Deu na Folha: Falsos cotistas viram alvo de universitários negros pelo país


DANIELE BELMIRO
DE SÃO PAULO DO ORIGINAL NA FOLHA

09/04/2016 17h00

A aluna de medicina Maria (nome fictício) começou a desconfiar de uma colega de curso que, apesar de ter entrado na universidade pelo sistema de cotas para pessoas de baixa renda, era “nitidamente bem de vida”. Maria, que é negra e cotista da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), e outros alunos passaram a investigar não só a tal colega, mas também a razão de a universidade ter “embranquecido”, apesar das cotas para negros.

Coletivo Negrada/Divulgação
Membros do Coletivo Negrada na Universidade Federal do Espirito Santo
Membros do Coletivo Negrada na Universidade Federal do Espirito Santo

Levantaram dez casos suspeitos de pessoas que se beneficiaram do sistema de cotas declarando ser pretas, pardas ou de baixa renda para ingressar no curso.

Duas delas eram concursadas, com cargos em um banco e em uma prefeitura.

No caso das cotas por cor, as evidências eram ainda mais visíveis.

O curso de medicina da UFRB foi criado em 2014 e tem cinco turmas. Os alunos afirmam que, na primeira e na segunda turmas, a quantidade de negros era alta, mas foi diminuindo aos poucos.

Quatro denúncias oficiais chegaram à reitoria da UFRB, que formou uma comissão para apurar as irregularidades e montou um grupo de trabalho formado por alunos, professores e servidores.

A ideia, segundo a pró-reitora Rita Dias, é criar um comitê permanente que acompanhe a implementação da política de cotas nos futuros processos seletivos.

O tema é um dos focos do coletivo NegreX, do qual a aluna Maria faz parte. Com cerca de 200 estudantes negros de medicina de várias universidades do país, o grupo denuncia o que chama de “afroconveniência” -pessoas que, explica a universitária, “se valem da subjetividade da autodeclaração para obter vantagens”.

Nas redes sociais, os alunos negros publicaram fotos com cartazes em que se lê: “Meu avô é branco, logo sou branco. Estranhou? #Afroconveniência”.

Editoria de Arte/Folhapress

RACISMO

“Sou negra. Meu avô é descendente de italianos, mas eu não posso dizer que sou branca. Por que um branco vai dizer que é negro e ninguém pode questionar? Não falamos de sangue, porque o que conta quando a gente toca o racismo no cotidiano é a aparência, não os ancestrais”, afirma Mirts Sants, integrante do Coletivo Negrada, de estudantes capixabas.

Em fevereiro, o Negrada denunciou ao Ministério Público mais de 40 casos de fraudes no último vestibular da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo).

A lei de cotas federal, de 2012, determina que metade das vagas nas universidades deve ser reservada a alunos de escolas públicas. Nesse grupo, há subcotas para estudantes que se declaram pretos, pardos ou indígenas e aos que comprovarem renda mensal inferior a 1,5 salário mínimo.

Segundo a lei, a autodeclaração é suficiente para as cotas por cor, mas algumas instituições criaram comissões de professores e estudantes negros para verificar o fenótipo dos aprovados, diz o professor de antropologia da UnB (Universidade de Brasília) José Jorge de Carvalho, especialista em ações afirmativas. “É impossível eliminar as fraudes, mas a medida inibe casos mais descarados.”

Militantes e especialistas admitem que o critério que define a cor é subjetivo, mas destacam a necessidade de se colocar limites legais.

“Quando se fala em autodeclaração, as pessoas entendem que há liberdade absoluta. Não é questão de fazer um tribunal racial, mas de impedir as fraudes, porque hoje há uma abertura generalizada que provoca graves desvios”, afirma Hélio Santos, presidente do Fundo Baobá para Equidade Racial.

“Somos acusados de usar uma ‘tabela de cores’ para apontar quem é negro e quem não é. Nosso coletivo tem desde negros de pele clara até negros de pele escura, mas a identificação de que todos somos negros é automática. A sociedade sabe quando entra no recinto uma pessoa negra”, afirma Mirts.

Santos defende mudanças na lei para incluir “bancas receptivas” em todas as universidades. “Para cargos valiosos sempre vai ter alguém que vai lembrar que teve tataravó negra. Se o critério for esse, ninguém é branco no Brasil.”

Conquista: Estudante da UESB condenada a prisão por fraude em cotas no curso de Medicina.


Nota da Mamapress: A estudante Maiara Aparecida Olívia Freire cometeu o crime de falsidade ideológica, ao declarar residir em um quilombo, para conseguir uma das vagas extras da UESB, destinadas aos moradores de quilombos. Para ingressar na faculdade, ainda por cima envolveu a presidente da Associação do Desenvolvimento Comunitário Cultural Educacional e Social do Quilombo de Rocinha e Região, que assinou uma declaração atestando sua residência no quilombo.
Existem hoje mais de 5000 comunidades quilombolas no Brasil. Sua população vive em sua maioria na linha da pobreza. As políticas públicas para atender os quilombos são lentas, e não contam em geral, com a boa vontade das prefeituras locais, que muito raramente destinam ou buscam alocar nos quilombos os recursos que lhes são de direito.
Cotas para quilombolas nas universidades é uma medida pública de reparação, reconhecida pelas Nações Unidas, como meio eficaz para estimular o crescimento individual e coletivo de comunidades discriminadas, vulneráveis e esquecidas.
Graças à cotas, podemos ver hoje no Brasil, indígenas, caiçaras, quilombolas e toda uma juventude negra, que puxa com suas lideranças, suas comunidades para cima. Nosso redator mesmo, teve a oportunidade em 2009 de ser atendido por uma médica Pataxó, formada em São Paulo, que lhe diagnosticou naquele pobre e sem aparelhos posto de saúde local, a suspeita de um câncer, confirmado uma semana depois em um hospital de Hamburgo. Para espanto dos médicos alemães que perguntaram como nosso redator tomara conhecimento deste tumor, só detectável em sofisticados aparelhos.
Por imaturidade, inocência ou má fé, a estudante Maira teria cometido assim, um crime gravíssimo contra milhões de quilombolas, indígenas e cotistas em geral, ao falsear declarações de que seria uma moradora de quilombo, condição sine qua non para que obtivesse uma vaga na universidade, conforme estipulava o edital.
Em um momento em que uma onda conservadora, põe as cotas em dúvida todo o tempo, apesar do reconhecimento de sua validade pelo STF. Ter claro que COTAS não podem ser fraudadas é uma obrigação que toda a sociedade deve observar.
Temos notícias de fraudes nas cotas em concursos da Polícia Federal e do Itamaraty. Nos escandalizam o número de falsos cotistas nas universidades e no programa ” Ciências Sem Fronteiras”.

Em nossa opinião além do crime de falsidade ideológica em si, existe por parte de cada um que o cometa, um crime moral de racismo contra a humanidade, quando com seus atos criminosos, ocupam lugar de outras pessoas e impedem. que toda uma população de discriminados, tenha acesso aos seus direitos fundamentais, à educação e ao trabalho.

Povoado da Rocinha-foto Macauense Life

Povoado da Rocinha-foto Macabuense Life

Uma estudante do curso de Medicina da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia), campus de Vitória da Conquista, foi condenada nesta quarta-feira (30) a dois anos de prisão em regime aberto (mais multa) por ter feito uma falsa declaração de endereço com o objetivo de ingressar no curso por meio das cotas reservadas a estudantes quilombolas.
Na decisão, o juiz Clarindo Lacerda Brito diz que a estudante Maiara Aparecida Olívia Freire “agiu com culpabilidade normal à espécie”. Ao avaliar os antecedentes da estudante, o magistrado decidiu substituir “a pena privativa de liberdade por duas restritivas de direitos, quais sejam, a de prestações de serviços à comunidade e de prestação pecuniária, por se revelarem mais adequadas ao caso”.

Maiara, que ainda pode recorrer da decisão e não foi localizada para comentar o caso, foi denunciada em 2014 pelo Ministério Público Estadual. Na declaração falsa, ela informou que morava no povoado da Rocinha, zona rural de Livramento de Nossa Senhora. Em Vitória da Conquista, já como estudante, ela residia no bairro Candeias, área nobre da cidade.

UESB- Foto Macauense Life

UESB- Foto Macabuense Life

Segundo consta no processo, “no dia 20 de agosto de 2013, a denunciada apresentou requerimento de matrícula junto à Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia a fim de ser ver matriculada no curso de Medicina daquela Universidade, tendo para tanto feito uso de documento que sabia conter informação falsa”.
“Na mesma oportunidade, a denunciada ainda inseriu informação falsa em documento público de requerimento de matrícula da Universidade Estadual da Bahia. Consta na peça informativa que a Denunciada, quando fez sua inscrição para prestar o vestibular na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, optou pelo sistema de reserva de cotas adicionais para o grupo de quilombolas”, diz o MPE.
Após a sua aprovação, Maiara, a fim de ver realizada a sua matrícula, “apresentou declaração da Presidente da Associação do Desenvolvimento Comunitário Cultural Educacional e Social do Quilombo de Rocinha e Região, que informava que Maiara residia no Povoado Rocinha, documento em que se fez constar declaração falsa, visto que a Acusada não residia naquele local”, segundo diz a promotora Carla Medeiros.
Além disso, “a Denunciada preencheu a ficha Requerimento – matrícula vestibular”, em que declarou residir no Povoado da Rocinha, localizado na cidade de Livramento de Nossa Senhora, informação que alterou a verdade sobre fato juridicamente relevante, uma vez que a denunciada só pôde se matricular pelo sistema de reserva de cotas porque mentiu acerca do seu local de residência”. Nos autos do processo há relatos de moradores do povoado da Rocinha, em Livramento de Nossa Senhora, dando conta de que Maiara não morava no local.

Cotas são uma conquista do povo brasileiro


Por Marcos Romão

romao-neutroÉ preciso que fique claro, que as cotas atuais são antes de mais nada uma conquista das mães e pais negros e indígenas da maioria de todos que estão ainda discutindo seu valor.
Luta iniciada no anos 70, é sequência da lei dos 2/3 de Getúlio Vargas, que garantiu a 2/3 dos brasileiros ocuparem empregos, pois até então a maioria negra só fazia biscates, pois empregos só eram dados a migrantes europeus.
Nesta época, década de 30, a maioria dos negros que tinham um emprego com salário mensal, eram as mulheres negras que trabalhavam como empregadas domésticas. Os homens negros se arrastavam de biscate em biscate.
Essas mulheres negras empregadas domésticas, foram quem sustentaram a Frente Negra, partido negro, com cerca de 200 mil filiados, extinto pela ditadura de Vargas.
Uma das grandes ações da Frente Negra, foi alfabetizar as mulheres negras que a sustentavam, para que elas pudessem votar nas eleições brasileiras.
A luta pelas cotas é assim uma conquista do Movimento Negro e Indígena de mais de um século.
Só o branco que quer manter seus privilégios, e o negro que é ignorante de sua história pode ser contra esta medida paliativa, mas eficiente, que são as políticas de cotas para negros e indígenas no Brasil.
A maioria de negras e negros de minha geração que frequentaram universidade ou conseguiram um emprego compatível com nossos méritos, frequentavam universidades ou ambientes de trabalho em que estavam sozinhos.
Hoje cada negro pode ver pelo menos meia dúzia de negros e negras a sua volta, quando vão para a universidade ou vão trabalhar.
É bom lembrar que muitos de nossa geração, que hoje tem mais de 60 anos, apesar de passarem nos concursos públicos por seus elevados méritos, não “passavam” na famigerada “prova secreta da foto 3/4” que os eliminavam e ainda eliminam, ao nunca serem chamados, apesar das excelentes classificações que alcançaram e alcançam.
Quem conseguia entrar, nunca era promovido ou era dispensado na fase probatória.
Negras e Negros precisam saber que somos uma geração que lutou pelas cotas e que têm experiência de como o racismo funciona nas universidades e locais de trabalho, impedindo ascensão na carreira, fazendo desistir no caminho, ou lavando de tal forma as cabeças de negras e negros, que muita gente acaba resignada, sentada numa cadeira, carimbando vento, quando poderiam estar trabalhando para a libertação de si e de nosso povo.
A vitória no STF aprovando as cotas, foi mais que uma vitória simbólica. Foi muito mais o reconhecimento pelo Estado Brasileiro, que por mais “méritos” que uma negra ou um negro tenha, só terão acesso aos bens materiais e intelectuais da sociedade através do fórceps de ferro que é a política de cotas.
Cotas está sendo um parto prá lá de difícil, até no Itamaraty, na Polícia Federal, nos tribunais e em vários concursos estão tentando burlar esta conquista dos negros e indígenas.
Mas a criança cotista e cotada está aí e gritando com conhecimentos populares e acadêmicos de nossa história brasileira. Não tem mais volta!

COTAS? É na lei ou na marra. Tá na hora dos acadêmicos se descolonizarem!


Por Marcos Romão

COTAS?

Já que apesar de ser lei, ainda tem gente que quer dar uma de João sem Braço e vir cheios de senões bondosos e capciosos, sigo falando:

Têm sido muito oportunas as visões que falam da falta de acesso à educação de qualidade, que nós negros  somos impedidos de termos desde criancinhas.
Eu acrescento, tipo de ensino, o que é ensinado, e que visão de país sobre o que é conhecimento intelectual e o que é ser acadêmico, precisam ser urgentemente levadas em conta.

Vejam, porque é que nós negros nos últimos 20 anos estamos levando em relação aos brasileiros brancos, uma vantagem relativa em relação ao nosso pequeno número, quando comparamos o amplo acesso de negros brasileiros, aos doutorados nas universidades europeias, com o funil racista intelectual brasileiro?

Nós negros teríamos uma maior Capacidade? Não.

schoko-bananen-kranz

Bolo de chocolate com bananas, concentrado nas mão dos brancos neocolonialistas das academias

 

Capacidade maior ou menor são quesitos individuais, que só interessam a pessoa em causa e não ao conjunto da sociedade.
A resposta, ou as respostas são múltiplas.

Começa que na Alemanha e na França por exemplo, esta coisa de QI (quem indica) é reduzida.
Além do mais, a medição da capacidade do pretendente à vaga, é feita levando em conta, o perfil de vida, o discernimento da sociedade, a aplicabilidade e interesse social do que o cara pretende em sua tese.
De engenharia à medicina, passando pelas ciências sociais a visão do ensino no Brasil, é uma visão de produzir conhecimento para uma elite e, excluir desta produção todos que possam trazer um diferencial. Temos uma visão colonial da academia que se reproduz até o ensino básico.

Assim a segregação começa desde o banco da escola. 99,9% dos amigos que eu consultei, que tiveram a chance como eu de frequentarem as escolas de elite do Brasil, se sentiram segregados desde a primeira série primária ou já no jardim de infância. 

Tínhamos que ser os supra sumos da inteligência, não podíamos dar mole, pois os olhares condoídos dos professores, diziam sem falarem,  quando errávamos uma questão:

” sempre fazem na saída”.

Íamos para as escolas com uma vassoura e papel higiênico para limpar por onde passávamos, para não deixar dúvidas sobre nossa merda de MÉRITO E CAPACIDADE.

Outro fator que leva à universidade é o convívio social, com um meio que estimule a garotada e até os velhos…

Minha geração pertence aquela em que toda a família de negros se juntou, para que UM PRÍNCIPE OU UMA PRINCESA entrasse na universidade.

Hoje tenho o maior orgulhoso de dizer que toda a minha família que veio depois, está na universidade ou já pegou o canudo, como meu falecido pai, que numa inversão do “antes que veio depois”, teve a COTA DO CRÉDITO UNIVERSITÁRIO( EMPRÉSTIMO)) para concluir seu sonhado curso de direito.

Toda a minha família me garantiu meu pedaço de bolo ou cotas, e por obrigação e reconhecimento eu repassei o meu pedaço multiplicado para ela.

Como filho de branco médico, “naturalmente” vira médico e ao terminar a faculdade já tem consultório e clientela cativa das COTAS DO PAI.

O que queremos agora, é ter uma ação coletiva que bote muita gente para sentar na mesas do poder e nas salas de operação, para que quando acordemos da anestesia provocada pela violência racial em que o país está e que nos fez apelar para a OPERAÇÃO COTAS DE EMERGÊNCIA, vejamos que estamos na terra com médicos multicoloridos, e não no céu só com anjo branco.

‪#‎marcosromaoreflexoes‬

Eu, Romão, contra o MP, o PGE, a SEASDH e o Governo do Estado do Rio de Janeiro


por marcos romão

CONF---46Eu Marcos Romão, 60 anos, passei em no concurso público realizado em agosto de 2012, pela SECRETARIA DE AÇÃO SOCIAL DE DIREITOS HUMANOS DO GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, para uma das três vagas oferecidas para sociólogos,  2 vagas na geral e uma nas cotas. Como tirei a segunda maior nota, entre nós dois únicos que passamos, fiquei em segundo na geral e primeiro lugar nas cotas. Fiquei feliz à bessa!

Em novembro fui chamado através de publicação em Diário Oficial, para entregar minha documentação e exames médicos para assinar a contratação.

Esperei e esperei até Janeiro, quando fui informado através de uma lacônica nota na página da internet da Uerj, realizadora do concurso, que o concurso havia sido anulado. Mais explicações, nós os concursados e aprovados, não recebemos.

Em fevereiro de 2013 dei entrada com um Mandato de Segurança contra o Estado para assegurar meus direitos.

Sei que neste momento o Estado do Rio necessita de um quadro de funcionários que atuem de forma isenta na defesa dos direitos humanos dos cidadãos. Todos sabem disso.

Tem uma semana que o juiz marcou o julgamento do mérito do caso.

A Procuradoria Geral do Estado,  como é de praxe defende os pontos de vistas do Estado, é sua razão de ser, mas me surpreende que o Ministério Público, que nas últimas semanas recebeu o apoio de milhões de brasileiros, para que atue de forma independente, tenha se limitado a escrever uma frase em meu processo aos ser indagado pelo juiz:

“O Ministério Público segue a opinião da PGE. Que se arquive o processo.”,

Nada mais disseram, creio até que nem leram, pois ordens são ordens.

O Juiz não arquivou, ainda me resta um fio de esperança.

Assim convoco todos os meus amigos:

Quem é de rezar reze, quem é de torcer, torça, quem é de ser solidário presencial, apareça lá no tribunal terça-feira 16/7, como avisou minha jovem advogada Aiani Prudente .
Estamos sozinhos contra o Governo do Estado, a Procuradoria Geral do Estado e também contra o Ministério Público que lavou as mãos e seguiu a orientação da Procuradoria que defende o Estado contra os cidadãos.
Estamos sozinhos com os milhões de cidadãos do Sstado do Rio de Janeiro que clamam por seus direitos humanos.
A sessão de julgamento do seu mandado de segurança será na próxima terça feira, 16/07, a partir das 13 horas. Seu mandado de segurança está na 15ª Câmara Cível

Saiba mais sobre os detalhes deste caso:

https://mamapress.wordpress.com/2013/01/28/pisaram-nos-meus-direitos-humanos-nesta-sexta-feira-anularam-o-concurso-publico-em-que-passei-para-secretaria-de-direitos-humanos/

O Estatuto da Igualdade Racial corre o risco de ser mais uma Lei que não pegou. Para Estatais, não existem consumidores negros no Brasil.


por Washington Lúcio Andrade e Marcos Romão
imprensa_negraMarcos Romão
São 15 anos que a Rede de mídia Étnica Mamaterra, organizada por brasileiros na Alemanha, Suécia e Suiça, participa online da Rede de Mídia Étnica Brasileira, que apesasar de não ser alternativa, é a única alternativa, para que a sociedade brasileira tome conhecimento dos fatos positivos e negativos, do olhar e da expressão cultural, econômica, religiosa e política protagonizadas pelo próprios negros do Brasil.

Cobrimos através de Blogs, redes sociais, Tambores Cibernéticos em Vídeos e Rádios Webs e páginas regulares e diárias, como a Afropress e Àfricas, praticamente tudo que se passa nas vida dos negros no Estado Brasileiro e na Dispersão Africana pelo mundo afora.

Sejam cotas, sejam juízes conservadores racistas no Maranhão ou seja a luta pelo Estatuto da Igualdade Racial, não é raro o fato, de que “pautamos” pela insistência,  as notícias sobre o que acontece com os negros,  que são publicadas no dia seguinte, pelos jornalões e grandes redes de televisão, com os temas e denúncias que publicamos, tendo como fontes, as nossas redes de contatos e listas, via internete  por todo o Brasil. Somos uma Rede Nacional, invisível para o poder. Poder que entretanto, nos monitora diligentemente.

Não é raro, é mesmo frequente, a grande imprensa nos telefonar, para saber, o que está acontecendo “de verdade” , do Oiapoque ao Chuí. Somos produtores de notícias confiáveis, pois nossas fontes  são a primeira mão. Estamos no meio e vivemos a notícia do mundo negro brasileiro. Somos só cento e poucos milhões negros e negras, que se relacionam e sabem como vivem os outros milhões de brasileiros e brasileiras.

Fazem dois  anos, que a Rede Mamaterra “remigrou” sua central para o Brasil, mais precisamente para Niterói, de onde emite o seu blog de opinião, “Mamapress.org” ,sua Rádio Mamaterra via Hamburgo. e o “Face” QuiGeral, diretamentame do Quilombo do Sacopã no Rio de Janeiro. Berlim e Estocolmo produzem suas próprias matérias e  replicam o que fazemos, via Radio Saci e Radio Made in Brazil.

Globalizamos O Outro Brasil com dinheiro de nossos bolsos vazios. É a notícia dos anos que se repetem.

Perguntamos a nossos parceiros, como funcionam, os financiamentos da Mídia voltada para divulgar a vida e os clamores negros no Brasil. Obtivemos como resposta, a simples e terrível evidência e notícia racista, que não existimos.

Não existimos para o governo brasileiro, nós, população negra brasileira, não existimos na “rubrica de ordenamento de despesas de propaganda oficial”, que agora chamam de “briefing”, asssim como não chegamos às verbas de financiamento da agências propaganda, repassadoras de verbas para a imprensa brasileira.

Bolsa família, Televisores, Minha Casa Minha Vida, Geladeiras, PACs e Pasta de dentes compradas pela Bolsa Família, não fazem parte do universo de público negro, que tenha importância ser divulgado e mediado pela Imprensa Negra. É o fato, a evidência e a notícia, que lamentavelmente temos que publicar em 2013. Como nós vemos o Brasil, não interessa a ninguém. Mas nós vemos, e como!

O sonho de Monteiro Lobato de no futuro chegarmos a um Brasil sem negros, publicado em seu livro, “O Presidente Negro”,  realiza-se 125 anos depois da Abolição, com incentivo estatal através da falta de incentivo para a nossa mídia.

A visão da população que mais sofre os impactos do projeto atual de desenvolvimento, parece não interessar ao Estado Brasileiro. Tanto faz,  que mostremos parte da população que está em dúvidas, no meio  de uma pacificação, quanto quando mostramos alguém, que recebe as chaves de sua casa, nos fala que gostaria de ser perguntado antes, para que lado fica o banheiro, são opiniões que não contam. Estamos dando, aceitem se quiser, Cremos que o Estado Brasileiro não deseja  se tornar em uma grande Princesa Isabel. E o que propomos?

Ao não cumprir o Estatuto da Igualdade Racial em 2013, o Estado  Brasileiro, segue a mema linha eugênica e racista perpetrada pelo Estado à partir do início do século XX. Não deixar que opinem, que manifestem suas culturas diversidades étnicas através de uma imprensa negra forte, é uma forma de “ÉTNOMIDIACÍDIO”. É muito difícil para um povo se amar, quando ele não se vê.

Nossa imprensa negra tem sido o único porta-voz dos clamores negros nacionais nos útlimos 125 anos, Gilma Luiz de Carvalho escreveu sobre isto e todos podem ter acesso ao texto GILMAR_LUIZ_DE_CARVALHO. Mamapress recomenda aos gestores públicos que o leiam e busquem uma nova orientação em seus investimentos de propaganda. Recomenda que parem de dar tiros nos pés do Brasil, ao reforçarem uma visão racista de nossa mídia brasileira. Pois para quem retorna ou vem pela primeira vez ao Brasil, é um verdadeiro “choque cultural”, abrir um jornal ou ligar um televisor e ver mais brancos do que em qualquer canal ou rede de notícias européia.

Reblogamos para insistir o grito de denúncia de nosso parceiro, diretor do Áfricas, Washington Lúcio Andrade

Foto-5-Wash-28maio08-No Brasil temos uma terrível percepção sobre algumas leis que não funcionam e assim o dito popular fala que são “leis que não pegam”. O Estatuto de Igualdade Racial no que diz respeito à mídia, vai ser mais uma?

Tendo como principio básico o respeito aos nossos mais de 750 mil internautas/mês, e querendo prestar cada vez mais um serviço de qualidade, destacamos a ausência de políticas públicas para a mídia e alertamos para uma situação de possível fechamento de alguns meios de comunicação como já tivemos em um passado não muito distante, além da situação dos que se mantém sem estrutura e não tem como investir na qualidade.

As mídias alternativas sobrevivem por conta própria e, na maioria das vezes, são elas que mais atingem o público alvo, sendo que as demais, contam com apoio dos Governos, mesmo divulgando de vez em quando as ações e nem sempre atingindo o publico focado.

Nosso objetivo é contribuir para modificar profundamente esta realidade, podendo, assim, ajudar a todos os nossos meios de comunicação alternativos a prestarem cada vez melhor um serviço profissional e de qualidade.

Agora vamos mostrar algumas formas de atendimento, que as agências de publicidades tem como padrão, sempre com o mesmo resultado: a discriminação.

Como fazemos todos os anos, mapeamos as propagandas publicitárias atuais e localizamos as agências responsáveis, entramos em contato com algumas da iniciativa privada, mas o que é trágico é o que acontece com as que tem as contas do Governo federal.

Escolhemos apenas duas empresas que prestam serviços a Bancos governamentais para ilustrar. Quero destacar que entramos em contato com várias outras ligadas aos ministérios também. Não vamos citar nomes, porque o que acontece é geral e o objetivo não é desmascarar ou humilhar ninguém, mas mostrar a realidade do que passamos no dia a dia com todas agências.

Uma das agências, nos respondeu que, no momento, não teria nenhuma campanha disponível e quando tivesse faria contato. Essa tem sido a resposta padrão nos últimos anos, ou seja: sempre. Detalhe: é só ligar a TV, abrir o Jornal ou mesmo entrar em alguns sites e ver uma nova campanha dos bancos federais, quase que mensalmente. Só essa resposta, que é corriqueira, já poderia nos deixar indignados, mas a coisa pode ser ainda pior. Veja a próxima.

Entramos em contato com outra agência. A resposta que tivemos merece destaque pois nos informou que seu cliente não colocou no briefing (que é uma peça fundamental para a elaboração de uma proposta de pesquisa de mercado) a população negra.

Algumas vezes até nos colocam como classe média, mas as agências de publicidade entendem que o negro ainda não faz parte dessa classe. Isso mostra a visão que ainda existe e é muito forte no meio publicitário, que o negro não consome, e pior, reforçada pelos Governos que não cobram mudança de postura.

Como podem notar, a prática perversa que ainda existe de discriminação na mídia demonstra que o Estatuto da Igualdade Racial  corre o risco de ficar no papel, de ser apenas uma “lei prá não pegar” como as outras muitas existentes no ordenamento jurídico brasileiro. É preciso mudar esta realidade: vamos acabar com o discurso e adotar ações na prática.