SÓ DÓI EM QUEM LEMBRA. QUEM SOFREU ALÉM DE LEMBRAR SOFRE DUAS VEZES, TRES, QUATRO, TERROR E MEDO ATÉ QUANDO NÃO MAIS PODER.


por Deley do Acari

Ontem, dia 14 de junho fez um mês que Ana Julia, 8 anos, negra, pobre e favelada, foi baleada com quatro crianças, por um policial, branco, do asfalto, de classe média, lotado na CORE, dentro da favela de Acari.

Anteontem houve uma operação do BOPE, farda preta igual da Core.

Ana estava na entrada da favela, fazendo curativo na ferida da bala, que ainda esta em seu corpo, entrou e choque, pânico e não quis voltar pra favela.

Foi parar com sua mãe, em Madureira e só voltou á noite. depois que a operação terminou. Na noite interior sonhou comigo que a policia tava me prendendo, me matando.

Há um mês , o caso de Julia, comoveu a muita gente no face, hoje ninguém lembra mais dela e do que lhe ocorreu.

Julia, 8 anos de idade

Julia, 8 anos de idade

Sua dor, de sua família e das outras duas famílias que tiveram crianças feridas no mesmo caso, só dói em quem lembra que sofreu como ela, e sua família, e vai lembrar e sofrer e padecer de terror e medo, todas as vezes que houver operação policial na favela.

Ana já reconhece em mim, seu protetor e de sua família, o que me faz feliz e agradecido por merecer a confiança e o afeto de uma criaturinha maravilhosa e doce, como essa adorável menininha negra acariense.

Mas me faz sofrer e me entristece saber que ela sonhe, se preocupe e sofra por mim, sem que eu mereça a graça de seus cuidados.

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SOS Racismo: “Passar a mão na cabeça do discriminado o ajuda?”


por marcos romão

RACISMO, PASSAR A MÃO NA CABEÇA DO DISCRIMINADO O AJUDA?
surpresa-racismoParece que cada vez que a gente passa a mão na cabeça do negro que aceita a discriminação fica pior.
Racismo feito estupro é crime público, não precisa a vítima fazer BO. Qualquer Cidadã ou Cidadão pode denunciar. E o MP investigar;
O Caso Tinga agora é público, caiu na rede e agora ele está nas mãos da Globo, prestando um desserviço a toda a luta contra o racismo, com seus depoimentos que a cada dia ficam pior.
Sou da opinião, que ele tinha era que tirar os óculos cor de rosa e falar com o juiz para parar o jogo.
Desde hoje de manhã quando escutei o Tinga na Globo, guardei este texto, que tinha dúvidas se iria publicar, para não correr o risco de ofender ninguém pessoalmente, mas ao ler tanta solidariedade ao Tinga que mais camufla que expõe e ataca a peçonha do racismo no Brasil, vejo o poder de destruição que a defesa da omissão coletiva na hora que acontece o racismo pode causar.
Claro que todos nós já engolimos sapos e não reagimos na hora certa, não é para atirar a primeira pedra, mas também não é para continuarmos fazendo a apologia do botar a viola no saco.
Aí vai o texto pra Tinga que me vejo obrigado a publicar, para eu também não botar a viola no saco, espero que chegue até ele:
“Alô amigos de Minas Gerais, tem alguém por aí que tem acesso pessoal ao jogador Tinga?
O cara caiu nas mãos da Globo e está falando um monte de besteiras sobre relações raciais para a população brasileira.
De discriminado sem consciência dos seus direitos trabalhistas, pois deveria ter parado de jogar já na primeira ofensa de racistas feita por uma parte dos torcedores do estádio peruano (diga-se de passagem não são os pobres indígenas que tem acesso aos estádios), ao invés disso aceitou a humilhação e agora serve de Pai João para a Globo ao dizer que os racistas nos estádios são ignorantes.
Não os racistas nos estádios não são ignorantes, os racistas nos estádios fazem parte de uma classe média neocolonial que em toda a América Latina imita o que há de pior na Europa e odeia negros e indígenas.
Tinga, se você por desconhecimento, não aprendeu ainda a respeitar os negros do Brasil, respeite ao menos seus filhos, que precisam escutar a verdade de que o racismo é brutal e que eles precisam aprender a se defender, antes que seja tarde como aconteceu com você.
Procure alguém do movimento negro aí em Minas, um pastor, um pai de santo, um padre, um psicólogo ou um outro jogador negro, alguém que você confie. Pare de deixar brancos racistas da Globo botarem palavras em sua boca.
Falo isto como um pai negro e com o maior respeito e amor que tenho por todos os brasileiros discriminados.
Um amor que se transforma em ira, quando vejo um irmão destruindo a si mesmo, em nosso nome, em nome de nossa cor e da luta contra o racismo.
Se dê um tempo, reflita antes de falar. Silencie quando necessário. E na dúvida procure conselhos para se orientar.
Não entendo de futebol, mas como pessoal humana, vejo com este episódio, que este é o jogo de sua vida. Ser um homem negro inteiro, ou uma pessoa condenada a viver pela metade o resto da vida.”
#marcosromaoreflexoes