Haitiano é espancado até a morte por grupo de pessoas em Santa Catarina


A vítima estava indo a uma festa com a esposa e amigos quando sofreu o ataque Foto: Reprodução / Facebook

A vítima estava indo a uma festa com a esposa e amigos quando sofreu o ataque
Foto: Reprodução / Facebook

fonte: ZH Notícias

A Polícia Civil de Santa Catarina investiga um suposto crime de ódio ocorrido na cidade de Navegantes neste fim de semana. O haitiano Fetiere Sterlin, 33 anos, foi atacado e morto a facadas por um grupo de cerca de 10 pessoas na noite de sábado. A vítima chegou a ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros da região, mas acabou falecendo antes mesmo de dar entrada no hospital da cidade.

— O boletim de ocorrência foi feito como latrocínio, mas a hipótese mais forte é crime de ódio. Na verdade, teria começado com isso e depois de tornou latrocínio. Já ouvimos algumas testemunhas e no decorrer da investigação vamos apurar a motivação — explica o delegado Rodrigo Coronha.

Ônibus com 28 imigrantes haitianos chega a Porto Alegre

O haitiano e a mulher, que é brasileira, estavam indo a uma festa no bairro Nossa Senhora das Graças junto com quatro amigos, também de nacionalidade haitiana. De acordo com a esposa, Vanessa Nery Pantoja, três homens passaram de bicicleta pelo grupo gritando palavrões em crioulo — língua falada pela maioria da população haitiana — entre eles “macici” que significa homossexual.

— O meu marido disse apenas ‘macici’ são vocês. Isso foi motivo para eles o jurarem morte. Uns 10 minutos voltaram em umas 10 pessoas e foram pra cima da gente — conta.

Com autorização da Justiça, haitianos se casam em Lajeado

Vanessa explica que o grupo, composto por vários adolescentes, retornou com facas, uma pá e outras ferramentas para agredi-los. Segundo ela, os agressores também levaram seu celular, que estava com o marido no momento do crime.

— Quando eu cheguei perto do meu marido, ele já estava em uma poça de sangue. Daí alguns populares ligaram para os Bombeiros. Ele morreu na ambulância depois de várias paradas respiratórias — afirma.

Sterlin teve ferimentos no braço, peito, abdômen, rosto e costas, segundo os Bombeiros. Outro haitiano que estava com ele também ficou ferido durante o ataque, porém sem gravidade. Os demais conseguiram correr ou se proteger das agressões.

Sem documentos, haitianos ganham autorização da Justiça para casar

Logo após o crime, deu entrada no hospital um adolescente de 16 anos ferido no joelho. Segundo a Polícia Militar, ele teria sido atingido durante uma briga no mesmo bairro. O jovem foi encaminhado à delegacia e reconhecido por Vanessa como um dos envolvidos na briga.

A Polícia Civil informou que o adolescente foi ouvido e liberado. Segundo o delegado Coronha, o jovem teria negado as agressões, porém seu depoimento foi contraditório. Os demais envolvidos no crime ainda não foram identificados.

Xenofobia teria motivado crime, diz esposa

Para a esposa Vanessa, o crime foi totalmente xenofóbico. Conforme a mulher, Sterlin não tinha desavenças e sequer conhecia as pessoas que o agrediram. Ela explica que o marido era muito tranquilo e trabalhava como isolador naval em um estaleiro da cidade. Os dois se conheceram há dois anos e, desde então, estavam morando juntos.

— Ele era muito correto, nunca teve uma discussão. Mas é muito comum eles (haitianos) serem ofendidos na rua, só que nunca chegou a esse ponto. Queremos que essas pessoas sejam presas. A Polícia Civil está nos dando todo apoio necessário — diz.

“Brasil tem mais discriminação”, diz haitiano hostilizado em vídeo em Canoas

O diretor da Associação de Haitianos de Navegantes, João Edson Fagundes, disse que uma ocorrência grave como esta nunca foi registrada na cidade, onde cerca de 250 haitianos estão residindo.

— De maneira geral, somos bem recebidos pelos brasileiros. Eles tiveram a infelicidade de cruzar com essa gangue. Vamos buscar justiça para que isso não fique impune — garante.

O sepultamento do corpo de Sterlin deve ocorrer em Navegantes, mas ainda não tem data prevista. Como a vítima não era casada oficialmente, apenas um parente de primeiro grau pode fazer a liberação do corpo no Instituto Médico Legal.

Atentado à bala contra migrantes em frente à Igreja do Glicério fere 5 em São Paulo. Não foram socorridos. Após denúncias, Direitos Humanos de SP encontra e encaminha imigrantes haitianos feridos ao Hospital


por marcos romão

A Mamapress acompanha desde sábado 1 de de agosto, denúncias de migrantes de países africanos que vivem na cidade de São Paulo. Nosso colaborador Aristóteles Kandimba  informara ao Sos Racismo Brasil, que tem a Mamapress como canal de comunicação, que 5 imigrantes haitianos teriam sido vítimas de um atentado xenófobo e terrorista à bala em frente à Igreja do Glicério em São Paulo, ponto de encontro de migrantes em busca de empregos e contatos para se adaptarem ao novo país em que vivem.

Em um primeiro momento as notícias pareciam absurdas, pois além de serem atacados à bala por um brasileiro, os haitianos não foram atendidos pelos hospitais que procuraram.

O atentado terrorista xenófobo contra imigrantes haitianos

Um brasileiro desconhecidos desceu de seu carro atirando no grupo concentrado em frente à igreja, enquanto berrava: ” vocês estão roubando emprego de brasileiros”. Depois entrou no carro e fugiu calmamente, segunda testemunhas aturdidas com o acontecimento.

Após esforços do Conluta que criou uma entidade de socorro aos migrantes, as autoridades paulistas assumiram o caso, que merece apuração em dois níveis, o de xenofobia aleatória e o de racismo intitucional. Primeiro o atentado em si contra migrantes estrangeiros, que até o momento não mereceu uma linha sequer nos noticiários da grande imprensa, e o segundo o racismo institucional, em que deve se apurado a responsabilidade dos hospitais que não prestaram socorro às vítimas conforme relatado a seguir no jornal online do Conlutas.

A Mamapress considera que o Movimento Negro como um todo e os brasileiros em geral precisam tomar conhecimentos destas barbaridades e exigir das autoridades medidas de proteção aos imigrantes que procuram o Brasil para viver com suas famílias.

A matéria do Conlutas

O coordenador de Políticas para Migrantes, da Secretaria do Município, Paulo Illes, confirmou agora à noite que os quatro feridos estavam com as balas em seus corpos;

Há uma suspeita de que um quinto haitiano veio a falecer, informação ainda não confirmada

 

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Com a notícia divulgada no site da CSP-Conlutas de atentado contra imigrantes haitianos em São Paulo no último sábado, as autoridades responsáveis pelos Direitos Humanos, da prefeitura de São Paulo, iniciaram uma busca pelos feridos e conseguiram encontrar os quatro em suas respectivas casas.

O coordenador de Políticas para Migrantes, da Secretaria do Município, Paulo Illes, confirmou agora à noite que os quatro feridos estavam com as balas em seus corpos, fato relatado pela equipe do SAMU que foi buscá-los.

Eles foram levados ao Hospital Tatuapé, onde os membros da USIH estão indo para pegar todas as informações necessárias para abertura de inquérito policial. Até o presente momento foram registrados apenas dois Boletins de Ocorrência no 8º Distrito.

Atentado contra imigrantes

A USIH (União Social dos Imigrantes Haitianos), entidade responsável por organizar as lutas dos haitianos no Brasil, recebeu uma denúncia de que vários imigrantes haitianos foram vítimas de um crime, na noite de sábado (1).

Segundo informações dos próprios imigrantes à entidade, um veículo parou em frente ao local onde eles estavam concentrados, na região do Glicério, centro de São Paulo, e um homem gritou de dentro do carro que eles estariam “roubando os empregos dos brasileiros”. Então, com uma arma em punho, começou a disparar em direção ao grupo.

Foi informado que quatro deles ficaram gravemente feridos, e há uma suspeita de que um quinto veio a falecer.

O mais chocante é que eles não conseguiram atendimento médico nos hospitais e tiveram que voltar para casa com seus ferimentos em aberto.

A USIH e a CSP-Conlutas vão buscar se reunir com as autoridades na próxima semana para tomar todas as medidas necessárias sobre esse caso e outros que estão ocorrendo. O senador Paulo Paim (PT), que realizou uma audiência pública sobre a situação dos haitianos, nesta semana (veja aqui), também foi acionado para ajudar no caso.

– Saiba mais: Conlutas

Casos atuais de atentados contra imigrantes haitianos:

Haitiano é baleado em Rio Grande

Haitiano é esfaqueado por adolescentes em Curitiba

Mãe migrante haitiana quer reaver filha sequestrada para adoção em Carlos Barbosa(RS). Justiça decide nesta quinta-feira 11 de maio


Voluntários:Advogados Silvana Lazarotto e Marcelo Corrêa, de Caxias do Sul, tentam devolver criança à mãe haitiana Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Voluntários:Advogados Silvana Lazarotto e Marcelo Corrêa, de Caxias do Sul, tentam devolver criança à mãe haitiana
Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Quinta feira dia 11/06 as 17 horas no fórum de Carlos Barbosa/RS acontecerá a audiência de instrução e julgamento da mãe haitiana que perdeu a guarda da filha para um casal brasileiro.

Entenda o caso:

“Uma migrante haitiana pagou  um casal para cuidar de sua filha enquanto trabalhava, quando foi buscar a filha foi proibida de ver a filha e em seguida perdeu a guarda da criança para o casal, que a acusou na justiça por suposto ‘abandono’.

Em contato com Silvana Dall’Agnol Lazarotto, do Grupo de Apoio à mãe haitiana da filha sequestrada para adoção, ouvimos a seguinte resposta:

“Não viu a filha, aliás, a viu sim na rua, correu para abraçar a filha, foi quando a mulher brasileira que detém a guarda chamou a polícia.”

Elas estão sendo acompanhadas legalmente?

“Quem a acompanha são os advogados, que são voluntários na causa e as Irmãs Felícita (pastoral do Imigrante em Caxias do Sul) e Irmã Santina de Manaus que viu a menina nascer . Vamos torcer para que dia 11 ela saia do Fórum com autorização de levar sua filha.”

Entenda mais sobre o caso na matéria publicada no Pioneiro em 14/12;2014

Duas famílias de origens e posições sociais distintas vivem dias de conflito em torno de uma menina de dois anos e nove meses. A criança é filha de uma haitiana, mas por determinação judicial está sob a guarda de um casal de brasileiros em Carlos Barbosa que formalizou pedido de adoção.

Advogados de Caxias do Sul tentam reverter a decisão e devolver a criança à mãe biológica. A disputa é resultado de uma relação que começou amigável e ruiu aos poucos. Caberá à Justiça decidir quem ficará com a garota.

O casal migrou para o Brasil numa das levas de haitianos acossados pelo terremoto que devastou o país caribenho em 2010. A criança nasceu em Manaus no início de 2012. Logo após o parto, a família se mudou para o Rio Grande do Sul e se fixou em Carlos Barbosa a trabalho. Na cidade serrana, a haitiana arrumou emprego. Sem ter com quem deixar a criança, pediu ajuda a uma dona de casa na vizinhança.

Os cuidados iam das 6h às 21h, e a mãe se comprometeu a pagar pelas despesas com alimentação e fraldas, por exemplo. Esse repasse de dinheiro não chegou a ser feito com regularidade, segundo o advogado do casal, Luís Roberto Tavares.

No final do expediente de trabalho, a haitiana buscava a filha. Nesse meio tempo, o filho da cuidadora e a esposa dele conheceram a menina. O vínculo de proteção e amizade evoluiu para o afeto.

A relação entre as duas famílias declinou cerca de seis meses depois. Segundo o casal de brasileiros, a haitiana se mostrou relapsa e, às vezes, não aparecia para levar a criança para casa. Também teria deixado de pagar pelos cuidados. Em algumas ocasiões ficava dias sem contatar e afirmava não ter condições financeiras para criá-la. Ela teria oferecido a guarda ao casal.

— Teve uma época, quando ela (criança) já estava com seis meses, que a mãe saiu da cidade para trabalhar em Garibaldi. Ficamos cuidando do bebê. A mãe ficou um ano sem aparecer, só telefonava. Isso foi abandono — diz o homem, que levou a menina para a moradia quando ela ainda tinha seis meses.

Essa versão é contestada pelos advogados Silvana Lazarotto e Marcelo Corrêa. Os defensores da mãe biológica assumiram o caso recentemente e afirmam que a manobra desfavorece a haitiana.

— A mãe via a criança todos os dias sim, e se a menina dormiu na casa por períodos é porque foi a pedido deles. A mãe haitiana não fala português corretamente e tem dificuldade de compreensão da língua. Ela é pobre, e talvez por isso imaginam que podem tirar o filho dela — teoriza Marcelo Corrêa.

Além da menina, a migrante tem outra filha de um ano. Atualmente, a mulher está desempregada e mora em alojamento cedido por uma empresa de Garibaldi. Embora não conste o nome do pai na certidão de nascimento da criança, os advogados da haitiana garantem que ele mora nos Estados Unidos e eventualmente manda dinheiro para a família migrante.

A identidade da menina e das famílias está preservado em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Advogados dizem que direito da guarda é da mãe biológica

Representada por um defensor público no início do processo, a haitiana buscou apoio dos advogados Silvana Lazarotto e Marcelo Corrêa por meio da Associação dos Imigrantes Haitianos de Caxias do Sul.

Segundo os profissionais, no dia 11 de agosto, o casal de brasileiros denunciou na polícia uma suposta invasão de moradia, agressão e ameaça por parte da migrante. Dois dias depois, a Justiça concedeu a guarda provisória com base na ocorrência e no histórico de ameaças e abandono relatado pela família de Carlos Barbosa. O casal já havia ingressado com o pedido de guarda em julho.

— A mãe realmente esteve na casa porque queria ver a filha. Ela estava sendo impedida de se aproximar da criança. Se você vê seu filho sendo arrancado de você sem motivo qual seria sua reação? Ela pode ter ficado alterada, mas não agrediu — questiona Silvana.

Marcelo Corrêa também garante que a prova apresentada (ocorrência policial) é unilateral. Por esse motivo, os advogados contestaram a guarda provisória e pediram a liberação de visitas. A aproximação entre mãe e filha foi negada em primeira instância, e agora depende do julgamento de um recurso.

— Não tem como a criança ser encaminhada para a adoção pois o direito da guarda é da mãe biológica, que não abandonou a filha e tem interesse nela — ressalta Marcelo.

Casal pretende ir até a última instância

O casal de brasileiros diz ter 140 testemunhas a favor deles.

— São pessoas que conhecem nossa conduta e também os fatores que nos levaram a lutar pela guarda — garante o homem.

A menina foi batizada em uma igreja católica em dezembro do ano passado. Segundo eles, a cerimônia foi uma das formas de reconhecer a importância da criança para a família. Ele afirma ter sido ameaçado quando optou ficar com a menina. Os supostos ataques forçaram uma mudança temporária de endereço.

— A mãe veio até minha casa com outras pessoas, ficavam nos ameaçando. Isso só aconteceu porque paramos de repassar ajuda a eles — afirma o homem.

Ele também diz que o afastamento da mãe por ordem da Justiça é uma medida necessária para preservar a integridade tanto deles quanto da criança.

— Nós nos apegamos muito, me chama de pai, chama minha esposa de mãe, minha mãe de avó. Não desgruda de nós um minuto. Vamos até a última instância — relata o casal.

Advogado do casal, Luís Roberto Tavares, enfatiza que a criança não reconhece a migrante como mãe.

— Ela ficou mais de dois anos sem se interessar pela filha, e reapareceu de repente para buscá-la e manda-la para o suposto pai que mora nos Estados Unidos. Disse que receberia dinheiro e chegou a mencionar uma vantagem para meus clientes — diz Tavares.

Fonte: O Pioneiro

UFRGS: Matricule a Domingas!!! Xenofobia e Racismo. Pacote anticonstitucional completo


 Lei Caó: Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

 por Thales Bouchaton ***

DomingasNão é surpresa que injustiças acontecem seguidamente por esse país, principalmente quando se tratam de pessoas oriundas de setores da sociedade que são historicamente marginalizados, como negros e pobres. Porém, um fato ocorrido na URFGS está no meu TOP FIVE das barbaridades jurídicas que já vi o poder público cometer contra um cidadão/cidadã.

A estudante Domingas Mendes, da Guiné-Bissau, e que reside legalmente no Brasil, teve sua matrícula indeferida para o curso de Serviço Social da UFRGS, pois em uma bizarra interpretação da Lei de Cotas, entendeu a instituição por não aceitar o ingresso da estudante porque ela não fez o ensino médio em uma escola do Brasil. Porém, fui dar uma olhada na referida lei e ela não fala em nada disso e sim em “escolas geridas pelo Poder Público”, não especificando se essa escola é brasileira ou não.

Será que para a UFRGS só existe “poder público” no Brasil? Não existe Estado na Guiné-Bissau? A própria UFRGS aceitou a isenção da inscrição da Domingas no vestibular por ela ter estudado em escola pública.

No meu entendimento, a dona UFRGS violou de morte o art. 5 da Constituição Federal, que veda a distinção de qualquer natureza entre brasileiros e estrangeiros. Também não foi minimamente atendido o princípio da proporcionalidade, sendo que essa decisão não pode nem ser chamada de positivista, pois nem a lei fornece qualquer fundamento para a decisão controversa que a UFRGS tomou. E pior, utilizou de argumentos jurídicos totalmente controversas para gerar uma injustiça. Para não dizer outra coisa..

Abaixo, segue a manifestação da Domingas sobre o episódio:

“Obrigada a todas e todos que se juntaram de alguma forma à luta para que eu consiga ingressar na UFRGS. Agradeço cada manifestação de indignação e apoio! Enfrentar uma situação de discriminação racial é muito difícil e doloroso, e quando se está fora do seu país é ainda mais sofrido. De todo modo, quero registrar algumas coisas: Para não deixar ninguém com margem de dúvida, antes da inscrição para o vestibular, li todo o Edital e estudei a lei de cotas. Como não há nada escrito em ambos os lugares que me impedisse de ingressar por essa lei – que é importante que se diga ser uma conquista das negras e negros desse país que também escolhi como meu – realizei minha inscrição marcando a opção de cotas para negras e negros. Tanto no Edital quanto na lei não é dito uma vírgula sobre a necessidade de que a escola pública cursada seja brasileira. Fala que escola pública é aquela gerida pelo Poder Público. O Estado do Rio Grande do Sul, através da Secretaria Estadual de Educação, deu parecer favorável como sendo equivalente ao ensino médio brasileiro o que cursei na África, em meu país de origem Guiné-Bissau, um dos mais pobres do continente, e entreguei esse documento para a Universidade. A UFRGS quer dar a entender que onde estudei não se enquadra como “escola pública” e usam o argumento que para ser pública precisa ser de responsabilidade do Poder Público, portanto brasileiro. Ora, quer dizer que para a UFRGS Poder Público só existe no Brasil?! Ou que meu país não tem Poder Público?! Que não temos Estado?! Tudo bem que em relação ao Brasil o capitalismo guineense está mais na periferia ainda, porém não ao ponto de sermos ainda um conjunto de tribos ou mesmo colônia! Além disso, na inscrição do Vestibular, consegui isenção e toda minha documentação entregue e homologada deixa claro isso. Então, como a UFRGS aceita minha inscrição na opção de cotas com isenção sabendo que caso eu passasse não seria aceita?! Acharam que por eu ser africana não teria condições de passar?! Quero registrar que não sou contra que haja critérios para seleção, pois se trata de uma lei para restaurar distorções históricas que minha gente sofre até hoje, afinal não temos culpa por nos escravizarem! Sou Afro (originária), vivendo no Brasil, passando pelas mesmas dificuldades que meu povo negro trabalhador passa, e as vezes até pior, como ta acontecendo agora com a UFRGS ou em experiências de emprego que já tive. Eu, como muitos outros africanos, passamos por isso frequentemente e temos que lidar quase que diariamente com extremas burocracias como as da UFRGS para ter acesso ao mínimo de cidadania. Vale ressaltar que a vice-reitora de graduação, em entrevista à rádio gaúcha (12/2), disse que a decisão é criteriosa, que não podem abrir precedentes (de que tipo?!) e que não se tratava de uma decisão segregacionista e discriminatória. Como “prova” ela disse que a UFRGS recebe muitos intercambistas africanos e que os guineenses são a maioria inclusive. O que essa senhora esqueceu de dizer é que há mais ou menos apenas 15 guineenses na Universidade! Isso mesmo, QUINZE! E esta senhora acha muito! São 15 em um universo de quase 40 mil estudantes! O Edital e a lei de cotas exige que tem que ser preto e pobre. Sou preta, pobre, trabalhadora e comprovei isso! Outro elemento que quero chamar a atenção é a declaração do MEC sobre meu caso, também em entrevista para a rádio gaúcha. Conforme o Ministério da Educação as Universidades tem autonomia na definição do ingresso de seus estudantes em casos como o meu. Portanto, isso mostra que a alegação da UFRGS se trata de discriminação e segregação, pois não está previsto na lei nacional que escola pública precisa ser brasileira! Isso é uma política excludente da UFRGS para uma lei que se pretende o contrário: incluir e garantir cidadania! Eu tive que me esforçar muito para prestar este vestibular. Passei fome, precisei da ajuda de amigos e camaradas, tive que estudar matérias que nunca vi na vida e outras que não via tinha mais de oito anos, aprendi sobre a história do Brasil e do Rio Grande do Sul e até mesmo enfrentar gente oportunista e cínica que tentou provocar minha deportação. Apesar disso tudo, de nadar o tempo todo contra a maré, consegui passar no vestibular, mas agora a UFRGS não me aceita, me causando enorme desgaste psíquico e emocional! Para eu ser trabalhadora para vender minha força de trabalho a preço barato é permitido. Todavia, eu qualificar minha força de trabalho e, assim, poder ter uma vida um pouquinho melhor não pode! Por todo o constrangimento e desgaste que estou sendo obrigada a passar por conta de uma decisão xenofóbica da UFRGS quero repetir meu profundo agradecimento pela camaradagem e solidariedade de todos que de alguma forma estão tentando me ajudar. Como dizem meus irmãos de classe trabalhadora: FIRME!”

Em repúdio a essa decisão, alunos do serviço social da UFRGS estarão realizando o ato “Matriculem Domingas Mendes”, na próxima segunda-feira, 23, às 14h, no DECORDI/UFRGS, Campus Central.

 

***Thales Bouchaton

Advogado, graduado pela PUC-RS. Flamenguista doente, carioca de Porto Alegre, Balneário Pinhalense de coração.

 

Mais cores da vida, menos marrom do nazismo. Catedral de Colônia apaga suas luzes em sinal de protesto


Dezenas de milhares de pessoas em toda a Alemanha também demonstraram nesta segunda-feira contra a xenofobia e contra o movimento neonazista  Pegida. Grandes Monumentos alemães apagaram suas luzes. Conforme anunciado, a famosoa Catedral de Colônia apagou suas luzes no mesmo horário em que manifestantes do movimento de direita caminhavam nas ruas de Dresden.

Dezenas de milhares de pessoas em toda a Alemanha também demonstraram nesta segunda-feira contra a xenofobia e contra o movimento neonazista Pegida. Grandes monumentos alemães apagaram suas luzes. Conforme anunciado, a famosa Catedral de Colônia apagou suas luzes no mesmo horário em que manifestantes do movimento de direita caminhavam nas ruas de Dresden.

pela tradução Marcos Romão

fonte: gmx news

Dois ex-chanceleres alemães,Helmut Schmidt e Gerhard Schröder (ambos SPD) se pronunciaram contra o movimento anti-islâmico Pegida.

Schmidt disse ao jornal “Bild”, “os protestos apelam aos “preconceitos mais nojentos do ódio a estrangeiros (xenofobia) e da intolerância”. No entanto, esta não é a Alemanha. A República Federal não deve rejeitar os refugiados e requerentes de asilo. “A Alemanha deve pemanecer com a mente aberta e tolerante.”

Os “Patrióticos Europeus contra a Islamização do Ocidente(PEGIDA)” é uma associação alemã que teme e repudia a islamização da Alemanha e da Europa. Seus principais membros organizam desde 20 de outubro de 2014 manifestações semanais em Dresden, contra o que consideram, equivocada em sua opinião, a política europeia e alemã de  imigração e asilo. Manifestações similares com características e carregadas de sentimentos neonazistas, estão ocorrendo em várias outras cidades alemãs.

Perguntado em uma entrevista do jornal, Schhröder convocou novamente uma nova “revolta dos decentes” contra a xenofobia.

Este foi o mesmo grito que Schröder tinha lançado em 2000, após um incêndio criminoso em uma sinagoga em Düsseldorf. Uma nova revolta “é o que precisamos hoje.”

Ele elogiou a as atitudes e ações dos partidos e das igrejas, ” por terem tomado posição clara contra o movimento Pegida”

O ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble (CDU) juntou-se ao apelo conjunto contra a xenofobia e intolerância. “Slogans e palavras de ordens não substituem fatos: a Alemanha precisa de imigrantes”, disse ele ao jornal “Bild”.

Ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier (SPD) explicou que Pegida é uma vergonha não só no país, pois desperta uma “má imagem para a Alemanha no exterior”.

É ainda mais importante para esclarecer que “aqueles que gritam nas ruas suas palavras de ordem e seus slogans, são uma pequena minoria gue gritam em voz alta”. Da mesma forma, o ministro da Economia Sigmar Gabriel (SPD) expressou:  “Quem joga com medos vagos e difusos carregados de xenofobia, não fala pela maioria.”

Hino da Faculdade de Medicina da USP chama mulheres negras de “imundas” e ‘fedorentas’


Bateria de faculdade de medicina da USP Ribeirão Preto é acusada de racismo. Hino cantado por alunos chama negras de ‘fedorentas’ e ‘imundas’medicina-usp-racismo-batesao-e1415796559514

Nota da Mamapress: Pronunciamentos de professores contra as cotas para negros e afirmações que não gostariam de serem atendidos por médicos negros, ataques neonazistas aos negros e negras nas redes sociais vindos de estudantes universitários, e pixações contra os negros em diversas universidades do Brasil, têm sido a tônica das agressões racistas que ameaçam aos negros e negras do Brasil no ano de 2014.

A tendência é aumentar se não houver um grito de basta na sociedade. Ou a direção das universidades dão um basta nesta ignomía,  ou do contrário teremos que organizar grupos de autodefesa para protegerem nossos parentes, vizinhos e amigos, alunos e alunas que estão sendo discriminados e violentados em sua dignidade humana dentro das universidades.
A violência discriminatória começa já na entrada de alunos negros nas faculdades, e é praticada através de humilhantes e abnormais agressões, nos tristemente famosos ” batizados de calouros”.

A violência e discriminações, que viraram tradição nas universidades, se estendem às mulheres, aos grupos LGBT, aos indígenas e aos estrangeiros. É preciso dar um basta.

Vamos monitorar todo o país e pedimos ajuda a toda a sociedade brasileira, para que no próximo ingresso na universidade, os calouros e calouras sejam protegidos das humilhações e agressões que  têm se repetido a cada semestre. Basta de racismo, xenofobia, sexismo, homofobia.

Exigimos que as associações profissionais tomem uma posição e declarem que formandos com fichas de racistas, xenófobos, sexistas e homofóficos não receberão a habilitação para o exercício da profissão, por serem ameaças à sociedade. São bombas neonazistas e racistas que podem explodir enquanto estamos anestesiados.

Como poderá uma mulher negra, um homossexual, um estrangeiro, ou uma mulher de qualquer cor, entrar em um consultório médico ou em um hospital,  para serem atendidas por pessoas formadas no ódio e racismo contra as minorias?

É um risco de vida deixar-se operar por um futuro médico racista, xenófobo, sexista e homofóbico.

Temos que cortar este mal pela raíz!
Marcos Romão-Redator Chefe da Mamapress, e coordenador a Rede Radio Mamaterra e do Sos Racismo Brasil.

Denúncias de racismo, xenofobia, sexismo, homofobia e outras formas de violência em uma das mais importantes faculdades de medicina do país foram apresentadas nesta terça-feira (11), na Comissão de Direitos Humanos da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), que realizou uma audiência pública para tratar de casos de violações supostamente praticados na FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

A “morena gostosa”, a “loirinha bunduda” e a “preta imunda”. É assim que um hino da bateria da faculdade de medicina da USP Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), chamada Batesão, se refere às mulheres.

A música, que fala de de loira e morena, fica mais agressiva ao se referir à mulher negra, que é tratada como “preta imunda” e “fedorenta”. A música cantada em jogos universitários e durante festas da faculdade e foi divulgada neste ano em um manual para calouros do curso, junto com camisetas da atlética da medicina.

A letra na íntegra não é passível de publicação por causa de seu alto teor sexual.

Ninguém da Atlética Acadêmica Rocha Lima, da medicina, quis se pronunciar sobre o material e as acusações. A Bateria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (Batesão) publicou uma nota de retratação em sua página no Facebook.

USP repudia discriminação

A USP São Paulo afirmou em nota que é contra qualquer forma de violência e discriminação. De acordo com a universidade, “a cultura da instituição é baseada na tolerância e respeito mútuos, valores que são passados aos seus alunos”.

A instituição ainda diz que foi formada recentemente uma Comissão com docentes, alunos e funcionários com o objetivo de propor ações para resolver problemas relacionados às questões de violência e preconceito, além do consumo de álcool e drogas.

O vice-diretor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Hélio Cesar Salgado, afirmou, em nota, que está surpreso com a existência dessa letra de música. De acordo com Salgado, essa atitude é repudiada e que o fato será devidamente examinado pela direção da faculdade.

com Folha e R7