“Os campos de concentração estão desativados infelizmente.” Extrema-direita ganha espaço na Alemanha


tradução e adaptação: Marcos Romão

do original Kurier

© APA/EPA/MICHAEL KAPPELER Dass die Bewegung immer weiter nach rechts driftet, kümmer viele Anhänger wohl kaum.

© APA/EPA/MICHAEL KAPPELER Que o movimento PEGIDA caminha cada vez mais para a direita, não é preocupação de muitos simpatizantes.

Dezenas de milhares de pessoas estavam presentes no aniversário do movimento PEGIDA. O orador principal Akif Pirinçci, provocou um escândalo com incitamentos contra os muçulmanos e os políticos alemães. escândalo.

O discurso  proferido na segunda-feira, em manifestação para comemorar o primeiro aniversário de PEGIDA era foi mais  radical do que nunca. Marcharam pelas ruas de Dresden cerca de 20.000 seguidores do movimento anti-islâmico. Incentivados pela crescente crise dos refugiados , os manifestantes os simpatizantes do PEGIDA reclamavam contra as autoridade, e gritavam que os muçulmanos não eram “refugiados”, mas sim “invasores”.

“Partido de fornicadores de crianças””(Ficker Partido Children)

A frase proferida pelo principal orador na demonstração gerou uma crise no cenário político alemão. O Akif Pirinçci, o escritor turco-alemãoque  que atraiu nos últimos anos os setores de extrema direita com a distribuição de  panfletos de agitação populistas causou um  profundo mal estar no centro do pode alemão. Suas palavras foram classificados como de extrema-direita.

Em Dresden suas palavras foram “vulgar e cheio de ódio”, escreveu o Spiegel Online:

“O ” Partido de fornicadores de crianças “, assim ele se referiu ao Partido Verde e os políticos do governo ele acusou de “Verdugos contra seu próprio povo”, que não se preocupam com os alemães. Ele começou a vociferar contra os muçulmanos que ” despejam seu suco muçulmano nos incrédulos”.

 “Os campos de concentração, infelizmente, estão atualmente fora de serviço. “

“Em uma entrevista coletiva in Hessen”, Assim começou a falar Pirincci para a multidão., “um político do CDU, falou que quem é contra asilo, deveria deixar a Alemanha”. A multidão gritou, “resistência, resistência”. Esta foi a deixa para o escritor radicalizar mais ainda.

” Existe naturalmente outras alternativas”, afirmou Pirinçci: ” Mas infelizmente os campos de concentração estão desativados”. Seu público de simpatizantes da extrema direita, aplaudiu despreocupado.

Vereadores de Niterói querem que Polícia Federal investigue casos de racismo e ameaças.


Nota da Mamapress.

Desde 2013 estamos denunciando a atuação de grupos neonazistas na cidade de Niterói. Estes grupos tem conexôes comprovadas com grupos da capital, Rio de Janeiro e de São Gonçalo, onde supostamente realizam rituais de iniciação de novos adeptos das seitas ideológicas neonazistas. Saiba mais.

Tomamos conhecimento através de postagens de cidadãos no Facebook, denunciando a colação de cartazes inspirados na famigerada organização racista dos EUA e internacional conhecida como kU-KLUX-kAN,  como tomamos também conhecimento oficial, que a Coordenação de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Niterói( Ceppir), em nota de repúdio, tomou providências imediatas ao acionar os órgãos de segurança da cidade, recomendando contatos com a polícia federal, para ceifar de vez o nascimento de grupos neonazistas que atuem na cidade de Niterói.
A Mamapress parabeniza todas as iniciativas antirracistas e antinazistas e considera, que só uma ação de todos os cidad]ãos da cidade, junto com as autoridades da cidade, pode barrar a serpente do mal no neonazismo e racismo, que comete crimes já privistos no artigo 20° da Lei Caó(lEI 7.716 de 5,1,1989)

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (

        Pena: reclusão de um a três anos e multa

        § 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo.

        Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa

        § 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza: 

        Pena: reclusão de dois a cinco anos e multacartaz-neo-nazista-1

A seguir artigo atual sobre a mobilização na cidade publicado pelo jornal o Globo/Niterói

NITERÓI – Os cartazes com mensagens de ódio de cunho racial, sexual e religioso que tomaram a Praça Juscelino Kubitschek (JK), no Caminho Niemeyer, no Centro, no último fim de semana, chamaram a atenção das autoridades de Niterói para outros casos de intolerância e provocaram um debate que pode resultar numa investigação da Polícia Federal. Na próxima semana, será apresentada na Câmara uma indicação legislativa que pede à PF que identifique os responsáveis pelas manifestações. O documento foi protocolado pelo vereador Leonardo Giordano (PT) ontem e deve ser lido terça-feira no plenário, para aprovação. Por sua vez, o vereador Henrique Vieira (PSOL) requereu a realização de uma audiência pública com a presença de órgãos da prefeitura para que outros episódios de intolerância e violência contra minorias sejam conhecidos.

Os cartazes na Praça JK não esconderam a inspiração na Ku Klux Klan, organização que surgiu nos Estados Unidos e ficou conhecida pelo discurso de supremacia racial. As mensagens faziam ameaças a judeus, muçulmanos, homossexuais, comunistas e outros grupos. Na assinatura, traziam o nome do Imperial Klans of America Brazil. Num dos textos, o grupo afirmava que tem “operado nas sombras”.

— Queremos a atuação da Polícia Federal porque esse é um crime de ódio. É uma manifestação de intolerância de uma organização que é praticamente uma facção criminosa. A PF pode ter mais facilidade para investigar, porque muito da organização tem a ver com a internet — explica Giordano.

A secretária-executiva de Niterói, Maria Célia Vasconcellos, convocou para segunda-feira uma reunião com todas as entidades ligadas à Coordenadoria de Defesa dos Direitos Difusos e Enfrentamento à Intolerância Religiosa (Codir).

— O recrudescimento deste tipo de pensamento nos preocupa e nos assusta. É um retrocesso da humanidade — enfatiza a secretária. — Vamos tentar descobrir de onde estão partindo essas ações e, ao mesmo tempo, mobilizar a sociedade para se opor ao tipo de pensamento propagado nos cartazes.

Maria Célia conta que a Guarda Municipal está colaborando com as autoridades policiais para descobrir os autores das mensagens. A Praça JK ainda não tem câmeras ligadas ao Centro de Integrado de Segurança Pública (Cisp), inaugurado no mês passado. Na quarta-feira, funcionários da prefeitura concluíram a pintura da praça para apagar mensagens de repúdio que integrantes de um coletivo que se denomina antifacista, e que se opõe ao grupo de tendências de extrema-direita, picharam em bancos e colunas do local.

Em cartaz, grupo adverte que “está de olho” – Divulgação / Reprodução

DISPUTA SILENCIOSA ENTRE GRUPOS

O episódio é simbólico. Em outros pontos da cidade, espalham-se pichações que evidenciam uma disputa silenciosa entre os dois grupos. O coletivo antifacista costuma apagar ou sobrepor as pichações que contêm discursos de ódio. Na Avenida Visconde do Rio Branco, ao lado do Canto do Rio, um muro guarda a inscrição “Anti nazis”. Uma pichação parecida se repete na Alameda São Boaventura, numa das colunas da Ponte Rio-Niterói. Também há mensagens semelhantes na Avenida Ari Parreiras, em Icaraí, e na Rua General Andrade Neves, no Centro. Outras surgiram em imagens nas redes sociais.

Relatos contam que a presença da organização de extrema-direita não se limita aos muros.

— Temos conhecimento de outros ataques. Em 2013, um homem foi agredido perto da estação das barcas. Estive na delegacia e acompanhei o caso. O prórprio GDN (Grupo Diversidade Niterói) foi invadido no ano passado. Não podemos afirmar que é um único grupo. Por isso queremos abrir o debate sobre o tema — afirma Henrique Vieira.

Os dois casos citados pelo vereador foram registrados na 76ª DP (Centro). No primeiro, cinco pessoas foram condenadas por formação de quadrilha e discriminação num ataque contra Cirley Santos. Eles foram presos por guardas municipais em março de 2013, em flagrante, portando material com propaganda nazista. Na ocasião, eles foram acusados de serem skinheads. Hoje, os jovens recorrem em liberdade.

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O segundo caso aconteceu em fevereiro do ano passado, quando o Grupo Diversidade Niterói (GDN), que milita em prol da causa LGBT, teve sua sede no Centro invadida. Documentos foram rasgados, o mobiliário foi quebrado, e as paredes receberam inscrições homofóbicas. O caso foi arquivado.

— Nós sabemos que é o mesmo grupo. E é possível identificá-los. Eles estão pelo Centro, perto da (praça da) Cantareira. Denunciamos na época, mas não deu em nada. A polícia diz que o testemunho não é suficiente e pede prova física, mas eles sempre andam em grupo e são grandes. As pessoas chegam até aqui com os relatos (de intimidação e violência), mas têm medo de denunciá-los — diz Vinícius Coelho, diretor do GDN.

Outros episódios são atribuídos ao grupo. Em março de 2014, duas alunas da UFF registraram ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) contando que foram assediadas por um jovem de 18 anos, que teria feito saudações nazistas no campus do Gragoatá. Uma delas tinha um broche do Partido Comunista Brasileiro. O Teatro do DCE da UFF também teria sido alvo. No ano passado, mensagens de ódio foram escritas nas paredes, ameaçando “comunistas”.

ISP: EM TRÊS ANOS, 1.161 CASOS DE INTOLERÂNCIA NO ESTADO

Um levantamento do Instituto de Segurança Pública (ISP) mapeou 1.161 registros policias de casos de intolerância pelo estado de janeiro de 2013 a maio de 2015. Entre eles, foram notificados 111 casos de ameaça, 496 de injúria por preconceito e 68 de lesões corporais dolosas por intolerância racial. Já no âmbito religioso, os números mostram 71 ameaças, 46 casos de injúria e 48 de lesões corporais.

Embora a quantidade de casos registrados seja expressiva, o número de denúncias é pequeno. O Disque-Denúncia (2253-1117) recebeu apenas 56 ligações sobre intolerância racial, religiosa e sexual no estado nos últimos três anos — uma denúncia a cada 17 dias. O próprio órgão reconhece que a quantidade é nula.

Enquanto isso, moradores de Niterói temem novos episódios de preconceito e ameaça. Ana Mascarenhas, de 43 anos, que se reverteu ao islamismo há cerca de cinco, conta que já foi agredida por estar usando véu:

— Foi no Centro do Rio. Agora, com esses cartazes e toda essa intolerância, fico com medo de andar na rua e ser agredida aqui em Niterói. O preconceito religioso é muito grande, principalmente em relação aos muçulmanos.

Para o presidente do Centro Israelita de Niterói, Paulo Neiman, esse tipo de manifestação ocorre devido à conjuntura econômica do país, que insufla a intolerância na tentativa de se apontar um culpado para os problemas enfrentados. Segundo ele, a entidade está em contato com as autoridades para que seja identificada a real origem dos autores dos cartazes colados na Praça JK:

— Niterói cresceu muito durantes os últimos anos e recebeu muitas pessoas de diversos locais, mas nunca tivemos esse tipo de situação. Eu fiquei espantado, assim como acredito que todos que passaram ali também ficaram. Espero que seja uma manifestação isolada, de alguém ou um grupo que só quer notoriedade, e não uma tentativa de coagir manifestações religiosas.

Neiman diz que a Federação Israelita do Rio de Janeiro está acompanhando o caso junto às autoridades.

ATENTADO À DEMOCRACIA

Para André Chevitarese, doutor em Antropologia Social e professor associado do Instituto de História da UFRJ, o perfil do grupo que colou os cartazes revela que ele está ideologicamente ligado a uma causa.

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— Quando aparece referência à Ku Klux Klan, mostra que as pessoas têm algum conhecimento, informações que ultrapassam o senso comum — avalia Chevitarese. — Essas lideranças não atentam apenas contra grupos ligados aos direitos contra homossexuais ou religiões, mas contra a democracia.

O antropólogo ressalta que, quando o preconceito é motivado por ignorância, é necessária a presença do estado para promover um ensino que forme pessoas críticas a essa prática. Ele explica:

— São ações praticadas por pessoas que se colocam contra grupos A, B ou C porque foram orientadas por algum líder religioso de que as manifestações diferentes da sua são inferiores, erradas, e devem ser tolhidas.

 

Os nazistas brasileiros: Duplo homicídio.


Um duplo homicídio revela a existência de novos seguidores de Hitler no País, com plano político, armas e conexões no Exterior
Suzane G. Frutuoso, de Curitiba, e João Loes

Fonte: Isto É

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HOMENAGEM Uma festa em comemoração aos 120 anos de Hitler. Acima, Barollo preso
Neuland é uma “nova terra”, onde não falta emprego aos cidadãos e o salário mínimo é de 840 euros (R$ 2,4 mil). Nesta República Federativa, o hino nacional é o último movimento da Nona Sinfonia de Beethoven e a capital foi batizada de Magno – para afirmar sua grandiosidade. Há três prédios interligados, com 200 mil metros quadrados e 160 andares cada um. Neuland poderia ser o país fictício de uma narrativa fantasiosa. Mas a mente de quem criou esta nação-babel, com 20 idiomas oficiais, é a mesma que está sendo acusada de planejar a morte de um rival, motivada por uma ideologia que já foi usada para justificar o assassinato de milhões de pessoas no século passado e se mostra viva no Brasil de 2009: o nazismo.
O paulista Ricardo Barollo, 34 anos, coordenador de projetos especiais da empreiteira Camargo Corrêa, foi apontado como mandante do crime que tirou a vida do estudante de arquitetura mineiro Bernardo Dayrell, 24, e sua namorada, a estudante Renata Waechter, 21, na madrugada de 21 de abril em Campina Grande do Sul, no Paraná, devido a uma disputa de poder. O crime descortinou uma rede organizada de nazistas no País, com ramificações em vários Estados e conexões com outros países.
Barollo e Dayrell eram líderes dos dois maiores movimentos nacionais. Defendiam que a raça branca estava em extinção e, por isso, a miscigenação deveria ter fim. A Neuland seria o país de extrema direita pautado na mesma ideologia que o ditador Adolf Hitler implantou na Alemanha a partir de 1934. Primeiro, o grupo tomaria São Paulo e os Estados do sul do País. Depois, conquistaria o território de 22 países da Europa.
Essa história veio à tona em 1º de maio, quando Barollo foi preso no bairro de Moema, em São Paulo, no apartamento de alto luxo em que morava com os pais – outros cinco acusados de participar do crime também foram detidos no Paraná. A partir daí, a polícia começou a ter acesso ao universo neonazista do qual faz parte o grupo. A rede com ramificações no Sudeste, Sul e Centro-Oeste do País é formada, em sua maioria, por jovens de classe média ou alta, com boa formação intelectual. A exigência é tão grande que, para ser admitido na facção, o candidato precisa passar por uma rigorosa prova.
A avaliação é realizada pelo computador, em um documento enviado por e-mail com uma senha de acesso e 30 perguntas dissertativas como “Os fins justificam os meios?”, “Quem era Adolf Hitler?” e “Quais e como eram os principais governos da Europa na década de 40?”. Quem responde de acordo com o que os fatos históricos comprovam é reprovado. Passa aquele cujas respostas são inspiradas no revisionismo, teoria que, entre outras coisas, nega o Holocausto. Os aprovados são “batizados” num lugar confirmado poucas horas antes do evento – apenas a cidade onde acontece a reunião é divulgada com antecedência. Segurando tochas de fogo, prometem honrar a imagem do Führer e o nacional socialismo.
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DIVULGAÇÃO Capa de uma revista online mensal criada por Dayrell que prega o nazismo
Tamanha devoção é contida em ações discretas, como uma sociedade secreta. O movimento não tem sede, página na internet, nem nada que o identifique perante a sociedade. Os integrantes preferem se comunicar por e-mail ou mensagens instantâneas. Telefonemas, só em casos excepcionais. Encontros, quando inevitáveis, acontecem sempre em lugares diferentes, para não levantar suspeitas. Não há amadorismo. Os grupos são divididos em células.
A da propaganda serve para divulgar a ideologia por meio de revistas e cartazes. Na política, o foco é a formação de futuros partidos e a conquista de novos membros. Já a paramilitar é o setor armado, que dizem ser para defesa (não há indícios de que participem de algum tipo de treinamento). Mulheres não podem participar.
Mas é permitido que elas frequentem as festas, onde a bebida é controlada e as drogas são proibidas. Negros também podem ingressar no movimento, mas precisam ser “puros”, sem mistura de raças. E jamais chegariam a líderes.
O detalhado plano da Neuland foi apresentado por Barollo aos seus seguidores em setembro de 2008. Primeiro, o grupo elegeria vereadores e o prefeito no Balneário Piçarras, em Santa Catarina. Em alguns anos, fortalecido, tomaria os Estados do Sul e São Paulo, num movimento separatista que criaria o novo país.
As fronteiras, porém, seriam fechadas a imigrantes. Barollo confirmou essas informações à polícia no dia da prisão, quando vestia uma camisa da seleção de futebol alemã. O que não contou é que o objetivo do grupo era bem mais ousado. Neuland, uma “terra prometida” fundamentada em “união, justiça e liberdade”, ocuparia países que fazem parte da União Europeia, como Alemanha, Dinamarca, Espanha, Itália, Polônia, Suécia, entre outros.
Está tudo documentado como um plano de governo em pastas às quais ISTOÉ teve acesso. Barollo seria o presidente, com um salário de 10.560 euros (R$ 30 mil). Superior aos R$ 8.348,95 que ele recebia na Camargo Corrêa. Seu aniversário, 18 de julho, constaria como feriado nacional. Bandeiras, ministérios, empresas, cargos e leis também já estavam definidos.
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TESTEMUNHA Ex-membro do grupo de Barollo confirma luta pela pureza da raça branca
Além de Dayrell, a polícia já sabe que mais dois possíveis líderes estavam marcados para morrer por divergirem de Barollo: um na cidade gaúcha de Caxias do Sul e outro na capital paulista. O grupo detido também teria apoio de lideranças no Chile e na Inglaterra. Da Argentina, onde há uma rede neonazista com três mil membros, vieram as armas do crime. No Brasil, até onde se sabe, a maioria luta pela ideologia e defende a estratégia, não o uso de armas, para que com o tempo o neonazismo ganhe força. A violência seria o último recurso, diferentemente dos skinheads, que têm como principal estímulo a agressão às minorias, como nordestinos e homossexuais.
A reportagem de ISTOÉ entrevistou três jovens dos grupos neonazistas – dois detidos, acusados pelo assassinato de Dayrell, e um dissidente que será testemunha de acusação. Todos na faixa dos 20 anos. Eles se mostraram arrependidos de entrar na facção, mas confirmaram suas crenças. “A extrema direita faz as coisas ficarem mais firmes”, acredita Gustavo Wendler, 21 anos, um dos presos. Também ressaltaram que tinham amigos negros, judeus e estrangeiros. Até conheciam homossexuais. “Só não permito que eles invadam meu espaço”, disse Rodrigo Mota, 19 anos, outro detido.
Além de Wendler e Mota, foram presos Jairo Fischer, 21 anos, Rosana Almeida, 22, e João Guilherme Correa, 18. Segundo o delegado Francisco Caricati, do Centro de Operações Policias Especiais (Cope), em Curitiba, eles apontaram Barollo como o mandante. O advogado dele, Adriano Bretas, disse à ISTOÉ que seu cliente não concederia entrevista, que nega todas as acusações e só falará em juízo.
Na noite do crime, o grupo de Dayrell organizou uma festa numa chácara em Campina Grande para comemorar os 120 anos do nascimento de Hitler. Os acusados atraíram Dayrell e Renata, que saíram de Minas para participar do evento, para uma emboscada na BR-116. Todos eram amigos, apesar de fazerem parte de facções rivais. “Eles vão a júri popular e podem pegar até 72 anos de prisão por duplo homicídio qualificado, motivo torpe e apologia ao nazismo”, afirma Caricati. Na casa dos envolvidos e de pessoas que participaram da festa, foi encontrado material referente à ideologia de Hitler, como bandeiras, cartazes, revistas, livros e broches.
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As divergências entre Barollo e Dayrell começaram em 2007, três anos após a formação do grupo. O mineiro teria criado camisetas, bonés e bandeiras com símbolos nazistas para vender. Barollo passou a acusá-lo de capitalista, afirmando que o ideal do grupo era de uma raça pura e de igualdade social. Dayrell chamou o líder de controlador, rígido, excêntrico, e também forjou uma votação autointitulando-se o novo comandante do grupo em Minas Gerais e no Paraná. Tempos depois, Dayrell convidou pessoas que não conseguiram entrar no grupo de Barollo, por causa da dificuldade da prova de admissão, a seguir com ele. A facção de Barollo contabiliza 50 membros. A de Dayrell, 300 pessoas.
Os grupos revelados pelo crime no Paraná não são os únicos do Brasil onde se encontram seguidores de Adolf Hitler. ISTOÉ apurou que há pelo menos mais três facções neonazistas organizadas no País. Uma no Rio Grande do Sul, com 70 pessoas, outra também gaúcha, que existe apenas para importar armas, com 20 membros, e uma terceira em São Paulo, com cerca de 40. Não há dados consolidados de quantos são os neonazistas no Brasil. Mas uma pesquisa da antropóloga Adriana Dias, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), dá pistas. Para sua dissertação de mestrado ela estudou sites que pregavam o neonazismo em português, espanhol e inglês.
Chegou a um total de 13 mil páginas em 2007. “Hoje, são 20 mil, quase o dobro”, diz Adriana. A pesquisa revelou que ocorreram cerca de 150 mil acessos a esses endereços a partir do Brasil. Com a chegada da internet, buscar parceiros que se identificam com a ideologia nazista ficou mais fácil. Entre 2006 e 2008 a Safernet, que combate os crimes cibernéticos, viu aumentar vertiginosamente o número de denúncias de conteúdo de ódio na web.
“A maior parte estava na rede de relacionamentos Orkut, mas também havia fóruns, sites e blogs”, conta Thiago Tavares, presidente da Safernet. Ele conta que diminuíram as denúncias depois de uma grande operação para coibir essas páginas em 2008, mas a atividade online continua. “Os neonazistas são organizados e têm conhecimento técnico para criar mecanismos que escondem a origem das conexões”, conta.
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Prova disso é a revista online O Martelo, criada por Bernardo Dayrell para divulgar o neonazismo. Na edição de fevereiro de 2009, dez páginas da publicação são dedicadas a um guia de segurança na internet. O texto fala, basicamente, da importância da rede para o movimento Nacional Socialista e explica, passo a passo, como navegar de forma anônima (e assim acessar conteúdo proibido sem ser identificado).
A internet também facilitou a criação de dissidências dos grupos mais conhecidos, como o Front88 e o Valhalla88, por exemplo. Esses dissidentes se anunciam com nomes pomposos e em sites elaborados, mas têm, em média, cinco ou seis membros. “Na rede, vemos grupos surgir e desaparecer rapidamente”, conta Alexandre de Almeida, historiador e mestre em antropologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), autor do estudo Skinheads: os mitos ordenados do Poder Branco paulista.
Especialistas são unânimes: a repressão é o principal caminho para que movimentos neonazistas não se disseminem ainda mais – e ganhem poder como as facções terroristas alcançaram em outros países, tornando-se um risco para a segurança do Estado. Há, porém, uma alternativa que depende exclusivamente da sociedade, que é a educação para a tolerância e a diversidade. “Não se vê isso nas escolas e poucos pais abordam o assunto”, diz a historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, professora da Universidade de São Paulo, especialista em racismo e antissemitismo.
É desde cedo que se ensina respeito pelo outro, afirma o delegado chefe do Cope, Miguel Stadler, que destaca o desconhecimento dos pais dos envolvidos no caso do Paraná – nenhum deles sabia que os filhos tinham simpatia por Hitler. “A discussão sobre preconceito é urgente”, afirma o delegado Caricati. “Quem imaginaria que, décadas depois, uma ideologia baseada em barbárie seria responsável por um crime desses?” Ainda mais no Brasil, onde a miscigenação é uma marca indelével do País.
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Facebook volta atrás e tira do ar página neonazista que atacava mulheres negras.


por marcos romão

Durou quase dez dias a novela racista, que foi a refrega entre usuários indignados com uma publicação neonazista e racista e um Facebook que alegava nada constatar que ferisse a política de conduta, deste instrumento mais utilizado pelos brasileiros para se comunicar nas redes sociais, que é o Facebook.

Foi aberta recentemente a página, “Eu não mereço mulher preta”, pelo caxiense do sul,  Gustavo Rizzotto Guerra, que foi indiciado no processo encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que investiga as declarações de incitação ao racismo, pedofilia e estupro na internet, praticadas por ele em janeiro deste ano.

Após inúmeras reclamações, principalmente por parte de mulheres negras, apoiadas pelo Sos Racismo Brasil, O FACEBOOK , recusava-se a aceitar as denúncias como no exemplo abaixo:

2015.02.08-não-do-facebookA página racista chegou a ficar fora do ar por um pequeno lapso de tempo, voltando logo em seguida, em atendimento ao recurso impetrado pelo racista junto ao Facebook, que está indiciado pela Polícia Federal, como incitador à pedofilia, ao racismo e ao estupro de mulheres.
O pedófilo, racista e estuprador virtual de mulheres,Gustavo Rizzotto Guerra, logo comemorou a vitória de sua “comunidade de criminosos”.

A página voltou!!!! Facebook aceitou nosso recurso.

A página voltou!!!! Facebook aceitou nosso recurso.

O desencanto dos usuários antirracistas com o Facebook foi total, e resolveram contra atacarm ecaminhando a todas as instâncias da justiça brasileira, queixa crime contra o meliante racista e contra o facebook que o acoitava.
Facebook libera publicação neonazista no Brasil
14 de fevereiro de 2015 às 13:27
Sos Racismo Brasil já encaminhou pedido ao Ministério Público Federal para que apure este CRIME.
Solicitamos a todos os antirracistas do Brasil que denunciem esta página, para que o Facebook mais uma vez seja lembrado, que aqui não é os EUA, e que na lei brasileira, apologia do nazismo é crime. Solicitaremos também que o próprio Facebook.com seja criminalizado caso persista na divulgação do ódio e desprezo racial contra sa mulheres negras.
SOLICITAÇÃO E QUEIXA AO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL:Informamos a existência da página no Facebook com o título “EU NÃO MEREÇO MULHER PRETA”. criando uma comunidade com o único objetivo de atacar as mulheres negras; Devido a várias reclamações chegou a ficar uns dia fora do ar, mas segundo os autores o facebook aceitou o recurso e eles voltaram mais ferozes incitando ao ódio e ao desprezo às mulheres negrasQue esta página seja retirada do ar e que se identifique seus autores respeitando-se os preceitos da lei LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989.Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)Pena: reclusão de um a três anos e multa.(Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
A drasticidade da ação se fazia necessária, pois ao permitir o retorno deste facínora e sua página racista e sexista além de nazista ele passou a escancara o seu ódio publicando personagens com suásticas e carregando nas tintas racistas.

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Para arrematar, com a leniência e cumplicidade da equipe de gerência do Facebook o meliante publicou um vídeo em que despeja e vomita suas “teorias” racistas, contra negros e judeus e principalmente mulheres negras.
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Devido a repetição destes fatos racistas, sexistas e neonazistas no Facebook, consideramos que existe a necessidade de se divulgar, quem são os responsáveis pelas análises dos conteúdos denunciados pelos usuários como ofensivos ou infringidores da lei via Facebook.
Somente a transparência permitirá que os usuários tenham certeza, que não existe nenhum simpatizante do neonazismo ou racista em sua cúpula.
Pelos comentários que recolhemos e arquivamos, dos usuários do Facebook que reclamaram desta página, pudemos observar que o Facebook ao tolerar o racismo perdeu a confiança de muita gente e será difícil recuperar.
Um grupo de cidadãos brasileiros já está elaborando uma carta à diretoria da matriz do Facebook, para saber se eles estão acompanhando o que o Facebook Brasil está fazendo.página-indisponível-2

ATUALIZAÇÃO EM 15 DE FEVEREIRO DE 2015 VITÓRIA COMPLETA COM O FACEBOOK MANDANDO A MENSAGEM ABAIXO PARA MILHARES DE RECLAMANTES!2015.02.14-para-web-mulher-

A fossa moral alemã no Chile. “Colonia Dignidad”, os remanescentes do Nazismo na América Latina.


Aqui você pode comer, dormir oudirigir nas montanhas: Villa Baviera, no Chile, onde onde era antes a Seita do Terror "Colônia Dignidad" viveu. (Foto: Reuters)

Aqui você pode comer, dormir ou dirigir nas montanhas: Villa Baviera, no Chile, onde onde viveu durante décadas a Seita do Terror “Colônia Dignidad” . (Foto: Reuters)

Assassinato em massa, abuso de crianças, a produção de gás venenoso: As ações e crimes da seita alemã Colonia Dignidad no Chile ainda não foram legalmente enfrentadas judicialmente. Agora com a reabertura das investigações, novas evidências podem vir à luz.

Por Peter Burghardt, Buenos Aires (tradução Marcos Romão) fonte SZ

O território da ex-seita terrorista da Alemanha no Chile vira Centro Turístico. Lá, você pode agora comer, dormir ou dirigir jeeps de tração nas montanhas dos Andes.

No momento investigadores descem nas profundezas da antiga Colônia Dignidade, agora chamada de “Villa Baviera”.
Recentemente, o juiz Mario Carroza visitou a vasta propriedade, localizada em um grande território junto aos Andes. Duas testemunhas o levaram a cinco pontos da “aldeia da Baviera”, onde supostamente foram enterrados os restos mortais de opositores do regime durante a ditadura militar.
Emigrantes alemães, sob a liderança do prédigo pedófilo e nazista Paul Shepherd fundaram na década de sessenta, a “colônia dignidade “, e lá construiram o enclave religioso-fascista.
O pastor morto em 2010, abusou sexualmente e atormentou não apenas maciçamente crianças, na área de sua “ilha de impunidade”. Após o golpe do general Augusto Pinochet, em 1973, vários dissidentes chilenos foram torturados e assassinados nesta “comunidade modelo” teutônica.
Novas evidências podem vir à luz
Depois de décadas de silêncio em que o juiz que cuidou da causa, Jorge Zepeda demonstrou um interesse notavelmente limitado e engavetador de provas e evidências, mesmo que os alegados crimes no “Estado dentro do Estado” fossem desde assassinatos em massa,  a tráfico de armas, produção de gás venenoso e lavagem de dinheiro.
Recentemente o promotor Carroza tomou a frente do processo, e já investigou o possível envenenamento do poeta Pablo Neruda e outros horrores. Ossos e armas já foram descobertos na região da “Colonia Dignidad”, hoje Villa Baviera.
Um programa de televisão  divulgou recentemente referências a outras localidades usadas como cemitérios clandestinos.
Com estas escavações novas evidências podem vir à luz, não só os restos mortais de desaparecidos podem aparecer, como também nomes de autores podem vir a serem esclarecidos.
Diz-se que os diligentes responsáveis pelas anotações e catalogação dos crimes cometidos, deixaram montes de fichas e cartões com detalhes de cada caso. Boa parte destes documentos foram até pouco tempo segredo de Estado chileno, sendo liberados há alguns meses.
Os documentos ilustram os contatos de Villa Baviera com o exército e os serviços de inteligência do regime de Pinochet.
Graças à constante pressão de meia dúzia de ativistas,a questão foi discutida no âmbito da visita do presidente socialista Michelle Bachelet do Chile na segunda-feira junto a chanceler alemã Angela Merkel.
O ministro das Relações Exteriores chileno Heraldo Muñoz recebeu logo após o encontro de Estado,  sobreviventes e membros da “Associação para a memória e os direitos humanos Colônia Dignidade” em seu hotel em Berlim. “Alguma coisa está acontecendo”, diz Jan Stehle, que estava presente na conversa, em que se ciscutiu sobre o vasto material encontrado sobre o caso, que há anos está sendo investigado.
A seita alemã”Colônia Dignidade” no Chile. A Colônia dos “Indignos”

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Um tribunal chileno condenou 21 líderanças da seita da “Colônia Dignidade”. Os homens foram condenados por décadas de abuso infantil. O alemão Hartmut Hopp é um dos condenados. Mas ele continua a viver livre sem ser molestado na cidade de Krefeld – graças à Justiça Alemã.

Um tribunal chileno condenou 21 líderanças da seita da “Colônia Dignidade”. Os homens foram condenados por décadas de abuso infantil.
O alemão Hartmut Hopp é um dos condenados. Mas ele continua a viver livre sem ser molestado na cidade de Krefeld – graças à Justiça Alemã.

Mas alguma coisa está andando neste moroso processo contra Hartmut Hopp. O ex-médico da Colônia e pastor confidente dos seguidores, Hopp, foi condenado em 2013 no Chile por cumplicidade de estupro a cinco anos de prisão. O Centro Europeu de Direitos Humanos e Constitucionais também apresentou acusações de assassinatos e e torturas físicas.

Hopp, no entanto, fugira para a cidade de Krefeld, na Alemanha, em 2011 e até agora se beneficiou do fato de Alemanha não permitir a extradição de qualquer cidadão alemão.
Enquanto isso, no entanto, a justiça chilena exige uma execução judicial da sentença na Alemanha. O pedido está sendo analisado e considera-se com boas pespectivas de sucesso.

O que é mais estranho por parte dos alemães, é que o governo federal alemão destinou uma bizarra ajuda financeira aos remanescentes da colônia, e os apoiará para que superem o passado…

Sindicato dos Jornalistas condena ataque racista ao portal Afropress


afropress nota sindicato jornalistas

Sindicato dos Jornalistas condena ataque racista ao portal Afropress
 

afropress

 

 

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) repudia e se solidariza com a Agência Afroétnica de Notícias (Afropress), que no último sábado (11) teve sua página na internet invadida por “hackers racistas” e “neonazistas”, que na oportunidade postaram imagens em defesa da pedofilia e do estupro de crianças negras, segundo informou o jornalista e editor da Afropress, Dojival Vieira dos Santos, na rede social da agência de notícia.

Em comunicado oficial a Afropress disse que acionou as autoridades policiais e em respeito aos leitores decidiu retirar a página do ar.

 

Leia o comunicado da Afropress:

 

NÃO PASSARÃO!

Depois das providências cabíveis junto às autoridades policiais, ao Ministério Público, e em respeito aos nossos milhares de leitores no Brasil e no mundo, decidimos pedir ao provedor a retirada do ar da página da Afropress – http://www.afropress.com.

Tomamos essa decisão após obter as pistas para identificar e exigir a punição severa dos delinquentes e criminosos racistas e neonazistas que nos atacaram e tomaram o controle da página para postar imagens em defesa da pedofilia, do estupro de crianças negras e outras não menos repugnantes e abjetas, que dão bem uma idéia da natureza do inimigo que combatemos.

Esta não foi a primeira vez que somos alvo desse tipo de violência. Provavelmente não será a última. Mas, também como das outras vezes, voltaremos ao ar com mais vigor e determinação para continuar o bom combate dos que querem um país sem racismo e não se intimidarão diante da ação de criminosos.

– Pedimos a solidariedade ativa de todos (as) os (as) que lutam contra o racismo e por igualdade;

– Exigimos ação das autoridades no sentido da identificação e punição severa dos criminosos racistas e neonazistas que nos atacaram mais uma vez.

ESPERAMOS ESTAR DE VOLTA TÃO RÁPIDO QUANTO POSSÍVEL. ESTAMOS TRABALHANDO PARA ISSO. NEM UM PASSO ATRÁS.

Jogador vítima de racismo pisa na bola. Negou-se a dar queixa do crime. A racista que o chamou de macaco, tem nome e sobrenome.


por Cosme Rimoli do original R7

Aranha não quis formular uma queixa no Jecrim (Juizado Especial Criminal) do estadio gremista. Não quis registrar formalizar a acusação das ofensas racistas que sofreu. Não quis comprar briga com a torcida de um clube. E por acreditar que não ‘levava a nada’.

instagram

Patricia Moreira acompanhado do boneco que imita macaco

 

Não foi a primeira vez que Patricia Moreira comparou um jogador negro a um macaco. Tinha experiência e se orgulhava e racista comparação. No seu Instagram mostrava para amigos, e quem quisesse ver, um macaco de pelúcia com a camisa do Internacional. Fazia cara de asco olhando o que segurava nas mãos. Colocava a língua para fora da boca como se fosse repelente o boneco.

Loira, cabelo liso, aparelho nos dentes, 22 anos. Patricia é filha da classe média gaúcha. No Sul é muito comum mulheres frequentarem estádios. Mas infelizmente, essa torcedora levou para as cadeiras da arena gremista o pior. O ranço de preconceito que ainda domina uma parcela infelizmente significante deste país.

E o futebol acabou sendo o palco escolhido por Patricia e vários outros torcedores gremistas para expor o pior de seu caráter. Mostrar que para ela as pessoas são diferenciadas pela cor da pele. E que faz questão de revelar ao mundo o que pensa em um estádio de futebol. Acolhida por outros racistas, seus gritos de ‘macaco, macaco, macaco’,flagrados pelas câmeras da ESPN, são normais.

Os gritos da nobre torcedora loira foram dirigidos ao mineiro Mário Lúcio Duarte Costa. Seu pecado não era ser o goleiro Aranha do Santos. Mas ser negro. A cada defesa, na vitória santista por 2 a 0 diante do Grêmio, novas ofensas. Ao final da partida, o desabafo.

“Da outra vez que a gente veio jogar, estava passando campanha contra o racismo no telão, não é por acaso. Eu estava no gol, xingar, pegar no pé, normal. Me chamaram de preto fedido, cambada de preto.

“Começou aquele corinho de macaco. Eu pedi para o cinegrafista filmar, mas ele não filmou. Quando decidiu, já tinham xingado. Eu fico puto, desculpe o palavrão. Dói, dói. Quando me chamaram de preto, eu não me ofendi porque sou preto sim, sou negão sim. Sempre tem alguns racistas aqui no meio.”

A partir daí, Aranha também errou. Ele não quis formular uma queixa no Jecrim (Juizado Especial Criminal) do estadio gremista. Não quis registrar formalizar a acusação das ofensas racistas que sofreu. Não quis comprar briga com a torcida de um clube. E por acreditar que não ‘levava a nada’.

 

Nota da Mamapres: Não sabemos o que nos ofende mais, se o ato racista de Patricia Moreira, ou se a covardia e medo de dar queixa ,do jogador Mário Lúcio Duarte Costa, mais conhecido como  goleiro Aranha, apelido que ganhou pela sua eficiência em defender as bolas em direção ao gol.

Aranha ainda tem tempo de pensar, voltar atrás e registrar queixa. Caso não fizer, que o MP o faça, pois Patrícia Moreira realizou um ato público de ofensa a todo um grupo da sociedade.

Caso Aranha enfie como avestruz a cabeça debaixo da terra racista, será um mal exemplo a todos os negros do Brasil que lutam para que ninguém mais seja vítima de racismo.

Acorda Aranha ou vai levar de 7 a 1 dos racistas de plantão. Racistas que estimulados pela sua omissão da próxima vez vão cuspir na sua ou na cara do próximo que encontrarem pela frente.

Esta mulher racista carrega uma fera dentro dela. Cuidado!

Juíza defende tortura e linchamento, culpa vítima e inocenta PMs acusados de matar africano à pancadas.


A justiça de Mato Grosso absolveu os policiais militares Weslley Fagundes e Higor Montenegro, envolvidos no assassinato do estudante africano Toni Bernardo da Silva, de 27 anos, natural da Guiné-Bissau. Ele foi torturado até a morte no dia 22 de setembro de 2011, na pizzaria Rola Papo, em Cuiabá, capital do Estado. O empresário Sérgio Marcelo Silva da Costa foi o único responsabilizado pela morte e foi condenado a dois anos e oito meses de reclusão, em regime aberto. Os três participaram do espancamento, que repercutiu internacionalmente.

Estudante africano Toni Bernardo da Silva, de 27 anos, natural da Guiné-Bissau

Estudante africano Toni Bernardo da Silva, de 27 anos, natural da Guiné-Bissau

Na sentença, a juíza Marcemila Mello Reis, da 3ª Vara Criminal de Cuiabá, assegura que, no episódio, Toni estava extremamente alterado e seu comportamento causou a trágédia. “A vítima foi o agente provocador dos fatos, e seu comportamento foi decisivo para o desenrolar dos acontecimentos”.

O local do crime é próximo à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde Toni estudou através um projeto de intercâmbio. Ele fazia parte de uma comunidade de africanos.

Toni passava por uma fase complicada na vida pessoal e, no dia em que morreu, segundo laudo policial, havia ingerido drogas e álcool. Depois disso, foi à pizzaria onde teria pedido dinheiro às pessoas de forma desconfortável.

A noiva do empresário disse em depoimento que, apesar do casal já ter negado a dar esmola, o rapaz ficou por ali incomodando e chegou a passar a mão na região do peito dela. Depois disso, o empresário desferiu vários socos no estudante, derrubando mesas e cadeiras, até chegar próximo onde estavam os policiais militares Weslley e Higor e seus familiares. Os PMs entraram na briga.

A estudante Diela, que faz parte da comunidade africana em Cuiabá, não aceita isso como argumento. “Isso justifica a morte de Toni?”, questiona Diela, que também é da Guiné-Bissau, conterrânea e amiga da vítima. O problema para ela, neste caso, foi a cor da pele de Toni. “Nascer pobre e preto no Brasil é uma condenação”. O estudante africano Ernani, que também é da comunidade de estudantes africanos, reforçou que não há dúvida. “Se Toni fosse loiro, morreria assim?”

Alguns meses após o crime, a professora Janaína Pereira, que mora próximo à pizzaria, chegou a contar publicamente que, devido à gritaria, correu até o portão de casa e viu tudo acontecer. Ela teme pela própria vida por ser testemunha ocular. Segundo ela, os três acusados desferiram uma série descomunal de golpes de chutes e pontapés, quando Toni já estava sem forças. “Um deles foi tão forte que se Toni tivesse sobrevivido perderia um dos testículos”, relatou durante audiência pública sobre o caso.

Conforme a juíza, várias pessoas bateram na vítima e não somente os três acusados. Conforme laudo médico, a morte de Toni se deu por asfixia mecânica, decorrente de uma fratura na traqueia.

Apesar da força dos fatos, ao sentenciar a juíza levou em conta o fato dos “envolvidos não terem antecedentes criminais”. A sentença, assinada na última sexta-feira, mais de dois anos após o crime, desagrada o movimento negro, que entende que este foi mais um violento caso de racismo.

“Vamos denunciar esse absurdo em âmbito local, nacional e internacional”, avisa o jornalista João Negrão, da coordenação da União dos Negros pela Igualdade (UNEGRO) do Distrito Federal e membro do Conselho de Defesa do Negro do Distrito Federal. “Além disso, vamos entrar em contato com familiares do Toni, para saber se desejam recorrer a instâncias superiores no Brasil”.

O UNEGRO do Distrito Federal já havia denunciado o Estado de Mato Grosso à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). E agora levará o caso também à Corte Interamericana de Direitos Humanos, onde tramitam casos que configuram como injustiça.

Fonte: Terra

É no Brasil. Árbitro de futebol é chamado de macaco e tem seu carro quebrado por torcedores racistas.


O silêncio e o isolamento dos negros no Brasil precisa acabar.
Me pergunto sempre que mecanismo é esse que impede a um negro buscar outros negros para lutar junto, que faz com que os negros silenciem e só quando pensa em seus filhos abre a boca e chora diante da imprensa?
É, o isolamento dos negros no Brasil tá matando mais por dentro do que o próprio racismo.
Parabéns árbitro Marcio Chagas da Silva por abrir a boca. Estamos aqui para apoiá-lo.
Vamos ver se a Presidenta e as autoridades brasileiras, vão se importar em coibir os racistas nacionais!
Vamos ver o que o Tinga tem a falar agora!( Marcos Romão)
Jones Lopes da Silva

Ao chegar em casa em Porto Alegre após o jogo da noite em Bento Gonçalves, o árbitro Márcio Chagas da Silva encontrou a mulher, Aline, dormindo. Estava sob forte efeito das agressões racistas sofridas no estádio horas antes na Serra. Ofensas do tipo “macaco safado” e “volta para a selva, negro” que ouvira na partida não lhe saíam da cabeça. Queria desabafar, mas não acordaria a mulher no início da madrugada. Foi ao quarto do filho, Miguel, de 10 meses, que também dormia, e decidiu: não se calaria diante da humilhação.

Foto: Diego Vara

Foto: Diego Vara

Lembrou que há quase 10 anos, em 2005, sofrera os mesmos xingamentos em jogo do Encantado contra o Caxias, no Estádio Centenário. Na época, o técnico Danilo Mior, do Encantado, o chamou de “negrão coitado”. Márcio relatou em súmula e Danilo acabou suspenso por 60 dias pelo tribunal da Federação Gaúcha de Futebol (FGF). Zero Hora contou a história daquela agressão. Márcio comentou:

– Esses casos acontecem sempre na Serra. É muito difícil trabalhar lá.

Agora, o árbitro volta a sentir a revolta. Passado tanto tempo, continua a suportar o estigma de ser árbitro negro no interior gaúcho.

– Pensei: não quero que meu filho sofra o mesmo daqui a 10 anos – murmurou o árbitro.

Foi para o notebook, queria redigir a súmula e, com tanta revolta, não sabia por onde começar. Iniciou a redação e resolveu transformá-la em e-mail, que enviou como um desabafo a amigos. A súmula faria depois.

Diz assim a mensagem, escrita na madrugada:

“Ontem à noite (quarta-feira) fui recebido de forma hostil, algo que não é novidade, mas também com insultos racistas desde a entrada em campo (…). Fui chamado por parte de torcedores do Esportivo com as seguintes palavras: “Macaco safado ladrão, volta para selva negro imundo”. Além destes elogios todos, meu carro foi amassado a pontapés nas portas e arranhado com algum objeto contundente, sendo que colocaram bananas por cima do carro e no cano de escapamento (…) Fica o triste registro do ocorrido! Márcio Chagas.”

Ontem, Márcio Chagas de novo se emocionou ao lembrar de Miguel dormindo.

– Eu pensei em parar de apitar – disse ele. – Qual o mundo que o meu filho vai encontrar?  – Não sou eu o errado. Decidi desabafar, é a melhor forma de ajudar Miguel.

Reveja a reportagem sobre racismo publicada por ZH em 2005:

 racismo

A barbárie mora ao seu lado: O Depoimento à Veja, pelo menino de rua de 15 anos, brutalizado e preso a um poste em pleno bairro do Flamengo


O depoimento dado à Revista Veja à jornalista Pamela Oliveira:

“O adolescente detalhou, em depoimento, seus passos na noite de sexta-feira. Contou que seguia para Copacabana com três amigos, também moradores de rua, para tomar “banho de mar”. Depois de passar pelo local onde funciona uma academia ao ar livre, no Aterro do Flamengo, o grupo foi perseguido pelos cerca de 30 jovens que estavam no local, alguns deles motociclistas, segundo conta. Um dos homens estava armado com uma pistola, disse. Dois dos amigos moradores de rua escaparam. Com o rapaz que não conseguiu fugir, ele passou a ser agredido e ameaçado. Em dado momento, o outro jovem também escapou, e passou a ser ele o único em poder do grupo. Os homens o acusavam de roubar bicicletas e praticar assaltos naquela região.

Os agressores aplicaram uma “banda” e ele foi ao chão. Começaram, então, agressões com capacetes, pontapés e várias humilhações. Acusado de roubos, ele acreditava que seria morto pelos jovens que descreveu como “brancos e fortes” e “playboys” – apenas um deles era “pardo”, segundo contou o rapaz a um funcionário da Secretaria Municipal de Desenvolvimento social. O pardo, segundo conta, pediu desculpas.

Depois do fim da sessão de agressões, ele foi atado ao poste, e passou a sentir medo de ser assassinado por um dos jovens agressores, que poderiam retornar para terminar o “serviço”. O rapaz foi localizado e socorrido por alguns moradores do Flamengo – entre eles a artista plástica Yvonne Bezerra de Mello, fundadora da ONG Projeto Uerê, de educação infantil. Depois de medicado, ele se desvencilhou e procurou ajuda em um abrigo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social no Centro, onde estava desde então, sem ser identificado. Outro dos quatro perseguidos também ficou no abrigo, anonimamente.

Na tarde desta quarta-feira, segundo contou, a diretora do abrigo o reconheceu, e comunicou o caso à Secretaria, que auxiliou o rapaz a prestar depoimento. A delegada Monique Vidal apresentou a ele fotografias dos 14 detidos na noite da última segunda-feira, em um tumulto no Flamengo, no qual dois menores disseram ter sido ameaçados. O jovem não reconheceu nenhum deles, o que, por ora, descarta a suspeita de que os casos estejam conectados e que sejam grupos de agressores com integrantes em comum.

A delegada Monique Vidal tenta, agora, encontrar imagens das cenas de perseguição, tortura e humilhações ocorridas entre a noite de sexta-feira e madrugada de sábado, para tentar chegar aos agressores. A Polícia Civil informou que o adolescente tem uma passagem pela Delegacia Especial de Proteção à Criação e ao Adolescente, que cuida de crimes cometidos por menores, mas não detalhou que delito foi atribuído a ele.

Funcionários da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social descreveram o jovem com um menino calado, pacato e muito querido pelas assistentes sociais. Ao ser identificado pela diretora do abrigo, ele chorou compulsivamente.

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Nota da Mamapress

Desde 2010 está acontecendo  a mesma prática de violência praticadas por bandos da classe média, nesta área no bairro do Flamengo em .

No dia 09 de janeiro de 2010 na Avenida Pasteur, quase em frente à IBM, motoqueiros despiram um rapaz negro e o amarraram nu, sob sol escaldante na calçada quente.
A apreensão do rapaz, a quem acusavam de ter tentado furtar uma moto, fora feita por um bombeiro do Salva-Mar. O bombeiro se retirou deixando a custódia do rapaz com os motoqueiros.
Existe uma semelhança e uma coincidência com os fatos de 2014 com a utilização dos mesmos métodos de tortura e humilhação.
A Rede Rádio Mamaterra observou nas trocas de conversa nos grupos sociais do facebook de moradores da mesma área em 2014, a participação de motoqueiros e bombeiros que lá moram.
Esta prática fez escola e tem lideranças. Cabe ao ministério público investigar à fundo esta quadrilha que parece operar há anos no Bairro.

Se o MP e a polícia, não estão ainda fazendo, devem fazê-lo, pois a linha de tempo destes facínoras está gravada. É só pesquisar.
A grande imprensa e a mídia em internet também pode fazê-lo. Estas pessoas criminosas estão tão certas de sua impunidade. Que deixaram o rabo à vista na internet.

9 de fevereiro de 2010 no Flamengo

9 de fevereiro de 2010 no Flamengo