Coragem é coisa de mulher!


No 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, realizado em Santo Domingo (República Dominicana) em 25 de julho de 1992, definiu-se que este dia seria o marco internacional da luta e resistência da mulher negra. E assim o é.
Aproveitamos para perguntar a você, quantas mulheres negras tem ao seu lado no seu local de trabalho?

Cadê os negros e índios da São Paulo Fashion Week?


Maíra Kubík Mano


Cadê os negros e índios da São Paulo Fashion Week?

Em 2008, o Ministério Público de São Paulo abriu inquérito para investigar uma possível discriminação racial na São Paulo Fashion Week (SPFW). À época, apenas 3% dos modelos que participavam do evento eram afrodescendentes, negros ou indígenas. Meses depois, a organização da SPFW aceitou assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em que se comprometia a estimular as grifes a cumprir uma cota de 10% desses modelos por desfile. O TAC funcionou bem… até o mês passado, quando “vencia” sua validade. Com o fim da obrigatoriedade de o evento promover as cotas, o que se viu nas passarelas foi uma nova onda branca.

A denúncia foi feita hoje pelo jornal Folha de S.Paulo, em matéria de Nina Lemos e Vitor Angelo. Algumas grifes, segundo eles, tinham apenas uma modelo, que se repetia em todas: a top Bruna Tenório, descendente de indígenas. Outras “até colocaram” alguns negros, mas longe dos 10% estabelecidos pelo MP.

Mas o pior de tudo são as justificativas para não empregá-los. Uma delas é a falta de mão de obra no mercado. É, de fato, a população afrodescendente nem é a maioria do país, deve ser difícil mesmo encontrá-los… Outra desculpa é o pouco poder aquisitivo dos negros. “Os negros no Brasil, por razões históricas, são pobres e não consomem moda. Por isso, as marcas não querem associá-lo aos seus produtos”, declarou à reportagem o booker Bruno Soares.

Esse tipo de afirmação e outras como “valorizar o negro é inverter o preconceito” só me levam a concluir que, realmente, o mundo da moda não entendeu nada do que o MP queria mostrar. Cotas são uma medida reparatória. Sua ideia é justamente compensar alguma situação de inequidade profunda contra um grupo social ou uma etnia. Assim, se os estudantes de escola pública, em geral de uma classe social desfavorecida, não conseguem ter acesso ao Ensino Superior, cria-se, temporariamente, uma cota para isso. Da mesma forma as mulheres na política ou em cargos de direção.

São espaços em que o preconceito é tamanho que é necessário intervir para alterar uma situação que, se deixássemos apenas a cargo da passagem do tempo, talvez demorasse séculos para mudar. E o argumento não se limita a esse ponto: além do caráter distributivo, as cotas também têm o objetivo simbólico de chamar a atenção para uma determinada questão e, na medida do possível, alterar a cultura social e política em torno dela.

Ou seja, precisamos sim ver negros, afrodescendentes e indígenas nas passarelas da SPFW. Eles existem e não podem ser invisibilizados em nenhum espaço. Só é uma pena que o MP precise dizer, de novo, isso. E a um evento que, pela ousadia e ineditismo que costumam estar atrelados às áreas de criação e da moda, deveria ser precursor no enfrentamento ao preconceito.

Escrito por Maíra Kubík Mano no original http://viva.mulher.blog.uol.com.br/arch2011-06-16_2011-06-30.html

O Radical Carinhoso e sua Raiva Santa.


O Radical Carinhoso e sua Raiva Santa.marcos romão

Tres baleiros de rua me cercavam curiosos, com seus parcos panos cobrindo suas pele pretas de seus corpos mirrados. Circulavam em meio àquela pequena multidão de mulheres e homens negros na Cinelândia. Os olhos vivos da menina e dos dois meninos não me pediam trocados. Eram apenas olhares de crianças curiosas ao verem ao mesmo tempo, tantas pretas e pretos juntos e com roupas tão bonitas
A Kombi da funerária chegou em frente das escadarias da Câmara de Vereadores do muncípio do Rio de Janeiro. Trazia o corpo matéria de Abdias Nascimento.
Velhos ativistas do movimento negro brasileiro, escolhidos por antiguidade, preparavam-se para levarem o caixão escada acima em revezamento, para ser velado no saguão da casa dos representantes do povo, da cidade que Abdias ainda jovem, escolhera para ser o palco de seu combate contra o racismo no Brasil.
Não haviam multidões de negros como no paço da princesa Isabel nem na república dos donos de escravos. Não estavam presentes nem as fanfarras oficiais nem guardas de segurança, como seria de praxe para um senador da República. Lá estavam apenas aquele monte de negros e negras paramentadas e os tres Erês curiosos.
É um morto, vão enterrar ali dentro? Me perguntaram. Quem é o morto? Repetiram. Era um homem que defendia os negros, repondi olhando para nossas peles mal cobertas pelos farrapos.
Meu paletó, minha calças, minhas cuecas, minhas meias, camisa e sapatos, não escondiam a minha nudez naquela praça. Éramos todos Pretos Novos, recém-chegados da África, guardando aquele corpo guerreiro, na praça mais famosa de nossa república.
Podemos ficar aqui, podemos ir lá dentro? Me perguntaram. Meu olhar aquiescente não foi necessário, ninguém precisava autorizá-los, eles sabiam que eram convidados de honra do mestre Abdias. Seus olhares tinham aquela certeza de crianças de rua de nosso Brasil, a certeza de que são donos do pouco tempo que teem nesta vida.
Chegaram autoridades, deputados, vereadores, artistas, jornalistas, até o ex-presidente Lula acompanhado pelo governador do estado. Chegaram judeus, muçulmanos e cristãos, todos para reverenciarem aquele homem defensor da religião dos Orişas, que foi o homem de 2 séculos para a maioria do povo brasileiro. Maioria que ganhou algumas liberdades, mas não sabem a quem agradecer, confundidos pelos reis, rainhas príncipes e princesas de plantão, que lhes distribuem pão-dormido.
Foram momentos contritos naquele saguão solene, a menina e os dois meninos estavam paramentados com as roupas de nossa dignidade e suas caixinhas de drops.
A paz do rosto do companheiro Abdias Nascimento, refletia a certeza que em nossa terra estava plantada a raiva santa. Os Erês o protegiam em sua caminhada para o Orum. Sua voz seguirá em uma criança negra que escape ao silvo da bala de aço do racismo à brasileira.

Abdias chama: Vamos bater os tambores no Quilombo do Sacopã e no mundo inteiro inteiro!


João Jorge com Abdias na vista de Obama

Acabo de receber a notícia da esposa de meu amigo Abdias Nascimento que ele se encontra em intensiva estação, em uma situação delicada com complicações nos pulmões.
Vou pra ladeira do Sacopã, último quilombo urbano da zona sul do Rio. Vou orar por ele.
Asé meu irmão Abdias, resista e insista!
Um dia sairemos deste exílio em nossa própria terra!
Marcos Romão

Arquivo de vídeo da Mamaterra


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mamaterra on livestream.com. Broadcast Live Free

Mãe Beata: Presença confirmada no lançamento da Radio Mamaterra


123 anos de Abolição sem Comunicação

Nos 123 da abolição da escravização sem meios de comunicação!
Retribuindo a visita em 2008 de Mãe Beata no Quilombo de Hamburgo. A Rádio Mamaterra vem ao Quilombo do Sacopã com a proteção de mãe Beata de Jemanjá.
Dia 7 de maio 2011 no Quilmbo do Sacopã na Ladeira do Sacopã 250 na Lagoa, Rio de Janeiro;
Muita música e feijoada da 14 às 21 horas.
Cum Nós é Um +Ogum! A comunicação de baixo para cima.

Chorinhoterapia –Sacy Chorão visita hospitais e vai no lançamento da Mamaterra no Brasil.


No lançamento da Radio Mamaterra do Brasil , SACY CHORÃO ANIMA a festa no Quilombo do Sacopã.
Horário: 14 às 22 horas no Brasil
Uhrzeit:9:00 bis 17 Uhr in Deutschland.
Show live by radio mamaterra TV

Radio Mamaterra-Sacy-Made in Brazil com Z de Zumbi,ao vivo, de vez em quando!


No lançamento da Radio Mamaterra do Brasil , vamos tentar botar no ar a nossa festa no Quilombo do Sacopã.
Horário: 14 às 22 horas no Brasil
Uhrzeit:9:00 bis 17 Uhr in Deutschland.

Em parceria com o Núcleo de Produções Musicais-NPM- Com a presença do radialista e publicista Oscar Neves que vem de Belo Horionte especialmante para o evento!

Herois de Todo Mundo – Beatriz Nascimento


Vou descobrir o Brasil. É 21 de abril


Porto de Hamburgo

Vou pegar o avião sem lenço nem documentos. Vou descobrir o Brasil no dia 21 de abril.
Vou visitar minha familia, meus amigos e os indios Pataxós, esses meus amigos esquecidos por todos.
Alguns amigos do peito se cotizaram e me mandaram uma passagem para eu passar umas semanas no Brasil.
Eu às vezes mereço um carinho destes.
Foi um ano brabo, sentado no meu laptop, e com as nádegas assadas de tanta irradiação, mas no hospital, mantive o ânimo e a garra, graças aos meus amigos. Gente de perto e gente que eu nem lembrava mais.
Vou passar 40 dias no Brasil, feito o profeta. Sei que está confuso, mas está bão. Tive uma provinha, quando fui para as cerimônias em homenagem à minha mãe, falecida em dezembro.
Saí com milhões, de gentes é claro, pois nem os milicos fizeram tantos estragos no país feito o Collor, o cara não era nem é sério.
Volto devagarinho, não de vez, porque fiz muito do Brasil por aqui fora. Do Brasil que eu gosto, e fiz pelas minhas andanças.
Plantei um Quilombo na Alemanha, e os pretos de todas as cores apareceram para me ajudar e à minha copanheira, quando a coisa apertou. Era preto louro, era preto japones e até preto árabe, a colocarem bálsamo em minha feridas, vinham até pretos brasileiros, desconfiados de tanta igualdade na minha casa do povo, que é o Quilombo Brasil/Radio Mamaterra de Hamburgo.
Não dá nem para falar nome, para não criar desgostos. Foram muitos os que me ajudaram e pronto. Estou agradecido a todo mundo. Principalmente os que botaram dez reais na minha conta, pois sei que dez reais, vale um milhão para quem não tem nada.
Vou vir para olhar. Disseram que tem uma mulher no poder, que é séria, e acredito. Pois quem roda o mundo feito eu, tem mais é que acreditar na punjança de nossa gente. Se nossa presidente acreditar feito eu, em nosso povo, vai ser muito bom para todos e felicidade geral da nação.
Vou à cata de gente e de grana, para plantar a Mamaterra no Brasil. Brasil que ficou grande aqui fora, antes dos políticos perceberem. Nesta o Collor fez uma boa. Mandou para fora mais de 6 milhôes de brasileiros, enquanto ficou com os milhinhos de cada um de nós. É o ditado de grão em grão a galinha enche o papo. E não se fala mais nisto.
São estes milhões de gentes, e eu no meio, que o Brasil tá precisando. Não mais prá só mandar dinheiro para suas famílias, e chorar de saudades com caipirinha misturada com neve. Mas para lembrar que temos garra e esperança, que o Brasil é bão, apesar de nós brasileiros. Basta desligarmos a máquina que nos anestesia. Esta máquina que nos faz gozar com tanto petróleo nas mãos de uma minoria. Com tanto milho e soja para engordar porco na Europa, e botar os cadillacs prá rodar em San Tropez.
O que o Brasil tem de bão é sua gente. Parece que as elites não perceberam ainda isto. 50 mil moleques morrem à bala por ano. São 5 Fukoshimas por ano e não sai nem na Al-Jahzira. Mas esqueçamos isto por enquanto.
Vou com prazer em saber que tem meia dúzia de 4 ou 5, que já desligaram a bomba que os mantinham mortos vivos em seus apartamentos.Teve até uma senhora que cometeu a loucura santa, de encarar dois meganhas do esquadrão da morte lá em São Paulo. Pô que coragem louca. Fazer isto em um país, que nêgo tem medo até de reclamar que o vizinho, pegou a bola-de-gude do filho, pois o cara pode ser de algum comando.
Esta senhora paulista tem a garra e a inocência de minha mãe. Que bão. Em um país com tantos macacos velhos, que se encastelaram em suas barrigas e não movem uma palha para acabar com a violência que aterroriza as pessoas tanto ou mais que no período mais cruel da ditadura, é bom que apareçam estas pessoas inocentes, prá dizer que alguém está errado. Sem ter medo de perder a vida.
Mas poxa. comecei a escrever porque estava contente… Estava e continuo contente. Os médicos acabaram de me dizer que estou curado pelo menos deste câncer, que quis devorar minhas entranhas. Eu e minha companheira saímos dando pulinhos do hospital.
Mereço este descanso trabalhando. Sim por que Brasil para mim é trabalho, trabalho que dá prazer, lá e aqui fora. Carrego ele por onde ando, pego um pouco de cada país nas gentes que conheço ao longo do caminho. Todos sabem curtir estas culturas que trago em mim e que faço questão de preservar. Culturas contraditórias, mas que merecem continuarem vivas, para garantirem a vida em nossa terra, terra que seca com a homogeneidade.
Asé e um grande abraço e muitos beijos para todo mundo. Vim e vou para ficar no mundo, que é o lugar da gente.