Obrigada! Para que vocês precisariam de mim? O grito da mulher indígena Eliane Potiguara


Obrigada! Para que vocês precisariam de mim?

eliane potiguaraSão mais de 40 anos falando a mesma coisa…Tudo que é falado hoje, nada é novidade…Eu vi que negros conseguiram SEPPIR, ISSO , AQUILO…. QUILOMBOLAS COMEÇARAM A TER EXPRESSÕES E OS POVOS INDÍGENAS NÃO SÃO OUVIDOS e desacredidatos pelo Governo…

Cadê a secretaria gerenciada pelos próprios indígenas?

Cadê o Museu do Índio?

Cadê o Estatuto do Índio?

As aldeias vivem de pobreza, fazem trabalhos individuais ou promoções próprias OU DE GRUPELHOS… Já não me sinto bem…Quero ver o crescimento dos povos indígenas do Brasil…

EU NÃO SIRVO PRA NADA!….

JÁ FIZ MAIS DE 50 VIAGENS, INTRODUZI POVOS INDÍGENAS NAS NAÇÕES UNIDAS E EM OUTRAS INSTÂNCIAS…

FUI A PRIMEIRA PESSOA A DENUNCIAR E FALAR DE RACISMO PARA 3000 ÍNDIOS NOS USA…..

E por que povos indígenas são desacreditados pelo governo?

Criamos associações, implementamos projetos e ações, fortalecemos ações jurídicas, negociamos com outros países….Pra quê?

É um passo a frente e dois atrás como descreve Lênin em seu livro O QUE FAZER? BEM, só nos sobra ações individuais… palestras em castelos…. grupelhos com seus objetivos próprios,

NÃO VEJO UNIDADE EM NADA…

ME DESCULPE…. É TUDO UMA GRANDE MENTIRA!

HIPOCRISIA!

ELIANE POTIGUARA

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“É NECESSÁRIO UM PROJETO POLÍTICO DO POVO NEGRO PARA O BRASIL”


Alexandre Haubrich

Ativista político desde os anos 1970, desde a década de 90 Onir Araújo resolveu dedicar sua vida às lutas do povo negro. Descendente de quilombolas, Onir atua hoje na Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas, criada em 2010. Além disso, também milita na Articulação Nacional de Quilombos, sendo talvez a principal referência da luta dos negros no Rio Grande do Sul. Durante mais de uma hora, Onir conversou com o Jornalismo B sobre a luta quilombola, a batalha contra o racismo e o momento de reorganização do movimento negro no país.

Qual a situação geral da luta pelas terras quilombolas?

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O cenário é bem complicado. Nos últimos dez anos, tivemos o recrudescimento dos ataques físicos aos territórios – com jagunços, milicianos, etc. O marco legal, que de certa forma baliza a demarcação dos territórios, foi conquistado com muita luta: com a mobilização do movimento social negro na década de 80, a gente conseguiu gravar na Constituição o artigo 68 do ato das disposições constitucionais transitórias, que reconhece o direito à demarcação dos territórios. Ou seja, está na Constituição através de um processo de luta. Além de outros marcos. O artigo 231, que se refere às terras indígenas, e assim por diante. No processo de luta pela redemocratização do país, os povos também se articularam, tanto o povo negro como os povos originários, e nós conseguimos, com essa mobilização, gravar uma série de conquistas importantes na Constituição. E são justamente essas conquistas que estão ameaçadas. Existe um ataque nas três esferas de Estado. No Legislativo, uma série de projetos de lei que atacam esses direitos, o mais grave deles é um Projeto de Emenda Constitucional chamado PEC 215, de 2000, que ataca tanto territórios indígenas e quilombolas como também as reservas ambientais. Esse projeto joga toda a discussão de demarcação de territórios para o Congresso Nacional, tirando essa responsabilidade da Funai no caso dos indígenas, do Incra no caso dos quilombolas. Criando um impasse e um risco não só para o futuro, mas também retroativamente. Pode se rever todas as áreas demarcadas, no caso dos indígenas, e tituladas, no caso dos quilombolas, e também as reservas naturais. Isso tudo pode ser revisto se esse Projeto de Emenda Constitucional passar no Congresso.

Qual a situação desse projeto?

Ele está tramitando em uma velocidade supersônica. Está havendo muita resistência, principalmente da parte dos povos originários, que estão na vanguarda desse processo. Os quilombolas vêm junto, mas em um ritmo menor. E na verdade essa é uma discussão para toda a sociedade. Na medida em que você discute a demarcação e a titulação dos territórios quilombolas, bem como as reservas naturais, você discute o próprio projeto de nação. Qual o projeto de nação que a gente quer consolidar. No Legislativo, essa é a mais paradigmática, a PEC 215, mas tem vários outros projetos de lei que vão minando esses marcos legais. Na esfera do Executivo, pelas alianças e pela questão da governabilidade…as alianças de sustentação do governo federal…o governo federal tem, por exemplo, na sua base aliada, os setores do agronegócio, os setores ligados às empreiteiras, às mineradoras, etc., e nessa composição, pela opção de projeto político do governo federal, que é privilegiar as commodities, exportação, agronegócio, etc., se choca diretamente com a luta pela manutenção dos direitos dos povos. O governo tem na base aliada dele por exemplo a Kátia Abreu, tem partidos como esse deputado do Rio Grande do Sul, o Luiz Carlos Heinze, que é o PP, que inclusive na campanha eleitoral dele o Heinze fala que não basta ele ter combatido o MST, agora ele vai combater os quilombolas e os indígenas. E esses setores compõem a base do governo federal, então o projeto político que está aí, neodesenvolvimentista, é um projeto extremamente nefasto para o povo brasileiro em geral. E quem está na vanguarda da resistência a esse projeto nesse momento são os povos originários, os quilombolas, que resistem contra o avanço das mineradoras, o avanço desses megaprojetos de transformar de novo a América Latina em um quintal produtor de matéria prima, massacrando os povos do continente inteiro. O Executivo, em função disso, tranca, cria entraves até ilegais nos projetos de demarcação e titulação dos territórios.

Institucionalmente há alguma mudança significativa a partir da chegada do PT ao governo federal?

Nenhuma. Na prática, institucionalmente não teve mudança nenhuma. No caso quilombola, esses últimos dez anos…nós temos ao todo, desde a Constituição de 88, em torno de 120 comunidades tituladas em um universo de quase 5 mil comunidades quilombolas no país. Tem 26 anos a Constituição, e nesses 26 anos praticamente somente 120 comunidades foram tituladas. Nos últimos dez anos, desse total de 120, não chegam a dez os territórios titulados. Teve uma pesquisa feita pela UFRGS recentemente, em 22 comunidades quilombolas, sob o ponto de vista de segurança alimentar, e a pesquisa concluiu que os quilombolas são três vezes mais inseguros sob o ponto de vista alimentar do que a população em geral. Por que isso? Porque os territórios estão sendo precarizados ao longo da história. Boa parte das comunidades estão desterritorializadas pela grilagem, pela violência, pelo logro, e aí se cria uma série de pressões, se reduz o território reivindicado. As mesas de negociação que surgiram recentemente envolvendo tanto indígenas quanto quilombolas são mesas em que se pressionam as lideranças para que abram mão dos seus direitos…

Existe uma perseguição às lideranças?

Existe uma perseguição muito grande. Nunca se matou tanto indígena e quilombola como nos últimos dez anos. Os dados estão aí, muitos assassinatos. Fora que a política de precarização econômica, política e social nesses territórios também provoca a morte das pessoas. Esse quadro de que é três vezes mais inseguro sob o ponto de vista alimentar…a alimentação é um fator essencial para que se tenha saúde. É um genocídio, é sistemático. O não reconhecimento do direito territorial é uma forma de genocídio, como os despejos também são uma forma de genocídio, além da matança mesmo, a situação da violência contra a juventude negra, que é uma catástrofe. Temos um dado de que, a cada ano, 30 mil jovens negros na faixa etária de 14 a 28 anos são vítimas de homicídio no país. Por ano. E as políticas institucionais para esse quadro são pífias.

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Antes de chegar nesses temas mais específicos, gostaria que falasses um pouco sobre como esses movimentos estão articulados.

No movimento quilombola, nesse momento existe a Conaq, que é a Coordenação Nacional de Quilombos, que é uma entidade praticamente cartorial, aplica a política do governo federal, que é essa política genocida, de fim de direitos. Tem nós, a Articulação Nacional de Quilombos, que é composta por uma série de coletivos, entre eles a Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas, e que articula em torno de seis ou sete estados, com um perfil de autonomia em relação ao governo, ao Estado, aos partidos. A articulação com o movimento social negro está no marco geral de como estão os movimentos sociais no país. No próprio movimento social negro existe uma rearticulação, porque boa parte das organizações tradicionais do movimento se adaptou e foi cooptada pelo governo federal. Como no movimento sindical a CUT, por exemplo. Defende a política do governo, e o próprio umbigo de uma ou duas lideranças ou comunidades. A questão da construção da Articulação e da Frente Quilombola tem a ver com essa parcela do movimento social negro que está procurando se rearticular com esses pontos fundamentais de princípio, que são a autonomia e a independência em relação ao governo, ao Estado e aos partidos, e apontar a construção de um projeto político do povo negro para o Brasil, retomar a tradição histórica nossa de organização nossa enquanto povo, com uma ferramenta nossa, política, para articular primeiro com as outras organizações e entidades do próprio movimento social negro e também com as outras organizações políticas que existem no Brasil. Nós estamos nesse processo que o próprio movimento social brasileiro, depois desses dez anos de fragmentação, sofreu. A gente está em uma caminhada para construir novos mecanismos, novas ferramentas de luta a partir dessa luta concreta. O movimento negro sempre teve muita dificuldade, em função do racismo, para construir uma ferramenta política nossa. Na década de 30, a Frente Negra, que inclusive foi muito forte no Rio Grande do Sul, em 36 se transforma em partido. E em 37, com o golpe de Vargas, todos os partidos foram colocados na ilegalidade. Em 45, com a redemocratização, os partidos voltam a funcionar, e nós não conseguimos nos rearticular nesse período. Ficamos muito resistindo nos territórios, nos referenciais territoriais de matriz africana, em grupos, clubes, e sem um projeto político que unifique e que nos dê uma força enquanto sujeitos para a transformação, junto com outros setores, da sociedade brasileira. Nesse meio tempo teve o Teatro Experimental do Negro, com o Abdias (Nascimento), resistências pontuais. A gente só se rearticula enquanto um movimento e um caminho para a construção desse projeto político em 78, com a criação do Movimento Negro Unificado, o MNU. Depois de 78 outras organizações do movimento social negro surgiram, e houve um esforço agora no início do século XXI, para se tentar avançar nessa discussão de um projeto político nosso para o Brasil. Foi com o Coneb, que era o Congresso de Negros e Negras para o Brasil. O Coneb foi completamente esvaziado em função dessa questão de várias organizações acabarem sendo braços de determinados partidos políticos. Houve um processo de boa parte dos quadros do movimento social negro e das organizações ficar completamente atrelada aos partidos políticos em que se inseriram e cuja pauta da luta contra o racismo não é considerada uma das pautas prioritárias para a transformação revolucionária do país, no meu entendimento de forma equivocada. O racismo, no nosso entendimento, é estruturante da sociedade brasileira, junto com a questão de classe. As relações econômicas e políticas são permeadas por essa ideologia. Então se não se tem uma organização política que reflita esse programa, que reflita a necessidade de combater o sistema considerando que esse fator existe, você nunca vai combater de fato esse sistema, porque em algum momento vai acabar reproduzindo ele. O esforço que a gente está fazendo agora é esse, de ajudar a rearticulação do nosso povo, procurar construir uma ferramenta política que reflita essa visão que nós temos do Brasil, e a partir daí fazer a interlocução com outros setores que lutam também pela transformação social aqui no país. Não adianta, não basta só ser um negro e se eleger. Se não refletir um programa e uma realidade concreta de um pertencimento para si, vai naufragar em um projeto político que não é o seu.

Essa dificuldade de avançar na luta pelos territórios indígenas e quilombolas é mais por uma questão territorial ou é mais pelo racismo? Como se dá essa dinâmica?

O racismo é uma ideologia que estrutura uma situação de exploração e opressão colonial. Ele foi criado para justificar de alguma forma a exploração por parte da Europa, e depois dos Estados Unidos, de vários continentes. Ele permeia essa questão territorial. As ações do Heinze e do Alceu Moreira, a própria postura do governo federal em criar entraves ao processo de demarcação, como está previsto em lei, é uma expressão concreta do racismo. Qual o interesse? É justamente manter a exploração dos povos, o controle da sociedade, dos recursos naturais, o controle político. Então eles se combinam. A luta quilombola, e a própria luta indígena, tem um caráter de libertação nacional. São povos que tiveram seus territórios invadidos, ocupados, explorados, e que estão lutando para se libertar dessa opressão. Está imbrincada. É o racismo, o racismo se expressa dessa forma, tanto institucionalmente quanto na ação direta. As declarações de Heinze e Alceu Moreira, naquela audiência pública no final do ano passado, dizendo que gays, lésbicas, quilombolas e indígenas é tudo o que não presta, e estimulando os colonos a se armarem e atirarem e expulsarem os indígenas de onde estão, está sendo cumprida. Isso está sendo feito. O discurso é genocida e é racista. E esse discurso não é só deles, também é utilizado pela Fetrafi Sul, Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar da Região Sul, filiada à CUT. Eles também têm esse discurso. Então você vê que não é “ah, trabalhador vai ser solidário com os povos”. Não é assim, a banda não toca nesse ritmo. A expansão da fronteira agrícola aqui foi feita em detrimento dos povos originários, quilombolas, indígenas, ribeirinhos. E a Região Sul, como recebeu uma leva muito grande de imigrantes empobrecidos da Europa, essa gente foi praticamente assentada em cima de territórios indígenas e quilombolas e comunidades tradicionais, e foi a infantaria desse exército racista de invasão, ocupação e colonização do território brasileiro. E já estão na terceira ou segunda geração.

Estamos falando de uma questão mais rural, e que é de uma violência civil contra o povo negro. Tem a outra ponta, uma violência mais estatal, institucionalizada e urbana. Como se dá a violência nesse espaço?

No Brasil hoje a maior parte da população está concentrada nas cidades, e na verdade a gente encara as cidades brasileiras como se elas tivessem um muro. Tem a cidade europeia e a cidade afro-indígena. A cidade afro-indígena são as periferias, as favelas. E quem é o muro? O muro é o racismo, e o muro são as forças de segurança. Falo que é o racismo porque é a ideologia que passa através da mídia nos criminalizando, nos tornando uma ameaça, nos tornando o mau, nos demonizando. Na verdade, a contensão, o muro é esse, é o muro do racismo e é o muro armado. E nos últimos anos se agravou, com os megaeventos, um investimento maciço na modernização do aparato repressivo que foi testado nas manifestações no asfalto no ano passado, mas que vem sendo aplicado há muito tempo nas periferias, quilombos, favelas. É um reforço na questão da contensão da população, que começa quando se sai de casa nas favelas, nas periferias ou nas vilas. Existe o medo de que essa população se levante contra a infâmia que sofre há cinco séculos, tome consequência desse fato e resolva tomar a História efetivamente em suas mãos com um projeto político necessário.

E esses casos dessas pessoas que “pulam esse muro”, de negros que chegam a cargos tidos como importantes, são representativos de quê?

Eles representam eles mesmos. Eles não representam uma discussão acumulada no movimento negro, representam uma articulação deles, dos coletivos deles dentro dos partidos políticos. Eles não estão ali a serviço de um projeto político do nosso povo. Eles são uma correia de transmissão do projeto político da Casa Grande para nós. E eles se locupletam do nosso sangue. O Malcolm X falava desse tipo de gente, que é chamado “negro da Casa Grande”. O negro da Casa Grande não diz “essa aqui é a casa do senhor”, ele fala “essa é a minha casa”. Ele não diz “essa é a comida do senhor”, ele fala “essa é a minha comida”. Nos Estados Unidos chamam de “uncle Thomas”, e aqui no Brasil “pai Tomás”. Se a Casa Grande pegasse fogo, ele morreria pra apagar o incêndio. Ele é um negro, mas não faz parte do nosso povo, ele está defendendo as poucas migalhas que caem da mesa onde a sinhazinha e o sinhozinho estão comendo. E servem pra isso, pra que o sistema fale olha…é interessante falar nisso porque a Dilma falou há pouco tempo: “olha, tem muitos negros no segundo escalão, mas eles vão ter que se preparar ainda para assumir cargos de primeiro escalão”. Pra ver como o sistema olha os negros, pra ver como a sinhazinha olha os negrinhos dela. Nós, não. Nós somos o “country niger”, como o Malcolm X falava, que é aquele que quer botar fogo mesmo na Casa Grande, e quem estiver lá dentro vai se queimar. Não tem como combater o sistema tratando ele com carinho.

As cotas são migalhas ou são uma forma de ajudar a derrubar o muro?

As cotas são uma conquista tática parcial. Elas têm toda a característica de qualquer luta do movimento social. As cotas só vieram por causa da luta do movimento social negro. Elas foram uma conquista tática, digamos. Importante. E, como outras conquistas, elas são absorvidas pelo sistema, mas elas são uma conquista tática importante, parcial, que tem que ser defendida. Mas elas são utilizadas pelos “pai Tomás” como “a conquista”, como o patamar máximo que se poderia chegar, e na verdade não é. O estudante negro que está lá dentro, se ele não tiver uma relação com o movimento social negro e com pertencimento…ele vai ter dois caminhos: ou ele vai pra Casa Grande ou ele coloca esse conhecimento, que foi fruto da luta ancestral do movimento social negro, a serviço de potencializar uma transformação do sistema. Ou seja, estão em disputa, inclusive por nós. O sistema luta para transformar eles em um “uncle Thomas”, e nós estamos lutando pra que eles coloquem esse espaço a serviço da luta pela libertação do nosso povo.

Desde o ano passado há um processo de tensionamento social, com os “de baixo” falando mais alto e os “de cima” respondendo com violência, repressão…esse processo de acirramento acontece também nas lutas do povo negro?

Sim, com certeza. O racismo se acirrou enormemente nos últimos quatro anos. Existe uma reação. Por isso o esforço que a gente está tendo é também de organizar, de criar ferramentas organizativas pra enfrentar esse processo. O desafio é que tem que se organizar, não tem como enfrentar uma situação como essa, com o diagnóstico que a gente tem, de forma desorganizada.

PRESO GARIMPEIRO ACUSADO DE AMEAÇAR INDÍGENAS DE MORTE


Enviado por Luar Sateré Mawé

Parentes do povo Mundururu, que realizam por conta própria fiscalização em quatro afluentes do Rio Tapajós, na região oeste do Pará, apreenderam recentemente 12 dragas utilizadas ilegalmente para a extração de ouro e expulsaram dezenas de garimpeiros de suas terras.

Após a ação, os parentes relataram perseguições e ameaças de morte contra suas lideranças e registraram boletim de ocorrência na delegacia de Jacareacanga, onde denunciaram Alexandre Jesus Martins, dono de garimpo, conhecido como Tubaína.

Foto publicada em-MOVIMENTO INDÍGENA DE RENOVAÇÃO E REFLEXÃO DO ESTADO DO AMAZONAS (MIRREAM)

Foto publicada por Luar Sateré Mawé em-MOVIMENTO INDÍGENA DE RENOVAÇÃO E REFLEXÃO DO ESTADO DO AMAZONAS (MIRREAM)

 

 

A polícia esteve na casa de Tubaína, acompanhada dos parentes, onde encontrou munição e duas armas de fogo, sendo um revólver e uma carabina, ambas de calibre 38.

Paigomuyatpu Manhuary afirma que as lideranças Munduruku cansaram de esperar Tubaína aparecer na delegacia para se explicar sobre as constantes ameaças. Assim, acompanhados da polícia, os parentes Munduruku entraram na casa do garimpeiro para prenderem-no, apreendendo, também, suas armas.

O delegado de polícia, Lucizelton Ferreira dos Santos, que há seis meses trabalha no caso, confessou que a ação só aconteceu por conta da parceria com os parentes Munduruku.

Apesar de ter sido comprovado pelos Munduruku que Tubaína era dono de pelo menos dois garimpos em terra indígena, o que é flagrantemente inconstitucional, pois a lei garante que “as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes”, nenhum processo legal foi aberto até agora.

A palavra de ordem continua sendo RESISTÊNCIA!!!

Joaquim Barbosa sobre o racismo: diplomacia brasileira “é muito discriminatória”


Em nossa linha de conversar sobre o racismo no Brasil sem subterfúgios nem desculpas esfarrapadas, a Mamapress reitera a sua posição de o racismo no Brasil vai aparecer e se evidenciar cada dia mais. Vai aparecer não pelo racismo de agora ser maior ou menor do que antes. Mas sim porque os discriminados não estão mais engolindo as desculpas esfarrapadas dos racistas que sempre alegam que têm um pé na cozinha quando querem esconder os crimes racistas que cometem.
Já temos toda uma geração de empregadas domésticas que exigem seus direitos trabalhistas. Temos toda uma geração de trabalhadores negros que, que já não mais aceitam que seus companheiros brancos ganhem mais e sejam sempre promovidos na frente deles. Já temos toda uma geração de intelectuais formados lá fora que podem sustentar de igual para igual com os intelectuais brancos as discussões e reivindicações trazidas pelos 53% da população não branca. Infelizmente maioria destes intelectuais formados em todas as disciplinas, foram formados lá fora, pois aqui no Brasil, a academia reservou aos negros e indígenas estudarem os negros e indígenas, viramos uma disciplina.
Queremos mais, queremos estar no poder em todas as instituições. Temos homens e mulheres negras e indígenas de todas as idade preparados para esta tarefa, e não me venham com esta velha história que precisamos esperar os investimentos em educação para termos igualdade. Dou meu exemplo pessoal: Em minha experiência profissional no Brasil, a maioria da pessoas brancas a quem eu fui subordinado, não tinham o preparo que eu tinha, hoje a maioria é rica e senta em Brasília enquanto eu… tive minha carreira de sociólogo de tal forma bloqueada que tive que sair do país em 1989.
Quantas vezes tive que pedir à uma funcionária negra, com 30 anos de serviços sem nenhuma promoção, que tivesse a gentileza de “escolarizar” a loura que iria ser chefe dela no secretariado, que nem um memorando escrever o sabia, mas como branca representaria melhor a recepção no gabinete do chefão branco?
As discussões à cerca do racismo que sempre foram colocadas debaixo do tapete, e estavam reduzidas aos circuitos do movimento negros e grupos discriminados como os grupos mulheres, indígenas e LGBT, viraram questão nacional desde as manifestações de junho de 2013.
O desaparecimento depois de torturado do corpo de Amarildo levaram os jovens de classe média das grandes cidades do Brasil que sempre viveram nos condomínios e escolas segregadas, ao descobrirem que estavam sendo tratados como negros pelas policias estaduais especializadas em maltratarem, torturarem e eliminarem negros na história do Brasil.
A perversidade do sistema racista e de apartheid que sustenta e mantém uma elite branca ou esbranquiçada no Brasil, saiu de suas margens de só atacar os guetos e hoje estende suas garras a todos os cidadãos e os perseguem mesmo dentro de seus computadores.
Fomos todos nivelados por baixo, fomos todos nivelados pela discriminação antes reservadas aos negros e indígenas.

Quase que ao mesmo tempo os brasileiros descobrem que têm um juiz negro na maior corte do país, juiz de carreira e que chega ao topo, elevando-se à categoria de ser o único e primeiro negro no Brasil a assumir esta posição no Brasil. Este exemplo nos nivelou por cima a todos o negros no Brasil. Em um país em que nós negros e indígenas somos segregados em tudo, descobrimos que também podemos entrar na máquina responsável por nos manter através da lei longe da propriedade e dos bens econômicos do Brasil. De nela entrar e transformá-la pode ser um passo. Esta possibilidade remota dede mudar o sistema judiciário que manda para as prisões  medievais milhares de negros, assusta. Assusta a simples possibilidade de negros julgarem e assim também brancos irem para a cadeia. Pela primeira vez então os brancos da elite brasileira, muitos deles que já passaram pelos porões da ditadura, se lembram e derramam lágrimas de crocodilos, sobre as condições desumanas em que vivem milhares de negros encaixotados em porões em que a tortura é o simples ir para lá. A justiça brasileira ao condenar alguém não o pune por seus mau-feitos, mas sim pela sua cor e condição econômica. Mandar alguém pobre e preto para a prisão no Brasil para simples averiguação, é dar a pena de morte ou tortura perpétua. A única saída para esta pessoa é baixar a cabeça ou se tornar fera para massacrar e cortar cabeças de outros iguais.

Todos estes acontecimentos que vivemos nos últimos dois anos são momentos emblemáticos, que escancaram para todos o Brasil racista que só inglês podia ver.

Vivemos um momento chave em nosso país que pode influenciar e propiciar a mudança da mentalidade racista de todos nós brasileiros. Está na hora de termos solidariedade um com os outros e reconhecermos que o sistema de apartheid racial e econômico no Brasil, nos atinge a todos e à nossas famílias. Que está nos destruindo a todos

A entrevista do RFI com o Ministro Barbosa, revela um ministro do STF, também preocupado com esta questão. O próprio STF com esmagadora maioria de brancos quatrocentões, em decisão memorável reconheceu a dívida do Brasil para com os negros e indígena e homologou em 2012 as cotas como constitucionais.

É essa discussão que nos interessa e nos interessa fazê-la com responsabilidade, pois estamos todos sentados em um Barril de Pólvora evidenciado pelo genocídio de nossa juventude negra, que precisa ser finalmente enfrentado.
O linchamento que alguns setores da sociedade fazem atualmente do Ministro Joaquim Barbosa, é por nós considerado como uma fuga da discussão do racismo institucional que perpassa toda a nossa sociedade desde o alto escalão de Brasilia, passando pela composição racial dos quadros que comandam as redações de nossos veículos de comunicações, até as chefias de cozinha nos grandes clubes e hotéis.
Enfrentamos o racismo em todas as esquinas, este é o fato. (Marcos Romão- editor da Mamapress)

Artigo nos  de Lúcia Müzel, que nos foi enviado pelo advogado Humberto Adami

Joaquim Barbosa sobre o racismo: diplomacia brasileira “é muito discriminatória”

Lúcia Müzell fonte: RFI

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa
STF

Em 1993, quando deixou Paris com um título de doutor recém-conquistado na Universidade Panthéon-Assas, Joaquim Benedito Barbosa Gomes não imaginaria que, quase 20 anos depois, seria o primeiro negro a assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal. A nomeação, entretanto, é uma exceção em um país onde o racismo se esconde atrás de piadas e os negros permanecem longe de ter acesso às mesmas oportunidades que os brancos, apesar de comporem a maioria da população. Em entrevista exclusiva à RFI, Barbosa afirma que um dos piores exemplos é a face brasileira no exterior: a diplomacia, segundo ele, ainda “é muito discriminatória”.
Durante sua curta passagem por Paris, na semana passada, o presidente do STF foi recebido como convidado de honra no Conselho Constitucional francês, uma das instituições de maior prestígio do país. Poucos minutos antes de embarcar em um trem rumo a Londres, onde cumpre a segunda etapa de compromissos oficiais na Europa, ele conversou com a RFI.

Na semana passada, enquanto os jornalistas brasileiros aguardavam o senhor em um café na praça da Sorbonne, um garçom francês, negro, reconheceu o seu nome e sabia quem o senhor era. O senhor já é reconhecido no exterior?
Eu sempre tive o hábito de parar na praça da Sorbonne, não somente para tomar um café mas para estudar. Eu gostava de ficar ali. Mas em relação a um garçom ter me reconhecido, isso representa o fato de que os negros se reconhecem em qualquer lugar do mundo. Eles se reconhecem uns nos outros.

A sua carreira é de exceção no Brasil: um negro de origem humilde que chega à presidência do STF. Hoje, foram implantadas as cotas, por exemplo, entre outras ações para integrar melhor os negros na sociedade, inclusive em altos cargos. O senhor acha que a situação melhorou?
As coisas melhoraram um pouco nestes últimos 20 anos. Mas eu acho que nós ainda precisamos de bastante cotas em diversas áreas, porque 50 ou 51% da população é formada por negros. Entretanto, eles ainda se encontram em situações de inferioridade, sofrem discriminação, conseguem empregos ruins. No Brasil, nós não vemos os negros em cargos de direção nas empresas, ao contrário de outros países. A nossa diplomacia é formada em 99% por brancos e é muito discriminatória. Ou seja, ainda temos muito a fazer. Muito mesmo.

Na Europa, essa pouca representação dos negros nos altos cargos no Brasil, um país tão miscigenado, causa estranheza. O senhor acha que o Brasil é um país racista?
É um país onde o racismo é latente. Não é explícito: é latente. Ele é disfarçado, e se mostra nas situações nas quais os negros são excluídos. Quando alguém é surpreendido em um ato racista, ele muda de discurso, faz como se não fosse nada, diz que era uma brincadeira, reafirma que o país é uma mistura de raças, lembra que tem uma tia negra. Porém, em tudo aquilo que conta de verdade, na economia, nas posições de comando, os negros são excluídos.

Recentemente, a ministra francesa da Justiça, Christiane Taubira, foi alvo de vários ataques racistas. O senhor se encontrou com ela na semana passada. Vocês conversaram sobre este assunto?
Sim, nós falamos. Eu acho isso vergonhoso para a França. Uma mulher com muitas qualidades, como a ministra da Justiça Taubira, ser alvo de atos de machismo e de racismo. Nós estudamos na mesma faculdade de Direito em Paris, Panthéon-Assas, embora não tenhamos nos conhecido na época. Ela estudava em Assas e eu fazia o doutorado em Panthéon. E nós conversamos sobre incidentes racistas que nós dois tivemos na época. Houve brigas envolvendo a extrema-direita no campus, coisas assim. Eu acho tudo isso assustador. Porém, na França pelo menos existe o debate, enquanto, no Brasil, tudo fica escondido. Tudo fica como se fosse uma brincadeira. As medidas necessárias [contra o racismo] não são tomadas. O assunto é tratado com superficialidade. O assunto não é levado a sério, e este é o problema.

Durante as manifestações do ano passado, o senhor era visto como um ídolo. O seu nome era evocado para a presidência da República. Nos últimos meses, entretanto, o senhor virou alvo da imprensa, como por exemplo sobre o pagamento de diárias durante a sua viagem à Europa. Como o senhor sentiu essa mudança?
Isso não me incomoda. Isso faz parte do caráter um pouco provinciano do debate público no Brasil. Eu gostaria de debater as coisas sérias. É isso que me interessa. Mas tem uma certa imprensa sem escrúpulos no Brasil, pessoas pagas por fundos governamentais e que só querem saber de me atacar, mas eu só faço o meu trabalho. Faço o meu trabalho e não estou nem aí para essas pessoas.

Questionar a sua honestidade o incomoda?
São os brasileiros que devem dizer se sou honesto, e não estes maus-caracteres.

Liderança Indígena Marcos Terena fala: Queremos apoio e não agressão.


por marcos terena

CENTRO DE REFERENCIA DAS CULTURAS INDÍGENAS – Sede Antigo do Museu do Indio – RJ

Fala da Lideranças Indígenas

Fala da Lideranças Indígenas

Finalmente conhecemos o grupo chamado de resistência que foi expulso do prédio do antigo Museu do Índio em frente ao Estádio do Maracanã…

Nenhum deles era Índio, apenas um grupo de jovens pintados de Índio como mostra essa foto quando Alvaro Tukano, Pirakiman Yawalapiti e Tabata Kuikuro assumiram as negociações antes de uma reação indígena contra essa agressão.

Poderíamos recebê-los e conversar para agradecer o apoio mas eles invadiram o Hotel Novo Mundo onde estávamos e para nossa surpresa, também a reunião indígena que tinha a presença de Autoridades como os Chefes Indígenas Aniceto Xavante, Maria Helena Pareci e Andila Kaingang…

Ninguém sabia o que eles queriam naquele momento e nem eles…

O apoio da sociedade não indígena e da solidariedade é importante como uma aliança para objetivos comuns. Para nós é importante reconstruir o cenário histórico e arquitetônico por onde passaram Rondon e antigos Chefes Indígenas, principalmente agora que o Governo do Estado se dispôs a apoiar essa iniciativa. Não será apenas mais um Museu de exposições, mas local da diversidade e da grandeza da cultura indígena, ambiente para um parlamento indígena e até universidade, mas isso tem que ficar pronto antes da abertura da Copa de Futebol em 2014…

Para isso, não aceitamos esse tipo de apoio, ou melhor, agressão a qualquer custo e agora em diante os indígenas do Brasil se farão presentes nessa articulação com o Governo do Estado, sem intermediários como afirma o documento entregue a Secretaria de Cultura do Estado do Rio.

Apesar dos distúrbios brancos. Povos Indígenas sabem o que querem da Aldeia Maracanã.


por marcos romão

Cacique Aniceto

Cacique Aniceto

Meninos eu vi. Foi um dos encontros mais emocionantes de minha vida. Estar junto no hotel Novo Mundo por algumas horas, com tantas lideranças indígenas do país, que viajaram dias e horas, para representando mais uma centena de povos, dizerem ao Governo do Rio de Janeiro o que querem fazer com o Antigo Museu do Índio, a Aldeia Maracanã.

Marcos Terena veio de Brasília, o cacique Aniceto Xavante, reconhecido como uma das grandes lideranças indígenas mundiais, participou com suas sábias palavras para ajudar na construção do que virá a ser a futura Base Indígena nas terras do Rio de Janeiro, uma capital internacional e ainda por cima me ensinou depois de sessenta anos de idade que “Niterói” em sua língua significa -MINHA TERRA-  pois como os portugueses não entendiam os indígenas, “Iterô”* , MINHA TERRA, virou Niterói.

O neto de Raoni, viajou dois dias para trazer gravada a mensagem de seu avô, congraçando os povos indígenas a aproveitarem a oportunidade de retomarem o antigo Museu do Índio e transformá-lo na embaixada de todos os povos indígenas do Brasil, assim como várias lideranças vieram de todo o Brasil,  trazendo assinaturas que representam em seu conjunto quase 90 povos indígenas brasileiros, e estão abertos a que venham mais, assim que tomarem conhecimento da retomada da Aldeia Maracanã.

Segundo as palavras de uma liderança, eles vieram para acabar com os cassetetes e gás de pimenta contra seu povo representado no Rio de Janeiro.

Já eram 3 horas da tarde e os trabalhos finais  já estavam sendo encaminhados e elaborada uma minuta final, que depois seria encaminhada aos povos indígenas do país para a sua aprovação final, quando os presentes foram surpreendidos pela entrada agressiva de um grupo com uns 20 brancos pintados de índios que os acusavam de traidores e vendidos, que tumultuou com os trabalhos.

Foram 10 minutos de tensão naquela pequena sala de conferências do hotel, em que homens indígenas de mais de 70 anos de idade e mulheres indígenas mães e avós foram objetos de todo tipo de impropérios. O que mais temi foi a possibilidade de uma reação por parte dos 15 a 20 guerreiros jovens, o que poderia transformar aquele encontro histórico para o Brasil em uma catástrofe.

Mas mesmo sendo um homem negro de 60 anos, não passo de uma pessoa com o pensamento branco e que não entendo nada de indígenas. A reação daqueles homens e mulheres que estão nesta terra deles antes de pensarmos que havia este mundo, foi uma lição que carregarei para o resto da vida.

As palavras do Cacique Aniceto resumiram bem o que aprendia. Eles sabiam para o que vieram. Vieram para negociar a retomada do que é deles. Esta certeza da razão era a força que eles utilizavam.

Álvaro Tucano acalmou parte da platéia de brancos, que lá chegou os xingando de traidores e de vendidos, dizendo que ele já conhece de muito tempo as guerras dos brancos e,  que está no Rio para com a união de seus povos  trazer um exemplo e paz para uma cidade confusa.

O Xavante Pirakumam (Peixe Grande) disse em forte palavras para a toda a sociedade brasileira: “Que ele veio representando 16 povos do Xingu para ajudar a acabar com esta guerra. Que no Xingu não tem televisão, mas que quando ele vai na cidade ele vê a policia batendo nas pessoas indígenas e jogando pimenta. Por isso ele e todas as lideranças indígenas vieram, pois querem acabar com este sofrimento e brigas entre o povo desta cidade e os índios.

O Xavante Pirakumam disse que veio ajudar seus parentes indígenas, mas que veio também ajudar aos brancos a se entenderem. Todos estes acontecimentos foram para mim, bonito e brabo.

A calma e espírito de paz das lideranças indígenas ofuscava a incompreensão e arrogância de alguns brancos, que queriam lhes dar lições sobre como enfrentar uma sociedade que os aniquila há 513 anos.

Purikamam afirmou: O Museu do Índio não foi demolido, pois nele estão os espíritos de nossos ancestrais.”

Aniceto Xavante, umas das maiores lideranças vivas dos povos indígenas do Brasil, disse: “Eu rodo o país para ajudar meus parentes, que tem problemas com os governo municipais, estaduais e federal e o donos de terra. Não vim aqui para perder tempo. Vim para ajudar todos os Povos Indígenas a terem um lugar que possamos dizer que é nosso e que possamos desenvolver nossos projetos para a união indígena. Contamos com a ajuda de todos.”

Peço a todos que virem este vídeo, que reflitam sobre as relações entre povos e pessoas humanas que temos vivido no Brasil atualmente.

Pois os que criticavam os povos indígenas,  foram acolhidos e  ouvidos as e chamados a contribuir…
foi a maior lição de humildade sabedoria e força que já vi!!! ou vivi!!!

*Iterô foi o som que escutei