Movimentos negros e sociais publicam nota de apoio à Miriam França e ao trabalho da defensoria pública.


Miriam FrançaNOTA PÚBLICA: JUSTIÇA PARA GAIA E LIBERDADE PARA MIRIAN!

Fortaleza- Ce, 08 de janeiro de 2015.

Os movimentos, redes e organizações abaixo-assinados vêm repudiar a prisão da farmacêutica, jovem pesquisadora negra da UFRJ, Miriam França de Melo. Consideramos que essa prisão é uma grave violação a direitos e garantias fundamentais, configurando-se uma violência institucional, inadmissível no Estado democrático de direito. A jovem Miriam está sendo mais uma vítima de um Estado e sociedade que naturalizam as prisões sem fundamento e que têm, muitas vezes, motivações inconfessáveis, de preconceitos históricos, como o machismo, o racismo e a homofobia.

Desde o início Miriam colaborou com o trabalho de investigação policial, dispondo-se a depor e se colocando acessível. A alegação da polícia que ela poderia ter se contradito não é elemento suficiente para a prisão temporária. A prisão é medida excepcional, assim determina o ordenamento jurídico. E neste sentido, a prisão de Miriam fere o Princípio Constitucional da presunção de inocência (art. 5º, LVII, CF). O que a polícia está fazendo, com o respaldo do poder Judiciário, até então, é um julgamento antecipado, que expõe Miriam, sua imagem e sua história, sem justificativa, de forma negativa, para a imprensa e toda a sociedade.

A polícia deve realizar o seu trabalho e buscar a verdade dos fatos dentro do que determina a Constituição e as Leis. Precisa buscar justiça para o assassinato de Gaia, uma mulher, jovem e independente, morta de uma forma que retrata e aumenta as estatísticas dos feminicídios no Brasil. Assim, o crime ocorrido em nosso estado deve ser rigorosamente investigado, seus responsáveis punidos/as de acordo com a legislação pátria e mediante provas, mas não podemos admitir que isso ocorra a custa de ilícitos, de abusos ou de violações outras.

Reconhecemos a importância do trabalho que está sendo realizado pela Defensoria Pública do Estado do Ceará, instituição que atende a população vulnerável, pobre e negra, que tem sido discriminada. Pois se é certo que a polícia deve realizar o seu trabalho, também é certo que a Defensoria Pública existe para garantir a defesa dos (as) vulnerabilizados (as) como Miriam.

Agora, aguardamos com apreensão o Poder Judiciário. Dele se espera, como último guardião de direitos e garantias, que não se chancele ou permita a manutenção de violações como a que está sofrendo Miriam. Por causa de confusa postura do juiz competente e esdruxula norma do Conselho Nacional de Justiça-CNJ, ainda não foi apreciado o pedido de Revogação de sua prisão. O Juiz, por estar no plantão, remeteu ao juízo competente, fundamentado na Resolução nº 71/2009, do CNJ. Mas o que é de se admirar é que ele próprio é o juiz competente, o que quer dizer que remeteu para ele mesmo, mantendo, sem apreciação, a injusta prisão de Miram França.

Acreditamos que a polícia deve trabalhar com inteligência. Nem a polícia, nem o Judiciário podem se fundamentar em achismos e estigmatizações. O Brasil é o terceiro país em população encarcerada, sendo a maioria negra, e isto não significa mais justiça, pelo contrário.

Quanto mais for prolongada a injusta prisão de Mirian, maior será a demora na resposta da justiça para Gaia.

Justiça para Gaia e Liberdade para Mirian!

ASSINAM ESTA NOTA:

CENARAB

Centro de Africanidade e Resistência Afro-Brasileiro

Centro de Assessoria Juridica Popular Mariana Criola

Centro Popular de Cultura e Eco-cidadania – CENAPOP

Colégio de Ouvidorias de Defensorias Públicas do Brasil

Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN

Conselho Popular do Serviluz (Fortaleza-Ceará)

Consulta Popular

Coletivo ENEGRECER

Coletivo Ogum’s Toques Negros

Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Frei Tito de Alencar (Ceará)

Fórum Cearense de Mulheres

Fórum de Juventude Negra

Grupo Tambores de Safo

Instituto de Juventude Contemporânea – IJC

Instituto Negra do Ceará – INEGRA

Instituto Mídia Étnica

Justiça Global

Juventude Negra Kalunga

Juventude, Socialismo e Liberdade – JSOL

Kizomba Ceará

Levante Popular da Juventude

Marcha Mundial das Mulheres – MMM

Movimento de Luta de Bairros, Vilas e Favelas – MLB

Movimento Negro Unificado

Rede Juventude de Terreiros – Pernambucano

Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares do Ceará – RENAP/CE

PARLAMENTARES

Elmano de Freitas – Advogado e Deputado Estadual Eleito do PT-CE

João Alfredo – Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Fortaleza

Renato Roseno – Advogado, militante de Direitos Humanos, Deputado Estadual Eleito pelo PSOL – CE.

Ronivaldo Maia – Vereador de Fortaleza do PT

Toinha Rocha – Advogada e Vereadora de Fortaleza do PSOL

Defensor público de Mirian França é ameaçado de levar “surra”.


por marcos romão
Estamos preocupados com a segurança, e integridade física e, moral e psicológica de Mirian França, desde o primeiro momento em que tomamos conhecimento da prisão arbitrária de Mirian , e vimos fotos, além de tomarmos conhecimento através do depoimento de um turista uruguaio, de como foi o procedimento da polícia na inquirição de possíveis suspeitos nas suas operações de buscas.

foto do facebook

foto do facebook

A Mamapress e o Sos Racismo Brasil da Rede Radio Mamaterra, acabam de tomar conhecimento das ameaças, que o defensor público do Estado do Ceará Emerson Castelo Branco recebeu através de seu perfil no Facebook.

Estamos solidários com o defensor e com Mirian França e que fique claro, solidários para que o Estado de Direito seja respeitado. Enganam-se os que escrevem em editoriais de jornais, que nos solidarizamos só porque Miriam é negra e doutoranda. Somos solidários porque o Estado de Direito está sendo violado.

mirian não mentiu

Manifestação na internet em defesa de Mirian França

Estamos tão solidários com uma presa negra mantida na prisão de forma arbitrária, como também estão solidárias todas a mães, com seus mais de 250 mil filhos e filhas presos em detenções provisórias nas masmorras de todo o país, que não merecem a atenção da máquina da justiça.

Estas são as milhares de mães e familiares de presos ‘PROVISÓRIOS”, que até agora não puderam contar com este instrumento que são as redes sociais, para que a sociedade brasileira tome conhecimento da barbárie, que se tornou este instrumento chamado  “prisão provisória”, usado para lotar as prisões, com “suspeitos” e “suspeitas” segundo a sua cor e origem social.

Estamos antes de tudo solidários com todos os cidadãos e cidadãs  que defendem um Estado de Direito em que a separação dos três poderes seja respeitada.

Os mesmos que ameaçam dar uma “SURRA” em um defensor público, que expressam a vontade de violar a integridade física de um defensor público do Estado, são os mesmos que dentro da máquina do estado têm acesso aos presos e presas. Estes presos “comuns”, ao contrário do defensor público, estão nas mãos destas pessoas que minam o Estado Democrático.

Quando manifestamos nossa solidariedade para com um defensor público ameaçado na sua integridade física e moral,  estamos defendendo a todos nós, os brasileiros e brasileiras.

Estamos defendendo todas as Mirians e todos  e todas as pessoas, que são submetidos à ações discricionárias por parte de alguns representantes do Estado.
Se estão ameaçando a pessoa do defensor público, o que estaria por trás da prisão de Mirian França que a opinião pública não sabe? A que perigos e ameaças estaria Mirian França Exposta.

A sociedade brasileira precisa ter um olhar redobrado sobre o que está acontecendo.
Basta.

leiam a postagem denúncia do Defensor Público, Emerson Castelo Branco:

Emerson Castelo Branco

É DEPLORÁVEL e MUITO SÉRIO que, em pleno exercício de minhas atribuições funcionais, algumas pessoas (que deveriam honrar o cargo que ocupam e respeitar todos os colegas de outras instituições) venham a citar meu nome expressamente e dizer que mereço uma “SURRA” e outras coisas do tipo que envolvem AGRESSÃO FÍSICA a minha pessoa.

Se citou meu nome expressamente e mesmo que indiretamente, configura sim CRIME DE AMEAÇA, previsto no art. 147, do Código Penal.

Não posso admitir AMEAÇA. E apenas esclarecendo: pouco importa se a pessoa tinha ou não a intenção verdadeiramente de me “SURRAR”. Para configurar o crime de ameça, esta não precisa ser verdadeira. É crime do mesmo jeito. Pode, inclusive, ser cometido por gestos e por símbolos, quanto mais por palavras como aconteceu.

Não vou representar, mas espero SINCERAMENTE que isso PARE POR AQUI e que exista RESPEITO entre todos!

Todos os meus pronunciamentos como Defensor Público são ESTRITAMENTE JURÍDICOS! Falo com CONVICÇÃO, falo FIRME, talvez por causa da minha época de Tribunal do Júri, por uma questão pessoal minha, mas sempre JURIDICAMENTE! Sempre VALORIZEI a POLÍCIA e todas as demais INSTITUIÇÕES, inclusive, muitas vezes lutando por causas dessas instituições que nem eram propriamente da Defensoria Pública, porque, quanto mais TODAS avançarem, melhor.

Tenho AMIGOS e EX-ALUNOS em todos os lugares e em todas as instituições! Isso não impede de DISCORDARMOS VEEMENTEMENTE uns dos outros, cada qual dentro das suas atribuições. Quem me conhece, EM TODOS OS LUGARES PELOS QUAIS ATUEI EM MINHA VIDA, sabe da minha POSTURA DE RESPEITO. Especificamente em relação a delegada presidente do inquérito policial, responsável pelo caso de Jericoacoara, o respeito é TOTAL à profissional e à pessoa, apesar de discordar veementemente do pedido de prisão, mas isso faz parte! Na verdade, quem prende é o juiz.

A discordância maior recai sobre a ordem judicial. E, claro, como Defensor Público tenho direito de discordar das prisões que são decretadas, considerando-as ilegais, por mais que tenha pedido do delegado, ou do promotor e decisão do juiz.

É meu direito e peço que minhas prerrogativas e independência funcional sejam respeitadas. Por fim, deixando bem claro: NÃO há ataque nenhum da minha parte à INSTITUIÇÃO DA POLÍCIA, que tem o meu respeito. Apenas, no caso concreto, cada qual defende juridicamente aquilo que acredita.

Fico consternado com todo isso!

A delegada presidente do Inquérito Policial foi, inclusive, minha ex-aluna e tem meu total respeito. Apenas discordamos muito no ponto da prisão, algo que considero natural.

Desta forma, REPUDIO qualquer tentativa de se gerar uma briga entre INSTITUIÇÕES. Todas as INSTITUIÇÕES devem guardar entre si RESPEITO MÚTUO.” – Que absurdo!!!

https://www.facebook.com/emerson.castelobranco.5?ref=ts…

S.O.S MIRIAN FRANÇA NA TERRA ONDE O SOL SEMPRE JONGOU SONHOS EM JANGADAS


por Tito Mineiro

SOS-Mirian-França-portraitEnquanto apreensivos aguardamos e articulamos contactos sobre o desfecho do caso Mirian França_ que se encontra presa _   fase inquisitorial _  em prisão temporária que se presume transmudar-se em Preventiva _ sobre a morte da Turista italiana GAIA MOLINARI  no Ceará, caso a Justiça em Tribunais pátrios isentos não corrijam precipitações desses comandos acauteladores que , infelizmente, estamos nos acostumando em diversas partes  do Brasil pesando mais sobre os  vulneráveis tais como os Negros em nossa sociedade , veja ainda o exemplo em outra parte  do caso do jovem negro Hércules da Pavuna RJ  (em Preventiva tanto tempo  que foge ao razoável e como justificará o Estado depois em caso de inocência que se converge pra os fatos … é preciso bom senso e celeridade da Autoridade Policial e Judicial pra que prezem preliminarmente por Princípio da Inocência desde o início … para que no amadurecimento do  Inquérito ao Processo _ vícios e contaminações clássicas e institucionalizadas não afetem o direito, a expectativa legal e a saúde regular do resultado, bom frisem que não exacerbem na teoria fria pelo crivo de que não seja razoável o contraditório nessa fase )…  e pra não dizer que é só nesse caso _ tantos outros diversos e variados acumulam-se desde prisões que devam ser caso excepcional e relativas _ tornam-se regras  absoluta e imediatamente midiáticas – não o contrário…

Fatos também e fatores históricos nos fazem brindar a recordação do legado de LUTA E JUSTIÇA  nesse Estado Nordestino de gente “porreta” ( tradução : de fibra, de luta , de gente boníssima e guerra) que mistura Heróismo, Fé , Cultura  e Memória à flor da Pele + dourada do sol de Iracema. Foi na Terra da Luz = Ceará que  dali que nasceu e apontou a Liberdade no Horizonte do Brasil , sendo considerado por Historiadores como o primeiro Estado do Brasil a decretar a Abolição da Escravatura … vê-se na província do Ceará em março de 1884 dando sequência e derivado de outros municípios pioneiros (como Redenção -então, Vila Acarape -em janeiro de 1883 sob à vista de José do Patrocínio e outros abolicionistas  )  _ daí ,  abundam acenam figuras épicas como o famoso Dragão do Mar e uma Maçonaria (através também de sua Sociedade Cearense Libertadora) que já não dormia fazia tempos de obrar com o barulho ensurdecedor dos grilhões da pátria amada_ … Ad Argumentandum Tantum_ também daí  nasceu o Arcebispo imortal da Igreja Católica de Pernambuco o valoroso e eterno Dom Hélder Câmara (uma voz marcante na Missa dos Quilombos) , assim como germinou o Frei Tito Alencar (morto sobre os efeitos dos fantasmas da tortura no regime outro)  … Também em o Município de Redenção onde a Liberdade primeiro ousou acenar em nosso solo surgiu a UNILAB (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira que conforme o próprio site informa nasce baseada nos princípios de cooperação solidária, parceira de  outros países, principalmente africanos, desenvolvendo formas de crescimento entre os estudantes, formando cidadãos capazes de multiplicar o aprendizado.

   Aguardamos sinceramente que esse Estado ONDE O SOL SEMPRE JONGOU SONHOS EM JANGADAS não deixe uma filha liberta afrobrasileira,  que contrariou o esperado modelo e ascendeu ao Status além- irmãos ( alçando com esforço particular e de seus familiares _ lutando contra  todos e tudo num sistema que conhecemos mui bem  de flagrante Racismo Institucionalizado brasileiro na Educação e ainda assim  alçou a condição de  Doutoranda da disputadíssima UFRJ …) agora, mui triste  morrer nessa realidade como regra,  afogada num drama de férias na praia paradisíaca de JERICOACOARA – Ceará onde todo o enredo e herança libertária por mim narrado e dos nascidos lá se curvassem à hipótese mais provável (e não tese de Academia) de que “Se os Tubarões fossem homens”… como diria Bertold Brecht, quem seríamos nós e quem ousaria se colocar a seu favor ? Logo, respondo: nós ! *S.O.S MIRIAN FRANÇA…

RJ, 07 de janeiro de 2015.

Tito Mineiro – Advogado , Membro da CIR-OAB-RJ.

Membro ativo do Sos Racismo Brasil

Colaborador regular da Mamapress
Mirian-França-na-praia

É PROIBIDO FALAR DE RACISMO NO CEARÁ. DECRETA O JORNAL O POVO DE FORTALEZA EM EDITORIAL: É UM DURO GOLPE CONTRA O TURISMO NO ESTADO, ALEGAM.


Pedra Furada

Pedra Furada

EDITORIAL
Nós  Mamapress e do Sos Racismo Brasil, temos alertado sobre a crescente onda editorial dos grandes jornais,  que tenta esconder o racismo institucional brasileiro, sobretudo contra mulheres e jovens negras e negros. A violência cotidiana contra as mulheres negras, e os mais de 700 negros jovens assassinados por mês em todo o Brasil, só merecem pé de página nas seções policiais dos jornais.
O editorial deselegante e cínico do Jornal o povo, afirma que, só por “Mirian é negra”, despertou-se um o clamor público. Quando pelo contrário foi a forma como a delegada procedeu e procede no tratamento da farmacêutica Mirian França, a chamando de “mentirosa” todo o tempo, que provocou a indignação da sociedade.

Ora a insistência do movimento negro e da sociedade brasileira para que Mirian responda em liberdade, as acusações que porventura existirem, é justamente pelo fato dela sendo negra, jovem e mulher, nem a delegada, nem o juiz, levaram em conta seus antecedentes e a jogaram em uma prisão comum, sem acesso a advogadas ou contato familiar, até que suas amigas do Rio se dispusessem  para irem  à Fortaleza e gritarem por socorro, procurando a defensoria pública.
Fato é que, se até agora não houve nenhuma mobilização nacional e internacional, para socorrer juridicamente uma turista branca brasileira ou estrangeira, é porque nunca ninguém que conheçamos tomou conhecimento de que esta arbitrariedade tenha sido cometido contra algumas delas, que todos anos vão aos milhares ao Ceará e não são jogadas nas prisões, só porque uma delegada acha.
Fato é que Mirian França é uma turista negra e não uma turista branca.

Valdicéia com as mãos no rosto ao ouvir do vereador João Alfredo do Ceará. que sua filha estava bem

Valdicéia com as mãos no rosto ao ouvir do vereador João Alfredo do Ceará. que sua filha estava bem

Não é só sua mãe que pensa, o que ela em um desabafo para a imprensa expressou: “Minha filha foi presa e acusada porque é negra”. Toda a sociedade está de orelha em pé com as entrevistas pouco profissionais, e eivadas de opiniões pessoais e evasivas, dadas pela delegada Patrícia Bezerra. Se não há racismo, o que é que se esconde então?
As suspeitas de um racismo corporativo para defender a indústria do turismo no Ceará apenas aumentam, quando lemos um editorial sibilino, que deseja jogar o racismo para debaixo do tapete, em um momento em que toda a sociedade quer a verdade e justiça para Mirian França e justiça para a memória de Gaia Molinari.
O movimento negro e a sociedade civil estão preocupados e condolentes com o destino trágico de duas jovens mulheres, uma negra e uma branca. Direitos humanos e direitos civis são para todas.
Este trágico episódio precisa ser esclarecido dentro do estado de direito.
Recebemos do Professor Alex Ratts o editorial com um curto comentário:

Editorial hipócrita e cínico do Jornal o Povo de Fortaleza em 07/01/2015.
“Mirian é negra. Este fato foi o suficiente para mobilizar um movimento pela libertação da carioca sob o seguinte argumento: a prisão teria se dado somente em função da cor da pele. Por esse raciocínio, se Miriam fosse branca nem o pedido de prisão e nem a decisão judicial que o acatou se efetivariam. Dessa forma, tanto a delegada quanto o juiz que acatou o pedido de prisão temporária seriam racistas.”

Leia o Editorial completo

Martírio de Mirian França pode ser longo. Juiz muda competência sobre habeas corpus para Jijoca.


por marcos romão

Miriam França ao fundo

Miriam França ao fundo adentrando a delegacia de Fortaleza, onde está presa desde 29.12.2014

Segundo informação recebida de uma amiga de Mirían França, que se encontra em Fortaleza, o Defensor Dr. Emerson Castelo Branco informou que o Juiz da Cidade de Cariré passou a competência para julgar o pedido de revogação de prisão da Miirian para o Juiz da cidade de Jijoca.

Para o grupo de apoio no Ceará é necessário aumentar a pressão, pois consideram que  “estão empurrando com a barriga, e precisam pressionar”.

O motivo é que a partir de amanhã 7/01 a justiça começa a funcionar em regime comum, cessando o regime de plantão, o que significa que não tem prazo para uma decisão.”

Uruguaio detido no caso Gaia, concede entrevista exclusiva a jornalista do Ceará


por Victor Hannover

VEJA O VÍDEO DA ENTREVISTAentrevista urugauio

Veja agora a entrevista exclusiva do Uruguaio Rodrigo Sanz, que foi preso ao lado da noiva, por ter trocado mensagens com Gaia Molinari, em Jericoacoara. Ele nos contou detalhes do que viveu e da investigação policial, em uma entrevista exclusiva ao blog victorhannover1.blogspot.com.br direto do Uruguay, via Skype.

Tradução- (A entrevista foi concedida em espanhol) O Uruguaio Rodrigo Sanz nos concedeu uma entrevista exclusiva. Ele disse que a polícia do Ceará suspeita que Miriam França, que está presa e Gaia Molinari, morta em Jericoacoara, eram amantes. Rodrigo disse também que foi preso com a noiva, porque no celular de Gaia havia duas mensagens enviadas pela noiva de Rodrigo. Ele diz que em alguns momentos a polícia chegou a desconfiar de um triângulo amoroso envolvendo Gaia, Miriam a a noiva dele, Rodrigo. Ele diz que cedeu saliva e unhas para que fosse feito um exame de DNA e falou também que foi interrogado pela polícia em uma sala separada de onde a noiva dele prestou depoimento. Rodrigo disse que se encontrou com Gaia na praia, mas que não sabe o que aconteceu para que a turista fosse assassinada. Ele disse que viu as acusações dando conta que Miriam foi presa porque é preta, mas ressaltou que é branco e também foi preso. Passou treze horas nas mãos dos policiais, mas colaborou com os investigadores e foi liberado ao lado da noiva, por falta de provas na participação deles no crime. Rodrigo diz que soube do crime através dos policiais.

Uruguaio foi detido com namorada e levado para depor sobre morte de italiana


Breno Boechat
reblogado de O Globo

A farmacêutica Mirian França de Mello não foi a única pessoa que a Polícia Civil do Ceará considerou suspeita do assassinato da italiana Gaia Molinari, encontrada morta no dia 25 de dezembro, próximo à Pedra Furada, ponto turístico de Jericoacoara. Um casal de turistas formado por um uruguaio e uma francesa também foi detido quando seguia para Fortaleza e levado para prestar depoimento por mais de 15 horas até ser liberado. O rapaz, que prefere se identificar apenas como Rodrigo, conta que ele e a namorada foram pressionados pela polícia a ceder material para exame de DNA.

Segundo Rodrigo, ele e a companheira conheceram Gaia e Mirian no dia 21 de dezembro, no ônibus que levou os quatro de Fortaleza para Jericoacoara, para passar as festas de fim de ano. De acordo com o uruguaio, o fato de ele conversar em francês com a namorada chamou atenção de Gaia, que já havia morado na França. Os três, então, conversaram pelo caminho.

— A minha namorada é francesa e a Gaia a ouviu falando francês. Como ela tinha morado na França, puxou assunto com a gente. Perguntou se falávamos francês e iniciamos uma conversa, que durou cerca de 20 minutos. Chegamos em Jericoacoara e fomos cada um para a sua pousada — relata Rodrigo.

Casal foi levado para delegacia e teve que ceder material genético para exames
Casal foi levado para delegacia e teve que ceder material genético para exames Foto: Reprodução

Dois dias depois, segundo o uruguaio, o casal encontrou Gaia em uma das praias da cidade. Os três conversaram e combinaram de jantar juntos em algum dos próximos dias. De acordo com Rodrigo, esse foi o último contato que os dois tiveram com a italiana.

— Encontramos a Gaia na praia e conversamos mais um pouco. Ela e a minha namorada conversaram por cerca de meia hora e trocaram telefones. Ela (Gaia) disse: “Vamos comer algo um dia desses?”. Nós aceitamos. No dia 24, ela nos mandou uma mensagem, perguntando se aceitaríamos jantar às 20h. Só vimos a mensagem depois das 20h e perguntamos se ela não poderia mais tarde. Ela nunca mais respondeu. Pensamos que ela estava ocupada ou até que tinha viajado para outra cidade e seguimos viagem — explica.

Na volta para Fortaleza, casal foi parado pela polícia

Sem mais encontrar a italiana, Rodrigo conta que seguiu normalmente sua programação em Jericoacoara, até a data de volta para Fortaleza, no dia 1º de janeiro. Cerca de 20 minutos depois de embarcar em um ônibus em direção à capital do Ceará, o veículo foi parado por policiais que procuravam por sua namorada.

— O ônibus estava cercado por policiais. Estavam procurando pela minha namorada. Pediram que ela descesse e eu perguntei o que estavam acontecendo, falei que eu estava com ela. Nos pegaram, pegaram nossas coisas e colocaram em um caminhão. Começaram a perguntar se a gente conhecia as duas e dissemos que conhecemos em um ônibus. Foi aí que nos contaram que ela tinha morrido. Ficamos em choque.

Gaia foi encontrada morta no último dia 25 de dezembro
Gaia foi encontrada morta no último dia 25 de dezembro Foto: Reprodução / Facebook

A partir de então, começou o que Rodrigo classifica como uma “jornada surreal”. O uruguaio conta que os dois foram interrogados por agentes em três delegacias do Ceará, sendo transportados em um camburão. Após mais de oito horas, um policial informou que eles teriam que seguir para Fortaleza, onde a investigação estava sendo realizada.

— Chegamos em Fortaleza umas oito horas depois de o ônibus ter sido parado. Nos levaram para uma sala com três policiais. Separaram eu e minha namorada em duas salas e começaram a fazer perguntas. Parecia que queriam que a gente confirmasse de qualquer maneira que a Mirian tinha matado a Gaia.

Uruguaio registrou “saga” na polícia com o celular, que não foi apreendido
Uruguaio registrou “saga” na polícia com o celular, que não foi apreendido Foto: Reprodução

De acordo com o uruguaio, os policiais insistiam em saber se Mirian e Gaia eram um casal, apesar de Rodrigo não ter convivido pouco tempo com as duas. Ele conta que os agentes insinuaram ainda que a própria namorada dele estava envolvida em um triângulo amoroso com a brasileira e a italiana.

— Me perguntaram se eu sabia se as duas tinham uma relação homossexual. Eu disse que não, que só tive um contato de 20 minutos com as duas e que não tinha como dizer isso. Foi quando eles perguntaram se a minha namorada também não tinha uma relação homossexual com as duas. Eu disse que não, mas eles ficaram insistindo. Disseram que sabiam que a Mirian estava mentindo e que foi ela que matou a Gaia.

Coleta de saliva para DNA

Ainda de acordo com Rodrigo, ele e a namorada foram pressionados a ceder material para exame de DNA. O casal, que vive em Barcelona, na Espanha, só foi liberado após assinar uma declaração de que ficaria à disposição para novos esclarecimentos.

— Disseram que teriam que recolher material de DNA nosso. Estávamos com três pessoas armadas em uma sala, em um país que não conhecemos. Não tínhamos escolha, tivemos que aceitar. Pegaram minha saliva para fazer o exame. Nos mandaram assinar uns papeis, prometendo que ajudaríamos nas investigações, e nos liberaram. Voltamos para Barcelona no dia 3 de janeiro — descreve.

Turista registrou momento em que foi interrogado
Turista registrou momento em que foi interrogado Foto: Reprodução

Polícia não responde

Procurada pela reportagem do EXTRA, a Polícia Civil do Ceará não se pronunciou sobre os relatos do uruguaio até o momento de publicação desta reportagem. Na última segunda-feira, a delegada responsável pelas investigações do crime, Patrícia Bezerra, declarou que a polícia trabalha com vários suspeitos e que mais de 15 pessoas já haviam prestado depoimento. De acordo com Patrícia, ainda falta realizar outras diligências, inclusive em Jericoacoara. A delegada voltou a afirmar que Mirian França está presa por ter cometido contradições em dois depoimentos que prestou.

A delegada Patrícia Bezerra prestou entrevista coletiva sobre o caso na última segunda-feira
A delegada Patrícia Bezerra prestou entrevista coletiva sobre o caso na última segunda-feira Foto: Divulgação / Polícia Civil do Ceará

— O que eu posso dizer é que a Mirian mentiu várias vezes ao longo dos dois depoimentos que ela prestou. Ela foi submetida a acareações com outras pessoas em Jericoacoara. As afirmações que ela prestou no primeiro momento não se sustentaram nessas acareações. Ela não soube explicar o porquê das mentiras. Além do mais, ela ia embora de Fortaleza no dia seguinte. Estava com passagem marcada para o Rio de Janeiro. Se ela fosse embora, inviabilizaria a continuidade das investigações. Com base nisso e em outros argumentos sigilosos do inquérito, eu pedia prisão temporária — relatou a delegada.

Pedido de revogação da prisão

Na manhã desta terça-feira, o grupo de três defensores públicos que realiza a defesa de Mirian entrou com um pedido de revogação da prisão temporária da farmacêutica. Ela está detida desde o último dia 29 de dezembro, na Delegacia de Capturas de Fortaleza, em uma cela especial, por ter formação de curso superior completa.

Mirian está presa desde o último dia 29 de dezembro
Mirian está presa desde o último dia 29 de dezembro Foto: Reprodução / Facebook

Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/casal-de-estrangeiros-foi-detido-levado-para-depor-sobre-morte-de-italiana-14977758.html#ixzz3O4396CRu