e ou racistas.

Nós da Mamapress, um portal antirracista que acredita na defesa da cidadania, nos sentimos contemplados pelas recomendações legais do MPF à página Mercado Livre. Já na em nossa edição de 7 de janeiro, um dia depois do anúncio de venda de negros sair do ar ,alertávamos sobres sobre as responsabilidades da página Mercado Livre, que se cúmplice não o foi, pelo menos facilitou o crime de racismo por parte do jovem.

Nós acreditamos nas transformações de nossa sociedade e das instituições. Consideramos o racismo um mal impregnado em nossa sociedade e que cada cidadão   e cada instituição contribui para que o racismo se perpetue. Esta máquina de perpetuação do racismo precisa ser abolida e banida através da consciência de cada um e ações exemplares de instituições judiciárias, e todas as instituições governamentais e privadas.

Ao admoestar a Página Mercado Livre, o MPF deu um exemplo de nova visão de como se combate o racismo, os preconceitos e as discriminações. Não são só os porteiros dos prédios ou  os atendentes de lojas e bancos que devem ser punidos quando acontece um caso de discriminação, mas os responsáveis por estes espaços. Não é só um soldado que mata um jovem negro como se matasse um cachorro com raiva que deve ser punido, mas todo o comando que o formou e adestrou para ser racista.

Histórico dos alerta da Mamapress recomendando ações institucionais educativas para coibir mais este caso de racismo:

6 de janeiro 2014: https://mamapress.wordpress.com/2014/01/06/mercado-livre-vai-para-o-index-do-boicote-popular-faz-propaganda-racista-continuada-e-anuncia-venda-de-meninas-e-meninos-negros-por-1-real/

7 janeiro 2014: https://mamapress.wordpress.com/2014/01/07/negros-seres-humanos-um-pouco-da-historia-mundial-recente-dos-mercados-livres-para-escravizar/

16 de janeiro 2014: https://mamapress.wordpress.com/2014/01/11/identificado-autor-oferta-de-negros-com-diversas-utilidades-para-a-venda-na-pagina-mercado-livre/

Década encoberta


por Fernanda Castro

Dez anos depois da adoção do ensino de história e cultura africanas no ensino fundamental e médio, muitas escolas ainda resistem à adoção da lei, seja por preconceito racial e religioso, seja pela falta de formação docente
extraído da Revista Educação  e do blog Negrojorgen
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Há dez anos, os movimentos sociais ligados à questão racial ganhavam uma luta de séculos: levar para a escola a contribuição africana na formação da identidade brasileira. A adoção da Lei 10.639/03, que instituiu a obrigatoriedade do ensino sobre história e cultura afro-brasileira nos currículos do ensino fundamental e médio representou uma conquista. Mas, uma década depois, o balanço continua preocupante.
“Há avanços, mas se esperava um maior número de escolas e professores aplicando a lei”, diz Petronilha Silva, relatora das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, publicada um ano depois da promulgação da lei. Não há dados precisos sobre quantos dos mais de cinco mil municípios brasileiros colocaram a lei em prática. Mas movimentos sociais ligados ao tema estimam que, na melhor das hipóteses, esse número chegue a 10%.
De acordo com Petronilha, estudos mostram que, embora tenha aumentado o número de professores envolvidos, são poucas as escolas que incluem a história e a cultura africanas e afro-brasileiras em seus currículos. Além disso, também há a tendência de abordar os temas ainda de forma pontual, em datas comemorativas da abolição da escravatura, em maio, e no dia da consciência negra, em novembro.
 Do lado das conquistas, há consenso de que a lei abriu caminhos para que a temática africana ganhasse visibilidade dentro do ambiente escolar, ampliasse a quantidade e a qualidade desses temas nos materiais didáticos, e aumentasse a oferta de linhas de pesquisas, especializações e cursos voltados para a história africana. Por outro lado, a visibilidade também descortinou resistências. De acordo com o Ministério Público Federal, durante o período foram identificados 93 autos extrajudiciais que versam sobre a não aplicação da lei em vários estados do país.
mat5Tensão na religião
É na intolerância religiosa que a lei encontra seu maior obstáculo. Há relatos de que em escolas particulares, em especial as de origem confessional, há recusa em adotar a lei, por relacionar os temas africanos à “macumba”.
Em 2010, a Relatoria do Direito Humano à Educação, ligada à Unesco, investigou a intolerância às religiões de matriz africana no ambiente escolar. Foram registrados casos de bullying, manifestações preconceituosas e impedimento de usar símbolos. “Com a lei, o limite entre uma prática religiosa e cultural fica completamente confuso. Já presenciei escolas que diziam ser preciso acabar com a aula de capoeira”, diz Rosana Heringer, atual relatora da Unesco.
A intolerância religiosa, por sua vez, comumente mascara outra questão: o racismo. “As religiões negras, e tudo o que fosse considerado modos de cultura e de vida negra, foram perseguidas no contexto de escravização. Durante muito tempo essas práticas tiveram de ocorrer escondidas e longe dos centros urbanos, dos centros de valorização”, contextualiza Suelaine Carneiro, educadora, integrante da organização Geledés – Instituto da Mulher Negra e assessora da relatoria à época do estudo.
Rosana diz que no caso do racismo, de fato, as vítimas potenciais da intolerância religiosa são estudantes que praticam religião de matriz africana. “Essas são as religiões mais perseguidas no Brasil. É muito difícil trabalhar este tema, principalmente num contexto de uma escola ou professor que tenha uma religião dominante, seja a católica ou a evangélica.”
Responsável pelo suporte e treinamento em escolas à época da adoção da lei, a educadora Andreia Lisboa de Sousa, hoje doutoranda em educação na Universidade do Texas (EUA), lembra que o ensino religioso não está previsto na lei. “É importante destacar que a lei não propaga as religiões de matrizes africanas, mas propõe compreender, de forma ampla, os aspectos históricos e contemporâneos da história e cultura africana e afro-brasileira.”
mat4O que ensinar
De qualquer forma, o que ensinar continua sendo um assunto delicado. “A escola e os currículos escolares que tenham um conceito de sociedade branca têm matado a identidade de muitas crianças, fazendo com que elas adotem uma identidade que talvez seja oposta à delas”, pontua a professora Petronilha Silva. Ela defende, porém, que isso não significa reduzir a história a apenas um grupo étnico. “Esta política não deve superar uma política educacional eurocentrada para priorizar uma política afrocentrada. O que ela quer é que todas as etnias sejam igualmente respeitadas.”
A lei prevê que o conteúdo programático deve incluir o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional. É clara, ainda, no que diz respeito a quando ensinar: os conteúdos devem ser ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística, literatura e história brasileira. Rosana exemplifica. “A lei prevê questões ligadas ao debate do Brasil como uma sociedade multicultural, além de perspectivas variadas sobre questões da história do Brasil e da cultura brasileira, não baseando o país como uma matriz cultural primordialmente europeia.”
A educação para as relações etnorraciais é outra vertente a ser enfrentada. “Precisamos ver como nós, negros, brancos, indígenas e imigrantes em geral, nos relacionamos e produzimos desigualdade na sociedade para pensar ações para mudar isso”, diz Jaqueline Lima Santos, assessora do programa Diversidade, Raça e Participação da ONG Ação Educativa.
Para Petronilha, a escola ainda padece das influências históricas de seu surgimento, no âmbito da lógica colonizadora do século 16. “Trazida por jesuítas, a escola tinha o objetivo de tornar povos nativos cristãos e socializá-los para o trabalho. Até hoje, os estudantes continuam sendo convencidos a se comportarem como se fossem brancos. Eles são treinados a se comportarem, pensarem e defenderem grupos sociais que se opõem ao seu próprio grupo social”, disse a professora durante uma palestra no TED UFF, no Rio de Janeiro, no ano passado.
No âmbito desse debate, a necessidade de discutir esses temas pode, ao final, mudar o próprio ambiente escolar. “A lei veio para balançar os alicerces que a gente tinha de uma educação baseada em uma escola voltada para um modelo de criança”, diz Míghian Danae, professora de educação infantil na rede municipal de São Paulo e doutoranda em Educação na USP.
 Andreia Lisboa concorda. “Até agora, todos os modelos de representação eram unidimensionais e isso não é democrático. Nas minhas viagens pelo país pude ver que o racismo existe; apesar das diferenças regionais ele está enraizado na nossa sociedade.”
Ainda o racismo
De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a população negra é maioria no Brasil. Na pesquisa, 97 milhões de pessoas se declaram negras e 91 milhões de pessoas se declaram brancas. Ainda assim, não são raros os relatos de racismo no ambiente escolar.
mat2Ao se encontrar com a mãe de um menino de 5 anos, Andreia ouviu o relato de que a criança chorava com frequência ao voltar da escola. Ele dizia que queria mudar de cor: “virar” branco. Desde muito pequeno, se julgava feio e queria pertencer a outro grupo étnico: os colegas faziam graça do seu cabelo. “Ele estava aprendendo que ser negro é ruim e ser branco é bom”, diz Andreia.
Para a pesquisadora, uma das análises mais equivocadas em casos como este é concluir que a própria criança está sendo racista. “Esta tem sido a análise de 99% dos professores com quem atuei nos programas de capacitação. Trata-se de uma análise errônea, racista e equivocada, que existe na mentalidade de muitos professores. Ela culpa a criança e tira a responsabilidade da escola, dos adultos e da mídia, que só mostram um modelo branco a ser seguido”, diz.
Cinco anos antes do surgimento da Lei 10.639, a educadora Eliane Cavalleiro detectou a existência de racismo velado em salas de aula da educação infantil. A pesquisadora percebeu que as crianças negras muitas vezes ficavam de fora de brincadeiras com representações de papéis de mãe e filha, por exemplo, por causa da diferença racial. “O modo como os professores concebem o cotidiano escolar e as relações interpessoais nele estabelecidas dificulta a percepção dos conflitos étnicos e, inclusive, a realização de um trabalho sistemático que propicie a convivência multiétnica, já que para elas esses problemas inexistem”, afirma Eliane, em dissertação defendida na faculdade de Educação da USP.
O racismo velado, portanto, ainda precisa ser enfrentado, inclusive pelos professores. “O racismo existe e está na sala de aula. O que eu vejo é que pela formação dos professores há uma despreocupação em relação ao tratamento de temas e situações do cotidiano ligadas ao racismo”, diz Marise de Santana, coordenadora do Grupo de Pesquisa Educação e Relações Étnicas: Saberes e Práticas do Legado Africano e Indígena – ODEERE.
O caso do menino expõe não só a desigualdade racial nas escolas, como também a falta da abordagem de heróis negros, seja nos livros infantis trabalhados nas escolas, como também em todo o currículo, como propõe a lei. “A gente sabe que houve avanços importantes no material didático, está melhor hoje do que alguns anos atrás. Mas esse ainda não se tornou um conteúdo amplamente trabalhado dentro da escola”, diz Rosana.
De qualquer forma, mesmo não abrangendo a educação infantil, a lei está começando a afetá-la. “Nessa etapa, a leitura em sala de aula sempre foi feita a partir de clássicos europeus. Agora vemos que essa ideia de clássico remete a uma cultura que não é a nossa e começa a ser contestada, assim como começa a ser contestado o modelo de educação para um único modelo de criança”, diz Míghian Danae.
Influência no Enem
Diante da resistência das escolas em aplicar a Lei 10.639, o Ministério Público Federal instituiu um grupo de trabalho em Educação. A estratégia atual é, em consonância com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), incluir questões sobre história da África e dos povos indígenas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O objetivo é induzir as escolas a abordar o tema em seus currículos, ou ao menos serem pressionadas pelos próprios alunos a fazê-lo. No último Enem, aplicado em outubro, seis questões versaram sobre o tema. O objetivo é chegar de cinco a oito questões por Exame.

MS – No Gueto de Dourados, mais um adolescente para as estatísticas de suicídio indígena


Mamapress recebeu do blog Combate ao Racismo Ambiental

Tania Pacheco

Foto divulgação

Foto divulgação

Quarta-feira, dia 27 de fevereiro, um adolescente indígena de 15 anos saiu de casa às 13:30 horas; às 17, seu corpo foi encontrado, enforcado numa árvore à margem de uma estrada vicinal que corta a chamada Reserva Indígena de Dourados.

Segundo a reportagem do douradosagora, Aniceto Velasquez, liderança indígena, disse que “Ele vinha sofrendo porque há cerca de um mês perdeu o irmão, que foi brutalmente assassinado. O jovem estava com depressão e nós buscávamos uma maneira para resgatá-lo, mas não conseguimos a tempo”. E a fala continua, na matéria:

MS – No Gueto de Dourados, mais um adolescente para as estatísticas de suicídio indígena.

Liminar proibe igrejas evangélicas de venderem Acarajé como “bolinho de jesus”


Mais uma na ferradura, depois de levar tantas no cravo… Nossa correspondente Ana Felipe sempre atenta!

MLG
Liminar proibe igrejas evangélicas de venderem Acarajé como “bolinho de jesus”
Aprovada a Lei que proibe evangélicos de venderem o Acarajé como “Bolinhos de Jesus”Publicado em Segunda, 02 Abril 2012 18:10

A Comunidade Candomblecista ganhou a liminar que proibe igrejas evangélicas de venderem o Acarajé, uma comida típica da Bahia dedicada a Iansã como “bolinho de Jesus”. O Acarajé é um patrimônio cultural brasileiro que muito contribui para a caracterização da identidade do brasileiro. Graças a esta ação as chamadas “Baianas” filhas deste orixá tão lindo e poderoso não sofreram mais com atitues tão preconceituosas por parte dos evangélicos!

Iansã terá assegurado novamente seu delicioso Acarajé sem ter que concorrer com o capitalismo desenfreado em que se encontram grande parte das igrejas evangélicas.

Iêparrei Iansã! Iê parrei!!!

Axé!

Recebido de Carlos André Cavalcanti
Extraído de Geledés

Acarajé! Eparrei!

www.leliagonzalez.org.br
Blogs – Ações Afirmativas / Informa / Continente África2011

Sem dinheiro não há Quilombo. Viva a cultura do Sacopã!


M. Romão e seu filho Jorge Samora na festa de lançamento da Rádio Mamaterra no Quilombo do Sacopã um dia depois do 13 de maio de 2011.

Amigas e amigos do Rio e do mundo.

Posso parecer chato, quando temos tantos casos, de discriminações em bancos e supermercados, brigas por cotas e bate-bocas no big-brother além de crises com artistas na globo.

Afinal são temas que a mídia dá certa atenção, pois descobrem aos poucos que também tem negro classe média com poder de compra, nem que seja no borrachudo.

No Quilombo do Sacopã está acontecendo um caso paradigmático para os negros no Brasil, que vivem na beira da bolsa-familia e em busca da  sobrevivência mínima.  Eles estão ameaçados.

Uma sentença de 94, resultado de um processo de 89, que não permitia aos então, às familias dos “posseiros há 122 anos” dos 23 alqueires no meio do paraíso dos cariocas abastados, venderem ou comercializarem qualquer coisa em suas moradas.

Esta duvidosa sentença de 94, que proibia qualquer uso çomercial do local, foi utilizada para justificar um novo ato judicial que põe em dúvidas a isenção e respeito à isonomia da justiça para com todos cidadãos, ao ser ordenado sumariamente, sem ouvir as partes, o lacramento do portal de entrada para as residências de 7 famílias quilombolas (32 pessoas ao todo).  O que caracteriza cárcere privado para as pessoas que não podem se locomover sem o auxílio de um carro.
Isto aconteceu, depois que ainda no governo de Benedita da Silva, eles foram reconhecidos como Quilombolas, lhes dando proteção estadual e pelo INCRA na área federal.
Sei que muitos poderão dizer que os cidadãos e cidadãs nascidos e criados e que vivem no Quilombo do Sacopã, destoam com suas festas e cultos, da harmonia local. Sei também que muitos poderão dizer que lá não se produz cultura e sim “comércio”.
Quantos condomínios no Rio de Janeiro não alugam vagas para terceiros em seus estacionamentos e seus salões de festas para pessoas de fora? Alguém já ouviu falar da “justiça” fechar um condomínio por estes motivos? E as lojinhas, bares, farmácias e boates debaixo dos prédios?
Dois pesos e duas medidas é o que acontece.
E o que é cultural para um quilombola?
A primeira coisa que um quilombola precisa fazer para manter sua cultura é se manter vivo, alimentar-se para sobreviver.
A ordem judicial da juíza da 8a Vara Civil do Rio de Janeiro, foi o primeiro passo para o estrangulamento da comunidade do Sacopã.
Muitos também poderão dizer que faltam projetos culturais no Quilombo do Sacopã. Mas o que foi feito pelos governos federal, estadual e municipal para melhora do local onde os quilombolas vivem e fazem seus negócios, entre os quais a  produção de cultura?
No dia 24 de junho de 2011, em Caraíva-BA, um líder quilombola foi morto por policiais em sua própria casa diante da família e depois teve o corpo levado até uma boca-de-fumo em um outro município, onde após uma suposta troca de tiros entre a polícia e um cadáver, foi levado para um hospital para constatarem a morte.
Qual foi o suposto crime dele? Era carvoeiro e a empresa plantadora de eucaliptos, suspeitava que ele roubava madeira nas terras que foram tomadas de sua comunidade ancestral.
Muito vão dizer que eles não produziam cultura, não eram quilombolas. Não mereciam a solidariedade do movimento negro.
Em muitos quilombos do Brasil, a única ajuda que recebem é a cruz dos missionários e uma merreca em alimentos. Param de dançar jongo e realizarem outras manifestações não cristãs e falecem de suas culturas. Mais uma vez está justificada a inação do movimento negro, da sociedade, do estado brasileiro.

Os novos “antronegropólogos” que adoram estátuas e culturas empalhadas, podem descansar. Quilombola vivo, nem pensar. Eles suam e não são profissionais em lidar com o poder branco. São objetos em extinção mesmo…

Mas feito os quilombolas não escrevo aqui para chororô. Há muito o que fazer. O Rio tem o privilégio de ter negros no governo municipal e estadual, além de contarem com o apoio do governo federal.
Está na hora de fazer uma ação (projeto não) de resgate econômico desta comunidade. Os quilombolas do Sacopã tem orgulho suficiente para olharem de igual para igual seus vizinhos abastados, mas sem dinheiro no bolso, um dia a casa cai.
Mas não só nossos negros e negras nos governos tem que fazer alguma coisa. Todos nós que queremos os quilombolas vivos, temos que transformar nossa solidariedade em ação. O que fazer? Perguntem, conversem com eles, eles sabem as soluções para os seus problemas, só falta incentivo financeiro que lhes garantam a sustentabilidade.

Marcos Romão

Multikulti ist tot: Gruppe Afoxé Loni zum letzten Mal am Berliner Karneval


Afoxé Loni hat uns dieser Information geschikt: “Afoxé Loni® gilt als einer der schönsten, musikalisch anspruchsvollsten und mit seinen an die 200 TeilnehmerInnen auch größten Blocos beim Berliner Karneval der Kulturen. Die Geschichte von Afoxé Loni ist eng mit dem Karneval selbst verbunden: schon 1997 initiierten der Tänzer und Choreograph Murah Soares mit Krista Zeißig das Projekt, dessen musikalische Leitung der Percussionist Dudu Tucci übernahm. Traditionell eröffnet Murah Soares mit einem großen Straßen-Ritual den gesamten Berliner Karneval der Kulturen und führt diesen mit seiner Gruppe Afoxé Loni an. Schon vielfach hat die Gruppe den Berliner Karneval anderen Orts repräsentiert, etwa bei der Verleihung des Kritikerpreises im Berliner Schauspielhaus, bei der Expo 2000, aber auch in Tschechien, England, bis hin nach Mexiko und Korea. 2002 erschien die CD Afoxé Loni “Drums of Peace” von Dudu Tucci & Murah Soares.

In diesem Jahr nimmt die Gruppe Afoxé Loni zum letzten Mal am Berliner Karneval der Kulturen teil. Die Leiter von Afoxé Loni haben eine offizielle Presseerklärung abgegeben, in der sie die Gründe erläutern. Außerdem findest du auf unserem Presserklaerung noch viele Informationen zu den Entscheidungsgründen.”
Offener Brief – Presseerklaerung von AfoxeLoni

Murah Soares

Afoxé Loni despede-se do Carnaval de Berlim depois de 15 anos de suor, trabalho e alegria.
Razão: Falta de apoio financeiro das autoridades culturais locais. Segundo os fundadores do grupo de Afoxé Loni, a festa que traz milhões de euros para os cofres públicos e empresas hoteleiras, gastronômicas e turísticas da cidade, não reconhece o papel dos migrantes que deram cor e alegria à cidade, a transformando num modelo de multiculturalidade. Murah informa que este vai ser o último desfile e vonvida a todas e todos que quiserem mais uma vez participar de graça que se comuniquem com o link http://www.afoxe-loni.de/
Já pensaram se esta moda pega no carnaval carioca?