Dirigente sem-terra é executado com tiros na cabeça


Alagoas 24 horas

Um dirigente sem-terra foi brutalmente assassinado com tiros à queima-roupa no início da manhã desta sexta-feira, 22, na cidade de Japaratinga, litoral norte de Alagoas.

Edmilson Alves foi executado com três disparos de arma de fogo na região da cabeça

Edmilson Alves foi executado com três disparos de arma de fogo na região da cabeça

De acordo com a polícia, Edmilson Alves da Silva, 45 anos, foi executado com três disparos de arma de fogo. Os tiros atingiram a cabeça da vítima que não resistindo aos ferimentos entrou em óbito na hora.

Populares informaram a polícia que o crime teria sido provocado por dois homens em uma motocicleta que teriam chegado por trás da vítima e efetuado os disparos à queima-roupa.

Ainda de acordo com as informações, o dirigente estava em uma parada de transporte intermunicipal na entrada do Assentamento Irmã Daniela, quando foi surpreendido pelos algozes. A vítima seguia para a cidade de Maceió.

As motivações do crime e as identidades dos algozes ainda são desconhecidas pela polícia. O crime deverá ser investigado por agentes da Polícia Civil da cidade.

São esperados no local equipes do Instituto de Criminalística e Instituto Médico Legal para os devidos procedimentos.

A Quebra de Xangô 1912: O progrom alagoano contra o Candomblé.


por Marcos Romão,

quebra de xangôConheci em Hamburgo onde eu morava com minha esposa Ortrun Gutke, o professor, pesquisador-antropólogo e apaixonado pelas culturas populares Siloé Amorim. Ele nos visitou no Centro Cultural Quilombo Brasil, no centro da cidade, onde tínhamos a sede da Radio Mamaterra,  para projeção de seu filme, “1912 A Quebra de Xangô.

Na oportunidade tomei pela primeira vez conhecimento, da hecatombe que se abateu sobre os terreiros de Candomblé de Alagoas em 1912, lá os terreiros de candomblé eram conhecidas como “Terreiros de Xangô” ou simplesmente Xangôs.

A partir de 2 de fevereiro de 1912,  a milícia armada denominada Liga dos Republicanos Combatentes, comandada por um sargento que atuara em Canudos, seguida por uma multidão enfurecida atacou os terreiros de Candomblé em Maceió.

Os Babalaorișas e as Yalorișás foram retiradas à força dos de seus templos e agredidas fisicamente. Tiveram seus paramentos e objetos de culto sagrados saqueados, expostos durante procissões, que percorriam a cidade com os “troféus” roubados, para ao final da procissão católica, queimar os objetos de culto do Candomblé em praça pública, numa demonstração de fervor religioso fundamentalista, racismo, preconceito e ódio a tudo que transparecesse como manifestação religiosa  de matriz africana.

As perseguições e destruições iniciadas na capital de Alagoas, prosseguiram de forma sistemática em todo o interior o estado, primeiro através da Liga de milicianos,  depois pela polícia, que nunca registrou nenhum destes ataques, saques e violências contra os “Xangôs” de Alagoas.

A maioria dos seguidores dos Orișas fugiu para outros estados para não morrer nas mãos das turbas de racistas e fundamentalistas religiosos.

Este filme é o início do resgate da relação durante a república que o estado de Alagoa teve e tem com os negros e com os seguidores das religiões de matriz africana durante todo o período republicano.

Estudar história da “Quebra de Xangô”, pode ser um caminho para a compreensão do que aconteceu nos outros estados do Brasil, em que a perseguição religiosa aos cultos de origem africana, foram também cruéis e sistemáticas.

Conta a tradição oral que a Yalorișa Marcelina, depois de ter seus braços e pernas quebrados pelos linchadores enfurecidos dizia em voz alta:

” Bate moleque, lasque  a cabeça, quebre braço, quebre perna, tira sangue mas não me tira a cabeça!”.

 

 

Sou mãe de filho morto, dona!


por Arísia Barros

Monumento da Mãe Preta Foto: Diadorim Ideias/Isabela Kassow

Monumento da Mãe Preta
Foto: Diadorim Ideias/Isabela Kassow

Ela senta do meu lado, no banco do ponto de ônibus, e pergunta:

– Não é a senhora aquela dona que apareceu no jornal da televisão falando sobre  a morte de negros?

Sim- respondi- sou eu. E fico matutando sobre o poder massificador da mídia.

Ela vai falando sem reticências:- Eu sei do que a senhora fala, mataram meu filho e quase ninguém chorou pela morte dele. Eu que sou a mãe, sei a falta que ele vai fazer na minha vida. Era o meu único filho homem, dona. A polícia diz que ele era traficante, mas, eu disse e continuo dizendo que isso é mentira.

Meu menino era trabalhador, me ajudava com os irmãos e estudava a noite e quando aescola não estava em greve, não perdia uma aula. Precisava ver que letra bonita ele tinha.

Era cheio de sonhos, o meu menino, queria ser advogado. Dizia que ia defender-de graça- todos os pobres da grota que  a gente mora.

Lá na grota falta tudo, Dona, água, muitas vezes  falta comida e quase sempre falta sossego, quando a gente fica sem as coisas para dar os filhos  o juízo queima e dá uma  agonia… Aí quando meu filho me via aperreada arrumava uns bicos, além do trabalho de entregador: limpava chão,  recolhia lixo só para arrumar uns trocados e  me vê feliz.

Toda vizinhança conhecia meu filho e  pode falar a mesma coisa dele.

Era um menino de ouro, o homem da casa, e agora sou mãe de um filho morto.

Mataram meu filho, Dona, porque ele era preto e morava na Grota, até tapa na cara levou e depois  encherem de tiro.

Interrompo o desabafo-relâmpago e pergunto-lhe: Quantos anos tinha seu filho?

– Ia fazer 14 agora em maio- responde.

As lágrimas secas transbordavam no tremor da voz daquela senhora, que  após o desabafo, apressou-se- enxugando as lágrimas com as costas das mãos- para apanhar o  coletivo que a levaria à casa. Deu-me  um ligeiro   aceno e partiu.

A máquina genocida em Alagoas continua moendo os corpos invisíveis dos pretos, preferencialmente nas senzalas urbanas!

O racismo aprisiona. O racismo fere. O racismo mata.

Sou mãe de filho morto, dona!

fonte:Raízes da África

Em Alagoas todo dia se mata um jovem Zumbi!


por Arísia Barros

jovem negro morto em alagoas

imagem do filme Besouro.

Em Alagoas o genocídio de jovens negros e pobres é igual à morte de bicho sem dono.
Meninos e adolescentes, jovens negros em Alagoas estão sendo triturados, no dia-a-dia, pela enxurrada torrencial da violência que expõe o altíssimo grau do descaso institucional em relação a qualidade de vida da sociedade tutelada, na hegemônica terra de Cabral.
O povo de pele preta é maioria invisível.
Nossos governantes trazem o estigma escravocrata e o silêncio velado do desconhecimento histórico consciente e ideológico, carregado de contradições e ambigüidades.
Não há alteração na rota do racismo, nas Alagoas de Palmares.
genocídio em alagoasQuem sabe na rota do Imperador ou na rota do Mapa da Violência 2012. Os Novos Padrões da Violência Homicida no Brasil ?
O Mapa da Violência é feito cartografia da carnificina da população jovem e negra, em Alagoas.
Segundo o discurso, com concepção estreita, de campanha e agora oficial do governo do estado de Alagoas, as mortes crescentes de jovens negros e pobres são justificadas pelo uso do crack, “a moçada das drogas”.
As mortes dos jovens negros e pobres os-filhos-dos-outros-da-grota-pobre-e-distante que perdem a vida nessa limpeza étnica e social, não nos interessa.
A bala de doze que explode o crânio de jovens negros é naturalizada, afinal é o povo sem staff, nem partidos políticos para levantar bandeiras ou mobilizar a sociedade.
A bala de 12 que espalha sangue e esvai vidas jovens em asfalto quente, não nos interessa.
É pesada e persistente a chaga do racismo que tem a nossa anuência: de uma ampla parcela do povo alagoano, em cumplicidade com a elite dominante : homens,brancos,ditos heterossexuais, ditos católicos.
A bala perdida em Alagoas tem alvo certo: negro, jovem, pobre, morador de grotas
Alagoas é um estado acéfalo no quesito direito humanos relacionados à população negra.
Em Alagoas o genocídio de jovens negros e pobres é igual a morte de bicho sem dono.
Alguém diz o contrário?

Hoje tem Abddias no cais do Valongo


Hoje, 23 de maio próximo, completa-se um ano que Abdias Nascimento se juntou aos ancestrais.

A família e o Ipeafro, instituição que ele criou, vai marcar a data com uma cerimônia inter-religiosa que terá início na sede da Ação da Cidadania, terminando no sítio arqueológico do Cais do Valongo. Em seguida, um ato cultural na sede da Ação da Cidadania.

A programação inclui a estreia do documentário Abdias Vive!, de Fernando Bola, que registra a cerimônia de deposição das cinzas de Abdias na Serra da Barriga, Alagoas, em novembro de 2011.

Além disso, leituras de poesias e apresentações ao vivo de

– G.R.E.S. Acadêmicos de Vigário Geral, que teve como tema de enredo de 2012 a vida e obra de Abdias Nascimento

– Regional Saci Chorão, porque o choro morava no coração de Abdias.

É um momento de confraternização e o evento é aberto!

 23 de maio de 2012, quarta-feira

Sede da Ação da Cidadania Contra a Fome e a Miséria e Pela Vida

Avenida Barão de Teffé, 75 – Bairro Saúde

Zona Portuária do Rio de Janeiro

Em frente ao sítio arqueológico do Cais do Valongo

 

16h

Cerimônia inter-religiosa em memória de Abdias Nascimento

Terminando no sítio arqueológico do Cais do Valongo

 

18h às 21h

Apresentações culturais

Centro de Cultura e Cidadania

Sede da Ação da Cidadania