Choque de culturas? Alemão responde no pé, no VI Dia da Cultura Brasileira no “Planten un Blomen” de Hamburgo


Aconteceu mais um Dia da Cultura Brasileira  em Hamburgo, destas vez com algumas polêmicas nas relações entre os sambistas brasileiros e alemães. Afinal de contas até no Rio de Janeiro, se fala na gíria dos preconceitos,  a frase , ” tem alemão nos samba”,  quando pinta algum imblóglio.

Mas na festa organizada com as tripas e coração há 6 anos, sem nem um pingo de ajuda do governo brasileiro, por Cecíla Simão e Miriam da Silva,  o que rolou foi confraternização e o samba com sotaque não atravessou.

Na frase de Thorstens Hinz, podemos resumir o quiproquó cultural que acabou em samba da seguinte maneira: “ou alemão aprende a pensar na bagunça, ou brasileiro consegue se organizar no samba”.

Nosso repórter de todos os assunto que esteve lá presente só tem a dizer, que depois de 10 anos com brasleiros e alemães saindo nas ruas, entre mortos e feridos se salvaram todos. Pois a organização das “meninas”, que fez lotar  debaixo de chuva, a concha acústica do “Planten un Blomen”, botou no chinelo a máquina burocrática alemã: “As  meninas senhoras”, Cecília simão e Miriam da Silva, ensinaram como é que se pode ter harmonia no caos da alegria de viver.

Asé, saravá, shalom, al-agbhar, amém vamos conversar pra cada vez mais ficar mais tudo bem!

mr.

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Sambagruppe “Virada” feiert 25er Geburtstag am Elbstrand mit 300 Sambistas.


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Carioca para ir ao trabalho usa transporte inusitado


Não desmatarás. Bloqueata em Ipanema.


O Rio de Janeiro parece acordar. Devem ser os sinais de fumaça que vem do Chile. Estamos em um continente só. Estamos em uma terra só. E não estamos sós. Traga seu bloco, mesmo o do eu sózinho, aí você vai ver como é bom protestar ao sol.
A vida não é só computador. Passear com mais gente é passeata. Cheirar o mar, cheirar o cheiro de suor das gentes, ver que tem vida na gente e não só protestinho no facebook.
Tem vida lá fora. Levante as nádegas, erga a cabeça, dê um requebro prá direita e rapidamente outro para a esquerda. Você vai gostar. E ainda por cima vai ajudar a tirar essa gente de cinza do poder!
De minha parte vou com minha camisa verde pra “minha praia” aqui no rio Elba mandar meu asé pro pessoal que se levanta no Brasil contra o assassinato de nossas florestas.


Marcos Romão

15 anos Batida do Samba em Hamburgo “Série Memórias da Mamaterra”


Tobias Alegria Lecker Lecker

Mestre Tobia foi o difusor da expressão “lecker, lecker” na Alemanha. “Lecker”, que significa saborosa em alemão, quando lhe perguntei porque sempre falava duas vezes “lecker”, Tobias me respondeu que a palavra parecia com “legal, legal “, depois de esclarecido sobre o verdadeiro siginificado da palavra, ficou mais contente ainda, pois sabia que a sua caipirinha era mesmo muito legal e saborosa!

Se ele fosse chinês, ganhava um prêmio na Praça da Paz, se fosse francês uma um chapéu na Torre Eiffel, alemão se fosse, uma viagem ao Brasil prá assistir ao carnaval.
Aconteceu que Tobias nasceu brasileiro. Ministérios das Culturas e Itamaratys gostavam de outras bossas mais ipanemenhas e, o topete do Tobias não tinha trejeitos de surfista sensação.
Ficou a ver navios com seus projetos de um homem do povo com visão futurista. Veio pretizar com seu sorriso verde amarelo a Alemanha.
Hoje em dia Pitú é marca de limão na Teutônia, e não se dança com o ventre na Turquia, sem antes se tomar uma caipirinha, pois nem os ecologistas, reclamam deste nosso alcool não etanol, que se espalha pelo mundo.
Tobias faleceu numa barraca da Feira Nordestina do Rio de Janeiro,sem bandas de músicas nem carros de bombeiros.
Mais um herói migrante que emigra no anomimato para outro mundo. O Brasil não gosta do Brasil! A Alegria gosta do Brasil. Êta cachaça colonial!
Marcos Romão

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a propósito: lecker pronuncia-se léca.

Bons exemplos do Brasil: Orquestra de Jovens da Bahia


O Radical Carinhoso e sua Raiva Santa.


O Radical Carinhoso e sua Raiva Santa.marcos romão

Tres baleiros de rua me cercavam curiosos, com seus parcos panos cobrindo suas pele pretas de seus corpos mirrados. Circulavam em meio àquela pequena multidão de mulheres e homens negros na Cinelândia. Os olhos vivos da menina e dos dois meninos não me pediam trocados. Eram apenas olhares de crianças curiosas ao verem ao mesmo tempo, tantas pretas e pretos juntos e com roupas tão bonitas
A Kombi da funerária chegou em frente das escadarias da Câmara de Vereadores do muncípio do Rio de Janeiro. Trazia o corpo matéria de Abdias Nascimento.
Velhos ativistas do movimento negro brasileiro, escolhidos por antiguidade, preparavam-se para levarem o caixão escada acima em revezamento, para ser velado no saguão da casa dos representantes do povo, da cidade que Abdias ainda jovem, escolhera para ser o palco de seu combate contra o racismo no Brasil.
Não haviam multidões de negros como no paço da princesa Isabel nem na república dos donos de escravos. Não estavam presentes nem as fanfarras oficiais nem guardas de segurança, como seria de praxe para um senador da República. Lá estavam apenas aquele monte de negros e negras paramentadas e os tres Erês curiosos.
É um morto, vão enterrar ali dentro? Me perguntaram. Quem é o morto? Repetiram. Era um homem que defendia os negros, repondi olhando para nossas peles mal cobertas pelos farrapos.
Meu paletó, minha calças, minhas cuecas, minhas meias, camisa e sapatos, não escondiam a minha nudez naquela praça. Éramos todos Pretos Novos, recém-chegados da África, guardando aquele corpo guerreiro, na praça mais famosa de nossa república.
Podemos ficar aqui, podemos ir lá dentro? Me perguntaram. Meu olhar aquiescente não foi necessário, ninguém precisava autorizá-los, eles sabiam que eram convidados de honra do mestre Abdias. Seus olhares tinham aquela certeza de crianças de rua de nosso Brasil, a certeza de que são donos do pouco tempo que teem nesta vida.
Chegaram autoridades, deputados, vereadores, artistas, jornalistas, até o ex-presidente Lula acompanhado pelo governador do estado. Chegaram judeus, muçulmanos e cristãos, todos para reverenciarem aquele homem defensor da religião dos Orişas, que foi o homem de 2 séculos para a maioria do povo brasileiro. Maioria que ganhou algumas liberdades, mas não sabem a quem agradecer, confundidos pelos reis, rainhas príncipes e princesas de plantão, que lhes distribuem pão-dormido.
Foram momentos contritos naquele saguão solene, a menina e os dois meninos estavam paramentados com as roupas de nossa dignidade e suas caixinhas de drops.
A paz do rosto do companheiro Abdias Nascimento, refletia a certeza que em nossa terra estava plantada a raiva santa. Os Erês o protegiam em sua caminhada para o Orum. Sua voz seguirá em uma criança negra que escape ao silvo da bala de aço do racismo à brasileira.