Esconde-Esconde


Esconde esconde!Este vídeo realizado pelo Quadro Negro e Lubo Produções Artísticas na cidade do Rio de Janeiro, foi publicado em 7 de maio de 2016
Reproduzimos na Rede Radio Mamaterra, TV da RUA e Sos Racismo Brasil, para demonstrar nosso sentimento de pesar pelas 56 mil mães que perdem seus filhos todos os anos, vítimas da atrocidade de um sistema racista, que mata não só idéias, mata também pessoas e principalmente jovens negros.

Curta brasileiro realizado por Quadro Negro TV e Lubo Produções Artísticas na cidade do Rio de Janeiro.

No Brasil 56 mil pessoas são assassinadas por ano. 30 mil são jovens. Destes, 77% são negros.
Baseando- se nessa estatística, este filme propõe uma reflexão sobre o extermínio do jovem negro.

Ficha Técnica

Direção
Luciana Bollina
e Luiz Felipe Mendes (Don)

Texto e Roteiro
Luiz Felipe Mendes (Don)

Direção de Fotografia
e edição
Luciana Bollina

Trilha Sonora e Composições
Henrique Band

Músicos
Mafram do Maracanã – percussões
Carlos César – percussões e bateria
Luciana Bollina – vocalize

Fonte da estatística
Anistia Internacional
(anistia.org.br)

Agradecimento
Claudiah Mendes
Comunidade do Morro da Caixa D’água
(Penha)

Produção
Quadro Negro TV

Quando a morte bate na porta de meu vizinho


Por Bruno Rico

É desanimador ter que acordar com a notícia de que a facção rival veio na tua área, matou dois e feriu mais cinco, todos moradores e nenhum bandido.

É mais desanimador ainda quando você fica sabendo que um dos mortos era um pai que levava seu filho de 4 anos pra comer batata fritas, e no meio do tiroteio esse pai abraçou seu filho para protegê-lo das balas, e de fato ele protegeu, mas faleceu, e a criança ainda está no hospital por conta de estilhaços. E é extremamente desanimador quando você vê que isso não foi notícia expressiva, afinal, é guerra de pobre, guerra de preto, é melhor deixar que eles se matem, não dá mídia, poucos se interessam.
Eu poderia fazer um baita texto sobre isso, mas falta-me energia e ânimo. Só sei que seguimos numa guerra que não é nossa, matando com uma arma que não foi feita pela gente, guerreando por uma droga que não foi feita aqui, votando em um engomadinho que não sabe nada de favela – e ainda quer falar por ela. Mas tem uma coisa que é muito nossa: o sangue que segue escorrendo.

Ato na Central do Brasil contra o genocídio da juventude negra-foto José de Andrade

Ato na Central do Brasil contra o genocídio da juventude negra-foto José de Andrade


“Aqui vale muito pouco a sua vida
a nossa lei é falha,
violenta e suicida.
Se diz que, me diz que, não se revela
parágrafo primeiro
na lei da favela. Legal…
O assustador é quando se descobre
que tudo deu em nada
e que só morre o pobre.
A gente vive se matando, irmão, por quê?”

Foi Genocídio, afirma presidente alemão, Gauck, ao falar do Massacre do Povo Armênio em 1915.


stambul / Berlin / Yerevan (AP) –

fonte DPA- Tradução Marcos Romão

Gauck dpa Britta Petersen

Gauck dpa Britta Petersen

Os comentários do presidente Joachim Gauck Federal sobre o “genocídio” contra os armênios desencadeou uma crise diplomática com a Turquia. “O povo turco não esquecerá nem perdoará as declarações do presidente alemão Gauck”, afirmou em nota o Ministério das Relações Exteriores, em Ancara,nesta noite de sexta-feira.

Turquia reagiu fortemente contra as palavras de Gauck: Ele não tem nenhum poder, de culpar a nação turca, por um fato que os fatos históricos e jurídicos desmentem, continua oi comunicado do Ministério do Esxterior. O governo alertou para o “impacto negativo a longo prazo” nas relações turco-alemãs.

Gauck fala de genocídio

Volkermord=genocído

                                                                            Volkermord=genocído

“A Alemanha foi co-responsável pelo massacre dos  Armênios de 100 anos atrás.

Disse Gauck, ao referir-se pela primeira vez clara e literalmente, sobre o massacre de cerca de 1,5 milhão de armênios durante a Primeira Guerra Mundial, como genocídio na quinta-feira à noite.
O chefe de Estado deixou de lado as preocupações sobre o fato de que a classificação dos antigos acontecimentos como o genocídio, poderia prejudicar as relações com a Turquia.

Na sexta-feira, o Parlamento Alemão (Bundestag) ratificou o comentário do presidente.

“O que aconteceu no meio da Primeira Guerra Mundial no Império Otomano, sob os olhos do mundo, foi um genocídio”, disse Norbert Lammert Bundestag Presidente (CDU). Porta-vozes de todos as frações políticas corroboraram esta afirmação. A chanceler Angela Merkel (CDU) e ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier (SPD)não deram declarações..

A República Sul Caucasiana da Armenia relembrou juntamente com chefe do Kremlin Vladimir Putin e o presidente francês, François Hollande as atrocidades. Em Jerusalém, Beirute e Istambul, houve cerimônias de solidariedade.

O governo federal apelou no 100º aniversário da expulsão e massacre dos armênios pelo Império Otomano, para a reconcialiação entre a Turquia e Armênia. O porta-voz do governo Steffen Seibert disse que a Alemanha iria apoiar ambos os lados para uma aproximação;

Os massacres no Império Otomano começaram em 24 de abril de 1915, com a prisão de centenas de intelectuais em Constantinopla (Istambul), que pouco depois foram executados.

Na luta contra a Rússia Christã, o governo otomano acusou os armênios em terem feito um acordo com o inimigo.
De acordo com estimativas,  morreram entre de 200 mil 1,5 milhão de pessoas. A Turquia como o Estado sucessor do Império Otomano rejeita o termo genocídio.

Com o debate, a política alemã se despediu da adotada pela prática uual, em evitar o temo “genocídio” para não atrapalhar suas relações com a Turquia. Merkel e Steinmeier seguiram o debate no Bundestag sentados nas bancadas do governo. Ainda antes do recesso de verão.o Parlamento deseja aprovar uma declaração sobres as atrocidades cometidas.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan expressou suas condolência aos descendentes das vítimas. “Neste dia, que tem um significado especial para os nossos cidadãos armênios, eu penso em todos os armênios otomanos com respeito, que perderam suas vidas nas condições da Primeira Guerra Mundial”, explicou.

“Eu expresso meus pêsames para os seus filhos e netos.” No contexto dos massacres ele falou de “tristes acontecimentos”

Fugitivos armênios na Síria 1915

Fugitivos armênios na Síria 1915 dpa Library of Congress

Esquerda que não é anti-racista cava sua própria cova


Uma das características mais fortes desta direita que cresce cada vez mais é o racismo. Isto não é a toa. A sociedade capitalista brasileira foi construída no tripé cidadania restrita/concentração de riqueza/violência como prática política. O racismo é o mecanismo que define que é cidadão e quem não é quem tem a renda e quem não tem, quem é o autor da violência e quem é a sua vítima

Por Dennis de Oliveira no Revista Fórum

dennis_eleicoes_escravocataE porque o racismo vem crescendo nos últimos tempos? A inclusão social, ainda pequena, feita nos últimos anos pelos governos Lula/Dilma atenuou levemente estas fronteiras e mais que isto, despertou o sentimento de muitos jovens negros e negras de exigirem serem cidadãos, de terem renda e de denunciarem a violência. Os espaços restritos de bem estar e de comodidade começaram a ter ocupação de negras e negros (como as universidades públicas, os aeroportos, etc).

Estava eu na semana passada no mercado municipal de Belo Horizonte, tomando uma cerveja com um amigo meu, professor de filosofia, quando um menino negro, que trabalhava no bar como atendente, ouviu nossa conversa sobre Freud e disse que queria estudar psicologia e demonstrou conhecer algumas idéias freudianas. Há assim um crescimento no desejo da classe trabalhadora, da população negra, da juventude da periferia de ter acesso a estes espaços que sempre foram privilégios de alguns.

Por isto, o racismo é o sentimento mais visível da direita. Lembro-me quando no primeiro governo Lula, Gilberto Gil foi nomeado ministro da Cultura. As reações racistas, inclusive em pessoas que conheço e  que votaram no Lula, foram várias, principalmente desqualificando intelectualmente o músico. No fim, um dos melhores ministros do primeiro governo e o primeiro a implantar uma política cultural democrática no país foi Gil. Racismo que se viu também nos assassinatos de reputações da ex-ministra da Seppir, Matilde Ribeiro, e do ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva.

Diante destes fatos, é inexplicável e sem sentido a esquerda no Brasil não colocar a agenda de combate ao racismo no centro da sua ação política. E, mais que isto, reproduzir comportamentos de violência racista, como o do governador Rui Costa, da Bahia, que justificou a chacina de 12 jovens negros em Cabula (BA) na semana passada usando metáforas de um jogo de futebol (clique aqui para ler). Ou ainda reduzir de tal forma o orçamento da Seppir que ele equivale a R$0,60 por negra e negro brasileiros (clique aqui para ler). Ou então deixar que apenas o mercado das escolas privadas dite a inserção de negras e negros no ensino superior (clique aqui para ler). Sem contar o não enfrentamento da mídia hegemônica e monopolizada que se sente a vontade para disseminar programas e propagandas preconceituosas e racistas.

Não me surpreende que a direita seja racista. O que é surpreendente é a esquerda ser timidamente anti-racista.

12/2/2015Geledés Instituto da Mulher Negra

Leia a matéria completa em: Esquerda que não é anti-racista cava sua própria cova – Geledés

Cabula: SOBRE A BAHIA, SEUS LIXAMENTOS E CONFINAMENTO RACIAL.


Quando na II Marcha Internacional contra o Genocídio do Povo Negro em 22 de agosto do ano passado, em Porto Alegre, dizíamos que marchavamos com os nossos mortos não era figura de linguagem.
Os dados estão aí, agora confirmados pela Anistia Internacional, 30.000 jovens negros são vítimas de homicídio por ano no Brasil e a pergunta que não quer calar é p/q esse fato não entra na análise de conjuntura de quem pretende transformar a realidade extremamente injusta do País?
No 20 de novembro, nos recusamos a participar da marcha oficial em Porto Alegre e construímos uma marcha independente, nos recusamos , mesmo tendo ciência de que seriamos acusados de divisionistas, por aquelxs , que para manter os seus soldos como serviçais da Casa Grande, são coniventes com a matança e transformam o nosso sofrimento em moeda de troca para manter a sua zona de conforto.
Descaracteriza-se o 20, como se descaracteriza as nossas expressões negras e populares à exemplo dos ícones do Carnaval Baiano, com o sorriso aberto ao lado do Governador Baiano Rui Costa enquanto o terror seguia no Cabula em Salvador.
Os massacres, chacinas e mortes são naturalizados, nossos corpos criminalizados e tudo se justifica numa conivência social com o genocídio.
Para nós, este é o principal fator da Conjuntura e é, a partir dele, que devemos dialogar com todas as outras pautas, pois, para andarmos de ônibus, lutarmos por salários, regularização fundiária, educação, cultura, garantia dos nossos territórios temos que estar vivos! pela redação Onir Araújo

Nossa Gente não tá Nem Aí: Para seu Carguinho, Seu Tutorial de Versinho, Seu Classificado de Editais e Sua Arrogância Acadêmica.

 

por Hamilton Borges dos Santos (Walê)

Cabula-walê 1Escrevi dias atrás sobre a truculência das Rondas Especiais (Rondesp), seu caráter genocida, a forma com que zomba da vida e da dignidade humana.

A Rondesp é uma polícia produtora e coletora de corpos pretos, agindo como uma ave de rapina e tem endereço certo em sua forma de agir: nossos locais de moradia, nossas comunidades, que nem sentem o cheiro das políticas públicas, que essa gente perfumada tanto fala nas intermináveis conferências que se faz nos intervalos do circo eleitoral.

Nossa gente vive sem a presença do Estado, com exceção do “ESTADO DE EXCEÇÃO” que a polícia incrementa.

A quem é endereçada a máquina de guerra do governo de Rui Costa, que age veemente na defesa do indefensável modus operandi de uma policia baseada no confronto, enfrentamento e morte, que afasta de si o principio da legalidade que o governador tanto reclama sem entender?

O Governo acha que nossa vida está em jogo. Jaques Wagner erigiu o baralho do crime inspirado nos Ases do Mal da guerra total americana.

Rui trata sua policia genocida como artilheiro num jogo de futebol. Tirar nossas vidas é um gol de placa: ele goza com os aplausos dos oficiais da polícia mais violenta do Brasil.

Nós, pretos e pretas, moradores de bairros populares, maconheiros, analfabetos e semianalfabetos, ex-detentas e mulheres de detentos, de detentas e ex-detentas, ex-presidiários, professoras, advogados, dentistas, trabalhadores braçais, uma imensidão de gente que sente rugir nas hemácias, no sangue historicamente derramado, o solavanco do colonialismo engendrado pelas falácias politicas de um governo de supremacia branca no Estado mais negro do Brasil somos, na visão desse governo, inimigo a ser abatido e eles, os brancos de todas colorações ideológicas, não poupam as escritas legais para justificar esse massacre. Os argumentos do governador sobre se tem ou não passagem, a rendição do Ministério Público Estadual aos apelos do governo, a hipocrisia de ativistas esquizofrênicos entre seus salários para nos amaciar nas ruas e invisibilizar nossa luta e enfrentamento criam um caldo em que não podemos mergulhar: NÃO É TUDO MISTURADO E PRECISAMOS SEPARAR A NÒS DOS TRAIDORES.Cabula-walê 2

A nossa dor sai do tambor das armas dos soldados  que os debatezinhos sobre CONSEG (Conferencia de Segurança Pública com Cidadania) ou a colaboração no PRONASCI fizeram girar.

Os cúmplices desse escândalo moral tentam tatear uma ideia de que fazem seu papel ao lado do inimigo, mas todas e todos sabemos a quem servem esses bocais, silenciosos na sombra da casa grande. Que faturem seus salários e aprovem seus projetos, mas não em nosso nome. Somos um Movimento de Maioria Negra filiadas e filiados a 4ª Internacional  Panafricanista.

Nesse momento de profunda dor, choramos a morte dos abatidos no Cabula. Mas também dos abatidos ainda no Viradouro em Cachoeira, no Beiru , na Liberdade, Vitória da Conquista e em toda essa Bahia mergulhada em sangue. Não esquecemos dos corpos tombados durante a eleição passada e sabemos quem se calou e entrou em choque com a Reaja para eleger o que está aí.
“VOTO NEGRO CONSCIENTE , DILMA RUI E OTTO PRESIDENTE”

 

Cabula-o-nome1A Reaja não se comove com esse choro hipócrita que não faz nada além de se lamentar na internet. A Reaja segue com os familiares de vitimas que estão ameaçadas por policiais, policiais estes que nos ameaçam em rede social.  Somos ameaçadas diuturnamente, através das redes sociais, telefones e no corpo a corpo. Queremos proteção pra todo mundo e agora e não uma viagem confortável a Brasília pra resolver nosso problema pessoal.

Já nos acusaram de Messias do Arrebento, dando a entender que nossa tática seria sazonal e que se perderia no limbo da cooptação ou no universo pomposo das palestras, encontros e coquetéis. Disseram que queríamos “nos aparecer” com nossa abordagem contundente sobre o escarnio que vivemos. Até aqui seguimos, já anunciamos nosso silêncio por não vermos mais sentido em cobrar do Estado o respeito a nossa dignidade. Mas somos chamados por nossas comunidades, ocupadas pelos poderio militar que muito preto e preta de mercado ajudou a construir.

Nossa gente nos chama para ser o muro de contenção nas manifestações justas que o tempo exige. Temos um comando que vem das ruas, somos o comando com nossas bandeiras pretas e nossas falas sem cabrestos. Não submetemos nossas dores ao calendário político-eleitoral. Nosso tempo de luta é agora e diante de tanta dor, sofrimento, sangue, corpos negros no chão, famílias negras sofrendo e chorando não podemos adiar nossa disposição de luta e mobilização a contento dos interesses diversos, se não do nosso povo.

A Conjuntura nos pede para prosseguir, organizar na base, refletir os rumos que devemos tomar daqui pra frente, proteger-nos dos ataques que disferem contra nós. Articular com irmãs e irmãos pelo mundo e com quem reconhece nossa luta cotidiana sem massagens. Agradecemos aos amigos e amigas que nos apoiam nessa dura jornada. Repudiamos quem ainda espera nos jogar nos ostracismo. Nossa visibilidade se dá pela imprensa branca da Bahia e pela imprensa negra e de combate do Brasil.

Criar invisibilidade sobre o nosso sacrifício é nos chamar de inimigos. Inimigos da REAJA, DA ASFAP E DA ASSOCIAÇÃO DE FAMILIARES DE VITIMAS DO ESTADO RACISTA BRASILEIRO, núcleos que formamos e que se preparam nas vilas, favelas e presídios para seu grande pulo.

Escrevemos sobre a Rondesp e seu longo rosário de execuções e mortes, agora,  falamos de nossos mortos, honramos nossos mortos chamando-os para que nos acompanhem nessa jornada por justiça, nossos mortos deixaram suas mães, irmãs , irmãos pais e avós sangrando na Bahia, foram vitima de um linchamento secular que nós combatemos agora vamos gritar seus nomes.

 

Tributo a Negro Blul e aos mortos da Vila Moisés

Contra o Genocídio do Povo Negro Nenhum Passo Atrás

 

 

Campanha alerta para mortes ‘invisíveis’ de jovens negros


Na faixa etária de 15 a 29 anos, 77% das vítimas são pretos ou pardosdados da tragédia do genocidio de negros jovens

por Fernanda Escossia fonte o globo

“Os dados ainda são escandalosos, mas o problema não entra na agenda política nacional. O objetivo da campanha é tirar esse tema do armário” Átila Roque Diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil

Um jovem negro sai de casa. Na rua, no baile, na quadra, no ônibus, encontra amigos invisíveis. As roupas, a pipa, os fones e a bola se movem sem que se veja quem está ali. Correria, gritaria, um tiro. O jovem cai. Assim o vídeo de lançamento da campanha “Jovem Negro Vivo”, da Anistia Internacional, que será lançada hoje no Aterro do Flamengo, alerta para um problema antigo, mas ainda invisível para a maioria da sociedade: os homicídios de jovens negros no Brasil.

Em todo o país, sete jovens são mortos a cada duas horas — o tempo de uma sessão de cinema. São 82 jovens mortos por dia, 30 mil por ano, todos com idades de 15 a 29 anos. E, entre os jovens assassinados, 77% são negros (somando aqui os pretos e pardos, pelos critérios do IBGE).

Os números são do Mapa da Violência, estudo realizado desde 1998 pelo sociólogo Julio Jacobo Weiselfisz com base em dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde. A versão 2014 do trabalho traz as últimas informações disponíveis, referentes ao ano de 2012, e foi realizada em conjunto com a Secretaria Nacional de Juventude da SecretariaGeral da Presidência da República e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

A campanha da Anistia usa os números do Mapa da Violência. Hoje, no Aterro, esculturas de arame lembrando jovens mortos, os tais invisíveis, e um desafio entre grupos de passinho, a dança frenética que virou mania entre adolescentes e crianças, vão tentar atrair a atenção da população para o problema.

— Os dados ainda são escandalosos, mas o problema não entra na agenda política nacional. O objetivo da campanha é tirar esse tema do armário. Hoje, tudo leva a crer que a sociedade não se importa com isso — afirma o sociólogo Átila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil e um dos coordenadores da campanha Jovem Negro Vivo.

Para quem vai ao Aterro passear ou perder calorias extras, o duelo de grupos de passinho pode parecer só diversão. Mas a alegria da dança é uma das apostas da campanha para chamar a atenção para a vida de jovens da periferia que, como os acrobatas do passinho, são mais pobres, estão mais longe da escola e mais perto de situações de risco.

De 2002 a 2012, os homicídios de jovens negros cresceram 32,4%; os de jovens brancos, 32,3%. Considerando a relação com a população, entre jovens negros a taxa de homicídios por cem mil habitantes cresceu 6,5%; entre jovens brancos caiu 28,6%.

No Rio, a taxa de homicídios no conjunto da população do estado caiu 50%, uma queda consistente, de 2002 a 2012. Com isso, as taxas de homicídios entre jovens também caíram 51,7%. E as mortes de jovens negros tiveram redução maior ainda, de 65,4%. Mas ainda foram 1.680 jovens negros assassinados em 2012 no estado. Nos últimos dois anos, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), os homicídios voltaram a cair em agosto e setembro, após 20 meses de altas seguidas.

— Mesmo assim, o Rio ainda precisa intensificar suas políticas. Muita criatividade está surgindo nesses territórios mais pobres, e queremos aproveitar isso, dar ênfase à juventude da periferia. São várias vidas interrompidas. É como se o jovem negro pobre estivesse destinado a morrer — diz o sociólogo Átila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil e um dos coordenadores da campanha Jovem Negro Vivo.

CASO DG NÃO FOI ESCLARECIDO

O lema da campanha é “Mais chocante que a realidade, só a indiferença. Você se importa?” Quem se importa com tantas mortes, pede a campanha, pode assinar um manifesto reivindicando políticas públicas mais efetivas no combate à violência e à mortalidade de jovens negros. Voluntários estarão no Aterro colhendo assinaturas.

Das mortes invisíveis de jovens negros no Rio, uma das que tiveram maior visibilidade foi a de Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, dançarino do programa “Esquenta!”, da TV Globo. Em abril deste ano, Douglas foi morto com um tiro nas costas durante um confronto entre PMs e traficantes no Morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana.

A autoria do crime até agora não foi esclarecida. Em julho, O GLOBO mostrou que o tiro que matou DG partiu de uma pistola calibre .40, arma de uso exclusivo das polícias e que supostamente foi disparada por um soldado da PM durante a troca de tiros.

O caso provocou protestos e apresentou à cidade a técnica de enfermagem Maria de Fátima da Silva, mãe do dançarino, que se transformou em mais um dos símbolos de mães que cobram justiça para as mortes de seus filhos. Ela organizou passeatas cobrando providências e alimenta o site do filho. Virou personagem do documentário “Mater dolorosa”, de Tamur Aimara e Daniel Caetano, sobre os protestos que se seguiram à morte de DG.