Governo do RJ condenado a indenizar manifestante. A cidadania vence contra a manipulação de agentes infiltrados nos protestos. 


por marcos romão

A decisão da juíza condenando o Governo do RJ a pagar indenização ao manifestante de rua Bruno Telles, apesar da quantia irrisória, assume um imenso valor para a democracia neste dia 31 de março. Ela dá, ainda que tarde, razão a todos os que foram as ruas protestar e foram condenados e violentados pela polícia do Estado,  muitas vezes com o incentivo e beneplácito da grande imprensa.

Em julho de 2013 o estudante Bruno Ferreira Teles foi preso pela Polícia Militar, acusado de arremessar um coquetel molotov contra a barreira de policiais postados em frente ao Palácio Guanabara. Sua prisão foi filmada por jornalistas ativistas.

Bruno Telles-foto da internet

Bruno Telles-foto da internet

O vídeo lançado na Internet minutos após o atentado que Bruno era acusado, mostrava um homem correndo de uma dezena de policiais, sofrendo uma série de tiros de pistola de choque elétrico, e mesmo quando caído e imobilizado, mais descargas de choques elétricos foram desferidas contra ele.

Observem a cena da prisão de Bruno Telles a partir de 5:15 minutos

Ao conceder a indenização, a juíza responsável afirmou: “que o combate à situação de tumulto não autoriza que a polícia tenha atuação imprudente”. Em nota da  assessoria de imprensa, nesta terça-feira, 31.3, o governo do RJ afirmou não ter sido ainda notificado.

Com esta sentença a juíza, nos traz um exemplo de como a nossa Constituição de 1989 é tão cara e importate para a defesa da cidadania.

O Rio de Janeiro, senão todo o Brasil, viveu naquele mês um verdadeiro “Estado de Exceção”, em que governadores emitiram ordens que permitiram aos seus policiais agirem à revelia do “Estado de Direito”, tudo que se movesse nas ruas era inimigo. Se o governador do Rio alegou à época desconhecer, que haviam políciais secretos (P2) infiltrados nas manifestações, então a situação era pior do que “Estado de Exceção”, era a anarquia e o caos comandado por forças policiais, que antes haviam jurado defender a Constituição e a vida de todos os cidadãos.

O bairro de Laranjeiras em torno do Palácio do Governado transformou-se durante um ou dois meses, no símbolo de um “Estado de Terror e Guerra Interna”, que no futuro as crianças da vizinhança, que a tudo assistiam de sua janelas, ou as que a tudo assistiram através dos “Smartfhones”, nas mãos de uma imprensa alternativa, poderão dizer, que viveram, pelo menos por um breve período de tempo, o “Estado de Exceção”, do qual seus pais e avós falavam que sofreram.
No vídeo que circulou na época logo depois do atentado contra policiais com coquetel molotov, apesar dos desmentidos do Comando da Secretaria de Segurança, ficou claro para o público, que os dedos de mão de agentes provocadores estavam por trás dos atentados e com cheiro de gasolina.

Assim relatou na época a “Tribuna de Hoje“, a versão da PM:

 “Polícia Militar divulgou na quinta-feira (25) um vídeo em que rebate acusações de que um P2 (policial sem farda, infiltrado) jogou um coquetel molotov contra uma barreira da própria polícia no início dos confrontos que marcaram um protesto perto do Palácio Guanabara, na segunda-feira (22), na Zona Sul do Rio.

A acusação ganhou força a partir de terça (23) com vídeos e relatos publicados nas redes sociais. Um dos vídeos, feito pela polícia, mostra uma pessoa jogando o coquetel. Outros vídeos sugerem que a pessoa que jogou o coquetel é a mesma que passou por uma barreira policial sem ser barrada e sugerem que essa pessoa seria policial.

No vídeo divulgado pela PM nesta quinta (assista acima), a polícia argumenta que as pessoas que aparecem nos vídeos que circularam nas redes sociais não jogaram o coquetel.

O vídeo não indica quem teria jogado o coquetel, mas, segundo a PM, é suficiente “para descartar a participação de policiais no ato”.

No novo vídeo, é apontado que um dos homens que acende o coquetel está usando uma pulseira no punho direito e tem tatuagem no mesmo braço. A mesma cena mostra outro rapaz, com o coquetel molotov, vestindo uma camiseta preta. Essa camiseta tem uma estampa diferente da que é usada por um dos policiais militares, segundo a corporação. A PM também destaca que o policial do serviço de inteligência não tem tatuagem.”

Segundo o Jornal O Globo online 31 de março de 2015, o governo do Estado do Rio foi condenado pelo Tribunal de Justiça a pagar indenização de R$ 15 mil ao jovem Bruno Ferreira Telles, de 27 anos, preso sob suspeita de jogar bombas em PMs durante um protesto em julho de 2013. O processo criminal contra Bruno foi arquivado no dia 29 de julho do mesmo ano, sete dias após a prisão.
Na mesma matéria o Globoa afirma, ” No dia seguinte à prisão, o “Jornal Nacional” mostrou com exclusividade que, segundo o inquérito, o depoimento de um PM contrariava o que diziam as polícias Civil e Militar para justificar a prisão, de que ele teria sido detido sob posse do artefato.”

Nós da Mamapress, temos colaboradores jornalistas que atuam na grande mídia e na mídia alternativa, lembramos que os fatos não podem ser distorcidos, mesmo quase dois anos depois.

A Globo e outras grande mídias condenaram Bruno Telles de antemão, depois voltaram atrás, ao tomarem conhecimento das evidências trazidas pela mídia alternativa
Bruno Telles, foi salvo pela ação rápida da imprensa alternativa, que se mobilizou contra o Estado de Exceção que o governador Sérgio Cabral queria instalar no RJ, inclusive com a tentativa de criação da Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas (CEIV), que foi apelidada como o AI-5 do Cabral.
A grande imprensa também foi rápida ao reconhecer que estava condenando Bruno Telles por antecipação e andando na contra-mão, ao repetir sem analisar os “comunicados oficiais da policia”.

Quase ao mesmo tempo em que Bruno Telles foi preso, aconteceu a prisão do ninja Felipe Peçanha no dia 22 de julho. Ele cobria os protestos na sede do governo do Rio, o Palácio Guanabara, e foi acusado de “incitar a violência”. Depois de ter se negado a parar de filmar os protestos após o pedido de um policial militar, Felipe foi preso com um outro ninja e libertado horas depois, encontrando do lado de fora um grupo de pessoas que gritava: “Ninja! Ninja!”.

A decisão da juíza condenando o Governo do RJ a pagar indenização ao manifestante de rua Bruno Telles, apesar da quantia irrisória, assume um imenso valor para a democracia neste dia 31 de março. Ela dá, ainda que tarde, razão a todos os que foram as ruas protestar e foram condenados e violentados pela polícia do Estado, muitas vezes com o incentivo e beneplácito da grande imprensa.
Esquecemos todos o assunto coquetel Molotov. Apenas Rafael Braga, que nem manifestar, manifestou, está preso por conta de uma “perigosa bomba” feita com Pinho Sol. Outros aguardam julgamento por formação de quadrilha, quando na realidade se reuniam mais para falarem de seus sonhos políticos
Todos eles e todos nós éramos inocentes e não sabíamos, que estava em marcha uma máquina de repressão para criminalizar todo cidadão e cidadã que protestasse, fosse nas ruas fosse nas redes sociais.
A martelada da juíza é a grande resposta da democracia, ao arbítrio de pequenos Bonapartes, que enlouquecem enquanto governadores.

Que grupos ou que serviços secretos, jogaram as bombas de coquetel Molotov nos policiais naquela noite, não interessa a mais ninguém

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Idosos de Niterói já podem visitar netos neste natal sem humilhações. Tribunal de Justiça-RJ, confirma fim da “Biometria”


por Marcos Romão

Algo está mudando em nosso país, em nosso estado e em nosso município.

A justiça está julgando rápido as ações impetradas por seus cidadãos, quando se sentem feridos em seus direitos fundamentais.

O fim da Biometria nos ônibus de Niterói, agora está sacramentado pelo TJ-RJ.

Parabéns idosos de Niterói, parabéns todos que nos apoiaram, parabéns cidadãos de Niterói ao darem um exemplo de cidadania. Parabéns ao acreditarem e persistirem com a opinião, que a Constituição Brasileira, está acima dos poderosos cartéis de empresas de ônibus, e representantes municipais que acreditam que com decretos-leis e portarias podem passar por cima dos direitos legais de todos os cidadão.
Que o cidadão idoso de Niterói continue alerta e ajude a construir a cidadania de todos, dando sempre exemplos de persistência na defesa de nossos direitos.

Fonte: Coluna Gilson Monteiro-21.12.2014

Fonte: Coluna Gilson Monteiro-21.12.2014

A maioria silenciosa. A eleição do Eleitor


do Blog: Luiz Carlos Azedo
Originalmente publicado no Correio Braziliense – 26/10/2014
Hoje, o Brasil se orgulhará de escolher seu presidente da República pelo voto direto e secreto, de forma pacífica e ordeira

Segunda classe – Tarsila do Amaral

Com pesquisas desencontradas, que apontam tanto a vitória do candidato de oposição, Aécio Neves (PSDB), como a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), o Brasil vai às urnas num clima de grande incerteza. O país parece mergulhado naquele nevoeiro descrito por Fernando Pessoa em seu poema épico intitulado Mensagem: “Ninguém sabe que coisa quer. Ninguém conhece que alma tem, nem o que é mal nem o que é bem. (Que ânsia distante perto chora?) Tudo é incerto e derradeiro.Tudo é disperso, nada é inteiro.”

É uma travessia que depende do voto do eleitor. Embora o debate eleitoral no segundo turno tenha sido pautado pelo retrovisor — a comparação dos dois mandados do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com os dois do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva —, o que está em jogo é a continuidade do governo de Dilma Rousseff, que termina o primeiro mandato com  crescimento zero e o país pior do que aquele que recebeu, ou a formação de um novo governo, das forças de oposição, sob o comando do senador Aécio Neves (PSDB), ex-governador de Minas.

Há que se considerar a crise mundial, sem dúvida, pois ela impõe limitações ao país, mas um olhar ao redor, para a própria América Latina, desnuda nossas vicissitudes: as escolhas feitas pelo atual governo não deram muito certo. São um rosário de erros: a recusa aos acordos bilaterais de comércio com nossos parceiros europeus; a submissão às chantagens dos nossos vizinhos do Mercosul; a desastrada redução dos juros sem o necessário ajuste nas contas públicas; a volta da inflação e a desindustrialização; as maquiagens e manipulações de dados estatísticos; a incapacidade de enfrentar os problemas de infraestrutura; a tentativa ingênua de estabelecer os lucros das empresas nas parcerias público-privadas; a má-qualidade dos serviços prestados na Saúde, na Educação, nos Transporte e na Segurança; e os escândalos na administração direta e nas estatais, particularmente na Petrobras.

Tudo isso foi varrido para debaixo do tapete durante a maior parte da campanha eleitoral, principalmente no primeiro turno, quando a enorme vantagem em termos de tempo de televisão permitiu ao PT e à presidente Dilma Rousseff mostrar o “outro lado”: os bem-sucedidos programas Bolsa Família; Minha Casa, Minha Vida; Pronatec; Prouni; Mais Médicos, principalmente. Eles “fidelizaram” parcelas expressivas do eleitorado. Desde a origem, miravam a disputa eleitoral, mas é inegável o impacto positivo na vida dos que deles se beneficiam. Não fosse isso, a eleição estaria decidida a favor da oposição.

Desde junho do ano passado, quando ocorreram as grandes manifestações de jovens nas principais cidades do país, há uma insatisfação difusa na sociedade e um forte desejo de mudança na relação entre o Estado e os contribuintes. Além da má-qualidade dos serviços, a degeneração das práticas políticas e a escalada da corrupção na administração pública revoltam os cidadãos. É iminente uma crise política na Praça dos Três Poderes, devido às denúncias contra autoridades e políticos envolvidos na Operação Lava-Jato. Em segredo de Justiça, as delações premiadas do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa e do doleiro Alberto Yousseff pautaram os últimos dias da campanha eleitoral. E podem, após as eleições, causar um strike no Congresso e na atual equipe de governo.

Há um senso comum entre os políticos de que o caixa dois de campanha eleitoral é uma prática inevitável e as urnas purgam os erros cometidos na disputa política. Para o Ministério Público e a Justiça não é bem assim; nem tudo o que é real na luta política é legal no Estado democrático, digamos assim. Muito provavelmente, após a eleição, a discussão sobre o fim do financiamento de empresas às campanhas eleitorais ressurgirá com força no Congresso, mas como uma espécie de anistia para a sujeira que emerge das relações entre órgãos e empresas públicas, grandes empreiteiras e políticos.

Por essas e outras, a eleição está indefinida. Em circunstâncias normais, a presidente Dilma seria reeleita. É bem-intencionada e dedicada à vida pública. Corre, porém, o risco de perder para o candidato de oposição, Aécio Neves (PSDB), devido aos erros que cometeu e ao envolvimento de seu partido, o PT, e dos principais aliados, o PMDB e o PP, com tantos malfeitos, para usar a palavra de sua preferência quando trata da roubalheira.

Os eleitores que ainda estão indecisos vão ponderar o que está certo e ao que está errado na vida nacional de acordo com a sua consciência. Sem o alarido dos militantes, a maioria silenciosa decidirá os destinos do Brasil nos próximos quatro anos. Apesar de tudo o que aconteceu durante a campanha, mais um vez o Brasil se orgulhará de escolher seu Presidente da República pelo voto direto e secreto, de forma pacífica e ordeira, em eleições à prova de fraudes eleitorais. Assim é a nossa democracia.

Nota da mamapress: Luiz Carlos Azedo e eu nos conhecemos fazem mais de 40 anos. Não temos as mesmas posições políticas e vivemos nestes 40 anos em cidades e países distintos. Mas conseguimos uma coisa que parecia um sonho em 1973 em meio à cruel ditadura que a cada dia fazia desaparecer um amigo comum. Chegarmos em 2014 vendo o eleitor decidindo. Isso é muito bom! Nossos amigos desaparecidos devem estar cantando odes ao por nosso país.#marcosromao

DAS INVERDADES PUBLICADAS NO JORNAL O GLOBO DE ONTEM (25/07)


por Erika Gavinho

publicado no Facebook

foto O Globo

foto O Globo

Muitos de vocês sabem que atuei, nos últimos dias, para a liberdade do meu primo, IGOR PEREIRA D’ ICARAHY. Na quinta, depois do tal do “sarquemento” ser, finalmente, realizado, quase 24 horas depois da decisão do Desembargador Siro Darlan, me dirigi ao Complexo Penitenciário de Gericinó (Bangu), vez que, então, IGOR seria libertado.

Lá chegando, soube que o oficial de justiça já havia entregue o alvará de soltura e que estavam realizando os procedimentos para a sua liberdade. O agente me disse que eu poderia aguardar, mas que não poderia colocar o IGOR no carro, pois o procedimento determina que o preso tenha que sair do Complexo Penitenciário a pé. Ele deveria andar os cerca de 3 km até a saída e, depois desse registro, já do lado de fora do Complexo, aí sim, poderia entrar no meu carro. Mas a SEAP terminou por enviar um furgão que levaria IGOR até a porta principal. Tentei, em vão, falar com a segurança do Complexo, na porta principal, para que, após os tais procedimentos de segurança, o IGOR pudesse entrar no meu carro, sem passar pela aglomeração de pessoas e jornalistas.

O IGOR foi o primeiro a sair. Atravessou, a pé, o portão principal do Complexo, como determina a SEAP, abraçou os seus pais e o levamos ao carro de seu tio. Houve muita pressão de fotógrafos e cinegrafistas, em busca de uma imagem sua, mas saímos sem qualquer confusão. O carro onde estava o IGOR na frente e o meu atrás. Fomos, diretamente, para a casa dele, onde sua avó de mais de 90 anos o aguardava para jantar, e ali ficamos até que ele foi dormir. Ontem, pela manhã, soube dos incidentes, envolvendo manifestantes e imprensa, na porta do Complexo de Gericinó.

Isto foi o que eu vi e vivi. Portanto, fiquei muito incomodada com a versão do jornal O GLOBO de que os três (Igor, Camila e Elisa) teriam saído numa fiat uno. ISTO É MENTIRA! ISTO NÃO É JORNALISMO!

Sobre fatos, envolvendo a prisão de IGOR, lamentavelmente, não é a primeira INVERDADE que O GLOBO publica. Uma outra foi a de que, no dia 12 de julho, quando todos foram presos e ocorreram buscas e apreensões, teriam sido encontrados explosivos em sua casa. MENTIRA!

IGOR, como se sabe, foi preso na casa da Camila, sua namorada. Na casa de sua mãe, onde o IGOR reside, houve uma busca e apreensão, mas foram apreendidos, tão somente, uns panfletos e uma listagem com nomes e e-mails.

Sou uma entusiasta da DEMOCRACIA e reconheço na imprensa um papel importante para esta garantia. Mas, assim como há advogados e advogados, há jornalistas e jornalistas. Tenho diversos amigos jornalistas e me orgulho de suas atuações, mas o que O GLOBO publicou ontem foi, mais uma, MENTIRA.

Amor e revolução via Mamaterra


Série da SBT. Conta os tempos da ditadura militar no Brasil.