A Ausência de Técnicos Negros no Futebol


por Hélio Santos

do original Brasil de Carne e Osso

A afirmação absurda do senhor Carlos Caetano Bledon Verri, treinador da seleção brasileira, conhecido por Dunga – apelido, aliás, mais do que pertinente a essa figura – trouxe de volta a mim um questionamento que fiz no final dos anos 1990, quando escrevi o ensaio “A busca de um caminho para o Brasil”. Na ocasião, tive de fazer uso de um subcapítulo inteiro para abordar o racismo no futebol brasileiro.

dunga-final

Na época questionei: “por que no país do futebol negro os técnicos eram todos brancos?” Para mim, mais importante do que a estapafúrdia fala de Dunga, cabe o questionamento-título dessa crônica. Muitos comentaristas e esportistas dizem que Dunga é burro. Esta não é a verdade completa. Burro e teimoso foi o Felipão, com a sua estratégia de jogo em 2014, ao permitir que o grupo de jogadores acreditassem que a “união” do grupo fosse suficiente para vencer pragmáticos alemães e holandeses, detentores de táticas e práticas bem urdidas por seus treinadores. O Dunga é diferente, ele não é burro, mais, sim, muito burro, o que é fatal. A ênfase é algo fundamental quando se faz análise de qualquer tipo.

A dificuldade de Dunga não é só com as palavras, na eliminação da seleção brasileira para a fraca equipe do Paraguai, mas determinada e melhor postada psicologicamente em campo do que a do Brasil, ele retirou Robinho – um batedor de pênaltis, quando já se percebia que a partida seria decidida assim. Não só colocou novatos, como os escolheu para bater os pênaltis decisivos que foram desperdiçados pelos dois que entraram no final. Trata-se de um Dunga – com o respeito que me merece o nanismo – de fato muito burro.

Sei que alguns poderão dizer: todo torcedor brasileiro se mete a dar palpites – agora até o Helio Santos. Pois é, mas sou de fato um “torcedor brasileiro”…

Antônio_Lima_dos_Santos_(1963)

Lima – foto divulgação.

Nessa lenga-lenga quero colocar mais uma vez o dedo na ferida do racismo institucional brasileiro – essa sim minha especialidade. Aonde estão esses super-craques, como Jairzinho, Zé Maria, e Wladimir? Mais: onde estão os cerebrais jogadores como Mengálvio, Lima e Paulo Cesar Caju. Estes três últimos eram jogadores que atuavam sem bola e que funcionavam taticamente de forma brilhante. Pergunto: por que não estão treinando grandes equipes de futebol? Há vários outros ex-jogadores negros no anonimato. Depreende-se que para jogar os negros se destacam, para treinar equipes, não!

Felipão foi um zagueiro do tipo que metia um bico na bola e ela ia parar fora do campo. Sem técnica alguma. Hoje é estrategista do nosso futebol.

Andrade, negro, jogador vitorioso em campo, em 2009 dirigiu o Flamengo que se sagrou campeão brasileiro e se tornou o primeiro técnico negro a vencer um campeonato daquele porte.

Nós, simples mortais que amamos o futebol, não temos a menor ideia do que se passa nos bastidores do mundo da bola. Técnicos são afilhados da cartolagem que é branca e bem-nascida e em sua larga maioria corrupta, como se revelou recentemente.

Jairzinho

Jairzinho

A chamada imprensa esportiva também deixa a desejar: faz e participa de lobbies e é tendenciosa ao analisar o que acontece. Quem tiver dúvida sobre esse viés, veja como os comentaristas tratam os casos de racismo que acontecem no futebol. São analfabetos em Brasil, em nossa história, em nossas práticas discriminatórias e em minha opinião de amante do futebol são fracos também na própria análise do esporte. Sim – há algumas exceções. Boas exceções: Junior e Tostão são dois bons exemplos. Vejo futebol pela TV e há muito tempo corto o som do aparelho, pois não suporto mais as obviedades repetidas à exaustão, além de erros crassos.

Portanto, a estúpida fala de Dunga, deveria ser uma oportunidade para que os amantes do futebol: a “bagatela” de 200 milhões de brasileiros, fizessem um imenso ruído contra os absurdos que acontecem no principal esporte do país, os quais assistimos inertes.

Temos um ex-presidente da CBF preso na Suíça sob graves acusações, para vergonha de todos nós. O futebol, juntamente com a música, são as únicas áreas em que o negro no Brasil tem tido oportunidade. Somos considerados em todo o mundo centros de excelência nessas duas áreas. Todavia, o mesmo não se dá noutros setores, como na política, na economia, na literatura. Não ganhamos até hoje um prêmio Nobel sequer!

Vamos gritar em uníssono em resposta ao Dunga: Por que ex-jogadores afrodescedentes não estão treinando grandes equipes? Vamos bater esse bumbo. Quem sabe os próprios interessados, os ex-jogadores negros, comecem também a falar. O Movimento Social Negro Brasileiro enfrentou muita gente da mídia televisiva para que os talentos negros fossem para a frente das câmeras – e são tantos hoje. A televisão vem ficando mais bonita e diversa, mas precisa ficar ainda mais.

Paulo Cesar Caju

Paulo Cesar Caju

Quem sabe o futebol brasileiro sai do lodaçal em que se encontra com essa iniciativa? Vamos – negros e brancos – continuar lutando para colocar nosso País numa rota mais civilizada e justa. Levamos as ações afirmativas (cotas) às universidades públicas, agora vamos fazer o mesmo com os concursos e precisamos imediatamente cessar o extermínio de jovens negros – essa última tarefa é para “ontem”.

Percebam todas e todos: é uma pauta heterodoxa; mas temos fôlego. Temos todas e todos demonstrado isso ao longo dos últimos 35 anos.

Leiam também: O sadomasoquismo do “branco” Dunga: “Negro gosta de apanhar”.

Filipão pisa na bola e banaliza racismo no futebol.


Questionado sobre a importância da discussão do racismo no futebol, o treinador Luiz Felipe Scolari, deixou claro que o melhor caminho é ignorar as pessoas que praticam atos preconceituosos no esporte.”Deixem esse assunto para lá, daqui a pouco todos esquecem e estas pessoas voltam para o cantinho delas”, completou.
Januário Garcia, ativista negro e lutador contra o racismo há mais de 40 anos, comentou indignado com o “fairplay” de Filipão em relação ao racismo nos estádios:
“A COISA TÁ PRETA, QUE JUDIAÇÃO, são expressões racistas ditas diariamente que atingem negros e judeus. O racismo no Brasil é explicito contra negros e judeus, como pode o técnico da seleção brasileira se expressar dessa forma como se isso fosse uma coisa menor, ” Não deveríamos nem debater isso. Não adianta punir, a solução é ignorar deixem esse assunto para lá, daqui a pouco todos esquecem e estas pessoas voltam para o cantinho delas”. Há anos negros lutam para que a escravidão seja um crime de lesa humanidade, e o judeus a cada dia reafirmam a tragédia do holocausto crimes cometidos exatamente por causa do racismo, chega Felipão e pede para deixar pra lá.”
Hoje me baixou o astral completamente quando meu amigo Januário Garcia me mandou pelo Facebook, este comentário do Filipãop. Estou até com dor de cabeça.
Filipão nos revelou finalmente, como funciona a máquina racista de aniquilamento da consciência de homem livres, perpetrada contra os negros jogadores de futebol do Brasil
Nunca tive em minha vida esta sensação de impotência em minha luta contra o racismo e pela educação de todo o povo brasileiro para eliminar este sistema, que eliminou os povos indígenas quase à extinção, sequestrou, escravizou povos negros e nos mantém a todos hoje em cheque e segregados.
Sempre acreditei que um dia iria ajudar a sociedade branca brasileira, a compreender que cada negro ou indígena discriminado, impedido de entrar em algum lugar ou eliminado é uma perda para a humanidade de cada branco do Brasil. Isto conta do branco mais pobre ao branco mais rico do país.
Cada Indígena ou Negro que tenha possibilidade de exercer a sua liberdade e tenha acesso a um mínimo de base econômica para mantê-la, carrega nas costas para o progresso, pelo menos 5 brancos.
Tanto faz nas favelas, nas restingas ou nos entornos das aldeias, cada índio ou negro que produza a sua cultura enriquece o país, mas, da simples chefia de bloco carnavalesco de lata até a chefia da Funai, quem leva o ouro e os louros são os brancos.
Nos discriminar é matar a galinha dos ovos de ouro!
Hoje de tarde me baixou o astral total, quando juntei no meu pensamento o que o Filipão falou sobre o racismo e sobre como se deu nos últimos 50 anos a destruição da consciência de si e do racismo em volta, que os jogadores como o Tinga o Pelé, manifestam ou deixam de manifestar no Brasil.
A Escola em que o Filipão aperfeiçoou a sua forma de deixar prá lá o racismo tem sistema, vem de longe. Para pessoas assim, quem joga e trás uma dinheirama desgramada, os jogadores negros não passam de “macaquinhos” de circo que podem ser humilhados, ofendidos e cuspidos, pois ao fim da apresentação trazem os bonés cheios de moedas. São  escravizados de luxo na sociedade racista moderna.
Não me lembro de Técnicos de Seleção Brasileira que fossem negros, só tem “bonna” gente que acha que racismo é moda passageira.
Preciso juntar minhas energias, para começar tudo do zero nesta Copa do Apartheid Ideológico!
http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2014/03/08/e-uma-bobagem-diz-felipao-sobre-discutir-racismo-no-futebol.htm
Neymar e sua casca de banana

Neymar e sua casca de banana

A Copa do Apartheid até na música


por marcos romão

fonte: Bhaz

Até na música sem sabor feita em máquina de quermesse européia, esta copa tá pisando na bola.

“Representantes da Fifa e da Sony Music confirmaram, nesta quinta-feira (23), que a música oficial da Copa do Mundo de 2014 será uma parceria entre a cantora Claudia Leitte e os norte-americanos Jennifer Lopez e Pitbull. Após o anúncio, uma versão em baixa qualidade da faixa intitulada “We Are One (Ole Ola)”, gravada no início do mês, se transformou em um dos assuntos mais comentados por internautas de diferentes regiões do país.

Cláudia Leitte e Pitbull posaram com representantes da Fifa e da Sony durante entrevista coletiva. Foto: Divulgação/Fifa

Cláudia Leitte e Pitbull posaram com representantes da Fifa e da Sony durante entrevista coletiva.
Foto: Divulgação/Fifa

Entre elogios e críticas, a canção repercute principalmente devido à letra, que apresenta poucos versos cantados em português. O ritmo é outro motivo de queixa por parte dos usuários das redes sociais.

Alguns deles afirmam que faltaram aspectos mais tradicionais da cultura brasileira na música. Já outros comentam que “Waka Waka”, tema da Copa da África, cantado por Shakira em 2010, é bem melhor pelo fato de possuir elementos próprios do país, como tambores e outros instrumentos.”

Nas redes sociais tá rolando a maior disputa, pois o som da Turma do Passinho tem muito mais a ver segundo os internautas:

“Bem a cara do Brasil colocar a música da Copa com maior parte da letra em inglês”, ironizou um internauta. “Aguentar as falcatruas já é complicado, mas aguentar a música da Copa é o fim da picada”, escreveu outra jovem.

A Copa do Povo das Ruas

(Cortado por excesso de Pixaim)

A copa do Apartheid e do Endocolonialismo. Um verdadeiro balde de leite sem nenhum pingo de café!

fonte: Bhaz

Sobre o discurso da Presidenta do Brasil na África do Sul:


por marcos romão
Foi um momento chave na história mundial dos grandes rituais de passagem, que envolvem não só nascimentos em tribos, mas também falecimentos de pessoas chaves que significam fim e início de eras ou fases históricas mundiais,
Mais de 160 representantes de estados estavam lá e notem, nenhum chefe Europeu teve a palavra no momento chave. É um recado pos mortis de Mandela ao neocolonialistas europeus que preferem enviar tropas ao invés de investimento para o desenvolvimento de África.
A questão racial neste governo está em uma camisa de força, os outros tres ex, representaram uma fase da participação do Brasil nas negociações do fim do Apartheid,que implicavam em botar as questões raciais e de desigualdades sociais em banho- maria, na África do Sul, nos EUA, no Brasil e no mundo. O futuro do mundo estava em jogo, Lula sabe disso, deveria ter passado a informação para Dilma.
Com o Lula houve grandes avanços nas relações com a África do Sul, mas o tema racismo e desigualdades raciais, manteve-se lá como cá fora da discussão governamental, por decisão da alta cúpula de poder no palácio.
Falava-se de promoção da igualdade racial, mas não se falava de racismo.
Este tema o racismo, e as desigualdades raciais que ele provoca e perpetua mesmo após o fim do Apartheid, é o que evidencia a permanente semelhança entre a situação atual da África do Sul e do Brasil. Nós somos o futuro deles no que toca às violências e corrupções que uma sociedade racista provoca.
Imagino a guerra de pé de ouvido com a presidenta para ela saber o que falava no avião e com seu gabinete civil, todos “especialistas em negros”….
Dilma já confessou em entrevista que tomou conhecimento da questão negra brasileira quando já fazia pós-graduação. Há sempre tempo de aprender. Mas cercada por “doutores brancos” em negros, acabou escorregando no farsa do sangue negro e do pé na cozinha da África.
Se ao invés de escutar os seus “doutores de gabinete” que impedem em Brasília desde 2003, a discussão sobre racismo e perpetuação das desigualdades sociais, e tivesse lido a entrevista sobre Mandela, de sua com menos poder mas não por isso menor ministra, Luiza Bairros…
Teria aproveitado a chance, como Obama, que aproveitou a deixa Mandela para mandar um recado aos racistas de sua própria casa, os EUA.

Luiza Bairros

Luiza Bairros

mamapress.wordpress.com/2013/12/08/ministra-luiza-bairros-diz-que-figura-de-mandela-e-usada-para-tentar-disfarcar-o-racismo-no-brasil/

Só mesmo no Brasil, jornalista vira charlatão em psicologia e analista de caráter do negro


por Marcos Romão

Visibilidade e fama para negro no Brasil são coisas perigosas.  O perigo de cair do sucesso para o Pelourinho, está em cada casca de banana escondida em todas as curvas de seu caminho.

O caráter do homem e da mulher negra é como ‘bundinha de nenén’, todo mundo se acha no direito de dar opinião e passar a mão dando seus beliscõezinhos em nada agradáveis.

Para não me alongar no tempo da escravização do negro no Brasil, em nossa república falar e escrever sobre o caráter do negro virou uma especialidade em que todos podem tecer suas teorias, desde os acadêmicos até os fuxiqueiros enciumados da esquina. Todos têm um amigo negro que é bom, mas no geral os negros e as negras precisam se adaptar. Precisam sair desse “complexo de inferioridade”, porém, sem montar barracos, confusões e possíveis atos vingativos, melhor serem agradecidos.

De Oliveira Viana a Gilberto Freyre, os acadêmicos brancos brasileiros deram sua pitada sobre o que é o negro brasileiro, o que é o seu caráter. É uma sina do negro brasileiro ter tanta gente a defini-lo. O negro fica sem tempo para saber quem é nesta miríade de definições e sentenças sobre o que ele é e onde deve estar e ficar.

Apesar de alguns avanços da academia em relação aos estudos sobre o negro desde Florestan Fernandes, passando pelos brasilianistas e pelos cientistas sociais balançados pelo movimento negro dos anos 70s. Estes avanços teóricos que tiveram a influência do esquecido e nunca citado Sociólogo Guerreiro Ramos e a faca lingüística e política de Abdias Nascimento, pouco influenciam no dia a dia e no racismo verbal que atingem os negros brasileiros, pois ainda vivemos em nosso imaginário coletivo, nos tempos de Monteiro Lobato e narizinhos empinados e de Gilberto Freyre com sua morenice agradável. Negro bom é o negro que se adapta, se comporta e esquece que é negro, pois adaptado é “igual”.

Presos teoricamente em Gilberto Freyre, os intelectuais brancos brasileiros, revelam em 2013, com a aparição de uma casquinha de pele preta próxima ao poder (não nele) seus medos infantis do bicho-papão, do negro mau, que chega de noite para violar suas casas, mulheres ou seus castelos teóricos. Estava tudo tão confortável no Brasil. Negro se fingia de bonzinho e tudo ia bem. Gente negra mal agradecida, bem que os bisavós escravizadores avisaram.

Fiquemos no “Pai de Todos”, o Gilberto Freyre e suas lições sobre caráter, comportamento e participação do povo negro na formação do modo de pensar brasileiro.

Em Casa Grande e Senzala, ele nos dá uma pista sobre como se pensa no imaginário coletivo brasileiro de 2013:

“na colocação dos pronomes, como nós brasileiros temos duas faces:

uma dura, antipática, dominante que se expressa no Faça-me isto! E uma suave, simpática, pronta a obedecer do dominado que pede Me faça. E nem precisamos ter uma só linguagem as duas devem coexistir porque a força, a potencialidade da cultura brasileira parece residir toda na riqueza dos antagonismos equilibrados!!!”

Joaquim Barbosa contraditou o esperado e optou como negro “complexado e “dominado” pelo “Faça-me isto!”

Como sujeito negro com complexo de inferioridade, nas palavras do jornalista Ricardo Noblat, o ministro negro saiu de seu papel, que deveria ser dócil e agradecido, pois lá no Supremo está por ser um negro “escolhido” como café de boa cepa.

Pela infeliz escolha do magnânimo senhor de plantão, a coisa ou o  julgamento deu no que deu. Foi até o fim e tem gente graúda presa, apesar de 200 milhões de brasileiros e brasileiras, jamais imaginarem que um dia isto poderia acontecer no Brasil.

O jornalista Noblat vai ao cerne do jeitinho que é a base do racismo brasileiro, mas perde as estribeiras, como é típico para intelectuais que entram no campo do “psicológico” quando falam do negro no Brasil:

“Por mais inocente que seja quem não receia ser alvo de uma falsa acusação? Ao fim e ao cabo, quem não teme o que emana da autoridade da toga?

Joaquim faz questão de exercê-la na fronteira do autoritarismo. E por causa disso, vez por outra derrapa e ultrapassa a fronteira, provocando barulho.

Não é uma questão de maus modos. Ou da educação que o berço lhe negou, pois não lhe negou. No caso dele, tem a ver com o entendimento jurássico de que para fazer justiça não se pode fazer qualquer concessão à afabilidade.

Para entender melhor Joaquim acrescente-se a cor – sua cor. Há negros que padecem do complexo de inferioridade. Outros assumem uma postura radicalmente oposta para enfrentar a discriminação.

Joaquim é assim se lhe parece. Sua promoção a ministro do STF em nada serviu para suavizar-lhe a soberba. Pelo contrário.”

Joaquim foi descoberto por um caça talentos de Lula, incumbido de caçar um jurista talentoso e… negro.”

Tenho respeito por Ricardo Noblat, um jornalista que se caracteriza por sua independência, como também a tem o juiz Joaquim Barbosa.

Em seu texto “Joaquim Barbosa: Fora do eixo”. Noblat não entra nas diatribes racistas que se tem publicado ultimamente em blogs e jornalões, em uma campanha orquestrada para se atingir o caráter de Joaquim Barbosa, entretanto a alimenta.

Noblat escorrega no desaforo, como todo bom jogador de futebol amigo do negro que acabou de xingar. Só que Noblat, estamos em 2013 e o pote de tolerância com o racismo transbordou. Basta!

Joaquim Barbosa está Ministro Presidente do Supremo Tribunal porque é negro, todos nós negros, assim como Barbosa, o sabemos. Como sabemos que todos os outros anteriores o foram porque eram brancos.

Como um troféu de outrora ele o negro jurista precisou ser caçado, como eram caçados os griots, quando havia necessidade de alguma conciliação colonial com os escravizados, depois eram mortos.

Negro jurista dificilmente seria encontrável nos churrascos da “Granja Torta e Branca”, onde negros só entram como “tias Anastácias” e Lambe-Botas. Caçadores de talentos deveriam sair de lupa na mão para aprisionar um negro com “alguma” competência branca, pois o Brasil assim o precisava para ter uma nova imagem.

São 125 anos de Abolição e só os astros dirão se vai durar mais 125 anos para termos um ou outro presidente do STF negro.

Baixe o pau quem quiser no Presidente do Supremo. Dê sua opinião quem quiser sobre o julgamento do mensalão. Coloque em questão quem quiser os procedimentos jurídicos do julgamento e das prisões. Estamos em uma democracia, mesmo que capenga. Ainda é um direito de qualquer cidadão emitir sua opinião.

Agora pensem duas vezes ao serem analistas do caráter de ser negro. Vocês têm muito pouca experiência no assunto, pois são inconscientes da própria cor e de seus privilégios. Chega de charlatanismo psicológico sobre o que o negro pensa.

Quantas vezes, você Noblat participou de uma roda de conversa antirracista para saber o que é construção de identidade?

Os negros sabem que é muito difícil para os brancos encararem a sua “falta de identidade privilegiada”, por isto fica mais fácil falar e escrever sobre os outros, índios e negros e mulheres e assim esquecerem-se da própria “Patologia do Homem Branco”, como nos lembra Guerreiro Ramos.

Nestes últimos 40 anos tive o prazer de vivenciar com brancos no Brasil e na Europa, que enfrentaram  a Esfinge do Racismo. Doeu mas pariram. Pararam de serem “doutores” em negros. Ai deu para começar a conversar.

Pergunte às mães e esposas de jovens e maridos negros, o que é assistir a seus parentes serem julgados por milhares de juízes brancos, que tem medo e asco à sua pele e comportamento e os enfiam nas masmorras?

Ainda não li uma linha branca nos jornalões sobre o caráter mau, perverso, branco e racista destes juízes e de sua formação e berço.

Ao voltar há dois anos ao Brasil avisei aos meus amigos. O racismo brasileiro está entrando em uma fase nova e virulenta. Poucos acreditaram.

Agora muitos negros estão surpresos e estupefatos, com a sem cerimônia intelectual com que passam a mão nas nossas caras e nádegas e pedem que sejam agradecidos pela condescendência de o fazerem com margarina.

Negro não tem imprensa, mas a resposta está aí. Só não vê quem não quer.

Como diria o Gonzaguinha: “A gente não está com a bunda exposta na janela prá passar a mão nela”.

Meus respeitos agora estão na condicional.

campanha contra barbosa é racismo

Cartaz da Campanha Stop o Neoracismo produção Luiz Carlos Gá

Par quem quiser em meia hora se aprofundar sobre a construção do imaginário coletivo racista de 2013, aqui está uma aula sobre o pensamentos social brasileiro da Professora Elide Ruda Bastos

Discriminação racial aprendida.


por hamlet hermann do original traduzido por marcos romão
Recentemente, no pro2998192BB030_Chicago_Cubsgrama de TV ” The Clock” , notei um estudo de percepção racial com crianças dominicanas. Sentado na frente de dois bonecos de borracha , uma pele branca e pele escura, respondeu às perguntas que tentam determinar o valor que essas crianças deram a perguntas sobre a honestidade, a inteligência, a futura carreira , etc . A inocência infantil refletia ali os conceitos aprendidos a partir da mãe dentro de casa, na escola e nas ruas.
Edith Febles e Marinha Zapete opinaram espantados , como em uma idade tão jovem, essas crianças foram doutrinadas com a falsa idéia de que as pessoas de pele clara são superiores às pessoas de pele escura. Infelizmente, a discriminação racial aprendida na infância jamais abandonará aqueles seres que crescem sentindo-se inferiores e traumatizados .
Refleti , em seguida, para confirmar o que tinha causado a decisão do Tribunal Constitucional que retira a cidadania Dominicana para milhares de pessoas de origem haitiana. O autor intelectual desta desgraçada resolução havia sido a discriminação racial aprendida por estes juízes desde que nasceram. Pouco deve ter influído a presença de dois magistrados de origem cocolos (não hispânico afrodescendente), dois provenientes de familias palestinas e a alguns mulatos “mulatos”, outros sem definição precisa e negros.
O veneno vem da fábrica , a denominação de origem de uma identidade construída sobre o reconhecimento da superioridade de outras pessoas com a pele branca. Tudo isso apesar de nenhum dos juízes serem brancos, e todos terem ” o preto atrás da orelha ” .
Por essa resolução , prevaleceu neles algo mais forte do que a Constituição e a lei justa . Predominou na decisão, a obsessão do mulato Rafael Trujillo para “melhorar a raça ” . Eles não devem ignorar , na sua decisão , que tal ideologia foi o que levou ao genocídio de 1937, quando ele matou milhares de seres humanos que não conseguia pronunciar claramente a palavra “perejil” que em português significa a herva “salsa” .
Estes juízes pensaram como o tirano complexado San Cristobal , que optou por importar espanhóis , judeus e japoneses , porque ele tinha vergonha de sua mulatice . Se tivesse vivido na época atual , alimentado por grandes avanços na ciência e tecnologia, não duvido que Trujillo teria seguido o caminho aberrante para branquear a pele, como fariam em seguida, Samuel Sosa jogador de beisebol dominicano e o artista norte-americano Michael Jackson.
Teriam pensado nisto os juízes do Tribunal Constitucional ? Não se esqueça que a ideologia de negar sua própria identidade, começa por  endireitar seu cabelo para parecer branco e depois disso, você nunca sabe até que ponto pode chegar a síndrome esquizofrênica que busca negar a si mesmo .

Sammy Sosa

Sammy Sosa

Triste lamentável este fato  que é esta decisão dos juízes da Suprema Corte, que não condiz com a realidade étnica dominicana. Eles foram permanentemente chantajeados pelo grupo fascista anti-haitianos e cederam facilmente à esta turba hipócrita. Tremeram diante do grito permamente de que o país está se “haitianizando”, querendo dizer com isto, enegrecendo-se. Falsidades das falsidade.
Eles buscam ocultar por todos os meios a verdadeira composição racial Dominicana no momento da separação do Haiti e da fundação da República .
Se dermos crédito ao relatório de 1844 elaborado pelo tenente Daniel Dixon Porter, encomendado pelo presidente dos Estados Unidos , John Tyler, comprovaríamos algo diferente. Dixon elaborou um documento que seria necessário um livro com o título “Diário de uma missão secreta para Santo Domingo” .
Neste realtório afirma-se, que naquela época o país tinha 159 mil habitantes. A composição racial foi distribuído em 5, 000 brancos ( 3%) , 60, 000 quartos (38%) , 60.000 pardos (38%) , 14, 000 ” mulato escuro ” (9 %) e 20.000 “Africano ” (12 % ) . Hoje, 169 anos depois, a composição étnica Dominicana foi estabelecido como 11 % das pessoas com pele negra , mulata de 73% e 16% das pessoas de origem caucasiana. Ou o que é o mesmo que dizer , em vez de denegrir , como alegado pelos patrioteiros anti-haitianos, a sociedade dominicana se “aclarou ” em virtude do aumento dos peles brancas.
Definitivamente Trujillo e a discriminação racial aprendida ganharam com este episódio, mas muita água deve rolar debaixo desta ponte/barreira histórica, até que se faça justiça.

Nota: Desde que cheguei de volta ao Brasil, mais precisamente de Hamburgo na Alemanha, espantei-me com a quantidade de gente “aloirada” em minha cidade de Niterói. Quanto mais refinado fosse o bairro que visitasse, maior a quantidade de “loiras”, que sentavam-se ao meu lado nos ônibus. Suas peles eram um triz de cor da minha, algumas mais escuras. Dava par ver e perceber no olhar que se sentiam brancos ou quase brancos.

25 anos fora do Brasil e o ensinado nas televisões, desde 1964, parecem ter surtido efeito. Estamos em uma grande “República Dominicana”, onde o complexo de valorização da superioridade do branco aprendido todo dia, dentro de casa, nas escolas e meios de comunicação estão começando a surtir efeitos e produzem, um novo tipo de racismo, o racismo do ex-preto.(marcos romão)

ps: Mamapressa gradece aos ativistas do movimento negro , Paulo Roberto dos Santo e Carlos Alberto Medeiro, que na Lista Direito e Discriminação Racial, nos chamaram a atenção, pare este artigo.