“INJÚRIA RACIAL” equivale a crime de racismo: imprescritível


A Mamapress publica agora, o terceiro de uma série de artigos sobre as mudanças que aconteceram e que influenciarão os julgamentos de racismo e injúria racial, a partir da decisão do STJ de 1º de outubro de 2015, que tem suas interpretações esclarecidas ao considerar, que o ato de “injúria racial” também é racismo.

“Esse crime, por também traduzir preconceito de cor, atitude que conspira no sentido da segregação, veio a somar-se àqueles outros, definidos na Lei 7.716/89, cujo rol não é taxativo”, afirmou Maranho, sendo seguido pelos demais ministros da 6ª Turma.

“Ninguém, senão a vítima de uma ofensa racial com alusão ao conceito racista do estigma da inferiorização humana, tem idéia da violência psicológica das tais injúrias, em especial nos jovens e crianças ainda não equipados mentalmente para o enfrentamento da sociedade racista. A baixa estima, a evasão escolar, a marginalização e a busca de refúgio em alucinógenos são efeitos colaterais das ofensas racistas.” Do autor.

Como quase passou despercebida esta decisão,  e atos racistas estão aumentando tanto na vida real das pessoas, como nas redes sociais e meios de comunicação. talvez até pelo fato, de “injúria racial” ser considerado um delito menor, prescritível e com condenações risíveis, que agridem mais as vítimas  e pune os racistas, com multas do valor de uma bolsa-família. A Mamapress incia agora a publicação de artigos passados que recolhemos na internet, que poderão servir aos grupos antirracistas, ao advogados e juízes e aos delegados de polícia como informações jurídicas atualizadas,  para que possam agir na coibição do racismo, seja em que forma se apresente.

 

Por J. Roberto Militão

fonte CGN

J. Roberto Militão

J. Roberto Militão

Uma vitória extraordinária na luta contra o racismo: o delito de ´iNJÚRIA RACIAL´ é uma espécie do gênero ´racismo´, portanto, imprescritível e não afiançável conforme a nova jurisprudência do STJ.

Ninguém, senão a vítima de uma ofensa racial com alusão ao conceito racista do estigma da inferiorização humana, tem idéia da violência psicológica das tais injúrias, em especial nos jovens e crianças ainda não equipados mentalmente para o enfrentamento da sociedade racista. A baixa estima, a evasão escolar, a marginalização e a busca de refúgio em alucinógenos são efeitos colaterais das ofensas racistas.

Esse excelente artigo abaixo contextualiza a recente decisão do STJ – Superior Tribunal de Justiça (o órgão máximo de interpretação das leis) a injúria racial (a ofensa pessoal tipo “preto burro”) também é igualado ao crime de racismo, previsto no art. 5º, XLII da Constituição Federal de 1988 e na Lei Federal 7716/89 – a ´Lei CAÓ´ de autoria do jornalista e Deputado Constituinte Carlos Alberto CAÓ de Oliveira = PDT/RJ e que regulamentou pela primeira vez no Brasil, o racismo como crime, logo após a promulgação da Carta Cidadã de 1988.

Acontece que desde a vigência da lei quase nunca foi efetivamente aplicada pois as autoridades policiais, Juízes e Tribunais vinham decidindo que a ´injúria racial´, não se configurava no crime de racismo, conforme a lei constitucional – e que seria um ´delito menor´, sem as cláusulas de imprescritível e inafiançável.

Numa tentativa de dar eficácia à lei de punição ao racismo, em 1997 o então Deputado PAULO PAIM-PT/RS conseguiu aprovar projeto de lei, tipificando a injúria raical, introduzida no art. 140, 3º do Código Penal.

Novamente as autoridades passaram a desclassificar toda denúncia de racismo para o delito do tipo ´injúria racial´, do art. 140 do CP. Não consideravam a injúria racial como ´racismo´ e passaram a não aplicar o rigor da lei 7716/89, e com penas brandas ou alternativas (cestas básicas) o racismo no Brasil continua sendo prática recorrente e impune.

Doravante não podem mais decidir neste sentido!

Por conseguinte e analogia o crime de ´injuria racial´ (art.140, 3º do CP) passam também a serem inafiancáveis. Ou seja, doravante, quem os praticar se preso em flagrante pelo delito de ofensa racial, não será facultado ao delegado nem ao Juiz a fixação de fiança para responder em liberdade.

Assim, os praticantes desses crimes de violação da dignidade humana da vítima, responderá ao processo preso. Uma grande conquista no combate ao racismo!

Saiba mais

Leia sobre o caso Heraldo Pereira Versus Paulo Amorim que deu origem à decisão do STJ

Opinem!!!! Não tenham medo das chibatadas do “professor”. Paulo Cesar Caju fala para os jogadores da seleção sobre declarações de Dunga


Paulo Cezar Caju, campeão mundial de 1970 - Foto: Margarida Neide | Ag.

Paulo Cezar Caju, campeão mundial de 1970 – Foto: Margarida Neide | Ag.

TchauDunga!!!!

Ei, Jefferson, você gosta de apanhar? E você, Miranda?

PAULO CEZAR CAJU

publicado originalmente na Coluna do Moreno

Em 1968, aquele timinho “ruim” do Botafogo, com Gérson, Roberto Miranda e companhia, foi a Bagé, no Rio Grande do Sul, numa excursão. Na folga, saímos para jantar, mas na porta do restaurante do Bagé Country Clube havia um cartaz: “Proibida a entrada de negros”.

Lembrei da minha mãe, que só entrava no Fluminense pela porta dos fundos e outras tantas humilhações sofridas por nossa gente. Quantas noites difíceis de dormir, um inferno. O que me livrou das gastrites e úlceras da vida foi o fato de sempre colocar a boca no mundo, denunciar, não deixar passar em branco, extravasar. Sempre acreditei que o tempo mudaria a mentalidade dos homens, pura ilusão.

Anos e anos depois, no mesmo dia em que a Suprema Corte dos Estados Unidos legalizou o casamento gay em todo o país, Dunga, o capataz da seleção, deixou aflorar o seu verdadeiro lado e disse que “sentia-se como os afrodescendentes, que gostam de apanhar”.

Ei, Jefferson, você gosta de apanhar? E você, Miranda? Abram a boca, Elias, Fred, Fernandinho, William, Robinho!!!! Posicionem-se!!!! Opinem!!!! Não tenham medo das chibatadas do “professor”!!! Ou ele pode impor trabalho pesado nos treinamentos?

O valor do homem está na atitude. Abaixar a cabeça é aceitar, é acovardar-se diante dessa declaração estúpida. A mistura de cores é o que move o mundo. A palavra raça deveria ser abolida dos dicionários. E não me venham com essa baboseira de “somos todos macacos”, porque somos todos homens, com diferentes pontos de vista, sim, mas maduros o suficiente para respeitar os quadrados alheios.

26763Hoje morre-se por fanatismo religioso, em disputas políticas, na ganância pelo dinheiro… nas arquibancadas. O futebol deveria ser uma ferramenta para unir os povos, semear a paz, mas até dentro das quatro linhas os trogloditas estão ganhando terreno, ganhando voz.

A Ausência de Técnicos Negros no Futebol


por Hélio Santos

do original Brasil de Carne e Osso

A afirmação absurda do senhor Carlos Caetano Bledon Verri, treinador da seleção brasileira, conhecido por Dunga – apelido, aliás, mais do que pertinente a essa figura – trouxe de volta a mim um questionamento que fiz no final dos anos 1990, quando escrevi o ensaio “A busca de um caminho para o Brasil”. Na ocasião, tive de fazer uso de um subcapítulo inteiro para abordar o racismo no futebol brasileiro.

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Na época questionei: “por que no país do futebol negro os técnicos eram todos brancos?” Para mim, mais importante do que a estapafúrdia fala de Dunga, cabe o questionamento-título dessa crônica. Muitos comentaristas e esportistas dizem que Dunga é burro. Esta não é a verdade completa. Burro e teimoso foi o Felipão, com a sua estratégia de jogo em 2014, ao permitir que o grupo de jogadores acreditassem que a “união” do grupo fosse suficiente para vencer pragmáticos alemães e holandeses, detentores de táticas e práticas bem urdidas por seus treinadores. O Dunga é diferente, ele não é burro, mais, sim, muito burro, o que é fatal. A ênfase é algo fundamental quando se faz análise de qualquer tipo.

A dificuldade de Dunga não é só com as palavras, na eliminação da seleção brasileira para a fraca equipe do Paraguai, mas determinada e melhor postada psicologicamente em campo do que a do Brasil, ele retirou Robinho – um batedor de pênaltis, quando já se percebia que a partida seria decidida assim. Não só colocou novatos, como os escolheu para bater os pênaltis decisivos que foram desperdiçados pelos dois que entraram no final. Trata-se de um Dunga – com o respeito que me merece o nanismo – de fato muito burro.

Sei que alguns poderão dizer: todo torcedor brasileiro se mete a dar palpites – agora até o Helio Santos. Pois é, mas sou de fato um “torcedor brasileiro”…

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Lima – foto divulgação.

Nessa lenga-lenga quero colocar mais uma vez o dedo na ferida do racismo institucional brasileiro – essa sim minha especialidade. Aonde estão esses super-craques, como Jairzinho, Zé Maria, e Wladimir? Mais: onde estão os cerebrais jogadores como Mengálvio, Lima e Paulo Cesar Caju. Estes três últimos eram jogadores que atuavam sem bola e que funcionavam taticamente de forma brilhante. Pergunto: por que não estão treinando grandes equipes de futebol? Há vários outros ex-jogadores negros no anonimato. Depreende-se que para jogar os negros se destacam, para treinar equipes, não!

Felipão foi um zagueiro do tipo que metia um bico na bola e ela ia parar fora do campo. Sem técnica alguma. Hoje é estrategista do nosso futebol.

Andrade, negro, jogador vitorioso em campo, em 2009 dirigiu o Flamengo que se sagrou campeão brasileiro e se tornou o primeiro técnico negro a vencer um campeonato daquele porte.

Nós, simples mortais que amamos o futebol, não temos a menor ideia do que se passa nos bastidores do mundo da bola. Técnicos são afilhados da cartolagem que é branca e bem-nascida e em sua larga maioria corrupta, como se revelou recentemente.

Jairzinho

Jairzinho

A chamada imprensa esportiva também deixa a desejar: faz e participa de lobbies e é tendenciosa ao analisar o que acontece. Quem tiver dúvida sobre esse viés, veja como os comentaristas tratam os casos de racismo que acontecem no futebol. São analfabetos em Brasil, em nossa história, em nossas práticas discriminatórias e em minha opinião de amante do futebol são fracos também na própria análise do esporte. Sim – há algumas exceções. Boas exceções: Junior e Tostão são dois bons exemplos. Vejo futebol pela TV e há muito tempo corto o som do aparelho, pois não suporto mais as obviedades repetidas à exaustão, além de erros crassos.

Portanto, a estúpida fala de Dunga, deveria ser uma oportunidade para que os amantes do futebol: a “bagatela” de 200 milhões de brasileiros, fizessem um imenso ruído contra os absurdos que acontecem no principal esporte do país, os quais assistimos inertes.

Temos um ex-presidente da CBF preso na Suíça sob graves acusações, para vergonha de todos nós. O futebol, juntamente com a música, são as únicas áreas em que o negro no Brasil tem tido oportunidade. Somos considerados em todo o mundo centros de excelência nessas duas áreas. Todavia, o mesmo não se dá noutros setores, como na política, na economia, na literatura. Não ganhamos até hoje um prêmio Nobel sequer!

Vamos gritar em uníssono em resposta ao Dunga: Por que ex-jogadores afrodescedentes não estão treinando grandes equipes? Vamos bater esse bumbo. Quem sabe os próprios interessados, os ex-jogadores negros, comecem também a falar. O Movimento Social Negro Brasileiro enfrentou muita gente da mídia televisiva para que os talentos negros fossem para a frente das câmeras – e são tantos hoje. A televisão vem ficando mais bonita e diversa, mas precisa ficar ainda mais.

Paulo Cesar Caju

Paulo Cesar Caju

Quem sabe o futebol brasileiro sai do lodaçal em que se encontra com essa iniciativa? Vamos – negros e brancos – continuar lutando para colocar nosso País numa rota mais civilizada e justa. Levamos as ações afirmativas (cotas) às universidades públicas, agora vamos fazer o mesmo com os concursos e precisamos imediatamente cessar o extermínio de jovens negros – essa última tarefa é para “ontem”.

Percebam todas e todos: é uma pauta heterodoxa; mas temos fôlego. Temos todas e todos demonstrado isso ao longo dos últimos 35 anos.

Leiam também: O sadomasoquismo do “branco” Dunga: “Negro gosta de apanhar”.

O sadomasoquismo do “branco” Dunga: “Negro gosta de apanhar”.


pr marcos romão

Sadomasoquismo, DUNGA, é o sadomasoquismo do senhor de escravos e do torturador que você carrega no seu corpo, caro Dunga, busque um terapeuta. Não é o escravizado que gosta de apanhar, é agressor que tem prazer em causar dor.

Pensar que ser NEGRO é gostar de apanhar, faz muito mal a você e faz muito mal a todos os jogadores negros que você comanda.

Toma um banho de sal para descarregar esta mentalidade escravocrata.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Fazendo uma terapia ou um descarrego deste sadomasoquismo escravocrata, você, na posição de “Técnico Branco Supremo da Seleção Brasileira de Futebol”, vai servir de exemplo positivo a todo branco brasileiro torcedor de futebol ou não, seja em Copacabana, Avenida Paulista ou alhures, que esteja sentado em um boteco, coçando o saco, cuspindo sanque e olhando seu exemplo na telinha, que poderá aprender que um negro ajoelhado e imobilizado pela violência racista, não gosta, nem acha que precisa apanhar e ser linchado.

Você pisou na bola, Dunga, você pisou nas costas do povo negro do Brasil e do mundo. Leia a matéria. (Eu acho que sou afrodescendente)

Minha amiga Arísia Barros, coordenadora da empresa Raízes da África​ e, todas as Mães Negras do Brasil e do Mundo estão muito zangadas com você.

“Estou muito, muito, muito zangada com Dunga, o racista com todas as letras. E o que é que a gente vai fazer, hein?! Assistirmos caladas estes impropérios racistas, que aniquilam a autoestima e o corpo físico de nossos jovens negros?

“Eu até acho que eu sou afrodescendente de tanto que apanhei e gosto de apanhar. Os caras olham para mim: ‘Vamos bater nesse aí’. E começam a me bater, sem noção, sem nada. ‘Não gosto dele’ e começam a me bater”, afirmou o treinador, a um dia da partida contra o Paraguai, válida pelas quartas de final da Copa América, realizada no Chile.( #Dunga”

Nota da Mamapress: Consultamos a equipe do Sos Racismo Brasil sobre as declarações controversas de Dunga.

Encampamos a visão e sugestão do “SosRacismo Brasil“, para que a CBF e os sindicatos e associações de jogadores de futebol do Brasil, chamem o técnico da seleção brasileira de futebol, Dunga, para dar explicações e se desculpar perante o povo negro e a sociedade brasileira.

O Sos Racismo Brasil propôem: “Que Dunga faça um ato de desagravo à titulo de reparação por danos morais e difusos, doando uma quantia de forma transparente a alguma escolinha de futebol para crianças carentes, que ensinem  aos futuros jogadores e “técnicos de futebol”, que nenhum negro gosta de apanhar e ser humilhado.”

Leiam também a matéria sobre o vídeo de um homem branco que chuta um jovem negro ajoelhado e imbolizado pela polícia em Copacabana.

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Escolar negro imobilizado é agredido por homem branco em Copacabana

Goleiro Aranha dos Santos encontra Movimento Negro


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Por Douglas Belchior

 

O Santos Futebol Clube promoveu nesta tarde (13/11) uma atividade de formação para diversidade e igualdade racial para jogadores adolescentes das categorias de base do clube.

Os fortes acontecimentos de racismo no futebol que assistimos esse ano foram o tema do diálogo, que teve a presença e a explanação do goleiro Aranha, que fora homenageado pelo clube, por órgãos governamentais e pelo movimento negro.

Tive a oportunidade de entregar e ler o conteúdo de uma Carta de Apoio, assinada pela Uneafro-Brasil, além de documentos do trabalho de educação popular que desenvolvemos. Foi entregue também cópia do documento repleto de propostas de combate imediato ao racismo, assinado por diversas organizações do movimento negro, que fora encaminhada à presidenta Dilma em Março de 2014, momento em que muito se discutiu o tema.

Em sua apresentação dirigida aos jovens atletas, Aranha falou da importância do respeito à diversidade no futebol e na sociedade e da importância da educação como algo fundamental para garantir a justiça.

Além da Uneafro-Brasil, a Educafro, representado por Júlio Evangelista, também prestou homenagens ao craque.

Leia a íntegra da Carta entregue ao Goleiro Aranha:

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MANIFESTO DE APOIO E AGRADECIMENTO
O exemplo do goleiro Aranha

Nos últimos anos, o Brasil viveu um intenso processo de debates acerca da promoção da igualdade racial e do combate ao racismo. As poucas políticas de garantias de direitos para o povo negro provocaram reações por parte daqueles que acham normal a desigualdade racial e social. Neste ano de 2014 o assunto esteve ainda mais presente, uma vez que as manifestações racistas invadiram também o espaço do esporte mais popular do país, o futebol.

Manifestações racistas proferidas por torcedores do Peru e da Espanha aos jogadores Tinga, do Cruzeiro e Daniel Alves, do Barcelona, colocaram o racismo na ordem do dia. O tema ganhou força quando os jogadores Arouca, pelo Santos, e Assis, pelo Uberlândia, e até um árbitro, Márcio Chagas, em partida do campeonato gaúcho, foram alvo de ofensas racistas em campos brasileiros. Tais acontecimentos em plena véspera de copa do mundo repercutiram mal dentro e fora do Brasil. Mas o caso mais emblemático se deu depois da Copa, em pleno período de eleições, quando o Brasil se uniu à Aranha em sua digna, forte e contundente reação às ofensas racistas que recebera no sul do país, pela torcida do Grêmio.

Aranha nos encheu de orgulho negro com sua postura intransigente em assumir sua negritude e em demonstrar indignação e repúdio diante de tais manifestações. Aranha não se intimidou diante da tentativa de manipulação da grande mídia, que tentou abafar o caso e caracterizar a criminosa racista como inocente, arrependida e até como vítima da situação.

Vivemos em um país violentamente racista. Pior, vivemos em um país reconhecido e denunciado internacionalmente pela negação de direitos básicos à população negra, pela desigualdade de oportunidades, pela nula representação política e mais: um país que tortura, aprisiona e mata, como se em uma guerra, mulheres, homens e principalmente a juventude negra.

O Movimento Negro Brasileiro surge para se dedicar e combater os efeitos trágicos do racismo no Brasil. Exigimos reparação histórica pelos crimes da escravidão e pela negação de direitos sociais desde a abolição. Acreditamos na Educação como forma de combate ao racismo. Denunciamos a violência da polícia que em todo país continua a fazer dos negros seu alvo preferencial. Nos ressentimos por ver muitos irmãos negros que se destacam nos esportes, nas artes e em outros seguimentos da sociedade e que, por terem atingido altos patamares de reconhecimento, poderiam fazer muito pela nossa causa mas, na maioria das vezes, negam sua origem e viram às costas à sua própria negritude.

Aranha, ao contrário, nos encheu de esperança e de orgulho e por isso se transformou em referência positiva para todos aqueles que se dedicam à luta por justiça e igualdade racial. Podemos dizer às nossas crianças negras: não aceitem ofensas racistas, não baixe a cabeça, siga em frente e lute! Faça como fez Aranha, o goleiro. E como nos versos dos Racionais MC’s, o “príncipe guerreiro que defende o gol”, defende também o povo negro brasileiro.

Vida longa à Aranha!

Uneafro-Brasil

 

1472007_285884068276188_6216252321463963777_nfonte: carta capital

 

Campanha alerta para mortes ‘invisíveis’ de jovens negros


Na faixa etária de 15 a 29 anos, 77% das vítimas são pretos ou pardosdados da tragédia do genocidio de negros jovens

por Fernanda Escossia fonte o globo

“Os dados ainda são escandalosos, mas o problema não entra na agenda política nacional. O objetivo da campanha é tirar esse tema do armário” Átila Roque Diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil

Um jovem negro sai de casa. Na rua, no baile, na quadra, no ônibus, encontra amigos invisíveis. As roupas, a pipa, os fones e a bola se movem sem que se veja quem está ali. Correria, gritaria, um tiro. O jovem cai. Assim o vídeo de lançamento da campanha “Jovem Negro Vivo”, da Anistia Internacional, que será lançada hoje no Aterro do Flamengo, alerta para um problema antigo, mas ainda invisível para a maioria da sociedade: os homicídios de jovens negros no Brasil.

Em todo o país, sete jovens são mortos a cada duas horas — o tempo de uma sessão de cinema. São 82 jovens mortos por dia, 30 mil por ano, todos com idades de 15 a 29 anos. E, entre os jovens assassinados, 77% são negros (somando aqui os pretos e pardos, pelos critérios do IBGE).

Os números são do Mapa da Violência, estudo realizado desde 1998 pelo sociólogo Julio Jacobo Weiselfisz com base em dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde. A versão 2014 do trabalho traz as últimas informações disponíveis, referentes ao ano de 2012, e foi realizada em conjunto com a Secretaria Nacional de Juventude da SecretariaGeral da Presidência da República e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

A campanha da Anistia usa os números do Mapa da Violência. Hoje, no Aterro, esculturas de arame lembrando jovens mortos, os tais invisíveis, e um desafio entre grupos de passinho, a dança frenética que virou mania entre adolescentes e crianças, vão tentar atrair a atenção da população para o problema.

— Os dados ainda são escandalosos, mas o problema não entra na agenda política nacional. O objetivo da campanha é tirar esse tema do armário. Hoje, tudo leva a crer que a sociedade não se importa com isso — afirma o sociólogo Átila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil e um dos coordenadores da campanha Jovem Negro Vivo.

Para quem vai ao Aterro passear ou perder calorias extras, o duelo de grupos de passinho pode parecer só diversão. Mas a alegria da dança é uma das apostas da campanha para chamar a atenção para a vida de jovens da periferia que, como os acrobatas do passinho, são mais pobres, estão mais longe da escola e mais perto de situações de risco.

De 2002 a 2012, os homicídios de jovens negros cresceram 32,4%; os de jovens brancos, 32,3%. Considerando a relação com a população, entre jovens negros a taxa de homicídios por cem mil habitantes cresceu 6,5%; entre jovens brancos caiu 28,6%.

No Rio, a taxa de homicídios no conjunto da população do estado caiu 50%, uma queda consistente, de 2002 a 2012. Com isso, as taxas de homicídios entre jovens também caíram 51,7%. E as mortes de jovens negros tiveram redução maior ainda, de 65,4%. Mas ainda foram 1.680 jovens negros assassinados em 2012 no estado. Nos últimos dois anos, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), os homicídios voltaram a cair em agosto e setembro, após 20 meses de altas seguidas.

— Mesmo assim, o Rio ainda precisa intensificar suas políticas. Muita criatividade está surgindo nesses territórios mais pobres, e queremos aproveitar isso, dar ênfase à juventude da periferia. São várias vidas interrompidas. É como se o jovem negro pobre estivesse destinado a morrer — diz o sociólogo Átila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil e um dos coordenadores da campanha Jovem Negro Vivo.

CASO DG NÃO FOI ESCLARECIDO

O lema da campanha é “Mais chocante que a realidade, só a indiferença. Você se importa?” Quem se importa com tantas mortes, pede a campanha, pode assinar um manifesto reivindicando políticas públicas mais efetivas no combate à violência e à mortalidade de jovens negros. Voluntários estarão no Aterro colhendo assinaturas.

Das mortes invisíveis de jovens negros no Rio, uma das que tiveram maior visibilidade foi a de Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, dançarino do programa “Esquenta!”, da TV Globo. Em abril deste ano, Douglas foi morto com um tiro nas costas durante um confronto entre PMs e traficantes no Morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana.

A autoria do crime até agora não foi esclarecida. Em julho, O GLOBO mostrou que o tiro que matou DG partiu de uma pistola calibre .40, arma de uso exclusivo das polícias e que supostamente foi disparada por um soldado da PM durante a troca de tiros.

O caso provocou protestos e apresentou à cidade a técnica de enfermagem Maria de Fátima da Silva, mãe do dançarino, que se transformou em mais um dos símbolos de mães que cobram justiça para as mortes de seus filhos. Ela organizou passeatas cobrando providências e alimenta o site do filho. Virou personagem do documentário “Mater dolorosa”, de Tamur Aimara e Daniel Caetano, sobre os protestos que se seguiram à morte de DG.

elé’s latest downplay of racism updates his status as “house negro” – Message to “the King”: Please SHUT UP!!


A mente de Pelé ainda está presa numa senzala

Note from BW of Brazil: So what is another headline making piece about Brazilian racism without a ridiculous statement by our dear “King of futebol”, Pelé? Before I get into Mr. Nascimento’s latest and predictable idiotic statements about racism, let me share with you a recent conversation that reminded me of the influence of someone like Pelé in the daily discourse of the population. To be clear, I’m not saying that the following incident can be traced directly back to Pelé himself, but I will say that the stance of Pelé and others of his ilk on issues of race were clearly promulgated widely throughout Brazil for a number of years to the point that one could say this attitude and reaction seems to be in the water.

A few days ago, I had a conversation with a 30-something year old black woman who works as a hairstylist in a popular salon in São Paulo. I asked her if she’d heard about the controversy involving the new Globo TV show that debuts on September 16th calledSexo e as negas. I told her that many black women were outraged for a number of reasons about the show, even though it hasn’t even actually hit the airwaves as of yet. She responded that this was ridiculous and people who think in this way are “radical”. She went on to say that blacks are hardly on television and with this new show, what was there to complain about. When I said that the issue was due to images of black women always being presented as hyper-sexual “mulatas” or maids, she responded that there is also prejudice against gays and Asians and dismissed the whole issue.

Radical? Really?

So, rejecting the exhibition of another TV program that surely plays a role in the ways that everyday people perceive of women of African ancestry is something “radical”? The woman went on to say that there is also prejudice against the Japanese and gays and if people don’t like the show they should just change the channel. She wouldn’t address the fact that as Globo TV is the most dominant TV channel in Brazil that is known for manipulation and its steady programming of sex and scandal to stay on top, not to mention the fact that millions of people won’t simply turn the channel; after all, the stereotype of the sexually lascivious mulata has long been woven into Brazilian consciousness. So, if most people won’t turn the channel, exactly how would this fight stereotypes? To be sure, there most likely millions of other women who take the same stance to such questions. Which brings me to this latest gem from Mr. Edson Arantes do Nascimento.

Pelé diz que racismo deve ser ignorado

As we’ve already dealt with the “Pelé issue” in previous posts (here and here), for any one whose has paid attention to the man’s opinions on racial/social issues over the past decades, this latest  episode is nothing surprising. Opining on Pelé’s opinions on social issues, former futebol star and current congressman Romário said, “Pelé has no fucking awareness of what’s going on in this country.” I, for one, don’t actually see it in this way. I truly believe that any hugely successful black public figure has been bought and paid for by “the machine” that helped to create him or her. That includes YOUR idol as well. Let’s face it. It’s part of the price of fame and fortune. Most of these figures simply aren’t going to risk a luxurious lifestyle to speak out and consistently position themselves on social issues. It’s simply career suicide on one side, life-threatening on the other. It’s really not that hard to tell.

Now for the latest on “The King.”

Pelé minimizes racism in futebol but says it should be curbed

by Marta Nogueira

On Wednesday, futebol legend Pelé downplayed racist abuse of fans, but stressed that it should be curbed and that he was the target of racism when he was a player.

“I think it has to be curbed, but we have to know to what level. Because they are natural explosions, that are not going to change. If this was so, the Brazilian team couldn’t play in Latin America because we would have to stop all the games,” the former player told Reuters in Rio de Janeiro.

“If a person is called Japanese or German, it’s the same thing,” he added.

Racism in futebol was in evidence in Brazil in recent days, after which fans of the Grêmio team called Santos’ goalkeeper Aranha, “macaco” (monkey) and imitating the sounds of the animal, on the 28th of August in Porto Alegre. Aranha complained to the referee and expressed  his outrage after the game.

The Rio Grande do Sul team was excluded by the Superior Court of Sports Justice (STJD) from the Copa do Brasil (Brazil Cup) because of the episode, but appealed the decision.

“I don’t want to criticize Aranha, because he’s an excellent person, my buddy, he’s calm, pure, but was caught by surprise. If he did the same thing that Daniel (Alves) did when they threw a banana (at him) there Europe and he ate it, you saw that no one said anything more,” said Pelé, about the Brazilian player’s gesture that occurred in the Spanish Championship in April, which generated worldwide repercussions.

Pelé believes the reaction of goalkeeper Aranha contributed to “all this promotion for those who have this kind of racism.”

The three-time world champion with the Brazilian seleção (national team) also said that when he was a player he was a victim of racism several times.

“In my day, everywhere we played in Latin America, Argentina, Uruguay, Paraguay, they called me negro, monkey, everything. The explosion of fans even here when we would play in the interior (in the country), they insulted and it was not just me,” he said.

“They insulted us every name. I think, of course, we have to curb it, it’s a thing of racism and unfortunately, racism is not only against blacks, it’s against the Japanese, against the poor. It has to be curbed. But I think things have to be taken differently.”

Pele’s mind is still trapped in a slave quarters

By Marco Antônio Araújo

Another work can be incorporated into the collection of the Pelé Museum: an audio edited with the greatest nonsense that the King of Futebol pronounced during his existence. In this collection cannot be missing miss the imbecilities that the Athlete of the Century thinks about a topic that would would be costly, but that in his mouth is sold at a bargain price: racism.

They perceive the refinement of reasoning that didn’t manage to leave the senzalas(slave quarters: “If I were to want to stop the game every time they call me monkey orcrioulo, all games would stop. The fan, from animosity, he screams. I think we have to curb racism, but it’s not in a public place that will curb it. The more attention you pay to it, the more you sharpen it.”

If it were a white man saying this was a heap of nonsense, it would be lampooned by public opinion. In the mouth the greatest player of all time, it’s a source of shame and sorrow. When Pelé opens his mouth, we set the struggle for equality, justice and civility back centuries.

No, we are not all monkeys. We are human beings. And whoever thinks differently is abdicating his humanity. When a black omits himself or worse, accepts prejudice as something natural, unavoidable, he’s doing the dirtiest work, of putting himself beneath racist people.

It is as if they said, these ignorant slaves: racism is not a major issue, and the world was always so unfair and cruel. It’s a whipping in the face of society. Pelé should urgently review this cowardly and subaltern thought. Someone needs to put this guy in his deserved place: to the side of blacks side and the good people. In the meantime, he could at least shut up – and spend his fortune in silence.

Pelé never was a black man of his generation

By Marcos Romão

Pelé says racism should be ignored. 

Pelé’s generation is 10 years older than mine. I learned as a youth, listening to black women and men who were 10 years older than me that Pelé was an enigma, that it seemed that he didn’t see what black men and women his age saw around, racism and apartheid in Brazil.

The black men and women his age didn’t understand how a black man who won worldwide fame, in the same era in which civil rights struggles of black Americans emerged, that would play ball in countries that fought against the racist European colonialism that dominated Africa and could see what was happening and remain silent about racism and apartheid in Brazil and in the world..

In this same era that Pelé says he was insulted all the time on the field and that if he would have stopped the game there wouldn’t any more game, he was both the greatest pitchman to sell the image of Brazil as country of the racial democracy. Pelé was living proof that racism did not exist in Brazil.

Photos of Rei Pelé (King Pelé) were posted in the halls of entries of all the embassies and Brazilian consulates, next to coffee advertisements, pictures of Ipanema and baianasselling acarajé.

To the sound of Bossa Nova every foreigner who would get the visa, received the impression that in Brazil, the harmony between the “races” flowed like the black and white colors of the sidewalk curves of Copacabana.

Pelé already knew since 1960 that there were black men and women paulistas (São Paulo residents) who denounced Brazilian racism and who did not accept discrimination and organized themselves to fight it. I have reports of several activists who sought him out and he changed the subject.

Pelé was not like the blacks of his time, he never was before and not even now. Pelé as a player will continue forever as King of the Ball. Pelé. It becomes increasingly clear, he made his choice for the path of his life long ago. He decided not only not to speak of racism, he opted to be a reactionary who sought to hide it. He is exactly that: a reactionary, conservative black man.

After all, we blacks can be whatever we want and we assume the consequences for our choices. We just cannot say that this or that because we are following the crowd, like the racist girl from Grêmio.

As a famous 73 year old black man, he knows each of his words hold great weight. The weight of a verdict which teaches an entire black youth, that in order for one to succeed you must be yes man, lower your head, get on your knees and everyday take the complimentary pat of the black kid in pursuit of success.

Pelé, as he made his choice, that then carries the weight of being a non- solidarity reactionary to Brazilian blacks and those of the world. Like the old racist, the old black that accepts racism has no way, Pelé is on a path of no return.

We worry then with education and saving thousands of black youth and children, victims of Brazil’s genocidal racism, from death. Racism that feeds itself on this perverse philosophy that l King Pelé represents so well: “That doesn’t matter to me. I don’t pay attention to racism.”

Note from BW of Brazil: For many years, the Afro-Brazilian community has expressed disappointment in the way the futebol legend consistently avoids taking a stand against racism. A number of people making comments about Pelé’s latest ridiculous statement wrote that, “A silent Pelé is a poet.” Below are just a few of the other comments people who are all too familiar with Mr. Nascimento’s mindless comments have made. (Below in original Portuguese with English translations beneath)

Comments - edit

Jessica: “Pelé, my dear…I wanted to tell you so many times, but really it would only be a waste of my time. Shut up, please.”

Ana: “Steve Biko said: ‘The most powerful weapon of the oppressor is the mind of the oppressed’, but I don’t think this even applies to Pelé…He enjoys himself too much with all of this…”

Alyxandra: “People, Pelé always was an imbecile on race questions since always. Stop giving him your ears.”

Alexsandra: “Edson (Pelé) is a black racist, he doesn’t accept himself.”

Source: Mamapress, R7, Reuters BWB