Artista negra, artista negro estamos com vocês. Vamos escurecer esta conversa: Zoológico Humano?


Histórico:
Batizado de Exhibit B, o evento artístico propôem que atores que apareçam em jaulas e presos a correntes para tratar das “repugnantes atitudes referentes à raça durante a era colonial”.

A produção européia da peça “cata” por todo o país e tenta convencer atores negros brasileiros, a participarem desta performance, que pretende se apresentar em 2016 em várias capitais brasileiras, no ano da Olimpíadas no Brasil.

Discussões e protestos surgem nas redes sociais e a Rede Rádio Mamaterra e a Mamapress acompanham.

por Fabiana Bruna Souza

Elenco da peça 'O Filho Pródigo', de Lúcio Cardoso. Da esquerda para a direita: Roney da Silva (Moab), Ruth de Souza (Aíla), Abdias Nascimento (Pai), José Maria Monteiro (Assur), Aguinaldo Camargo (Manassés) e Marina Gonçalves (Selene). Rio de Janeiro, Teatro Ginástico, 1947. Cedoc-Funarte.

Elenco da peça ‘O Filho Pródigo’, de Lúcio Cardoso. Da esquerda para a direita: Roney da Silva (Moab), Ruth de Souza (Aíla), Abdias Nascimento (Pai), José Maria Monteiro (Assur), Aguinaldo Camargo (Manassés) e Marina Gonçalves (Selene). Rio de Janeiro, Teatro Ginástico, 1947. Cedoc-Funarte.

#‎ContraExhibitBBrasil‬ Contra Exhibit B – Brasil :

Vamos escurecer uma coisa aqui. saiba mais

Se você é um ator ou atriz negro(a), esta buscando promover a sua carreira e pensa que a sua participação na peça “Exhibt B” vai trazer visibilidade para o seu trabalho e que ainda por cima, ela vai promover discussões positivas na sociedade brasileira sobre a violência generalizada contra o povo negro, essa mensagem é para você :

Nós lhe compreendemos mas não te apoiamos.

Nós te compreendemos pois sabemos que a história brasileira sempre nos foi ensinada pela lente colonial. Indo do escravo sem alma ao “black face”, aprendemos a crescer em uma sociedade que sempre se esforçou por deixar claro qual é o “lugar do negro”.

Na escola, todos os nossos traços físicos foram motivos de piada. Aprendemos desde pequeno, que não somos iguais aos outros. Nós fomos apelidados e vimos a omissão dos nossos professores, incapazes de perceberem a violência racial que nos atacava cotidianamente.

A escola também serviu para aprendermos de maneira superficial a história do nosso povo.

Aprendemos a ver nossos antepassados serem representados como vencidos ou susceptíveis em serem domesticados, sem lutar ou reagir, agradecendo à Deus pela melhora da sua raça através do branqueamento a cada geração.

Que a colonização portuguesa foi dócil, que apesar de tudo, os “senhores” eram benevolentes e amigos dos escravos. Que o Brasil foi fundado por três raças e que hoje vivemos uma democracia racial…é….Bem pesado tudo isso, não é mesmo ?
Frente à todas essas estratégias de dominação e deslegitimação de nossas dores e lutas, crescemos e aprendemos a desenvolver dinamismos de defesa para enfrentar de cabeça erguida toda essa violência moral, cultural e física.

“Seja o mais branco possível”!

Essa frase está escrita em todo lugar sem que possamos dizer exatamente onde e, podemos ouvi-la em toda parte, sem que possamos identificar quem esta falando. Hoje somos adultos, temos nossa consciência formada e uma coisa precisamos admitir : ninguém pode sair ileso disto.
Tomamos assim, todo esse peso histórico em consideração quando dizemos : não te apoiamos possível candidato negro.

Nós não te apoiamos pois sabemos que a História das lutas e resistências do povo negro sempre existiram.

Elas estão pipocando por ai, nos canais da resistência, basta abrir os olhos. Passando pela auto-aceitação e valorização do que somos, vamos pouco a pouco deixando para trás o racismo que muitos de nós inconscientemente internalizaram, abandonando e corrigindo atitudes racistas para com membros de nosso próprio grupo étnico e para consigo mesmo.

Não te apoiamos, meu caro possível candidato(a) negro, pois sabemos que essa transformação é possível.

Nós não vamos nos calar: iremos discutir o racismo em nossa sociedade, sem que para isso precisemos ser sistematicamente utilizados como “objetos de ativação de consciência anti-racista de brancos.”

Como artistas negros e negras contemporâneos, pensemos juntos, novos meios de questionamento do racismo estrutural brasileiro, e façamos jus à nossa história:

Seremos protagonistas da nossa própria trama, criaremos nossos próprios arquivos, marcando nossa época não como aqueles que foram mais uma vez acorrentados ou enjaulados por um branco, mas como articuladores, pensadores, programadores, dramaturgos, atores, artistas, intelectuais, críticos e teóricos capazes de pensar a nossa própria história.

Nota da Mamapress:

Batizado de Exhibit B, o evento artístico propôs a atores que apareçam em jaulas e presos a correntes para tratar das “repugnantes atitudes referentes à raça durante a era colonial”. A produção européia da peça busca convencer atores negros brasileiros a participar desta performance.

Discussões e protestos surgem nas redes sociais e a Rede Rádio Mamaterra e a Mamapress acompanham.

 

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3 pensamentos sobre “Artista negra, artista negro estamos com vocês. Vamos escurecer esta conversa: Zoológico Humano?

  1. Pessoal, vocês viram esta exposição? Tem que ver, tem que saber exatamente do que estão falando. Eu vi e revi. É uma das obras mais lindas qeu ja vi na minha vida, e olha que eu já vi muita coisa em muitos lugares do mundo. Este posicionamento contra é totalmente obscurantista. Esta é uma obra aberta contra o racismo, a xenofobia e a escravidão contemporanea que foi apelidada ridiculamente pela midia sensacionalista de Zoologico Humano. O Brasil vai perder muito se esta obra não passar por aqui.

  2. Pingback: Zoológico Humano no Rio de Janeiro. Quando o circo dos horrores entra pela porta MAR | Mamapress

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