Cotas são uma conquista do povo brasileiro


Por Marcos Romão

romao-neutroÉ preciso que fique claro, que as cotas atuais são antes de mais nada uma conquista das mães e pais negros e indígenas da maioria de todos que estão ainda discutindo seu valor.
Luta iniciada no anos 70, é sequência da lei dos 2/3 de Getúlio Vargas, que garantiu a 2/3 dos brasileiros ocuparem empregos, pois até então a maioria negra só fazia biscates, pois empregos só eram dados a migrantes europeus.
Nesta época, década de 30, a maioria dos negros que tinham um emprego com salário mensal, eram as mulheres negras que trabalhavam como empregadas domésticas. Os homens negros se arrastavam de biscate em biscate.
Essas mulheres negras empregadas domésticas, foram quem sustentaram a Frente Negra, partido negro, com cerca de 200 mil filiados, extinto pela ditadura de Vargas.
Uma das grandes ações da Frente Negra, foi alfabetizar as mulheres negras que a sustentavam, para que elas pudessem votar nas eleições brasileiras.
A luta pelas cotas é assim uma conquista do Movimento Negro e Indígena de mais de um século.
Só o branco que quer manter seus privilégios, e o negro que é ignorante de sua história pode ser contra esta medida paliativa, mas eficiente, que são as políticas de cotas para negros e indígenas no Brasil.
A maioria de negras e negros de minha geração que frequentaram universidade ou conseguiram um emprego compatível com nossos méritos, frequentavam universidades ou ambientes de trabalho em que estavam sozinhos.
Hoje cada negro pode ver pelo menos meia dúzia de negros e negras a sua volta, quando vão para a universidade ou vão trabalhar.
É bom lembrar que muitos de nossa geração, que hoje tem mais de 60 anos, apesar de passarem nos concursos públicos por seus elevados méritos, não “passavam” na famigerada “prova secreta da foto 3/4” que os eliminavam e ainda eliminam, ao nunca serem chamados, apesar das excelentes classificações que alcançaram e alcançam.
Quem conseguia entrar, nunca era promovido ou era dispensado na fase probatória.
Negras e Negros precisam saber que somos uma geração que lutou pelas cotas e que têm experiência de como o racismo funciona nas universidades e locais de trabalho, impedindo ascensão na carreira, fazendo desistir no caminho, ou lavando de tal forma as cabeças de negras e negros, que muita gente acaba resignada, sentada numa cadeira, carimbando vento, quando poderiam estar trabalhando para a libertação de si e de nosso povo.
A vitória no STF aprovando as cotas, foi mais que uma vitória simbólica. Foi muito mais o reconhecimento pelo Estado Brasileiro, que por mais “méritos” que uma negra ou um negro tenha, só terão acesso aos bens materiais e intelectuais da sociedade através do fórceps de ferro que é a política de cotas.
Cotas está sendo um parto prá lá de difícil, até no Itamaraty, na Polícia Federal, nos tribunais e em vários concursos estão tentando burlar esta conquista dos negros e indígenas.
Mas a criança cotista e cotada está aí e gritando com conhecimentos populares e acadêmicos de nossa história brasileira. Não tem mais volta!

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Um pensamento sobre “Cotas são uma conquista do povo brasileiro

  1. Precisamos radicalizar as cotas se quisermos concretamente diminuir a distância entre negros e brancos. Portanto, as cotas devem ser raciais . No caso do ensino superior, dá forma como está na lei 12.711, o racial entra como subtcotas. Além disso temos q aprofundar está discussão para as políticas de ação afirmativa onde cotas é apenas uma das medidas e parece ser a única. Cadê as outras ações?

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