Agora é no voto: Os discursos de Aécio e de Dilma evocam o debate entre Juscelino e Brizola antes do golpe de 1964


Entre o passado e o futuro

Nas Entrelinhas: do  blog do Luiz Carlos Azedo

Os discursos de Aécio e de Dilma evocam o debate entre Juscelino e Brizola antes do golpe de 1964

Winston Churchill (RU), Franklin Roosevelt (EUA) e Josef Stálin (URSS)

As raízes do debate protagonizado neste segundo turno pela presidente Dilma Rousseff, que pleiteia a reeleição, e o candidato de oposição, Aécio Neves (PSDB), parecem fincadas na década de 1960, às vésperas do golpe militar de 1964. Não é à toa que surgem tantas referências a personagens daquela época, como Carlos Lacerda e João Goulart, Leonel Brizola e Juscelino Kubitschek.

À época, o debate foi interditado pelo regime militar. Para usar uma expressão do filósofo alemão Jürgen Habermas, foi “congelado” por 20 anos, mas continua vivíssimo, 50 anos depois. Foi assim também como a história das nações europeias anterior à Segunda Guerra Mundial, que somente foi “descongelada” pela queda do Muro de Berlim e a dissolução da União Soviética. Ainda hoje as fronteiras traçadas pela Conferência de Yalta estão sendo redesenhadas.

Consagrado pela importância que atribuiu à comunicação no capitalismo contemporâneo ou “tardio”, Habermas comparou a Europa do fim da “Guerra Fria” a uma fotografia — como aquela de Roosevelt, Stálin e Churchill em fevereiro de 1945, na Criméia — que foi “descongelada” e virou um filme de longa metragem, como se a história anterior à guerra fosse retomada de onde foi interrompida. “Ninguém me convence de que o socialismo de estado seja do ponto de vista da evolução social, ‘mais avançado’ ou ‘mais progressista’ do que o capitalismo tardio. (…) são senão variantes de uma mesma formação societária… Temos tanto no Leste como no Oeste modernas sociedades de classe, diferenciadas em Estado e Economia”, disse Habermas (Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, 1989).

À la Tarantino
Há um gênero literário que consiste em reescrever determinado evento, cujo desfecho alternativo poderia ter mudado o curso da história. Os franceses chamam isso de événements: uma ligação nova entre o passado e o futuro, como aquela sacada de Quentin Tarantino quando mata Hitler, o ditador alemão, em pleno cinema, no filme Bastardos Inglórios.

Voltemos ao fio da meada. Caso o golpe militar de 1964 não ocorresse, teríamos eleições presidenciais em 3 de outubro de 1965, com pelo menos três possíveis candidatos: o ex-presidente Juscelino Kubitschek, cuja candidatura havia sido lançada pelo PSD; o governador carioca Carlos Lacerda, o líder da oposição, candidato da UDN; e João Goulart, o presidente da República que assumira o mandato com a renúncia de Jânio Quadros, líder do PTB.

É o que o líder comunista Luiz Carlos Prestes articulava a reeleição de Jango, que julgava melhor opção do que Leonel Brizola, cuja candidatura pelo PTB era legalmente contestada, porque era casado com a irmã do presidente da República, Neuza Goulart. Essas articulações foram reveladas por Prestes ao líder soviético Nikita Kruschev, na presença de outro dirigente do antigo PCB, Orestes Timbaúva.

Trabalhistas e comunistas consideravam Juscelino quase imbatível, mas não desejavam sua volta ao poder. Na Presidência, JK havia construído hidrelétricas, estradas; promovera a industrialização e a modernização da economia. Construíra Brasília, a nova capital federal. Mesmo assim, era considerado conservador e “entreguista” pela esquerda brasileira, que desejava um governo antiamericano e estatizante, que fizesse as reformas de base, principalmente a agrária — se preciso, “na lei ou na marra”.

Em plena “Guerra Fria”, o outro lado, porém, já era mais forte, por causa da inflação, da corrupção no governo e do isolamento político de Jango. Carlos Lacerda e outros líderes da UDN conspiravam com os militares para evitar que Goulart comandasse as eleições, como candidato à reeleição, ou mesmo apoiando Brizola. O “dispositivo militar” de Jango era uma ficção. Alguns chefes militares queriam tomar o poder desde o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. Com a radicalização política, deram o golpe com amplo apoio da classe média.

Juscelino chegou a se iludir com a manutenção do calendário eleitoral, mas foi cassado pelo marechal Castelo Branco, que assumira a Presidência e sustou o pleito. Em 1966, no exílio, ainda tentou organizar a “Frente Ampla” pela redemocratização do país, junto com Carlos Lacerda e João Goulart. O movimento foi proscrito pelos militares. Nenhum dos três políticos viveu o suficiente para o ver o país de volta à democracia. Uma parte da esquerda aderiu à luta armada, outra se uniu aos liberais no antigo MDB para lutar pela anistia, as diretas já e a Constituinte. O resto da história é conhecida.

Nessa eleição, curiosamente, os discursos de Aécio e Dilma evocam o debate entre Juscelino e Brizola antes do golpe. Felizmente a história não se repete — nem como farsa, nem como tragédia. Não há nenhum Carlos Lacerda nem generais golpistas. Mas há, novamente, uma escolha sobre o futuro. E desta vez a decisão será no voto!

Meus dois eleitores em mim.


Por marcos romão

romao-niteroi-telefoneDescubro que carrego dois eleitores em mim.

O eleitor negro intelectual que viaja, reflete e opina pelo mundo através de livros, notícias e recados cibernéticos.

O eleitor negro comum, que anda, reflete e opina pelas ruas e esquinas de Niterói, através  de observações, conversas, escutas, olhares e fricções pele à pele e de pessoa à pessoa.

Sempre que os dois eleitores em mim conversam, me sinto um negro eleitor  e homem completo.

Nestes momentos escolho certo de que estou escolhendo a mim mesmo.

Caso petrobrás influencia:Aécio dispara e abre 17 pontos de vantagem sobre Dilma, mostra pesquisa Istoé/Sensus


 

ISTOÉ Online | 11.Out.14 – 17:12 | Atualizado em 11.Out.14 – 19:51
Aécio dispara e abre 17 pontos de vantagem sobre Dilma, mostra pesquisa Istoé/Sensus

Primeiro levantamento após divulgação de áudios da Petrobrás mostra que escândalo atingiu em cheio campanha da petista

Mário Simas Filho

Primeira pesquisa ISTOÉ\Sensus realizada depois do primeiro turno da sucessão presidencial mostra o candidato Aécio Neves (PSDB) com 58,8% dos votos válidos e a petista Dilma Rousseff com 41,2%. Uma diferença de 17,6 pontos percentuais. O levantamento feito entre a quarta-feira 7 e o sábado 10 é o primeiro a captar parte dos efeitos provocados pelas revelações feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa sobre o detalhamento do esquema de corrupção na estatal. “Além do crescimento da candidatura de Aécio Neves, observa-se um forte aumento na rejeição da presidenta Dilma Rousseff”, afirma Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus. Segundo a pesquisa, o índice de eleitores que afirmam não votar em Dilma de forma alguma é de 46,3%. A rejeição de Aécio Neves é de 29,2%. “O tamanho da rejeição à candidatura de Dilma, torna praticamente impossível a reeleição da presidenta”, diz Guedes. A pesquisa também capta, segundo o diretor do Sensus, os apoios políticos que Aécio recebeu durante a semana, entre eles o do PSB, PV e PPS.

As 2000 entrevistas feitas em 24 Estados e 136 municípios mostra que houve uma migração do eleitorado à candidatura tucana mais rápida do que as manifestações oficiais dos líderes políticos. No levantamento sobre o total dos votos, Aécio soma 52,4%, Dilma 36,7% e os indecisos, brancos e nulos são 11%, tudo com margem de erro de 2,2% e índice de confiança de 95%. Nos votos espontâneos, quando nenhum nome é apresentado ao eleitor, Aécio soma 52,1%, Dilma fica 35,4% e os indecisos são 12,6%. “A analise de todos esses dados permite afirmar que onda a favor de Aécio detectada nas duas semanas que antecederam o primeiro turno continua muito forte”, diz Guedes. O tucano, segundo a pesquisa ISTOÉ\Sensus, vence em todas as regiões do País, menos no Nordeste. No PSDB, a espectativa é a de que a diferença a favor de Dilma no Nordeste caia nas próximas pesquisas, principalmente em Pernambuco, na Bahia e no Ceará. Em Pernambuco devido o engajamento da família de Eduardo Campos na campanha, oficializado na manhã do sábado 10. Na Bahia em função da presença mais forte do prefeito de Salvador, ACM Neto, no palanque tucano. E, no Ceará, com a participação do senador eleito Tasso Jereissati.

Além da vantagem regional, Aécio, de acordo com o levantamento, supera Dilma em todas as categorias socioeconômicas, o que, segudo a análise de Guedes, indica que a estratégia petista de apostar na divisão do País entre pobres e ricos não tem dado resultado.

PESQUISA ISTOÉ|Sensus

Realização – Sensus

Registro na Justiça Eleitoral – BR-01076/2014

Entrevistas – 2.000, em cinco regiões, 24 Estados e 136 municípios do País

Metodologia – Cotas para sexo, idade, escolaridade, renda e urbano e rural

Campo – de 07 a 10 de Outubro de 2014

Margem de erro – +/- 2,2%

Confiança – 95%

Aécio arranca na frente


Nas Entrelinhas: Luiz Carlos Azedo
publicado no Blog do Azedo: 09/10/2014

 Hoje, serão divulgados os resultados de novas pesquisas, que deverão confirmar o avanço de Aécio. A expectativa é de que o horário eleitoral recomece com os candidatos evitando o confronto direto

 
O candidato do PSDB, Aécio Neves, disparou na frente da presidente Dilma Rousseff (PT), na virada do primeiro para o segundo turno, confirmando a tendência de ascensão que havia registrado no dia da votação do primeiro turno, isto é, no domingo passado. Tanto os trackings das campanhas eleitorais como as pesquisas de opinião já registram essa tendência, na qual Aécio teria de 52% a 56%, e Dilma, de 44% a 48%. As pesquisas mostram também a elevação da rejeição a Dilma Rousseff, acima de 40%, enquanto o tucano estaria com pouco mais de 30%. 

O resultado dessa nova correlação de forças foi a ampliação dos apoios ao tucano. Governadores eleitos do PMDB, como Paulo Hartung (ES), e do PDT, Pedro Taques (MT), embarcaram na campanha de Aécio. No Senado e na Câmara, a rebelião na base governista também não é pequena. O senador capixaba Ricardo Ferraço (PMDB), em debate no plenário do Senado, aparteou o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), que ressaltava o apoio da legenda a Dilma Rousseff, para dizer que parte da bancada de senadores do partido está com o tucano. A bancada da Câmara também está muito dividida.

Os candidatos a presidente Pastor Everaldo (PSC) e Eduardo Jorge (PV) anunciaram a adesão à candidatura tucana ontem. O PSB também decidiu ir de Aécio, embora tenha liberado dois diretórios regionais para apoiarem Dilma Rousseff, casos da Paraíba, onde o socialista Ronaldo Coutinho enfrenta o tucano Cássio Cunha Lima, e do Amapá, onde o PT apoia a reeleição de Camilo Capiberibe (PSB). 

A Rede, de Marina Silva, não vai se posicionar oficialmente porque está muito dividida, mas o apoio da candidata do PSB é esperado para hoje. Dilma tinha a expectativa de receber apoios do PSB, mas fracassou. A candidata do PSol à Presidência da República, Luciana Genro, também anunciou que a legenda não apoiará a presidente da República. “Vamos seguir lutando para mudar o Brasil: Dilma não nos representa. Nenhum voto em Aécio”, divulgou o PSol, no Twitter.

Trem fantasma

Enquanto as pesquisas parecem até uma montanha-russa para os candidatos, nos bastidores da campanha eleitoral também existe uma espécie de trem fantasma. O mercado financeiro repercutiu, na manhã de ontem, os comentários do marqueteiro de Dilma Rousseff, João Santana, durante a reunião com aliados, segundo os quais a campanha petista teria um arsenal guardado para usar contra Aécio. O boato de que haveria uma denúncia contra o tucano fez a bolsa cair. 

Em contrapartida, o assunto mais badalado à tarde era o suposto envolvimento de aliados do governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel, com lavagem de dinheiro. A Polícia Federal apreendeu R$ 116 mil em um avião no começo da noite de terça-feira. O piloto e o copiloto se recusaram a falar sobre o proprietário do bimotor prefixo PRPEG que transportava três ex-integrantes da campanha eleitoral do petista e o dinheiro. A aeronave está registrada como propriedade de uma pequena empresa de táxi aéreo. Não se sabe também a origem da grana apreendida.

Hoje, serão divulgados os resultados de novas pesquisas, que devem confirmar o avanço de Aécio. A expectativa é de que o horário eleitoral recomece com os candidatos evitando o confronto direto. Mas o PT vai explorar a comparação de indicadores dos governos petistas com o governo tucano de FHC.

No encontro de ontem, com grande número de congressistas no Memorial JK, em Brasília, Aécio ensaiou o discurso que pretende adotar para evitar a pecha de elitista que pretendem lhe impor. Afirmou que, caso seja eleito, será o presidente dos “brasileiros mais pobres”.

O tucano criticou o que considera uma “visão perversa” dos governistas: “Eu não serei presidente de apenas um estado da Federação, serei o presidente de todos os brasileiros e, principalmente, daqueles que mais precisam da ação do Estado. Serei o presidente dos brasileiros mais pobres, por mais que a lideranças do governo, o marketing da campanha oficial, continuem com essa visão perversa de política de Brasil, querendo sempre dividir entre ‘nós’ e ‘eles’”, disse Aécio.