Pai do MC Criolo preso por “sequestrar” filho menos escurecido no hospital


criolo e seu pai

Ao lado do pai, Cleon Gomes, o rapper Criolo (Kleber Cavalcante Gomes), nascido na Favela das Imbuias, zona sul de São Paulo, fala sobre desigualdade social e racial, sobre a falta de perspectiva dos jovens da periferia, preconceito e racismo. E conta como seu pai, ao levá-lo para ser socorrido num hospital após um acidente doméstico, foi acusado pelos próprios funcionários do hospital de tê-lo sequestrado.

Reprodução da entrevista de Claudia Belfort e André Caramante da Ponte Jornalismo
Imagens e edição: Gabriel Uchida e Leonardo Lepri

por marcos romão

Quando vejo o grande compositor, cantor e MC, Criolo ao lado de seu pai, penso que poderia ser meu filho mais velho, o Jorge Samora, levam o mesmo jeito.

Sermos pais ou mães negros e negras de filhos mais ou menos escurecidos não é mole não.
Vivemos um momento crucial em nossa sociedade. Avanços democráticos e melhorias sociais e econômicas são visíveis em todo o país, ao menos no crescimento da população que pode consumir. Ao mesmo tempo vemos o aumento vertiginoso da violência em nossas cidades grandes, médias e pequenas e um número de assassinatos que atingiu um caráter de endemia social.

Neste quadro de violência vertiginosa em que vivemos, nós pais e mães negros, ou pais e mães brancos de filhos e filhas negras, vivemos uma tensão especial. Nossos filhos e filhas são o alvo principal dos atos violentos que lhes custam a vida, ou sequelas psicológicas indeléveis, provocadas pelo racismo de que são vítimas ou são testemunhas e com as quais eles elas vivem por toda a vida, como uma bomba de tempo que pode eclodir em depressões, suicídios ou atos violentos contra si e contra a sociedade.

Criolo falou de sua vivência e cruel experiência com o racismo ao lado de seu pai. Está aí um caminho que todos podemos seguir. Discutir o racismo em todos os lugares, tirá-lo de debaixo do tapete, mostrar onde existe e como agem os racistas e combatê-los.

Valeu Criolo! Tem que falar, falar junto do pai é mais amor ainda. Tem que falar do racismo, tem que falar toda hora para mudar o que está aí. ” Quanto mais a gente ganha, mas sofre por ver os outros por aí…” Falou crioulo! É nas conversas de família, no trabalho, nas escolas, nas igrejas e nas quebradas. São em todos os lugares que devemos falar do racismo e da divisão estilo apartheid que vivemos no Brasil. A benção ao teu pai!

Para seguir o exemplo de Criolo e seu pai, conto aqui uma das”vivências”, enquanto pai preto de filhos pretos mais e menos escurecidos:

RTEmagicC_BlaualgenKinderAmWasser.jpg (1)Certa vez, eu estava em um parque com minhas duas filhas gêmeas e caçulas. Estavam com três anos de idade. Foram fazer xixi atrás de um arbusto, enquanto eu fiquei de guarda. Passou um homem fazendo “jogging” que me olhou com espanto.

Meia hora depois, o parque muito frequentado por estudantes de países africanos, estava cercado por policiais. Minha filhas haviam voltado para brincar nos balanços e a uns trinta metros de distância, podíamos ver que os estudante eram recolhidos pelos policiais e colocados sentados no chão próximo a um lago, com as mãos para trás algemadas. Fiquei curioso, estariam procurando drogas?

Resolvi perguntar aos policiais o que estava acontecendo, me apresentei, disse que eu estava ali com minhas crianças, e queria saber se havia perigo em lá estar, já que eles faziam um operação que já contava com 20 policiais e 4 carros patrulhas, além de duas motos ocupando o parque.
O comissário me explicou que haviam recebido a denúncia de um possível sequestro de duas criancinhas menos escurecidas por um homem negro, que as haviam levados para trás dos arbustos.

Neste momento minha filhas vieram correndo e já me agarraram nas pernas gritando, “o que houve papai!”. Foi uma troca de olhar rápida entre mim e o chefe da operação “Caça Africano”. Os dois compreendemos no mesmo momento o terrível engano que estava se passando.

Desfeita a operação como todos os estudante soltos, caminhei com minhas filhas para sair do parque por um portão lateral.
Neste momento quase aconteceu uma morte. Uma patrulha que passava pela rua lateral do parque com muitas árvores em volta, viu a mim e as minhas filhas. Jogaram o carro encima de mim, que estava com uma das filhas no colo, quando uma soldada desceu com a pistola engatilhada apontando para minha cabeça.

Foi o momento em minha vida em que senti um medo que eu não conhecia, o medo de ver o medo que aquela jovem soldada demonstrava ao me ver como negro sequestrador.
Gelado e e quase paralisado, vendo a outra filha já agarrada nas pernas da policial, num gesto instintivo para proteger seu pai sobe ameaça de uma arma. Só tive tempo de me atirar contra a porta do carro imprensando a policial, enquanto o seu companheiro de patrulha, mais “calmo”, apontava a arma para mim e minhas filhas.

Também pela primeira vez na vida, senti alívio ao escutar os berros de um policial. O comissário que observava a cena de longe, gritava para a patrulha: “Para, para, o cara é inocente, foi um engano”.
ps: fiquei meses respondendo a um processo por agressão a um policial, que foi arquivado. A polícia não me forneceu o nome do denunciante, que também nunca mais vi no parque em que eu ir sempre passear com minhas filhas.

Se engaje nesta luta da Mamapress pelos direitos humanos e contra o racismo. Acompanhe a nossa página no Facebook Sos Racismo Brasil

O PRIMEIRO ROLÉZINHO SENTADO DA HISTÓRIA DO BRASIL!


O PRIMEIRO ROLÉZINHO SENTADO DA HISTÓRIA!
No dia Internacional Pela Eliminação da Discriminação Racial em homenagem às vítimas do Massacre de Sharperville em 1960 durante o Apartheid na África do Sul.
Jovens negros de todos os bairros do Rio tiveram uma ideia genial!
No cinema da burguesia branca carioca, compraram antecipadamente cem ingressos para a estréia do filme “100 anos de Escravidão”.
Num espaço com 140 cadeiras no cinema do Fashion Mall lá em São Conrado na Barra da Tijuca, os jovens predominantemente negros compraram apenas 100 cadeiras, deixando aberta uma cota generosa para as outras etnias…
Cena do filme ‘12 anos de escravidão’ Divulgação / Agência O Globo

Cena do filme ‘12 anos de escravidão’ Divulgação / Agência O Globo

Rapper Marcello Dughettu organiza rolezinho cultural no Fashion Mall
RIO – Um grupo de cem amigos, predominantemente negros, vai ocupar cem dos 140 lugares do Kinoplex Fashion Mall 1, na sessão desta…
LEMBREI-ME DE 1972 NO BRUNI IPANEMA, QUANDO NA PRÉ-ESTRÉIA DO FILME “WATTSTAX” PRODUZIDO E DIRIGIDO POR NEGROS NORTE AMERICANOS, COMEMORANDO 7 ANOS DA QUEIMA DA CIDADE DE  WATTS NA GRANDE REVOLTA CONTRA O RACISMO E PELOS DIREITOS CIVIS..
200 NEGROS DE TODO O ESTADO DO RIO QUE FORAM VER, VESTIDO COM SUAS MELHORES ROUPAS,  A ESTRÉIA NA SESSÃO DA MEIA NOITE, TIVERAM O ACESSO NEGADO E DEU O MAIOR QUIPROQUÓ!
A GERÊNCIA CHAMARA O BATALHÃO DE CHOQUE AO PRESUMIR SER UMA INVASÃO DO POVO DA CRUZADA SÃO SEBASTIÃO.

Ground Zero-Cotas étnicos-raciais são 10-Marco Zero



enviado por Memorial Lélia Gonzalez

Negro na Líbia tem que andar na sombra. O cordão sanitário da OTAN


O correspondente em Berlim da Mamapress e editor da PPA Berlim, jornalista Ras Adauto publicou o grito de socorro dos negros na Líbia:

foto:internete

“Os ditos rebeldes Líbios, apoiados pela Otan, estao executando negros africanos em massa na Líbia. A maioria desses africanos, vindos da parte subsaariana, da  Nigéria, Gana, Mali, Somália, Sudão e Gâmbia trabalharam durante muitos anos como pedreiros na Líbia. Agora estao sendo acusados de mercenários e de fazerem parte das tropas de Kadaffi.

A Anistia Internacional, que denunciou maus tratos por parte dos rebeldes contra os africanos subsaarianos, confirmou que eles estão efetivamente em situação de alto risco.” leia o artigo completo.

Mamapress responde e replica. O mundo precisa acordar para o que está acontecendo:

Ras Adautos, a Líbia vai funcionar como um cordão sanitário para proteger a Europa dos negros da África. Trágico fato o que acontece em nome dos direitos humanos.

foto:internete

Talvez ajude a começar a revelar o papel do mundo árabe e de sua religião na escravização dos povos negros de África. Dos milhões de escravizados sequestrados da África, 50% fica por conta da “civilização” árabe. Foi o tratado de Tordesilhas da Cor não assinado. Dos presumiveis 32 milhões de seres humanos de pele negra, sequestrados do solo africano, muçulmanos e cristãos dividiram meio a meio o botim.

Batata quente começar a escrever sobre isto, em um momento em que há tanta intolerãncia contra os muçulmanos por parte do lado cristão do mundo. É preciso ter coragem para combater o racismo contra os negros de África, venha de onde vier. Asé, amém, Al Aghbar.

Não falo de história antiga, os intelectuais do mundo precisam ir a fundo no papel de cada “civilização” neste holocausto da África que perdura até hoje. África que continua sendo um quintal para os europeus e seus descendentes no mundo, gastam milhões com bombas em um país, enquanto nos países vizinhos, milhões vítimas da seca não tem o que comer.

Continuamos no salve-se quem puder. Como nos 494 anos de escravização muçulmana e cristã do povo negro de África, negro só pode circular pelo mundo se for presidente, soba, rei ou coisa que o valha. Mesmo assim, nem Obama pode mais passear em civil impunemente pela líbia e pelo mundo.

Tá na cor, irmão, nem botando roupa fina, como pensa seu Jorge no Brasil, nem se pintando de branco na Líbia. O cordão sanitário britânico estende seu império de novo de sol a sol, temos que andar nas sombras até que o sol se ponha.

marcos romão

Berlin, 29.08.2011: Offizielle Einweihung der Gedenktafel am May-Ayim-Ufer/Inauguração oficial da placa de rua May-Ayim-Ufer


Die kleine Straße Gröbenufer in Berlin-Kreuzberg wurde am 27. Februar in May Ayim-Ufer umbenannt.

Heute 29.09.2011 Offizielle Einweihung der Gedenktafel am May-Ayim-Ufer

Aus dem Programm:

13.00 – 13.05 Uhr
Das May-Ayim-Ufer als postkolonialer Aufklärungs- und Erinnerungsort
Elvira Pichler, Vorsitzende Kulturausschuss der BVV
Joshua Kwesi Aikins, Initiative Schwarze Menschen in Deutschland

13.05 – 13.15 Uhr
May Ayim – Person und Werk
ManuEla Ritz, Antirassismustrainerin, Autorin

„Zum ersten Mal in Deutschland wurde der Name eines Akteurs des Kolonialismus auf einem Straßenschild ersetzt durch den Namen einer Person, die sich kritisch mit Kolonialismus und Rassismus auseinandergesetzt und gegen deren Folgen gekämpft hat“

Am 27.02.2010 wurde das ehemalige “Gröbenufer” nach der afrodeutschen Dichterin und Aktivistin May Ayim (*1960 1996) umbenannt. Zahlreiche Vereine und Personen der Schwarzen Diaspora sowie aus der afrodeutschen Emanzipationsbewegung und der Antirassismusarbeit hatten viele Jahre dafür gekämpft. mehr

gekämpft.

May Ayim *1960-1996

“pela primeira vez na Alemanha é substituida uma placa de rua, com o nome de um ator do colonialismo, pelo nome de uma pessoa, que confrontou-se de forma crítica ao colonialismo e ao racismo e lutou toda uma vida contra suas consequências”

Em 27.02. 2010 foi rebatizada a antiga rua “Gröbenufer” com o nome da poeta e ativista afroalemã, May Ayim(*1960-1996). Diversas associações e pessoas da diáspora africana, assim como o Movimento Afroalemão Antiracista e de Emancipação lutaram muitos anos para que isto acontecesse.

Conheci Mai Ayim pessoalmente em 1994, e nosso correspondente da Mamapress, Ras Adauto da “ppaberlin”, está presente no ato em nome do movimento negro do Brasil.

Baderna ou insurreição? Darcus Howe Escritor londrino dá a sua opinião.


Em um momento em que Cameron, o primeiro ministro inglês deseja censurar a internete e cercear as redes sociais na Inglaterra, tomando medidas repressivas que lembram o “Egito e a Tunisia antes da rebelião facebook”: Vale à pena escutar a entrevista dada pelo escritor Darcus Howe à BBC e comentada pelo Jornal Cultura.

Darcus Davis é escritor e militante dos direitos civis. A BBC pediu desculpas pela má educação da  jornalista que o entrevistou.

Choque de culturas? Alemão responde no pé, no VI Dia da Cultura Brasileira no “Planten un Blomen” de Hamburgo


Aconteceu mais um Dia da Cultura Brasileira  em Hamburgo, destas vez com algumas polêmicas nas relações entre os sambistas brasileiros e alemães. Afinal de contas até no Rio de Janeiro, se fala na gíria dos preconceitos,  a frase , ” tem alemão nos samba”,  quando pinta algum imblóglio.

Mas na festa organizada com as tripas e coração há 6 anos, sem nem um pingo de ajuda do governo brasileiro, por Cecíla Simão e Miriam da Silva,  o que rolou foi confraternização e o samba com sotaque não atravessou.

Na frase de Thorstens Hinz, podemos resumir o quiproquó cultural que acabou em samba da seguinte maneira: “ou alemão aprende a pensar na bagunça, ou brasileiro consegue se organizar no samba”.

Nosso repórter de todos os assunto que esteve lá presente só tem a dizer, que depois de 10 anos com brasleiros e alemães saindo nas ruas, entre mortos e feridos se salvaram todos. Pois a organização das “meninas”, que fez lotar  debaixo de chuva, a concha acústica do “Planten un Blomen”, botou no chinelo a máquina burocrática alemã: “As  meninas senhoras”, Cecília simão e Miriam da Silva, ensinaram como é que se pode ter harmonia no caos da alegria de viver.

Asé, saravá, shalom, al-agbhar, amém vamos conversar pra cada vez mais ficar mais tudo bem!

mr.