Comissão da Verdade, Relatório Figueiredo, Indígenas, Aldeia Maracanã:as semelhanças


por marcos romão

Líder quilombol visita indigenas da Aldeia Maracanã no exílio em Jacarepaguá.

Líder quilombola visita indigenas da Aldeia Maracanã no exílio em Jacarepaguá.

Desde a a visita que fiz, com meu amigo e líder quilombola, Luiz Sacopã, aos nossos amigos Carlos Tukano, Dauá Puri e indígenas de vária tribos, alojados no antigo “Leprosário de Curupaiti“em Jacarepaguá, depois de terem sido removidos sob enorme pressão estatal, psicológica e policial, fiquei com o coração apertado ao lembrar-me de uma frase proferida por uma trabalhadora social do Governo do Estado do Rio, quando em um encontro casual, comentei sobre a necessidade de se escutar os povos indígenas, que haviam retomado o antigo Museu do ìndio e batizado o local como a Aldeia, com o nome do pássaro que dera nome ao bairro e ao estádio Maracanã: “São todos mendigos, é caso para a Assistência Social”.

Aquelas palavra jogadas ao vento, martelam minha cabeça desde aquele momento, pois ao visitar os indígenas  alojados naquela colônia isolada de tudo, a viverem da cesta básica mínima, com arroz, feijão e óleo, sem meios de locomoção para o centro da cidade e afastados da sociedade que procuraram, para terem um ponto de referência, que servisse de embaixada de seus clamores para o mundo, vi que o vaticínio daquela funcionária pública, havia sido cumprido à risca pelas autoridades governamentais do Rio de Janeiro. “Não existe problema étnico, nem discriminação a um povo, pois eles são marginais da sociedade, estão em mendicância”, poderíamos resumir o pensamento e a razão de estado.

Um jovem talentoso, campeão da Copa Indígena, neto do Grande Cacique Raoni, eu encontrara uma semana antes na porta do “Albergue Semi-Prisão”, para onde outro grupo de indígenas despejados da Aldeia Maracanã, haviam sido levados. Ele, que um mês ante me havia contado, que viera ao Rio e, encontrara um lugar na Aldeia de seus irmãos, para de lá procurar contatos com clubes de futebol no Rio, estava desolado, com os olhos ainda vermelhos provocados pelo  Spray-de-Pimenta aspejado generosamente pela polícia da cidade, que antes lhe parecia a Meca Maravilhosa.

na esquerda da foto um neto do Cacique Raoni, ao seu lado Namara Gurupy, mulher indígena advogada

na esquerda da foto um neto do Cacique Raoni, ao seu lado Namara Gurupy, mulher indígena advogada

Todos viraram deserdados, sem terra e sem teto. Mais uma vez cumpria-se o vaticínio da pitonisa funcionária estatal. São mendigos. Homens e mulheres trabalhadores e lutadores pela execução de seus sonhos, são pedintes aos olhos dos funcionários e de seus mandantes. Impecilhos ao progresso, que precisam ser removidos.

O governo do estado comprara do governo federal a Aldeia Maracanã/Museu do Índio, pela bagatela de 60 milhões de Dinheiros, em prestações à perder de vista, para depois de reformado, repassar para a inciativa privada, que irá instalar um “ressort”, para a lembrança do futebol milionário da COB e servir de espaço para velhos jogadores tomarem seu “uisquinho”, receberem homenagens e coçarem o saco enquanto contam piadas de ìndios. Mané Garrincha deve estar se remexendo na tumba com tanto escárnio com seu povo.

A tática me lembra os duros anos da ditadura militar. Primeiro se desmoraliza, se assassina moral e culturalmente, depois passa-se o rodo e joga-se na cova coletiva do esquecimento.

Primeiro, se afirma não existir. Me lembro na minha adolescência a chamada para ocupar a Amazônia, Terra de Ninguém. Os chamados do “Projeto Rondon”, para cuidar dos “Quase Ninguém” que por lá perambulavam na idade da pedra. “Vamos Civilizar os Silvícolas” era o lema.

Injetaram em nosso imaginario coletivo de brasileiro, a visão da existência na Amazônia, de um grande deserto verde, desabitado e com tribos indígenas esparsas, além de populações ribeirinhas que precisavam serem resgatadas para a a civilização.

Segundo, se elimina o que não existe.

Como na Alemanha de 1933, começaram com os judeus que eram”carteiros”. Foram proibidos de exercerem a profissão e perderam a cidadania. Seguiram-se outras profissões, médicos, comerciantes, condutores de bondes, professores e por aí a fora. Todos foram tornados “inexistentes” para a sociedade Alemã. Porisso existe até hoje gente que não acredita que os judeus foram eliminados na quantidade que dizem, pois eles formalmente, não existiam mais para a sociedade.

Aldeia Maracanã fechada

Aldeia Maracanã fechada

Você não é mais Índio”, é a primeira frase que meus amigos índios contam ouvir quando vão fazer uma reivindicação a um setor estatal. “Você, índio, precisa morrer para existir”, poderia ser a tradução lapidar deste pensamento arraigado na sociedade brasileira.

A Comissão da Verdade acaba de descobrir no “novo” Museu do ìndio, no Flamengo, o “Relatório Figueiredo” desaparecido desde 1968 e encontrado em meio à 50 caixas amontoados nos depósitos do museu. Meu Deus do Céu, Meus Orixás, que milagre este acontecimento!

“O contexto desenvolvimentista da época e o ímpeto por um Brasil moderno encontravam entraves nas aldeias. O documento relata que índios eram tratados como animais e sem a menor compaixão. “É espantoso que existe na estrutura administrativa do país repartição que haja descido a tão baixos padrões de decência. E que haja funcionários públicos cuja bestialidade tenha atingido tais requintes de perversidade. Venderam-se crianças indefesas para servir aos instintos de indivíduos desumanos. Torturas contra crianças e adultos em monstruosos e lentos suplícios”, lamentava Figueiredo. Em outro trecho contundente, o relatório cita chacinas no Maranhão, em que “fazendeiros liquidaram toda uma nação”. Uma CPI chegou a ser instaurada em 1968, mas o país jamais julgou os algozes que ceifaram tribos inteiras e culturas milenares.”(fonte-Jornal Estado de Minas).

Este documento deve ter quase apodrecido no Antigo Museu do Índio. Não são as paredes que contam, são as gentes vivas que de lá foram brutalmente removidas é que contam as atrocidades por que passaram. Estas gentes é que as COBs e os governos dos brancos querem eliminar de suas memórias.

Cada pessoa despejada da Aldeia Maracanã pode contar a história de alguma atrocidade pela qual ela mesma e seu povo passou. Não fram atrocidades cometidasi nos tempos de outrora não, foram barbaridades acontecidas agorinha mesmo diante de nossos olhos.

O que vimos, o que o mundo viu, a forma com que os representantes dos povos indígenas foram maltratados pelo Estado do Rio de Janeiro, para e atender à cobiça privada, foi apenas um exemplo exposto pela mídia, do que aconteceu e acontece em silêncio nos desertos verdes em que vivem as gentes indígenas de nosso Brasil.

Que este governo o faça, se não fizer que o próximo o faça, ou o próximo depois do próximo:

Um dia será feito. A  Aldeia Maracanã será entregue aos povos Indígenas.

Agora eles têm o testemunho de um branco Procurador da Justiça.  “O Estado de Minas”  escreve: Jader de Figueiredo Correia ressuscita incontáveis fantasmas e pode se tornar agora um trunfo para a Comissão da Verdade, que apura violações de direitos humanos cometidas entre 1946 e 1988.

A Comissão da Verdade tem um trunfo. Os Povos Indígenas têm de volta o início de sua memória! A memória das Aldeias Maracanãs por todo o Brasil!.

OAB inverte caso de vítima de racismo considerada ré por desacato policial.


Em 8 de dezembro de 2010, o fotógrafo Izaqueu Alves saiu de casa para mais um dia de trabalho. Com uma mochila nas costas, aguardava uma amiga na estação do metrô de Vicente de Carvalho. Essa atitude foi considerada suspeita por dois policiais, que abordaram Izaqueu e exigiram que mostrasse seu registro profissional. Como se recusou, o fotógrafo foi algemado e levado à força para a 27ª Delegacia de Polícia (27ª DP), acusado de desobediência e desacato. Izaqueu procurou então a Comissão de Igualdade Racial (CIR) da OAB/RJ, cuja ação foi determinante para que o fotógrafo passasse da condição de réu à de vítima – no início do mês passado, os policiais foram requisitados pela juíza da 19ª Vara Criminal, acusados de abuso de autoridade e injúria grave.
Gravação 190
Atendente: Novo 190, bom dia!
Izaqueu: Bom dia! Meu nome é Izaqueu Alves. Eu tô sendo abordado por um policial aqui… Ele quer que eu apresente uma carteira de fotógrafo pra ele, porque eu tô com uma máquina fotográfica na mão. Isso procede? (…)
Izaqueu: Ele tá querendo me conduzir na viatura, mandou eu entrar na viatura. Procede isso? Eu tenho que entrar?
Atendente: Só um momento senhor (…)
Izaqueu: A moça tá mandando você aguardar, não vai me prender assim não. Não vai não! Alô!
Policial: Vambora! Vambora!
Policial: Está preso por causa de desobediência.
Izaqueu: Não não! (…)
Atendente: Senhor! Senhor Ezaqueu!
Policial: Agora tu tá preso além de desobediência, por desacato, por desacato!
Policial 2: Preso nos dois.
Izaqueu: Me desculpa!
Policial: Foda-se! Agora você tá preso! Tava sendo tratado como cidadão, tava sim. Racismo nada! Nessa … de ninguém.
Policial: Crioulo não é porra nenhuma! (…)
Atendente: Alô!
Izaqueu: Não posso nem ligar pro meu
advogado?
Policial 2: Liga da DP.
Atendente: Alô! Alô! Alô! Falta de comunicação, estamos encerrando a sua ligação.
No dia da abordagem, o fotógrafo estranhou a conduta dos agentes e disse que não era obrigado a mostrar nenhum documento comprobatório de sua atividade profissional. “A máquina é um objeto, e vivemos em uma sociedade de consumo. Se eu comprei é meu, não preciso ter nenhum registro, a não ser que provem que eu roubei”, disse Izaqueu.
Diante da arbitrariedade, o fotógrafo ligou para o telefone de emergência 190, questionando o procedimento policial. O diálogo que se seguiu foi gravado. O policial, após utilizar termos chulos para anunciar a prisão, afirmou claramente: “Crioulo não é porra nenhuma!”.
Com receio de entrar na viatura, Izaqueu resistiu à prisão. Em texto de sua autoria publicado em um blog na época do fato, chegou a afirmar: “Naquele momento, só pensei nos meus filhos. Pressentindo o pior, me recusei a entrar naquele navio negreiro em miniatura”. Ele, então, foi algemado e levado para a delegacia. Na 27ª DP, o escrivão determinou que as algemas fossem retiradas e, após verificar que Izaqueu não tinha ficha criminal, chamou os policiais.
Depois, foi sugerido ao fotógrafo que não apresentasse a denúncia. Ainda assim, os policiais militares Alexander Brandão e Renato Alves registraram queixa por desacato e desobediência contra o fotógrafo, dizendo que a abordagem aconteceu porque ele estaria “por várias horas naquele local com atitude suspeita, pois se encontrava com uma mochila nas costas”.
Injustamente acusado, Izaqueu saiu em busca da gravação de sua ligação para o serviço do 190, já que não havia testemunhas, e procurou a OAB/RJ, com a intenção de processar o Estado. “A polícia é o braço armado do Estado. Esse é um dos problemas que o cidadão negro enfrenta no Brasil. Quando um policial comete um delito, ele não é considerado como parte do Estado”, criticou o fotógrafo.
O caso é emblemático, um evento para se lamentar. Buscamos dar a Izaqueu toda a assistência processual. Em primeiro lugar, diligenciamos em relação à imputação dirigida, já que não possui antecedentes criminais. Ele foi conduzido algemado à delegacia, lamentavelmente um fato comum”, afirmou o secretário-geral da CIR, Rogério Gomes.
Em julho de 2011, a comissão da OAB/RJ enviou ofício à Secretaria de Segurança Pública do Estado, e em 2012, ao Ministério Público (MP), questionando a condição de réu de Izaqueu nos crimes de desobediência e desacato, e acrescentando que a oitiva da gravação da central de atendimento 190 deixa claro o crime de racismo. Em março deste ano, a juíza da 19ª Vara Criminal fez a requisição dos policiais, agora réus dos crimes de abuso de autoridade e injúria qualificada.
“A comissão pediu apuração dos crimes de abuso de autoridade, de tortura, por conta do uso forçado das algemas, e de racismo. Já o MP entendeu que não houve racismo e sim, injúria. Reiteramos a denúncia de racismo, que consideramos evidente”, sublinhou Rogerio. “É importante dar publicidade a esse caso, para que situações assim não se repitam. A atuação arbitrária dos agentes policiais é óbvia. Posteriormente ele poderá, no campo da responsabilidade civil, de forma autônoma, requerer uma reparação pelos danos sofridos”.
Perguntado se considerava que sua reação interferiu de alguma forma no desfecho do caso, Izaqueu foi enfático. “[Se não fosse a minha reação] Acho que eu nem estaria vivo. A realidade da maioria dos jovens negros nas periferias é que eles nem vivem para contar sua história. Enquanto o índice de mortes entre jovens brancos vem diminuindo, entre os jovens negros aumenta sistematicamente, um verdadeiro genocídio. Tenho um filho de 13 anos, não posso baixar a cabeça para os arbítrios. Minha luta, a do Rogério e de tantos outros, é para que seja dado um fim a isso, e que seja real. O racismo é crime inafiançável, mas ninguém foi preso no Brasil até hoje por isso. Como pode, em um país tão racista como o nosso? O Brasil tem preconceito de ter preconceito”.
Versão online da edição de abril da Tribuna do Advogado.

Lixo neonazista espalhado via Facebook do Brasil


por Marcos Romão

naz 6Eles se autodenominam agora de “RESISTÊNCIA PIAUÍ”, mas não se iludam, mudam de nome a toda hora. Possuem uma rede  internacioal e nacional, com servidores em tudo quanto é país.

Este assassinos de pessoas e pensamentos contrários, estão insidiosamente organizados em nosso páis. Faz pouco tempo foram condenados os neonazistas que atacavam a imprensa negra do Brasil(caso Afropress). Um dos “rapazinhos” presos, apesar de desempregado carregava uma “malinha” com quinhentos mil reais vivos. São muito bem financiados, pela ultradireita do Brasil, que morre de saudades dos tempos em que prender, torturar, matar e fazer desaparecer quem não lhes agradassem, era prato do dia.

Eles, os neofascistas, têm saudades dos tempos em que assassinos oficiais, podiam sequestrar e incinerar estudantes, como há pouco foi revelado pela Comissão da Verdade, sobre o destino do desaparecido estudante da UFF, Fernando Santa Cruz.

Fernando Santa Cruz, foi sequestrado e levado para um Centro de Tortura clandestino em uma Usina de Açucar em Campos de Goitacatazes, no Estado do Rio de Janeiro. Lá depois de torturado e morto, foi incinerado nos fornos, como deve ter acontecido a muito escravizado insurreto nos tempos da escravidão oficial.

O município de Campos dos Goitacazes no RJ, foi um dos maiores centros de depósito de africanos sequestrados para serem escravizados na História do Brasil.

O Brasil precisa dar um basta à manifestações de expressões nazistas em todos os lugares em que aconteçam, aconteçam  na internet, nos quartéis de polícia

(polícia de São Paulo ao ordenar revistas em pessoas negras) e também quando acontecem no púlpito parlamentar da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Cãmara de Deputados Brasileira.

A página do Facebook dos pulhas.

Aldeia Maracanã, uma tragédia premeditada.


por Marcos Romão

Abrigo para população de rua. 7 horas da manhã tem que sair.

Abrigo para População de Rua. 7 horas da manhã tem que sair.

O que aconteceu no dia 22 de março de 2013, no Rio de Janeiro, foi uma invasão brutal da Aldeia Maracanã pela polícia Estadual do Rio de Janeiro. Foi uma violação dos Direitos Humanos milenares dos povos indígenas do Brasil. Foi uma ignomía os maltratos e agressões realizados contras, mulheres homens indígenas, idosos e crianças , além de ataques aos defensores públicos federais, deputados e representantes da imprensa e da sociedade civil. Foi uma desespero  a corrida prá lá e pra cá dos indígenas e toda uma população solidária atrás de advogados, petições e mandatos de segurança em busca de justiça.

Tudo isto não passou de um desvario programado.

Através do descaso com o ser humano, os maltratos com as crianças indígenas aterrorizadas diante de Brucutus/Caveirões, o atacar homens velhos com sprays de pimentas, o dar chutes e pontapés, foi um atestado público que o Rio de Janeiro cometeu um ato de loucura e insensatez .
Foram “experimentadas” pela polícia do Rio, até armas ultra-som contra mulheres e crianças. Armas ainda não regulamentadas pelas convenções de guerra entre povos.

Tudo isto só tem um motivo.

Um capricho do governador Sérgio Cabral.

Ele comprou o Museu do Índio do governo federal para fazer um mimo a seus amigos endiheirados e outros interesses pessoais os quais podemos apenas dirimir. A partir daquele momento, a partir de alguma reunião privada, que o povo do Rio não tomou conhecimento, tudo estava decidido.

na esquerda da foto um neto do Cacique Raoni, ao seu lado Namara Gurupy, mulher indígena advogada

na esquerda da foto um neto do Cacique Raoni, ao seu lado Namara Gurupy, mulher indígena advogada

Tudo já estava decididido. Nenhum juiz estadual ou federal teria coragem de ir contra o Grande Mandatário da cidade do Rio de Janeiro, que faz às vezes de governador do Estado com o mesmo nome.

Fizemos todos e todas papel de palhaços e palhaças, quando já sabíamos que o governo federal, ao vender-lhe o prédio,  já  havia dado carta branca ao governador para que destruísse este Patrimônio da Humanidade.

Todos nós já sabíamos desta ordem, “deixa rolar”, quando o governo federal não enviou a FUNAI para proteger aos indígenas, nem que fosse levando vinagre, para diminuir o efeito do gás de pimenta nos olhos de suas crianças, senhoras e idosos.

Foi uma história, sem história e sem memória e, ainda deixou seus aliados no governo de saias justas.

A Secretaria de Assistência Social e  Direitos Humanos, foi enviada para negociar com os povos indígenas. Para negociar o que? Se tudo já estava decidido antes?

Esta mesma secretaria de Direitos Humanos, vinha apoiando há anos, as demandas dos Povos Indígenas representados na Aldeia Maracanã. Os indígenas da Aldeia Maracanã possuem até uma representação na Câmara Técnica, criada pelo próprio  governador, para discutir e elaborar um plano de igualdade Racial para o Estado do Rio de Janeiro, à cargo da Superintendência de  Promoçãoda de Igualdade Racial dentro desta mesma secretaria.

Um capricho e, anos de trabalho de construção de um Rio sem Racismo e com direitos iguais para indígenas, negros e brancos, foram jogados na vala do Rio Maracanã.

Que tristeza. Provavelmente virou mendigo , o primeiro indígena despojado de suas terras no ano de 1500.

513 anos depois, o governo já nem espera que o terrível destino se consuma. Acaba de enfiar em uma espelunca chamada hotel,  que mais parece prisão, senhores e senhoras indígenas, já enfraquecidos depois de uma noite de terror e angústia, dilaceração da alma e destruição da dignidade . Não só dos Povos Indígenas do Brasil,  mas de todas as pessoas no Brasil e no Mundo, que acompanharam esta tragédia premeditada.

Mas os Povos Indígenas lutam há 513 anos. Eles não esmorecem. Vão recorrer à OEA, à ONU e até ao Papa!

Foram esgotadas todas as ações judiciais neste universo de “Ações entre Amigos”, que virou o trato dos governos com povo em nossa sociedade brasileira.

A sociedade civil tem uma arma poderosa em suas mãos, o voto.

Não só a Copa vem aí em 2014. Vamos ter eleições também.

A sociedade civil poderá demonstrar muito bem a sua solidariedade aos Povos Indígenas. Dizer não a esta gente e continuar lutando para que indígenas,  tenham sua Embaixada Mundial ao lado do Maracanã.

Nada nesta vida é definitivo, só a dignidade dos povos indígenas e de todos nós.

Quilombo do Sacopã-Despejo: Justiça Federal dá seis meses de moratória. Agora só depende do INCRA.


por Marcos Romão
1 a sacopaNa véspera de 21 de março, Dia Internacional Pela Eliminação da Discriminação Racial, o Egrégio Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Rio de Janeiro, suspendeu por seis meses o julgamento sobre o pedido da Imobiliária Higienópolis, para que as famílias do Quilombo do Sacopã sejam despejada de suas terras cobiçadas, na Rua do Sacopã 250, na Fonte da Saudade-Lagoa Rodrigo de Freitas em Ipanema. São mais de 20 mil metros quadrados de terras, cercadas por luxuosos condomínios e, com o meio-ambiente ainda preservados.

No momento correm dois processos paralelos, que segundo a justiça federal, impedem o despejo dos Quilombolas do Sacopã. O primeiro, moroso, de usocapião. está há 40 anos “rodando” e se encontra atualmente no STJ.

O segundo, já com as terras reduzidas, de 23 mil metros quadrados para cerca de 7 mil, encontra-se no INCRA e, depende apenas de uma canetada que não precisa ser de ouro nem de prata, para que seja resolvido administrativamente.  Segundo informações, encontra-se na procuradoria do INCRA em Brasília, que aguarda uma ordem “de cima”. A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, representante do Município, que também é parte no processo, já reconheceu em decreto-lei  de agosto, 2012, a área quilombola como de”Área Especial de Interesse Cultural”. último entrave, para que o INCRA, titule de vez, as terras do Quilombo do Sacopã, já reconhecido desde 2004, pelo órgão competente, que é a Fundação Palmares.

Últimas pessoas humanas de pele negra e descendentes de escravizados a viverem na área com o metro quadrado mais caro do Brasil, eles nos lembram dos mais de 60 mil negros e pobres removidos pela ditadura militar para os subúrbios da zona oeste de Rio, na década de 70. Eram então os Quilombos do Leblon, Ipanema, Jardim Botânico e Lagoa. cognominados de Favelas da Catacumba, Pinto, Draga, Piraquê e outras.

A família Pinto resistiu e lá permanece até hoje. Como se estivesse nos confins do Brasil sem lei e sem justiça, convive também com grileiros poderosos que infernizam a sua vida.

Por infeliz coincidência, cotumaz na justiça brasileira, um advogado que é hoje desembargador de justiça dos Rio de Janeiro é o principal agente contra os direitos dos quilombolas do Sacopã. Morador em um condomínio dentro das terras em litígio, infesta a comunidade quilombola com processos administrativos. O último processo, decidido pela desembargadoria do TJ-Rj. proibe que o Quilombo do Sacopã realize qualquer tipo de atividade comercial ou cultural que envolva público. Nem festas de aniversários das crianças quilombolas são permitidas.

O Quilombo do Sacopã está sendo estrangulado economicamente. Até a caderneta de poupança com os parcos recursos da sobrevivência familiar, foi confiscada pela prefeitura da cidade, em um jogo de gato e rato, que já causou a morte da matriarca da comunidade, infartada e desgostosa com tanta ignomia, depois de uma discussão com este vizinho poderoso, causídico e agora desembargador de justiça.

Que o INCRA de Brasília tire da gaveta o processo de regularização do Quilombo do Sacopã. Será um excelente enlace, para que eles possam finalmente comemorar os 125 anos de Abolição da Escravatura.

Quilombo Sacopã-Nota Oficial sobre acusação de acúmulo de “lixo”.


Quilombo Sacopã-Nota Oficial sobre acusação de acúmulo  de “lixo”.

 

A 8ª  Vara Civil do Rio de Janeiro, notificou o Quilombo do  Sacopã, sobre possível acumulação de “lixo” no terreno do quilombo.

Erroneamente a notificação foi para o advogado Humberto Adami e associados, que já não são advogados do Quilombo do Sacopã, pois  Dr. Humberto Adami renunciou a todos os processos referentes ao Quilombo do Sacopã, à exceção do processo referente a usocapião, que se encontra parado há 6 anos no STJ.

No momento somos representados pela defensoria publica do Rio de Janeiro.

Quanto à falsa acusação de acúmulo de lixo em nossas dependências, informamos que encaminhamos pedido à defensoria pública, para que nos defenda de mais esta perseguição dos representantes dos condomínios, que se apossaram de grande parte de nossas terras.

 

Rio de Janeiro, 8 de março de 2013

Luiz Sacopã

Presidente da Associação Cultural Quilombo do Sacopã

125 Anos de Abolição. Livre, sem emprego e sem sossego!


ESTAMOS NO ANO 2013 E COMPLETAMOS 125 ANOS DESDE QUE, COM UMA SÓ PENADA, ACONTECEU A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA!

por Marcos Romão

fonte: página da Cepuerj-Uerj

fonte: página da Cepuerj-Uerj

Domingo, 3 de fevereiro dia de São Brás, como sempre lembrava minha mãe, o protetor da garganta.
Já fazem 8 dias em que sofri uma das maiores violências em minha vida e faltam 6 dias para eu completar meus sessenta anos!
Aos poucos recupero minha voz engasgada com tanta ignomia!
O Secretário de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro, Zaqueu Teixeira, anulou com uma só penada o concurso público, em que 95 profissionais gabaritados ganharam o direito, ao serem aprovados, a terem uma existência financeira digna nesta terra livre!
Ou solto a voz ou o coração arrebenta!
Esta é a lei do sexagenário que querem enfiar pela minha goela adentro!
LIVRE! SEM EMPREGO! E SEM SOSSEGO! COMO PODERIA DIZER O MESTRE CANDEIAS!