Partidos Políticos, freiem seus fiéis adeptos racistas.


pela redação: marcos romão

Não estamos aqui na Mamapress para atacar ou defender este ministro ou aquele, ou uma presidente ou outra.

Fazemos parte de uma mídia étnica que há décadas atua em e nas redes. Começamos com o Fax da Panasonic.

Fazemos parte de centenas de pequenos e pequenas  editores da mídia negra e indígena, espalhadas no Brasil e no mundo. Não temos as telinhas nem as rádios para falarmos e nos defendermos, mas botamos com bravura a boca no trombone .

Desde que apareceu o ministro Barbosa na mídia através dos seu atos bons ou maus, sua pele preta evidente e, que não dá para esconder como muitos desejariam, incomoda muita gente.

Piadas aqui, louvores ali e vai se levando.

Análise jornalísticas, em sua maioria reportam ou que ele é muito inteligente, ou que é um energúmeno que só chegou ao posto supremo da justiça brasileira, por ter a pele preta. Bola da vez, diríamos.

Bom ou mau, só cabem para o cara superlativos. O homem não faz xixi, não respira, não sente dor de barriga, não chorou quando neném, não é. Só é uma pele preta.

Para o mainstream mediático, a pergunta não é se  ele vai obrar, mas quando.

O Barbosa deve ter pesadêlos tanto com os ataques, quanto com os elogios. Afinal tanto faz, pois devem considerá-lo um homem de Marte, que nem nasceu, nem foi formado pelas idiossincrasias de nossa cultura e formação racista brasileira. O cara não tem chance, tanto faz, como tanto fêz, é preto e acabou.

Até aí tudo bem, vai se levando, dizemos pros nossos amigos.

Um comentário aqui num Facebook, outro ali numa coluna ou blog, o cara não escapa de uma pitadazinha de ironia, que diz nas entrelinhas, vamos ver neguinho, tua hora chega, o pelourinho te espera, vai voltar já já prá zenzala.

Aí tem hora que o bicho começa a pegar.

Nos incomoda, incomoda a qualquer negro ou negra que vê esse linchamento carinhoso e sibilino. Não dá nem mais prá gente analisar se o cara faz coisas boas ou coisas más. Os caras estão falando da nossa pele.

No nossa pequeno equipe da Mamapress, temos as mais diversas opiniões sobre o homem, o político, o jurista e o presidente da corte chamado Barbosa. Uns sempre o acharam ranzinza, outros afável. Uns acham que ele tem sagacidade e tino político, outros que não passa de um ingênuo solitário no meio de raposas. Alguns não votariam nele nem para síndico de prédio, outros já estão levantando os estandartes: “Barbosa prá presidente.”

Se fizéssemos uma “pesquisa” entre nosso pessoal, espalhado por todos os continentes, não seria fácil chegar a um denominador comum sobre o que é e o que pensa este homem negro de pele preta chamado Barbosa. Mas uma coisa temos todos claro, é um homem. Um ser humano de carne e osso nascido no Brasil como nós. Goste disso quem quiser.

Nossos companheiros da Afrokut, que nos alertaram sobre uma postagem no “Blog que deve ser Oficial” da Dilma, em que a difamação de um povo está presente em texto e charge e,  este povo é o povo negro do Brasil, não é só o homem negro de pele preta presidente do STF.

Nossos amigos já estão indo às barricadas quando escrevem e pedem que a presidente Dilma peça desculpas pelo publicado no Blog:

” No meio  dessa briga tosca de  PT  x  PSDB,  do ranço politico de “direita” x “esquerda” a população negra vem sofrendo com o racismo  e o desrespeito de politiqueiros. Para atingir o ministro  do Supremo Tribunal Federal  Joaquim Barbosa, o Blog da  Dilma ( Presidente da República do Brasil) comete  ato de racismo  com toda a sociedade brasileira na associação da cor do ministro Joaquim Barbosa:  quando  coloca uma imagem de um negro batendo em outro negro no período da escravidão, com o título: “Joaquim Barbosa não desrespeitou Dilma: foi todo o país”.  Ao associar a posição politica ou o ranço do ministro Joaquim Barbosa com a sua cor, o Blog da Presidente Dilma comete racismo  ao salientar a cor  de pele do ministro com sua posição ou caráter, estereotipando toda a população negra, Presidente Dilma peça desculpa a sociedade brasileira  pelo racismo no seu Blog.”.

blog da dilma

O texto e a foto de um desenho que mostra suplício no Pelourinho, publicadas  no blog, são grosseiros, difamantes de um povo e racista, não restam dúvidas.  Mas texto é texto e tem autor, além do mais presumimos que a presidente nem conhecimento deste fato o tem.

Como bem demonstraram em seu protesto, a equipe do Afrokut relata que nas quizilas partidárias, sempre sobra para os peles pretas deste país. 

Como no futebol, na política o racismo aflora justamente no calor da refrega, bebendo chopp depois do jogo ninguém xinga nem a mãe do juiz, nem chama  negão de 2 metros de altura de  “neguim safado”.

Nas disputas religiosas já testemunhamos fatos e pronunciamentos desagradáveis e racistas nos últimos meses. Isso não é bom, isto é perigoso. Somos um povo negro brasileiro muito temerário e prá lá de respeitadores das leis que nos oprimem. Mas estamos aprendendo rapidamente a não mais levarmos desaforos para casa.

 É hora então dos partidos políticos acordarem, para usar o verbo da moda, acordarem e calarem a boca de seus partidários que sejam racistas, pois pelo menos na falta de votos vai sobrar prá vocês.

Para que não  confundam este texto, como um ataque ao PT, lembramos que este texto no blog acima é apenas a ponta do iceberg, pois basta o leitor dar uma googlda, para ver a avalanche de ataques à cor da pele do ministro presidente do STF por parte de “fièis” de todos os partidos.

Falamos de todos os partidos e com todos os partidos. Que todos nos respeitem.

Cobra que não anda, trator judiciário passa por cima!


por marcos romão

Recebemos de muitas organizações o convite para a reunião hoje, no Rio, com o presidente da Fundação Palmares, Hilton Cobra.

Destacamos a convocação da CEPERJ

A Direção do Centro de Pesquisas Criminológicas do Rio de Janeiro – CEPERJ,  vem pelo presente parabenizar a Representação da Fundação Palmares  no Rio de Janeiro pela importante iniciativa de promover na próxima quinta-feira, dia 23 de maio  um encontro marcado  o Presidente da Fundação Cultural Palmares, Sr. José Hilton Cobra e as instituições e pessoas envolvidas com a valorização e preservação das culturas de matriz africana. Esta mobilização tem por finalidade  debater a proposta de cancelamento do feriado do Zumbi dos Palmares no dia 20 de novembro, além do cancelamento dos editais para o segmento afro-brasileiro.
Atenciosamente,
José dos Santos Oliveira
Diretor Executivo do CEPERJ

Editorial

Enquanto a sociedade brasileira e seu movimento social,  preocupava-se com as diatribes do maquiavélico deputado federal, Marcos Feliciano, a nova velha direita direita brasileira armava das suas.

Ocupava postos nas rearrumação da base governamental e, sobretudo municiava-se juridicamente para atacar os ganhos da sociedade civil, garantidos pela Constituição de 1988 e seus aperfeiçoamentos confirmados pela Suprema Corte, tais como foi, a aprovação unãnime pelo STF, da constitucionalidade da aplicação de cotas e a união homoafetiva.

Terras e cotas, direitos individuais, direito à diversidade, direito à opção sexual, direito às terras indígenas e quilombolas e inclusão dos excluídos da cidadania na sociedade brasileira, são entre outras reivindicações. os pilares das propostas de mudança que a sociedade nacional clama há séculos, notadamente desde 1988, data da “Abolição Inacabada”, inacabada como a Constituição de 1988.

Justamente um advogado, do Estado do Maranhão de maioria negra e uma poderos local e nacionalmente elite branca, especialista em pegar todas as “cotas” para si, o “Senhor Causídico” Pedro Leonel Pinto de Carvalho, busca girar a roda da história ao contrário e mandar de volta para a senzala, os “Tambores de São Luis”, tão decantados por Josué Montello.

Questionar as políticas de ação afirmativas é questionar, os avanços duramente conquistados por nossa sociedade, através da construção de nossa democracia, ainda tenra mas persistente.

O que existe por trás desta provocação advocatícia, acatada com mais um prego na ferradura do racismo sibilino, por um juiz, federal do Maranhão, só pode ser parte, de  uma ação concertada das forças mais retrógradas do país resistentes ao desenvolvimento igualitário do Brasil: Terras, territórios e direitos iguais para todos. é o que querem impedir. Desde 1988 estes mesmos homens são contra qualquer tipo de reparação aos maus-feitos no passado e principalmente no presente. Querem um habeas-corpus preventivo,para continuarem usufruindo de 100% da cotas da riqueza nacional.

A Rede Mamaterra endossa os protestos e estárá presente hoje, na reunião convocada pelo presidente da Fundação Palmares, no Rio de Janeiro.

Convite 23 de maio

Na boca do dia da República Prefeitura do Rio congela caderneta de Poupança do Quilombo do Sacopã


Eva Manuela da Cruz

+++Eva Manuela da Cruz

Mãe Original do Quilombo do Sacopã, está muito preocupada com seus descendentes quilombolas aqui nesta terra sem paz:

Depois da grande vitória na Câmara de Veradores em agosto de 2012, quando a maioria dos vereadores derrubarou o VETO do prefeito Eduardo Pais ao projeto-lei dos vereadores Reimont(PT) e Eliomar Coelh(PSOL), que tornou a áre do Quilombo do Sacopã, em ZONA ESPECIAL DE INTERESSE CULTURAL DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO,  a vida das famílias do Quilombo do Sacopã se transformou em um verdadeiro inferno.

Lembrando o malfadado ex-presidente Collor de Mello, CONGELARAM A CADERNETA DE POUPANÇA DO HERDEIRO DIRETO E FILHO DE EVA MANUELA DA CRUZ, A MÃE ORIGINAL DO QUILOMBO DO SACOPÃ E QUE A 40 ANOS INICIOU A CRUZADA DE RESISTÊNCIA PARA QUE SEUS DESCENDENTES TIVESSEM DIREITO À TERRAS DE SEUS ANTEPASSADOS.

Em pleno feriado republicano, sem dinheiro no bolso, família Sacopã se pergunta para quem apelar?

O  CONGELAMENTO DAS MAGRAS POUPANÇAS DE LUIZ SACOPÃ FOI REALIZADO SEM NENHUM AVISO OU NOTIFIÇÃO POSTERIOR  E NAS VÉSPERAS DO FERIADO DO DIA DA REPÚBLICA  NO MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA  E SÓ NA PRÓXIMA QUARTA-FEIRA O FORUM PARA EMBARGOS E RECURSOS ESTARÁ FUNCIONANDO.

O bloqueio da conta de poupança foi ordenado pela juiza Cristiana Aparecida de Souza Santos da 12 Vara de Fazenda Pública da Comarca da Capital a pedido do Município do Rio de Janeiro.

Fotos e notícia:marcos romao

Afropress informa:Educação étnicorracial será tema na Federal Fluminense


Educação étnicorracial será tema na Federal Fluminense
Por: Redação: Rosiane Rodrigues – Fonte: Afropress –

Rio – Relações étnicorraciais e intolerância religiosa serão os temas debatidos no primeiro evento brasileiro independente no modelo TEDx (Technology, Entertainment and Design), com foco na educação, que acontece nesta sexta-feira (03/08) na Universidade Federal Fluminense (UFF).

O modelo surgiu na Califórnia em 1984, e já teve como palestrantes, entre outros, o fundador da Microsoft, Bill Gates, o ex-vice-presidente americano, Al Gore, a escritora chilena, Isabel Allende, e o ex-premiê britânico Gordon Brown. As palestras com duração de 18 minutos ficam disponíveis gratuitamente no site oficial do evento.

O modelo prevê também eventos independentes no mesmo formato, os TEDx. O da UFF será um desses. O primeiro no Brasil foi o TEDxSãoPaulo, em 2009. Depois dele, quase 100 aconteceram aqui no país.

No Rio, serão 12 palestrantes, entre mestres, cientistas e artistas de diversas áreas de conhecimento. O objetivo das palestras é apresentar experiências inovadoras e propostas críticas e práticas que influenciem o aprendizado e o pensamento educacional. Os palestrantes não são remunerados e toda equipe do evento é de voluntários.

As conferências serão transmitidas ao vivo pelo site www.tedxuff.uff.br , bit.ly/tedxuff ,e www.mamaterra.org   A Afropress e a Mamapress são parceiras do evento.

Julio Tavares

“Educação hoje é o grande desafio do Brasil. E uma vez mais se confirma a total falta de coragem dos governantes e da própria composição política do país. Todo mundo usa educação como retórica. Mas na hora da virada, como Japão, Coreia e África do Sul fizeram, falta coragem”, explica Júlio Cesar de Tavares (foto), fundador do Laboratório de Etnografia e Estudos em Comunicação, Cultura e Cognição (LEECCC) da UFF e organizador do evento.

Tavares acrescenta que o TEDxUFF apenas começa no dia 03. “Todo o evento é preparado para ser transmitido online. É como um programa de televisão com auditório selecionado, que ficará para a posteridade. As conferências serão vistas online e depois de editadas, a partir do dia 20 de agosto, ficarão disponibilizadas no site do TEDxUFFF e no do TED para sempre”.

Quem são os palestrantes

Não é exagero afirmar que o TEDxUFF vai reunir os melhores pensadores da atualidade, principalmente nas questões que envolvem diversidade e acesso à educação. Por exemplo: Muniz Sodré irá abordar a “Educação e novos agentes produtivos”; Petronilha Silva fala sobre “Relações etnicorraciais e educação”; Carlos Eduardo Mathias Motta, explica seu conceito de “Matemática Humanista: uma perspectiva cultural no Ensino para Deficientes Visuais por meio de Ritmos Musicais”, e muito mais.

Você pode conferir todos os temas das conferências no site http://www.tedxuff.uff.br

O que é o TEDx:

O modelo TED (Technology, Entertainment and Design) surgiu na Califórnia em 1984, e o primeiro no Brasil foi o TEDxSãoPaulo, em 2009. Depois dele, quase 100 aconteceram no país.
O TEDxUFF acontecerá no auditório da Ampla com participação presencial de apenas 100 espectadores, atendendo às normas do TED. Mas, o evento será transmitido ao vivo no site a partir das 9h30m, e poderá ser assistido depois via Facebook, em . No Twitter, o endereço é @TEDxUFF. A Afropress fará a cobertura dos debates em tempo real, trazendo para você o melhor dos palestrantes.

Tavares, com o apoio de nove pessoas do LEECCC, conseguiu montar o evento inteiro com todos participando como voluntários.

“Os recursos da Ampla, patrocinador do TEDxUFF, iam direto para os fornecedores” conta Tavares, que produziu o evento com apoio da Fundação Roberto Marinho, da FEC (Fundação Euclides da Cunha), do Programa de Pós-graduação da UFF, da Agência de Inovação/PROPPI-UFF, da WebTV/UFF e da Fundação Getúlio Vargas.

O organizador explica que, além da importância do evento, ele também já está servindo para disseminar a ferramenta. Segundo ele, a grande maioria dos acadêmicos desconhecia o modelo TEDxUFF e vários professores já estão se organizando para reproduzir a fórmula em suas próprias universidades pelo Brasil afora.

Romao no Brasil


Filé entrevista Romao na saída do IV Seminário do Negro No Rio, com o tema “Repensar o Negro”.

Tirando a corda do pescoço. 20 de Novembro dia Nacional da Consciência Negra.


Voltando de um atendimento pelos direitos Humanos em Hamburgo. Deu certo!

por marcos romão

Eu trabalhava na época na Fundação leão XIII no Rio de Janeiro. Supervisionava como sociólogo, projetos sociais nas favelas e conjuntos habitacionais no RJ. Assistia no dia a dia, como outros funcionários, como eram tratados os jovens pobres e negros pela polícia militar.
Um exemplo que me ficou na memória aconteceu no Conjunto Habitacional Cesarão:

Prenderam 20 muleques que jogavam bola e os levaram caminhando por  5 quilômetros até quartel em Campo Grande.

Algemados e com as mãos atreladas aos estribos dos soldados a cavalo, com as mãos imprensadas entre as botas dos soldados e o os estribos de ferro, os dedos eram esmagados lentamente ao trote dos cavalos com e sem fardas.
Estas e outras barbaridades eu assistia e quando reclamava, diziam que eu acobertava bandidos, e que tomasse cuidado pois não só poderia perder o emprego como a própria vida.

Eram os fatos que ninguém, nem políticos da oposição sabiam que acontecia no outro lado do túnel. Era o terror do estado ditatorial, a formar cordeiros humildes ou futuros vingadores que se tornariam bandidos. Eram garotos que eu conhecia.

Desses garotos, um eu encontrei 20 anos depois ao visitar uma cadeia. Aprendera a atirar com a mão esquerda, virara fera com a mão que sobrou da tortura pública e continuada.

Esta reportagem sobre 17 homens negros amarrados pelo pescoço no morro dos Macacos em 1982, foi uma “coincidência” que eu esperava acontecer a anos .

Vídeo Realizado por Vik e Ras Adauto da Ngubarijo produções

Maria Sampaio Dantas, assistente social que trabalhava comigo, voltava da Cidade de Deus de carona numa “Brasília” do Jornal do Brasil.
Ao passarem pela beira da estrada de Jacarepguá, no alto da montanha, o motorista chamou a atenção do repórter para aquela cena dantesca. 17 homens amarrados um ao outro pelo pescoço, esperavam o “Coração de Mãe” que os levassem para averiguação.

O repórter comentou que nos EUA fotografar esta barbaridade lhe daria o prêmio “pullitzer”. “Mas não dá nem para parar. É arriscado”, repetiu.

Malu a minha amiga assistente social, disse: “Não tem problema, para aí e deixa comigo”.

A Brasília parou, ela desceu com aquele seu jeito louro, e cumprimentou o cabo o chamando de doutor sargento. Perguntou se ele não gostaria de tirar uma fotos juntos com esses “bandidos” para o JB. Ele e os outros soldados aquiesceram, e trataram de posar bonito, pois quem sabe, imaginavam, ganhariam uma promoção!

Malu chegou esbaforida, no escritório central da Leão XIII, lá na Senador Dantas : “Romão, Romão, vamos lá fora, preciso lhe contar uma coisa, vamos tomar um chope no Amarelinho”. Os outro funcionários nem desconfiavam, e ela era uma da poucas que sabiam que eu era do movimento negro.

Me contou e saí de lá, e conversei com Marcelo Cerqueira que era meu vizinho em Santa Teresa. Eu queria o telefone do editor do JB, queria saber se a foto ia sair, falei também com Modesto da Silveira, mandei recado por um padre, até para o conservador Arcebispo Eugênio Sales. Consegui achar o Caó em campanha para deputado federal no Amarelinho. Ficamos empetelhando o pessoal do JB, eles queriam publicar na parte policial, sem alarde.

O governo era de oposição à ditadura, MDB, mas com a mácula Chaguista.

Os grande acordos estavam sendo tratados, pois a vitória era certa do candidato do Chagas Freitas Miro Teixeira, ou do Gato Angorá Moreira Franco. Ninguém queria arriscar o emprego ou a eleição. Mas creio que o Zuenir tava na área e soube depois, que ele teve uma reunião acalorada e decidiram botar a foto dos negros com a corda amarrada no pescoço, na primeira página ao lado de uma reprodução de Rugendas do tempo da escravidão. que não tinha tirar nem por.

Corri para minha organização, o IPCN, onde estava organizando o Sos Racismo e Discriminação Racial, com Christina Ramos.

Falei para diretoria o que estava acontecendo. Resolveram marcar uma reunião para o dia seguinte, me irritei e falei que estaria nas escadarias da “Gaiola da Loucas ” às 6 da manhã!

Com o jornal na mão e uma corda amarrada no pescoço, junto com meia dúzia de militantes negros, como Maria Alice, ficamos rodando e conversando com as pessoas com as fotos nas mãos.

11 horas da manhã, já tinha uma multidão indignada em frente às escadarias da Cinelândia. Políticos começaram a chegar e, até as turmas do MDB e do PDT que saiam no pau todo dia se juntou. Apareceu um megafone, foi uma boa pois já tava rouco..
Minhas lideranças que também acabavam de chegar propuseram, que saissímos em caminhada para a OAB, do outro lado da Praça. Já estava cercada.

Num arroubo propus que fossemos direto para a sede da polícia na famosa rua da Delação, desculpem rua da Relação, sede do comando militar do Leste e da Secretaria de Segurança, pois era um general do exército quem comandava a PM na época, PM era só figurinha para baixar pancada.

Em lá chegando, a frente do quartel general estava vazia, como eu esperava. Os carros choques que estavam em frente à OAB, não foram tão rápidos para chegarem até lá, como nós que estávamos a pé.

Invadimos o prédio e chegamos ao Comando Central, miolo da repressão durante 21 anos de ditadura no Rio de Janeiro.

O general Cerqueira, do exército, não apareceu para falar com a comissão atrevida. Mandaram o então chefe do comando maior, o negro coronel da Escola do Comando maior, que era seu xará, também um Cerqueira. Só que Carlos Magno Nazareth Cerqueira
Deu o maior “branco” no salão, aquele monte de negros revoltados dando de cara com um coronel negro da PM, que ninguém tinha antes sabido que existia. Foi um choque.

Meses depois de eu ter lhe chamado de álibi de pele preta, começamos uma amizade só encerrada com o seu assassinato  em 2001, por vingança por sua ação posterior à ditadura em prol dos direitos humanos e reforma da polícia militar, mas isto são outras estórias, vou dormir emocionado, nesta véspera do dia Consciência Negra, no 20 de novembro de 2010.

Já está na hora de eu voltar ao Brasil. Já está na hora de começarmos tudo de novo. Tem muita gente com a corda amarrada no pescoço. E como na época de outrora, no momento nossas lideranças no país estão cuidando de outros assuntos mais “importantes”, tais como quem vai ganhar eleições. O terror que o pequeno sofre não interessa a ninguém.

Zumbi tá puxando as orelhas de muita gente!

Axé, pará nossa garotada bonita, que apesar dos baculejos policiais, estão a transformar o Brasil. Pois não tenho até hoje nenhum prazer em falar destas coisas ruins. Preferiria que violência parasse de acontecer.

João Marcos Aurore Romão, do auto-exílio semi-empurrado em Hamburgo Alemanha.
Texto para ser lido de baixo pará cima!