Abdias foi para o andar de cima.


Neste minuto estou na Central do Brasil, vou visitar o superintendente de Promoção da Igualdade Racial do Rio deJaneiro, Marcelo Dias, e presidente do Cedine, Paulo Roberto “Paulão” dos Santos.
Januário Garcia me liga, nosso amigo acaba falecer. Silêncio, os pobres e os negros seguem para pegar o trem.
97 anos de luta e resistência.

Cinzas de Abdias Nascimento vão para o chão que ele beijou: Serra da Barriga, terra de Zumbi dos Palmares


Romão: Essa foto data de 20 de Novembro de 1988 na Serra da Barriga. Ela retrata o momento em que Abdias beija o solo sagrado do Quilombo de Palmares diante de Lélia, Jose Miguel, Jesus, Abgail, Mãe Hilda, Aguinelo da Casa Branca, Edialeda e outros. Essa foto é muito emblemática com o momento atual.Januário Garcia


Abdia Nascimento manifestou à sua familia que desejava ter suas cinzas lançadas na Serra da Barriga para estar junto de seus ancestrais quilombolas que lutaram pela liberdade de seu país, o Brasil.
Abdias Nascimento, fundador do Teatro experimental do Negro na década de 40, senador da república na década de 90, Abdias. que já falava de cotas para negros na década de trinta, faleceu, ontem 23 de maio 2011 aos 97 anos de idade, no hospital dos Servidores Públicos do Rio de Janeiro.

Seu corpo será velado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro a partir das 18 horas da próxima quinta feira, dia 26 das 18 às 23 horas e, no dia seguinte das 6 às 11 horas da manhã, quando seu corpo será levado até a Santa Casa de Misericórdia para ser cremado.
Suas cinzas conforme seu desejo serão lançadas na Serra da Barriga, no Quilombo dos Palmares,
Valeu Zumbi!


Brasil é um país em que ricos, eurodescendentes e brancos sempre tiveram cotas de quase 100% nas universidades públicas, Abdias doi considerado um quixotesco e racista por reivindicar 30 anos depois do fim da escravização dos negros no Brasil, cotas para os negros no ensino e em todas as esferas da vida pública brasileira. Abdias fez a coisa certa, como diz o nosso amigo comum, Luis Carlos Gá. Traçou um caminho e o percorreu por toda a sua vida. Vivemos hoje a discussão e a realidade que Abdias Nascimento previu e semeiou.
Vale à pena escutar Abdias conversando com estudantes da UERJ em 2008.

Abdias chama: Vamos bater os tambores no Quilombo do Sacopã e no mundo inteiro inteiro!


João Jorge com Abdias na vista de Obama

Acabo de receber a notícia da esposa de meu amigo Abdias Nascimento que ele se encontra em intensiva estação, em uma situação delicada com complicações nos pulmões.
Vou pra ladeira do Sacopã, último quilombo urbano da zona sul do Rio. Vou orar por ele.
Asé meu irmão Abdias, resista e insista!
Um dia sairemos deste exílio em nossa própria terra!
Marcos Romão

Arquivo de vídeo da Mamaterra


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Mãe Beata: Presença confirmada no lançamento da Radio Mamaterra


123 anos de Abolição sem Comunicação

Nos 123 da abolição da escravização sem meios de comunicação!
Retribuindo a visita em 2008 de Mãe Beata no Quilombo de Hamburgo. A Rádio Mamaterra vem ao Quilombo do Sacopã com a proteção de mãe Beata de Jemanjá.
Dia 7 de maio 2011 no Quilmbo do Sacopã na Ladeira do Sacopã 250 na Lagoa, Rio de Janeiro;
Muita música e feijoada da 14 às 21 horas.
Cum Nós é Um +Ogum! A comunicação de baixo para cima.

Vou descobrir o Brasil. É 21 de abril


Porto de Hamburgo

Vou pegar o avião sem lenço nem documentos. Vou descobrir o Brasil no dia 21 de abril.
Vou visitar minha familia, meus amigos e os indios Pataxós, esses meus amigos esquecidos por todos.
Alguns amigos do peito se cotizaram e me mandaram uma passagem para eu passar umas semanas no Brasil.
Eu às vezes mereço um carinho destes.
Foi um ano brabo, sentado no meu laptop, e com as nádegas assadas de tanta irradiação, mas no hospital, mantive o ânimo e a garra, graças aos meus amigos. Gente de perto e gente que eu nem lembrava mais.
Vou passar 40 dias no Brasil, feito o profeta. Sei que está confuso, mas está bão. Tive uma provinha, quando fui para as cerimônias em homenagem à minha mãe, falecida em dezembro.
Saí com milhões, de gentes é claro, pois nem os milicos fizeram tantos estragos no país feito o Collor, o cara não era nem é sério.
Volto devagarinho, não de vez, porque fiz muito do Brasil por aqui fora. Do Brasil que eu gosto, e fiz pelas minhas andanças.
Plantei um Quilombo na Alemanha, e os pretos de todas as cores apareceram para me ajudar e à minha copanheira, quando a coisa apertou. Era preto louro, era preto japones e até preto árabe, a colocarem bálsamo em minha feridas, vinham até pretos brasileiros, desconfiados de tanta igualdade na minha casa do povo, que é o Quilombo Brasil/Radio Mamaterra de Hamburgo.
Não dá nem para falar nome, para não criar desgostos. Foram muitos os que me ajudaram e pronto. Estou agradecido a todo mundo. Principalmente os que botaram dez reais na minha conta, pois sei que dez reais, vale um milhão para quem não tem nada.
Vou vir para olhar. Disseram que tem uma mulher no poder, que é séria, e acredito. Pois quem roda o mundo feito eu, tem mais é que acreditar na punjança de nossa gente. Se nossa presidente acreditar feito eu, em nosso povo, vai ser muito bom para todos e felicidade geral da nação.
Vou à cata de gente e de grana, para plantar a Mamaterra no Brasil. Brasil que ficou grande aqui fora, antes dos políticos perceberem. Nesta o Collor fez uma boa. Mandou para fora mais de 6 milhôes de brasileiros, enquanto ficou com os milhinhos de cada um de nós. É o ditado de grão em grão a galinha enche o papo. E não se fala mais nisto.
São estes milhões de gentes, e eu no meio, que o Brasil tá precisando. Não mais prá só mandar dinheiro para suas famílias, e chorar de saudades com caipirinha misturada com neve. Mas para lembrar que temos garra e esperança, que o Brasil é bão, apesar de nós brasileiros. Basta desligarmos a máquina que nos anestesia. Esta máquina que nos faz gozar com tanto petróleo nas mãos de uma minoria. Com tanto milho e soja para engordar porco na Europa, e botar os cadillacs prá rodar em San Tropez.
O que o Brasil tem de bão é sua gente. Parece que as elites não perceberam ainda isto. 50 mil moleques morrem à bala por ano. São 5 Fukoshimas por ano e não sai nem na Al-Jahzira. Mas esqueçamos isto por enquanto.
Vou com prazer em saber que tem meia dúzia de 4 ou 5, que já desligaram a bomba que os mantinham mortos vivos em seus apartamentos.Teve até uma senhora que cometeu a loucura santa, de encarar dois meganhas do esquadrão da morte lá em São Paulo. Pô que coragem louca. Fazer isto em um país, que nêgo tem medo até de reclamar que o vizinho, pegou a bola-de-gude do filho, pois o cara pode ser de algum comando.
Esta senhora paulista tem a garra e a inocência de minha mãe. Que bão. Em um país com tantos macacos velhos, que se encastelaram em suas barrigas e não movem uma palha para acabar com a violência que aterroriza as pessoas tanto ou mais que no período mais cruel da ditadura, é bom que apareçam estas pessoas inocentes, prá dizer que alguém está errado. Sem ter medo de perder a vida.
Mas poxa. comecei a escrever porque estava contente… Estava e continuo contente. Os médicos acabaram de me dizer que estou curado pelo menos deste câncer, que quis devorar minhas entranhas. Eu e minha companheira saímos dando pulinhos do hospital.
Mereço este descanso trabalhando. Sim por que Brasil para mim é trabalho, trabalho que dá prazer, lá e aqui fora. Carrego ele por onde ando, pego um pouco de cada país nas gentes que conheço ao longo do caminho. Todos sabem curtir estas culturas que trago em mim e que faço questão de preservar. Culturas contraditórias, mas que merecem continuarem vivas, para garantirem a vida em nossa terra, terra que seca com a homogeneidade.
Asé e um grande abraço e muitos beijos para todo mundo. Vim e vou para ficar no mundo, que é o lugar da gente.

Romao no Brasil


Filé entrevista Romao na saída do IV Seminário do Negro No Rio, com o tema “Repensar o Negro”.