Convocação aos antirracistas do Ceará e do Brasil: Liberdade para a Pesquisadora Acadêmica Mulher Negra Mirian França!


por marcos romão

fonte: facebook e Congresso em Foco

#LibertemMiriamFrança é o hashtag de apoio à jovem negra Miriam França

Grupo de Apoio à Miriam França: Facebook Mirian França

Miriam França grupo de apoio

Presa como suspeita de assassinato no Ceará, desde o dia 26 de dezembro, a jovem negra e acadêmica da UFERJ, no Rio de Janeiro, Mirian França, só agora no início do ano encontra a solidariedade de pessoas, que buscam acionar organismos de combate ao racismo e de direitos humanos que a atendam e acompanhem o seu caso, para evitar que violações aos direitos humanos e pré-julgamentos racistas possa acontecer, como já está acontecendo na grande imprensa nacional e italiana.
Para quem conhece a Itália e a forma com que a imprensa italiana cai como abutre em seus noticiários, quando comentam “casos” que envolvam  mulheres negras latino-americanas e sobretudo mulheres negras brasileiras, que são de cara consideradas “putanas”. a situação da jovem Miriam não é das melhores para provar sua inocência.

Enquanto sua família não tem acesso a ela, pois seu celular foi desligado, e até agora nenhum advogado se pronunciou em sua defesa, a polícia do Ceará já conta até com um ajudante da polícia italiana na “investigação do caso”, se existe algum convite oficial e diplomático para a atuação deste policial estrangeiro, ou se ele apenas está passando férias como turista comum em JIJOCA DE JERICOACARA, a mamapress não conseguiu até agora encontrar nenhuma informação a respeito.

Sabido é, que a região é uma das regiões preferidas e dominadas pela “Máfia Italiana” e seus tentáculos turísticos no litoral brasileiro. A brutalidade e da força utilizada no assassinato de Gaia Barbara Molinari, indicam que Gaia foi morta por um homem forte ou por duas pessoas, além do mais há indícios de que houve luta.

Mirian é uma pessoa franzina e até agora a polícia do Ceará não apresentou fatos, como marcas no corpo, que apontem Miriam França como a assassina. Enquanto isto os jornais italianos esmiuçam sua vida e publicam matérias da imprensa abutre cearense, com fotos e slides-show sobre a vida de Mirian França.

Inocente ou culpada., Mirian França já está condenada pelo racismo mundial. Sobre máfias e policiais semi-oficiais italianos em nossas praias, só a polícia federal deve saber. Brasileira e negra que se vire, mesmo em seu país. Suspeito homem e italiano, já está livre e deve ter escafedido há muito tempo. Isto é o Brasil Internacional.

“GAIA, UCCISA IN BRASILE: DUBBI SULL’AMICA ARRESTATA.
“È RIPARTITA SENZA DENUNCIARE LA SCOMPARSA”-

 

Italina.Miriam França exposta

Miriam França exposta

Um amigo seu publicou no dia 30 no Facebook:
“Toda minha atenção, preocupação e solidariedade estão para a Mirian Franca nos últimos dias… Presa injustamente, mas já condenada pela opinião popular machista e racista, que foi conduzida pelo jornalismo tosco desse país.
Gostaria de pedir um apelo a todos que conhecem a Mirian que nos ajudem a desconstruir essa ideia ridícula, que a mídia vem incitando, de que a minha amiga é uma criminosa… Não acreditem nesse jornalismo global barato e sensacionalista. Mirian é inocente e está sendo usada para maquiar a incompetência da polícia do Ceará”

 

Miriam França ao fundo

Miriam França ao fundo

Ficamos aliviados sabermos através do grupo CRIOLA, que a ativista negra,  Vilma Reis, tenha informado que advogados foram acionados para se inteirarem dos fatos e procedimentos da prisão, da jovem acadêmica negra Mirian França de Melo, presa por suspeita de assassinato no Ceará.

Temos reiterado a necessidade primária de possuirmos advogados e ativistas voluntários em todos os estados do Brasil, que possam acompanhar in loco, o que se passa no momento de prisões de negros e negras no Brasil

O advogado Sergio Abreu toca no assunto, quando pergunta onde estão as pessoas que possam aompanhar no momento em que ocorrem prisões de “suspeitos” negros ou negras em todo o Brasil.

Nos últimos meses temos agilizado via página SOS Racismo Brasil, vários atendimentos de casos de forma não burocráticas, quando orientamos sobre como devem acontecer os primeiros socorros, no momento em acontecem detenções ou discriminações raciais nos estados do Brasil. Este trabalho inicial é feito por voluntários que nos acompanham nas redes sociais.

Isto serve de base para posteriores ações jurídicas de autoridades ou órgãos de governo competentes.

Nossa experiência destes dois anos no Brasil, nos fez ver que este trabalho de primeiros-socorros, não é trabalho para “escoteiros” e discursos nas redes sociais, pois é exatamente a fase de “instrução processual”, que ferra a nossa gente negra, vítima de preconceitos locais ou nacionais como foi o caso de Vinicius Romão, preso por 16 dias porque o policial pegou o primeiro preto que apareceu pela sua frente, depois da ocorrência de um assalto no bairro em que Vinicius morava. ( vide matéria)

Depois que um “suspeito” entra na malha da máquina judicial fica muito difícil de consertar, como no caso Liberdade PARA Rafael BRAGA, em que tanta gente de boa se meteu, mas que ele dança o tempo todo por migalhas e vacilos, que não aconteceriam se recebesse boa orientação no momento da prisão, ou da liberdade provisória, em que permitiram e publicaram uma foto, que aos olhos da justiça algoz pareceu provocação e violação de sua condição sub-judice. (leia mais sobre o caso Rafael Braga)

Tornar o fato político, como “político” desde o início, faz um barulho que é necessário, mas não cuidar desta fase de instrução, só faz a coisa ficar no barulho e nossa gente mofar na prisão.
Gente disposta como Jurema Werneck do Criolae Sergio Abreu é o que precisamos todos nos tornar, precisamos denunciar e acompanhar os casos até o fim.

Até agora não obtivemos contatos do Ceará mas entraremos em contato com os grupos que conheçemos por lá.
O princípio de um Sos, que é “primeiro-socorro”, é primeiro soltar quem for vítima de arbitrariedades ou incompetência policial. e somente  depois fazer ilações sobre os males do capitalismo e do racismo, pois ninguém gosta de teorizar dentro da cadeia. Mamapress Rede Radio Mamaterra e Sos Racismo Brasil.

Bajonas Teixeira de Brito Junior é doutor em Filosofia, está fazendo sua parte, que é esmiuçar e divulgar as incoerências e possíveis arbitraridades ocorridas na prisão da jovem negra e acadêmica, Márcia França, aqui vai o seu artigo.

Dúvidas sobre a prisão da jovem negra no Ceará

Bajonas Teixeira de Brito Junior

Uma jovem negra, Mírian França, doutoranda em farmácia na UFRJ, que passava férias no Ceará, foi presa como suspeita do assassinato de uma turista italiana. Tudo indica que está sendo usada como um bode expiatório para salvar os lucros da indústria turística do Ceará, já que o crime obteve repercussão internacional e poderia reduzir o fluxo de turistas do exterior. Querem mostrar que existe polícia competente e rápida. Mas os fatos indicam o contrário. A delegada responsável pelo pedido de prisão não dá qualquer justificativa plausível para essa medida. Além de tudo, Mirian deixou o local, a praia de Jericoacoara, no dia 24 de dezembro, por ter passagem comprada com antecedência para retornar a Fortaleza, de onde iria para outra praia, Canoa Quebrada. Acredita-se que o crime ocorreu no dia 25. O jornal O Globo, em matéria da sua equipe no Ceará, chega a afirmar: “O crime ocorreu no último dia 25, na praia de Jericoacoara, distante 300 km de Fortaleza”. Ora, como nessa data Mirian estava em Fortaleza, não poderia ter sido incriminada. E mais: o crime exigiu muita força física, houve luta e resistência da parte da vítima. Mírian, franzina, não poderia ter feito isso. E se fizesse teria muitas marcas no corpo.

A delegada soluciona a contradição de forma simples: diz que ao menos duas pessoas participaram do crime. Ou seja, Mirian teria um cúmplice. Ocorre que Mírian, além de ter uma biografia incompatível, não tinha conhecidos nem contatos na região. Nada deixa vislumbrar que a jovem tenha recebido apoio jurídico da defensoria pública do Ceará, nenhum advogado fala por ela. Ao que tudo indica foi conduzida pela polícia militar para depor, pelas mãos de um coronel que já emitiu várias afirmações preconceituosas contra a jovem (Diz, por exemplo, que ligou diretamente para a jovem no dia 26, e que percebeu que ela estava num “ambiente de festa”. Certamente, ela estava na praia de Canoa Quebra, de férias e no período de alta estação. Nessa época, como o coronel deveria saber, funciona no seu estado uma indústria turística muito festiva). A família da jovem não recebeu qualquer informação, e o seu telefone celular foi desligado não se conseguindo mais contato com ela. Presa ilegalmente, caluniada, mantida incomunicável e, provavelmente, não em prisão especial, como teria direito pelos títulos universitários. É uma pesquisadora de alto nível em farmácia e química, mas a imprensa, primeiro no Ceará e, em seguida, no resto do país, a denomina apenas como “a carioca”. Em momento algum ela é apresentada como pesquisadora, acadêmica, autora de diversos artigos científicos. Seria isso, talvez, incompatível com ser negra? É importante sublinhar que “carioca” é um termo pejorativo e muito negativo nas áreas de turismo do Nordeste.

Enviamos o artigo publicado hoje no Congresso em Foco e os convocamos para questionarem a arbitrariedade desses atos como mais um crime contra os negros e, em particular, as mulheres negras. O artigo detalha as dúvidas envolvidas no caso. Abaixo foto de Mirian.

para ler o artigo de Bajonas Teixeira de Brito Junior

Obs: Essa mensagem segue com cópia para a Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará. Ficaremos na expectativa de suas ações para dirimir as dúvidas relativas ao caso.

Noticias no G1 sobre o caso

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18 pensamentos sobre “Convocação aos antirracistas do Ceará e do Brasil: Liberdade para a Pesquisadora Acadêmica Mulher Negra Mirian França!

  1. Marcia é uma pessoa franzina e até agora a polícia do Ceará não apresentou fatos, como marcas no corpo, que apontem Márcia França como a assassina

    O correto é Mirian França

  2. Nada esta explicado ,nem do lado positivo e nem do lado negativo , esse ensaio esta muito mal feito .
    Com certeza ela esta inocente até provas ao contrario !

  3. O grande problema maior da Míriam, foi este caso ter acontecido no Estado do Ceará, um dos estados mais racistas do Brasil, sou professor universitário negro, moro há 38 anos em São Luís do Maranhão, nasci em Santos/SP, e sei muito bem do que estou falando. Não que em outros estados este acontecimento não aconteceria de uma forma menos preconceituosa, mas no Ceará, primeiro estado brasileiro a “extinguir” a escravatura, quando nesta ocasião, expulsou todos os negros escravizados para o Estado de Pernambuco, desde então o cearense em um sentido social mais amplo, não consegue lidar muito bem com a questão racial. Mas apesar do desgaste, estou daqui torcendo para que esta desagradável fato, seja esclarecido e que os verdadeiros culpados, apareçam mesmo que façam parte de uma suposta “mafia”, que esteja lavando dinheiro em pontos turísticos do nordeste brasileiro, e talvez esta turista tenha sido confundida com uma “agente” de informações e consequentemente “executada”. A Míriam, se não tem nada a temer, que lute até o fim, que nossos companheiros do movimento negro cearense, se mobilizem no sentido de evitar uma injustiça com esta nossa companheira. E que no final desta história, que ela entre na justiça, como danos morais, privação de defesa, calunia e difamação e consiga uma indenização, que lhe permita viajar pelo Brasil e o Mundo, denunciando esta injustiça a qual esta sendo submetida. Boa sorte Míriam

    • Tem razão Isidoro, o importante no momento é que Mirian França, seja tratada com as normas do estado de direito. Já na segunda-feira será impetrado um habeas-corpus, para que ela teha finalmete a possibilidade de se defender, como qualquer pessoa acusada, justa ou injustamente.
      Importante no momento é a rede de solidariedade que se estabeleu e cresce. Nada melhor contra o racismo e a arbitrariedade discricionária, do que divulgar o que se passa. seja em que estado brasileiro for.

    • Sou do Ceará e não concordo com você. Cearense pode sim ter uma mente fechada quanto algumas questões pelo fato do nosso estado ser bastante religioso, mas 90% da população cearense veio de família pobre, pessoas que viviam na miséria mesmo, pela falta de água e de amparo por parte do governo. Poucos aqui são brancos e descendentes de europeus, a maioria é mestiço, mistura de índios e escravos. Eu que faço parte dessa mistura, mesmo sendo pobre e crescendo em uma comunidade onde a criminalidade só aumentava, nunca sofri preconceito por parte de ninguém, policia nunca me parou na rua por acharem que eu estava levando drogas ou portando armas só pelo fato de ser comum no meu antigo bairro. Dizer que a polícia prendeu ela só por que ela era negra é a maior calúnia do mundo, se eles a prenderam é por que ela é suspeita, e se ela não for culpada ela será solta. Ela não foi jugulada e condenada como culpada (ela está presa apenas como suspeita), por tanto eu acho que vocês deveriam parar de fazer drama e esperar as investigações serem feitas e o julgamento vir a tona. Afinal a policia foi bem clara em falar que ela foi presa por não colaborar com as investigações apresentando depoimentos contraditórios.

  4. Estão agindo com total arbitrariedade. Mirian França tem moradia fixa, trabalho, não tem antecedentes criminais. Ela no mínimo deveria responder em liberdade e ter acesso a família.
    Estudei anos com ela, tenho certeza de sua inocência!
    Justiça, para Mirian e Gaia!

  5. Mais uma mulher negra vítima da intolerância de gênero e racista que o Brasil ainda usa para esconder suas arbitrariedades. Não podemos baixar a guarda um só instante, é um estado de alerta permanente.

  6. A pena de morte no Brasil foi extinta quando D. Pedro negou o perdão imperial a Joaquim da Mota Coqueiro e este foi considerado culpado, sentenciado e morto na forca. Após sua morte foi descoberto o verdadeiro assassino e o peso da culpa fez com que D. Pedro extinguisse a pena de morte no Brasil. Ainda assim ao longo dos anos inocentes são condenados por erro das autoridades competentes e pagam com a vida (ainda que sejam absolvidos depois, estarão com a vida comprometida para sempre). Até quando a lei vai punir inocentes? A moça é culpada ou inocente? Não sei, mas sei que antes que possa se defender dentro dos seus direitos de cidadã (ter a presença de um advogado por exemplo)ela está sendo tratada como culpada e bem sabemos que daí para ser julgada e condenada por crime hediondo nesse nosso país não custa nada né. Onde estão os Direitos Humanos? Essa mãe tem que começar a fazer muito barulho se quiser que sua filha seja investigada dignamente e inocentada, se realmente for inocente. A hora de fazer barulho é agora antes que essa moça sob pressão se veja muito em breve assinando uma carta de sentença se declarando culpada.

  7. Pingback: Mirian França libertada: Redes sociais pesaram na balança da justiça. | Mamapress

  8. Não se trata de racismo, preconceito ou tentar arrumar “bode expiatório” para esse crime horrendo, como os mais exaltados escreveram. Deixem de lado a passionalidade e o exagero e entendam que as investigações dirão se essa moça é culpada ou não. Tudo indica que tenha participado do crime, só falta saber se ativa ou passivamente. Resumindo: Se é inocente, certamente será liberada…se é culpada, que pague pelo famigerado crime que cometeu. Se é estudante universitária, doutoranda ou ignorante, nada disso serve como atenuante ou prova de que não cometeu o crime.

    • Parece que a sua bola de cristal, que não viu racismo no comportamento da delegada, da promotoria e do juiz em todo este processo de criminalização de Mirian França, também não ajudou na sua e na da delegada, pré-condenação de Mirian. Ou será que a sua “bola de cristal”, tem alguma prova de uma ação ativa ou passiva no crime, por parte da Mirian?

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