“INJÚRIA RACIAL” equivale a crime de racismo: imprescritível


A Mamapress publica agora, o terceiro de uma série de artigos sobre as mudanças que aconteceram e que influenciarão os julgamentos de racismo e injúria racial, a partir da decisão do STJ de 1º de outubro de 2015, que tem suas interpretações esclarecidas ao considerar, que o ato de “injúria racial” também é racismo.

“Esse crime, por também traduzir preconceito de cor, atitude que conspira no sentido da segregação, veio a somar-se àqueles outros, definidos na Lei 7.716/89, cujo rol não é taxativo”, afirmou Maranho, sendo seguido pelos demais ministros da 6ª Turma.

“Ninguém, senão a vítima de uma ofensa racial com alusão ao conceito racista do estigma da inferiorização humana, tem idéia da violência psicológica das tais injúrias, em especial nos jovens e crianças ainda não equipados mentalmente para o enfrentamento da sociedade racista. A baixa estima, a evasão escolar, a marginalização e a busca de refúgio em alucinógenos são efeitos colaterais das ofensas racistas.” Do autor.

Como quase passou despercebida esta decisão,  e atos racistas estão aumentando tanto na vida real das pessoas, como nas redes sociais e meios de comunicação. talvez até pelo fato, de “injúria racial” ser considerado um delito menor, prescritível e com condenações risíveis, que agridem mais as vítimas  e pune os racistas, com multas do valor de uma bolsa-família. A Mamapress incia agora a publicação de artigos passados que recolhemos na internet, que poderão servir aos grupos antirracistas, ao advogados e juízes e aos delegados de polícia como informações jurídicas atualizadas,  para que possam agir na coibição do racismo, seja em que forma se apresente.

 

Por J. Roberto Militão

fonte CGN

J. Roberto Militão

J. Roberto Militão

Uma vitória extraordinária na luta contra o racismo: o delito de ´iNJÚRIA RACIAL´ é uma espécie do gênero ´racismo´, portanto, imprescritível e não afiançável conforme a nova jurisprudência do STJ.

Ninguém, senão a vítima de uma ofensa racial com alusão ao conceito racista do estigma da inferiorização humana, tem idéia da violência psicológica das tais injúrias, em especial nos jovens e crianças ainda não equipados mentalmente para o enfrentamento da sociedade racista. A baixa estima, a evasão escolar, a marginalização e a busca de refúgio em alucinógenos são efeitos colaterais das ofensas racistas.

Esse excelente artigo abaixo contextualiza a recente decisão do STJ – Superior Tribunal de Justiça (o órgão máximo de interpretação das leis) a injúria racial (a ofensa pessoal tipo “preto burro”) também é igualado ao crime de racismo, previsto no art. 5º, XLII da Constituição Federal de 1988 e na Lei Federal 7716/89 – a ´Lei CAÓ´ de autoria do jornalista e Deputado Constituinte Carlos Alberto CAÓ de Oliveira = PDT/RJ e que regulamentou pela primeira vez no Brasil, o racismo como crime, logo após a promulgação da Carta Cidadã de 1988.

Acontece que desde a vigência da lei quase nunca foi efetivamente aplicada pois as autoridades policiais, Juízes e Tribunais vinham decidindo que a ´injúria racial´, não se configurava no crime de racismo, conforme a lei constitucional – e que seria um ´delito menor´, sem as cláusulas de imprescritível e inafiançável.

Numa tentativa de dar eficácia à lei de punição ao racismo, em 1997 o então Deputado PAULO PAIM-PT/RS conseguiu aprovar projeto de lei, tipificando a injúria raical, introduzida no art. 140, 3º do Código Penal.

Novamente as autoridades passaram a desclassificar toda denúncia de racismo para o delito do tipo ´injúria racial´, do art. 140 do CP. Não consideravam a injúria racial como ´racismo´ e passaram a não aplicar o rigor da lei 7716/89, e com penas brandas ou alternativas (cestas básicas) o racismo no Brasil continua sendo prática recorrente e impune.

Doravante não podem mais decidir neste sentido!

Por conseguinte e analogia o crime de ´injuria racial´ (art.140, 3º do CP) passam também a serem inafiancáveis. Ou seja, doravante, quem os praticar se preso em flagrante pelo delito de ofensa racial, não será facultado ao delegado nem ao Juiz a fixação de fiança para responder em liberdade.

Assim, os praticantes desses crimes de violação da dignidade humana da vítima, responderá ao processo preso. Uma grande conquista no combate ao racismo!

Saiba mais

Leia sobre o caso Heraldo Pereira Versus Paulo Amorim que deu origem à decisão do STJ

Polícia caça grupos que pregam intolerância no Facebook


Organização SaferNet registrou mais de 86 mil denúncias de racismo pela internet em 2014

Organização SaferNet registrou mais de 86 mil denúncias de racismo pela internet em 2014

A polícia de São Paulo está investigando ao menos dois grupos de jovens que se organizam para pregar racismo e intolerância no Facebook e competem entre si por audiência.

Eles são suspeitos de coordenar cyber attacks contra perfis de figuras públicas, como ativistas, jornalistas e políticos e também contra fã-clubes de artistas.

Um desses grupos seria responsável por coordenar a publicação de uma série de comentários racistas na página do Jornal Nacional, da TV Globo, no mês passado, contra a jornalista Maria Júlia Coutinho.

Só em 2014, mais de 86 mil denúncias de racismo e 4,2 mil de homofobia na internet foram registrados pela SaferNet Brasil, uma organização não governamental que recebe denúncias de crimes desse tipo, recolhe provas e as repassa para órgãos policiais.

A grande quantidade de casos torna praticamente impossível que as autoridades investiguem cada comentário individual.

A Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância), da Divisão de Proteção à Pessoa da Polícia Civil de São Paulo, iniciou recentemente uma investigação para tentar desbaratar dois grandes grupos que atuam de forma coordenada.

A maioria dos seus organizadores estaria em São Paulo e no Rio de Janeiro.

“Eles costumam se reunir no Facebook, através de grupos fechados. Divulgam um alvo e promovem ataques”, disse a delegada Daniela Branco, da Decradi.

Segundo ela, as ações consistem em publicar grande quantidade de mensagens preconceituosas ou racistas ou “inundar” a página da vítima com imagens de caráter pornográfico – para que ela seja retirada do ar.

A técnica é conhecida como “flood” (inundação, em inglês) e não requer grande conhecimento de informática.

A investigação ainda está em fase inicial. Até agora, além da agressão a Maria Júlia Coutinho, a polícia registrou também um ataque contra uma jornalista de Brasília e investiga possíveis ações contra perfis de políticos e fã-clubes de músicos.

Brincadeira de mau gosto?

De acordo com a delegada, esses grupos começaram a surgir com adolescentes que se reuniram em páginas privadas do Facebook usando nomes falsos para fazer “piadas humor negro” – leia-se de conteúdo racista, homofóbico ou contra portadores de deficiência.

Os organizadores passaram então a identificar “alvos” para suas ações e a promover ataques contra perfis do Facebook em horários preestabelecidos.

Segundo a polícia, eles se sentem estimulados pela repercussão das ações – em termos de menções na mídia e compartilhamentos nas redes sociais – e chegam a competir por visibilidade.

De acordo com o psicólogo Rodrigo Nejm, diretor educacional da organização SaferNet, práticas semelhantes se popularizaram no Brasil na época das últimas eleições presidenciais, devido à acirrada divisão política do eleitorado.

Foto: Thinkstock
Crimes de injúria ou intolerância podem ser punidos com sentenças de 1 a 3 anos prisão

Grupos de militantes abandonaram o debate democrático para discriminar classes sociais e minorias, além de realizar variados tipos de ataques cibernéticos a páginas de rivais.

“Ainda não há uma cultura consolidada (no Brasil) de que na internet nossos direitos e deveres valem tanto como nas ruas. Grupos que não teriam coragem de fazer isso (comentários racistas e injuriosos) nas ruas se protegem no suposto anonimato da internet”, disse Nejm.

Porém, o que inicialmente pode parecer uma atitude sem maiores consequências está virando caso de polícia.

Punições

“O adolescente têm na ponta do dedo, no clicar do mouse, poder sobre a reputação e a honra de alguém, ela pode até mudar o curso da vida de uma pessoa”, disse o advogado Coriolano Almeida Camargo, presidente da Comissão de Direito Eletrônico e Crimes de Alta Tecnologia da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo.

Ele afirmou que esse tipo de abuso está recebendo cada vez mais atenção das autoridades. Membros das polícias e do Ministério Público já rastreiam páginas de internet e redes sociais em busca de abusos e as denúncias crescem.

Segundo ele, as práticas dos grupos investigados pela Polícia Civil paulista podem ser classificados como cyber bullying – quando pessoas se unem para realizar atos que causam dor, angústia e repercussão social.

Dependendo do teor das publicações, seus autores podem ser indiciados por diferentes crimes, entre eles injúria ou preconceito – que em casos mais graves podem render penas de 1 a 3 anos de prisão.

Além disso, segundo Camargo, a vítima pode dar início a uma ação civil com um pedido de reparação moral.

De acordo com a delegada Daniela Branco, no caso de adolescentes que cometam ato infracional, a Vara da Infância e Juventude pode determinar punições que vão desde advertências a medidas sócio educativas, ou seja, privação de liberdade.

Segundo ela, os jovens suspeitos de envolvimento com os dois grupos estão sendo rastreados com ajuda do Facebook. O fato de terem usado perfis falsos não deve impedir sua identificação. Eles devem ser chamados para prestar depoimentos.

Educação

Segundo Rodrigo Nejm, não é recomendável – e por vezes nem sequer possível – apenas investigar e punir todos os crimes de intolerância na internet pelo país. “É como enxugar gelo, é preciso também fazer um esforço massivo de educação”.

“Se a população alimenta o discurso da intolerância, isso vai além do trabalho da polícia. É preciso incentivar a cultura da cidadania na internet”, disse.

Ele afirmou que muitas vezes pessoas indignadas com as manifestações de intolerância acabam contribuindo para propagá-las e fortalecê-las.

“Tem pessoas que compartilham (no Facebook os comentários abusivos) pedindo para que mais pessoas denunciem. Mas isso não é legal porque involuntariamente elas fazem o que os criminosos querem: multiplicar suas ideologias radicais.”

“É preciso interromper a cadeia de compartilhamento, de preferência apagando o comentário”.

Ele disse que denúncias às autoridades podem ser feitas de forma anônima pelo site da SaferNet (http://new.safernet.org.br). A organização tem parceria com a Polícia Federal – para quem a ONG repassa as denúncias.

Direitos Humanos

Irena Bacci, ouvidora da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, também afirmou que o combate a esse tipo de abuso deve ser feito tanto com investigação policial como com educação.

Ela disse que apenas os crimes de racismo são investigados por órgãos federais (os crimes de injúria seriam atribuição das polícias estaduais). Segundo ela, a grande quantidade de denúncias e a infraestrutura atual impedem que cada publicação seja investigada por instituições federais.

Sobre a Polícia Civil dos Estados, ela disse que as polícias estaduais têm respondido a todas as demandas feitas pela pasta relacionadas a investigações de crimes de intolerância pela internet.

Sobre a investigação do Decradi, ela afirmou que cabe à polícia e à imprensa discutirem o que leva os suspeitos a cometerem esse tipo de crime.

Irena afirmou que na área educacional, entre as iniciativas do governo estão a elaboração de material didático sobre o tema para discussão nas escolas e o programa #HumanizaRedes, que inclui esforços de educação e denúncias de abusos pela internet.

O Facebook divulgou nota afirmando que “age sobre conteúdos que violem as políticas e padrões da comunidade, incluindo incitação à violência e racismo, práticas proibidas no ambiente da plataforma”.

Racismo, estupro, machismo, homofobia, neonazismo e pedofilia no Facebook


Racismo, estupro, machismo, homofobia, neonazismo e pedofilia

por Marcos Romão
venda de escravosMedidas drásticas precisam ser tomadas pelo Ministério Público Federal em relação ao aliciamento de jovens, muitos menores de idade, feito por adultos que colocam fotos de jovens como perfil, para se esconderem em suas práticas criminosas como incentivo ao estupro e ao racismo.
O Ministério Público Federal precisa criar com outros órgãos uma Força Tarefa com outros órgãos e tomar a iniciativa de coibir estes fatos criminosos, como este cometido pelo grupo e pelas páginas homônimas, ” Senzala Maneira!”.  Que além do mais, tem todos os sinais de serem  páginas e grupos, comandados por uma rede de pedófilos.
Os IPs variam mas são localizáveis em universidades e call centers. Os textos e os autores são sempre os mesmos, alguns inclusive já indiciados ou condenados por incitamento ao ódio e práticas neonazistas.
Por enquanto é uma tarefa não muito complicada para os investigadores. Daqui há 6 meses este exército de neonazistas estará bem maior, e aí será complicado conter ou eliminar este cancro das redes sociais.
Que nossos seguidores da Rede Sos Racismo Brasil, denunciem ao MPF sempre que encontrar estas manifestações, racistas, homofóbicas, machistas e neonazistas que encontrem nas redes sociais.
Aguardar os sacripantas do Facebook, que analisam as postagens denunciadas ao Facebook Brasil, não só nos cansam, como recebemos uma dupla agressão com a resposta do Facebook para que conversemos diretamente com os pedófilos, racistas, machistas, homofóbicos e criminosos, que passeiam rindo da cara da gente no Facebook.

Muitas pessoas, principalmente mulheres, passaram a serem ameaçadas depois de denuniarem ao facebook. O que é mais grave ainda!
Acompanhem o  ‪#‎sosracismobrasil‬

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Para denunciar ao MPF: http://cidadao.mpf.mp.br/formularios/formulario-eletronico

Num só dia,15 mil pessoas na Mamapress contra racismo no Facebook


Página "Eu não mereço mulher preta"

Página “Eu não mereço mulher preta”

por marcos romão

Mamapress.org é um blog da Rede Radio Mamaterra.
Somos antirracistas e participamos de uma rede mundial de brasileiros e amigos do Brasil.
O Brasil era uma Ilha de ignorância Internacional até a queda do Muro de Berlim que dividia o mundo em dois blocos de falácia até 1989.
Na área de informações e produção de cultura acadêmica e jornalística éramos dominados no Brasil por doutores especializados em lígua javanesa.
O Brasil “sociológico” era todo explicado através dos canônes europeus neocolonizados. Só se escrevia sobre a pespectiva do andar de cima. Embaixo eram masssas, povo amorfo e sem cor no balde branco da ilusão dos frustrados em não alcançarem a intelectualidade da Europa.
Nos vendiam ilusões à esquerda e à direita ao formularem  teorias da existência de Brasil branco, masculino e desenvolvimentista numa direção, em que o “resto” ou adaptava-se, assimilava-se ou morria.
Saber javanês é uma alegoria sobre a intelectualidade brasileira, feita por Lima Barreto em seu conto, “O Homem que sabia javanês”.
Um intelectual frustrado e desempregado lê um anúncio no jornal em que se procura um professor de javanês. Apresenta-se ao emprego, não sem antes passar pelo Arquivo Nacional e pesquisar um pouco sobre a língua de Java, para ter um início de conversa com o aluno doutor Manuel Feliciano Soares Albernaz, Barão de Jacuecanga
Com bons contatos no palácio, o Barão de Jacuecanga, tratou de apresentar a sumidade a diplomatas e ao presidente, fazendo do intelectual desempregado um herói nacional, com o cargo de Consul em Havana e por uma falha burocrática especialista em Tupi-Guarani em congressos internacionais nas Oropas, Franças e Bahias.
Hoje em dia qualquer garota ou garoto com um smartphone nos dedos, vira de um dia para o outro, Doutor em Linguagem Java, bastando saber copiar e colar em PDF, a linguagem universal embutida nas trocas de conhecimento nas redes sociais.

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Bom de tudo isto é que centenas de livros copidescados pelos nossos intelectuais mestres em javanês, podem ser hoje checados com uma pequena guglada. De jeito que muito intelectual de algibeira ficou mudo e não nos atrapalham mais com suas traduções malfeitas do que corre pelo mundo e insistência em nos chamar de “morenos”.
Muita besteira rola, está mais que claro, mas o besteirol rola de foma mais democrática e debaixo para cima também.
Por isso estamos aí nas redes sociais, onde tudo que vem, volta à cavalo, e mesmo com hoax, boatos, e mentiras deslavadas dos donos do mundo, a verdade acaba aparecendo e nem KGB, Cia,Mossad, Abin e congêneres escapam do olhar certeiro de hackeiros de ocasião que pululam na internet.
Cidadania e dignidade está virando moda. Isto é muito bom;
Mulheres com véus do Afeganistão se juntam a mulheres sem véus nas favelas do Brasil para combaterem o racismo, o sexismo e a morte de seus filhos por forças repressoras.
Indios brasileiros sentam-se juntos com ciganos suiços, negros alemães e cooptas egípcios para exigirem reparação pelo trabalho escravo e perseguições que sofreram pelo poder comecial europeu espalhado pelo mundo e com suas cabeças de ponte nos governos locais.
Minha vizinha descobre que não deve mais apanhar do seu marido nem ser estuprada, ao ler na rede que uma mulher se revoltou na Índia e castrou seu algoz.
Cada um pode virar um cada um com palavra e opinião.
Está confuso, isto está, mas tem mais gente podendo expressar o que pensa, e o século XXI  inaugura-se a era dos “sem pai nem mãe”, estado e regimes autoritários e manipuladores de opinião.
A cobra tá fumando e até o poderoso Facebook descobre que rede social é bumerangue e que o poder além de não ser eterno. só funciona com a aquiescência do cliente cidadão.
No Brasil cidadania?
Ah, sim, cidadania no Brasil, como é que fica?
Aqui a rede de dominação e alienação de nós todos começa com o poder das milícias em cada esquina. Máquina montada na ditadura e aperfeiçoada devido à nossa omissão politica-cidadã desde 1989, é mais visível quanto mais nos aproximamos dos bairros periféricos e pobres. É uma máquina que tem poder sobre a vida e morte de cada cidadão.
Numa escala de 12 a 0 em que a chance de vida se apresenta decrescente, se observarmos do centro para a periferia, a única chance de sobrevida para os habitantes das periferia “zero de chances”, está nas redes sociais, que por coincidência esquerda e direita no Brasil buscam cada vez assumir o controle e permitem que se tornem cada vez mais caras em seus bits transmitidos por meia dúzia de operadoras cartelizadas.
Pisar no pé de um cidadão me Ipanema, ganha assim mais repercussão que 12 assassinatos por forças policiais nas Cabulas Periféricas de nosso país.
No Brasil é mais perigoso falar do que acontece na nossa esquina do que do sexo dos anjos no Pentágono.
A Mamapress, e a Rede Mamaterra, só existe porque existe rede, só existe porque existem milhões de cidadãos que não dão o braço a torcer pelo mundo afora.
Não somos ninguém, somos todos os que se indignam. Por isso somos.
É incrível como lutar pela sua própria humanidade seja a atitude mais antiegoísta e antiegocêntrica que conhecemos.
Quem conquista sua humanidade, se oprime o outro, perde esta humanidade. Coisa mais simples, né? Humanidade só cresce e existe quando se compartilha.
Para isto estamos no mundo, apesar de terem poderosos que assim não acham.
Que bom que muito mais gente já está aprendendo a falar javanês;

O homem_que_sabia_javanês_e_outros_contos

Discriminação: Agora é Poços de Caldas a bola da vez. Médico chama nordestinos de antas e mineiros de burros.


Poços de Caldas/MG  Lamentável  que mais uma vez apareça no facebook, comentários racistas e  preconceituoso feito nas redes sociais revoltou os moradores de Poços de Caldas/MG.

Após o período das eleições, um médico chamado Walter de Abreu destilou todo o ódio e preconceito contra os eleitores de Dilma Rousseff. Em seu perfil pessoal no Facebook, Abreu faz uma postagem em que chama nordestinos de “antas” e mineiros de “burros”.

Mamapress faz questão de registrar para quem quiser arquivar não só ocomentário do “Doutor” Walter de Abreu, assim como seus seguidores e as vozes discordantes. Afinal , nem todos em Poços de Caldas detestam nordestinos nem acham que mineiro que não votou no candidato mineiro seja burro.

fonte: https://www.facebook.com/profile.php?id=100000432514351&fref=tsWalter1Walter3

GRANDE DESCOBERTA: nordestino votou na Dilma, porque no NORDESTE, anta anda de jegue e não paga gasolina e burro de minas também.

  • 151 pessoas curtiram isso.
  • Elisabeth Incrocci Burro do Norte de Minas Gerais, porque eu pertenço ao Sul do Estado, e aqui é reduto Tucano!!! O problema é que os 51.041.155 de brasileiros que tem dignidade, vão ajudar os 54.501.118 de eleitores que desconhecem o valor da palavra caráter, a pagar todos os aumentos que o PT vai jogar em cima do Brasil. Esse País tem que ser dividido entre o que se aproveita e o imprestável. Aí, esses malditos eleitores do PT, vão poder morrer tranquilamente de fome, sem que não tenhamos de carrega-los nas costas. Esses Estados petistas tem que arcar sozinhos com a sua falta de dignidade!!! A antadilmapinoquia, o lulaquadrilha, ao lado de osmarinatraitudoque passanafrente e o restante da gang, deveriam ser expulsos do Brasil!!! Já mudaria o mau cheiro que impregna esta Nação.
  • Keila Nogueira Gervasio Chiminazo Bom dia Doutor,darei minha humilde opinião deixando bem claro que ñ voltei na Dilma,mais a esse comentario é um tanto quanto preconceituoso tendo em vista que ñforam os Nordestinos que a alegeram.logico que foi a regiao onde o Pt ganhou mais digo que mesmo nas regiao Tucanas o pt tb teve grande significancia de voto.Acredito que essa infatisfacao tem haver com os 30 milhões de eleitores q ñ deram sua cara a tapa e simplesmente ñ votaram.até pq a diferença nas urnas foram de 3.4 milhoes muito pou
  • Keila Nogueira Gervasio Chiminazo co diante do restante que ñ votou.lembrando tambem que ñ tem como serem quase 54 milhões de Nordestinos.Em relação aos mineiros digo que vivemos numa democracia.então cada um faz suas escolhas.mais só gostaria de dizer na realidade que ñ precisamos divir o Brasil.e nem precisamos praticar xenofobia.só é uma questao de opiniao.de ficar de olho.de cobrar de cada politico seja ele um vereador até um presidente! não podemos sermos tão preconceituosos com a realidade alheia!Abraços Keila!
  • Harold Reis Norte de minas população de bahianos cansados!
  • Daniel Pires Lamentável este comentário.
    Sinceramente não esperava isto do senhor,um cara bacana.
  • Michele Fonseca Daniel Pires eu tb nao esperava… Ohhh Dr. repense seus conceitos, isso tudo é fata de cultura dos brasileiros..
  • Flavia Stein Entendi seu pensamento e nao discordo.. Nós que não compartilhamos dessa insanidade petista pagamos o preço de tudo que não ajuda a melhorar nossa pátria…
  • Adriano Lange Dias Dr. Do senhor eu não esperava isso. Decepcionado.
  • Marcia Leticia Felisberto Adorei,pura verdade,e tem pessoas que atravessam 12Km para abastecerem seus carros.
  • Emília Geryn Kkkkk Adorei Dr. Walter, compartilho sua descoberta. Grande abraço!
  • Alexandre Guimarães Dr. Walter primeiro como cidadão devo dizer que a piada é de extremo mal gosto; enquanto advogado devo alertá-lo que discriminação é crime, e a OAB está a receber denúncias. Quem quiser denunciar um crime de discriminação contra nordestinos nas redes sociais, deve enviar o print da mensagem, junto com as informações adicionais, para o e-mail direitoshumanos@oab-ba.org.br. Mas conhecendo a sua personalidade brincalhona , quero crer que irá tirar essa piada de mal gosto e que foi apenas um deslize, tenha uma boa tarde doutor.
  • Flavia Stein Shiii Dr… a petezada ta braba… rsrs
  • Walter de Abreu Devem estar mamando em bolsa família ou porta de cadeia kkkkkkkk ou no dinheiro de quem trabalha. Estou cansado de trabalhar dia e noite pra dar bolsa salário pra presidio, bolsa família e etc. Quer dinheiro trabalhe vagabundos. Meu pai ganhava salário mínimo. Trabalhamos e hoje somos dois médicos, duas professoras e uma PROMOTORA DE JUSTIÇA , prezado Dr.Alexandre Guimarães. Obrigado pelo respeito.
  • Maria Helena muito boa sua resposta DR walter abraços
  • Walter de Abreu AH, e lembrando, Allan, ALIANE, Geruza, Cintielli, Carlos Roberto e Gilda de Abreu, são os advogados da minha família, aqui no Brasil. Rebeca advogada em Londres…
  • Marli Alves Silva Alves que ignorancia com os nordestinos
  • Fernando Figueiredo Eu como advogado formado vou dizer a vcs,meu pai atravessa Rj para abestecer seu carro para economizar.Isto é guetão de ser nordestino jeca mesmo,votou na Dilma nos que lascamos feio.
  • Walter de Abreu Sara Gomes, talvez vossa senhoria não trabalhe pelo SUS. Há 23 anos, e só agora meu salário foi a R$ 3.000,00, atendendo 300 pessoas por mês, e bem atendido, fico indignado quando me reconhecem como homem de Deus, quando aceito tudo calado, mas sou chamado de ignorante, por tão nobre personalidade como a senhora, quando luto pelos meus direitos. Talvez estejas satisfeita com os cubanos , alguns, investigados pela policia federal, veja no site, para saber se são mesmos médicos. Estes, recebendo R$ 10.000,00, por mês, retirados do meu e do seu dinheiro. Tenho trinta anos de estudos, varias especializações, dezenas de diplomas, mas sempre me subordinei às autoridades, porém, quando levanto minha voz, para defender os meus direitos, pessoas inescrupulosas, sem serem convidadas,, invadem meus comentários, felizes, por serem mantenedores fies, de uma filosofia que esta extorquindo o dinheiro dos brasileiros e enfileirando as linhas de frente de desocupados. Continuo sendo um homem de Deus minha senhora, e não é pelo seu julgamento que serei discriminado, pois se dizes que isto fiz contra os amados nordestinos, estas fazendo o mesmo comigo. Antes de tirar o cisco do olho de semelhante, tire a trave que se encontra no seu, e deixe o julgamento a quem de direito. Muito obrigado.
  • Fernando Figueiredo Engraçado,Alexandre Guimarães,eu como advogado ,não vejo descriminação alguma contra os Nordestinos,então a OAB deveria entrar com recurso na Rede Globo onde Rebato Aragão faz piadas na TV sobre nordestinos,comedores de jabá,farofa,rapadura.Vc não acha isto discriminação tbm contra os nordestinos?Dilma é sim uma vergonha para o povo brasileiro.Vc viu a gasolina ontem?Vc tem carro?Ou anda de taxi ou de ônibus,mas paga por este gasto.Ontem foi a gasolina,depois de amanha a cesta basica.È preconceito,discriminação com milhares de brasileiros.Vc acha correto o piso do salario minimo? Isto sim é caso de recorrer a justça por ser falta de ignorancia,preconceito com o pobre operário.
  • Fernando Figueiredo Sara Gomes,não confunda religião cm política.a religião é mais sábia,verdadeira,pois Deus esta sempre presente,politicos são bandos de safados e sem vergonhas,nenhum honesto aponte um com seu dedo indicador?
  • Walter de Abreu Se respeita, ja é alguma coisa, e daqui a seis meses veremos seu conceito. Valeu Dr. Fernando Figueiredo.
  • Marli Alves Silva Alves conheço um monte de mineiro que votou na dilma eles tbm sao jeca
  • Marli Alves Silva Alves esse e o nosso BRASIL aos poucos vamos conheçendo as pessoa
  • Flavia Stein Concordo Marli Alves Silva Alves, nao só os mineiros que votaram na Dilma são jecas… mas TODOS que votaram nela sem excessão… pq depois de tudo que fizeram e estão fazendo com nosso país, inteligentes não são…. Dr, meu apoio em todas as suas palavras e minha indignação com essa corja que nao sabe o valor do trabalho suado e a conquista por MÉRITOS, digo trabalho árduo… conheço bem tudo isso… aqui tb conquistamos sem ajuda alguma de governo algum, pelo contrário, qtas vezes trabalhamos horas extras incessantes pra conseguir algo melhor… e acho ainda mais, não gostaram, não leiam! Mudem sua pagina… Melhor que pode fazer..
  • Leandro Moreno Dr. Lamentável comentário? Não existe nordestino cristão e médico inclusive? O que acha Augusto Barbosa?
  • Aparecida Barbosa Machado Todo ser humano tem direito de desabafo que esta assustador a falta de respeito com o dinheiro público ninguem pode negar.
  • Aparecida Barbosa Machado Que DEUS abençoe este PAÍS!
  • Fernando Figueiredo Não sou politico,nem a politica,pois os dois não valem o feijão que comem.
  • Flavia Stein Kkkkk la vem a patotinha dos DH
  • Alexandre Soares Durante Até que enfim uma pessoa que não fica em cima do muro…..
  • PrLuciano Lima Quem fala a verdade não merece castigo.
  • Flavia Stein Vc pode procurar nas páginas dos defensores do PT a quantidade de preconceito e palavras baixas contra os partidos que não são esquerdistas e comunistas como eles… kkkkk que preguiça!!!! Povo canseira…
  • Patricia Piffer Engraçado quando as ofensas vem do PT nunca é preconceito, eles podem falar qualquer coisa, ofender, provocar,mentir, palhaçada isso…
  • Leandro Moreno Passamos férias no nordeste. Temos nordestinos nas igrejas de Poços e não vão de jegue. Pagam dízimo, contas, planos de saúde como todos! Jesus converteu samaritanos e judeus… Agora hoje alguns que falam em nome dele exageram contra nordestinos. Ridículo. Diney Lenon o que acha?
  • Flavia Stein Então, Patricia Piffer… fico boba de ver a defensiva desse povo… kkkk
  • Leandro Moreno Vindo de qualquer partido ou pessoa não é legal e muito menos educado… Zuar paulista, nordestino ou mineiro é muito pobre e crime! Devemos denunciar. Pregar Jesus e humilhar irmãos e se igualar aos fariseus!!! Pior é ver pastor apoiando!
  • Patricia Piffer Flavia Stein isso tudo já chegou passou do limite…
  • Flavia Stein To falando…conheço alguns que querem organizar um espacinho nas custas de redes sociais…kkkk eu tb poderia citar nomes… mas quer saber… deu preguiça mesmo… bj pra quem fica e quer “folia”… hahahaha
  • Alexandre Guimarães Prezado Dr. Fernando Figueiredo, reza o art. 20 da Lei 7.716/89 : Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97), Pena: reclusão de um a três anos e multa. É claro que quem irá dizer se configurou o crime em tela ou não,não será a promotoria ou nós,pois somos advogados e sabemos o procedimento, mas sim o juiz do caso concreto. Mas como disse acima, no meu humilde entendimento, dentro do própria visão da nossa instituição (OAB),que incentiva e irá patrocinar tais ações, poderá ser esse o entendimento. Ainda que não configure crime, penso que democracia pressupõe respeito pela vontade da maioria, através do voto, ponto máximo do exercício da democracia. Se determinada região manifestou sua preferência a determinado candidato e o mesmo venceu, temos o direito/dever de acatá-la e respeitá-la, é assim no Estado Democrático de Direito. Do ponto de vista Cristão, apesar de não ter autoridade espiritual que o Dr. Walter de Abreu possuí, pois gosto muito das mensagens, penso ser uma contradição tais comentários, uma vez que Jesus Cristo é amor,solidariedade,compaixão,enfim tudo aquilo que permita a convivência entre os povos, sendo o amor a base. Por derradeiro, não se pode confundir liberdade de expressão com manifestação de preconceito e ódio, veja bem, não estou a dizer que seja o caso da questão em tela, é apenas uma questão de utilidade pública, pois é preciso trazer essa informação, pois a internet não é um espaço sem lei,o que é feito e dito por aqui, necessariamente irá produzir reflexos na vida real.Abraços a todos, espero ter contribuindo com o debate.
  • Leandro Moreno E o comentário não é incitante?
  • Walter de Abreu Leandro Moreno, me perdoe puritano santo, mas se na sua igreja paga-se dizimo, tem que rever conceitos, pois dizimo não se paga. É uma devolução a Deus, pela graça que recebemos, não como pagamento ou troca, mas de livre e espontânea vontade. Se estão pagando tem alguém recebendo. Não pode, será algum partido?
  • Leandro Moreno Não sou puritano amigo! Só não não acho da sua altura chamar pessoas de anta! Você privilegiado de Deus deveria ter vergonha de usar certos termos!
  • Walter de Abreu Prezados críticos puritanos. Temos dois missionários em território petista no norte de minas, vale do Jequitinhonha. Eles se ofereceram para perfurar de graça poços artesianos, que seria incumbência do prefeito. O prefeito passou a responsabilidade ao líder do citado partido. Este, deu uma lista de nomes que não poderiam receber essa ajuda de Agua. Se fizessem poços para os adversários, estaria correndo risco de morte. Podem comentar amados juízes puros e santos…
  • Flavia Stein Percebo que ninguém falou nada a respeito dos poços artesianos Dr… pq será? Talvez queiram mesmo um banquinho pra fazer discursos, não é?!
  • Keila Nogueira Gervasio Chiminazo Nossa o q tudo isso virou gente?.!!Olha dr walter eu so me manisfestei pois o admiro como paciente sua e minha mãe tb.e como estudante de Serviço Socia e ñ petista!eu so estranhei o comentario por mais q todos nos trabalhadores estejamos cansados de tanta roubalheira a custa de nos mesmos!estranhei e ñ concordei pq gosto e curto suas mensagens.me da uma paz .um renascer!confesso que assutei qd ñ vi isso hj e achei q meu comentario valeria de algo bom!ñ quero julgar .eu so queria entender?!!!
  • Marcia Correa Machado Não são os nordestinos que ganharam a eleição e sim a bolsa Familia,pois para mim seria Bolsa reprotutiva,pois a população aumenta.Daqui a pouco todos nos veremos que a solução dos nordestinos é a região sudeste,pois saem de lá com um filho no pescoço,outro em cda braço,outros segurando em cda perna e mais um na barriga.Seria melhor ao invés da Região Sudeste irem para Região Centro-Oeste e se habitarem na porta do Planalto pois lá terão mais recursos,pois a Região sudeste seria a solução deles?Não a solução seria a porta do Planalto,quem sabe a Dilma da um aumento no bolsa familia como fez na gasolina e fara em breve na cesta básica.
  • Rosana Ananias Certos pensamentos e comentários não deveriam sair da nossa mente…
  • Flaviarejane Rejane sem comentarios
  • Maju Marcia nao da nem para comentar tamanha ignorancia……………..
  • Hudson Figueiredo Quanto ao reajuste de combustíveis, que se passou na ultima sexta feira, já era algo de se esperar. Os preços de combustíveis estavam abaixo do valor de compra no mercado internacional e esta medida seria necessária de qualquer forma, com o PSDB ou o PT no governo. Trata-se de uma questão financeira. Há defasagens também no setor hidrelétrico e muito provavelmente teremos reajustes de energia elétrica também, pois o longo período de estiagem piorou o setor que teve que comprar energia de termelétricas a um custo maior, mesmo tendo financiamentos do BNDS este setor não sobrevive sem reajustes pelos motivos acima. Quanto as outras opiniões, peço a Deus que nos ilumine, a todos.
  • Sofia Aragão Estou extremamente indignada com isso. Vc formado em medicina e tão ignorante, cristão que ofende pessoas que nem conhece! Não sou burra, sou estudante e sou Dilma!
    5 h · 2
  • Eduarda Steiger Oliveira Isso mesmo….
    Parabéns….
    Temos o direito de fala o que queremos….Ver mais
  • Carla Janaina Carvalho Gente pelo amor de Deus. Temos que respeitar a opinião de todo mundo!!!! Dr. Walter de Abreu adoro o seu trabalho… Um medico maravilhoso e muito profissio al
  • Dione Di Marco Doutor Walter estão comentando sobre esse seu post…sinceramente nunca o imaginei dizendo isso…acho que pegou bem mal…
  • Freddy Barreto Sou nordestino ja morei em Poços e é triste ver o preconceito e ódio contra o semelhante, mormente quando advém de pessoas q vivem pregando a palavra de Deus, mas na prática jogam no lixo um dos grandes mandamentos do Senhor. Esse é o evangelho que vivem. Não entendeu nada.!

Campanha alerta para mortes ‘invisíveis’ de jovens negros


Na faixa etária de 15 a 29 anos, 77% das vítimas são pretos ou pardosdados da tragédia do genocidio de negros jovens

por Fernanda Escossia fonte o globo

“Os dados ainda são escandalosos, mas o problema não entra na agenda política nacional. O objetivo da campanha é tirar esse tema do armário” Átila Roque Diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil

Um jovem negro sai de casa. Na rua, no baile, na quadra, no ônibus, encontra amigos invisíveis. As roupas, a pipa, os fones e a bola se movem sem que se veja quem está ali. Correria, gritaria, um tiro. O jovem cai. Assim o vídeo de lançamento da campanha “Jovem Negro Vivo”, da Anistia Internacional, que será lançada hoje no Aterro do Flamengo, alerta para um problema antigo, mas ainda invisível para a maioria da sociedade: os homicídios de jovens negros no Brasil.

Em todo o país, sete jovens são mortos a cada duas horas — o tempo de uma sessão de cinema. São 82 jovens mortos por dia, 30 mil por ano, todos com idades de 15 a 29 anos. E, entre os jovens assassinados, 77% são negros (somando aqui os pretos e pardos, pelos critérios do IBGE).

Os números são do Mapa da Violência, estudo realizado desde 1998 pelo sociólogo Julio Jacobo Weiselfisz com base em dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde. A versão 2014 do trabalho traz as últimas informações disponíveis, referentes ao ano de 2012, e foi realizada em conjunto com a Secretaria Nacional de Juventude da SecretariaGeral da Presidência da República e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

A campanha da Anistia usa os números do Mapa da Violência. Hoje, no Aterro, esculturas de arame lembrando jovens mortos, os tais invisíveis, e um desafio entre grupos de passinho, a dança frenética que virou mania entre adolescentes e crianças, vão tentar atrair a atenção da população para o problema.

— Os dados ainda são escandalosos, mas o problema não entra na agenda política nacional. O objetivo da campanha é tirar esse tema do armário. Hoje, tudo leva a crer que a sociedade não se importa com isso — afirma o sociólogo Átila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil e um dos coordenadores da campanha Jovem Negro Vivo.

Para quem vai ao Aterro passear ou perder calorias extras, o duelo de grupos de passinho pode parecer só diversão. Mas a alegria da dança é uma das apostas da campanha para chamar a atenção para a vida de jovens da periferia que, como os acrobatas do passinho, são mais pobres, estão mais longe da escola e mais perto de situações de risco.

De 2002 a 2012, os homicídios de jovens negros cresceram 32,4%; os de jovens brancos, 32,3%. Considerando a relação com a população, entre jovens negros a taxa de homicídios por cem mil habitantes cresceu 6,5%; entre jovens brancos caiu 28,6%.

No Rio, a taxa de homicídios no conjunto da população do estado caiu 50%, uma queda consistente, de 2002 a 2012. Com isso, as taxas de homicídios entre jovens também caíram 51,7%. E as mortes de jovens negros tiveram redução maior ainda, de 65,4%. Mas ainda foram 1.680 jovens negros assassinados em 2012 no estado. Nos últimos dois anos, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), os homicídios voltaram a cair em agosto e setembro, após 20 meses de altas seguidas.

— Mesmo assim, o Rio ainda precisa intensificar suas políticas. Muita criatividade está surgindo nesses territórios mais pobres, e queremos aproveitar isso, dar ênfase à juventude da periferia. São várias vidas interrompidas. É como se o jovem negro pobre estivesse destinado a morrer — diz o sociólogo Átila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil e um dos coordenadores da campanha Jovem Negro Vivo.

CASO DG NÃO FOI ESCLARECIDO

O lema da campanha é “Mais chocante que a realidade, só a indiferença. Você se importa?” Quem se importa com tantas mortes, pede a campanha, pode assinar um manifesto reivindicando políticas públicas mais efetivas no combate à violência e à mortalidade de jovens negros. Voluntários estarão no Aterro colhendo assinaturas.

Das mortes invisíveis de jovens negros no Rio, uma das que tiveram maior visibilidade foi a de Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, dançarino do programa “Esquenta!”, da TV Globo. Em abril deste ano, Douglas foi morto com um tiro nas costas durante um confronto entre PMs e traficantes no Morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana.

A autoria do crime até agora não foi esclarecida. Em julho, O GLOBO mostrou que o tiro que matou DG partiu de uma pistola calibre .40, arma de uso exclusivo das polícias e que supostamente foi disparada por um soldado da PM durante a troca de tiros.

O caso provocou protestos e apresentou à cidade a técnica de enfermagem Maria de Fátima da Silva, mãe do dançarino, que se transformou em mais um dos símbolos de mães que cobram justiça para as mortes de seus filhos. Ela organizou passeatas cobrando providências e alimenta o site do filho. Virou personagem do documentário “Mater dolorosa”, de Tamur Aimara e Daniel Caetano, sobre os protestos que se seguiram à morte de DG.