É no Brasil. Árbitro de futebol é chamado de macaco e tem seu carro quebrado por torcedores racistas.


O silêncio e o isolamento dos negros no Brasil precisa acabar.
Me pergunto sempre que mecanismo é esse que impede a um negro buscar outros negros para lutar junto, que faz com que os negros silenciem e só quando pensa em seus filhos abre a boca e chora diante da imprensa?
É, o isolamento dos negros no Brasil tá matando mais por dentro do que o próprio racismo.
Parabéns árbitro Marcio Chagas da Silva por abrir a boca. Estamos aqui para apoiá-lo.
Vamos ver se a Presidenta e as autoridades brasileiras, vão se importar em coibir os racistas nacionais!
Vamos ver o que o Tinga tem a falar agora!( Marcos Romão)
Jones Lopes da Silva

Ao chegar em casa em Porto Alegre após o jogo da noite em Bento Gonçalves, o árbitro Márcio Chagas da Silva encontrou a mulher, Aline, dormindo. Estava sob forte efeito das agressões racistas sofridas no estádio horas antes na Serra. Ofensas do tipo “macaco safado” e “volta para a selva, negro” que ouvira na partida não lhe saíam da cabeça. Queria desabafar, mas não acordaria a mulher no início da madrugada. Foi ao quarto do filho, Miguel, de 10 meses, que também dormia, e decidiu: não se calaria diante da humilhação.

Foto: Diego Vara

Foto: Diego Vara

Lembrou que há quase 10 anos, em 2005, sofrera os mesmos xingamentos em jogo do Encantado contra o Caxias, no Estádio Centenário. Na época, o técnico Danilo Mior, do Encantado, o chamou de “negrão coitado”. Márcio relatou em súmula e Danilo acabou suspenso por 60 dias pelo tribunal da Federação Gaúcha de Futebol (FGF). Zero Hora contou a história daquela agressão. Márcio comentou:

– Esses casos acontecem sempre na Serra. É muito difícil trabalhar lá.

Agora, o árbitro volta a sentir a revolta. Passado tanto tempo, continua a suportar o estigma de ser árbitro negro no interior gaúcho.

– Pensei: não quero que meu filho sofra o mesmo daqui a 10 anos – murmurou o árbitro.

Foi para o notebook, queria redigir a súmula e, com tanta revolta, não sabia por onde começar. Iniciou a redação e resolveu transformá-la em e-mail, que enviou como um desabafo a amigos. A súmula faria depois.

Diz assim a mensagem, escrita na madrugada:

“Ontem à noite (quarta-feira) fui recebido de forma hostil, algo que não é novidade, mas também com insultos racistas desde a entrada em campo (…). Fui chamado por parte de torcedores do Esportivo com as seguintes palavras: “Macaco safado ladrão, volta para selva negro imundo”. Além destes elogios todos, meu carro foi amassado a pontapés nas portas e arranhado com algum objeto contundente, sendo que colocaram bananas por cima do carro e no cano de escapamento (…) Fica o triste registro do ocorrido! Márcio Chagas.”

Ontem, Márcio Chagas de novo se emocionou ao lembrar de Miguel dormindo.

– Eu pensei em parar de apitar – disse ele. – Qual o mundo que o meu filho vai encontrar?  – Não sou eu o errado. Decidi desabafar, é a melhor forma de ajudar Miguel.

Reveja a reportagem sobre racismo publicada por ZH em 2005:

 racismo

Caso King Kong Clip: Jornalista do SRZD canta Ju Chocolate em plena entrevista.


O caso Alexandre Pires e seu montão de King Kongs no Youtube, é um mico de tres pessoas famosas que não precisavam dar uma dessas, mas que já está provocando um série de micos, desde MPs sem objetivos claros, até escorregadelas nas cascas de bananas racistas e sexistas espalhadas nas redações da imprensa brasileira.

Em uma entrevista  entitulada ” Ex-Chan, que participou da “Dança do Kong”, acha que envolver o MP é “exagero”,  o entrevistador Roberto Kuelho, depois das perguntas de praxe tipo, já foi discriminada, acha que foi racismo? E a quele rol de perguntas de quem objetivamente quer descaracterizar qualquer situação racista, partiu para as perguntas sobre carreira e vida sentimental da Ju Chocolate.

Pensei que que a entrevista ia acabar por aí, pois o papo já estava ficando chato. Mas parece que quando o tema envolve racismo e sexismo e além do mais, mulheres bonitas e famosas, alguns jornalistas perdem a noção de fronteira. Pois não é que o jornalista como que caindo do céu, pergunta a Ju Chocolate o que  um homem precisa ter para conquistar seu coração e arremata perguntando qual seria o ambiente perfeito para passar uma noite de amor?  Perguntas que pelas palavras do  próprio autor, deixaram a moça sobressaltada e envergonhada.

Pois é minha gente leiam a entrevista e me respondam, sobre o que pensa e vai na cabeça de um jornalista que faz uma pergunta destas, em um contexto de uma entrevista em que este não era o assunto. Ou será que pelas respostas de Ju Chocolate, digamos um pouco fora da consciência política dos negros no Brasil atualmente, o Roberto Kuelho achou que era uma presa fácil do racismo cordial brasileiro? Marcos Romão

“SRZD – O que um homem tem que ter para conquistar a Chocolate?

Ju – Acima de tudo tem quer divertido, inteligente, dedicado e disposto 100% a fazer uma mulher feliz.

SRZD – A noite de amor perfeita seria em qual ambiente?

Ju – Pulaaaa… (rindo e visivelmente envergonhada).

SRZD – Já recebeu uma proposta indecente?

Ju – Ih… já! Principalmente de trabalho. As pessoas confundem muito bailarina/dançarina com outras coisas. Nada contra, mas estudei e ralei bastante para fazer tudo que fiz até hoje. Mas, eu não dou brecha e nem oportunidade, porque levo tudo que faço muito a sério, seja no trabalho ou mesmo em um relacionamento.”

Leiam a entrevista completa no SRZD