Agora é no voto: Os discursos de Aécio e de Dilma evocam o debate entre Juscelino e Brizola antes do golpe de 1964


Entre o passado e o futuro

Nas Entrelinhas: do  blog do Luiz Carlos Azedo

Os discursos de Aécio e de Dilma evocam o debate entre Juscelino e Brizola antes do golpe de 1964

Winston Churchill (RU), Franklin Roosevelt (EUA) e Josef Stálin (URSS)

As raízes do debate protagonizado neste segundo turno pela presidente Dilma Rousseff, que pleiteia a reeleição, e o candidato de oposição, Aécio Neves (PSDB), parecem fincadas na década de 1960, às vésperas do golpe militar de 1964. Não é à toa que surgem tantas referências a personagens daquela época, como Carlos Lacerda e João Goulart, Leonel Brizola e Juscelino Kubitschek.

À época, o debate foi interditado pelo regime militar. Para usar uma expressão do filósofo alemão Jürgen Habermas, foi “congelado” por 20 anos, mas continua vivíssimo, 50 anos depois. Foi assim também como a história das nações europeias anterior à Segunda Guerra Mundial, que somente foi “descongelada” pela queda do Muro de Berlim e a dissolução da União Soviética. Ainda hoje as fronteiras traçadas pela Conferência de Yalta estão sendo redesenhadas.

Consagrado pela importância que atribuiu à comunicação no capitalismo contemporâneo ou “tardio”, Habermas comparou a Europa do fim da “Guerra Fria” a uma fotografia — como aquela de Roosevelt, Stálin e Churchill em fevereiro de 1945, na Criméia — que foi “descongelada” e virou um filme de longa metragem, como se a história anterior à guerra fosse retomada de onde foi interrompida. “Ninguém me convence de que o socialismo de estado seja do ponto de vista da evolução social, ‘mais avançado’ ou ‘mais progressista’ do que o capitalismo tardio. (…) são senão variantes de uma mesma formação societária… Temos tanto no Leste como no Oeste modernas sociedades de classe, diferenciadas em Estado e Economia”, disse Habermas (Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, 1989).

À la Tarantino
Há um gênero literário que consiste em reescrever determinado evento, cujo desfecho alternativo poderia ter mudado o curso da história. Os franceses chamam isso de événements: uma ligação nova entre o passado e o futuro, como aquela sacada de Quentin Tarantino quando mata Hitler, o ditador alemão, em pleno cinema, no filme Bastardos Inglórios.

Voltemos ao fio da meada. Caso o golpe militar de 1964 não ocorresse, teríamos eleições presidenciais em 3 de outubro de 1965, com pelo menos três possíveis candidatos: o ex-presidente Juscelino Kubitschek, cuja candidatura havia sido lançada pelo PSD; o governador carioca Carlos Lacerda, o líder da oposição, candidato da UDN; e João Goulart, o presidente da República que assumira o mandato com a renúncia de Jânio Quadros, líder do PTB.

É o que o líder comunista Luiz Carlos Prestes articulava a reeleição de Jango, que julgava melhor opção do que Leonel Brizola, cuja candidatura pelo PTB era legalmente contestada, porque era casado com a irmã do presidente da República, Neuza Goulart. Essas articulações foram reveladas por Prestes ao líder soviético Nikita Kruschev, na presença de outro dirigente do antigo PCB, Orestes Timbaúva.

Trabalhistas e comunistas consideravam Juscelino quase imbatível, mas não desejavam sua volta ao poder. Na Presidência, JK havia construído hidrelétricas, estradas; promovera a industrialização e a modernização da economia. Construíra Brasília, a nova capital federal. Mesmo assim, era considerado conservador e “entreguista” pela esquerda brasileira, que desejava um governo antiamericano e estatizante, que fizesse as reformas de base, principalmente a agrária — se preciso, “na lei ou na marra”.

Em plena “Guerra Fria”, o outro lado, porém, já era mais forte, por causa da inflação, da corrupção no governo e do isolamento político de Jango. Carlos Lacerda e outros líderes da UDN conspiravam com os militares para evitar que Goulart comandasse as eleições, como candidato à reeleição, ou mesmo apoiando Brizola. O “dispositivo militar” de Jango era uma ficção. Alguns chefes militares queriam tomar o poder desde o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. Com a radicalização política, deram o golpe com amplo apoio da classe média.

Juscelino chegou a se iludir com a manutenção do calendário eleitoral, mas foi cassado pelo marechal Castelo Branco, que assumira a Presidência e sustou o pleito. Em 1966, no exílio, ainda tentou organizar a “Frente Ampla” pela redemocratização do país, junto com Carlos Lacerda e João Goulart. O movimento foi proscrito pelos militares. Nenhum dos três políticos viveu o suficiente para o ver o país de volta à democracia. Uma parte da esquerda aderiu à luta armada, outra se uniu aos liberais no antigo MDB para lutar pela anistia, as diretas já e a Constituinte. O resto da história é conhecida.

Nessa eleição, curiosamente, os discursos de Aécio e Dilma evocam o debate entre Juscelino e Brizola antes do golpe. Felizmente a história não se repete — nem como farsa, nem como tragédia. Não há nenhum Carlos Lacerda nem generais golpistas. Mas há, novamente, uma escolha sobre o futuro. E desta vez a decisão será no voto!

Meus dois eleitores em mim.


Por marcos romão

romao-niteroi-telefoneDescubro que carrego dois eleitores em mim.

O eleitor negro intelectual que viaja, reflete e opina pelo mundo através de livros, notícias e recados cibernéticos.

O eleitor negro comum, que anda, reflete e opina pelas ruas e esquinas de Niterói, através  de observações, conversas, escutas, olhares e fricções pele à pele e de pessoa à pessoa.

Sempre que os dois eleitores em mim conversam, me sinto um negro eleitor  e homem completo.

Nestes momentos escolho certo de que estou escolhendo a mim mesmo.

Caso petrobrás influencia:Aécio dispara e abre 17 pontos de vantagem sobre Dilma, mostra pesquisa Istoé/Sensus


 

ISTOÉ Online | 11.Out.14 – 17:12 | Atualizado em 11.Out.14 – 19:51
Aécio dispara e abre 17 pontos de vantagem sobre Dilma, mostra pesquisa Istoé/Sensus

Primeiro levantamento após divulgação de áudios da Petrobrás mostra que escândalo atingiu em cheio campanha da petista

Mário Simas Filho

Primeira pesquisa ISTOÉ\Sensus realizada depois do primeiro turno da sucessão presidencial mostra o candidato Aécio Neves (PSDB) com 58,8% dos votos válidos e a petista Dilma Rousseff com 41,2%. Uma diferença de 17,6 pontos percentuais. O levantamento feito entre a quarta-feira 7 e o sábado 10 é o primeiro a captar parte dos efeitos provocados pelas revelações feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa sobre o detalhamento do esquema de corrupção na estatal. “Além do crescimento da candidatura de Aécio Neves, observa-se um forte aumento na rejeição da presidenta Dilma Rousseff”, afirma Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus. Segundo a pesquisa, o índice de eleitores que afirmam não votar em Dilma de forma alguma é de 46,3%. A rejeição de Aécio Neves é de 29,2%. “O tamanho da rejeição à candidatura de Dilma, torna praticamente impossível a reeleição da presidenta”, diz Guedes. A pesquisa também capta, segundo o diretor do Sensus, os apoios políticos que Aécio recebeu durante a semana, entre eles o do PSB, PV e PPS.

As 2000 entrevistas feitas em 24 Estados e 136 municípios mostra que houve uma migração do eleitorado à candidatura tucana mais rápida do que as manifestações oficiais dos líderes políticos. No levantamento sobre o total dos votos, Aécio soma 52,4%, Dilma 36,7% e os indecisos, brancos e nulos são 11%, tudo com margem de erro de 2,2% e índice de confiança de 95%. Nos votos espontâneos, quando nenhum nome é apresentado ao eleitor, Aécio soma 52,1%, Dilma fica 35,4% e os indecisos são 12,6%. “A analise de todos esses dados permite afirmar que onda a favor de Aécio detectada nas duas semanas que antecederam o primeiro turno continua muito forte”, diz Guedes. O tucano, segundo a pesquisa ISTOÉ\Sensus, vence em todas as regiões do País, menos no Nordeste. No PSDB, a espectativa é a de que a diferença a favor de Dilma no Nordeste caia nas próximas pesquisas, principalmente em Pernambuco, na Bahia e no Ceará. Em Pernambuco devido o engajamento da família de Eduardo Campos na campanha, oficializado na manhã do sábado 10. Na Bahia em função da presença mais forte do prefeito de Salvador, ACM Neto, no palanque tucano. E, no Ceará, com a participação do senador eleito Tasso Jereissati.

Além da vantagem regional, Aécio, de acordo com o levantamento, supera Dilma em todas as categorias socioeconômicas, o que, segudo a análise de Guedes, indica que a estratégia petista de apostar na divisão do País entre pobres e ricos não tem dado resultado.

PESQUISA ISTOÉ|Sensus

Realização – Sensus

Registro na Justiça Eleitoral – BR-01076/2014

Entrevistas – 2.000, em cinco regiões, 24 Estados e 136 municípios do País

Metodologia – Cotas para sexo, idade, escolaridade, renda e urbano e rural

Campo – de 07 a 10 de Outubro de 2014

Margem de erro – +/- 2,2%

Confiança – 95%

Aécio arranca na frente


Nas Entrelinhas: Luiz Carlos Azedo
publicado no Blog do Azedo: 09/10/2014

 Hoje, serão divulgados os resultados de novas pesquisas, que deverão confirmar o avanço de Aécio. A expectativa é de que o horário eleitoral recomece com os candidatos evitando o confronto direto

 
O candidato do PSDB, Aécio Neves, disparou na frente da presidente Dilma Rousseff (PT), na virada do primeiro para o segundo turno, confirmando a tendência de ascensão que havia registrado no dia da votação do primeiro turno, isto é, no domingo passado. Tanto os trackings das campanhas eleitorais como as pesquisas de opinião já registram essa tendência, na qual Aécio teria de 52% a 56%, e Dilma, de 44% a 48%. As pesquisas mostram também a elevação da rejeição a Dilma Rousseff, acima de 40%, enquanto o tucano estaria com pouco mais de 30%. 

O resultado dessa nova correlação de forças foi a ampliação dos apoios ao tucano. Governadores eleitos do PMDB, como Paulo Hartung (ES), e do PDT, Pedro Taques (MT), embarcaram na campanha de Aécio. No Senado e na Câmara, a rebelião na base governista também não é pequena. O senador capixaba Ricardo Ferraço (PMDB), em debate no plenário do Senado, aparteou o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), que ressaltava o apoio da legenda a Dilma Rousseff, para dizer que parte da bancada de senadores do partido está com o tucano. A bancada da Câmara também está muito dividida.

Os candidatos a presidente Pastor Everaldo (PSC) e Eduardo Jorge (PV) anunciaram a adesão à candidatura tucana ontem. O PSB também decidiu ir de Aécio, embora tenha liberado dois diretórios regionais para apoiarem Dilma Rousseff, casos da Paraíba, onde o socialista Ronaldo Coutinho enfrenta o tucano Cássio Cunha Lima, e do Amapá, onde o PT apoia a reeleição de Camilo Capiberibe (PSB). 

A Rede, de Marina Silva, não vai se posicionar oficialmente porque está muito dividida, mas o apoio da candidata do PSB é esperado para hoje. Dilma tinha a expectativa de receber apoios do PSB, mas fracassou. A candidata do PSol à Presidência da República, Luciana Genro, também anunciou que a legenda não apoiará a presidente da República. “Vamos seguir lutando para mudar o Brasil: Dilma não nos representa. Nenhum voto em Aécio”, divulgou o PSol, no Twitter.

Trem fantasma

Enquanto as pesquisas parecem até uma montanha-russa para os candidatos, nos bastidores da campanha eleitoral também existe uma espécie de trem fantasma. O mercado financeiro repercutiu, na manhã de ontem, os comentários do marqueteiro de Dilma Rousseff, João Santana, durante a reunião com aliados, segundo os quais a campanha petista teria um arsenal guardado para usar contra Aécio. O boato de que haveria uma denúncia contra o tucano fez a bolsa cair. 

Em contrapartida, o assunto mais badalado à tarde era o suposto envolvimento de aliados do governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel, com lavagem de dinheiro. A Polícia Federal apreendeu R$ 116 mil em um avião no começo da noite de terça-feira. O piloto e o copiloto se recusaram a falar sobre o proprietário do bimotor prefixo PRPEG que transportava três ex-integrantes da campanha eleitoral do petista e o dinheiro. A aeronave está registrada como propriedade de uma pequena empresa de táxi aéreo. Não se sabe também a origem da grana apreendida.

Hoje, serão divulgados os resultados de novas pesquisas, que devem confirmar o avanço de Aécio. A expectativa é de que o horário eleitoral recomece com os candidatos evitando o confronto direto. Mas o PT vai explorar a comparação de indicadores dos governos petistas com o governo tucano de FHC.

No encontro de ontem, com grande número de congressistas no Memorial JK, em Brasília, Aécio ensaiou o discurso que pretende adotar para evitar a pecha de elitista que pretendem lhe impor. Afirmou que, caso seja eleito, será o presidente dos “brasileiros mais pobres”.

O tucano criticou o que considera uma “visão perversa” dos governistas: “Eu não serei presidente de apenas um estado da Federação, serei o presidente de todos os brasileiros e, principalmente, daqueles que mais precisam da ação do Estado. Serei o presidente dos brasileiros mais pobres, por mais que a lideranças do governo, o marketing da campanha oficial, continuem com essa visão perversa de política de Brasil, querendo sempre dividir entre ‘nós’ e ‘eles’”, disse Aécio.

Marina pode ser a primeira presidente negra. De cima do muro será que dá?


De cima do muro será que dá?
size_590_marina-silvaJosé De Andrade me alertou para esta matéria da Reuters publicada na revista Exame, falando da possibilidade de Marina Silva vir a ser a primeira presidente negra do Brasil. Mas pergunto, como o próprio jornalista comenta, como poderá ganhar boa parte deste votos de mais de 50% da população, se ela não toca na questão racial no Brasil?
Na matéria é citado um assessor, que relata este ser o maior mistério da campanha de Marina, não falar da questão racial.
Entre meus amigos do movimento negro, temos mesmo nos perguntado, se votar na Marina, por ela ser negra, não seria lhe dar um cheque me branco, já que ela não fala nem se posiciona sobre a questão, contrariando toda uma nova onda positiva na sociedade brasileira, em que não só os negros e os índios falam abertamente do racismo no Brasil e de como o racismo está entranhado nas relações institucionais, econômicas, políticas, culturais, religiosas e pessoais em nossa sociedade, como também a maioria dos jovens que foram às ruas com dezenas de reivindicações, mas que elevaram a um dos maiores símbolos deste movimento, a denúncia do racismo e violência que atinge as populações de periferia e que tiveram em Amarildo e seu desaparecimento, a sua bandeira maior.
Como já estamos calejados de vermos negros e negras, que ao assumirem uma posição de prominência na sociedade, evitam falar do racismo, e quando abrem a boca, é só para fazer calar os outros negros que se levantam contra o racismo, como o caso de Pelé em relação ao jogador Aranha. Eu e meus amigos ficamos com um pé atrás, pois não queremos que nossa juventude tenha que fazer de novo. todo o trabalho que tivemos nos últimos 40 anos, de convencimento da sociedade em levar em conta as questões raciais nas políticas públicas que sejam implementadas.
Falar só do social, já sabemos, não alcança nossas reivindicações, como nem passa perto de nossa premência principal, que é o fim do genocídio da juventude negra.
Talvez se Marina chegar ao segundo turno, o tema relações raciais e racismo no Brasil, saia da boca da candidata negra. Quem sabe?
Por enquanto é mistério.
Só não concordo com o título da matéria, que não reflete nem a profundidade do texto, nem o fato de muitos negros a apoiarem já de agora, mas que podem mudar no segundo turno, e muitos que não a apoiam, mas que também podem mudar de opinião, dependendo de como o tema das relações raciais e das conquistas já alcançadas pelos negros e negras sejam abordados.
Um fato que me dá otimismo, é que a juventude negra brasileira demonstra no momento uma maior consciência do racismo no Brasil, e também uma maior consciência negra de autoestima, se espalha por todos os segmentos negros nacionais, independentes de seus partidos, posição social, religião e grau de escolaridade e etc.
Sem ter nenhum instituto estatístico que corrobore minha opinião, arrisco a dizer que o voto negro, está cada vez mais desencabrestado. Que tanto Marina, como Dilma corram atrás. Os Gregórios Fortunatos são coisas do passado.‪#‎marcosromaoreflexoes

Leiam a matéria de Paulo Prada

São Paulo – Os brasileiros podem fazer história este mês caso Marina Silva (PSB), uma filha de seringueiros pobres da Amazônia, seja eleita a primeira presidente negra do país. Continuar lendo

Deputados são escolhidos a partir de cálculo da Justiça Eleitoral


Como é eleito um deputado?

indios_votando4Publicado por Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal do Estado de Mato Grosso. Compartilhado por Luiz Fernando do Rio de Janeiro.
Saiba como seu voto é calculado e quem você pode ajudar a eleger indiretamente nestas eleições.

por Piero Locatelli – publicado 24/09/2014 04:02 – Fonte: Agência Brasil.

Deputados são escolhidos a partir de cálculo da Justiça Eleitoral

No Brasil, a escolha dos representantes para o poder Executivo, cargos como os de presidente da República e governador, é feita pelo sistema majoritário, baseado em uma conta simples: quem tiver mais votos ganha. Nas eleições para deputado federal, estadual e distrital, no entanto, o sistema é o proporcional, uma forma de escolha que possibilita a eleição de um candidato com poucos votos, enquanto um nome bem votado pode ficar fora do parlamento. Abaixo, entenda como funcionam as eleições proporcionais e saiba onde pode parar o seu voto:

Em quem o eleitor vota?
Cada eleitor vota em um candidato a deputado federal e outro a deputado estadual (ou distrital, se morar no Distrito Federal). Os deputados eleitos não são necessariamente os que têm mais votos, já que a definição passa pelo cálculo de dois números: o quociente partidário e o eleitoral.

Como se calcula quem ganha as eleições?
Primeiro, o total de votos válidos dos eleitores é dividido pelo número de vagas. Este é o chamado quociente eleitoral – ou seja, quanto cada partido ou coligação precisaria de votos para eleger um deputado. Por exemplo: em um estado com dois milhões de votos válidos e vinte vagas para a Assembleia Legislativa, o quociente eleitoral será de 100 mil.

Depois, os votos de cada partido ou coligação são divididos pelo quociente eleitoral. Se, no mesmo estado hipotético acima, um partido tiver 400 mil votos, ele irá eleger quatro deputados. Por fim, os quatro deputados mais bem votados do partido ou coligação serão eleitos.

Este sistema causa distorções?
Sim, pois candidatos com muitos votos podem não ser eleitos. Outros, com poucos votos, podem ganhar uma vaga.

Na última eleição, a hoje presidenciável Luciana Genro (PSOL) recebeu 129,5 mil votos para deputado federal pelo Rio Grande do Sul, sendo a oitava mais votada no estado. Genro não conseguiu um lugar entre os 31 deputados do estado, no entanto, e se tornou a candidata mais bem votada do País a não obter uma vaga. Isso ocorreu porque o PSOL não conseguiu atingir o quociente eleitoral do estado, e ficou sem vagas.

Também em 2010, Jean Wyllys (colunista de CartaCapital) foi beneficiado pelo mesmo sistema que prejudicou sua colega de partido. Com 13 mil votos, Wyllys se tornou o deputado federal eleito com a menor proporção de votos do País. O psolista ganhou uma vaga na Câmara graças à votação do seu colega Chico Alencar (PSOL-RJ), que teve 240 mil apoiadores. Com os votos de Alencar, Wyllys e outros, o PSOL-RJ teve direito a duas vagas na Câmara. Como Wyllys foi o segundo mais votado do partido, teve direito a essa vaga.voto-consciente-01

O que é um puxador de votos?
É um deputado que ajuda a eleger outros do seu partido com uma grande votação. Tiririca (PR-SP), por exemplo, recebeu 1,3 milhão de votos na última eleição, um valor bem acima do necessário para ser eleito. Com isso, conseguiu levar à Câmara mais três candidatos de sua coligação.

O efeito dos puxadores, porém, costuma ser hipervalorizado. Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) mostra que apenas 35 dos 513 deputados federais foram eleitos somente com seus próprios votos. Isso significa que conta mais o conjunto de votos nos candidatos do partido do que o efeito de grandes puxadores de votos.

O que é o voto em legenda?
É o voto dado a um partido, e não a um candidato. O eleitor pode escolher votar numa legenda e, desta forma, ajudá-la sem escolher um candidato em específico. Este voto conta para o partido, ou coligação, chegar ao quociente eleitoral.

O que é um suplente?
Se um deputado sai do seu cargo, o primeiro candidato mais votado da coligação assume a vaga. Geralmente a saída do cargo ocorre quando um parlamentar assume ministérios, secretarias ou o Executivo. Apenas em 2013, devido à posse de prefeitos e secretários, 17 deputados suplentes assumiram os mandatos na Câmara no início do ano.

É possível saber quem meu voto está ajudando?
Sim. Deve-se levar em conta os candidatos do partido ou da coligação em que se está votando. Em 2014, por exemplo, o eleitor de São Paulo que votar em um candidato do PT pode ajudar a eleger nomes do PCdoB, porque os dois partidos fizeram uma coligação no estado. Da mesma forma, o eleitor paulista que votar em um candidato do PSDB pode ajudar a eleger nomes do DEM e do PPS, coligados com os tucanos.

Em Minas Gerais, a situação é diferente. O eleitor que votar em um candidato a deputado federal do PT estará ajudando a eleger nomes de toda a coligação: PMDB, PCdoB, PROS e PRB. O eleitor de Minas que apostar em um deputado federal tucano, por sua vez, pode ajudar a eleger candidatos de outros 13 partidos, todos da coligação encabeçada pelos tucanos: PP, DEM, PSD, PTB, PPS, PV, PDT, PR, PMN, PSC, PSL, PTC e SD.

Todas as coligações proporcionais por estado podem ser verificadas no site do Tribunal Superior Eleitoral.

Quantos votos um partido precisa para eleger um deputado?
Depende. Este número varia conforme o número de eleitores do estado, o número de vagas, abstenção dos eleitores e votos que foram anulados. Segundo dados do TSE, nas últimas eleições o maior quociente eleitoral foi em São Paulo. Para eleger um deputado federal, o partido ou coligação teve de alcançar 314.909 votos. Para conseguir um deputado estadual, precisou de 230.585 votos.

Os menores quocientes em 2010 foram os de Roraima, onde os partidos tiveram de somar 27.837 votos para eleger um deputado federal e 9.370 para eleger um estadual.

Um senador é eleito da mesma forma?
Não. Um senador é eleito por voto direto. Caso ele saia do cargo, quem assume é um suplente que foi eleito junto com ele. Os suplentes de cada candidato também podem ser checados no site do Tribunal Superior Eleitoral.

Quais as alternativas para isso?
O sistema proporcional vigente hoje é alvo de diversas críticas, mas há grande variedade de propostas de reformas eleitorais e políticas para mudar este quadro.

A CNBB, a OAB e outras entidades propõe que o eleitor vote primeiro em um partido e, posteriormente, escolha um candidato daquela legenda. As diversas propostas de reforma política apresentadas pelo PT na última década também pedem a chamada votação em lista.

O PSDB, por sua vez, defende uma mudança na divisão geográfica dos eleitores para o chamado voto distrital. Na proposta tucana, os estados seriam divididos em diversas partes, e cada distrito escolheria somente um candidato. Parte do partido defende o sistema misto, onde alguns dos candidatos seriam escolhidos por distritos e outros continuariam no modelo atual.

Eleições: Com unhas e dentes


por Luiz Carlos Azedo

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Quem quiser que se engane, o PT utilizará todos os meios disponíveis para se manter no poder. Isso inclui a máquina federal, com seus “aparatos ideológicos”; os sindicatos e demais organizações sociais; toda sorte de aliados (PMDB, PTB, PR, PP, PSD, PCdoB e outros); o dinheiro das grandes empresas financiadas pelo BNDES e por aí vai.É bom lembrar que a presidente |Dilma Rousseff; o presidente do PT, Rui Falcão, e muitos dos integrantes do estado-maior da campanha do PT vêm de correntes políticas que atribuem o sucesso do golpe militar de 1964 ao fato de o presidente João Goulart, que foi deposto, e o líder comunista Luiz Carlos Prestes não terem reagido aos militares para manter o poder. Desconsideram a correlação de forças políticas e sociais à época, mais favorável aos golpistas.

Por que razão agora, então, entregariam a rapadura para uma candidata como Marina Silva (PSB), apoiada por dois pequenos partidos de esquerda, o PSB e o PPS, sem recorrer a todos os recursos que têm à mão para desequilibrar o jogo eleitoral a favor da preservação do poder?

Embora estejamos numa democracia, que prevê a alternância de poder, todos os ingredientes de uma disputa política como a que ocorreu em 1964 estão presentes: a mentira, a calúnia, as intrigas, os preconceitos, as ideologias, os acordos espúrios, os grandes grupos econômicos, a imprensa, as idiossincrasias dos candidatos…

Marina Silva facilitou o jogo de Lula e Dilma ao confinar sua campanha eleitoral aos ambientes fechados e perder o foco do debate sobre a mudança. Acabou por se enredar em temas que interessam mais ao mercado do que aos eleitores, como a autonomia do Banco Central e a manutenção do tripé da política de estabilização: meta de inflação, cambio flutuante e superávit fiscal.

O candidato do PSB, Aécio Neves, por sua vez, resolveu poupar o inimigo principal ao atacar Marina Silva. Luta para não virar suco, depois de se desidratar eleitoralmente em razão do “tsunami” causado pela morte do ex-governador Eduardo Campos. Involuntariamente ou não, o tucano ajudou Dilma a estancar sua queda nas pesquisas, mas não conseguiu se recuperar eleitoralmente.

Com a oposição dividida, Dilma tem fortes possibilidades de entrar na disputa de segundo turno como favorita; se isso não ocorrer, corre risco de perder a reeleição, o que será um vexame diante dos meios que mobiliza. Hoje, Marina ainda é a favorita.

Pesquisa

A presidente Dilma Rousseff ampliou para nove pontos sua vantagem sobre Marina Silva, no primeiro turno, segundo a pesquisa Vox Populi divulgada nesta segunda-feira. Ela tem 36%, contra 27% de Marina e 15% de Aécio Neves.

Na simulação de segundo turno, a situação é de empate técnico. Marina Silva tem 42% e Dilma apresenta 41%. Praticamente não houve alteração em relação à pesquisa anterior, quando Dilma tinha 36%, Marina 28% e Aécio 15%.