Yalorixá Mãe Beata de Yemanjá, Anjo de Berlim e Embaixadora da Paz nas Baixadas do Mundo.


Beata do Yemanjá 1

Foto do perfil do Facebook de Adaílton Moreira

Por Marcos Romão, Mamapress.

“É com imenso pesar que comunico o falecimento de minha mãe biológica Mãe Beata de Iyemonjá.
Olorun a receba com glória.
Posteriormente informo maiores detalhes.”

Foi a notícia que recebi na Rede Rádio Mamaterra, de Adailton Moreira, nosso irmão e filho encarnado da Yalorixá Mãe Beata de Yemanjá, Beatriz Moreira Costa, esta manhã de 27 de maio de 2017.

Eu estava acordado desde a madrugada, pois uma dor imensa em minha perna esquerda que me acordara e me fizera pular da cama, me avisava que algo mais que câimbras atingia  meu coração. Liguei meu sistema aguardando notícias não querendo incomodar, nem assustar ninguém desnecessariamente.

Choro e tristeza por não estar mais entre nós. Choro de alegria por ter convivido com Beatriz Moreira e saber e carregar um pouco de sua força. Choro de tristeza e alegria por todos os meninos e meninas negras e todxs discriminados no Brasil e no mundo.

Que cada lágrima do nosso pranto, seja o aȿé que mantenha um jovem negro vivo. Aprendemos desde África a fazermos o impossível!

anja-negra-de-berlin-4

Mãe Beata em Berlim-foto Yone Guedes-asas Murah Soares- composição Ras Adauto

Beatriz Moreira Costa, conhecida como Mãe Beata de Iemanjá, nascida em Cachoeira, 20 de janeiro de 1931,  é e foi Yalorixá do Candomblé, escritora, atriz e artesã brasileira, ativista na defesa e preservação do meio ambiente, dos direitos humanos, educação, saúde e combate ao sexismo, LGBTfobia, e, destacou-se na luta contra o racismo e a intolerância religiosa, sendo nomeada pela ONU como embaixadora da Paz.

Conheci Beatriz no final da década de 70, quando das manifestações contra a morte de jovens negros na Baixada Fluminense. Desde então nossos caminhos se cruzaram como irmãos encarnados pelo mundo.

Baixada Fluminense lutando contra o genocídio do jovem negro, Colônia quando assumiu ser a madrinha de minha filhas Moema e Papoula, que acabavam de nascer.  Berlim, onde com Ismael Ivo foi atriz na peça ” Olhos d’Água”. Hamburgo, onde foi convidada pelo Quilombo Brasil de Hamburgo e o Pároco da Catedral Luterana Trinnitatis Kirche a celebrar uma cerimônia de Candomblé no altar da catedral e, novamente Rio de Janeiro abrindo os caminhos da Pequena África, no Porto em que milhões de africanos sequestrados desembarcaram no Brasil, foram os terreiros do mundo em que nos encontramos na propagação do amor e paz e preservação da memória da Diáspora Africana no mundo.

Mãe Beata na Trinnitatis Kirche de Hamburgo (2008)

Para Mãe Beata não havia muros, sua vida só possuía pontes. Sua caminhada para o Orun aumentou a responsabilidade de todas e todos, que a conheceram e aprenderam com ela a construir pontes de superação do racismo e das discriminações das minorias.

As meninas e meninos ameaçados de violência e assassinatos institucionais no Brasil, perderam uma de suas grandes “mães e pais” numa só pessoa.

Nós negras e negros do Brasil, temos que preencher esta lacuna e levar sua missão até o fim.
Mãe Beata de Yemanjá estará feliz em saber, que pessoas de todos os credos e raças compreenderam a sua mensagem que igualdade não é dada, que igualdade é para ser construída na compreensão do outro e da paz.

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No  assentamento da Rádio Mamaterra no Brasil, a  Yalorixá Mãe Beata de Yemanjá, pede a juventude negra que esqueça a R15 e descubra o poder da comunicação e a liberdade trazida por Zumbi do Palmares.

Fala de Mãe Beata no Quilombo do Sacopã em Maio de 2011:

Okara Kan quer dizer um em Yorubá

É o primeiro caminho

Que é comandado por EŞU e OGUN

EGUM é aquele fazedor de guerra

que é nada mais nada menos que OGUM

UM quer dizer também guerra

grande fazedor de guerra

Okaram que em Yorubá quer dizer UM perguntou a GUM

O que é que estais fazendo aqui mulher? O que é que estais fazendo aqui mulher?

Logo a guerra respondeu, “eu cheguei por terra e também vim de navio.
Para que?

” Para defender o povo de nosso Brasil.

Chibata e o ferro em brasa já não haverá mais.”

Negro! Tu acordou?

Sabe o que tu és?

Grita! Não cala!

Teu grito não é mais de dor.

Diz que tu não quer a R15 e os Fuzis.

Negro tu te libertou. Você chegou aqui.

Quem te deu a “euforria”, foi uma mulher? Não.

Foi o nosso querido Zumbi.

E para isto hoje chega.

 O Sacopã, a Mamaterra dando também o seu grito de alegria.

Viva Sacopã! Viva todos os Negros do Brasil!

A Terra Negra sabe donde veio e prá onde irá!

Yalorixá Mãe Beata de Yemanjá- 19 de maio de 2011

Saiba mais sobre Mãe Beata:

Assentamento em Berlim

A Anja Negra de Berlim-Yalorixá Mãe Beata de Yemanjá

É lua cheia, Mãe Beata faz 80 anos

Yalorixás e Babalorixás Homenageiam Abdias Nascimento em seu Centenário

Fórum de Religiosidade de Matriz Africanas e o Plano Estadual de Igualdade Racial

Mãe Beata abre os debates com o MINC

Mãe Beata chama Marta Suplicy “às falas” e ao exigir respeito diz:

” Exijo respeito pelo Povo Negro, pelos Quilombolas, pelos Índios….NÃO CORTEM A  NOSSA FÉ!”

Conto da Boa Morte pela Mãe Beata de Iemanjá

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3 pensamentos sobre “Yalorixá Mãe Beata de Yemanjá, Anjo de Berlim e Embaixadora da Paz nas Baixadas do Mundo.

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