Marcos Romão usa rádio pela internet para defender os direitos humanos


De volta a Niterói, militante usa sua rádio para denunciar o tráfico de mulheres e o racismo

Romão usa sua rádio para denunciar o tráfico de mulheres e o racismo Foto: Estefan Radovicz / Agência O Dia

 

Romão usa sua rádio para denunciar o tráfico de mulheres e o racismo

Foto:  Estefan Radovicz / Agência O Dia

Niterói – Marcos Romão é sociólogo formado no Brasil, virou jornalista na Alemanha, mas a atividade que o define melhor é a de militante pelos direitos humanos. Após mais de 20 anos na Europa – autoexílio que se impôs “para não ser alvo de balas nem tão perdidas” -, ele montou uma rádio na internet para denunciar o tráfico de mulheres, manifestações de ódio racial, violência doméstica e contra crianças – tema que acompanha de perto desde 1993, quando, ainda no Brasil, participou de ações de proteção aos sobreviventes do Massacre da Candelária.

mudei-de-paisOutra bandeira do niteroiense Romão, e de outros militantes, como sua mulher, a alemã Ortrun Gutke, é a organização da luta pela cidadania dos brasileiros em outros países. Em congresso do Conselho Mundial de Brasileiros no Exterior, realizado no Rio, no governo Lula, ele foi o representante dos 80 mil brasileiros brancos e negros que vivem legalmente na Alemanha. “E dos ilegais também”.

Um dos assuntos levantados foi o da previdência social, com a reivindicação dos trabalhadores brasileiros em cidades como Colônia e Hamburgo para que o tempo de trabalho no Brasil fosse reconhecido em acordo firmado pelo presidente Lula e a primeira-ministra Angela Merkel. Mais uma vitória da rede montada por esse militante 24 horas.

O “estúdio” da Rádio Mamaterra é uma salinha do apartamento de Romão e Ortrum no bairro de Santa Rosa, com apenas dois computadores, microfones e acessórios. “Não é preciso mais do que isso. É uma volta ao passado. Foi em Niterói que começamos uma luta contra o racismo ostensivo ou disfarçado. Nem se pensava em cotas na época. Depois, quando fui morar na Alemanha, fiquei na outra ponta, recebendo e repercutindo denúncias”, lembra Marcos Romão.

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Propaganda de escravidão no Brasil: Ministério Público Federal admoesta Mercado Livre para tomar medidas que coíbam práticas discriminatórias.


por marcos romão

Segundo a TV Justiça o Ministério Público de Brasilia recomendou à página Mercado Livre, que retire imediatamente todo e qualquer anúncio de caráter preconceituoso e discriminatório e informe aos usuários que este tipo de prática é crime e que aprimore o aplicativo DENÚNCIA, o aplicativo de proteção do site. De forma que ao acolher uma denúncia, seja registrado no site e informado ao usuário as providências adotadas.

negro a venda

Nós da Mamapress estamos batendo nesta tecla já faz tempo, ao dizermos que é enxugar com o gelo perseguir práticas racistas se as instituições públicas e privadas, não as coíbem nem tem mecanismos de controle e educacionais para impedir que aconteçam.

Um jovem, já descoberto e apreendido pela polícia colocou um anúncio na página oficial do Mercado Livre, ofertando negros para a venda.

Usuários d página alertaram a Mamapress que espalhou na rede este crime. No país vários grupos tiveram a iniciativa de acionar a justiça para que tomasse providências.

A ouvidoria da Seppir-Presidência, entrou em contato com os responsáveis da página Mercado Livre, que forneceu os dados necessários para que fosse localizado e iniciado um processo de punição do criminoso, além de publicar um nota de repúdio ao ato racista. Em resposta, a página Mercado Livre, publicou uma nota dizendo que cumpriu o pedido judicial e só:

A nota da Seppir-Pr-

“É inconcebível e inaceitável a tentativa de desumanização da população negra, enquadrando seus indivíduos como mercadoria e remetendo os mesmos de volta à escravidão”, diz Carlos Alberto de Souza e Silva Junior, ouvidor da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Segundo a secretaria, não haverá punições ao Mercado Livre. Em nota, o site de vendas afirmou que repudia o anúncio.

A nota do Mercado Livre

“O Mercado Livre informa que entregou, após notificação oficial, os dados cadastrais e de acesso do usuário anunciante às autoridades competentes para que o autor seja investigado. O anúncio foi retirado do ar na segunda-feira, dia 6, assim que denunciado pelos próprios usuários do site”, diz o site.”

A Mamapress não se conformou com o fato da página Mercado Livre tirar o corpo fora de suas responsabilidades e apesar de parabenizar a rápida ação da Seppir-Pr, lembrou que a página Mercado Livre também tinha suas responsabilidades nas manifestações racistas que ocorrem em suas página:

A Mamapress parabeniza a ação rápida da Ouvidoria da SEPPIR e alerta para que na pressa, não se isente a página Mercado Livre de toda a culpa. Que a página faça um pedido de desculpas públicas em seu sítio principal  e crie mecanismos para que  usuário possa denunciar de pronto anúncios discriminatórios de quaisquer matizes. Seria uma punição mínima, por ter relaxado de forma continuada nas suas obrigações com o consumidor, pois o anúncio só foi retirado do ar na data em que o próprio anunciante racista marcara. Nós considerávamos enganosa a nota da página Mercado Livre ao afirmar que possuía um aplicativo de denúncia.

“O anúncio foi retirado do ar assim que denunciado pelos próprios usuários do site, conforme nossas regras e, também, pela inadequação completa aos Termos e Condições de Uso do Mercado Livre. Todos os anúncios publicados no site possuem um botão de Denúncia para que qualquer pessoa possa apontar práticas irregulares ou que causem algum dano aparente”.

A Mamapress lembra que em nenhum de seus botões de reclamação é oferecida a possibilidade de se reclamar do conteúdo ofensivo e discriminatório das ofertas. Limitando-se a oferecer possibilidades de reclamações sobre problemas comerciais, e nada que fale de produtos ou textos discriminatórios e ou racistas.

Nós da Mamapress, um portal antirracista que acredita na defesa da cidadania, nos sentimos contemplados pelas recomendações legais do MPF à página Mercado Livre. Já na em nossa edição de 7 de janeiro, um dia depois do anúncio de venda de negros sair do ar ,alertávamos sobres sobre as responsabilidades da página Mercado Livre, que se cúmplice não o foi, pelo menos facilitou o crime de racismo por parte do jovem.

Nós acreditamos nas transformações de nossa sociedade e das instituições. Consideramos o racismo um mal impregnado em nossa sociedade e que cada cidadão   e cada instituição contribui para que o racismo se perpetue. Esta máquina de perpetuação do racismo precisa ser abolida e banida através da consciência de cada um e ações exemplares de instituições judiciárias, e todas as instituições governamentais e privadas.

Ao admoestar a Página Mercado Livre, o MPF deu um exemplo de nova visão de como se combate o racismo, os preconceitos e as discriminações. Não são só os porteiros dos prédios ou  os atendentes de lojas e bancos que devem ser punidos quando acontece um caso de discriminação, mas os responsáveis por estes espaços. Não é só um soldado que mata um jovem negro como se matasse um cachorro com raiva que deve ser punido, mas todo o comando que o formou e adestrou para ser racista.

Histórico dos alerta da Mamapress recomendando ações institucionais educativas para coibir mais este caso de racismo:

6 de janeiro 2014: https://mamapress.wordpress.com/2014/01/06/mercado-livre-vai-para-o-index-do-boicote-popular-faz-propaganda-racista-continuada-e-anuncia-venda-de-meninas-e-meninos-negros-por-1-real/

7 janeiro 2014: https://mamapress.wordpress.com/2014/01/07/negros-seres-humanos-um-pouco-da-historia-mundial-recente-dos-mercados-livres-para-escravizar/

16 de janeiro 2014: https://mamapress.wordpress.com/2014/01/11/identificado-autor-oferta-de-negros-com-diversas-utilidades-para-a-venda-na-pagina-mercado-livre/

Década encoberta


por Fernanda Castro

Dez anos depois da adoção do ensino de história e cultura africanas no ensino fundamental e médio, muitas escolas ainda resistem à adoção da lei, seja por preconceito racial e religioso, seja pela falta de formação docente
extraído da Revista Educação  e do blog Negrojorgen
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Há dez anos, os movimentos sociais ligados à questão racial ganhavam uma luta de séculos: levar para a escola a contribuição africana na formação da identidade brasileira. A adoção da Lei 10.639/03, que instituiu a obrigatoriedade do ensino sobre história e cultura afro-brasileira nos currículos do ensino fundamental e médio representou uma conquista. Mas, uma década depois, o balanço continua preocupante.
“Há avanços, mas se esperava um maior número de escolas e professores aplicando a lei”, diz Petronilha Silva, relatora das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, publicada um ano depois da promulgação da lei. Não há dados precisos sobre quantos dos mais de cinco mil municípios brasileiros colocaram a lei em prática. Mas movimentos sociais ligados ao tema estimam que, na melhor das hipóteses, esse número chegue a 10%.
De acordo com Petronilha, estudos mostram que, embora tenha aumentado o número de professores envolvidos, são poucas as escolas que incluem a história e a cultura africanas e afro-brasileiras em seus currículos. Além disso, também há a tendência de abordar os temas ainda de forma pontual, em datas comemorativas da abolição da escravatura, em maio, e no dia da consciência negra, em novembro.
 Do lado das conquistas, há consenso de que a lei abriu caminhos para que a temática africana ganhasse visibilidade dentro do ambiente escolar, ampliasse a quantidade e a qualidade desses temas nos materiais didáticos, e aumentasse a oferta de linhas de pesquisas, especializações e cursos voltados para a história africana. Por outro lado, a visibilidade também descortinou resistências. De acordo com o Ministério Público Federal, durante o período foram identificados 93 autos extrajudiciais que versam sobre a não aplicação da lei em vários estados do país.
mat5Tensão na religião
É na intolerância religiosa que a lei encontra seu maior obstáculo. Há relatos de que em escolas particulares, em especial as de origem confessional, há recusa em adotar a lei, por relacionar os temas africanos à “macumba”.
Em 2010, a Relatoria do Direito Humano à Educação, ligada à Unesco, investigou a intolerância às religiões de matriz africana no ambiente escolar. Foram registrados casos de bullying, manifestações preconceituosas e impedimento de usar símbolos. “Com a lei, o limite entre uma prática religiosa e cultural fica completamente confuso. Já presenciei escolas que diziam ser preciso acabar com a aula de capoeira”, diz Rosana Heringer, atual relatora da Unesco.
A intolerância religiosa, por sua vez, comumente mascara outra questão: o racismo. “As religiões negras, e tudo o que fosse considerado modos de cultura e de vida negra, foram perseguidas no contexto de escravização. Durante muito tempo essas práticas tiveram de ocorrer escondidas e longe dos centros urbanos, dos centros de valorização”, contextualiza Suelaine Carneiro, educadora, integrante da organização Geledés – Instituto da Mulher Negra e assessora da relatoria à época do estudo.
Rosana diz que no caso do racismo, de fato, as vítimas potenciais da intolerância religiosa são estudantes que praticam religião de matriz africana. “Essas são as religiões mais perseguidas no Brasil. É muito difícil trabalhar este tema, principalmente num contexto de uma escola ou professor que tenha uma religião dominante, seja a católica ou a evangélica.”
Responsável pelo suporte e treinamento em escolas à época da adoção da lei, a educadora Andreia Lisboa de Sousa, hoje doutoranda em educação na Universidade do Texas (EUA), lembra que o ensino religioso não está previsto na lei. “É importante destacar que a lei não propaga as religiões de matrizes africanas, mas propõe compreender, de forma ampla, os aspectos históricos e contemporâneos da história e cultura africana e afro-brasileira.”
mat4O que ensinar
De qualquer forma, o que ensinar continua sendo um assunto delicado. “A escola e os currículos escolares que tenham um conceito de sociedade branca têm matado a identidade de muitas crianças, fazendo com que elas adotem uma identidade que talvez seja oposta à delas”, pontua a professora Petronilha Silva. Ela defende, porém, que isso não significa reduzir a história a apenas um grupo étnico. “Esta política não deve superar uma política educacional eurocentrada para priorizar uma política afrocentrada. O que ela quer é que todas as etnias sejam igualmente respeitadas.”
A lei prevê que o conteúdo programático deve incluir o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional. É clara, ainda, no que diz respeito a quando ensinar: os conteúdos devem ser ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística, literatura e história brasileira. Rosana exemplifica. “A lei prevê questões ligadas ao debate do Brasil como uma sociedade multicultural, além de perspectivas variadas sobre questões da história do Brasil e da cultura brasileira, não baseando o país como uma matriz cultural primordialmente europeia.”
A educação para as relações etnorraciais é outra vertente a ser enfrentada. “Precisamos ver como nós, negros, brancos, indígenas e imigrantes em geral, nos relacionamos e produzimos desigualdade na sociedade para pensar ações para mudar isso”, diz Jaqueline Lima Santos, assessora do programa Diversidade, Raça e Participação da ONG Ação Educativa.
Para Petronilha, a escola ainda padece das influências históricas de seu surgimento, no âmbito da lógica colonizadora do século 16. “Trazida por jesuítas, a escola tinha o objetivo de tornar povos nativos cristãos e socializá-los para o trabalho. Até hoje, os estudantes continuam sendo convencidos a se comportarem como se fossem brancos. Eles são treinados a se comportarem, pensarem e defenderem grupos sociais que se opõem ao seu próprio grupo social”, disse a professora durante uma palestra no TED UFF, no Rio de Janeiro, no ano passado.
No âmbito desse debate, a necessidade de discutir esses temas pode, ao final, mudar o próprio ambiente escolar. “A lei veio para balançar os alicerces que a gente tinha de uma educação baseada em uma escola voltada para um modelo de criança”, diz Míghian Danae, professora de educação infantil na rede municipal de São Paulo e doutoranda em Educação na USP.
 Andreia Lisboa concorda. “Até agora, todos os modelos de representação eram unidimensionais e isso não é democrático. Nas minhas viagens pelo país pude ver que o racismo existe; apesar das diferenças regionais ele está enraizado na nossa sociedade.”
Ainda o racismo
De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a população negra é maioria no Brasil. Na pesquisa, 97 milhões de pessoas se declaram negras e 91 milhões de pessoas se declaram brancas. Ainda assim, não são raros os relatos de racismo no ambiente escolar.
mat2Ao se encontrar com a mãe de um menino de 5 anos, Andreia ouviu o relato de que a criança chorava com frequência ao voltar da escola. Ele dizia que queria mudar de cor: “virar” branco. Desde muito pequeno, se julgava feio e queria pertencer a outro grupo étnico: os colegas faziam graça do seu cabelo. “Ele estava aprendendo que ser negro é ruim e ser branco é bom”, diz Andreia.
Para a pesquisadora, uma das análises mais equivocadas em casos como este é concluir que a própria criança está sendo racista. “Esta tem sido a análise de 99% dos professores com quem atuei nos programas de capacitação. Trata-se de uma análise errônea, racista e equivocada, que existe na mentalidade de muitos professores. Ela culpa a criança e tira a responsabilidade da escola, dos adultos e da mídia, que só mostram um modelo branco a ser seguido”, diz.
Cinco anos antes do surgimento da Lei 10.639, a educadora Eliane Cavalleiro detectou a existência de racismo velado em salas de aula da educação infantil. A pesquisadora percebeu que as crianças negras muitas vezes ficavam de fora de brincadeiras com representações de papéis de mãe e filha, por exemplo, por causa da diferença racial. “O modo como os professores concebem o cotidiano escolar e as relações interpessoais nele estabelecidas dificulta a percepção dos conflitos étnicos e, inclusive, a realização de um trabalho sistemático que propicie a convivência multiétnica, já que para elas esses problemas inexistem”, afirma Eliane, em dissertação defendida na faculdade de Educação da USP.
O racismo velado, portanto, ainda precisa ser enfrentado, inclusive pelos professores. “O racismo existe e está na sala de aula. O que eu vejo é que pela formação dos professores há uma despreocupação em relação ao tratamento de temas e situações do cotidiano ligadas ao racismo”, diz Marise de Santana, coordenadora do Grupo de Pesquisa Educação e Relações Étnicas: Saberes e Práticas do Legado Africano e Indígena – ODEERE.
O caso do menino expõe não só a desigualdade racial nas escolas, como também a falta da abordagem de heróis negros, seja nos livros infantis trabalhados nas escolas, como também em todo o currículo, como propõe a lei. “A gente sabe que houve avanços importantes no material didático, está melhor hoje do que alguns anos atrás. Mas esse ainda não se tornou um conteúdo amplamente trabalhado dentro da escola”, diz Rosana.
De qualquer forma, mesmo não abrangendo a educação infantil, a lei está começando a afetá-la. “Nessa etapa, a leitura em sala de aula sempre foi feita a partir de clássicos europeus. Agora vemos que essa ideia de clássico remete a uma cultura que não é a nossa e começa a ser contestada, assim como começa a ser contestado o modelo de educação para um único modelo de criança”, diz Míghian Danae.
Influência no Enem
Diante da resistência das escolas em aplicar a Lei 10.639, o Ministério Público Federal instituiu um grupo de trabalho em Educação. A estratégia atual é, em consonância com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), incluir questões sobre história da África e dos povos indígenas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O objetivo é induzir as escolas a abordar o tema em seus currículos, ou ao menos serem pressionadas pelos próprios alunos a fazê-lo. No último Enem, aplicado em outubro, seis questões versaram sobre o tema. O objetivo é chegar de cinco a oito questões por Exame.

Preta, comunista, libertária e lésbica: É muita ousadia de Angela Davis.


por marcos romão

No artigo, que acabo de receber de minha amiga Shirley Souza, sobre Angela Davis,  com o título “Onde foi parar Angela Davis, a pantera negra mais famosa da história? Caçada pelo FBI, mas amada pelos Beatles e Rolling Stones nos anos 70, a pantera negra Angela Davis não renega o passado conturbado nem deixa de lado velhos hábitos combativos,  em suas posições nos anos 70 e 80 podemos ver muitas das perguntas que temos hoje sobre movimentos sociais, movimentos libertários, revoluções e ideologias, e todas as camisas de forças que já existiam nos 70.

Como se dizia em 70 “sapatão e comunista libertária” era abuso demais. Quem já a curtia por “dentro” assim como curtia a Escola de Frankfurt que Angela influenciou ao contrário de “aprender”, morria de rir dos “machos revolucionários” que a achavam um enigma financiada por Moscou. Angela foi uma das minhas musas políticas, cabeçais e corporais!
Sua opção pelo “Black Party” “nem integracionista nem segregacionista” ainda é queimada na fogueira dos inquisidores “doutores dos significados” da luta negra mundial.
Angela antecipou em si todas as contradições com que hoje a sociedade e os movimentos de auto afirmação, emancipação e libertação estão vivendo e se embananando, luta social versus processo libertário, que no artigo está resumido no parágrafo:
“Meu objetivo sempre foi encontrar pontos entre as ideias e derrubar os muros. E os muros derrubados se transformam em pontes”. Inimigo, o raivoso Louis Farrakhan, chefe da Nação do Islã que organizou a Marcha do 1 Milhão em 1995, acusou Angela de ser lésbica. Por isso não. Em 1997, na revista Out, ela declara: “Sim, sou lésbica”.
Em 2014 vamos viver muitas discussões parecidas no Brasil…Afinal como ela disse na entrevista e ao vivo aqui na Bahia:
“Diante da observação de que uma coisa inacreditável aconteceu, a eleição de um negro para a Presidência dos Estados Unidos, ela modera o entusiasmo. “Hoje, ninguém na Casa Branca parece se preocupar com o fato de que 1 milhão de negros estão nas prisões americanas.”

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Ela adotou o penteado dos rebelados no Quênia e fez do penteado afro um símbolo do orgulho negro
Foto: Melloul/ Corbis/ Latinstock

Leia o artigo citado:

Angela Davis é uma mulher muito digna, e também muito bonita, uma mulher de 70 anos. É professora de filosofia na Universidade de Santa Cruz, que fica entre São Francisco e Monterey, na Califórnia. Está tranquila. Ensina a seus estudantes as teorias de Karl Marx, Herbert Marcuse, Mikhail Bakunin. Quando substituímos o penteado comportado de hoje pelo black power, que se parece com uma formidável auréola negra no meio da qual estava encaixado um rosto bastante puro, então lembramo-nos de seu nome. Essa professora já idosa de Santa Cruz chama-se Angela Davis. Há 40 anos, ela foi uma das pessoas mais célebres do mundo. Uma das mais detestadas. Uma das mais admiradas.

Deus ou Diabo

O mundo se dilacerava em torno de Angela. Em Paris, 100 mil pessoas desfilavam na rua gritando seu nome, atrás de Jean-Paul Sartre e do poeta Louis Aragon. Na Inglaterra, os Beatles e os Stones entusiasmavam as multidões cantando “a pantera negra”. Na mesma época, nos Estados Unidos, o presidente Richard Nixon a amaldiçoava. Ronald Reagan, governador da Califórnia, tentou expulsá-la para sempre de qualquer universidade do estado. O chefe do FBI, Edgar J. Hoover, lançava suas tropas para caçá-la e jogá-la em uma prisão de isolamento absoluto. Essa era Angela Davis: um Diabo ou um Bom Deus. Hoje, quase meio século depois, ela não renegou nada. Está intacta.

Ela nasceu em 1944, em Birmingham, no Alabama. Não é um bom lugar para nascer quando se é negra. A América daquela época, pelo menos o sul, odiava os negros: rixas, linchamentos, Ku Klux Klan. Os pais de Angela faziam parte da pequena burguesia – o pai era professor de história na escola secundária, mas recebia tão pouco que pediu demissão para abrir um posto de gasolina; a mãe ensinava na escola primária. Eram comunistas. Moravam no bairro de Dynamite Hill. Por que esse nome? Os brancos não aceitavam que negros se instalassem próximos a eles. De tempos em tempos, as casas explodiam.

Aos 12 anos, Angela participa do boicote a um ônibus que praticava segregação. Dois anos mais tarde, graças a uma bolsa, ela vai para Nova York e continua seus estudos em um liceu de esquerda chamado Little Red School House. A moça é brilhante. Radicaliza-se. Entra na Universidade de San Diego, na Califórnia, e ali começa a militar contra a Guerra do Vietnã. Primeira prisão.

Mas é um pouco solitária. Mesmo nos movimentos negros não encontra seu lugar. Eram duas as tendências dominantes: uns sonhavam com revoltas negras hiperviolentas, como as de Watts ou as de Detroit. Do outro lado, Martin Luther King, personagem suave e brilhante, preferia “o integracionismo”. Angela rejeita as duas posições. A única saída que ela vê é o marxismo, a luta política cujo horizonte apenas o socialismo ilumina. Mas a maioria de seus amigos negros rejeita o marxismo, tido como “doutrina de homem branco”. Além do mais, ainda que Angela Davis seja marxista, ela não deseja aderir ao comunismo oficial. Continuar lendo

Banzo. Para Isabel Machado. (in memorian)


Cris Sobral e Isabel Machado são duas amigas negras minhas no Facebook.

Advogada criminalista Isabel Machado

Isabel Machado, advogada criminalista, foi assassinada por pistoleiros ontem em sua casa na cidade de Cabo Frio.

Envolvida na luta pelos direitos humanos, Isabel se foi de uma forma cruel e repetida para entrar nas estatísticas da violência e genocído lento e sistemático da mulher negra brasileira. Em sua ascenção social, quando escapa dos hospitail não escapa das balas castradoras de consciências.

Cris Sobral conheço por suas poesias, no grupo negrícia do Rio de Janeiro. Aproximo as duas de forma virtual e ritual, para mostrar a dor de todos nós. Para mostrar a garra que temos em viver e construir um país que nos trata como estranhos nesta terra. MR.

Deley o poeta de Acari: A dor de um braço quebrado dói menos que a da falta de solidariedade.


O Poeta Deley, teve o pulso fraturado em um “acidente de trabalho”. Há anos que meu velho amigo, faz um trabalho social pra jovens na comunidade do Acari, onde vive, poeta e luta pela emancipação de todos. Que acidente de trabalho de trabalho foi este? Deley foi defender uma jovem que com seu bebê ao colo, ajudava no acompanhamento de um grupo de crianças que iriam ao Maracanãzinho. Seu marido, jovem do mesmo jeito. Julgava-se dono de mulher e filho. Se achava no direito de espancar a “sua”mulher. Deley, quebrou as regras do “não se meta a colher”, meteu-se em briga de marido e mulher. “Espancamento”, frisa o poeta Deley em entrevista para o blog “Círculo Palmarino”. Acidentes de trabalho de nosso cotidiano sem direitos humanos, sem consciência cidadã e sem solidariedade.

A dor de um braço quebrado dói menos que a da falta de solidariedade.
por Licio Junior,on julho 20th,2011

Poeta Deley

Domingo,dia 17 de julho,7h da manhã,nos preparamos para irmos ao Maracanãzinho pra ver o vôlei entre Brasil e USA;26 crianças eu e J. de 19 anos,com sua bebe e 8 meses. Estávamos concentrados na frente do CCPR pra pegar o ônibus. De repente aparece o companheiro de J. tira-lhe a neném do colo,lhe dá um tapa e puxa seus cabelos.

Interfiro dizendo a ele que não iria deixar bater nela de jeito nenhum. Principalmente na frente das crianças ali. Ele parte pra cima de mim,pego um pedaço de tábua pra me defender,ele pega um pedaço de madeira e tenta acertar minha cabeça.

Ergo o braço pra me defender e acabo com o pulso fraturado. Pra não frustrar nem decepcionar as crianças,vou com elas pra o Maracanãzinho,com o pulso fraturado e muito doido.

No Maracanãzinho foi tudo bom,as crianças se divertiram e viram coisas que só se vê quando se sai da favela,coisa rara pra elas.

Depois da volta pra casa,meio dia,frenética busca por 10 reais pra ir um hospital procurar um medico. Só consegui,segunda de tarde,14 horas,dai de 15 às 23 horas peregrinação por cinco hospitais até achar um ortopedista no Miguel Couto. Sai de lá às 12 horas de hoje com o braço na tala já que há uma ferida no braço,e com a mão muito inchada.

Tanto na favela quanto nos hospitais e nos ônibus,a mesma pergunta,dezenas e dezenas de vezes repetidas… que foi isso?

Minha resposta repetida tantas quantas vezes a pergunta:fui impedir que um marido espancasse sua mulher com o bebe no colo. Dai,tanto nos hospitais,mas principalmente na favela o comentário. Ta maluco,bobo,otário,se meter em briga de marido e mulher… explico paciente,não era briga,era espancamento.,mesmo assim,quem saiu no prejuízo foi você.

De nenhum homem ou mulher recebi qualquer de apoio,ou solidariedade. Só criticas por ter defe

leia o artigo completo

Até onde pode ir o escracho? Rafinha Bastos depõe em delegacia de São Paulo


Recebemos da leitora Maria Luisa este email com a reportagem da Folha de São Paulo sobre o caso “Rafinha Bastos”, com o seguinte comentário.

“Ele é comediante, mas faltou-lhe sensibilidade com a dor alheia, deveria ter sido preso – a turma do Zorra Total que se cuide!”
Segundo a Folha de São Paulo o comediante Rafinha Bastos, prestou depoimento à polícia na tarde desta segunda-feira. Ele passou a ser investigado por apologia ao crime após, durante apresentação num teatro, fazer piadas sobre estupro. O inquérito transcorre em segredo de justiça.
Escracho, que em linguagem pós-moderna ganhou o alcunha de “políticamente incorreto com muito orgulho”, como costumam dizer os neosexistas de plantão, aproveitando-se dos momentos em que  mulheres baixam a guarda, virou moda no Brasil.
Nos teatros e na televisão, rir da desgraça alheia virou o maior esporte nacional.
Rafael Bastos Hocsman, o Rafinha, parece ter percebido o espírito da época, e tem o produto pronto,  a “verdade” como comenta uma leitora do artigo da RolingStone, que provocou a discussão sobre incitamento à violência contra as mulhers nos shows do Rafinha:
“só hoje 02/08 tive oportunidade de ler a matéria e digo que babaca é quem não tem capacidade de entender que certas pessoas como o rafinha tem um dom que poucos teêm: o do de falar a verdade, sim, pois se tantos se incomodam é que realmente ela(a verdade) dói, e nem todo mundo tem Q.I para entender isso, até mesmo porque as piadas dele estão acima do nivel intelectual de muitos medíocres brasileiros. Falei…..”
Como os bobos da corte, profissão de humorista é coisa séria, pelo menos para o humorista, pois é seu ganha pão. Rafael Hocsmam um homem de 2 metros de altura, pai de familia sabe disso. Deve saber também que os bobos da corte tem que agradar ao rei e ao público, para garantir seu apartamento, carro e viagens, mas nem tanto.
Bobo da corte também pensa e tem opinião próprias. Isto é assim desde que inventaram esta profissão. O humorista tanto pode reverberar o que os preconceituosos pensam, fazendo disto piada para pensar, quanto pode mostrar seus próprios preconceitos reforçando os preconceitos dos outros. Linha difícil de se encontrar.
Opção de cada um, poderiam dizer, concordo mas que assumam a responsablidade, pelo que falam. Era assim também com os bobos da corte que se prezavam.
Resta saber o que cidadão Rafael “Rafinha” Hocsman pensa de sua ação como humorista.
Ele parece estar convencido de que está certo, existe um público para ele, um público que se excita e tem prazer com este tipos de piadas.
Sua opinião neste trecho da estrevista para a Rolingstoneestá clara. Muda-se ele ou muda-se o público?

“Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é

Rafinha Bastos-Divulgação

feia pra caralho.” Rafinha Bastos está outra vez no palco de seu clube. Agora já passam das 22h daquele mesmo sábado e, desta vez, todos os lugares estão tomados. Minutos antes, na rua, ele me convidou para rever o show solo: está determinado a provar que a piada sobre estupro é mesmo boa.
A plateia está excitada, chicoteando as paredes do lugar com longas risadas. A luta está ganha para Rafinha. Nessa sessão, quando ele continua com o texto, anunciando o abraço no estuprador, há muitas gargalhadas e até mesmo aplausos. Do palco, ele bate ainda mais forte, ri, faz dancinhas e fala sobre a gravidez de sua esposa e o ultrassom do bebê, quando o pequeno Tom “parecia uma ameba”. Ele finaliza a sequência, agradece e recebe um “ahhhhhh”. As pessoas querem mais. Ele sai. Precisa ir pra casa ver a mulher e o filho. Ainda dá tempo de me levar até a porta, dar muitos autógrafos no caminho e dizer: “Viu como a piada do estupro funciona?” (Trechos da entrevista para o RollingStone)