Tortura no cárcere? Denúncia do caso de Verônica Bolina pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais-ANTRA.


Verônica antes da agressão

Verônica algumas semanas atrás. Foto extraída da internet

por Marcos Romão

Verônica Bolina  é transexual. Teve uma discussão com uma vizinha idosa, que segundo versão policial teria sido agredida por Verônica.Verônica matéria ao ser presa

Levada para a carceragem da 2a DP de Bom Retiro. São Paulo, ainda segundo versão policial, ao ser transferida de uma cela para outra, teria mordido e arrancado a orelha de um carcereiro, por razões e situação não esclarecida.

Verônica no pátio

Foto reportagem da Band em que Mõnica é mostrada deitada no pátio da carceiragem e é chamada pela Band de “Traveca Tyson”

As fotos em jornais e TVs, mostram Verônica com marcas de espancamento brutal. Além de ter tido os cabelos raspados, tirando-lhe a identidade pessoal, ter sido colocada seminua no pátio da carceragem, Verôcia teve sua privacidade violada quando as fotos destas brutalidades foram mandadas para a imprensa e redes sociais.

Para a Mamapress e o Sos Racismo Brasil, aconteceram severas violações dos direitos humanos de Verônica Bolina.

Nenhum  crime que porventura tenha cometido não justifica a violência que sofreu por parte de agentes do Estado, que poderá ser classificado como tortura durante investigações isentas.

Muito provavelmente, com já corre em um áudio gravado por Verônica, ela dirá que nunca foi torturada, ou que mereceu ser agredida pelos carcereiros. Nada justifica agressões por parte de agentes de Estado encarregados de guardar e proteger quem está encarcerado. Ao contrários do áudio gravado em circunstâncias contrárias à praxes judiciais, em que Verônica nega ter sofrido torturas, as fotos entretanto, evidenciam que Verônica Bolina foi brutalmente agredida por seus carcereiros.

Segunda a página “A Capa”, a coordenadora de Políticas para a Diversidade Sexual do Estado de São Paulo,Heloísa Alves, informa que o áudio foi autorizado pela delegacia devido à comoção que se estabeleceu sobre caso. “O meu objetivo como coordenação foi vir à delegacia, ver se a Verônica estava com a integridade física dela garantida, e ela está. Ver o que aconteceu de fato e eu acompanhei todo o relato dela. O que espero desse Conselho é que restaurem a verdade”.

Ouçam o áudio:

Ainda segundo a página “A Capa”, após escutar os áudios, a militante Bárbara Aires declarou para a imprensa que Verônica não foi ferida apenas pelas agressões e que a integridade dela foi desrespeitada em inúmeros momentos. “Existe uma resolução da Secretaria de Direitos Humanos dizendo que como pessoas trans presidiárias devem ser tratadas. Não pode cortar o cabelo mais, porque já é uma agressão física, psíquica e emocional. Ela foi exposta nacionalmente com os seios à mostra, para ser deslegitimada como mulher. E o rosto daquele jeito é o quê? O papel da polícia não é agredir, não é revidar, é conter e imobilizar uma pessoa que está cometendo um ato infracional”

Tortura é crime contra a humanidade. Não pode mais ser tolerada que seja praticada por agentes do Estado, seja em que circunstância e contra quem for.

Nos associamos à ANTRA neste protesto e na exigência que as autoridades apurem até o fim e punam a todos que tenham praticado este ato de violência contra Verônica Bolina.

Foto de Verônica espalhada na internet, possivelmente por policiais

Foto de Verônica Bolina, espalhada na internet possivelmente por policiais.

CARTA DE REPÚDIO DA ANTRA

Meninas e maninos, a ANTRA através de minha pessoa, assim como de outras afiliadas, estamos acompanhando o caso, ao mesmo tempo em que não tenho medido esforços para denunciar as agressões por ela sofrida.

Acreditem, mesmo tendo circulado algumas dezenas de áudios nada convencionais e nada convincentes, a ANTRA e eu continuamos a insistindo junto a SDH – Secretaria De Direitos Humanos Da Presidência Da República e ao CNCD – Conselho Nacional de Direitos Humanos e Combate a Homofobia – LGBT a ida de uma comitiva a São Paulo para acompanhar os fatos ocorridos, onde eu na qualidade de Presidente da ANTRA e também Conselheira Titular possa está presente.

É inegável que a pessoa que sofreu violência física e psicologística como é o caso dela, esteja moralmente, fisicamente e mentalmente abalada, inclusive disposta a tudo para não sofrer mais violações de seus direitos além dos já sofridos, assim como é inegável que a Policia tenha coagido ela em momentos em que nem a senhora Heloisa Alves e nem ninguém a favor dela esteja perto da mesma!

Eu escutei por diversas vezes os áudios, e confesso que mesmo não estando ao lado dela, dá para sentir o medo estampado, dá para sentir que por trás disso tudo tem uma força maior que a impede de falar a verdade, que atormenta a mente dela, a coagindo a não dizer a verdade sob pena de sofrer mais do que já sofreu e podendo a vir ser alvo e vítima de mais tortura ou coisa pior!

Três coisas precisam serem feitas:

1º Denuncia formal a corregedoria pedindo apuração dos fatos e do porque ela ta tão desfigurada;

2º – Pedir intervenção da Defensoria pública e do Ministério Público para acompanhar os fatos de perto e apresentar as denuncias;

3º – Que uma comitiva imparcial não governo do estado esteja a sós com ela e possa ouvir tudo em particular de modo a deixar claro para ela que nosso objetivo não é prejudicá-la, muito pelo contrário, estamos a favor dela e que ela não está só!

Fora isso tudo, eu Cris Stefanny, fiz contato com Irina Karla na SDH pedindo apoio para que possamos em conetiva ir a SP acompanhar os fatos de perto, depois fiz ligação para a TV BAND para pedir retratação da matéria por eles apresentada no “Brasil Urgente”, falei com o Sr. André, produtor do Programa, a principio parecia que ia haver uma “rinha” entre nós, mas do meio para o fim, nos acertamos no diálogo e em partes concordamos que nada justifica o fato ocorrido com a Trans e as violências a ela atribuídas… Por fim, ele agradeceu pela ligação, após eu explicar que a matéria além de ter sido um desserviço para a sociedade, foi recheada de preconceitos e expôs a travesti através de chavões e palavras chulas como “TRAVECA”,  e ainda ridicularizando a exposição do nome de registro dela e ao se referir a mesma os chamavam de ele!

Ele deixou o whatsapp do programa para contatos: (011) 9994-47007 e também o e-mail: falecombrasilurgente@band.com.br alem do próprio telefone : (011) 3131-1313.

Penso que devemos mandar mensagens pedindo retratação, mas por favor sem agressividades para não perdermos a dignidade, o respeito nem os nossos direitos de reclamar!

cartaz de apoio nas redes sociais

cartaz de apoio nas redes sociais

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2 pensamentos sobre “Tortura no cárcere? Denúncia do caso de Verônica Bolina pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais-ANTRA.

  1. Pingback: A cada ação corresponde uma reação ou escreveu não leu, o pau comeu. A nossa complacência com a tortura. | Mamapress

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