MEXERAM NUM VESPEIRO! FALA O PRESIDENTE DA PALMARES SOBRE DECISÃO DE JUIZ FEDERAL NO MARANHÃO, CONTRA EDITAIS PARA OS NEGROS NA CULTURA


por marcos romão

MEXERAM NUM VESPEIRO! ASSIM FALOU O PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO PALMARES, NESTE 23.5 PARA 180 ATIVISTAS DO MOVIMENTO NEGRO REUNIDOS NO RIO DE JANEIRO.

DSC01213FOI UM ENCONTRO DE VILENPENDIADOS POR UMA JUSTIÇA DO PERÍODO ESCRAVOCRATA. TODOS ESTAVAM INDIGNADOS COM O RACISMO ESCANCARADO DE UM JUIZ FEDERAL NO ESTADOD COM 70% DE POPULAÇÃO NEGRA QUE É O MARANHÃO. HILTON COBRA SEGUIRÁ EM SUA PEREGRINAÇÃO CONTRA O RACISMO POR VÁRIAS CAPITAIS BRASILEIRAS, COMO SALVADOR, PORTO ALEGRE E SÃO PAULO!
DSC01253O Presidente da Fundação Palmares, ficou indignado com a decisão do Juiz Federal do Maranhão José Carlos do Vale Madeira da 5ª Vara Federal do Maranhão, na última segunda-feira. O magistrado suspendeu os editais direcionados pelo MinC a produtores, pesquisadores e criadores negros.
hilton cobraPara Hilton Cobra esta medida mexeu com um vespeiro. O Presidente da Palmares iniciou neste 23 de abril uma peregrinação por várias cidades para conversar com lideranças do movimento negro e a sociedade civil, sobre as medidas que serão tomadas para derrubar este veto às políticas afirmativa.

Cobrinha, como é conhecido, promete uma gestão pública de Estado, em que será discutido com a sociedade civil, que medidas devem ser tomadas para barrar o racismo na sociedade brasileira.

Já tem marcado visitas a Salvador, São Paulo e Porto Alegre e o movimento negro de São Luiz, já está fazendo contatos com lideranças de outros estados, para recorrem na justiça.
No Rio de Janeiro acorreram ao chamado 180 lideranças do Movimento Negro do Estado do Rio de Janeiro.

A entrevista exclusiva para a Mamapress:

Desembargador que perseguia o Quilombo do Sacopã é aposentado por venda de sentenças.: Perseguição prossegue.


por marcos romão
Nada mudou até hoje, para os quilombolas do Quilombo do Sacopã.na Lagoa Rodrigo de Freitas. Rio de Janeiro, mesmo depois de janeiro deste ano, quando o desembargador do Tribunal de Justiça do Riode Janeiro (TJ-RJ) Roberto Wider, foi condenado por ter nomeado para comandar cartórios do Rio dois advogados sem serem aprovados em concurso público, além de ter favorecido um lobista em decisões judiciais e administrativas.
O ex-desembargador Roberto Wieder foi o mesmo, que à época em que praticava atos ilícitos comprovados, julgou e reverteu a causa ganha anteriomente pelos quilombolas em 1a instância por 3×0, que dava aos descendentes de escravos, o direito às suas terras cobiçadas pelos especuladores imobiliários.
Em revisão sumária o Quilombo do Sacopã perdeu de 0x3, em um processo coberto de irregularidades, que depois dos quilombolas recorrerem, continua até hoje pendente em Brasília. Fato que provoca uma constante insegurança aos habitantes do quilombo devido aos constantes processos de reitegração de posse, movido entre outros, também por um desembargador, par por contemporaneidade e espaço de atuação, deste mesmo desembargador aposentado por corrupção.
Ainda sem a posse definitiva de suas terras, os Quilombolas do Sacopã têm sofrido constantes ameaças à sua sobrevivência física, econômica, cultural e religiosa por parte da alta corte de justiça do Rio de Janeiro.
portão-fechadoEm decisão inédita a Desembargadoria de Justiça do Rio de Janeiro, proibiu aos Quilombolas do Sacopã, que realizem todas e quaisquer atividades culturais e econômicas em seu território.
O ápice desta bizarra situação em que uma desembargadoria se arvorou ao poder de criar uma lei de siêncio especial para o Quilombo do Sacopã, ao proibirem os quilombolas, de realizarem até atos religiosos e festas de aniversário, foi quando ordenaram, que as entradas do Quilombo fossem cerradas com correntes por uma polícia militar fortemente armada, em um ato que lembrou um passado de vergonha do Brasil, que foi o período da escravidão. Durante cerca de 10 dias ninguém entrava ou saía.

A situação vexatória pela qual passaram, deixou marcas psicológicas profundas nos moradores do quilombo, que segundo palavras de uma moradora local, a fez sentir em um gueto da segunda guerra mundial no paraíso de Ipanema.BXK1271_LagoaRodrigodeFreitasRJ39800

Segundo os membros da Associação Cultural Quilombo do Sacopã, “ para nós, parece que as coisas pioraram depois que o desembargador Roberdo Wieder foi demitido, pois a impressão que temos é que a máquina de montada por ele, continua funcionando e se vinga contra o lado mais fraco que somos nós, os Quilombolas resistentes do Sacopã.”

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Desembargador corrupto Roberto Wider

Segundo a imprensa o Conselho Nacionalde Justiça (CNJ) puniu, em 2012, seis magistrados com a aposentadoria compulsória,a mais alta puniçãopossível para um juiz. As condenações foram definidas apenas neste ano, após trâmite de processos disciplinares abertos entre 2009 e 2011, para apurar casos de venda de sentenças e favorecimento indevido. Um caso de assédio também foi punido pelo CNJ.

Entre os casos definidos este  ano está o do desembargador do Tribunal de Justiça do Riode Janeiro (TJ-RJ) Roberto Wider, condenado por ter nomeado para comandar cartórios do Rio dois advogados sem serem aprovados em concurso público, além de ter favorecido um lobista em decisões judiciais e administrativas.

Para Luiz Sacopã, presidente da Associação Cultural que defende os direitos das famílias do Quilombo do Sacopã, esta decisão do CNJ chegou com 7 anos de atrazo.

Luis nos informa que em 2005 Roberto Wider era presidente da 5a Câmara Cívil do RJ, que anteriormente havia sido presidida pelo desembargador Antonio Eduardo Duarte, vizinho em litígio pela posse da área do Quilombo do Sacopã.

O vizinho e desembargador Antônio Duarte da Costa, havia sido  anteriormente, terceiro vice-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o mesmo Tribunal, que em 2012 sentenciou o Quilombo do Sacopã a não poder realizar qualquer tipo de atividade cultural e comercial, que são fundamentais para a sua sobrevivência.

Enquanto presidente da 5a Câmara Cívil em 2005, Roberto Wider pegou em mãos o processo contra o Quilombo do Sacopã, iniciado pelo vizinho  e também desembargador, Antonio Eduardo Duarte, através de uma imobiliária de origem duvidosa.

Esta imobiliária denominada Higienópolis,  não estava presente no processo ganho pelos Quilombolas do Sacopã  em primeira instância.

As denúncias foram feitas pelo GLOBO. Wider sempre se disse inocente. Além dos seis que forama posentados compulsoriamente, dois outros foram condenados à remoção (transferência obrigatória do juiz para outro local) e dois sofreram censura, o terceiro recebeu apenas advertência.

Fonte: passaki

PROCESSOS AINDA EM CURSO

Foram abertos 11 processosadministrativos disciplinaresneste ano, que ainda estão em curso, segundo o balançodo CNJ.

Desses procedimentos,dois foram em tribunaisde Minas Gerais ; dois no Piauí ; um no Rio Grandedo Norte; dois no Tocantins ;dois no Ceará e dois no Maranhão .Atualmente, segundoo CNJ, há 26 processos administrativosem curso noConselho, abertos neste eem outros anos. Além de Roberto Wider, foram aposentados compulsoriamente este ano desembargadoresda Bahia , do Maranhão ,de G oiás e de Tocantins .

Povos Indígenas Retribuem Visita de Quilombolas do Sacopã


por marcos romão
SAM_0104O grupo de indígenas expulsos da Aldeia Maracanã que foi alojado na antiga Colônia de Curupaiti em Jacarepaguá, recebeu a pronta solidariedade dos Quilombolas do Sacopã, que também são ameaçados pela especulação imobiliária que toma conta de todos os espaços do Rio de Janeiro, em que vivam pobres, indígenas e negros.
Em retribuição, os indígenas que receberam a visita, estarão neste dia 28 de abril fazendo um visita de “parentes” aos quilombolas do Sacopã, na Rua Sacopã 250, Fonte da Saudade, Lagoa.
Realizarão a partir das 11 horas o Ritual da Taba, intronizando no Rio de Janeiro a Re-Fundação da “Aldeia Tamoio”.
Em ritual quicentenário, os quilombolas do Sacopã , servirão uma feijoada cozinhada em fogão à lenha.
Repetem assim, o que sempre faziam quando construiam seus quilombos pelo Brasil em terras que os Povos Indígenas permitiam, solidários que sempre foram com os povos de pele preta que fugiam da escravidão colonial.
O Rio de Janeiro está convidado para assistir este encontro cósmico entre duas culturas que se amam.

 

Comissão da Verdade, Relatório Figueiredo, Indígenas, Aldeia Maracanã:as semelhanças


por marcos romão

Líder quilombol visita indigenas da Aldeia Maracanã no exílio em Jacarepaguá.

Líder quilombola visita indigenas da Aldeia Maracanã no exílio em Jacarepaguá.

Desde a a visita que fiz, com meu amigo e líder quilombola, Luiz Sacopã, aos nossos amigos Carlos Tukano, Dauá Puri e indígenas de vária tribos, alojados no antigo “Leprosário de Curupaiti“em Jacarepaguá, depois de terem sido removidos sob enorme pressão estatal, psicológica e policial, fiquei com o coração apertado ao lembrar-me de uma frase proferida por uma trabalhadora social do Governo do Estado do Rio, quando em um encontro casual, comentei sobre a necessidade de se escutar os povos indígenas, que haviam retomado o antigo Museu do ìndio e batizado o local como a Aldeia, com o nome do pássaro que dera nome ao bairro e ao estádio Maracanã: “São todos mendigos, é caso para a Assistência Social”.

Aquelas palavra jogadas ao vento, martelam minha cabeça desde aquele momento, pois ao visitar os indígenas  alojados naquela colônia isolada de tudo, a viverem da cesta básica mínima, com arroz, feijão e óleo, sem meios de locomoção para o centro da cidade e afastados da sociedade que procuraram, para terem um ponto de referência, que servisse de embaixada de seus clamores para o mundo, vi que o vaticínio daquela funcionária pública, havia sido cumprido à risca pelas autoridades governamentais do Rio de Janeiro. “Não existe problema étnico, nem discriminação a um povo, pois eles são marginais da sociedade, estão em mendicância”, poderíamos resumir o pensamento e a razão de estado.

Um jovem talentoso, campeão da Copa Indígena, neto do Grande Cacique Raoni, eu encontrara uma semana antes na porta do “Albergue Semi-Prisão”, para onde outro grupo de indígenas despejados da Aldeia Maracanã, haviam sido levados. Ele, que um mês ante me havia contado, que viera ao Rio e, encontrara um lugar na Aldeia de seus irmãos, para de lá procurar contatos com clubes de futebol no Rio, estava desolado, com os olhos ainda vermelhos provocados pelo  Spray-de-Pimenta aspejado generosamente pela polícia da cidade, que antes lhe parecia a Meca Maravilhosa.

na esquerda da foto um neto do Cacique Raoni, ao seu lado Namara Gurupy, mulher indígena advogada

na esquerda da foto um neto do Cacique Raoni, ao seu lado Namara Gurupy, mulher indígena advogada

Todos viraram deserdados, sem terra e sem teto. Mais uma vez cumpria-se o vaticínio da pitonisa funcionária estatal. São mendigos. Homens e mulheres trabalhadores e lutadores pela execução de seus sonhos, são pedintes aos olhos dos funcionários e de seus mandantes. Impecilhos ao progresso, que precisam ser removidos.

O governo do estado comprara do governo federal a Aldeia Maracanã/Museu do Índio, pela bagatela de 60 milhões de Dinheiros, em prestações à perder de vista, para depois de reformado, repassar para a inciativa privada, que irá instalar um “ressort”, para a lembrança do futebol milionário da COB e servir de espaço para velhos jogadores tomarem seu “uisquinho”, receberem homenagens e coçarem o saco enquanto contam piadas de ìndios. Mané Garrincha deve estar se remexendo na tumba com tanto escárnio com seu povo.

A tática me lembra os duros anos da ditadura militar. Primeiro se desmoraliza, se assassina moral e culturalmente, depois passa-se o rodo e joga-se na cova coletiva do esquecimento.

Primeiro, se afirma não existir. Me lembro na minha adolescência a chamada para ocupar a Amazônia, Terra de Ninguém. Os chamados do “Projeto Rondon”, para cuidar dos “Quase Ninguém” que por lá perambulavam na idade da pedra. “Vamos Civilizar os Silvícolas” era o lema.

Injetaram em nosso imaginario coletivo de brasileiro, a visão da existência na Amazônia, de um grande deserto verde, desabitado e com tribos indígenas esparsas, além de populações ribeirinhas que precisavam serem resgatadas para a a civilização.

Segundo, se elimina o que não existe.

Como na Alemanha de 1933, começaram com os judeus que eram”carteiros”. Foram proibidos de exercerem a profissão e perderam a cidadania. Seguiram-se outras profissões, médicos, comerciantes, condutores de bondes, professores e por aí a fora. Todos foram tornados “inexistentes” para a sociedade Alemã. Porisso existe até hoje gente que não acredita que os judeus foram eliminados na quantidade que dizem, pois eles formalmente, não existiam mais para a sociedade.

Aldeia Maracanã fechada

Aldeia Maracanã fechada

Você não é mais Índio”, é a primeira frase que meus amigos índios contam ouvir quando vão fazer uma reivindicação a um setor estatal. “Você, índio, precisa morrer para existir”, poderia ser a tradução lapidar deste pensamento arraigado na sociedade brasileira.

A Comissão da Verdade acaba de descobrir no “novo” Museu do ìndio, no Flamengo, o “Relatório Figueiredo” desaparecido desde 1968 e encontrado em meio à 50 caixas amontoados nos depósitos do museu. Meu Deus do Céu, Meus Orixás, que milagre este acontecimento!

“O contexto desenvolvimentista da época e o ímpeto por um Brasil moderno encontravam entraves nas aldeias. O documento relata que índios eram tratados como animais e sem a menor compaixão. “É espantoso que existe na estrutura administrativa do país repartição que haja descido a tão baixos padrões de decência. E que haja funcionários públicos cuja bestialidade tenha atingido tais requintes de perversidade. Venderam-se crianças indefesas para servir aos instintos de indivíduos desumanos. Torturas contra crianças e adultos em monstruosos e lentos suplícios”, lamentava Figueiredo. Em outro trecho contundente, o relatório cita chacinas no Maranhão, em que “fazendeiros liquidaram toda uma nação”. Uma CPI chegou a ser instaurada em 1968, mas o país jamais julgou os algozes que ceifaram tribos inteiras e culturas milenares.”(fonte-Jornal Estado de Minas).

Este documento deve ter quase apodrecido no Antigo Museu do Índio. Não são as paredes que contam, são as gentes vivas que de lá foram brutalmente removidas é que contam as atrocidades por que passaram. Estas gentes é que as COBs e os governos dos brancos querem eliminar de suas memórias.

Cada pessoa despejada da Aldeia Maracanã pode contar a história de alguma atrocidade pela qual ela mesma e seu povo passou. Não fram atrocidades cometidasi nos tempos de outrora não, foram barbaridades acontecidas agorinha mesmo diante de nossos olhos.

O que vimos, o que o mundo viu, a forma com que os representantes dos povos indígenas foram maltratados pelo Estado do Rio de Janeiro, para e atender à cobiça privada, foi apenas um exemplo exposto pela mídia, do que aconteceu e acontece em silêncio nos desertos verdes em que vivem as gentes indígenas de nosso Brasil.

Que este governo o faça, se não fizer que o próximo o faça, ou o próximo depois do próximo:

Um dia será feito. A  Aldeia Maracanã será entregue aos povos Indígenas.

Agora eles têm o testemunho de um branco Procurador da Justiça.  “O Estado de Minas”  escreve: Jader de Figueiredo Correia ressuscita incontáveis fantasmas e pode se tornar agora um trunfo para a Comissão da Verdade, que apura violações de direitos humanos cometidas entre 1946 e 1988.

A Comissão da Verdade tem um trunfo. Os Povos Indígenas têm de volta o início de sua memória! A memória das Aldeias Maracanãs por todo o Brasil!.

OAB inverte caso de vítima de racismo considerada ré por desacato policial.


Em 8 de dezembro de 2010, o fotógrafo Izaqueu Alves saiu de casa para mais um dia de trabalho. Com uma mochila nas costas, aguardava uma amiga na estação do metrô de Vicente de Carvalho. Essa atitude foi considerada suspeita por dois policiais, que abordaram Izaqueu e exigiram que mostrasse seu registro profissional. Como se recusou, o fotógrafo foi algemado e levado à força para a 27ª Delegacia de Polícia (27ª DP), acusado de desobediência e desacato. Izaqueu procurou então a Comissão de Igualdade Racial (CIR) da OAB/RJ, cuja ação foi determinante para que o fotógrafo passasse da condição de réu à de vítima – no início do mês passado, os policiais foram requisitados pela juíza da 19ª Vara Criminal, acusados de abuso de autoridade e injúria grave.
Gravação 190
Atendente: Novo 190, bom dia!
Izaqueu: Bom dia! Meu nome é Izaqueu Alves. Eu tô sendo abordado por um policial aqui… Ele quer que eu apresente uma carteira de fotógrafo pra ele, porque eu tô com uma máquina fotográfica na mão. Isso procede? (…)
Izaqueu: Ele tá querendo me conduzir na viatura, mandou eu entrar na viatura. Procede isso? Eu tenho que entrar?
Atendente: Só um momento senhor (…)
Izaqueu: A moça tá mandando você aguardar, não vai me prender assim não. Não vai não! Alô!
Policial: Vambora! Vambora!
Policial: Está preso por causa de desobediência.
Izaqueu: Não não! (…)
Atendente: Senhor! Senhor Ezaqueu!
Policial: Agora tu tá preso além de desobediência, por desacato, por desacato!
Policial 2: Preso nos dois.
Izaqueu: Me desculpa!
Policial: Foda-se! Agora você tá preso! Tava sendo tratado como cidadão, tava sim. Racismo nada! Nessa … de ninguém.
Policial: Crioulo não é porra nenhuma! (…)
Atendente: Alô!
Izaqueu: Não posso nem ligar pro meu
advogado?
Policial 2: Liga da DP.
Atendente: Alô! Alô! Alô! Falta de comunicação, estamos encerrando a sua ligação.
No dia da abordagem, o fotógrafo estranhou a conduta dos agentes e disse que não era obrigado a mostrar nenhum documento comprobatório de sua atividade profissional. “A máquina é um objeto, e vivemos em uma sociedade de consumo. Se eu comprei é meu, não preciso ter nenhum registro, a não ser que provem que eu roubei”, disse Izaqueu.
Diante da arbitrariedade, o fotógrafo ligou para o telefone de emergência 190, questionando o procedimento policial. O diálogo que se seguiu foi gravado. O policial, após utilizar termos chulos para anunciar a prisão, afirmou claramente: “Crioulo não é porra nenhuma!”.
Com receio de entrar na viatura, Izaqueu resistiu à prisão. Em texto de sua autoria publicado em um blog na época do fato, chegou a afirmar: “Naquele momento, só pensei nos meus filhos. Pressentindo o pior, me recusei a entrar naquele navio negreiro em miniatura”. Ele, então, foi algemado e levado para a delegacia. Na 27ª DP, o escrivão determinou que as algemas fossem retiradas e, após verificar que Izaqueu não tinha ficha criminal, chamou os policiais.
Depois, foi sugerido ao fotógrafo que não apresentasse a denúncia. Ainda assim, os policiais militares Alexander Brandão e Renato Alves registraram queixa por desacato e desobediência contra o fotógrafo, dizendo que a abordagem aconteceu porque ele estaria “por várias horas naquele local com atitude suspeita, pois se encontrava com uma mochila nas costas”.
Injustamente acusado, Izaqueu saiu em busca da gravação de sua ligação para o serviço do 190, já que não havia testemunhas, e procurou a OAB/RJ, com a intenção de processar o Estado. “A polícia é o braço armado do Estado. Esse é um dos problemas que o cidadão negro enfrenta no Brasil. Quando um policial comete um delito, ele não é considerado como parte do Estado”, criticou o fotógrafo.
O caso é emblemático, um evento para se lamentar. Buscamos dar a Izaqueu toda a assistência processual. Em primeiro lugar, diligenciamos em relação à imputação dirigida, já que não possui antecedentes criminais. Ele foi conduzido algemado à delegacia, lamentavelmente um fato comum”, afirmou o secretário-geral da CIR, Rogério Gomes.
Em julho de 2011, a comissão da OAB/RJ enviou ofício à Secretaria de Segurança Pública do Estado, e em 2012, ao Ministério Público (MP), questionando a condição de réu de Izaqueu nos crimes de desobediência e desacato, e acrescentando que a oitiva da gravação da central de atendimento 190 deixa claro o crime de racismo. Em março deste ano, a juíza da 19ª Vara Criminal fez a requisição dos policiais, agora réus dos crimes de abuso de autoridade e injúria qualificada.
“A comissão pediu apuração dos crimes de abuso de autoridade, de tortura, por conta do uso forçado das algemas, e de racismo. Já o MP entendeu que não houve racismo e sim, injúria. Reiteramos a denúncia de racismo, que consideramos evidente”, sublinhou Rogerio. “É importante dar publicidade a esse caso, para que situações assim não se repitam. A atuação arbitrária dos agentes policiais é óbvia. Posteriormente ele poderá, no campo da responsabilidade civil, de forma autônoma, requerer uma reparação pelos danos sofridos”.
Perguntado se considerava que sua reação interferiu de alguma forma no desfecho do caso, Izaqueu foi enfático. “[Se não fosse a minha reação] Acho que eu nem estaria vivo. A realidade da maioria dos jovens negros nas periferias é que eles nem vivem para contar sua história. Enquanto o índice de mortes entre jovens brancos vem diminuindo, entre os jovens negros aumenta sistematicamente, um verdadeiro genocídio. Tenho um filho de 13 anos, não posso baixar a cabeça para os arbítrios. Minha luta, a do Rogério e de tantos outros, é para que seja dado um fim a isso, e que seja real. O racismo é crime inafiançável, mas ninguém foi preso no Brasil até hoje por isso. Como pode, em um país tão racista como o nosso? O Brasil tem preconceito de ter preconceito”.
Versão online da edição de abril da Tribuna do Advogado.

Lixo neonazista espalhado via Facebook do Brasil


por Marcos Romão

naz 6Eles se autodenominam agora de “RESISTÊNCIA PIAUÍ”, mas não se iludam, mudam de nome a toda hora. Possuem uma rede  internacioal e nacional, com servidores em tudo quanto é país.

Este assassinos de pessoas e pensamentos contrários, estão insidiosamente organizados em nosso páis. Faz pouco tempo foram condenados os neonazistas que atacavam a imprensa negra do Brasil(caso Afropress). Um dos “rapazinhos” presos, apesar de desempregado carregava uma “malinha” com quinhentos mil reais vivos. São muito bem financiados, pela ultradireita do Brasil, que morre de saudades dos tempos em que prender, torturar, matar e fazer desaparecer quem não lhes agradassem, era prato do dia.

Eles, os neofascistas, têm saudades dos tempos em que assassinos oficiais, podiam sequestrar e incinerar estudantes, como há pouco foi revelado pela Comissão da Verdade, sobre o destino do desaparecido estudante da UFF, Fernando Santa Cruz.

Fernando Santa Cruz, foi sequestrado e levado para um Centro de Tortura clandestino em uma Usina de Açucar em Campos de Goitacatazes, no Estado do Rio de Janeiro. Lá depois de torturado e morto, foi incinerado nos fornos, como deve ter acontecido a muito escravizado insurreto nos tempos da escravidão oficial.

O município de Campos dos Goitacazes no RJ, foi um dos maiores centros de depósito de africanos sequestrados para serem escravizados na História do Brasil.

O Brasil precisa dar um basta à manifestações de expressões nazistas em todos os lugares em que aconteçam, aconteçam  na internet, nos quartéis de polícia

(polícia de São Paulo ao ordenar revistas em pessoas negras) e também quando acontecem no púlpito parlamentar da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Cãmara de Deputados Brasileira.

A página do Facebook dos pulhas.

Aldeia Maracanã, uma tragédia premeditada.


por Marcos Romão

Abrigo para população de rua. 7 horas da manhã tem que sair.

Abrigo para População de Rua. 7 horas da manhã tem que sair.

O que aconteceu no dia 22 de março de 2013, no Rio de Janeiro, foi uma invasão brutal da Aldeia Maracanã pela polícia Estadual do Rio de Janeiro. Foi uma violação dos Direitos Humanos milenares dos povos indígenas do Brasil. Foi uma ignomía os maltratos e agressões realizados contras, mulheres homens indígenas, idosos e crianças , além de ataques aos defensores públicos federais, deputados e representantes da imprensa e da sociedade civil. Foi uma desespero  a corrida prá lá e pra cá dos indígenas e toda uma população solidária atrás de advogados, petições e mandatos de segurança em busca de justiça.

Tudo isto não passou de um desvario programado.

Através do descaso com o ser humano, os maltratos com as crianças indígenas aterrorizadas diante de Brucutus/Caveirões, o atacar homens velhos com sprays de pimentas, o dar chutes e pontapés, foi um atestado público que o Rio de Janeiro cometeu um ato de loucura e insensatez .
Foram “experimentadas” pela polícia do Rio, até armas ultra-som contra mulheres e crianças. Armas ainda não regulamentadas pelas convenções de guerra entre povos.

Tudo isto só tem um motivo.

Um capricho do governador Sérgio Cabral.

Ele comprou o Museu do Índio do governo federal para fazer um mimo a seus amigos endiheirados e outros interesses pessoais os quais podemos apenas dirimir. A partir daquele momento, a partir de alguma reunião privada, que o povo do Rio não tomou conhecimento, tudo estava decidido.

na esquerda da foto um neto do Cacique Raoni, ao seu lado Namara Gurupy, mulher indígena advogada

na esquerda da foto um neto do Cacique Raoni, ao seu lado Namara Gurupy, mulher indígena advogada

Tudo já estava decididido. Nenhum juiz estadual ou federal teria coragem de ir contra o Grande Mandatário da cidade do Rio de Janeiro, que faz às vezes de governador do Estado com o mesmo nome.

Fizemos todos e todas papel de palhaços e palhaças, quando já sabíamos que o governo federal, ao vender-lhe o prédio,  já  havia dado carta branca ao governador para que destruísse este Patrimônio da Humanidade.

Todos nós já sabíamos desta ordem, “deixa rolar”, quando o governo federal não enviou a FUNAI para proteger aos indígenas, nem que fosse levando vinagre, para diminuir o efeito do gás de pimenta nos olhos de suas crianças, senhoras e idosos.

Foi uma história, sem história e sem memória e, ainda deixou seus aliados no governo de saias justas.

A Secretaria de Assistência Social e  Direitos Humanos, foi enviada para negociar com os povos indígenas. Para negociar o que? Se tudo já estava decidido antes?

Esta mesma secretaria de Direitos Humanos, vinha apoiando há anos, as demandas dos Povos Indígenas representados na Aldeia Maracanã. Os indígenas da Aldeia Maracanã possuem até uma representação na Câmara Técnica, criada pelo próprio  governador, para discutir e elaborar um plano de igualdade Racial para o Estado do Rio de Janeiro, à cargo da Superintendência de  Promoçãoda de Igualdade Racial dentro desta mesma secretaria.

Um capricho e, anos de trabalho de construção de um Rio sem Racismo e com direitos iguais para indígenas, negros e brancos, foram jogados na vala do Rio Maracanã.

Que tristeza. Provavelmente virou mendigo , o primeiro indígena despojado de suas terras no ano de 1500.

513 anos depois, o governo já nem espera que o terrível destino se consuma. Acaba de enfiar em uma espelunca chamada hotel,  que mais parece prisão, senhores e senhoras indígenas, já enfraquecidos depois de uma noite de terror e angústia, dilaceração da alma e destruição da dignidade . Não só dos Povos Indígenas do Brasil,  mas de todas as pessoas no Brasil e no Mundo, que acompanharam esta tragédia premeditada.

Mas os Povos Indígenas lutam há 513 anos. Eles não esmorecem. Vão recorrer à OEA, à ONU e até ao Papa!

Foram esgotadas todas as ações judiciais neste universo de “Ações entre Amigos”, que virou o trato dos governos com povo em nossa sociedade brasileira.

A sociedade civil tem uma arma poderosa em suas mãos, o voto.

Não só a Copa vem aí em 2014. Vamos ter eleições também.

A sociedade civil poderá demonstrar muito bem a sua solidariedade aos Povos Indígenas. Dizer não a esta gente e continuar lutando para que indígenas,  tenham sua Embaixada Mundial ao lado do Maracanã.

Nada nesta vida é definitivo, só a dignidade dos povos indígenas e de todos nós.