Psiquiatra é condenado a pagar indenização por preconceito racial


A justiça é lenta mas está caminhando. São necessários exemplos para acabar com a impunidade de quem comete atos racistas no Brasil.

De acordo com os autos, no dia 29 de abril de 2012, no Shopping Liberty Mall - Cine Cultura, em Brasília/DF, o réu proferiu, na presença de várias pessoas, palavras ofensivas à honra subjetiva da vítima, consistente na utilização de elementos da raça e da cor.

De acordo com os autos, no dia 29 de abril de 2012, no Shopping Liberty Mall – Cine Cultura, em Brasília/DF, o réu proferiu, na presença de várias pessoas, palavras ofensivas à honra subjetiva da vítima, consistente na utilização de elementos da raça e da cor.

Segunda-Feira, Dia 07 de Setembro de 2015

Em sessão de julgamento realizada na tarde de quarta-feira, (2/9), a 5ª Turma Cível do TJDFT confirmou sentença da 12ª Vara Cível de Brasília que condenou o psiquiatra Heverton O. de C. Menezes  a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 50 mil, por ofender atendente de cinema, utilizando elementos de raça e cor. A decisão foi unânime.
De acordo com os autos, no dia 29 de abril de 2012, no Shopping Liberty Mall – Cine Cultura, em Brasília/DF, o réu proferiu, na presença de várias pessoas, palavras ofensivas à honra subjetiva da vítima, consistente na utilização de elementos da raça e da cor. A autora afirma que, no referido dia, trabalhava normalmente, como atendente de caixa do cinema, tendo o réu exigido que fosse atendido com preferência aos demais clientes, em face do início da sua sessão, às 15h. Alega que, educadamente, orientou-o a esperar na fila, pois os outros clientes também iriam assistir à mesma sessão. Inconformado, o réu disse que ela estava sendo “muito grossa com ele”, passando a proferir declarações racistas, tais como “o seu lugar não é aqui, lidando com gente, por isso você é dessa cor. Você deveria estar na África cuidando de orangotangos.” Diante disso, a vítima ficou sem reação e começou a chorar, permanecendo inerte por todo tempo.
O réu, por sua vez, alega que a autora negou-lhe atendimento preferencial, infringindo o disposto no art. 3º, parágrafo único, da Lei 10.741/2003. Argumenta que continuou tentando o aludido atendimento, negando qualquer preconceito de raça. Sustenta que não teria havido dano moral, mas mero desentendimento com a atendente do cinema.
Para o desembargador relator, afirmações do réu, constantes dos autos, “retratam um descaso reiterado com os direitos fundamentais alheios e, via de consequência, com a justiça. Esse comportamento reprovável demanda a necessidade de que haja uma firme e urgente resposta do Poder Judiciário em favor da parte considerada vulnerável da relação, no caso em exame, a apelada/autora, atacada verbalmente em seu local de trabalho com expressões desrespeitosas que a inferiorizavam em decorrência da cor da sua pele”.
O magistrado segue destacando que “a postura agressiva do apelante/réu, que, aborrecido com uma situação cotidiana, desferiu palavras desrespeitosas contra a apelada/autora com a intenção de desvalorizá-la em decorrência da cor da sua pele e características físicas, é inadmissível e completamente reprovável no atual Estado Democrático de Direitos que vivenciamos, devendo ser repreendida pelo Poder Judiciário”, visto que “o preconceito racial, entendido como uma ideologia que preconiza a hierarquização dos grupos humanos em função de sua cor, raça ou etnia, atribuindo a determinada categoria características que a inferiorizam, deve ser combatido e enseja reparação por danos morais”.
No caso em tela, o Colegiado entendeu que o quantum indenizatório fixado na 1ª Instância (R$ 50 mil) está adequado, diante da conduta reprovável do réu que, “sendo profissional da área médica – psiquiatra – que lida com os mais variados traumas, distúrbios e preconceitos, deveria ser exemplo moral de conduta e não disseminador de preconceito racial”. A esse valor deverão ser acrescidos juros e correção monetária.
Processo: 2012.01.1.101087-5 APC
Na esfera penal, Heverton O. de C. Menezes foi condenado pela 3ª Turma Criminal do TJDFT pelo crime de injúria racial, em 2/10/2014, à pena de 1 ano e 4 meses de reclusão em regime aberto e 12 dias-multa. O réu recorreu da sentença.
Em tempo:
No crime de racismo, o ofensor visa a atingir um número indeterminado de pessoas, enquanto na injúria racial ele atinge a honra de determinada pessoa, valendo-se de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião, origem ou à condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.
Processo: 2012.01.1.075815-7 APR
        Fonte: Da redação (Justiça em Foco), com TJDFT.

O xixi de um neurocientista negro e o racismo à brasileira


por marcos romão

Publicado originalmente em 30.8, no meu perfil do facebook, em comentário sobre que tipo de situação racista aconteceu com o neurocientista Carl Hart em São Paulo.

Carl Hart 2015

Carl Hart 2015-foto internet

Não vi o Carl Hart, em nenhuma das entrevistas dadas, minimizar o problema/incidente ocorrido com ele em um hotel de São Paulo e que ganhou manchete nacional.
Nas duas entrevistas que ele deu, ele apenas coloca em seu ponto de vista a dimensão do incidente ocorrido com ele, e a dimensão e gravidade da questão racial brasileira.
As interpretações das mídias é que ficaram ao gosto do freguês/jornalista.
O Globo interpreta com a manchete, “ Neurocientista nega ter sofrido discriminação racial em hotel“, o blog “Justificando” iniciou a série de “interpretações”, dizendo que ele foi “barrado” no hotel, afirmação que depois o blog atenuou.
Temos neste incidente além do fato racista em si, que foi o comportamento de um segurança que ele nem percebeu, o “antirracismo solidário”, mas precipitado do blog “Justificando”, ao colocar o Carl como vítima de uma coisa que não aconteceu da forma descrita como “barrado” e, o “racismo de apagamento dos fatos” típico da nossa mídia”, que antes de ir fundo em qualquer apuração, escreve de cara a velha frase,” não houve discriminação”.
Carl relata sua surpresa ao sair do banheiro, quando foi abordado por pessoas que vierem lhe pedir desculpas.
Neste momento deve ter acendido o sinal de alarme que todo negro possui em qualquer lugar do mundo, quando acontecem casos relacionados com a sua cor. Para ele foi uma coisa pequena, um “pequeno incidente”, disse o cientista.
Para um negro brasileiro que circule nesta áreas nobres, isto não teria acontecido, pois acostumados que estamos com o racismo à brasileira, teríamos falado antes com o porteiro ou recepcionista, ou cumprimentado qualquer cão de guarda e feito um sinal de que estávamos apertados e por isso estávamos com pressa para fazer xixi, pois somos domesticados no Brasil a antecipar e evitar problemas que envolvam “impedimentos” raciais.
Ao contrário de minimizar o problema, creio que conscientemente, Carl demonstrou o racismo estrutural e onipresente do Brasil. Onde nós negros e negra temos sempre que pensar duas vezes onde e quando vamos mijar nas áreas nobres das cidades brasileiras.

Negro doutor barrado em hotel “vira” neurocientista com dreads e três dentes de ouro


por Rosane Aurore e Marcos Romão

Será que o porteiro do hotel Tivoli Mofarrej na capital paulista, pediu para o neurocientista Carl Hart abrir sua boca e mostrar seus dentes, antes dele entrar no recinto para dar sua conferência?

“Carl Hart é negro e veio a São Paulo palestrar sobre a guerra às drogas e como ela é usada para marginalizar e excluir parte da população. Antes de se tornar um cientista respeitado, com três pós-doutorados, e um dos maiores nomes sobre o estudo de drogas, era usuário de crack. Ele decidiu tornar-se especialista nos efeito do crack para entender como a droga tinha destruído sua comunidade. E virou um neurocientista, com seus dreads e os três dentes de ouro.”

A notícia começou na redação da mídia Justificando, espalhando-se viroticamente nas redes sociais. Blogs e portais repetiram a matéria da discriminação racial, sofrida pelo negro Carl Hart, na capital paulista no hotel Tivoli Mofarrej.  Agora todos sabemos que Carl Hart tem dentes de ouro e cabelos dreads.  Mais um caso de racismo”cosmético”, segundo a visão tradicional brasileira.

Estamos mais uma vez diante do sensacionalismo e indignação para inglês ver, como no caso de discriminação sofrida em 1950, no Rio de Janeiro, pela negra americana, a  bailarina, coreógrafa e educadora e ativista pelos direitos civis Katherine Dunham, que foi impedida de se hospedar no Hotel Serrador. O caso gerou na época até a criação da lei Afonso Arinos, que penalizava o racismo como contravenção.  Afonso Arinos morreu em 1990 sem nunca ter visto alguém ser penalizado por esta lei. Saiba mais sobre a lei 1390.

A notícia vale pelo exótico, o ressaltar a descrição “neurocientista, com seus dreads e três dentes de ouro”, joga para escanteio sua principal acusação contra o racismo brasileiro. Acusação feita na lata para os ouvintes de sua palestra no hotelTivoli Mofarrej, que pagaram jetons de ouro para escutá-lo, escutar sua visão contrária às políticas adotadas em relação à drogas e que causa a morte violenta em sua guerra, de milhares de jovens negros no Brasil.

Carl Hart olhou para a platéia, repleta de pessoas que decidem sobre vida e morte de negros no Brasil e, perguntou para uma platéia só de brancos:
“Olhem para o lado, vejam quantos negros estão aqui. Vocês deviam ter vergonha”

Carl Hart não é qualquer acadêmico como os que vivem nas “Torres de Marfins” universitárias brasileiras, nem é um “gringo” que confunde Buenos Ayres com Conceição de Mato Dentro. Carl é um acadêmico e ativista, ele quer salvar vidas.

Antes de dar suas palestras a peso de ouro para os especialistas em “enxugar” gelo e suas política erráticas de “guerra às drogas”, Carl Hart conversou com a comunidade negra brasileira e interessados que não podem pagar nem são convidados para estes seminários exclusivos.

Ele sabe muito bem que ele é  um negro com visão global da questão, que atinge todos os continentes, mas os que mais sofrem em todos os continentes com as políticas adotadas contra as drogas,  são os grupos vulneráveis da sociedade, pobres, negros e todos os excluídos. Para os que estão em perigo da adição, ele apresenta a alternativa da inclusão na sociedade e, não na execução sumária como é de costume no Brasil.

Ao contrário do que a imprensa brasileira tentou fazer com Katherine Dunham, que de coreógrafa, ativista pelos direitos civis, especializada em antropologia da dança e virou “bailarina”, que na imprensa ninguém sabe de “que dança”, e da forma como Carl Hart está sendo descrito, é preciso saber que está cada vez mais difícil invisibilizar o racismo contínuo e estrutural e a luta contra ele, e que  os movimentos pelos direitos dos discriminados veem o racismo como questão global e atuam internacionalmente há décadas.

A todos os jovens jornalistas do Brasil, recomendamos que prestem atenção para não caírem nas armadilhas da individualização e escamoteação do racismo no Brasil, descrevendo-os como fatos episódicos.

Não ter nenhum negro na platéia da conferência de Carl Hart  sobre um  problema que atinge em maior grau a população negra brasileira,  é  que é o tema e o escândalo.

Ainda não vimos publicado nenhum desagravo ao Carl Hart, assinado pelos especialistas presentes na conferência. Bota vergonha nisto!

Nota atualizada

Após a notícia que o neurocientista Carl Hart teria sido barrado, notícia que inclusive a Mamapress comentou,  página Fluxo no Youtube  divulgou um vídeo/entrevista em que Carl esclareceria a situação. O Globo replicou  o material do “Fluxo”, com a manchete “ Neurocientista americano nega ter sofrido discriminação racial em hotel“.

Nas duas matérias Carl Hart releva o fato acontecido consigo e,  o considera de menor importância, além de afirmar  que o entrevistador do Blog Justificando, teria tirado suas declarações do contexto, associando erradamente o incidente acontecido, com o que falou em sua conferência. Assim como o que falou para o repórter sobre o que percebeu sobre as situação de isolamento em que os negros no Brasil.

O blog que publicou a matéria inicial, postou a entrevista feita com Carl Hart falando sobre o incidente ocorrido na entrada do hotel.

Como a nossa preocupação na Mamapress é esclarecer o máximo possível os/as nossos leitores/as, e sabedores de que tudo que tenha a ver com noticiar sobre racismo no Brasil, tem que se pisar em ovos, pois nem tudo é o que parece, e o que é dão sempre um jeito de deixar de ser. Para nós o que está claro é que Carl Hart não foi barrado na entrada do hoetel Tivoli Mofarrej. O que lá se passou ele mesmo em entrevista conta.

Trazemos assim os dois vídeos para que nosso/as leitores/as possa tirar suas conclusões:

Jorge da Silva, uma ótica negra sobre racismo e segurança pública: “Nós temos um modelo Macabro”.


Por Marcos Romãojorge da silva 2

“O racismo é uma questão política”, afirma o professor Jorge da Silva, “existe um grande perigo em cairmos só nas denúncias do racismo individual. A empregada impedida de entrar pelo elevador social, a apresentadora negra de  tv sendo xingada nas redes sociais”. Para Jorge da Silva nestes casos até os racistas mais conservadores, se indignam com o racismo e postam sua solidariedade com a pessoa discriminada.

Na opinião de Jorge, isto acontece desta forma porque interessa aos racistas como forma de esconder o racismo estrutural, de que fatos racistas como estes acontecem todo dia em todos os prédios do Brasil.

Pode-se falar da apresentadora da Tv Globo que foi discirminada, mas todos se esquecem ou não sabem que quem determina toda a linha editorial  da rede Globo, chama-se Eli Kamel, um declarado opositor das cotas para negros, prossegue Jorge da Silva.

Causa um alvoroço na sociedade o fato do negro Joaquim Barbosa ter ascendido à presidência do STF, com elogios de toda a sociedade, mas ninguém fala que com sua saída, o STF recuperou sua cota racial histórica de 100% de brancos em sua composição. Porque é natural, por que sempre foi assim, porque é assim nossa estrutura racial brasileira, é o que nos relata Jorge com sua longa experiência no studo e combate ao racismo.

Mas Jorge da Silva não para por aí, em só falar das elites brancas que dominam o país, vai mais fundo e crítica a postura de negros que acham que só porque são negros, podem tecer teses sobre o racismo, sem estudar como o racismo funciona e suas origens históricas no Brasil desde a mentira da lei do ventre livre.

“Racismo e segurança não são questões jurídicas e sim políticas, quem faz as leis e determina quais e como serão executadas, não são os negros.

Governadores , secretários de seguranças e  deputados tem repetido ao longo de nossa curta história democrática, que bandido bom é bandido morto, que mulher negra é fábrica de bandidos ou como disse o secretário Beltrame, ao comparar vida de pobres e negros mortos logo após a matança de 19 pessoas no Complexo do Alemão, “que não se pode fazer omelete sem quebrarmos os ovos.”

Neste vídeo temos uma pequena e profunda aula de história e de política brasileira.
Repetindo o que Jorge da Silva diz, aos poucos a sociedade brasileira vai descobrindo que o racismo é uma questão a ser resolvida de forma política. Só falta conhecimento e vontade.

Cultne esteve presente no plenário da CAARJ/OAB com imagens e edição de Filó Filho, registrando a palestra do professor Jorge da Silva que discorreu sobre “Segurança Pública” com casa cheia na sua maioria jovens de várias áreas, em especial a área de Direito.

Jorge Da Silva é Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto da mesma Universidade. Nascido e criado no hoje chamado Complexo de Favelas do Alemão, no Rio, serviu antes à Polícia Militar, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos / RJ.

Desafio Africano: O rastilho da Xenofobia e Racismo incitado pelo “Pânico da Band””


Por Marcos Romão
Eduardo Sterblicht

Eduardo Sterblitcht

Nem os neonazistas brasileiros sonhariam com tanta repercussão de uma postagem racista no Facebook.

“Desafio Africano” é o nome do quadro que o ator Eduardo Sterblitcht lançou em um programa no início de agosto, desafiando os telespectadores e apresentarem uma dança mais maluca que a dele.
No quadro Eduardo Sterblitcht, um ator branco, se apresenta pintado de negro e imita um imaginário africano, que só emite sons guturais, faz chacota em sua dança com religiões de matriz africana e, imita um macaco, tal qual ele imagina que um africano se comporte.
O apresentador do programa desafia o público a fazer algo mais “excêntrico que o ator e sua pantomima racista.
Veja o vídeo no link a seguir Pânico na Band
Depois de muitos protestos nas redes sociais, encaminhamentos de queixas à Secretaria de Igualdade Racial e ao Ministério Público Federal além de protestos em redes sociais de jornais online africanos, o ator parece ter caído em si e,  postou uma mensagem em que se diz arrependido do que fez e chora.
Mas a titica já está feita.
Aproveitando a deixa, ou “licença para ser racista”, milhares de pessoas passaram a postar vídeos, em que a imagem dos povos de África sofre todo tipo de escárnio e, onde o mais baixo racismo que mais se aproxima da mais réles pornografia são apresentados. Até crianças vão na onda do racismo incitado pelos produdores do programa “Pânico na Band”.

O choro do racista

O choro do racista

Já lá se vão 40 anos que o Brasil é considerado segundo país do mundo em população de origem africana. Mas o Brasil é também o país com o maior número de população omissa em relação ao racismo e à xenofobia. Só a omissão de toda a nossa população, seja de que origem e cor que for, pode permitir que uma concessão pública que é um canal de televisão, se especialize em propagar o racismo e a xenofobia, apenas para ficarmos no tema.

Apesar do arrependimento do ator ingênuo, mas não menos racista por sua ignorância e  ingenuidade, a produção do programa “Pânico na TV”, mantém um link  para atrair audiência com um hashtag, em que o pior lixo racista que povoa a mente de nosso povo brasileiro, encontra uma plataforma para se expandir.
As autoridades e os que defendem a dignidade do povo brasileiro, precisam acordar e dar um basta a estes programas e linhas editoriais de TVs que incitam o racismo e a xenofobia.
Ainda há tempo.
A seguir alguns exemplos desta excrecência racista e xenófoba estimulada e incitada pelo Programa “Pânico na Band” que como um rastilho de horror se espalhou nas redes sociais nos últimos dias:

Vamo que vamo…vamo que vamo. ‪#‎desafioaoafricano‬ .
Tá aumentando as visualizações. Bom demais!!!!!
Assista, curta, comente e compartilhe.

https://www.youtube.com/watch?v=YgpGCkJKdus

Foto de Mazinho Souza.
Foto de Mazinho Souza.

Putz…Já chegamos a 1.905 visualizações aqui no Facebook e a 555 visualizações no Youtube no meu vídeo da dança do “desafio ao africano” , desafio esse feito

Ver mais

Dança – Desafio ao Africano. Desafio feito pelo Pânico na Band no último domingo. E eu não poderia ficar de fora….

Vamos compartilhar essa loucura hein, não esqueça de marcar seus amigos…Tenho a confiança que esse vídeo possa aparecer no Pânico na Band nesse próximo domingo. Vamo que vamos….que vamo. Rsrsrsrsrr
‪#‎desafioaoafricano‬

Tá ai minha versão do “Desafio ao Africano” feito pelo Pânico na Band. (KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK) Ficou muito anormal e irreverente…Rsrsrsrsrs.
youtube.com

Dá uma ligada nas danças estranhas que as pessoas mandaram pro ‪#‎DesafioAoAfricano‬. E nos comentários do Bola tb!. (Confira completa no canal do ‪#‎PanicoNaBand‬: https://www.youtube.com/watch…)

"Dá uma ligada nas danças estranhas que as pessoas mandaram pro #DesafioAoAfricano. E nos comentários do Bola tb!. (Confira completa no canal do #PanicoNaBand: https://www.youtube.com/watch?v=lLBPbCgK0Wc&index=6&list=PL6WV7ub_outEAFjOobVsj6zspZ1Bi9qUM)"
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EU-COVEIRA


Foto de Gilza Marques.

Gilza Marques

 

EU-COVEIRA

 Ontem eu saí com minha esposa, um amigo e seu namorado pra jantar. Foi uma noite muito agradável, conversamos sobre muitas coisas. Dois casais negros apaixonados. Estava feliz.

Chego em casa e dou de cara com a notícia: minha cidade está imersa em sangue mais uma vez. Mais um chacina provocada pela polícia em Salvador, dessa vez em Valéria. 6 irmãos caídos. Outros tantos desaparecidos.
SC e SP registram casos de extermínio sumário de irmãos haitianos. Fui dormir. Não dormi.
Curiosa, abri minha TL e fui olhar quem estava comentando os casos. 3 pessoas. Anotei.
Enquanto isso, seguem as batalhas de divas pra ver quem tem o afro mais alto, os comentários sobre a novela da globo que falou de racismo, as defesas ao governo dilma (em minúsculo) e ao pt, a notícia de que o Olodum (o combativo Olodum) está em parceria com Rui Costa, o comandante da polícia mais assassina do Brasil. A mesma polícia que exterminou 12 irmãos em fevereiro no Cabula e foi absolvida numa sentença relâmpago pouco comentada. Os negros do PT, os negros da esquerda, seguem calados.
Eu desejo que o espírito de Toussaint L’Ouverture tome conta de nós. Eu desejo que o espírito de Toussaint L’Ouverture tome conta de nós, porque realmente está difícil.
Talvez os negros haitianos tenham muito o que nos ensinar. Talvez a gente aprenda, com eles, a pelo menos cantar um dos hinos da Revolução de São Domingos: “Ê! Ê! Bomba! Heu! Heu!/ Canga, bafio, té! Canga, mouné de lé!/ Canga, do ki la!/ Canga, li!****”
Soube, a uns dias, que haverá uma reforma administrativa no governo federal. Os 39 ministérios serão reduzidos a 20. E eu estou desejando, do fundo do meu coração, que a SEPPIR acabe.
Eu desejo que a SEPPIR acabe (e há de acabar!) pra ver se o movimento negro toma um rumo. Pra que a gente pare de vender nossa dignidade por meia dúzia de D.A.S.. Por alguns milhões de reais caídos das mesas dos senhores da supremacia branca. Quem acompanha de perto, como eu acompanho, sabe o que tem acontecido. A Esplanada dos Ministérios é o lugar mais sujo do Brasil. ISSO INCLUI A SEPPIR.
A esse momento político do país (golpe, contragolpe, PT, PSDB) eu daria o nome de crise da brancura. São 500 anos da brancura no poder. E o máximo que eles conseguiram fazer foi isso aí. Patéticos. Direita ou esquerda, governos civis ou militares, colônia, império, ditadura ou república, eis a grande obra da supremacia branca. Se teve ou não teve roubo na Petrobrás, não me interessa. Esse dinheiro, pra meu povo, nunca chegou. O meu povo segue nas valas.
Não temos o que comemorar. Não temos do que nos orgulhar. 8% de negros das universidades, meia dúzia de negros doutores, um estatuto da igualdade racial não aplicado. É esse o nosso grande legado? Fala-se de empoderamento. De que poder estamos falando, afinal, se nem poder de decidirmos sobre nossas vidas nós temos? É tudo uma grande ilusão festiva.
Sigo na minha sensação de impotência. Na vontade de voltar pra Bahia, minha pequena África, e de lá exercer o único papel que a militância negra que não se vendeu por cargos e editais, consegue exercer: o de coveiros. Enterrando nossos irmãos e irmãs aos gritos de REAJA! Cultivando o ódio, e aprendendo com quem, assim como eu, não tem vergonha de dizer que o ódio é um combustível de luta. Que não existe integração num país que nunca nos quis. Que todos os nossos problemas se derivam indiscutivelmente da questão racial, a maior opressão da terra. E que a gente precisa parar de pensar enquanto minoria, porque nós somos uma maioria, ainda que exilada. Eu quero falar de poder negro.
Com o espírito de Licutã, Zeferina, Toussaint L’Ouverture, Assata Shakur, Sundiata Acoli e tantos outros, sigo, com alguns poucos, na nossa função de coveiros. Coveiros dos corpos arrastados, abortados, fuzilados, espancados, amarrados, escarnados, assassinados, encarcerados.
Eu, coveira insubmissa, sigo na minha função cantando: “Ê! Ê! Bomba! Heu! Heu!/ Canga, bafio, té! Canga, mouné de lé!/ Canga, do ki la!/ Canga, li!”
Até um dia. Até um dia. Mesmo que eu não veja esse dia.
‪#‎reajaouserámorto‬
‪#‎reajaouserámorta‬

Era só um bandido que deu azar de nascer preto! Nós não somos racistas!


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marcos romão

por Marcos Romão
Eles matam e matam e se puderem matam o preto cem vezes.
Era só um bandido que deu azar de nascer preto!
E o editor do Globo vai mandar escrever que é regressão ao tempo colonial, que racismo é coisa de ignorante e problema de certos indivíduos “ignorantes”.
Falácia!
A matança racista tem sua lógica inteligente e cruel.
Primeiro o estímulo da bancada da bala, depois as dicussões “neutras” sobre até que ponto se deve proteger a dignidade humana.
Botam para discutir nos seus editoriais o indiscutível, se torturar pode ser também por “amor” e se pode reduzir a idade permissível para ser torturado.
Primeiro constroem em seus editoriais a “dignidade elástica”, reduzindo a idade para se ter a dignidade “protegida”.
Primeiro insuflam, depois deixam os cachorros soltos!
Condoídos como Eli Kamel, editor do Globo, escreve o livro, “Não Somos Racistas”. Faltou escrever, ” Racistas são os outros”.
Passam a dizer então, “Somos todos Maju”, ” Não somos racistas”, racistas são nossos cachorros soltos.
Racista é canalha que lincha e executa o plano final do genocídio da juventude negra.
Racista é a gentalha que executa a SOLUÇÃO FINAL, desenhada e calculada pelos racistas de caneta! Pelos donos dos cartéis da “imprensa” que a cada dia, torna nosso povo brasileiro mais cruel, bárbaro e “datenado para a crueldade”, como ouvimos no programa diário da rádio globo, que bem cedinho, em sua apologia do assassínio por linchamento, faz uma enquete sobre o criminoso do dia, com a “ingênua” pergunta, ” VAI PARA O TRONCO OU VAI PARA O BURACO?”.
São estes os racistas da caneta, são estes os que despejam a tinta do ódio, são estes os que perpetuam, e estruturam o racismo no Brasil.
Falar de casos de racismo aqui e acolá, é enxugar gelo.
Está na hora de falar que o racismo no Brasil é estrutural e fruto de uma ” inteligência” maléfica que não dá ponto sem nó. Uma elite inteligente e racista que tudo vai fazer, para que os negros fiquem só brigando para não serem chamados de macacos.
Eles, os racistas de caneta que estruturaram e estruturam o racismo no Brasil, não nos querem é nos empregos, nos não querem é nos campos de decisão de poder, que traçam os caminhos do Brasil.
Querem nos manter de fora do Brasil deles até morrermos. E que morramos quantas vezes eles quiserem.
Que nós negros morramos linchados em “slow motion” e fotos repetidas.
E que repitam as fotos, repitam até que fique bem incutida na cabeça de cada criança negra, que mesmo que um dia ela chegue a presidente da república, na primeira escorregada, será chamada de macaca fedorenta, amarrada em um poste e morta centilhões de vezes, em cada clicada dos smartphones dos sádicos racistas.
E não basta. Afinal eles não são racistas.
Era só um bandido que deu azar de nascer preto!

O racismo cordial nos apelidos: O nome da jornalista do “Tempo” é MARIA JULIA COUTINHO


foto gripada de vídeo no youtube

foto gripada de vídeo no youtube

por marcos romão

Quando um apelido deprecia a sua qualificação profissional:

Sei, que é carinhoso, mas a marca do apelido fica no currículo.

Hoje e dia, até jogador de futebol não aceita mais ser chamado de “Cafuné e, pensando na carreira, adota logo um nome duplo e fidalgal- Rodolfo Valentyno, Cristiano de Almeyras e por aí afora. As grandes marcas gostam. Se tiver um “y” no meio ajuda na promoção.

Quando usam apelido, os jogadores da seleção escolhem um codinome, que ressalte suas qualidades, como o fez o exemplar ” Dadá Maravilha”, que só com o alcunha deixava os goleiros embasbacados e a bola entrava.

” Apelido cola para a vida” diziam minha mãe Aurore Florentine e minha avó Georgina Aurore, ” apelido é coisa prá dentro de casa e prá amigos íntimos”, sempre repetiam mãe Flór e vó “Jogina”, sem “gue” e nem “erre”, na minha compreensão de menino.

Por isso nunca aceitei nem na escola, nem no trabalho, que professores e “chefias” me chamassem de apelidos.
Professor ou “chefia” que nos chama por um apelido, nos bota na gaveta que eles nos querem por toda uma vida.

É “condenação perpétua” a ficar no lugar que eles nos reservam.

Isto para discriminado/as no país da dissimulação racista, mantém suas carreiras e ascenções profissionais no limbo, dos sempre elogiados mas nunca promovidos ou aceitos integralmente nos ambientes de trabalho.

É uma cadeia espiritual e cultural racista, que nem babalorixá, padre, pastor, ou psicanalista resolvem.

O silêncio agradecido a que se obriga a vítima do racismo amoroso e cordial, curva o cangote do “abraçado/a” para toda uma vida.

Vejo isto todo dia nos escritórios empresariais, departamentos universitários, departamentos de limpeza urbana, palcos artísticos e, por tudo quanto é canto. Negros e negras trabalhando 30 anos e consolados nos seu cafres, ao verem a troca de seus chefes, sempre de outra cor, que já chegam sabendo o apelido do diligente e simpático negros ou negras que entendem de tudo na “seção”, mas nunca saem do lugar que os apelidos e o racismo lhes reservou.

É o racismo cordial que se manifesta de forma tão penetrante, que apelidadores e apelidados ficam condenados, como água e azeite, a viverem “misturados” se se tocarem nas almas por toda uma vida.

A confiança desconfiada é a marca cruel desta relação, que perpassa a vida de todos os brasileiros e brasileiras das camas ao trabalhos, que vivem em um país em que o racismo não é falado nem enfrentado.

Assim como a psicóloga Rosane Aurore do Sos Racismo Brasil reitera, o nome da jornalista é MARIA JULIA COUTINHO.

Imaginem o “William Bonner “entrevistando o finado “Roberto Pisani Marinho”:
No ar e cheio de intimidades, ao passar as mão nas bochechas do fidalgo Roberto, lhe pergunta:

” E aí “Marinheiro”, cumé que tá o TEMPO?”.

O apelidador teria sua carreira cortada antes mesmo de dizer uma segunda frase em cadeia nacional.

Saiba mais sobre a origem do apelido ” Maju” : ” Chico Pinheiro levou uma bronca por me apelidar, diz “Maju” Coutinho.

Artista negra, artista negro estamos com vocês. Vamos escurecer esta conversa: Zoológico Humano?


Histórico:
Batizado de Exhibit B, o evento artístico propôem que atores que apareçam em jaulas e presos a correntes para tratar das “repugnantes atitudes referentes à raça durante a era colonial”.

A produção européia da peça “cata” por todo o país e tenta convencer atores negros brasileiros, a participarem desta performance, que pretende se apresentar em 2016 em várias capitais brasileiras, no ano da Olimpíadas no Brasil.

Discussões e protestos surgem nas redes sociais e a Rede Rádio Mamaterra e a Mamapress acompanham.

por Fabiana Bruna Souza

Elenco da peça 'O Filho Pródigo', de Lúcio Cardoso. Da esquerda para a direita: Roney da Silva (Moab), Ruth de Souza (Aíla), Abdias Nascimento (Pai), José Maria Monteiro (Assur), Aguinaldo Camargo (Manassés) e Marina Gonçalves (Selene). Rio de Janeiro, Teatro Ginástico, 1947. Cedoc-Funarte.

Elenco da peça ‘O Filho Pródigo’, de Lúcio Cardoso. Da esquerda para a direita: Roney da Silva (Moab), Ruth de Souza (Aíla), Abdias Nascimento (Pai), José Maria Monteiro (Assur), Aguinaldo Camargo (Manassés) e Marina Gonçalves (Selene). Rio de Janeiro, Teatro Ginástico, 1947. Cedoc-Funarte.

#‎ContraExhibitBBrasil‬ Contra Exhibit B – Brasil :

Vamos escurecer uma coisa aqui. saiba mais

Se você é um ator ou atriz negro(a), esta buscando promover a sua carreira e pensa que a sua participação na peça “Exhibt B” vai trazer visibilidade para o seu trabalho e que ainda por cima, ela vai promover discussões positivas na sociedade brasileira sobre a violência generalizada contra o povo negro, essa mensagem é para você :

Nós lhe compreendemos mas não te apoiamos.

Nós te compreendemos pois sabemos que a história brasileira sempre nos foi ensinada pela lente colonial. Indo do escravo sem alma ao “black face”, aprendemos a crescer em uma sociedade que sempre se esforçou por deixar claro qual é o “lugar do negro”.

Na escola, todos os nossos traços físicos foram motivos de piada. Aprendemos desde pequeno, que não somos iguais aos outros. Nós fomos apelidados e vimos a omissão dos nossos professores, incapazes de perceberem a violência racial que nos atacava cotidianamente.

A escola também serviu para aprendermos de maneira superficial a história do nosso povo.

Aprendemos a ver nossos antepassados serem representados como vencidos ou susceptíveis em serem domesticados, sem lutar ou reagir, agradecendo à Deus pela melhora da sua raça através do branqueamento a cada geração.

Que a colonização portuguesa foi dócil, que apesar de tudo, os “senhores” eram benevolentes e amigos dos escravos. Que o Brasil foi fundado por três raças e que hoje vivemos uma democracia racial…é….Bem pesado tudo isso, não é mesmo ?
Frente à todas essas estratégias de dominação e deslegitimação de nossas dores e lutas, crescemos e aprendemos a desenvolver dinamismos de defesa para enfrentar de cabeça erguida toda essa violência moral, cultural e física.

“Seja o mais branco possível”!

Essa frase está escrita em todo lugar sem que possamos dizer exatamente onde e, podemos ouvi-la em toda parte, sem que possamos identificar quem esta falando. Hoje somos adultos, temos nossa consciência formada e uma coisa precisamos admitir : ninguém pode sair ileso disto.
Tomamos assim, todo esse peso histórico em consideração quando dizemos : não te apoiamos possível candidato negro.

Nós não te apoiamos pois sabemos que a História das lutas e resistências do povo negro sempre existiram.

Elas estão pipocando por ai, nos canais da resistência, basta abrir os olhos. Passando pela auto-aceitação e valorização do que somos, vamos pouco a pouco deixando para trás o racismo que muitos de nós inconscientemente internalizaram, abandonando e corrigindo atitudes racistas para com membros de nosso próprio grupo étnico e para consigo mesmo.

Não te apoiamos, meu caro possível candidato(a) negro, pois sabemos que essa transformação é possível.

Nós não vamos nos calar: iremos discutir o racismo em nossa sociedade, sem que para isso precisemos ser sistematicamente utilizados como “objetos de ativação de consciência anti-racista de brancos.”

Como artistas negros e negras contemporâneos, pensemos juntos, novos meios de questionamento do racismo estrutural brasileiro, e façamos jus à nossa história:

Seremos protagonistas da nossa própria trama, criaremos nossos próprios arquivos, marcando nossa época não como aqueles que foram mais uma vez acorrentados ou enjaulados por um branco, mas como articuladores, pensadores, programadores, dramaturgos, atores, artistas, intelectuais, críticos e teóricos capazes de pensar a nossa própria história.

Nota da Mamapress:

Batizado de Exhibit B, o evento artístico propôs a atores que apareçam em jaulas e presos a correntes para tratar das “repugnantes atitudes referentes à raça durante a era colonial”. A produção européia da peça busca convencer atores negros brasileiros a participar desta performance.

Discussões e protestos surgem nas redes sociais e a Rede Rádio Mamaterra e a Mamapress acompanham.

 

CEARÁ MOLEQUE 1915 – 2015: 100 ANOS DO BODE YOYÔ


por Pedrina de Deus

Bode Boêmio

O BODE YOIÔ

Um dos tipos mais populares e queridos da Fortaleza antiga foi o BODE YOYÔ, uma espécie de mascote da cidade, uma figura obrigatória nas rodas da boemia e nas reuniões irreverentes da cidade. Ele foi trazido para Fortaleza na seca de 1915 por um retirante do sertão, e oferecido à venda de porta em porta. Foi comprado por uma quantia irrisória pela firma Rossbach Brazil Company, empresa inglesa instalada na Praia de Iracema, cujos armazéns ficavam nas imediações da alfândega. Ali o BODE YOYÔ passou a viver sua vida de boêmio, primeiro somente pela praia, e mais tarde, pela cidade inteira.
Diariamente se dirigia à Praça do Ferreira, na época centro cultural da cidade, onde funcionavam os principais cafés da cidade. Em pouco tempo ficou conhecido e se tornou popular, mas ninguém o incomodava, nem mesmo os fiscais municipais quando dos seus costumeiros passeios diários pelas ruas.
Muitas histórias são contadas sobre o bode que BEBIA CACHAÇA E TINHA PREFERÊNCIA POR ESTAR AO LADO DAS MOÇAS. O BODE YOIÔ participou de atos políticos em coretos, praças e saraus literários, comeu a fita inaugural do Cine Moderno, assistiu peça no Teatro José de Alencar, passeou de bonde, perambulou pelas igrejas e até pela Câmara Municipal, levado e cuidado pelas mãos dos irreverentes e gaiatos cearenses.
Morreu em 1931 mais de velhice do que de outra coisa. Sua morte foi sentida, comentada e seu necrológio foi publicado pelos jornais da época. A firma proprietária do caprino mandou embalsamar o corpo e ofereceu-o ao MUSEU HISTÓRICO DO CEARÁ ONDE ESTÁ ATÉ HOJE, integrado ao acervo, entre as tradições curiosas do Ceará.
VIVA OS 100 ANOS DO BODE YOYÔ.
VIVA O SAMBA! SAMBA É CULTURA.